reportagens e mudanças nas políticas públicas

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FNDC cobra de Dilma a regulação da mídia

(reproduzindo…)

NOTA PÚBLICA DO FNDC:
Regulação da mídia é caminho para consolidar democracia brasileira
A campanha eleitoral colocou o debate sobre a regulação dos meios de comunicação de massa no centro da agenda política do país. Diante do comportamento de parcela da grande mídia e da ausência de um debate plural e efetivamente democrático nos diferentes espaços de formação da opinião pública, a necessidade de um novo marco regulatório para o setor – defendida há mais de dez anos por movimentos sociais e organizações da sociedade civil – mostrou-se uma vez mais urgente.
Neste contexto, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que há 23 anos reúne centenas de entidades em torno da luta pela ampliação do exercício da liberdade de expressão em nosso país, saúda as declarações da Presidenta Dilma Rousseff de que uma das prioridades de seu próximo mandato será a regulação econômica da mídia. Trata-se de uma medida estratégica para a consolidação da democracia brasileira.
Ao contrário de países democráticos como Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Espanha e Argentina, o Brasil pode ser caracterizado hoje por uma brutal concentração dos meios de comunicação, tanto na radiodifusão quanto nos veículos impressos. A internet tem cumprido importante papel no sentido de multiplicar as vozes em circulação na esfera midiática, mas neste espaço também atuam os grandes conglomerados de mídia, reforçando a concentração econômica do setor.
Ao mesmo tempo, carecemos de mecanismos transparentes e democráticos para a concessão de outorgas de radiodifusão e não há no país uma política que garanta a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação, como previsto na Constituição Federal. A ausência de um campo público de comunicação robusto aumenta o poder de mercado do setor privado/comercial, enquanto canais comunitários seguem à margem do sistema midiático.
Dispositivos de fomento à produção nacional, regional e independente estão restritos hoje ao Serviço de Acesso Condicionado (TV por assinatura), a partir da Lei 12.485/2011. Na TV aberta, prevalece a concentração da produção no eixo Rio/São Paulo, a maior parte dos canais já tem mais produção estrangeira que nacional, crescem os casos de sublocação das grades de programação e de transferência de concessões de forma irregular e sem qualquer debate público. A ausência de mecanismos para o direito de resposta nos meios de comunicação também cria um ambiente de violação dos direitos humanos e de restrição à liberdade de expressão de indivíduos e grupos sociais.
Neste cenário, torna-se imperativa a atualização do marco legal das comunicações, no sentido de colocar em prática os princípios constitucionais e de estabelecer regras para a configuração e funcionamento do setor, como já acontece nas mais diferentes áreas. Este novo marco regulatório deve responder às mudanças tecnológicas das últimas décadas e às demandas de uma sociedade mais complexa, que clama pela garantia de seu direito à comunicação. E deve ser resultado de um amplo e plural debate com a população brasileira, há tanto tempo interditado por setores que, em nome da manutenção de seus interesses e privilégios, vem se colocando sistematicamente contra a democratização da comunicação no Brasil.
O compromisso assumido pela Presidenta Dilma durante a campanha eleitoral vai, portanto, ao encontro de uma reivindicação histórica da sociedade civil, sistematizada, desde 2013, no Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática, que já recebeu o apoio de milhares de cidadãos e cidadãs em todo o país.
Enfrentar as disputas em torno de mudanças estruturais no setor não será, no entanto, tarefa simples. Assim como na pauta da Reforma Política, o desafio exigirá, além da mobilização popular e da decisão política da Presidenta, a liderança de um Ministério das Comunicações guiado pelo interesse público e aberto à participação da sociedade na elaboração e acompanhamento das políticas públicas de comunicação. E, não menos importante, dependerá do envolvimento de parlamentares comprometidos com esta luta e com a construção de uma sociedade mais diversa e democrática.
O FNDC reafirma seu engajamento e de seus comitês e entidades no avanço deste debate público, esperando que a conclusão deste processo seja um marco regulatório democrático e representativo da diversidade de ideias e visões que compõem o povo brasileiro. Também seguiremos vigilantes para cobrar da Presidenta reeleita os compromissos assumidos no âmbito da regulamentação do Marco Civil da Internet e da universalização do acesso à banda larga no país, ambos também fundamentais para a garantia da liberdade de expressão de todas e todos os brasileiros.
O momento exige força e muita energia. O FNDC e suas organizações filiadas prometem intensificar a luta e a mobilização popular no próximo período!
Democracia da mídia JÁ!
Brasília, 7 de novembro de 2014.
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC

Frank Maia é o maior, e vou dizer porque

Screenshot 2014-11-05 10.01.58Imagine a cena: você entra na sala meio acabrunhado, nem senta e eles te dizem na lata. Você está fora! De-mi-ti-do.

