jornalistas madrilenhos em baixa

Confiança é um vaso que não se quebra. Porque depois de partido, mesmo que se junte todos os cacos, nada será como antes… Confiança e credibilidade são vitais para a sobrevivência de jornalistas e do jornalismo. Volta e meia, surgem pesquisas que tentam aferir a quantas anda a imagem desses profissionais perante a sociedade. A mais recente dessas consultas é a realizada pela Asociación de Prensa de Madrid, e na Espanha o mar não está para o peixe dos jornalistas. Lá, apenas 39% das pessoas têm uma boa imagem da profissão.

A informação é do 233 grados, mas desconfio que em outras latitudes a coisa não esteja lá muito diferente…

este blog não parou…

Se você é um dos seis ou sete leitores que me acompanham por aqui deve ter notado que não tenho postado nada há quase uma semana. Calma. Não arranque seus cabelos, não cometa nenhuma loucura, não recorra ao Procon. Este blog não parou.

Só estou tentando terminar um dos semestres mais agitados da “história defe paif”…

Já, já, eu volto.

a falta que ela me faz

Ela se foi. Não sei se para sempre, mas já sinto a sua ausência.

Desde ontem a casa se ressente disso. Sem mais nem menos, não temos mais ela por aqui. Desapareceu, sumiu, se foi, escafedeu-se. Sem deixar bilhete, sem avisar, sem mostrar qualquer sinal de descontentamento. E o que me fica é uma mistura de sentimentos: um embrião de saudade, a perplexidade pelo ocorrido, a surpresa da herança que ela deixou. Afinal, se algo lhe faltasse, se tivéssemos brigado, enfim, se tivesse acontecido um rompimento, até seria possível se preparar para essa ausência, mas fui pego de surpresa. Não só eu, todos por aqui.

Mila era dessas presenças constantes. É curioso dizer mas, mesmo com pouco tempo por aqui, já era a dona da casa, a rainha que ocupava pouco espaço, mas que se espalhava por todos os cantos. Seu silêncio era a sua presença, a certeza de que estava por perto. Seu vai-e-vem pelos cômodos era notado, e quando descia as escadas de sua maneira toda especial, acompanhávamos seu andar lânguido, como se não existisse pressa no mundo, e a vida girasse à base de manivela.

Vez ou outra, chegava em casa e trombava com seu olhar, ora cúmplice, ora reprovador. Eu parava diante da porta e ela simplesmente me escaneava com seus olhos azuis. Quando havia bom humor, me cumprimentava e vinha ter comigo. Mas era raro, é verdade. Talvez porque eu lhe desse menos atenção do que merecesse ou pedisse. Talvez porque eu não derramava tanto sentimento ao seu redor. Talvez, talvez… é tarde agora.

Desde ontem não sabemos nada dela. Vasculhei pela vizinhança, mas fiquei envergonhado de perguntar por ela aos vizinhos. O que iriam pensar? Certamente, me reprovariam: esse não cuidava dela direito e agora está esbaforido atrás. Eles teriam razão, mas não me diriam isso de chofre.

A falta de que ela me faz é uma espécie de vergonha que alimento aqui dentro. Pois é um sintoma de que eu não soube amá-la pra valer. Não que não amasse, mas porque não me dedicasse a isso. Não me desse a ela, como ela se entregava a mim e a outros, que amava. Meu filho, por exemplo, mantém a esperança de que Mila volte, que ela saiu em busca de alguma aventura, mesmo que não fosse do feitio dela. Mas ele tem cinco anos e a inocência ainda brilha nos seus olhos. Minha esposa rumina em silêncio. Talvez seja quem mais sinta a falta de Mila, pois era quem mais convivia com ela, a quem hipotecava o mais desabrigado amor. Elas conversavam entre si: a onça e a gata. Vi isso acontecer mais de uma vez.

