sobre transparência e a agenda das empresas de mídia

(publiquei primeiro no objETHOS, repito por aqui)

Duas rápidas notícias no ramo jornalístico sinalizam alguns dos movimentos no mercado internacional, em alto contraste com o comportamento brasileiro. No Reino Unido, The Guardian inovou com a criação de uma lista pública em que expõe quais reportagens o jornal vem desenvolvendo. O rol pode ser acessado pelos leitores e até pelos concorrentes. Nos Estados Unidos, The New York Times está sendo levado a aperfeiçoar suas políticas de tranasparência, principalmente no que concerne as coberturas de caráter econômico e financeiro. A ideia é que o jornal lidere um esforço no mercado para tornar mais evidentes possíveis conflitos de interesse dos jornalistas que cobrem certos assuntos. Os episódios nos Estados Unidos e no Reino Unido têm ao menos um ponto em comum: fortalecem o valor da transparência, um dos maiores tabus da mídia brasileira.

Enquanto a open newslist do Guardian desafia a lógica do furo de reportagem de um lado e estende a mão para o jornalismo de fonte aberta e com a colaboração dos leitores, os grupos de comunicação no país pressionam políticos no Legislativo e no Executivo para deixar a legislação e as práticas de mercado mais obscuras. Enquanto o jornal mais influente do mundo se preocupa com a credibilidade de sua equipe, as empresas locais rasgam as próprias diretrizes editoriais, atuando de forma juvenil e corporativa em detrimento do interesse do público. Não é o caso de dizer que os grupos internacionais sejam isentos de qualquer intencionalidade e que mereçam lugar cativo no paraíso por sua beatitude. Mas é histórico o descaso dos conglomerados diante de regras mais claras para o setor, de regulamentação ampla e de transparência. As brechas na legislação permitem propriedade cruzada e oligopólio; o marco legal desconsidera a internet e as novas formas de difusão de informação e entretenimento; e nem mesmo o Ministério das Comunicações sabe a composição acionária de muitas empresas do ramo. Resultado: o Estado não acompanha o setor, dispõe de instrumentos frágeis e não coíbe práticas que são lesivas não apenas para os concorrentes, mas para o consumidor final, o tal do cidadão, o tal do contribuinte. Se o Estado, que deveria atuar como xerife, desconhece a situação, imagine o público, alijado das decisões mais importantes…

De forma paulatina, a transparência vem se tornando um ativo intangível de destaque para empresas de vários setores. No caso da informação e do entretenimento, ser transparente é buscar uma aproximação com seu público e com demais partes interessadas; é mostrar-se também mais socialmente preocupado e mais aberto ao diálogo; é prestar contas e horizontalizar certos processos. Isto é, depende de maturidade, compreensão global do seu papel na sociedade e de convicção. Se o grupo não quer efetivamente ser mais transparente não vai conseguir simular isso, pois suas práticas demonstrarão o contrário.

A mudança do setor produtivo para uma atuação mais transparente pode se dar no interior das próprias empresas ou motivada por uma transformação cultural: líderes do mercado podem “arrastar” os demais players para esta atitude, ou o próprio público pode reivindicar isso. O que acontecerá primeiro no cenário midiático brasileiro? Alguém arrisca responder?

jornalismo digital: livro novo na praça

Demétrio Soster e Walter Teixeira Lima Jr. anunciam o lançamento do livro “Jornalismo Digital – Audiovisual, Convergência e Colaboração” (Ed.Unisc). Haverá sessões de autógrafo na Feira de Porto Alegre e no Encontro da SBPJor, que acontece no Rio de Janeiro.

Vejam o sumário:

PRIMEIRA PARTE – AUDIOVISUAL E REDES SOCIAIS

OS WEBJORNAIS QUEREM SER REDE SOCIAL? – Raquel Ritter Longhi, Ana Marta Moreira Flores e Carolina Teixeira Weber

TV + TWITTER: REFLEXÕES SOBRE UMA CONVERGÊNCIA EMERGENTE – Carlos d’Andréa

AVANÇOS E TENDÊNCIAS NO CONSUMODE AUDIOVISUAL: IP(+)TV – Diólia de Carvalho Grazino

