Uma triste vitrine de um crime bárbaro, revoltante e inaceitável.
Para saber mais sobre como o caso foi (e vem sendo) tratado pelos meios de comunicação, veja ainda os textos publicados no objETHOS.
Uma triste vitrine de um crime bárbaro, revoltante e inaceitável.
Para saber mais sobre como o caso foi (e vem sendo) tratado pelos meios de comunicação, veja ainda os textos publicados no objETHOS.
Começo hoje um curso para alunos de mestrado e doutorado sobre estudos avançados em ética jornalística. Esta é uma disciplina eletiva do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, e nas próximas 15 semanas, pretendo enfrentar com meus companheiros de aula algumas questões que me parecem cruciais para se pensar a profissão atualmente: ética das redações e ética hacker; verdade, credibilidade e fake news; robôs, algoritmos e automação do jornalismo; privacidade, vigilância e transparência; direito ao esquecimento e vazamentos… esses são alguns dos tópicos que vamos perseguir com uma extensa bibliografia, e é claro que outros podem surgir inadvertidamente.
A turma já está fechada e estarei em excelente companhia. Como talvez o assunto interesse a você, leitor, deixo aqui o plano de ensino na esperança de atrair novos interlocutores. Se não de forma presencial e em sala de aula, que o diálogo se dê pelas muitas vias tecnológicas que temos hoje.
The Post, o filme de Steven Spielberg sobre a divulgação de segredos dos Estados Unidos sobre a guerra do Vietnã, já está em muitas salas de cinema e merece ser conferido. Não chega a ser um filme empolgante, nem mesmo para jornalistas.
A narrativa oscila em ritmo, não tem trilha sonora envolvente e algumas passagens são apressadas. Vez em quando, lá se vai o fio da meada, mas seguimos o baile.
A câmera é certeira, a reconstituição de época – entre o final dos 60 e começo dos 70 – é muito competente e o elenco é irrepreensível. Tom Hanks oferece um Ben Bradlee mal humorado e inquieto, bem distante da atuação carrancuda de Jason Robards em Todos os Homens do Presidente. Meryl Streep traz nuances singulares para Kay Graham, a hesitante e quebradiça dona do Washington Post. Bob Odenkirk esculpe o mítico repórter Ben Bagdikian com traços de implacável correção moral e jornalística. Apesar disso, há uma imensa (e invisível) casca de banana no meio do caminho: The Post deposita todo o heroísmo no colo do jornalismo, mas a história verdadeira é outra.
A trama do filme se concentra no vazamento de milhares de páginas de documentos ultrassecretos dos Estados Unidos que provam ingerência política de vários presidentes, conhecimento de que o país não venceria a guerra tão fácil, entre outros podres. The Post até mostra quem vazou os documentos e como. Um agente de informação copia 7 mil páginas de um longo estudo sobre a presença dos EUA na guerra e distribui partes para The New York Times e Washington Post. Esse denunciante tem nome: Daniel Ellsberg. E foi só por causa dele que o mundo veio a saber dos chamados Papéis do Pentágono. Sim! Foi ele que arriscou o pescoço por meses para transportar caixas e mais caixas de papéis – disfarçados das mais diversas formas – para fora de seus cofres para fazer xerox daquilo tudo.
Andy Greenberg tem um livro ótimo que retoma essa história e compara como são feitos os grandes vazamentos de informação na atualidade. Em poucos minutos, foi possível copiar centenas de milhares de documentos num CD regravável e que depois seriam vazados pelo WikiLeaks em novembro de 2010. Mas imaginem o que é xerocar 7 mil páginas confidenciais, retiradas furtivamente de empresas e órgãos de segurança nacional…
No filme de Spielberg, Ellsberg é apresentado como um sujeito lacônico, com olhar esquisito, jeito misterioso e com importância tão limitada que chega a desaparecer nela. Todos os louros são dados ao editor intransigente que quer levar os segredos ao público e à publisher, que descobre na liberdade de imprensa um corolário para justificar a função da empresa que herdou do marido.
É verdade que Bradlee e Graham se arriscaram bastante. The Post reserva várias cenas em que a coragem como valor republicano é enaltecida e celebrada. Mas o que indigna é que Spielberg mostra uma coragem seletiva, reservada apenas à empresa jornalística e não ao vazador. Ora! Quem deu o primeiro pontapé na bola?!