Diante isso, a maioria das pessoas junta os cacos e sai de fininho. Uma minoria, em vez de juntar, espalha os cacos, jogando tudo no ventilador. Mas tem uns outros, que vão além… Meu amigo Frank Maia é desse time.

Soube hoje que ele foi desligado de A Notícia, e – chateado – fui buscar razões para a notícia ruim. Justo o Frank, um chargista criativo, com um traço personalíssimo, uma usina de piadas ambulante!

Pensei em ligar pra ele, deixar um abraço. Desisti. Vai que o cara emenda uma piada e acabamos gargalhando dessa história toda. Deixei meia linha de comentário no Facebook. Daí, deslizei a tela e vi outro post, que me deixou muito impactado. Nele, o Frank faz troça da própria condição. Faz uma charge homenageando justamente o cara que vai substituí-lo em A Notícia. Isso mesmo. Frank não é só o melhor chargista de Santa Catarina há anos – na época de Bonson, ele já era, mas não admitia frente ao mestre. Frank Maia não é só o melhor chargista do Estado como é um cara extraordinário, um ser humano capaz de deixar a prancheta reluzente para seu sucessor.

Frank, eu te amo, cara!

revista rastros com chamada aberta

(reproduzindo)

Call for Papers – edição n. 20 da Revista Rastros – Bom Jesus IELUSC (Joinville/SC)

O Núcleo de Estudos em Comunicação (Necom) lança chamada de artigos para a 20ª edição da Revista Rastros. Serão aceitos preferencialmente artigos de mestres e doutores (mestrandos podem participar em coautoria com seus orientadores).

Os trabalhos devem estar em conformidade com a linha editorial da revista – Comunicação, linguagem e cultura, resultantes de reflexões teóricas ou de pesquisas realizadas nos diferentes campos que dialogam com a área da Comunicação Social e das Ciências Sociais Aplicadas.

Os artigos enviados para publicação na Revista Rastros devem ser inéditos, não tendo sido publicados em outro periódico anteriormente ou concomitantemente (excetuando-se publicações em anais de eventos).

Envie seu artigo pelo site: www.ielusc.br/revistarastros

Prazo para envio dos artigos: 30 de novembro de 2014

a vitória de dilma nas capas dos jornais

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comunicação pública e plataformas digitais: uma chamada

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Mais informações em: www.rbpc.lapcom.unb.br

 

palestra sobre jornalismo de dados é hoje

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jornalismo e mercado de trabalho: uma revista

Parágrafo, o periódico científico da FIAM-FAAM, acaba de chegar à rede com mais uma edição, esta dedicada ao jornalismo e ao mercado de trabalho. Mark Deuze, Roseli Figaro, Helder Bastos, Fábio Pereira, Sylvia Moretzsohn, Stephen Quinn, Fernanda Lima Lopes oferecem seus artigos. Acesse aqui.

jornalismo guiado por dados: um evento

howardMais informações em www.posjor.ufsc.br

direitos humanos para jornalistas

(reproduzo informe interessante para os profissionais mais antenados)

Continuam abertas as inscrições para oficinas do projeto de Capacitação de jornalistas para o respeito e a promoção dos direitos humanos. São 125 vagas para jornalistas profissionais, 50 para estudantes universitários e 25 para militantes de Direitos Humanos. As inscrições serão encerradas no dia 06 de outubro e podem ser feitas pelo site: www.jornalismodireitoshumanos.wordpress.com.