Também sinto falta de Mila, a quem trocava o nome até pouco tempo atrás. Olhava para ela e chamava por Nina, referência a outros dois amores do passado. Me reprovavam por isso, mas depois virou piada interna. Mas Mila também me cativou, me fez deitar os olhos sobre seu corpo, seu sorriso de esfinge, seu olhar penetrante e seus ruídos discretos. A falta que ela me faz cresce. Talvez porque eu quisesse hoje afagar-lhe mais do que sempre quis. Talvez porque o seu sumiço me faça aprender mais da vida e de mim mesmo. Mas é só uma gata, o leitor pode murmurar. É. Mas gatos têm uma teimosia própria que insiste em nos ensinar que não somos seus donos. Eles é que se apossam de nós, da casa, da rotina. Quando cansam, empoleiram-se sobre o muro e seguem adiante, sem olhar pra trás.

convergência e direito: um dossiê

O Observatório de Direito à Comunicação acaba de lançar na rede o primeiro de uma série de documentos especiais que muito ajudam a compreender o setor de comunicações no Brasil. O primeiro dossiê tem o título A convergência tecnológica e o direito à comunicação, e articula de forma didática e bem estruturada as relações entre os avanços das plataformas, os impactos a que os meios convencionais estão expostos e a organização dos meios de comunicação nacionais em meio a essas modificações.

O dossiê tem 28 páginas, em português, formato PDF, e é assinado por Jonas Valente. O material pode ser baixado aqui.

O documento é interessante pela abordagem – o direito à comunicação não pode se esvaziar diante dos avanços tecnológicos – e oportuno. Afinal, neste mês, acontece em Brasília a primeira Conferência Nacional de Comunicação, ocasião histórica para se discutir diversos aspectos sobre o setor no país.

enade: comissão de comunicação anula questões

Acabei nem comentando aqui a prova do Enade deste ano. Foi polêmica, sim, e arrisco em dizer mal preparada. Houve uma tempestade de críticas, muitas bem acertadas.

Já fui membro da comissão da área de Comunicação para o Enade e sei que o trabalho é muito duro por lá. O trabalho dos especialistas é estabelecer diretrizes que orientem a elaboração de uma boa prova. Não é a própria comissão quem formula as questões, mas empresas especialmente contratadas para o serviço. Aliás, muitíssimo bem pagas, enquanto que os membros da comissão recebem minguadas diárias do Inep, que muitas vezes mal cobrem as despesas com alimentação e hospedagem em Brasília.

Mas o fato é que a prova do Enade deste ano foi muito mal elaborada mesmo. Tanto é que a comissão que assessora o Inep na área da Comunicação decidiu por anular algumas questões, conforme se pode ler no informe do professor Gerson Luiz Martins, um dos membros:

A Comissão Assessora da Área de Comunicação de Enade, em reunião desta quarta-feria, 2 de dezembro, anulou diversas questões da prova da área de Comunicação.
Na parte geral da prova foram anuladas as questões 18 e 19. A questão 19 é a da “marolinha”.

Na parte específica em Jornalismo foram anuladas as questões 27, 30, 33 e 35. Na prova de Publicidade foram anuladas as questões 33 e 37. Na prova de Relações Públicas foram anuladas as questões 34 e 36. Em Radialismo, a questão discursiva 38. E na prova de Cinema, anuladas a questão 34.

A anulação das questões não torna a prova melhor que antes, mas ao menos evita danos maiores, com o uso político da prova, com a ambiguidade e falta de objetividade de alguns trechos da prova. Depois do vazamento da prova do Enem e do desastre do Enade, tanto o Ministério da Educação quanto o Inep saem bastante castigados neste final de governo… será que alcançariam média pra passar?

fórum de professores de jornalismo: chamada de artigos

Leonel Aguiar, diretor científico do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), manda avisar que as inscrições para o encontro de 2010 serão abertas já no dia 1º de janeiro:

O Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo (FNPJ) convida professores, pesquisadores, jornalistas e estudantes para inscreverem trabalhos no IX Ciclo Nacional de Pesquisa em Ensino de Jornalismo, que ocorrerá em Recife, Pernambuco, entre os dias 21 e 23 de abril de 2010. O período de inscrição começa no dia 1° de janeiro e vai até o dia 1° de março de 2010.

