chamada de artigos na ciberlegenda

A equipe editorial da revista Ciberlegenda, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (PPGCOM-UFF), informa que recebe até 2 de abril artigos para a edição de julho de 2012.

Esse número terá como tema “Colisões entre o público e o privado em esfera midiática”, e a ementa é:

Os  embates entre as esferas pública e privada e a gradativa diluição de suas fronteiras, catalisados pela emergência das novas tecnologias de informação e comunicação. Os aspectos sociais, culturais, políticos, econômicos, tecnológicos e legais relativos às novas formas de construção de subjetividade, à exposição da intimidade e à “invasão” da privacidade. Utilização não autorizada de dados privados por agentes públicos ou empresas. Novas interfaces de construção e exposição de si no ciberespaço. Os processos de publicização e de tornar público o espaço privado. A visibilidade como reivindicação e como “armadilha”, nas diversas esferas midiáticas. Estratégias documentais e ficcionais que dialogam com os embates entre o público e o privado, em que tais colisões se manifestam como mediações entre a obra e os seus realizadores.

Mais informações em http://www.proppi.uff.br/ciberlegenda

chamada de artigos na comunicação & educação

A equipe editorial da revista Comunicação & Educação, do Departamento de Comunicações e Artes da ECA-USP, informa que está aberta a chamada para envio de trabalhos para edição do segundo semestre de 2012. O deadline é 15 de março, e a publicação aceita artigos de doutores, ou doutores em coautoria com graduandos, pós-graduandos e mestres para a seção Artigos Nacionais.

Mais informações em: www.usp.br/comueduc

não deixe de ir, professor…


Acesse o site do evento

debata a liberdade de expressão

O jornalista Timothy Garton Ash e uma equipe internacional de estudantes ligados à Oxford University estão à frente de um projeto bem interessante: um site em 13 línguas que propõe 10 princípios para a liberdade de expressão, e que convida a debatê-los. Basta se cadastrar e participar, opinando, votando, clicando.

O site tem interfaces em inglês, português, espanhol, alemão, francês, japonês, chinês, russo, turco, hindi, árabe, farsi e urdu. Os responsáveis pelo projeto que acreditam que cobrem 80% dos 2 bilhões de pessoas conectadas à internet com este leque linguístico.

Os princípios propostos são:

1. Nós, seres humanos, devemos ser livres e ter as garantias necessárias para expressar, receber e comunicar informações e ideias, independentemente de fronteiras.

2. Defendemos a internet e todas as outras formas de comunicação contra os abusos ilegítimos tanto do poder público quanto da iniciativa privada.

3. Exigimos e criamos mídias abertas e diversificadas que possam nos ajudar a tomar decisões bem informadas, e com isso participar plenamente da vida política.

4. Falamos abertamente e com civilidade sobre todas as diferenças entre os seres humanos.

5. Não permitimos que tabus interfiram na discussão e disseminação do conhecimento.

6. Não fazemos ameaças de violência nem tampouco aceitamos intimidações violentas.

7. Nós respeitamos a pessoa que tenha uma opinião ou crença, mas não necessariamente o conteúdo dessa opinião ou crença.

8. Temos o direito a uma vida privada mas devemos aceitar investigações que sejam de interesse público.

9. Devemos ter meios de combater ofensas às nossas reputações sem com isso silenciar um debate legítimo.

10. Devemos ser livres para questionar todos os limites à liberdade de expressão que tenham como justificativa questões de segurança nacional, ordem pública e/ou princípios morais.

Ficou interessado? Quer debater?
Acesse: http://freespeechdebate.com/pt/

vamos discutir direito à comunicação?

O Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), junto com outras organizações, promove nesta semana o primeiro Encontro Nacional sobre o Direito à Comunicação.
O evento acontece nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em Recife.

Confira o site do evento.

“compartilhar” é o verbo mais importante hoje

Houve um tempo em que “compartilhar” era uma ação muito mais ligada a motivações religiosas, na tentativa de igualar as pessoas, nivelar oportunidades, reduzir as distâncias entre as pessoas. Na igreja, era o momento de compartilhar o pão, de dividir uma metáfora do corpo do salvador. A eucaristia se resumia a um ato de compartilhar, uma expressão de afeto e desapego.

Atualmente, compartilhar vai além disso. É tornar comum, é comungar também para além das filiações religiosas. Compartilhamos fotos, textos, arquivos de áudio e de vídeo, experiências, gostos, opiniões, desagravos, conselhos, nossas vidas… Isso impactou nossos hábitos, nossas culturas, nossas formas de sociabilidade e nossa economia.
Somos todos, de alguma maneira, personagens desta nova conjugação do verbo.

“Sharing: culture and the economy in the internet age”, de Philippe Angrain, é um bom estudo sobre as transformações mais recentes que este hábito contagiante está provocando. Vale conhecer. Baixe aqui
(em inglês, em PDF, com 243 páginas e 2,5 mega de arquivo)

uma saída para a ética jornalística

Em tempos de transformações tão profundas nos modos de se fazer jornalismo, nos relacionamentos entre jornalistas, meios e audiências, e nas próprias regras éticas, há quem sinalize saídas igualmente drásticas. É o caso do professor Anton Harber, que dirige o Programa de Estudos de Jornalismo e Mídia da Wits University, na África do Sul.
Para ele, a saída está na adoção de uma transparência radical como valor para a prática jornalística. É de se pensar…

The way the media works has changed, and the way journalists operate has changed, but the ethical and professional rules have stayed largely the same. The old rules were based on building trust between journalists and their audience, on a notion that there was a single truth to be relayed; now it needs to be built on encouraging informed scepticism, so that an active, participatory audience can assess credibility and authority and choose which of many versions and viewpoints to follow and believe.

To cope with this, journalists need to do more than enforce ethical codes more strongly, but there is a need to update the rules and practices and make them appropriate to this new world of instant, constant and fragmented news.

Fortunately, new media also gives us the tools to do this, and encourage fairness, balance and accuracy in journalism. The way forward lies in a commitment to a radical transparency – giving the audience the tools to understand how news is processed and selected, and the information that empowers them to assess its validity and credibility.

Leia na íntegra, no blog do autor.

jornalistas e redes sociais na europa

Um recente e extenso estudo realizado pela TNS Qual+ descreve a relação de jornalistas e redes sociais na Europa. Se você se interessa pelo fenômeno das redes ou por jornalistas, vale dar uma olhada. Tem 111 páginas, em formato PDF, em inglês e com arquivo de 1,1 Mega… (baixe aqui)

cadê a crise dos jornais mesmo?

Toda vez que alguém anuncia o fim dos jornais e a crise dos impressos, afasto dois passos e olho de esguelha. Afinal, para sermos muito justos, o armagedon ainda não chegou por aqui, não é mesmo? A ruína que os abutres reverberam nos mercados norte-americano e europeu não se editou por aqui, ao menos por enquanto. Duvida? Então, veja a matéria de Anderson Scardoelli para o Comunique-se que atesta o crescimento no setor no ano passado…

O meio jornal teve crescimento de 3,5% durante o ano passado, revela os dados divulgados nesta quarta-feira, 25, pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), órgão responsável pela auditoria de jornais e revistas no País. A maior parcela deste aumento ficou sob responsabilidade das publicações consideradas populares, aquelas que são vendidas até R$ 1, que subiu 10,3%.