ENTRE A TV E A INTERNET: MEDIAÇÕES SOBREPOSTAS EM iREPORT FOR CNN – Geane Alzamora

O ENSINO DE CIBERJORNALISMO: ESTUDO COMPARATIVO NOS CURSOS DE JORNALISMO DO RIO GRANDE DO NORTE E MATO GROSSO DO SUL – Gerson Luiz Martins

NEOFLUXO: JORNALISMO, BASE DE DADOS E A CONSTRUÇÃO DA ESFERA PÚBLICA INTERCONECTADA – Walter Teixeira Lima Junior

SEGUNDA PARTE – MESA COORDENADA SBJor

O PROCESSO DE PRODUÇÃO DO CIBERJORNALISMO E AS TEORIAS JORNALÍSTICAS – Carla Schwingel

JORNAIS DE WEB NAS FACULDADES BRASILEIRAS DE JORNALISMO – Carlos Alberto Zanotti

ENSINO DE JORNALISMO-LABORATÓRIO EMUMA PERSPECTIVA CONVERGENTE – Demétrio de Azeredo Soster e Fabiana Piccinin
FORMATOS DE LINGUAGEM WEBJORNALÍSTICA: A FOTORREPORTAGEM REVISITADA – Raquel Ritter Longhi

RELEVÂNCIA JORNALÍSTICA NOS SISTEMAS CONECTADOS EM REDE – Walter Teixeira Lima Júnior

10 dilemas do jornalismo político

Emmanuelle Anizon, da revista francesa Télérama, lista o que chama de dilemas para jornalistas que cobrem o poder, precisam estar muito próximos dele, mas não podem se misturar aos poderosos. Entre as questões, destaco:

  • jornalista deve ser engajado ou não?
  • jornalista deve se ater a fatos da vida privada dos políticos ou não?
  • jornalista deve almoçar/jantar com a fonte que está cobrindo?
  • jornalista pode pegar carona com a fonte?

Veja a lista completa aqui (en français).

informação de papel x informação online

A Associación para la Investigación de Medios de Comunicación (AIMC), entidade espanhola, acaba de publicar resultados de uma pesquisa que pode interessar a muita gente: “La Prensa: digital vs papel” é o primeiro de uma série de estudos semelhantes, centrados nas particularidades de cada meio e nas formas de como se relacionam com seus públicos.

Conforme esclarece a associação, a pesquisa “está focalizado en prensa diaria e indaga en los comportamientos, actitudes y preferencias ante los dos sistemas de distribución de los contenidos, tanto “tradicional” (papel) como en online”. A coleta de dados se deu entre 20 de maio e 16 de junho de 2011.

Acesse a pesquisa aqui.

o pan olimpicamente ignorado

A menos de uma semana do início dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, o assunto é olimpicamente ignorado pelos veículos das Organizações Globo. O fato de a emissora de TV do Jardim Botânico não ter os direitos de transmissão da competição tem feito com que o evento seja simplesmente tratado como dispensável na pauta do seu noticiário.

Pior que não ter comprado os direitos de transmissão é ter perdido a exclusividade para o grupo de comunicação que mais vem “incomodando” com índices crescentes de audiência. Por isso, pelos lados da Record, o Pan 2011 é só festa e exaltação. São reportagens nos telejornais, chamadas a todo o momento, um batalhão de profissionais mobilizados e espaços generosos na programação da emissora. No R7, o site do grupo, há uma seção dedicada à cobertura da competição, fartamente ilustrada e constantemente abastecida. No G1 e no seu braço mais esportivo – SportTV – é gelo puro; idem no eBand, da concorrente que tem no esporte um dos carros-chefes de sua programação.

Alguém aí pode achar natural que não se coloque azeitona na empada alheia, já que estamos tratando de competidores em audiência e de rivalidade de mercado. Mas informação é um bem diferente de azeitonas em conserva ou empadas. Informação é uma mercadoria de alto valor agregado, que não se degrada com a sua difusão ou compartilhamento e que, muitas vezes, auxilia o seu portador a tomar decisões, escolher caminhos, reorientar-se no mundo. Isto é, informação é um bem de finalidade pública, embora seja cada vez mais frequente que empresas controladas por grupos privados a produzam e a façam circular. Independente disso, o produto carece de cuidados e atenções distintas.