Tenho uma modesta explicação para isso, amigos.
Nos Estados Unidos, vazador tem um nome pomposo: whistleblower. Isto é, soprador de apito, aquele que berra para apontar um problema grande. A história mostra que esses denunciantes são motivados por valores públicos que os fazem desafiar poderes, correr riscos inimagináveis e a se sacrificarem para que a sociedade se beneficie com o teor de suas revelações. Julian Assange e seu Wikileaks são whistleblowers. Chelsea Manning e Edward Snowden também, bem como Daniel Ellsberg.
Por que, então, Spielberg fez a coragem de Ellsberg evaporar?
Por uma razão só: o Washington Post de hoje não é o mesmo da época retratada pelo cineasta. Hoje em dia, ele não pertence mais à família Graham, mas sim ao magnata Jeff Bezos, dono da Amazon. E embora o Washington Post de Bezos tenha se beneficiado muito com as revelações do whistleblower Edward Snowden, o jornal também defendeu em editorial que ele fosse julgado por espionagem (veja aqui). Sim, é isso mesmo: um jornal desse tamanho e importância voltando suas baterias contra a própria fonte de informação!
Então, o Washington Post atual não gosta muito whistleblowers. Nada melhor que apequenar a presença e importância de Daniel Ellsberg na trama. “Vamos dar um lugar a ele no enredo, mas não precisamos torná-lo um herói, não é mesmo, rapazes?”
Foi por birra, então?! Não só.
Por que Steven Spielberg contrariaria Jeff Bezos, que além de mandar em boa parte do varejo mundial também tem um influente serviço de streaming de TV por onde pode transmitir filmes do cineasta? Por que fechar uma janela que está cada vez mais escancarada?
PS – Não deixe de ler este texto de Rogério de Campos sobre a participação de Ben Bagdikian no episódio dos Pentagon Papers, e este, do Luiz Biajoni, sobre Phil Graham (e cia), o marido de Kate, a dona do Washington Post. Imperdíveis aulas de história.
PS 2 – Atualização de 27/03/18. Matéria da Agência France Press reproduzida no UOL informa que Steven Spielberg vai produzir uma série para o serviço de video streaming da Amazon. Eu não disse?
Conversei com o jornalista Marco Aurélio Gomes, da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e TV (Acaert), sobre notícias falsas e de como elas são perigosas. Não só para o jornalismo, mas para a própria democracia…
Já está disponível o documentário Em nome da inocência: justiça, de Sergio Giron, sobre a trágica morte de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da UFSC.
Corajoso e contundente.
O coletivo Intervozes divulga na próxima semana os resultados de um mapeamento sobre os 50 maiores veículos de mídia do Brasil. Importante, essencial e estratégico para quem acredita na possibilidade de democratizar a comunicação no país.

A morte trágica do reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que aconteceu em 2 de outubro passado, me levou a escrever dois textos, ambos publicados no Observatório da Ética Jornalística (objETHOS):
Recomendo que se leia ainda Qual a responsabilidade dos repórteres no suicídio do reitor da UFSC?, do experiente e competente Carlos Wagner, e Anatomia de uma reputação midiática: um espetáculo de horror na televisão, de Maura Martins.
Precisamos debater os métodos das polícias, os critérios da justiça, os procedimentos do jornalismo e a sanha justiceira da sociedade…
O Observatório da Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (Obcom-USP) e o Instituto Palavra Aberta lançaram há pouco o livro “Privacidade, Sigilo e Compartilhamento”, que contém os textos apresentados num seminário de mesmo nome ocorrido em São Paulo em novembro do ano passado.
A obra é organizada pela professora Cristina Costa e reúne 22 textos em oito seções, que tratam de temas importantes como o direito ao esquecimento, controle e vigilância, intimidade e direito à expressão.
Com Ricardo José Torres, assino o capítulo “Orientações e inflexões sobre privacidade em manuais internacionais de ética jornalística“, que analisa como a privacidade aparece (se aparece?) em dez manuais de jornalismo internacionais nas três últimas décadas.
O livro pode ser lido online ou baixado gratuitamente em ePub ou PDF.
Em 31 de agosto de 2016, cassavam Dilma Rousseff.