Os trabalhos podem ser apresentados em um dos seguintes Grupos de Pesquisa: atividades de extensão; ensino de ética e de teorias do jornalismo; pesquisa na graduação; produção laboratorial/eletrônicos; produção laboratorial/impressos; projetos pedagógicos e metodologias de ensino. Mais informações sobre as modalidades – comunicação científica, relato e pôster – e formatação dos trabalhos podem ser encontradas no site www.fnpj.org.br.

novembrada, 30 anos

Há exatos 30 anos acontecia em Florianópolis um episódio que seria emblemático na derrocada do regime militar: um embate entre manifestantes e autoridades, na visita do presidente João Figueiredo à cidade, passaria à história como a Novembrada.

O Cotidiano, revista multimídia do curso de Jornalismo da UFSC, coordenada por minha amiga Maria José Baldessar, oferece hoje um igualmente histórico especial sobre o evento. Se você sabe do que estou dizendo, vá lá relembrar. Se nunca ouviu falar da coisa, já pode dar um bom mergulho no assunto.

Acesse: http://www.cotidiano.ufsc.br/images/novembrada/

 

 

 

 

 

 

 

formação de jornalistas na américa latina

Já está disponível um levantamento feito pela Federación Latinoamericana de Facultades de Comunicación Social (Felafacs) com apoio da Unesco que tem como título Mapa de los centros y programas de formación de comunicadores y periodistas en América Latina y el Caribe.

Como se pode ver, é um informe que faz um panorama de cursos e centros de formação profissional no continente. Em formato PDF e em espanhol, o documento teve como consultor brasileiro o professor Gerson Luiz Martins. Vale a pena conhecer a realidade formativa específica na região… Aqui!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10 links sensacionais sobre jornalismo

  1. The New York Times Inovation Portfolio – tenha paciência para carregar a página porque vale a pena ver
  2. Consultorio de Acesso à Informação Pública e Liberdade de Expressão – ferramenta útil para jornalistas
  3. Código de Deontologia para França – proposta concluída no final de outubro e que está em plena discussão
  4. Ética para fotojornalistas – valores e orientações de conduta muitíssimo interessantes para profissionais
  5. Top 50 de blogs jornalísticos – uma amostra atualizada, mas restrita dessa fatia da blogosfera
  6. Uso de mídias sociais no jornalismo – as regras da ABC Corporation, da Austrália
  7. Hiperjornalismo – recentíssimo banco de dados das emissoras de TV brasileiras
  8. Newsmap – leia manchetes – inclusive do Brasil – da maneira mais visual possível
  9. Dossiê Universidade, Mídia e Jornalismo – nem tudo está aberto para leitura, mas há muita coisa boa neste especial do The Chronicle Review
  10. Estudando jornais numa época de mudanças – Jane B.Singer escreve para o Poynter. Texto lúcido e instigante!

enchentes em sc: um ano

Um ano atrás, exatamente, eu passava por uma experiência que jamais imaginei enfrentar. Eu e mais de um milhão de pessoas fomos atingidos pelas agora tão trágicas e famosas cheias no Vale do Itajaí. O drama, todos puderam acompanhar pela TV e pelos demais meios de comunicação. Foram dias de intenso sofrimento, de grande angústia, de total destruição, de profundo aprendizado.

Cheguei a postar aqui alguns relatos do que vi e senti à época. A água barrenta em todos os lugares, as marcas indeléveis nas paredes após os rios baixarem, as muitas pilhas de móveis destruídos e colocados nas calçados, à espera do recolhimento para o lixo. Eu, minha esposa e filho ficamos quatro dias fora de casa, alojados num apartamento de uma família amiga. Quarto andar, centro de Itajaí. Apartamento de dois dormitórios que acabou abrigando onze pessoas, com escassez de água, dificuldade de abastecimento de alimentos, medo e tristeza por ver tanta desolação espalhada.

Quando as águas baixaram, voltamos para a casa e havia poucos danos. Minha rua não ficou totalmente alagada. Em casa mesmo, o limite máximo da água riscou 40 cm nas paredes. Perdemos poucas coisas, mas algumas muito preciosas como fotografias, e o mais importante: o sossego. Depois que se passa por um transtorno desses, não se dorme mais tranquilo com uma chuva forte. Os boletins da meteorologia alcançam outra importância, e o apego ao que é realmente essencial fica muito nítido, muito claro.