Então, cobrir o Pan de Guadalajara é mais do que rechear a empada alheia. É garantir que o público tenha acesso a informações que julga relevantes e interessantes. Afinal, convenhamos, não se pode ignorar os Jogos Pan-Americanos. É uma competição tradicional – existe desde 1951 -, é importante – pois funciona como uma prévia regionalizada dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 -, e é abrangente por ser continental e reunir 29 modalidades esportivas. Esses argumentos bastariam para colocar o evento na pauta de qualquer veículo de comunicação que se preze.

No caso das Organizações Globo, ignorar a efeméride é simplesmente deixar de lado seus recém-anunciados Princípios Editoriais. No documento, os veículos do grupo se comprometem a produzir um jornalismo calcado no que consideram ser os atributos da informação de qualidade: isenção, correção e agilidade. No item que trata de isenção, os princípios são bastante claros, e cito alguns trechos que colidem com o atual comportamento do grupo:

… “(d) Não pode haver assuntos tabus. Tudo aquilo que for de interesse público, tudo aquilo que for notícia, deve ser publicado, analisado, discutido”…

“(n) As Organizações Globo são entusiastas do Brasil, de sua diversidade, de sua cultura e de seu povo, tema principal de seus veículos”…

“p) É inadmissível que jornalistas das Organizações Globo façam reportagens em benefício próprio ou que deixem de fazer aquelas que prejudiquem seus interesses”

Este é um caso típico de descolamento entre o dito e o feito. Claro que as Organizações Globo podem estar preparando coberturas especiais sobre o evento ou correndo para apresentar um material diferenciado às suas audiências. Tomara. Mas se for assim, os veículos do conglomerado estarão atrasados, contrariando outra lei de ouro de seus Princípios Editoriais, a agilidade.

jornalismo investigativo: livro no prelo

(reproduzido do Bapijor)

A organização do 1º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor) informa que o livro “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras”, organizado pelos professores Rogério Christofoletti e Francisco José Karam e contendo capítulos dos palestrantes do evento já está em fase adiantada de produção.

A obra deve sair pela Editora Insular, de Florianópolis, uma casa editorial comercial que tem se especializado em lançar títulos da área da Comunicação e que tem distribuição nacional. O volume, com cerca de 180 páginas, tem previsão de circulação em novembro e orelha assinada pelo prestigiado jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

compós 2012: prepare-se!

A vice-presidente da Compós, Itânia Gomes, divulga algumas informações sobre a reunião anual da entidade, com data marcada para 12-15 de junho de 2012 em Juiz de Fora (MG). Antene-se!

Submissão de trabalhos aos GTs pelo site da Compós: 16 de janeiro a 15 de fevereiro de 2012
Os artigos devem ser submetidos aos GTs, exclusivamente através do site da Compós, até as 18h (dezoito horas), horário de Brasília, da data limite de submissão de papers, dia 15 de fevereiro de 2012. No entanto, o sistema eletrônico (servidor de rede) receberá propostas com tolerância de mais 24 (vinte e quatro horas), encerrando-se, impreterivelmente, às 18h (dezoito horas) do dia posterior à data de submissão, horário de Brasília.

Avaliação e seleção dos trabalhos pelos GTs: de 16/2 a 13/3/2012

Divulgação dos trabalhos selecionados por GT, no site da Compós: até 21/03/2012

Período e taxas de inscrição: de 21/03 a 31/05/2012, em dois intervalos, com taxas diferenciadas.

Para 2012, as taxas praticadas serão:

De 20 de março a 29 de abril:
Docentes (doutores, mestres) e outros profissionais não matriculados em cursos de pós-graduação) – R$ 220,00
Discentes de cursos de mestrado e doutorado e de graduação – R$ 165,00

De 30 de abril a 31 de maio:
Docentes (doutores, mestres) e outros profissionais não matriculados em cursos de pós-graduação)  – R$ 330,00
Discentes de cursos de mestrado e doutorado e de graduação – R$ 220,00

vencedores do pagf saem dia 20

A coordenadora do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo (PAGF), da SBPJor, Dione Moura, manda avisar que

a lista com o nome dos premiados (Melhor trabalho de Iniciação Científica/TCC 2011; Melhor Dissertação de Mestrado 2011; Melhor Tese de Doutorado 2011 e Pesquisador Sênior 2011) será divulgada até o  dia 20 de outubro de 2011, por meio do site da SBPJor, Lista de Sócios SBPJor e demais listas de pesquisadores de Comunicação/Jornalismo. A cerimônia de premiação acontecerá durante o 9. SBPJor, que será sediado na UFRJ, Rio de Janeiro, entre 3 a 5 de novembro 2011, nos termos previstos no Edital PAGF 2011.

presentinho 2: o portal de jornalismo da bbc

Vin Ray, o primeiro diretor do BBC College of Journalism, produziu um documento bem interessante sobre o portal do conglomerado, sua estrutura, funcionamento, futuro imediato, ferramentas e o atendimento às demandas do seu público.