Muitos de nós sabíamos que não era legal, nem certo, nem o melhor. Muitos de nós avisamos.
O país de hoje é pior, muito pior que antes. Basta ver quem está no comando e que rumos tomamos.
Os jornalistas de Santa Catarina elegeram ontem mais uma diretoria do seu sindicato. Mostraram que é necessário buscar unidade e fortalecimento da categoria. Ainda mais em tempos com notícias tão terríveis.
Parabéns aos eleitos!!! (Aderbal Joao Rosa Filho, Valci Zuculoto, Leonel Camasão, Mylene Margarida, Herminio Nunes, Fabio Bispo, Hilton Maurente, Gabriel Shiozawa Coelho, Michele de Mello, Rita Paulino, Fabiola de Souza, Tânia Machado de Andrade, Linete Braz Martins, Celso Vicenzi, Janine Koneski de Abreu e tantos outros bravos).
Agradeço aos votos que tive como candidato à comissão de ética. Será uma alegria e privilégio trabalhar ao lado de Sandra Werle, Ivan L Giacomelli, Marcos Bedin e Marli Vitali!
Viva o jornalismo e viva os jornalistas!
O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina vai renovar a sua comissão de ética e sou candidato a uma vaga. Por quê?
Sou professor de Legislação e Ética em Jornalismo e de Ética e Deontologia na Universidade Federal de Santa Catarina. Ética profissional é minha área de pesquisa há 18 anos e escrevi alguns livros e muitos artigos científicos sobre isso. É um tema que me interessa e que me preocupa. Tanto é que em 2009 ajudei a criar o Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), projeto que tem um site para discutir condutas e ações de jornalistas e veículos de mídia.
Mas a ética jornalística não é uma preocupação minha apenas no campo acadêmico. Acompanho a evolução da nossa profissão e os principais debates da categoria há vinte anos. Entre 2002 e 2004, fui vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas e, nessa função, conduzi eventos e outras realizações que tratavam disso.
Então, por essas razões, sinto que posso colaborar com a comissão de ética do nosso estado.
Acredito que um órgão como esse não deve ser só punitivo e disciplinar. A comissão de ética pode ter um papel mais educativo, que contribua para aperfeiçoarmos os nossos padrões éticos dentro e fora das redações. A comissão pode realizar e promover eventos, e produzir materiais de orientação e aconselhamento, por exemplo. Outras iniciativas podem fazer com que cresçamos enquanto categoria e nos aproximemos mais do que a sociedade espera. Sim, há muito o que fazer!
Estou pessoalmente motivado a trabalhar com outros colegas da comissão e gostaria de oferecer a minha contribuição. Trata-se de um trabalho voluntário, independente e não vinculado à diretoria, e sem qualquer remuneração.
Se você é filiado ao Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, não deixe de participar da eleição da diretoria nos dias 23 e 24 de agosto. Aproveite e escolha também os cinco membros da comissão de ética. Espero poder contar com a sua confiança. Se quiser saber mais da minha trajetória, acesse meu site.
Para mais informações sobre horários e locais de votação, acompanhe os informes da comissão eleitoral.
Que possamos lutar juntos e construir dias melhores para o nosso jornalismo.
Eu sei que é de embrulhar o estômago. Mas guarde as capas abaixo. Se não for por dever de ofício – como é o meu caso -, serve como registro histórico de tempos mais-e-mais sombrios…
A ruim: Buenos Aires Herald, o único jornal editado em inglês na Argentina, com 140 anos, e que foi um dos poucos a denunciar parte dos podres da ditadura naquele país, anunciou que vai fechar.
A boa: The Intercept Brasil completa um ano e que quer ir além.

Editores de alguns dos principais meios de comunicação, como Le Figaro, Financial Times, El País e Frankfurter Allgemeine, não estão nada felizes com um acordo de privacidade de dados que está para ser implementado na União Europeia. Segundo se queixam, os termos dão muito poder aos gigantes da web, como Google, Apple, Microsoft e Mozilla, pois eles poderiam atuar como cancelas dos dados dos usuários. No centro da disputa, as regras de funcionamento e os consentimentos dos usuários sobre a coleta de seus dados durante a navegação. Embora os dentes estejam rangendo do outro lado do Atlântico, é importante ficarmos atentos…
Participo amanhã da abertura da sexta edição do Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pela linha de pesquisa Linguagens e Práticas Jornalísticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos.