Uma situação dessas revela o melhor e o pior das pessoas. Vemos a solidariedade e a rapina de doações; vemos a fraternidade verdadeira e o egoísmo; convivemos com o compartilhamento de coisas e sentimentos, e com o individualismo. Para mim, mais difícil que enfrentar os dias fora de casa, torcendo pelo menor dano, foi viver as semanas seguintes, quando a cidade tentava se reerguer de uma queda tão enfática. As pessoas se olhavam fundo nos supermercados. Comungavam um silêncio cúmplice de dor e de resistência. Alimentavam-se de uma esperança rediviva. Reinventavam-se do nada, como se conseguissem se erguer das águas pelos próprios cabelos…

Sobreviver é mais importante que viver.

Para marcar este primeiro ano da pior enchente do estado – quando morreram 135 pessoas! -, o ClicRBS produziu um excelente infográfico, com um farto material e uma dor infinita. As imagens são dramáticas, as histórias, pungentes. A emoção é absoluta. Lembrar é mesmo uma forma de se fortalecer, mesmo quando o que sobra são poucos cacos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cobertura oficial da sbpjor

Dois canais foram criados na web para a cobertura em tempo real do 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo: um blog e um perfil no twitter. Todo o trabalho é feito pelos alunos do Núcleo de Comunicação da Empresa Junior de Jornalismo da ECA-USP.

vencedores recebem prêmio adelmo genro

Mais tarde, na cerimônia de abertura do 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, na ECA/USP, acontece a entrega do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo.

Nesta quarta edição, foram inscritos 36 trabalhos de 26 instituições em dez estados brasileiros, um recorde no evento.

Conheça os vencedores que hoje recebem certificados e placas de homenagem:

Categoria Iniciação Científica
Autora: Gabriela Zago, da Universidade Católica de Pelotas
Trabalho: “Jornalismo em Microblogs: Um Estudo das Apropriações Jornalísticas do Twitter”
Orientadora: Raquel da Cunha Recuero

Categoria Mestrado
Autora: Marta Eymael Garcia Scherer (UFSC)
Trabalho: “Bilac, sem poesia – crônicas de um jornalista da Belle Époque”
Orientador: Carlos Eduardo Capela

Categoria Doutorado
Autora: Carla Andrea Schwingel, da UFBA
Trabalho: “Sistemas de produção de conteúdos no ciberjornalismo – A composição e a arquitetura da informação no desenvolvimento de produtos jornalísticos”
Orientador: Elias Machado Gonçalves

Categoria Sênior
Pesquisador: José Marques de Melo

sbpjor começa hoje

Tem início hoje a 7ª edição do Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, promovido pela SBPJor. Pelo número recorde de trabalhos a serem apresentados, pela localização – o congresso acontece na ECA/USP -, e pelo atual estágio da pesquisa em jornalismo no país – em franca ascensão -, este tende a ser o maior encontro que a entidade já produziu desde a sua criação em 2003.

Embarco agora cedo para São Paulo, e tentarei alimentar este blog com posts ou distribuir informes rápidos pelo twitter (você pode me seguir por aqui). Tudo vai depender da conectividade no local…

Se você não puder participar, acompanhe pelo site do evento (aqui).

Entre os grandes nomes internacionais do evento, estão Pamela Shoemaker (Syracuse University, EUA) e Erik Neveu (Institut d’Etudes Politiques de Rennes, França)… O encontro vai até a sexta, 27, com conferências, mesas coordenadas, apresentações de trabalhos individuais, lançamentos de livros, reuniões de trabalho, entrega de prêmios, eleição e posse da nova diretoria da SBPJor… Ufa!

teoria do jornalismo em revista

Acaba de sair a edição de final de ano da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Mestrado em Jornalismo da UFSC.
Neste número, um dossiê sobre teorias do jornalismo, e outros tantos temas importantes.

O sumário está a seguir, e o link para a edição é este aqui.