As vendas em bancas, chamadas de avulsas pelo instituto, também foram destaque para o meio de comunicação impressa do Brasil. Tendo como comparação o ano de 2010, a comercialização dos jornais por este nicho teve uma elevação de 4,6% no ano passado. Segundo os números do IVC, as assinaturas também registram alta durante 2011, alcançando 2,4% de aumento.

O IVC também anunciou que a média diária de circulação de jornais no Brasil chegou perto dos 4,5 milhões (precisamente 4.443.836) de exemplares. A entidade afirmou que o número, referente ao ano passado, marca o “novo recorde histórico para a auditoria”. O registro, porém, é válido em toda a circulação paga que tem o acompanhamento do instituto. OS veículos gratuitos não foram mencionados.

Crescimento também é a palavra usada para citar como foi a situação em 2011 dos jornais vendidos de R$ 1 a R$ 2. Neste caso, no entanto, o aumento não chegou ao meio por cento, fechando o ano passado com 0,3% a mais que em 2010.  Os títulos comercializados com preço superior a R$ 2 tiveram um resultado melhor; avanço de 1,6% na circulação. A auditoria não separou estes itens em assinaturas e avulsos.

Para o presidente do IVC, Pedro Martins Silva, o crescimento dos jornais em 2011 se deve ao aumento do poder aquisitivo das pessoas e também de um melhor preparo dos responsáveis pelas redações. “Esse segmento está sendo impulsionado pelo crescimento da classe C, que ganha corpo e traz um grande volume de pessoas com melhora no poder de compra. Por sua vez, os editores estão aproveitando o momento, oferecendo produtos adequados ao novo universo de leitores. A alta registrada em todo o meio solidifica a curva favorável vista nos últimos quatro semestres”.

Quer ter uma ideia de como anda o segmento dos jornais? O IVC não audita a circulação de todos os jornais do país, mas apenas dos seus filiados, que representam mais ou menos a metade dos exemplares que saem das rotativas. Hoje, estima-se que o mercado brasileiro tenha 8,5 milhões de exemplares diários de jornais. Veja a série histórica:

Ano

Exemplares/dia auditados IVC

Variação

2011

4,44 milhões

+ 3,5%

2010

4,29 milhões

+ 1,9%

2009

4,21milhões

– 3,4%

2008

4,35 milhões

+ 5%

2007

4,14 milhões

+ 11,8%

2006

3,70 milhões

+ 6,5%

2005

3,48 milhões

+ 4,1%

2004

3,34 milhões

+ 0,8%

2003

3,31 milhões

– 7,2%

2002

3,55 milhões

– 9,1%

2001

3,87 milhões

– 2,7%

2000

3,98 milhões

+ 8,81%

colóquio internacional sobre jornalistas na frança

Fábio Pereira, professor da UnB e um dos pesquisadores mais jovens e articulados do país na área, anuncia a chamada para trabalhos do colóquio internacional “O governo dos jornalistas: Formas e efeitos da ação pública sobre a informação, o grupo profissional e as empresas de comunicação”.

O evento acontece nos dias 11 e 12 de outubro em Rennes, França. E se você quer mandar propostas tem até 15 de fevereiro. As respostas da seleção saem em 31 de março.

Veja mais detalhes aqui.

cibercultura e jornalismo: chamada para artigos

(reproduzindo do site da revista)

O volume 9 nº 1 da revista Estudos em Jornalismo e Mídia reserva seu Núcleo Temático às relações entre a cibercultura e as práticas jornalísticas.
Nos últimos anos, não foram apenas os avanços tecnológicos que afetaram o jornalismo, mas a emergência de novos papeis, hábitos e culturas de produção, difusão e consumo de bens simbólicos. Com isso, meios de comunicação, públicos e profissionais vêm se reposicionando rapidamente diante de uma nova ecologia comunicacional. Ajudam a compor este cenário o surgimento de redes sociais na internet e novos atores, apropriações de mídias pelas audiências, o fortalecimento dos processos de colaboração e participação, os esforços técnicos para novos empacotamentos de conteúdos por vias multimidiáticas e convergentes, e a explosão das linguagens e das narrativas, entre outros fatores.
Prioritariamente, o Comitê Editorial receberá artigos que tratem da temática Cibercultura e Jornalismo e de assuntos derivados.

Deadline: 20 de março de 2012
Aprovação de artigos: até 10 de maio de 2012
Publicação da edição: até 20 de junho de 2012
Instruções para os autores: http://bit.ly/qwSA8p
Mais informações: http://bit.ly/8kDtY7

A Estudos em Jornalismo e Mídia é uma publicação científica eletrônica do Mestrado em Jornalismo (Posjor/UFSC).
Semestral, a revista tem acesso totalmente gratuito, publica artigos em português, espanhol e inglês, e está classificada como um periódico B3 no Qualis/Capes.
A EJM está indexada em oito bases de dados nacionais e internacionais, e foi a primeira revista brasileira de Comunicação a ter o Digital Object Identifier (DOI).

um especial multimídia sobre o cérebro

La Información começou a publicar um caprichadíssimo especial multimídia sobre o cérebro humano. A primeira parte trata dos “cérebros reparados”, com implante de eletrodos biônicos, por exemplo, e já está online. A segunda parte – “En busca de la memória” – cai na web a partir do próximo dia 26.

É bonito, bem construído, muito informativo e útil.

Se você tem o cérebro lesado, como eu, fica a dica!

dc impresso chama para o online

Assinantes e bancas de jornais receberam ontem no final da tarde a edição dominical do Diário Catarinense e os leitores mais desatentos chacoalharam a cabeça, incrédulos. É que o jornal impresso reproduzia a nova versão eletrônica da publicação. A ideia é boa, mas não é nova. Para se ter uma ideia, o Correio Lageano fez o mesmo quando o seu portal o CLMais completou um ano. O jornal da serra chegou às bancas como se tivesse sido arrancado da web…

 

a classe média se regozija

As manchetes de três dos principais jornais brasileiros dão a tônica do sonho da classe média, ligeiramente endinheirada: Vamos pra Disney!!
Foi só o presidente norte-americano acenar com uma bugigangazinha que os nativos brilharam os olhos. Notem que o governo dos EUA não está abolindo a necessidade dos vistos para brasileiros; apenas anunciou que vai facilitar a emissão dos documentos… ainda precisaremos de carimbos para entrar naquele país e deixar por lá nossos dólares… mas a migalha foi alardeada em alto e bom na mídia daqui.

Se formos pensar, esse jeitão colono-deslumbrado-aparvalhado ajuda a explicar porque a viagem de Luiza ao Canadá causou tanto por aqui…

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como adolescentes se comunicam?

Surgiu um estudo recente da Ericson sobre como os adolescentes norte-americanos se apropriam de tecnologias para se comunicar. A pesquisa leva em conta 2 mil entrevistas online feitas com sujeitos de 13 a 17 anos. A amostra representa uma fatia de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária, afirma o estudo. Alguns resultados:

  • Mandar textos pelo celular é legal, mas não substitui contato presencial
  • Videochat é uma tendência crescente
  • O telefone celular é uma ferramenta social
  • Adolescentes e adultos usam o Facebook de forma diferente

Quer ver o estudo na íntegra, clique aqui.
(em inglês, 12 páginas, em formato PDF e arquivo de 498 Kb)

mais oportunidades…

Não foi à praia? Não está recebendo parentes? Não tem o que fazer?
Ora, seus problemas acabaram. Ocupe-se e esvazie as gavetas…

A equipe editorial da revista Brazilian Journalism Research (BJR) convida autores para submeter trabalhos para a sua próxima edição (v.8, n.1), que terá como Dossiê Temático Mídias Digitais, convergência e prática jornalística: desafios e perspectivas. Os artigos serão recebidos até 30 de março.