É claro que este white paper é bastante restrito, mas ajuda a pensar casos semelhantes de portais jornalísticos em grupos de comunicação com preocupações semelhantes às da BBC.

O arquivo tem 22 páginas, está em inglês, e tem tamanho de 597 kbytes. Baixe aqui.

presentinho 1: manual google+ para jornalistas

Esther Vargas, Sofia Pichihua e María Cecilia Rodríguez Medina produziram um guia do Google+ para jornalistas. A versão está em espanhol, tem 45 páginas e seu arquivo alcança 5,3 Megabytes.

Claro, útil e funcional.

Baixe aqui.

saíram os anais da confibercom

Todos os trabalhos apresentados no Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana (Confibercom), que aconteceu em São Paulo em agosto passado, já estão disponíveis nos anais do evento.

direto à fonte então!

democracia e regulação da mídia, uma revista

Acaba de sair na web a mais recente edição da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, cujo eixo temático é Democracia e Regulação da Mídia.
Veja o sumário:

  • Radiodifusão brasileira e marco regulatório: Confecom e propostas recentes de reformulação
    Chalini Torquato Gonçalves de Barros
  • É preciso ordenar a comunicação? Questionamentos acerca da necessidade de instâncias mediadoras entre a mídia e o público
    Edson Fernando Dalmonte
  • As condições superestruturais da profissão vistas pelo movimento dialético das Leis de Imprensa – uma regulação antidemocrática
    Cristiane Hengler Corrêa Bernardo, Inara Barbosa Leão
  • El defensor de la audiencia, nuevas herramientas en su labor alfabetizadora
    Susana Herrera Damas, José Luis Requejo Alemán
  • Autorregulação: A Experiência Internacional com os Conselhos de Imprensa
    Silvia Macedo
  • Cobertura cotidiana da política no telejornalismo brasileiro: o que vai ao ar sobre política no Jornal Nacional?
    Acácio Salvador Júnior
  • O telejornalismo e as narrativas sobre o controle social dos meios de comunicação
    Ivonete da Silva Lopes
  • Dilma Rousseff e José Serra em CartaCapital e Veja: uma análise dos enquadramentos dos (pré) candidatos à presidência em 2010
    Milena Boemo Jaenisch, Viviane Borelli

Temas Livres

  • O que é visualização?
    Lev Manovich
  • Relação do brasileiro com o telejornalismo
    Jacques Alkalai Wainberg
  • JPB interativo: proposta de aplicação interativa para telejornal na TV digital
    Lívia Cirne, Marcelo Fernandes, Tatiana Aires Tavares
  • Rotinas e critérios de noticiabilidade: um estudo sobre a produção jornalística da BBC Brasil
    Jamile Gamba Dalpiaz
  • Instâncias de consagração na cibercultura: um estudo sobre a atuação do internauta no MySpace
    Mauro de Souza Ventura
  • Novas tecnologias e educação: o uso dos blogs para o curso de jornalismo
    Fabiana Crispino
  • As novas tecnologias de rádio na web e a desterritorialização da informação na construção do imaginário
    Gustavo Guilherme Lopes
  • A Importância da Epistemologia na Teoria do Jornalismo: A Teoria Pragmática do Conhecimento e a Qualidade da Notícia
    Heitor Costa Lima Rocha

Acesse por aqui.

sobre palmitos, extrato de tomate e ética jornalística

Para o jornalismo e para a culinária, existem ingredientes certos, medidas exatas e procedimentos de trabalho. Se você erra num ou noutro, pode comprometer o resultado final.

Mas o que ética jornalística tem a ver com macarronada?

Descubra no artigo que publico hoje no objETHOS.

frank maia de casa nova

O maior desenhista-chargista-flamenguista de Santa Catarina acaba de inaugurar um novo boteco: Xarjincasa.
Na real, Frank Maia já tinha o seu blog, mas fez um puxadinho aqui, pendurou uma rede ali, deu umas coloridas na parede de trás e botou uma placa nova no lugar.
Tem cômodos novos, outros marromeno, mas o Frank continua o mesmo: inteligente, antenado, com um traço poderoso, e acima de tudo: im-pa-gá-vel.