Divido a mesa com a professora Roselyne Ringoot, da Universidade de Grenoble (França). Vou tratar de crise do jornalismo e ética profissional. Mais informações aqui.
“Este modelo encoraja um novo espírito empreendedor no mundo da informação, mas não um que favoreça a comunicação responsável e o jornalismo ético”. (…) “O desenvolvimento de modelos de negócios impulsionados por algoritmos que colocam cliques antes do conteúdo já drenaram o sangue da publicidade da indústria tradicional de mídia global e enfraqueceram a capacidade de jornalismo ético; esses negócios abriram a porta para uma nova cultura de comunicação em que a verdade e a honestidade são obscurecidas pela falsa notícia, intolerância e mentiras maliciosas. E também legitimaram a noção de política de fantasia que pode incentivar a ignorância, a incerteza e o medo na mente dos eleitores”.
Você pode ter cruzado os braços ou não, mas o fato é que a paralisação nacional de ontem, 28, mudou o seu dia. Temer minimiza, não dá recibo de que a chapa esquentou. Uma olhada nas primeiras páginas dos jornais traz pistas de como serão os próximos dias…
PS – O Diário Catarinense não deu nada na capa! Não tem texto, chamada ou foto… Isso é que viver numa realidade alternativa…
Roy Greenslade é um importante observador da imprensa britânica. Tem mais de 50 anos de jornalismo e há mais de uma década mantém um blog influente e certeiro. Como meus conhecimentos sobre a paisagem midiática inglesa são limitados, devo bastante à Greenslade sobre o que sei de lá. Acompanho seus textos há alguns anos e essa leitura foi determinante durante o escândalo dos grampos telefônicos do The News of The World, um verdadeiro terremoto sobre os jornais locais.
Acontece que Roy está fechando seu blog, o que é uma pena!
Ontem, 6, ele confirmou que vai escrever até o final do mês, que vai continuar a fazer análises – agora semanais – para jornais e que vai aumentar sua dedicação ao ensino universitário. Como eu disse, é uma pena, e eu estava habituado a lê-lo no The Guardian…
Num mini-balanço, Greenslade diz que quando começou a blogar sobre mídia, considerava-se um revolucionário. Hoje, depois das redes sociais, das muitas turbulências que chacoalham a indústria e das irreversíveis transformações culturais no consumo e produção de conteúdos, ele se considera um contra-revolucionário.
Ele acha que o futuro da mídia é digital, mas admite que talvez seja o caso de considerarmos que perderemos o que antes chamávamos de “grande mídia”. A pergunta que ele deixa ao final do post é das mais importantes para a sobrevivência dessa coisa: “Podemos realizar essa tarefa sem a escala e o alcance de uma mídia que, para o bem ou para o mal, é o locus da nossa conversa nacional?”
Eis algumas primeiras páginas de hoje, 30/11/16, um dia após o estarrecedor acidente aéreo que matou 71 pessoas na Colômbia… Registros da dor…

Fui convidado pelos organizadores do 14º Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo para falar sobre potências da pesquisa em novembro de 2016. Na mesa, estive com Danilo Rothberg, da Unesp, e com Josenildo Luiz Guerra, da UFS.
Deixei aqui no Medium um texto que sintetiza algumas das ideias que expus…
Dia 2 de novembro é o Dia Internacional de Combate à Impunidade de Crimes contra Jornalistas. A data foi criada pela ONU em 2013, diante do aumento dos casos de violência contra esses profissionais e a cada vez mais comum impunidade.

A iniciativa é do vereador Lino Peres e de um punhado de meios alternativos da cidade, interessados em discutir saídas e oportunidades.

As más notícias sobre a indústria de notícias também chegam pelos jornais…
A revista Sobre Jornalismo/About Journalism/Sur Le Journalisme está com chamada de trabalhos aberta para uma edição especial sobre “Notícias Locais: sustentabilidade, participação e vida comunitária”.
A publicação é trilíngue (português, francês, inglês) e é dirigida por um consórcio internacional de pesquisadores que vêm fazendo um trabalho muito interessante na aproximação de universos acadêmicos.