A Brazilian Journalism Research é um periódico científico semestral publicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A associação é dedicada à teoria e à pesquisa sobre jornalismo (tanto o trabalho teórico, quanto o empírico). A revista é editada em inglês e português e está indexada em base de dados como a Latindex e DOAJ.
O Call for papers (em inglês) está disponível em:
http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?page_id=818
Para acessar a BJR, clique em:
http://bjr.sbpjor.org.br/index.php/bjr

(reproduzindo a chamada de Kênia Maia, vice-presidente da SBPJor e Editora Executiva da BJR)

Tem mais…

Já está aberto o processo de submissão de trabalhos ao GT Estudos de Jornalismo para o XXI Encontro Anual da Compós. Desde sua criação, em 2000, o GT converteu-se em espaço central e qualificado para discussões e aprofundamento das problemáticas relacionadas ao jornalismo, suas práticas, linguagens, discursos e transformações tecnológicas. O template de submissão de trabalhos está disponível para download no site da Associação (www.compos.org.br ) e as inscrições, realizadas exclusivamente nesse site, encerram às 18h do dia 15 de fevereiro. Esse ano o Encontro acontece em Juiz de Fora, Minas Gerais, entre os dias 12 e 15 de junho.

(reproduzindo a chamada de Ronaldo Henn, coordenador do GT)

oportunidade… nas férias

Se você é professor, pesquisador, estudante e não viajou de férias, não se desespere! Há outras maneiras de se divertir, como escrever artigos científicos, por exemplo. Veja a oportunidade abaixo:

A Razón y Palabra, primeira revista eletrônica do subcontinente a tratar de comunicação, está com chamadas abertas para seu número 81, que deve circular na metade do ano. O tema é “Comunicação como valor para o desenvolvimento social”. Os coordenadores da edição Laura Gonzáles Morales e Guilebaldo López López informam os prazos:

10 de marzo: Fecha límite para el envío del trabajo
10 de abril: Retroalimentación por parte del comité editorial
10 de mayo: Entrega definitiva de los trabajos

Normas editoriais podem ser encontradas em:
http://www.razonypalabra.org.mx/editorial.html

Dúvidas? Mandem emails para:

com.desarrollosocial@gmail.com
espejoludico@yahoo.com.mx
thezin3@yahoo.com.mx

fórum de professores com chamada aberta

(Reproduzindo a informação do presidente Sérgio Gadini)

Estão abertas as inscrições de trabalhos ao 14º Encontro de Professores de Jornalismo, que acontece entre os dias 27 e 30 de abril (2012) na Universidade Federal de Uberlândia (MG).
Para submeter trabalhos ao grupos do 10 Ciclo Nacional de Pesquisa em Ensino e Extensão em Jornalismo, acesse o site do Fórum
Diante dos impasses, colocados ao ensino superior em Jornalismo, o ENPJ será um espaço fundamental para traçar os rumos e desafios da formação profissional na área, como é o caso da (polêmica) situação em torno das Diretrizes Curriculares em Jornalismo. Imperdível! Esperamos, pois, contar com sua estimada participação lá em Uberlândia.

Agende-se e envie trabalho: http://www.fnpj.org.br/soac/ocs/callforpapers.php?cf=24

Outras informações estão no link:
http://www.fnpj.org.br/noticia/fnpj-abre-chamada-de-trabalhos-para-encontro-nacional-790

hackerismo e jornalismo

A revista Comunicação & Sociedade acaba de lançar nova edição, onde publica uma resenha minha sobre “Hackear el periodismo”, livro do jornalista argentino Pablo Mancini.

A obra é instigante, cheia de insights e marcadamente preocupada com a busca de novos papeis para o jornalismo. Vale a leitura.

Reproduzo a resenha, mas a edição completa da revista pode ser acessada aqui.

Hackerismo e Jornalismo

Os meios de comunicação ajudam a cristalizar um equívoco quando usam o termo “hacker” para designar vândalos cibernéticos e criminosos digitais que violam sistemas, roubam dados, picham sites. Até veículos especializados cometem esse deslize, e isso ficou evidente mais uma vez com a onda de ataques a páginas eletrônicas do governo brasileiro em junho passado: as invasões foram atribuídas a “hackers”.

Teria sido uma derrapada não fosse o fato de que há quase três décadas um livro reposicionava os hackers como protagonistas na história da informática. Em 1984, Steven Levy já os chamava de “herois da revolução na computação”. Compreender esses personagens significa não apenas evitar jogá-los na vala comum dos marginais, mas entender aspectos importantes da lógica que orientou a busca pela excelência tecnológica e a emergência de uma cultura de colaboração no trabalho e de compartilhamento de arquivos e conhecimentos.

Em “Hackear el periodismo: manual de laboratório”, o jornalista argentino Pablo Mancini se vale do conceito por trás desses personagens para discutir os limites atuais para o jornalismo numa nova ecologia comunicacional. Gerente de Serviços Digitais do Clarín Global, Mancini está atento aos movimentos do setor para buscar a sustentabilidade de projetos midiáticos e o redesenho das práticas informativas. As ilustrações a que recorre são exemplares, e o livro é recentíssimo – chegou ao público em abril de 2011.

Evocando Levy (1984) e Himanen (2002), Mancini se apressa a aliviar a carga semântica negativa sobre o termo. Com os autores que sistematizaram uma ética hacker, lembra que existem hackers em todas as profissões e não apenas na computação, e o que os define é uma predisposição de buscar a excelência com métodos pouco ortodoxos, inexplorados e inovadores. São personagens que se apoiam em valores como paixão, liberdade, consciência social, verdade e integridade; e se orientam para o livre acesso à informação e ao conhecimento. Portanto, compartilham o que sabem, buscam soluções para sua comunidade, facilitam o acesso e contornam dificuldades. Hackers são naturalmente curiosos e criativos, e perseguem o aperfeiçoamento de práticas, procedimentos e sistemas. É neste aspecto que Pablo Mancini aproxima hackerismo de jornalismo. Essa indústria está atravessando um período intenso de transformações que ensejam soluções, reconfigurações e reprogramações. Daí que necessita de “profissionais com uma visão estratégica que estejam à altura do mercado: hackers que se apropriem dos desafios e possam desenhar as soluções que os meios e a profissão precisam para se reinventar” (2011: p.16).

Para Mancini, hackear o jornalismo é trabalhar para aperfeiçoá-lo tecnicamente, é conjugar esforços para apontar saídas para sua manutenção como negócio viável, é operar para melhorá-lo como prática socialmente útil.

O autor propõe quatro portas para se entrar no núcleo funcional e hackear o jornalismo: tempo, audiência, valor e organização. Mancini despe-se de pretensões totalizantes, advertindo que não se trata de lei ou teoria, mas de uma proposta de análise e ação. Para ele, esses quatro aspectos são chaves das mudanças nas fábricas de notícias. Podem ser analisados separadamente, mas articulá-los em pares ou em quadratura auxilia uma visão mais ampla das transformações sem precedentes sofridas por essa indústria.

O diagnóstico não parece exagerado, afinal, como descreve o autor o tempo de consumo das informações já não é mais o mesmo; a audiência tem novas práticas junto aos meios; o valor das informações é também agregado de fora das redações; e os fluxos corporativos estão sendo reformulados. Com isso, se todas as coordenadas foram alteradas, o jornalismo também precisa de um novo endereço.