Vê só:

saiu a segunda edição da revista “tinta electrónica”

A publicação é editada pelos jornalistas Sandro Medina Tovar (do Peru) e Emiliano Cosenza (da Argentina), e se quiser saber mais clique aqui.

Para baixar, clique aqui.

wikileaks: um dossiê gratuito em revista

André Lemos acaba de anunciar a publicação de mais uma edição da revista Contemporânea, do Poscom/UFBA. O dossiê temático é WikiLeaks: cibercultura e política, e está imperdível. Veja o sumário parcial…

  • O fenômeno Wikileaks e as redes de poder – Sergio Amadeu da Silveira
  • Território e materialidade: Wikileaks e o controle do espaço informacional – Rodrigo Firmino
  • Governos, empresas, wikileaks e governança da internet – Graciela B Selaimen
  • Da teoria da embalagem à transparência total de Julian Assange – Juremir Machado da Silva
  • Apontamentos sobre o jornalismo extra-muros do Wikileaks – Elizabeth Saad Correa
  • Jornalismo pós-WikiLeaks: deontologia em tempos de vazamentos globais de informação – Rogério Christofoletti e Cândida de Oliveira
  • Ativismo e Agendamento nos Trending Topics do Twitter: o caso Wikileaks – Gabriela da Silva Zago e Jandré Corrêa Batista
  • Polêmicas no jornalismo do século XXI: discussões a partir da Revista Carta Capital – Patricia Bandeira de Melo

Acesse a edição aqui.

sbpjor divulga trabalhos aprovados para seu evento

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) anunciou os trabalhos individuais aceitos para o seu 9º Encontro, que acontece no começo de novembro da UFRJ, Rio de Janeiro.
De acordo com a entidade, foram inscritos 198 comunicações individuais e dessas 137 receberam os aceites dos pareceristas e avaliadores. Além delas, o evento terá ainda 12 comunicações coordenadas.

Saiba mais no site do evento.

 

 

uma semana para mandar artigos…

A revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC (Posjor), informa que recebe colaborações para a edição do segundo semestre até 20 de setembro.

Eixo Temático: Reportar, implicações narrativas
Ementa: A edição propõe reunir estudos que se interessem pelas condições e possibilidades estético-políticas implicadas no relato jornalístico, em sua ambição de reportar situações e eventos, em qualquer suporte. A discussão proposta se orienta para questões inerentes ao domínio da narrativa e sua localização na cultura, seja pelo reconhecimento das estruturas retóricas, com sua eficácia e suas ilusões, seja pela centralidade atribuída ao relato na configuração de sentidos.
Formatação: consulte as Diretrizes para Autores da EJM

Por questões editoriais, apenas serão recebidos e avaliados os textos com o tema da edição.

vem aí mais uma semana do jornalismo!

Olha só o que nossos alunos estão aprontando…

A programação

Data: 12 a 16 de setembro de 2011
Local: Auditório Henrique Fontes, Centro de Comunicação e Expressão (CCE)

Segunda-feira, 12 de setembro
9h – 12h: Minicursos
15h: Webconferência com Patrícia Campos de Mello, ex-correspondente nos Estados Unidos
17h30: Debate “Violência no campo: a cobertura de conflitos na Amazônia”. Convidados: Felipe Milanez e Daniel Bramatti
20h: Palestra de abertura com José Hamilton Ribeiro

Terça-feira, 13 de setembro
9h – 12h: Minicursos
15h: Exibição de documentários
17h30: Mesa de discussão “Entre interação e informação: o jornalismo nas mídias sociais”. Convidados: Ana Brambilla, Tiago Dória e Rodrigo Martins
20h: Cerveja Jornalística: Bate-papo no Chopp do Gus com Alexandre Matias e Emerson Gasperin

Quarta-feira, 14 de setembro
9h – 12h: Minicursos
15h: Webconferência com Eduardo Castro, correspondente na África
17h30: Mesa de discussão “11/09: o Oriente Médio em pauta após os atentados”. Convidados: Luiz Antônio Araújo, Samy Adghirni e Luciano Martins Costa
20h: Sabatina com a Agência Pública de Jornalismo Investigativo