Eixo Temático: Teorias do jornalismo
O fenômeno noticioso: objeto singular, natureza plural
Gislene Silva (UFSC)

A celebração da prática e da teoria do fazer jornalístico – Zero Hora 45 Anos
Daiane Bertasso Ribeiro (UFSM) e Maria Ivete Trevisan Fossá (UFSM)

Jornalismo e guinada subjetiva
Marcio Serelle (PUC-MG)

Entre fronteiras: explorando o efeito da terceira pessoa
Francisco Gilson R. Pôrto Junior (UNITINS)

A institucionalização do mercado noticioso e seus significados para a construção da identidade do jornalista no Brasil
Fernanda Lima Lopes (UFRJ)

Jornalismo, espaço de disputas de hegemonia
João José de Oliveira Negrão (UNISO)

Jornalismo audiovisual de qualidade: um conceito em construção
Beatriz Becker (UFRJ)

Contributos portugueses à teorização do jornalismo: das origens a 1974
Jorge Pedro Sousa (Universidade Fernando Pessoa)

Temas livres
O repórter Euclides da Cunha em Canudos
Antonio Carlos Hohlfeldt (PUC-RS)

Novas exigências de formação
Antônio Fausto Neto (UNISINOS)

O oligopólio privado das comunicações como herança arbitrária do Estado brasileiro
Carlos Augusto Locatelli (UFSC)

Televisão, Telejornalismo e Juventude: o que jovens da periferia pensam sobre o Jornal Nacional?
Aline Silva Correa Maia (UFJF)

Sedimentação, erosão, abalos e erupção de imagens: Reprodução e transformação de representações sociais na narrativa jornalística
Ivan Paganotti (ECA-USP)

Jornalismo digital e colaboração: sinais da desreterriotorialização
Vivian de Carvalho Belochio (UFRGS)

Resenha
Moral irrisória
Ética, jornalismo e nova mídia: uma moral provisória, de Caio Túlio Costa
.
Por Aldo Antonio Schmitz (UFSC)

Comentário
Por que o jornalismo precisa de doutores?
Philip Meyer (University of North Carolina)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

objetividade e ensino de jornalismo: novos livros

A Série Jornalismo a Rigor, editada pela Insular com iniciativa do Programa de Mestrado em Jornalismo da UFSC, lança este mês mais dois importantes títulos no mercado: Jornalismo, conhecimento e objetividade: além do espelho e das construções e A Escola de Jornalismo: a opinião pública.

O primeiro é assinado pela jornalista Liriam Sponholz, e traz uma versão de sua tese de doutorado junto à Universidade de Leipzig, na Alemanha. Retornando ao debate sobre a objetividade – tão caro ao jornalismo -, a autora conclui, entre outros aspectos, que “um jornalismo mais objetivo é possível, mas as suas chances parecem ser poucas.”

Segundo apresentação da obra, a “polarização entre duas visões do jornalismo – de um lado como espelho da realidade, de outro como construção ideológica – tem ajudado pouco na solução do problema fundamental da objetividade que, indiferente a esta tomada de partido, continua a orientar a prática dos jornalistas e de seus públicos na produção e no consumo diário de notícias”.

A Escola de Jornalismo – a opinião pública, segundo lançamento anunciado, é um clássico assinado por Joseph Pulitzer, lendário editor do The World e apontado, na década de 40, pela Associação Norteamericana de Editores de Jornais como “o maior jornalista de todos os tempos”. Seu nome até hoje é reverenciado no mercado e na academia, e Pulitzer se tornou a maior distinção da profissão nos Estados Unidos.
Na obra – em edição bilíngue, com tradução de Jorge e Eduardo Meditsch -, Pulitzer faz uma incisiva defesa do ensino superio específico em jornalismo, o que ajudou a alterar o conceito da indústria jornalística e da sociedade sobre a profissão.