Com uma superoferta de informações, os meios de comunicação acabaram dilatando o período de consumo de seus produtos. Se antes a audiência se encaixava em janelas de tempo – o horário nobre da televisão, as horas da manhã para a leitura dos jornais… -, agora, o público não fica mais confinado nesses intervalos. A audiência não está mais em nenhum lugar porque ela flui, atravessa os meios, é turista dos suportes. Aliás, Mancini critica a obsessão das empresas pelos suportes, o que as estaria arruinando. “Se o conteúdo é transmídia, os meios serão pós-suporte” (op.cit.: p.34). Por isso que “o tempo da audiência está hackeando a incapacidade e a resistência à mudança que reina e governa a maioria das organizações jornalísticas” (op.cit.: p.24). A saída, segundo Mancini, é produzir brevidades, informações em pílulas, sob o mantra do “menos é mais”, de forma a capturar as fluídas audiências.

Aliás, os públicos vêm dotados de outras potencialidades. Em tempos como os nossos, as audiências são agentes também da distribuição dos conteúdos dos meios, algo que antes era prerrogativa exclusiva dos jornalistas e veículos. Os amadores2 tomam a Bastilha, geram material, intrometem-se no processo produtivo dos meios de comunicação, clamam por mais espaço de participação/interação. Para Mancini, não se trata de falar de prosumers, de jornalismo cidadão ou seus arredores. Está nascendo um novo animal midiático, capaz de “mudar a cadeia alimentar de uma ecologia até então endogâmica e autorreferencial” (op.cit.: p.41). A audiência tem o controle do tempo agora, é “a medula e o motor da distribuição de conteúdos”, o que causa tremores nas redações. Sistemas de reputação e recomendação online e audiências desdobradas em algoritmos assumem papeis cada vez mais determinantes na equação comunicativa.

Se a audiência não é mais um rebanho, compara Mancini, os meios também não podem se comportar como cardumes. Buscar se destacar das muitas opções é essencial para sobreviver. A homogeneidade gera a invisibilidade. A superabundância das informações acaba esvaziando parte do valor das próprias informações, seguindo uma lei econômica. O valor não vem mais apenas dela mesma, mas de outras fontes. Está em outra parte. Outro fator problematizador é que os produtos e serviços jornalísticos não são mais apenas lidos, vistos ou ouvidos. São também utilizados, pontua Mancini, trazendo à tona uma dimensão ainda pouco avaliada no setor: o valor de uso da informação.

Se o tempo, a audiência e o valor já não são mais os mesmos, a empresa jornalística também não pode se manter como está, sentencia o autor. É preciso reorganizar-se, o que não se traduz em reposicionar o mobiliário nas redações. Estão em jogo a eficiência das equipes e o valor do que elas produzem. No debate sobre integração de redações, planejamento versus experimentação, ganham mais força os movimentos para a inovação e o redesenho do jornalismo. “Nunca esteve tão claro que o capital dos meios são sua marca e seus recursos humanos (…) O desafio é extremo: depois de décadas otimizando modelos de negócios, agora temos que pensar os modelos produtivos” (op.cit.: p. 109). Mancini se pergunta se é possível produzir novos produtos em velhas fábricas. A saída não é única, e os caminhos apontados pelo autor vão desde a curadoria de conteúdos ao modus operandi da indústria dos games, da prática do remix – ao estilo dos Djs – à combinação bem equilibrada de habilidades e atitudes individuais e coletivas. Interessa é rearranjar a maneira de trabalhar o jornalismo, atuar para romper com modelos engessantes.

À guisa de conclusão, Mancini cita três iniciativas que estão hackeando o jornalismo: o WikiLeaks – site de vazamentos informacionais de governos e corporações -, o Huffington Post – portal onde a audiência é crucial para a criação do valor da informação – e o Newser – que oferece um redesenho da notícia, tendo a brevidade como valor agregado sobre o conteúdo. O que têm em comum esses exemplos? Têm funcionalidades disruptivas, rompem padrões e ajudam a reprogramar o jornalismo. Seu DNA está contaminado por fluidez, flexibilidade e originalidade, elementos raros na espécie.

Então, Pablo Mancini tem todas as respostas? Claro que não. Aliás, seu “Hackear el periodismo” pode frustrar o leitor ao final, já que deixa uma grande quantidade de perguntas sem respostas. As lacunas podem ser atribuídas à despretensão, à impotência ou à impossibilidade de resolvê-las agora. Mancini não oferece um necrológio da crise do jornalismo, mas um manual de laboratório. Parece pouco, mas propor que se mexa os braços é um bom começo para não afundar.

Referências bibliográficas

HIMANEN, Pekka. La ética del hacker y el espíritu de la era da la información. Barcelona: Destino, 2002

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2008

KEEN, Andrew. O culto ao amador. Rio de Janeiro: Zahar, 2009

LEVY, Steven. Hackers, heroes of the computer revolution. New York: Delta, 1984

MANCINI, Pablo. Hackear el periodismo. Buenos Aires: La Crujía/Futuribles, 2011

nova edição da revista estudos em jornalismo e mídia

Acaba de chegar à rede mais um número da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Posjor/UFSC.
A edição tem um especial sobre narrativas no jornalismo.

Confira o sumário e acesse a publicação:

Editorial – Permanência e atualidade da contação de histórias

Núcleo Temático

Bom jornalismo, histórias bem contadas
Daisi Irmgard Vogel

Mídias precursoras: transição e transgressão: atualidade da leitura de dois depoimentos do jornalista Marcus Faerman
Terezinha Fátima Tagé Dias Fernandes

Narrativas convergentes: ficção e realidade na prosa de Nelson Rodrigues
Esdra Marchezan Sales

O discurso jornalístico autorreferencial como estratégia de construção da ‘imagem de si’
Daiane Bertasso Ribeiro, Maria Ivete Trevisan Fossá

Mídia, identidade e território: as cidades projetadas pelos formatos noticiosos no telejornalismo local
Jhonatan Alves Pereira Mata, Iluska Maria da Silva Coutinho

Narrando Escândalos: Eleições, Campo Jornalístico e Drama Político
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho

“Livros de repórter”, saberes de entremeio: relatos jornalísticos sobre a cobertura de conflitos
Angela Zamin

Sob a superfície dos fatos, a complexidade de seu significado: o desafio da narrativa no Jornalismo Cultural
José Salvador Faro

Conviver, sentir, narrar: personagens documentais e jornalísticos
Alexandre Zarate Maciel

Temas Livres

Inovação, renovação e ambidestria: chaves para a aprendizagem do jornalismo no século XXI
Carlos Eduardo Cortés

Sobre o fluxo informacional em tempos de Internet: estudo dos contextos comunicacionais
Guilherme Haas

Transparência na apuração em blogues jornalísticos
Leonardo Feltrin Foletto

Jornalismo e direitos infantis no Brasil e em Portugal: privacidade, estigmatização, e participação de crianças e adolescentes nos jornais O Globo e Público
Lidia Soraya Barreto Marôpo

Jornalismo Popular no Brasil e na Alemanha: as capas do BILD Hamburg e do Diário Gaúcho
Ana Cecília Bisso Nunes

Nas fronteiras do olhar
Aglair Bernardo, Gustavo Bonfiglioli

John Stuart Mill e as sociedades da informação: Liberdade de imprensa, Estado e opinião pública
Alexandre Antônio Nervo

Resenhas

A narrativa jornalística: elementos para uma teoria do acontecimento
Cristiano Anunciação

5º encontro de jornais laboratórios é amanhã

 O curso de Jornalismo da UFSC promove amanhã, 9 de dezembro, a quinta edição do encontro de jornais laboratórios catarinenses. O evento, que já passou por outras escolas do estado, é retomado em Florianópolis com seu propósito original: reunir professores, estudantes, profissionais e técnicos para discutir a realidade pedagógica local para o ensino de jornalismo laboratorial.