A intenção desta iniciativa do grupo de pesquisa e ação do Observatório da Mídia: direitos humanos, políticas, sistemas e transparência é proporcionar mecanismos de diálogo permanente entre as pessoas envolvidas com o tema direitos humanos:  jornalistas, agentes públicos e militantes da área. As oficinas têm como objetivo a troca de experiências e informações entre os participantes visando compreender o papel da imprensa junto à sociedade; analisar criticamente os conteúdos jornalísticos em diversos meios; identificar práticas de desrespeito aos direitos humanos veiculadas e/ou promovidas pela imprensa; promover a cultura dos direitos humanos por meio da imprensa; desempenhar um papel de profissionais responsáveis, mas, sobretudo, de cidadãos responsáveis.

O projeto é uma parceria com a Subsecretaria Estadual de Direitos Humanos e o Sindicato dos Jornalistas, inserido em um edital do Ministério da Educação e da Secretaria Nacional de Direitos Humanos – Proext 2014 -, estando diretamente ligado aos princípios do III Programa Nacional de Direitos Humanos: “Promover o respeito aos Direitos Humanos nos meios de comunicação e o cumprimento de seu papel na promoção da cultura em Direitos Humanos”.

A depender das inscrições, há previsão de realização de oficinas para turmas em Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e São Mateus.

Mais informações e inscrições pelo site: http://jornalismodireitoshumanos.wordpress.com/

um clássico renovado

capa karamO professor Francisco José Castilhos Karam, um dos coordenadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) está lançando a 4ª edição revista e ampliada de “Jornalismo, Ética e Liberdade”.

Editado pela Summus, o livro foi publicado originalmente em 1997 e se tornou uma leitura obrigatória para pesquisadores, jornalistas e estudantes interessados nos dilemas éticos jornalísticos. Nesta reedição, a editora apresenta novo tratamento gráfico, capítulos completamente revistos e novas seções.

O autor leciona no Departamento de Jornalismo da UFSC desde 1984, já publicou “A ética jornalística e o interesse público” e atualmente é o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR).

(reproduzido de objETHOS)

comunicação em tempos de guerra

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Mais informações: https://www.facebook.com/events/832373793469797/

é depois de amanhã: donsbach na ufsc

Qual a relação do Jornalismo com o Conhecimento? Em uma época marcada pelas megafusões midiáticas, pelo infoentretenimento, pelo império das audiências, pelo marketing do poder político e econômico que embala a informação, haveria ainda sentido acreditar que o Jornalismo esteja ressurgindo com sua força de contrapoder, de investigação dos poderes públicos e privados quando estes impactam na vida social? Quando alguns autores e profissionais acreditam que o jornalismo dos sonhos foi sepultado, haveria sentido defender que o jornalismo tem ainda grande contribuição para manter a vitalidade democrática e disseminar controvérsias e possibilitar escolhas lúcidas?

O trecho acima é do comentário da semana no objETHOS, assinado pelo professor Francisco José Castilhos Karam. Ele aborda as relações entre jornalismo, conhecimento e ethos profissional, e saúda a vinda de Wolfgang Donsbach depois de amanhã – dia 17! – na conferência de abertura do semestre no POSJOR/UFSC.

Para ler a íntegra, clique aqui.

arte, ativismo e tecnologia da comunicação

(Reproduzindo…)

Permanece aberta a chamada para a seleção de artigos a serem publicados nas seções Dossiê e Conexões da segunda edição de 2014 da Revista Contemporânea, publicação acadêmica eletrônica semestral e interdisciplinar do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGC/UERJ).
Edição no 24 – Dossiê Arte, Ativismo e Tecnologias da Comunicação – 2014/2
Este número reunirá artigos que discutam as relações entre arte, novos ativismos sociais e práticas participativas na contemporaneidade. Interessam-nos trabalhos que privilegiem: as principais transformações no mundo contemporâneo abarcando as problemáticas no âmbito cultural e tecnológico; análises e interpretações sobre a relação e a simbiose entre a sociedade e as tecnologias de informação e comunicação; os processos identitários contemporâneos fruto desses novos processos sociotécnicos; bem como o crescimento de iniciativas colaborativas de coletivos e o surgimento de novas cenas sociopolíticas culturais no espaço urbano. O que se propõe é reunir um conjunto de artigos que reflitam sobre: o papel significativo das redes sociais para a construção de experiências socioculturais; os usos artísticos das tecnologias de comunicação para realizar novas formas de ação política; as novas práticas de ativismo e ações críticas nos espaços públicos e na internet; e, finalmente, as ações críticas de artistas que, por meio de tecnologias de comunicação, apresentam formas de participação e colaboração, mesclando arte e ativismo.
Prazo para os artigos: 30/09/2014.
Mais informações aqui

os presidenciáveis e a comunicação no brasil

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação divulgou documento com propostas para o setor de comunicações aos candidatos à presidência da república. A proposta se apoia em 20 itens que o coletivo de entidades considera prioritárias para democratizar e tortalecer a área, e que compõem uma agenda do FNDC.