Segundo a apresentação do livro, Pulitzer “via a sua  reputação arranhada pelo envolvimento nas encarniçadas batalhas pela audiência que fizeram a má fama do jornalismo marrom (lá yellow journalism), e decidiu associar o seu nome a iniciativas mais nobres: doou milhões de dólares para a criação da primeira faculdade de jornalismo dos Estados Unidos (que afinal foi a segunda, em Columbia) e a instituição de um prêmio anual ‘para encorajar e distinguir a excelência no jornalismo’. Em 1904, já cego, Pulitzer ditou este texto em resposta aos críticos de seu projeto: ao defender a Escola de Jornalismo, estabelece também os cânones modernos da profissão e produz um clássico da sua teoria normativa”.
Os dois livros têm lançamento previsto para o dia 26, quinta-feira, em meio ao 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Paulo.

dicionário do cansaço 3

Cheio de coisas pra fazer: soterrado de afazeres; mergulhado em compromissos; subsumido em tarefas; enterrado em demandas. “Cheio de coisas pra fazer” significa vazio de tempo pra si mesmo. Estado de alerta constante, angústia permanente e a frequente sensação de que seu dia é sempre mais curto em duração que o das pessoas normais.

ciberliga de pesquisadores paladinos

Ciência não precisa ser chata.
Pesquisa não deve ser uma coisa enfadonha.
Cientistas não são necessariamente aqueles caras que se escondem atrás de óculos de aros grossos e vestem aventais brancos.

Eles podem ser legais, divertidos, inteligentes, irônicos, interessantes, sensíveis… que ver?

No campo da Comunicação, um dos grupos mais criativos e dinâmicos é o dos pesquisadores da cibercultura. Eles são super conectados, ágeis, versáteis. São praticamente uns herois. Formaram até mesmo uma Ciberliga de Pesquisadores Paladinos, e têm seu próprio seriado. Assista aos dois primeiros episódios…

 

obercom: nova edição da revista

Gustavo Cardoso e Rita Espanha, editores da revista eletrônica Observatório, do Obercom, avisam que já está na rede a mais nova edição do periódico.

O sumário é o abaixo e o atalho é por aqui:

Observatorio (OBS*)
Vol 3, No 3 (2009)

Information Quality Assessment and Source Selection on the Internet for Competitive Intelligence: Fieldwork Research on 53 executives
Jeremy Depauw

Europeanisation on the Internet? The Role of German Party Websites in the 2004 European Parliamentary Elections
Eva Johanna Schweitzer

Regulation of advertising in audio-visual media services: the impact on consumer protection, investments, innovation and competition
Martijn Poel,    Jop Esmeijer

La gestión de la comunicación corporativa en los clubes profesionales en España
Fernando Olabe

Bases do estudo do comportamento do consumidor em um contexto global
Raquel Marques Carriço Ferreira

Radio and the Web: Communication Strategies of Spanish Radio Networks on the Web (2006-2008)
Elsa Moreno,    Pilar Martínez-Costa,    Avelino Amoedo

Communication Research in Europe (2002-2013). An Analysis of Competitive Projects Approved under the European Union’s Sixth and Seventh Framework Programmes
Marta Civil i Serra,    Núria Claver López

Portugal olhado pelo cinema como centro imaginário de um Império: Campo /Contracampo
Maria do Carmo Piçarra

Locating the Self in Web 2.0: explorations in creativity, identity and digital expression
Bridgette Wessels

A patchwork of online community-based systems: can social software be used to augment online individual social capital?
Peter Mechant

Análisis de las barreras en la compra de servicios turísticos por Internet: implicaciones para la gestión comercial en el sector
María Pilar Martínez,    Alicia Izquierdo-Yusta,    Ana Isabel Jiménez-Zarco

Development of Digital Satellite Pay TV in Spain (2004-2008)
Sagrario Beceiro

‘Nothing, late and analogue’  How organizations utilized their websites to respond to issues covered by Swedish mainstream online news
Michael Bo Karlsson

Case Study of Lesbian’s Health Hotline in Peripheral Chinese City
Jin Cao,    Mao Cao

Point of listening in a radio fiction: the eternal problem
Emma Rodero Antón

aniversariantes

Para brindar os nativos deste dia, lembro dois ilustres aniversariantes. Primeiro, Diana Krall que parece modelo, americana, cantora pop; mas é loura-com-voz-de-negra, pianista, jazzista e canadense. Depois, José Saramago, que aos 87 não para de martelar o seu teclado e a inspirar quem segue as suas linhas.


Diana Krall canta a clássica The Look of Love, em um envolvente arranjo com orquestra.


José Saramago se emociona ao final da versão cinematográfica de Ensaio sobre a Cegueira.