São esperados textos de 30 mil a 50 mil caracteres com espaço até 30 de março de 2017. Sim, eu sei que parece longe, mas você sabe como o tempo voa…
Os coordenadores dessa edição especial são David Domingo (Université Libre de Bruxelles), Josep-Àngel Guimerà i Orts (Universitat Autònoma de Barcelona) e Andy Williams (Cardiff University).
A chamada completa está aqui:
http://surlejournalisme.com/wp-content/uploads/2016/10/Local-news_cfp_PT.pdf
Se os dias são de trevas e de pessimismo na indústria jornalística, há sempre quem converta a preocupação em entusiasmo. E assim, constrói saídas, pensa soluções, indica caminhos. Entre os bravos dessa tribo tenho grande admiração e respeito por dois projetos, que – coincidência ou não! – escolheram o mesmo símbolo para figurar de brasão: um farol.
Me refiro ao Farol Jornalismo e ao Farol Reportagem.
O primeiro é um projeto de pesquisa, discussão, debate e empreendimento, sediado em Porto Alegre e movido pelos braços de Moreno Osório e Marcela Donini. Semanalmente, sempre no finalzinho da tarde de sexta, eles disparam a melhor newsletter brasileira sobre jornalismo, comunicação, convergência midiática e o que há de mais interessante e pulsante nessa área e seus entornos. Num clima sempre amistoso, sem perder a crítica e o discernimento, a dupla abastece seus leitores com as melhores fontes, os debates mais importantes e as novidades que ninguém pode perder nesse terreno. Não bastasse a newsletter, agora, eles também oferecem um canal com um precioso podcast.
Para assinar a newsletter, clique aqui. Para acessar o podcast, vá por aqui. Para apoiar a iniciativa, já sabe…
De Florianópolis, pulsa outro facho de luz. O Farol Reportagem é um site que se dedica a dados públicos, transparência e direitos humanos, sempre com reportagens contundentes e relevantes para quem mora sobretudo na capital catarinense. Lúcio Lambranho é o jornalista por trás da máquina, e o site acaba de completar quatro meses de grandes serviços prestados à comunidade local. Uma proposta muito bem-vinda num mercado tão amarrado como o nosso, com ousadia milimétrica…
Considero o Farol Reportagem tão importante para esse momento da mídia local que me aproximei dele com uma proposta: contribuir para uma cobertura mais aprofundada das eleições municipais de 2016. Daí saiu o projeto Farol Eleitoral, que une o site e a minha turma de alunos da disciplina de Reportagem Especializada em Política. Ainda estamos no meio da parceria, mas os resultados já podem ser conferidos em grandes reportagens realizadas por jovens jornalistas.
Para acessar o site, vá por aqui. Para apoiar, clique aqui.
Se o tempo não é de sol claro, se as sombras da incerteza nublam o nosso olhar, por que não seguir as luzes desses faróis?
A 4ª edição do Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo (Mejor) já tem data e local definidos: vai acontecer de 3 a 6 de maio de 2017 na Université de Laval, em Quebec, Canadá.
O tema é “O jornalismo incapaz? Projeto secular do jornalismo e contextos extremos”.
O encontro anterior do Mejor aconteceu em Florianópolis, na UFSC, e foi uma extraordinária ocasião para aproximar pesquisadores brasileiros, belgas, franceses e canadenses.
Mais informações aqui, na chamada de textos, que termina em 20 de outubro.
Um projeto verdadeiro de comunicação pública fica muito mais distante a partir de hoje, com a publicação da Medida Provisória 744, que afeta diretamente a governança da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A MP é assinada por Rodrigo Maia, presidente em exercício, e provoca três efeitos práticos que bombardeiam a comunicação pública. Primeiro: dá amplos poderes para o presidente da República exonerar o presidente da EBC. Temer tentou isso, mas a Justiça mandou voltar atrás. Segundo: tira qualquer participação da sociedade na cúpula da empresa, pois a MP extingue com o Conselho Curador. Terceiro: Temer coloca seus tentáculos na cumbuca, ao colocar cargos estratégicos nas mãos de Mendonça Filho e Marcelo Calero, aparelhando a diretoria.
Para quem pensa numa governança de mídia mais plural, equilibrada, diversa e participativa. Para quem pensa numa comunicação pública e não estatal… Taí!