Veja aqui.

o que rola com o jornalismo agora?

Imagine uma ocasião em que se reúnem editores, gestores e publishers dos jornais The Telegraph, The Guardian, The Independent e The Times, e das revistas The Economist, Dazed Magazine, Private Eye e Vice para discutir não o futuro do jornalismo, mas o que está acontecendo como ele AGORA.

Este é o propósito do encontro “Forget the Future: What’s Happening in Journalism Now?”, promovido pelo Frontline Club na série de eventos Grapevine, que acontece no dia 11 de setembro, em Londres.

Para saber mais, acesse:
http://www.frontlineclub.com/forget-the-future-whats-happening-in-journalism-now/

 

última chamada para “os correspondentes”

A revista trilingüe Sobre Jornalismo/About Journalism/Sur Le Journalisme está com chamada aberta para artigos para uma edição cujo tema é “Os correspondentes: história, identidade e desafios contemporâneos”. 

A equipe editorial aceita submissões de resumos até o próximo dia 15 de setembro. Os textos devem ser encaminhados até 15 de janeiro de 2015.

Mais informações: aqui

um mapa nacional da mídia digital

Mapeamento da Mídia Digital no Brasil imagesgstsAcaba de cair na rede um estudo amplo e aprofundado sobre os meios digitais no país. “Mapeamento da Mídia Digital no Brasil” é uma iniciativa da Open Society, assinado por Pedro Mizukami, Jhessica Reia e Joana Varon. Tem oito capítulos espalhados em 173 páginas que tratam de consumo, relações com a sociedade, jornalismo, tecnologia, negócios e formas de financiamento, leis, regulações e políticas. Em linguagem clara, com textos analíticos e recorrendo a diversas fontes, o estudo merece leitura atenta e muita discussão. Tem mais: está bem atualizado, já que a ele foram adicionadas informações sobre o Marco Civil da Internet, aprovado e sancionado em abril passado.

Acesse aqui. (em PDF, em português e com arquivo de 7,6 Mega)

narrativas midiáticas contemporâneas…

Este é o tema da edição mais recente da revista Verso e Reverso, da Unisinos, que acaba de chegar à rede.

Acesse aqui

lançamento: “máquinas de ver, modos de ser”

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gente estranha, nomes esquisitos

Esta semana, passei a colaborar para o site Almanaque da Literatura Policial.

No debut, fiz uma lista de nomes estranhíssimos do gênero… Leia um trechinho:

A literatura policial é um universo frequentado por quem não é muito bom da cabeça. Tem os assassinos em série, os obcecados por pistas, os acumuladores de casos insolúveis. Encontramos também os que ficam paranóicos com a pilha de corpos, os que desenvolvem explicações conspiratórias e aqueles que sofrem com a abstinência por não ter nenhum mistério para resolver. O mundo dos crimes é paradoxal: tem gente que não bate bem, mas para sobreviver nele é preciso ter raciocínio lógico, inteligência e outras habilidades mentais. Mas nessas páginas não basta ser um sujeito estranho. Veja como ter um nome esquisito também ajuda…

Ficou curioso? Leia a íntegra aqui.

hackers, marmotas e jornalistas

(produzido originalmente para o objETHOS e reproduzido pelo Observatório da Imprensa)

O primeiro mês da campanha eleitoral já oferece lições importantes para candidatos, correligionários, mídia e eleitores. Embora a artilharia pesada fique tradicionalmente reservada ao horário gratuito no rádio e na TV, episódios recentes trazem à tona hábitos e mentalidades arcaicas, usados em outras ocasiões para desgastar os oponentes e confundir o eleitorado. Se antes essas táticas davam resultados mais efetivos, agora, com tantos canais de informação, mostram-se obsoletos, e às vezes até contraproducentes. Quer dizer: o jogo sujo pouco ajuda na atração de votos e na qualificação do debate político, encardindo os sapatos de quem está por trás dessas manobras.