é hoje mas é amanhã também

Sim, hoje é sexta-feira, 13.
Mas Jason aparecerá amanhã, quando o Tricolor for enfrentar o Vitória, cujo nome anda meio incongruente…

conferência estadual de comunicação: inscrições

prev_MAT_111438cartaz_1conecomSC_webTerminam hoje as inscrições para a etapa estadual da Conferência de Comunicação.

O evento acontece neste final de semana: dias 14 e 15 de novembro, sábado e domingo, na Assembleia Legislativa de SC, Florianópolis.

Qualquer pessoa pode participar. É simples, fácil e de graça, veja aqui.
A programação pode ser conferida neste link.

gêneros jornalísticos: livro grátis!

Minha amiga Lia Seixas acaba de lançar Redefinindo os gêneros jornalísticos: proposta de novos critérios de classificação, livro baseado em sua tese de doutorado e que chega agora em dois formatos: impresso e online. Se você não dispensa o papel, acesse aqui. Mas se quiser descarregar no seu computador a versão em bits, clique aqui.

Veja uma sinopse:

Aprender a fazer jornalismo é aprender a produzir gêneros jornalísticos. O conhecimento mais profundo dos elementos que constituem os tipos mais frequentes de composições discursivas da atividade jornalística pode implicar em maior conhecimento sobre a própria prática. Isso significa conhecimento sobre as competências empregadas para a realização da atividade, desde a produção à publicação do produto. Com as novas mídias, surgem novos formatos, se hibridizam, se embaralham os gêneros. A noção de gênero entra, mais uma vez, em cheque. Por isso mesmo passa a ser vista com mais atenção. Alguns gêneros podem acabar, outros podem aparecer. Alguns se transformam, outros se mantêm. Com as novas mídias, as práticas discursivas passam a experimentar e produzir novos formatos, que podem se instituir ou não em novos gêneros.

ética, interesse público e direito à informação

Dois eventos internacionais acontecem neste mês e trazem luz a importantes debates sobre ética jornalística, pesquisa científica na área, interesse público e direito à informação.

São eles:

  • “7º Congreso Internacional de Ética y Derecho de la Información”, que acontece em 13 e 14 de novembro em Valência, Espanha. O tema é “A liberdade das consciências na regulação do direito à informação”. O site do evento é este aqui.
  • “Journalism Research in the Public Interest”, evento da European Communication Research and Education Association, que acontece entre 19 e 21 de novembro em Zurique, Suíça. O link é este.

jornais têm menos credibilidade que internet!

É o que mostra uma pesquisa realizada no país e divulgada hoje pelo Comunique-se.

Leia a matéria completa:

Um estudo realizado pelo Instituto Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, aponta que o rádio e a internet são as mídias que despertam mais credibilidade entre os brasileiros. Em uma escala de 1 a 10, o rádio conquistou a maior nota (8,21), quase empatando com a internet (8,20), seguidos pela TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

A pesquisa mostrou que as mídias apontadas pela credibilidade não são necessariamente as mais acessadas, já que a TV é vista pela maioria dos respondentes (99,3%), seguida por rádio (83,5%), jornal impresso (69,4%), internet – sites de notícias e blogs de jornalistas – (52,8%), revista impressa (51,1%), redes sociais – Twitter, Orkut, Facebook, etc – (42,7%), a versão online dos jornais impressos (37,4%) e a versão online das revistas impressas (22,8%).

O economista e coordenador da pesquisa, Luis Contreras, consultor do Grupo Máquina, destaca o avanço das redes sociais, que se aproximam do índice de credibilidade das demais fontes de informação. “Entre os usuários dessa nova mídia, 40% consideram-na como de credibilidade muito alta. Isso nos mostra claramente que não podemos ignorar o poder das redes sociais na formação de opinião”, enfatiza.

Entre os principais meios de informação, a TV continua na liderança (55,9%), seguida pela internet – sites de notícias/blogs jornalísticos – (20,4%), jornal impresso (10,5), rádio (7,8%), internet – redes sociais – 2,7%, jornal online (1,8%), revista impressa (0,8%) e revista online (0,1%).