O encontro acontece na Sala Aroeira, do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, a partir das 9 horas. Pela manhã, uma mesa reúne representantes dos jornais laboratórios para trocar experiências de ensino e extensão, dificuldades e dilemas. À tarde, outra mesa dá prosseguimento aos debates.

Já confirmaram presença os cursos da Unisul (Palhoça), Unisul (Tubarão), Ibes/Sociesc (Blumenau), Univali (Itajaí), Faculdade SATC (Criciúma), Unochapecó (Chapecó), UFSC (Florianópolis), Faculdade Estácio de Sá (São José) e Ielusc (Joinville).

A organização está a cargo dos professor Samuel Lima e Rogério Christofoletti, com apoio dos alunos do curso de Jornalismo da UFSC.

Veja a programação:

9h: Abertura
Memória do evento
Profª Raquel Wandelli (Unisul – Palhoça)

9h30: Mesa Nº 1 – Compartilhando Experiências I
. Zero (UFSC, Florianópolis) – Prof. Rogério Christofoletti (mediador)
. Contato (Fac. Estácio de Sá, São José) – Prof. Billy Culleton
. Ênfase (Fac. SATC, Criciúma) – Profª. Marli Vitali
. Extra (Unisul, Tubarão) – Profª Cilene Macedo

12h às 14h: Almoço

14h: Mesa Nº 2 – Compartilhando Experiências II
. Fato & Versão (Unisul, Palhoça) – Profª Raquel Wandelli (mediadora)
. Primeira Pauta (Ielusc, Joinville) – Profª Amanda Miranda
. Cobaia (Univali, Itajaí) – Prof. Sandro Galarça
. Passe a Folha (Unochapecó, Chapecó) – Prof. Francesco Silva
. O Quinto (Ibes/Sociesc, Blumenau) – Prof. Fabrício Wolff

17h: Encerramento
Definição da sede do 6º Encontro e encaminhamentos gerais
Prof. Samuel Lima (coordenação)

O evento terá cobertura pelo Twitter: @zeroufsc

jornalismo cidadão, em defesa

O jornalista Marcelo Barcelos defende hoje no Mestrado em Jornalismo da UFSC a dissertação “Jornalismo cidadão: profissionalidade e amadorismo nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina”. A banca é pública e acontece a partir das 14 horas na sala de videoconferência do CCE. A comissão examinadora do trabalho é formada pelas professoras Gislene Silva e Maria José Baldessar, além de mim, que atuei como orientador.

A transmissão online da defesa você pode conferir aqui.

Um resumo do trabalho:

O jornalista não está mais sozinho para apurar os acontecimentos, escrever as notícias e distribuí-las. Com a revolução tecnológica que reconfigura não só suas práticas, mas também a própria função social, ao lado do profissional, está o amador, o cidadão comum, aquele a quem se deu, por muito tempo, o nome de público/receptor. Hoje, o leitor pode ser um produtor de conteúdo noticioso e, para isso, apropria-se de competências antes exclusivas dos repórteres, como apurar, narrar fatos inéditos e produzir o noticiário, em um fenômeno conceituado “jornalismo cidadão”. É tentando entender os impactos provocados pela chegada desse personagem no jornal impresso e no âmago da cultura jornalística que este trabalho mergulha. Parte-se do princípio que legitimou a produção de conteúdo amador independente até o instante em que as mídias tradicionais passaram a adotá-la, elevando o cidadão à condição de leitor-repórter. Para compreender esse recente paradigma, analisamos um corpus de 27 edições – durante uma semana completa dos quatro jornais do Grupo RBS em Santa Catarina: Hora de Santa Catarina, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia. A investigação, utilizando o método exploratório na análise de textos e fotografias, caracterizou a produção amadora publicada conforme os seguintes critérios jornalísticos: a) autoria; b) foco narrativo; c) atualidade; d) interesse público e) gênero f) hard news e g) soft news. A análise ainda inclui entrevistas presenciais com jornalistas das quatro redações, à procura de traços dessa nova forma de relacionamento com o público e das tensões provocadas em sua profissionalidade. Rodeado de enunciados intencionais que o convocam à colaboração, o público atende a um chamado e produz conteúdo de natureza informativa; muito desse conteúdo, no entanto, é carregado de um caráter pessoal. As produções aparecem em quase todas as editorias, ora na voz do cidadão, ora diluída na edição do jornalista, que a complementa. É possível identificar um elevado grau de dependência no qual o jornalista demonstra a necessidade do leitor para “fechar o jornal”. No outro lado do balcão, os jornalistas ainda se moldam à partilha, enquanto defendem seu conhecimento específico, conquistado entre a prática e a formação acadêmica, para tratar – com ética, veracidade e equilíbrio – o que vem de fora da redação, sob o risco da abertura de espaço à imprecisão e à narrativa falseada. Os jornalistas reconhecem, no entanto, a necessidade cada vez maior chamar o leitor à produção em uma “Coautoria Vigiada” e admitem terem aberto mão de algumas tarefas até então exclusivas.

a crítica da crítica de mídia no brasil

O Mídia & Política acaba de publicar um número especial em que junta artigos sobre a crítica de mídia no país e o futuro do jornalismo. O número tem ótimos artigos e merece ser conferido.
Veja o sumário e vá direto à fonte:

A CRÍTICA DA CRÍTICA DA MÍDIA NO BRASIL

Depoimento – Luiz Martins
“É difícil apresentar boas práticas de acerto no panorama da mídia atual”
Paulo Figueiredo, Fábio Pereira e Camilla Braga
A mesma mídia que veicula uma campanha educativa, mostra, na novela, condutas vis; faz campanha de educação no trânsito para, em seguida, exibir comerciais de automóvel mostrando a velocidade como diferencial.

Jornalismo e crítica: informar ou opinar?
Thaïs de Mendonça Jorge
Se atualmente proliferam torres de vigilância – tanto quanto câmeras de segurança na via pública –, observatórios existem porque a sociedade mesma indicou a necessidade de um pan-óptico para ver o que acontece na mídia.

Periscópio dá oportunidade a estudantes
Anderson David Gomes dos Santos
O espaço destinado à crítica da mídia é disponibilizado por uma rádio educativa, a Rádio Unisinos 103.3 FM, emissora da Fundação Urbano Thiesen, ligada à Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Observatório da imprensa, um velho-jovem
Adriana Domingues Garcia
OI estimula a sociedade midiatizada a refletir em relação aos modos de observação sobre o que a mídia produz e faz circular, podendo fazer com que os sujeitos mudem de postura durante a assimilação dos produtos noticiosos.

As novas mídias e sua influência na crítica
Rogério Christofoletti
A crítica não significa a prática da demolição e da ofensa, nem do descrédito e do cinismo, muito menos o desprezo do trabalho alheio e a soberba ilimitada. Deve ser vista como forma de ação, reflexão direcionada à melhoria de qualidade dos produtos.

O FUTURO DO JORNALISMO

Periodismo en peligro de extinción
Carlos Soria
Hay más de un motivo para sospechar que el periodismo es una profesión en peligro de extinción, como el oso panda, el lince o el gorila; o al menos, para pensar que el periodismo sufre una verdadera crisis de identidad.