Três episódios recentes ilustram.

Em maio passado, o candidato tucano Aécio Neves entrou na Justiça para barrar páginas na web por calúnia e difamação. Segundo seus advogados, as ações viriam de uma funcionária pública da Prefeitura de Guarulhos (SP), administrada pelo PT. Equipamentos e instalações da Secretaria de Comunicação teriam sido usados para atingir a imagem pública do senador mineiro. A denúncia veio à tona pela imprensa e o caso demonstrou não só má-fé da servidora, como seu despreparo e alguma ingenuidade ao pensar que não seria identificada. Justamente hoje, quando é possível rastrear cada clique ou movimento no teclado. O tiro saiu pela culatra.

Em julho, foi a vez da candidata da situação, Dilma Rousseff, reclamar. Um comunicado enviado pelo Banco Santander a clientes de alta renda alertava que o crescimento da presidente nas pesquisas poderia piorar a situação econômica do país. A imprensa deu o assunto, o banco se desculpou, cortou cabeças, mas ficou a má impressão. Restou um ranço de outros carnavais, quando a estratégia do medo foi usada pelo mercado para alarmar a sociedade. O tiro foi no pé.

Na semana passada, o jornal O Globo denunciou que perfis de dois de seus comentaristas teriam sido alterados na Wikipedia por computadores do Palácio do Planalto. Houve quem temesse pela liberdade de imprensa e até quem classificasse o caso como um “novo Watergate”. O Gabinete da Presidência se desgastou mais uma vez, prometeu descobrir e punir os (ir)responsáveis, e foi difícil evitar o mal estar. Para o senso comum, pareceu que o governo estava oprimindo jornalistas e calando opiniões contrárias, em plena campanha eleitoral. Bala perdida.

Realidade virtual

É muita ingenuidade acreditar que uma simples funcionária em Guarulhos possa acabar com a candidatura do principal nome da oposição. Alimentar essa ideia é apequenar o candidato e seu projeto. O temor era o efeito massivo: espalhar de forma viral um punhado de inverdades que aumentaria em muito as suas dimensões.

É demais esperar também que a cartinha de um banco faça despencar as pilastras da sexta economia do planeta. De forma sagaz, a campanha de Dilma se aproveitou da ocasião para se vitimizar. De forma geral, o brasileiro tem especial simpatia pelos fracos e oprimidos, e a correspondência de um banco multinacional poderia se mostrar um golpe abaixo da linha de cintura.

Por fim, chega a ser burrice chamar de “novo Watergate” a edição de páginas na Wikipedia. O caso que levou à renúncia de Richard Nixon em 1974 é muito mais complexo e grave, e tinha por trás dos abusos o presidente norte-americano, o que ainda não foi provado no episódio brasileiro.

A alteração de páginas faz parte da dinâmica e do funcionamento da Wikipedia, e seus procedimentos têm se aperfeiçoado bastante nos últimos anos. Ao mesmo tempo em que se incentiva criar novos conteúdos, existem regras claras para a sua edição, revisões contínuas e hierarquia para a certificação de informações. É verdade que postagem de conteúdos falsos e outras fraudes não são tão incomuns, mas a comunidade de editores da enciclopédia se preocupa muito com essas práticas que minam a credibilidade do projeto. Quando se percebe que mentiras foram adicionadas, há uma correria para restaurar a ordem. O risco de algum leitor se deparar com dados incorretos é real, mas isso não acontece apenas na Wikipedia. O mesmo se dá na mídia em geral, nos livros de história, em outras fontes informativas.

Alterar dados é uma maneira de reescrever as páginas do presente e afetar os sentidos da realidade. Mas existem outras formas, como alterar a ordem dos resultados em mecanismos de buscas na internet, por exemplo. Funciona como se mudassem a localização dos livros nas prateleiras de uma biblioteca, colocando alguns títulos mais à vista e outros, com as lombadas viradas para trás…

Em março de 2010, hackers manipularam os algoritmos do Google para vincular a página do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Wikipedia aos primeiros resultados da busca pela palavra “mentiroso”. A brincadeira não era novidade. Constrangimento semelhante se deu em setembro de 2007 quando vincularam o site do Senado Federal à pesquisa pela expressão “vergonha nacional” no buscador.