Quinta-feira, 15 de setembro
8h30 – 12h: Minicursos
15h: Exibição de documentários
17h30: Mesa de discussão “Redação ou academia: possibilidades criadas com a pós-graduação”. Convidados: Gislene Silva, Felipe Pontes e Alexandre Lenzi
19h: Mesa de discussão “Carreira de jornalista: diferentes caminhos para o foca”. Convidados: Ana Estela de Sousa Pinto, Marques Casara, Patricia Marins e Maurício Oliveira

Sexta-feira, 16 de setembro
15h: Webconferência com Fabiano Maisonnave, correspondente na China
17h30: Mesa de discussão “Imagem é informação: a importância do jornalismo visual”. Convidados: Luiz Iria, Anderson Schneider e Ludmila Curi
20h: Palestra de encerramento com João Moreira Salles
23h: “Boa Noite!”, festa de encerramento no 1007 Boite Chik

wikileaks, jornalismo e a preservação de fontes

A primeira semana de setembro foi crítica para a equipe do WikiLeaks. Em poucos dias, o mais famoso site de vazamentos foi hackeado, trocou farpas com grandes jornais, sofreu críticas globais sobre seus métodos, e ainda viu seu mentor – Julian Assange – na iminência de sofrer mais um processo, agora do governo australiano. Não bastasse isso, começam a despontar dois concorrentes no mercado de vazamentos: o OpenLeaks, do dissidente Daniel Domscheit-Berg, e a SafeHouse, do The Wall Street Journal.

Apesar de viver sempre com a navalha na garganta, sentindo o cerco se fechar sobre seu projeto, Assange parece ter o sangue frio dos enxadristas. A semana foi difícil, mas isso não o impediu, por exemplo, de participar por teleconferência de um importante evento no Brasil sobre tecnologia – o InfoTrends – e disparar contra veículos de comunicação que há pouco tempo eram parceiros do WikiLeaks. Sempre é bom lembrar: Assange cumpre uma espécie de prisão domiciliar na Inglaterra, pois responde judicialmente a diversas acusações, entre as quais a de estupro.

O estopim para o mais recente tiroteio foi a divulgação pelo Wikileaks de quase 134 mil documentos, dos quais alguns traziam as identidades das fontes, contrariando a rotina de vazamentos anteriores. O Departamento de Estado dos EUA reagiu, argumentando que a publicação colocava em risco as pessoas mencionadas e prejudicava operações de contraterrorismo.. O procurador-geral da Austrália, Robert McClelland, também se enfureceu, pois do lote de documentos, constavam os nomes de 23 australianos suspeitos de participação em grupos terroristas do Iêmen. Para McClelland, a informação “compromete a segurança nacional” de seu país. O WikiLeaks se defendeu das acusações, colocando a culpa no jornal britânico The Guardian, um de seus parceiros na mídia tradicional no que foi chamado de “o maior vazamento público de documentos da história”. Segundo Assange, o livro publicado em fevereiro pelos jornalistas David Leigh e Luke Harding revelava a senha para acessar documentos na íntegra, sem ocultação dos informantes. O jornal alegou que seus jornalistas haviam sido informados por Assange que a senha era temporária e seria trocada em poucos dias. Verdadeiro jogo de empurra…

No primeiro dia de setembro, Assange voltou a atirar, descarregando agora também contra The New York Times, outro ex-colaborador. Segundo o mentor do WikiLeaks, os grandes conglomerados de mídia estão mais comprometidos com os governos de seus países do que com os interesses dos leitores. Na sequência, o WikiLeaks publicou o lote de 251 mil documentos da diplomacia norte-americana – aquele do maior vazamento do mundo – em versão não-criptografada, colocando mais gasolina na fogueira. Quatro de seus parceiros na imprensa – The Guardian, The New York Times, El País e Der Spiegeltrataram de condenar a ação, eximindo-se de qualquer responsabilidade. Ao que tudo indica, acabou o casamento entre o maior site de vazamentos e alguns dos mais influentes veículos de comunicação mundial. Azedou de vez a relação entre o resultado de uma nova cultura de tratamento da informação surgida com a internet e os meios midiáticos tradicionais.