Ainda guardando o portão?
Célia Maria Ladeira Mota              
O gatekeeper é tarefa em extinção no mundo inteiro. O processo se inverteu e o leitor, telespectador ou ouvinte se transformou em gatewatcher da informação.

Olhar o que não está diante dos olhos
Antonio S. Silva
Mais comunicação exige mais mediadores, profissionais que ofereçam esclarecimento e competência para olhar aquilo que não está diante dos olhos, mas que se esconde estrategicamente, atendendo a interesses políticos, econômicos e culturais.

RESENHA
 11 de Setembro
Chomsky e a imprensa: verdades inconvenientes

zero: a versão dos editores

Rogério Christofoletti e Samuel Lima

Jornalismo se faz a partir de escolhas, como em qualquer atividade humana. Nas redações, escolhe-se uma foto para ilustrar uma reportagem, descartando-se as demais; decide-se por um enfoque numa matéria e não por outros; toma-se decisões a todo o momento, das mais simples – o uso de uma palavra, por exemplo – às mais complexas – a definição do que sai numa edição e o que fica de fora. Selecionar é, então, da essência do jornalismo, até porque é uma função dos meios de informação oferecer explicações de fatos, o que em última análise significa dar sentido às coisas, contornos para a realidade.

Embora tenha se tornado um mantra na área, a famosa epígrafe do New York Times – “All the News That’s Fit to Print” – mostra-se impraticável. Quem faz jornalismo sabe que nem todas as notícias cabem, que nem tudo o que acontece é publicável ou interessa ao público. De modo concreto, a frase do jornal mais influente do mundo é slogan. Logo, pertence muito mais ao mundo do marketing do que do jornalismo. Repetimos: jornalismo se faz a partir de escolhas. E essas decisões não são tomadas apenas com base nas vontades dos editores, nos seus desejos secretos, nas suas manias. Há critérios por trás dessas escolhas. Critérios que se consagraram ao longo de décadas e que permitiram que o jornalismo se tornasse o que é hoje: novidade, atualidade, singularidade, interesse público, relevância social, proximidade, impacto…

Fazemos esta digressão para entrar num debate enviesado, e que, por isso, precisa contar com um lado que foi até então ignorado.

Em agosto passado, assumimos o jornal laboratório do curso de Jornalismo da UFSC, o Zero. A publicação está às vésperas de completar 30 anos, e decidimos fazer algumas reformas gráficas, editoriais e operacionais, entre elas a definição mais nítida do público a que serviríamos e a abertura para um diálogo mais horizontalizado com esses leitores por meio da crítica. Trocando em miúdos, o Zero se voltaria descaradamente para o público universitário – extrapolando o umbigo do próprio curso de Jornalismo e as fronteiras da UFSC – e teria um ombudsman, que passaria a apontar erros, falhas e acertos do jornal. Redistribuímos os conteúdos em novas editorias, afinamos o olhar para pautas que estivessem em maior sintonia com o nosso público e abrimos espaço na página 2 para um crítico especializado. Para a função, convidamos o professor Ricardo Barreto, que por quase 15 anos foi editor do Zero, conhecido também por sua verve, experiência e rigor.

Na edição de dezembro, o ombudsman critica o fato do Zero não publicar uma entrevista concedida pelo jornalista norte-americano Gay Talese a uma estudante da UFSC. O jornal teria “esnobado” o renomado escritor. Argumenta o ombudsman que sua função é “defender os interesses e direitos do leitor” para “receber informação atual, crível, ética e de qualidade”, e o jornal teria sonegado, escondido “material de vivo interesse para o nosso inegável público-alvo prioritário: estudantes e professores de Jornalismo assim como profissionais”. O ombudsman erra grosseiramente, já que esse não é o primeiro público do Zero. Com uma tiragem de 5 mil exemplares, pouco mais de 10% deles circulam entre os aspirantes à carreira, profissionais do mercado e cursos do tipo no país. A maioria, portanto, chega a universitários das mais diferentes carreiras, para quem pouco ou nada devem interessar os liames da profissão jornalística.

Na verdade, no episódio, é o ombudsman quem sonega a informação de que a entrevista em questão foi feita para uma disciplina dele e com a finalidade de ilustrar a leitura de um dos livros de Talese. A estudante-entrevistadora, de forma muito ousada e sagaz, ligou para a casa do jornalista e com ele conversou por alguns minutos, colhendo respostas para figurar num jornal-mural. Ao contrário do que diz o ombudsman, a entrevista não é “um diamante” e não traz “um inequívoco furo jornalístico”. Na verdade, a entrevista tem graves problemas de qualidade jornalística – que iremos apontar adiante, conforme se pode conferir na sua íntegra ou na versão publicada de forma reduzida no Cotidiano. Não há nenhuma revelação lá, embora seja louvável a audácia da estudante. Deveríamos publicar a entrevista apenas pelo fato de Gay Talese ser famoso ou célebre? Deveríamos publicar um material que interessaria apenas um décimo de nossos leitores?

De forma convicta, descartamos. Fomos racionais e sensatos, coerentes com a abrangência de nosso público e com um patamar de qualidade que estabelecemos para nossas edições. Não foi uma decisão “míope” ou “non sense”, assim como não guiamos nossas escolhas pela grife ou tietagem. A importância do entrevistado não garante a relevância ou qualidade da entrevista! E, nesse caso, a escolha das perguntas, focadas em única obra de Talese, sem sequer mencionar o new journalism, por exemplo, revela a precariedade do resultado final.

O ombudsman erra ainda quando afirma que “nosso primeiro objeto é o Jornalismo” e que “jornalistas, seguem sendo indispensáveis, especialmente na condição de entrevistados”. Não acreditamos que o jornalismo seja algo mais importante que outras tantas coisas; ele é uma forma de revelar, de registrar, de informar e de orientar o público. É um meio, uma oportunidade. E acreditamos que jornalistas são mais imprescindíveis na condição de perguntadores.

Mas o leitor pode se perguntar: se discordam do ombudsman, por que os editores do Zero publicaram a crítica que contestam? Porque acreditamos na função do crítico e num jornalismo mais democrático e horizontalizado. Por que os editores não responderam ao professor Barreto nas próprias páginas do jornal? Porque nos dispusemos a abrir um espaço para a crítica e não para a resposta às críticas. Se o fizéssemos agora, abriríamos um precedente indesejável. Mas o que motivou os editores a se contraporem agora? A reprodução da coluna do ombudsman em outros canais públicos, e a necessidade de desfazer mal entendidos.

Do ponto de vista da qualidade jornalística o material tem alguns problemas seriíssimos, de difícil solução, a saber:

1) A entrevista se resume a seis perguntas tão somente sobre o livro “O Reino e Poder” (escrito originalmente em 1969). Sabemos que a obra do autor e sua importância histórica e jornalística vão muito além, especialmente por sua participação no chamado novo jornalismo;

2) O pouco cuidado na elaboração de perguntas acabou contemplando clichês do tipo “quais suas preferências de leitura?” ou ainda “o que o senhor recomendaria a um estudante de jornalismo?”. Altamente relevante, não?