Esses e outros casos mostram que novos atores infiltraram-se na arena política. Se antes havia os políticos, os ativistas, os eleitores e os jornalistas, agora a eles fazem companhia os hackers, os “trolladores” e as marmotas que se arrogam a fazer guerrilha digital.

E as lições?

A disputa eleitoral começou em 6 de julho passado e já acumula muito “mimimi”,’ para usar um termo fartamente usado nas redes sociais. Aécio se queixa do PT, que se queixa do Santander, e os jornalistas se queixam do governo. É natural que as reclamações se multipliquem durante esse período, e veremos muita gente espernear até os resultados das urnas. Depois também. Como ainda temos quase dois meses de campanha, talvez possamos utilizar algumas lições já percebidas.

Correligionários e ativistas precisam entender que não se pode usar a internet impunemente. A tecnologia oferece instrumentos para fustigar os rivais, mas também para que percebam de onde vieram os torpedos que os alvejaram. E-mails anônimos podem ser identificados; todo tipo de navegação deixa marcas que são rastreáveis; a revolução não se faz do sofá; e ciberativismo exige dedicação, profissionalismo e inteligência.

Políticos devem ver na rede oportunidades para se aproximar de seus eleitores e estabelecer relacionamentos mais francos, transparentes e dialógicos. Se os candidatos não tiverem essa disposição, melhor não fingir. Na rede, a mentira emerge rápido, em poucos cliques. Políticos precisam entender que a internet não é mais um mundo à parte das ruas e das cidades. E os internautas não se restringem a um bando de jovens que gastam seus tempos diante de monitores nas madrugadas. Enfrentar os eleitores no corpo-a-corpo reserva um conjunto de estratégias que nem sempre funciona online. Mudar a mentalidade, neste caso, é um bom primeiro passo.

Jornalistas e meios de informação precisam aguçar ainda mais os seus sentidos para desviar de banalidades e desimportâncias que a rede cria e alimenta. Os boatos de antigamente são os hoaxes do momento, os virais da hora. Os dossiês que chegavam às redações, agora, são os leaks que lotam a caixa postal eletrônica. Não se destrair com miragens e cobrir o que realmente interessa ainda parece ser uma função relevante do jornalismo.

Os eleitores nunca tiveram tantas informações acessíveis sobre os candidatos. Verdadeiras e mentirosas. Por isso, usar a rede é fundamental não só para conferir o passado do político e o que ele promete para o futuro, mas também para colocar à prova os contextos que os cercam. Se antes já era preciso não acreditar ingenuamente nos candidatos, agora, é necessário também desconfiar das informações que temos sobre eles.

Com tanta tecnologia e inteligência, era pra ser mais fácil, né? Era, mas não podemos relegar a fios e chips os destinos que escolhemos para nossas vidas. Para votar bem, o eleitor não precisa ser hacker ou jornalista, mas necessariamente deve evitar agir como uma marmota.

5 links de jornalismo para hoje

economia política da comunicação, um evento

Screenshot 2014-08-05 11.27.26Estão abertas até 15 de agosto as inscrições para o congresso da Ulepicc, a União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura.

Em 2014, o evento acontece no final de novembro no Rio de Janeiro.

Divulgação dos aceites dos trabalhos – 15 de setembro

Versão final dos trabalhos – até 20 de outubro

Informações em:

http://ulepiccbrasil5.org.br

http://www.ulepicc.org.br/ulepiccbrasil5

os sujeitos das mídias, em revista

Reproduzindo…

A revista Verso e Reverso está recebendo contribuições para o último número do ano: artigos inéditos que respondam à política editorial, em regime de fluxo contínuo, e artigos voltados ao seguinte dossiê:

Dossiê: Os sujeitos das mídias.

As imagens que entram em nossa casa a cada dia, durante anos, são tão familiares como as pessoas que vivem ao nosso lado.Na sociedade contemporânea, marcada pela personalização e o individualismo, há um sistema representacional da mídia e uma mídia apresentacional que trabalham na produção de exemplares de indivíduos (Marshall, 2014, p. 5).