O estudo entrevistou 2.500 pessoas maiores de 16 anos, entre 25/08 e 09/09, no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

lançamento de livro

Meu amigo Mario Fernandes, um dos responsáveis pela obra, manda o convite:

Terça, amanhã, 10 de novembro
Às 19 horas
Na Assembléia Legislativa de SC, em Florianópolis

Convite Livro(Clique para ampliar)

o muro caiu e aí…

Hoje, faz vinte anos que o Muro de Berlim ruiu, iniciando ao menos que simbolicamente uma nova era e fechando o século XX.

Não vou fazer nenhuma análise histórica porque não sou historiador. Prefiro lembrar o trailer de “Adeus Lênin”. Nesta produção, um filho faz de tudo para que a mãe comunista que voltou do coma não descubra que a Alemanha está se reunificando. Ele teme que ela enfarte novamente e não resista. Então, faz milagres para tornar um apartamento de 79 metros quadrados o último refúgio da Alemanha Oriental.

Sensível, engraçado, inteligente, o filme é uma boa maneira de se ver a que nos apegamos para ter o pé na realidade…

27 horas de um turbilhão emocional

Passei pouco mais de um dia em Piracicaba-Rio Claro este final de semana. Mas foi tudo muito intenso…

Como adiantei, fui ao SESC para uma palestra a convite da Unimep. Lá, me reencontrei com colegas como Paulo Roberto Botão e Belarmino Guimarães, e fui muito bem recebido por turmas de alunos muito interessados e interessantes do curso de Jornalismo. O SESC em Piracicaba tem uma estrutura maravilhosa, que o site da instituição não faz jus. Lá, é tudo lindo, moderno, tudo funcionando muito bem, e lotado de gente da comunidade. Nota-se o belo trabalho da equipe (e aqui, agradeço em particular ao Chico Galvão).

Não bastasse a boa experiência que foi dialogar com os presentes, tive outra ótima surpresa: na plateia, estavam três tias e um tio meu, que não via há muito tempo. Alguns há mais de dez anos. Os parentes – todos na casa dos 60, 70 anos – foram “me prestigiar” porque leram uma reportagem no Jornal Cidade sobre a palestra. Fiquei muito tocado com a surpresa, pois o que a gente quer mesmo é ter o reconhecimento dos mais próximos, não é? Jamais esperaria vê-los ali…

Não bastasse, na mesma noite, revi uma querida amiga dos tempos de universidade, Alessandra Morgado, e que hoje é uma das editoras do Jornal de Piracicaba. Pra terminar, dei uma esticadinha e dormi na casa de minha mãe, o que me permitiu matar saudades do colo e de meu irmão mais novo. Cheguei a almoçar com eles, e corri de volta à base, de onde já escrevo.

Foram pouco mais de 27 horas fora de casa. Inicialmente, para um compromisso profissional, mas que se revelou numa ótima experiência acadêmica e num surpreendente e emocionante retorno ao passado. Eu vi vinte, trinta anos em poucas horas…

uma palestra em piracicaba

Amanhã, dou uma passadinha por Piracicaba – no interior de São Paulo – para uma palestra no SESC da cidade. O evento é também uma iniciativa do curso de Jornalismo da Unimep, e começa às 20 horas. Vou falar sobre ética jornalística, notícias em tempo de novas mídias, redes sociais, e os impactos disso tudo na conduta dos jornalistas. Uma parte desses assuntos está no meu Ética no Jornalismo, que segundo a organização do evento, será lançado lá também…

Faz tempo que não volto a Piracicaba. Faz tempo que não revejo amigos da área. Para um caipira de Rio Claro como eu, será um imenso prazer voltar a falar com “meu sotaque original de fábrica”…

blogosfera policial e direitos humanos para mídia comunitária

Dois estudos bem interesantes caíram na rede nos últimos dias: um trata de blogs de policiais brasileiros ou com abordagem policial, e outro é uma cartilha sobre direitos humanos para comunicadores comunitários.

Os estudos foram produzidos pela UNESCO, Oboré e Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania, da Universidade Cândido Mendes.

Baixe A Blogosfera Policial no Brasil: do tiro ao Twitter aqui!

Baixe Direitos Humanos na Mídia Comunitária aqui!