3) O mais grave ainda, do ponto de vista da edição (e condução da entrevista) é publicar uma resposta com 5.823 caracteres (de um total de 9.194). Ou seja, quase 60% do material se esgota aí;

Em suma, o texto final revela uma entrevista mal preparada e igualmente mal conduzida. Ela pode servir a um trabalho escolar, mas não para ser publicado num jornal como o Zero. Estamos, de fato, diante de um caso no qual o entrevistado se impõe como conteúdo e notícia. Jornalismo não combina com tietagem, na nossa modesta opinião.

O leitor pode ainda questionar: o Zero vai manter um ombudsman? Barreto continuará no posto? Sim, o jornal laboratório da UFSC quer continuar a experiência de abertura ao diálogo e ao exercício crítico, pois os olhares externos nos impulsionam a buscar o aperfeiçoamento. O professor Barreto só não segue na função se não quiser, se decidir nos esnobar…

5º encontro de jornais laboratórios de sc

O curso de Jornalismo da UFSC promove na próxima sexta, 9 de dezembro, a quinta edição do encontro de jornais laboratórios catarinenses. O evento, que já passou por outras escolas do estado, é retomado em Florianópolis com seu propósito original: reunir professores, estudantes, profissionais e técnicos para discutir a realidade pedagógica local para o ensino de jornalismo laboratorial.

O encontro acontece na Sala Aroeira, do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, a partir das 9 horas. Pela manhã, uma mesa reúne representantes dos jornais laboratórios para trocar experiências de ensino e extensão, dificuldades e dilemas. À tarde, outra mesa dá prosseguimento aos debates.

Já confirmaram presença os cursos da Unisul (Palhoça), Unisul (Tubarão), Ibes/Sociesc (Blumenau), Univali (Itajaí), Faculdade SATC (Criciúma), Unochapecó (Chapecó), UFSC (Florianópolis) e Ielusc (Joinville).

A organização está a cargo dos professor Samuel Lima e Rogério Christofoletti, com apoio dos alunos do curso de Jornalismo da UFSC.

Inscrições e mais informações pelo e-mail: rogerio.christofoletti@uol.com.br

estudos em liberdade de informação

A ONG Artigo 19 lançou recentemente o primeiro de uma série de informes sobre o tema da liberdade de informação e de acesso a ela. Baixe aqui. (em português, em PDF, 40 páginas e arquivo com 560 Kb)

posjor promove jornada discente

O Mestrado em Jornalismo da UFSC (Posjor) realiza hoje e amanhã a sua 1ª Jornada Discente. O evento tem como objetivo debater os projetos de pesquisa dos mestrandos e promover a troca de experiências da prática da pesquisa. Para abrir a Jornada, o professor José Luiz Braga (Unisinos) fará a palestra “Do projeto de pesquisa à dissertação: ‘planejar é replanejar’”. Transmissão on-line pelo link www.videoconferencia.cce.ufsc.br.

Estão inscritos 29 trabalhos. A abertura  do evento e a primeira mesa temática serão no Auditório Henrique Fontes, Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão (CCE). As apresentações seguintes ocorrem na sala 145, Bloco A do CCE. Ouvintes podem se inscrever no local do evento antes de cada mesa. A programação final está disponível aqui e o caderno de resumos aqui.

Mais informações serão publicadas também no twitter oficial:@JDPosjor.

googlejornalismo: um guia

Já pensou usar o Google para organizar suas fontes de informação, encontrar dados e fazer pesquisas pelo buscador e usar outros serviços e ferramentas para apurar, editar e publicar reportagens? Enfim, fazer jornalismo pelo Google?
Veja este guia produzido pela Medios Milenium, de Bogotá.
(documento em espanhol, em PDF, com 80 páginas e arquivo de 8,6 mega)

limites difusos para o telejornalismo

(publicado originalmente no objETHOS)

O jornalismo parece ser daquelas práticas humanas que necessitam frequentemente se olhar no espelho para reconhecer suas feições, admitir seus contornos. Com outras profissões, isso não é necessário. Os médicos sabem exatamente quando estão e quando não estão fazendo medicina. Os engenheiros também não padecem das dúvidas sobre a matéria e a natureza de suas atuações. Jornalistas não têm a mesma sorte e, volta e meia, discutem o que é fazer jornalismo e até onde isso vai. Talvez porque essa prática atravesse diversos outros campos, se mescle tanto socialmente que fique difícil discernir seus limites. Buscar se reconhecer é, então, um gesto permanente no jornalismo, o que, por um lado, auxilia o fortalecimento de uma convicção e, por outro, desestabiliza continuamente as certezas.

Críticos de mídia se ocupam de fazer esse debate, bem como pesquisadores da academia e observadores diversos. Mas quando os questionamentos partem das próprias redações, a dúvida emerge preenchida da legitimidade do empirismo, lembrando-nos a todo o momento do exercício prático da função. Foi assim esta semana quando se noticiou que alguns jornalistas da Rede Record estariam insatisfeitos com suas atuações na emissora. A informação foi dada por Mauricio Stycer em seu blog, inclusive com o anúncio de que o repórter Carlos Dorneles teria pedido demissão da Record por discordar de novas orientações do jornalismo. Dorneles negou sua saída em e-mail a Stycer, mas o foco do problema estaria numa suposta “crise” do jornalismo na Record por conta de interferências editoriais da Igreja Universal do Reino de Deus, proprietária da rede. Outro jornalista, não identificado por Stycer, teria dito “Não estou fazendo jornalismo, estou fazendo entretenimento”, e é esta fala em particular que me chama a atenção.

No âmago do jornalismo, esta distinção é histórica e tenta demarcar limites de atuação, bem como contornos do que significa reportar fatos. Uma tradição cultural se construiu ao longo das décadas de que jornalistas se ocupam da narração dos acontecimentos que interessem diretamente ao seu público, muitas vezes desagradando partes envolvidas e citadas, noutras contrariando até mesmo camadas da sua audiência. Quando opera dessa forma, o jornalismo se distancia do entretenimento na medida em que não conforma, não acomoda, não distrai. Corre o risco, portanto, de desagregar, de fomentar o dissenso, a crítica. Agindo assim, jornalistas – de forma incontornável – colecionam desafetos já que produzem dissabores. Parece simples e fácil, mas, na prática, manter essa direção requer pleno entendimento do exercício jornalístico, coragem, disciplina, atenção permanente e compromisso ético com um conjunto de valores que transcende a esfera do individual.

Sim, o jornalismo é dessas práticas que precisam frequentemente se olhar no espelho para reconhecer suas feições. Isso é saudável e necessário pois sua imagem é fugidia. Ainda mais num meio como a televisão, onde as fronteiras entre jornalismo e diversão ficam perigosamente embaçadas. A preocupação do jornalista anônimo chama a atenção, mais uma vez, da urgência de discutir, estabelecer e frisar os limites entre uma coisa e outra.

Esses limites não apenas determinam orientações para a conduta de profissionais e veículos, mas também auxiliam a enaltecer o que é prioritário, importante, essencial para a relação do jornalismo com a sociedade. Estou me referindo claramente a interesse público, aos critérios e processos de tomada de decisão que vão eleger o que deve ser narrado primeiro e melhor e o que deve ser simplesmente mencionado ou descartado. O anúncio das manchetes do Jornal Hoje, no último sábado (19), na Rede Globo, ajudam a ilustrar como é fácil perder o foco. A notícia que abriu a edição foi a execução do filho do coreógrafo Carlinhos de Jesus, Dudu, no Rio de Janeiro. O crime é bárbaro – oito tiros em alguém desarmado no meio da madrugada -, a perda de um filho é sempre um enredo dramático, mas o que parece ter influenciado definitivamente na decisão de escolher este acontecimento como o primeiro do telejornal foi a celebridade do pai-vítima. Tanto é que o nome de Carlinhos de Jesus é o anunciado na chamada e não de seu filho, menos conhecido.