Quem são estes indivíduos que, chamados a compor uma história, constituem um poderoso fator de identificação ou uma fonte, entre outras, que dá credibilidade ao relato do jornalista?

O pacto de dar a voz em troca da credibilidade da notícia parece não mais ser o núcleo de uma relação de mão única. O que se constituía em fonte, oficial ou não-oficial, controlada pela forma-notícia, mostra potência em modos de narração que atravessam a reportagem.

Celebridades, autoridades ou homem das ruas, estes indivíduos compõem um conjunto de identidades que de alguma maneira respondem às demandas do consumo.

Nesta voragem surgem diferentes jornalismos: jornalismo etnográfico, jornalismo popular; planos mercadológicos que poderiam comprometer o que se apresenta, igualmente, como uma virada subjetiva do jornalismo.

Fechamento: 20/10/2014
Mais informações: aqui

sbpjor prorroga prazo

curtirA Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) atendeu aos muitos pedidos e estendeu até o dia 3 de agosto, domingo, o prazo para recebimento de artigos para sessões livres e coordenadas em seu congresso, que acontece em novembro na Unisc, em Santa Cruz do Sul (RS).

Saiba mais aqui.

por uma tv de qualidade

CouvTVdequaliteO professor Eduardo Cintra-Torres avisa do lançamento do livro “Por une télévision de qualité”, organizado por François Jost.

Aliás, ambos participaram do dossiê do mesmo tema que lançamos na revista Estudos em Jornalismo e Mídia (confira aqui).

O novo livro tem 278 páginas e custa 20 euros.

Mais informações em http://www.inatheque.fr/publications-evenements/publications-2014/pour-une-t-l-vision-de-qualit-.html

revista completa 10 anos

cover_issue_2108_pt_BRA Estudos em Jornalismo e Mídia, publicação científica do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, acaba de lançar a edição comemorativa de dez anos.

O número dedica um dossiê sobre os 50 anos do golpe militar de 1964, e traz ainda artigos de temas livres, como curadoria de comunicação e jornalismo de dados.

Com novo logotipo e projeto gráfico, a revista tem 313 páginas, em formato PDF, e com acesso totalmente gratuito. A EJM publica artigos teóricos, relatos de pesquisa e outros textos científicos que abordam os universos do jornalismo e da mídia em geral, em português, inglês e espanhol. Indexada em nove bases de dados, a revista é classificada como um periódico B1 pelo sistema Qualis/Capes de avaliação.

Para acessar, clique aqui.

ética na comunicação, um dossiê

 

cover_issue_148_pt_PTA revista Comunicação e Sociedade, publicada pela Universidade do Minho (Portugal), acaba de chegar à web com um dossiê sobre ética na comunicação.

Ajudei a editar o número com o professor Joaquim Fidalgo, e o sumário dá uma amostra da variedade e atualidade das pesquisas sobre o tema no amplo arco da área da comunicação:

  • Panorâmica da ética dos media no plano internacional  – Clifford G. Christians
  • Sem medo do futuro: ética do jornalismo, inovação e um apelo à flexibilidade – Jane B. Singer
  • Novos desafios para uma deontologia jornalística duradoura: o modelo de negócio dos media face às exigências éticas e à participação cidadã – Carlos Maciá-Barber
  • Entre verdade e respeito – por uma ética do cuidado no jornalismo – Carlos Camponês
  • Ética e teorias da comunicação: poder, interações e cultura participativa – Luis Mauro Sá Martino e Ângela Cristina Salgueiro Marques
  • O respeito pela privacidade começa na recolha de informação – Paulo Martins
  • Credibilidade das redes sociais online: aos olhos dos jornalistas profissionais finlandeses – Mohammad Ofiul Hasnat
  • A (não) regulação da blogosfera: a ética da discussão online – Elsa Costa e Silva
  • Preocupações éticas no jornalismo feito por não-jornalistas – Rogério Christofoletti
  • Para além da propaganda e da Internet: a ética do jornalismo – J. Paulo Serra
  • Agendamento em publicidade: compreender os dilemas éticos de um ponto de vista comunicativo – Marius-Adrian Hazaparu
  • A prioridade ética da retórica publicitária – Paulo Barroso

Editada em português e inglês, a revista pode ser acessada em:
http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/comsoc/issue/current/showToc