Mas é preciso entender alguns aspectos dessa novela. O primeiro é que o WikiLeaks não tem os mesmos compromissos que a imprensa ou órgãos governamentais. Não se pode esperar que opere com as mesmas preocupações de preservação de fontes. O WikiLeaks parece não manter esses compromissos, e – claro! – corre o risco de ser considerado “irresponsável” e “negligente”. Por outro lado, os cinco parceiros na mídia convencional sabiam que pouco poderiam confiar no site de Assange. Cresceram os olhos com o volume das informações exclusivas a que teriam acesso, e se arriscaram na joint-venture. A decisão não foi apressada; a costura da parceria demorou meses. Foram ingênuos? Difícil afirmar que alguém nesse episódio esteja isento de responsabilidades.

O fato é que a sequência de capítulos traz à tona – para além de nomes e relatos – questionamentos sobre os limites e os compromissos que devem ter aqueles que detêm informações estratégicas. Pode-se pode colocar vidas em risco por conta da divulgação de dados? O que vale mais: o direito à vida ou o direito de ser informado? Quem define a preponderância de um sobre o outro? Quem deve garantir cada um desses direitos? A quem cabe zelar pela integridade dos informantes? De que forma sites como o WikiLeaks devem se orientar nesses casos? Os critérios jornalísticos valem para organizações não-jornalísticas?

Na nova ecologia comunicacional, não existem apenas os dinossáuricos jornalistas e suas paquidérmicas organizações de informação. Outros animais midiáticos também compõem a fauna, e dividem os recursos e o território. Julian Assange e o WikiLeaks são espécimes recentes, sem catalogação ainda. Conviver com estranhos assim, num cenário em ebulição, é desafiador não apenas para quem trabalha nas redações ou no serviço diplomático. O público – de forma muito sábia e silenciosa – assiste à reacomodação das forças.

(publicado originalmente no objETHOS e republicado no Observatório da Imprensa)

mais uma chamadinha de textos de revista

Reproduzindo:

A equipe editorial da Revista Comunicação Midiática, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UNESP, comunica que está aberta até 15 de outubro a chamada para envio de trabalhos para edição do terceiro quadrimestre de 2011 (v.6, n.3).

A publicação aceita artigos de doutores, ou doutores em co-autoria com pós-graduandos e mestres, para as seções Cultura e Mídia, Linguagens Midiáticas, Políticas de Comunicação e Resenhas.

As diretrizes, critérios e normas de submissão e formatação dos trabalhos estão disponíveis aqui

simpósio de jornalismo online: prepare-se!

A 13ª edição do já tradicional International Symposium on Oline Journalism, promovido pela Universidade do Texas, tem data marcada para 2012: 20 e 21 de abril, em Austin.
Já tem chamada para trabalhos também. Veja aqui.

revista chama textos com o tema “reportar”

A revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC (Posjor), informa que já está recebendo colaborações para a edição do segundo semestre de 2011.

Eixo Temático: Reportar, implicações narrativas
Ementa: A edição propõe reunir estudos que se interessem pelas condições e possibilidades estético-políticas implicadas no relato jornalístico, em sua ambição de reportar situações e eventos, em qualquer suporte. A discussão proposta se orienta para questões inerentes ao domínio da narrativa e sua localização na cultura, seja pelo reconhecimento das estruturas retóricas, com sua eficácia e suas ilusões, seja pela centralidade atribuída ao relato na configuração de sentidos.

Deadline: 20 de setembro de 2011
Formatação: consulte as Diretrizes para Autores da EJM

Artigos de outras temáticas também são aceitas na submissão, mas terão prioridade na avaliação os textos sob o tema da edição.

A Comissão Editorial da EJM informa ainda que o número dedicado ao tema “Democracia e Regulação da Mídia” está em fase final de produção, devendo ser lançado nas próximas semanas.

não é bem um wikileaks, mas vale…

A Folha de S.Paulo está colocando à disposição dos leitores uma série de documentos que ajudam a dar mais clareza às relações políticas nacionais e internacionais dos últimos anos. O projeto Folha Transparência, segundo o próprio jornal, é “é um conjunto de iniciativas do jornal para divugar informações e documentos de interesse da sociedade. O projeto reflete não só o trabalho de reportagem da Folha como também ações nas esferas administrativas e judicial para levar o poder público a revelar dados mantidos em sigilo”.