Uma matéria como esta tem interesse público? Pode ter na medida em que se relaciona a um cenário mais amplo, de denúncia da violência urbana que ainda assusta aos moradores do Rio de Janeiro. Mas no frigir dos ovos, o fato é uma tragédia familiar, particular e não coletiva. Diferente de uma matéria que teve muito menos destaque na mesma edição do Jornal Hoje, de sábado: o desaparecimento de um cacique no Mato Grosso do Sul, que teria sido executado por fazendeiros da região. O filho adolescente da vítima exibe no próprio corpo marcas de balas de borracha e denuncia que o pai levou tiros na cabeça e pescoço, tendo sido levado por um bando de quarenta pistoleiros. Também neste caso, a ação é violenta e desproporcional, e o enredo é dramático. Três elementos diferenciam esta notícia da primeira: a inversão dos papeis das vítimas – agora, é o filho que sente a perda do pai -, a falta de notoriedade dos índios em comparação com o artista e a extensão do drama: a execução de um cacique atinge toda a sua comunidade e não apenas o seu núcleo familiar. Resumo da ópera: há mais interesse público e relevância jornalística no desaparecimento de um cacique numa área de litígio de terras do que a execução de um músico, filho de um conhecido coreógrafo.

A televisão dilui sutilmente os limites entre jornalismo e diversão, mesmo em casos graves como os citados. Foi mais determinante o star system que o caráter político de matérias sobre disputas agrárias. O jornalismo é feito de escolhas. Estas sinalizam limites. Em algumas situações, no espelho, o jornalismo entrevê sua imagem embaçada, tremida, desconfigurada. Precisamos de mais nitidez.

“desovando” orientandos…

A expressão é grosseira, mas bastante usada quando estamos orgulhosamente encaminhando nossos orientandos para os exames de qualificação e defesas de dissertação. Por isso, em novembro e dezembro – além da longa lista de afazeres do final de semestre -, estarei “desovando” algumas crias…

No dia 22 de novembro, terça, tem qualificação do trabalho “Jornalismo, credibilidade e legitimação: imagem de si e construção do ethos no discurso jornalístico”, de Cândida de Oliveira

Resumo: Esta pesquisa investiga os processos de credibilidade e legitimação do jornalismo, em sua dimensão institucional e discursiva. Compreende-se que o jornalismo encontra credibilidade e legitimidade pública ao exercer um poder organizador que, derivado da palavra consignada, lhe confere o status de instituição social. No contexto atual, a substituição da referência à realidade – ancorado no critério de verdade, o que contribui para sustentar a credibilidade – pela autorreferência no discurso jornalístico denota transformações no modo como o jornalismo se apresenta para a sociedade, ou seja, como constrói a imagem de si, parte integrante do ethos discursivo. Diante disso, a pesquisa investiga a representação que o jornalismo faz de si na construção do ethos e as implicações dessa representação nos conceitos de credibilidade e legitimidade jornalística. A discussão será sustentada ainda por uma análise empírica focada no discurso institucional e opinativo de quatro grandes jornais brasileiros: Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo e Zero Hora. De modo geral, a pesquisa busca compreender e explicar como o jornalismo constrói a imagem de si e o ethos, e de que forma essa imagem interfere na credibilidade e legitimação do jornalismo. A pesquisa filia-se em referenciais teórico-metodológicos que se inscrevem na teoria do jornalismo, da nova retórica e da análise do discurso, o que permite levar em conta não apenas a organização desse discurso, mas também seu funcionamento e produção de sentidos.

No  dia 1 de dezembro, tem qualificação do trabalho “Liberdade de expressão e tensões público x privado: jornalistas nas redes sociais”, de Janara Nicoletti

Resumo: Com as mídias sociais na internet, a forma de comunicar foi reconfigurada. Diante deste novo cenário, organizações jornalísticas buscam um reposicionamento que garanta fidelizar seus públicos e manter seu poder midiático. Para direcionar e efetivar as estratégias empresariais de presença nos novos meios, são instituídas diretrizes de uso de redes sociais. Como inexiste um balizador comum, cada empresa determina suas próprias normas e regimentos, com base em valores e metas próprios – o que pode interferir na qualidade profissional e no cumprimento dos preceitos éticos e deontológicos do Jornalismo. Acima disso, pode comprometer a liberdade individual dos profissionais. Este trabalho irá investigar como as organizações jornalísticas orientam a conduta de seus colaboradores nas novas mídias, a partir da formulação de normas técnicas e deontológicas de uso das redes sociais, e até que ponto esta padronização de postura interfere no trabalho diário e na liberdade de expressão dos colaboradores.

Em 7 de dezembro, tem defesa da dissertação “Jornalismo cidadão: profissionalidade e amadorismo nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina”, de Marcelo Barcelos

Barcelos entrega a dissertação à coordenadora Gislene Silva
Barcelos entrega volume à coordenadora Gislene Silva

Resumo: O jornalista não está mais sozinho para apurar os acontecimentos, escrever as notícias e distribuí-las. Com a revolução tecnológica que reconfigura não só suas práticas, mas também a própria função social, ao lado do profissional, está o amador, o cidadão comum, aquele a quem se deu, por muito tempo, o nome de público/receptor. Hoje, o leitor pode ser um produtor de conteúdo noticioso e, para isso, apropria-se de competências antes exclusivas dos repórteres, como apurar, narrar fatos inéditos e produzir o noticiário, em um fenômeno conceituado “jornalismo cidadão”. É tentando entender os impactos provocados pela chegada desse personagem no jornal impresso e no âmago da cultura jornalística que este trabalho mergulha. Parte-se do princípio que legitimou a produção de conteúdo amador independente até o instante em que as mídias tradicionais passaram a adotá-la, elevando o cidadão à condição de leitor-repórter. Para compreender esse recente paradigma, analisamos um corpus de 27 edições – durante uma semana completa dos quatro jornais do Grupo RBS em Santa Catarina: Hora de Santa Catarina, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia. A investigação, utilizando o método exploratório na análise de textos e fotografias, caracterizou a produção amadora publicada conforme os seguintes critérios jornalísticos: a) autoria; b) foco narrativo; c) atualidade; d) interesse público e) gênero f) hard news e g) soft news. A análise ainda inclui entrevistas presenciais com jornalistas das quatro redações, à procura de traços dessa nova forma de relacionamento com o público e das tensões provocadas em sua profissionalidade. Rodeado de enunciados intencionais que o convocam à colaboração, o público atende a um chamado e produz conteúdo de natureza informativa; muito desse conteúdo, no entanto, é carregado de um caráter pessoal. As produções aparecem em quase todas as editorias, ora na voz do cidadão, ora diluída na edição do jornalista, que a complementa. É possível identificar um elevado grau de dependência no qual o jornalista demonstra a necessidade do leitor para “fechar o jornal”. No outro lado do balcão, os jornalistas ainda se moldam à partilha, enquanto defendem seu conhecimento específico, conquistado entre a prática e a formação acadêmica, para tratar – com ética, veracidade e equilíbrio – o que vem de fora da redação, sob o risco da abertura de espaço à imprecisão e à narrativa falseada. Os jornalistas reconhecem, no entanto, a necessidade cada vez maior chamar o leitor à produção em uma “Coautoria Vigiada” e admitem terem aberto mão de algumas tarefas até então exclusivas.