Não chega a ser comparável ao WikiLeaks, mas vale pelo esforço e pela abertura.

apesar do mimimi dos deputados, ele vai voltar…

Ao que tudo indica, o site mais polêmico de Santa Catarina deve voltar em breve. A Facisc emitiu nota anunciando que retomará o ranking dos parlamentares locais em seu Deputadômetro. A iniciativa causou irritação de suas excelências e a pressão fez com que a organização classista recuasse. Baixada a poeira e com um punhado de manifestações de apoio, o site deve ser atualizado em 30 dias.

Tomara que o site retorne rapidamente e que não volte atrás na sanha de observar os políticos catarinenses…

Veja a nota da Facisc

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) vai voltar a publicar o ranking dos deputados estaduais no site Deputadômetro (www.deputadometro.com.br). A decisão foi da diretoria da entidade após o recebimento de inúmeras manifestações de apoio e ponderações da sociedade, através de entidades empresariais e cidadãos. A FACISC também recebeu solicitações de entidades empresariais de outros estados para implantar a ferramenta nas suas assembleias legislativas.

Segundo o presidente da FACISC, Alaor Tissot, a intenção é rever alguns critérios, mas publicar novamente o ranking. “Nós vamos analisar outros itens sugeridos para ampliar a avaliação”, ressaltou.  A Federação ressalta que o site faz uma análise quantitativa da atividade parlamentar dentro da Assembleia Legislativa através de dados oficiais disponibilizados
pela própria Alesc.

Na próxima semana a Federação tem uma reunião agendada com o diretor executivo Cláudio Abramo do portal Transparência Brasil para troca de ideias. “Vamos buscar informações com a entidade a fim de promovermos as melhorias necessárias”.

Sobre a data do retorno a diretoria avalia que deve ser o mais rápido possível. “Temos que fazer as adequações e retornar com o ranking num prazo de 30 dias, que é o tempo necessário para coletar dados e adaptar a tecnologia”.

dissertações em jornalismo: transmissão pela web

O Mestrado em Jornalismo da UFSC tem duas defesas marcadas para hoje e ambas serão transmitidas pela internet.

Às 10 horas: “A construção da reportagem multimídia no Diário Catarinense: percepções de quem vive a nova rotina”, de Alexandre Lenzi (orientado por Mauro Cesar Silveira)

Às 14h30: “Webjornalismo audiovisual universitário no Brasil: um estudo dos casos TV UVA, TV UERJ e TJ UFRJ (2001-2010)”, de Juliana Teixeira (orientada por Elias Machado)

Mais detalhes no site do Posjor… Para acompanhar a transmissão, vá por aqui.

mas, afinal, por que as pessoas compartilham?

Alguém por aí já disse que to share é um dos verbos do momento. Sim, compartilhar está na moda. Compartilhar vídeos, fotos, músicas, textos, livros, enfim, todo tipo de conteúdo online. Atitudes simples de dividir têm modificado hábitos de consumo, têm provocado terremotos na indústria dos bens simbólicos e têm feito muita gente queimar as pestanas para responder porque isso acontece.

The New York Times Customer Insight Group, a divisão de pesquisas de marketing do jornal mais influente do mundo, produziu um estudo sobre o que vem chamando de Psicologia do Compartilhamento (Psicology of Sharing).

Para reforçar o tema, vou compartilhar com vocês o estudo
(18,6 Megas, 47 páginas, em inglês e no formato PDF).

ética e jornalismo econômico

Damian Tambini, professor da London School of Economics, assina junto com o Departamento de Media and Communications, um relatório que pode servir muito a jornalistas em tempos de crise. “What’s financial journalism for? Ethics and Responsibility in a time of crisis and change” discute aspectos como sustentabilidade, globalização, informação responsável e ética.
O documento é de novembro de 2008, mas não perdeu sua atualidade. Tem 38 páginas em inglês e está em formato PDF.
Baixe aqui.

princípios editoriais da globo: um debate

Na semana passada, participei com Eugênio Bucci, Leonel Aguiar e Alberto Dines de um debate no programa de TV do Observatório da Imprensa. O tema foi o documento das Organizações Globo que estabelece os princípios editoriais do grupo. O programa do Observatório é transmitido pela TVBrasil nas noites de terça-feira (hoje tem!) e depois fica disponível na internet.
A seguir, o debate sobre as diretrizes globais, em três partes.

Parte 1 de 3

Parte 2 de 3

Parte 3 de 3