literatura e redes sociais

A literatura é mesmo um rio. Não dá pra aprisionar. Você estanca, ela busca formas de se desviar dos entraves. Você tenta deter as águas, mas ela contorna, se espessa, rompe e se espalha.

Esta semana, vi que dois dos caras mais conectados que conheço estão fazendo vazar suas prosas pelas redes sociais. Fernando Arteche começou a publicar trechos de um “suposto livro” na forma de posts em seu blog, Os trabalhos e os dias. André Lemos anunciou que vai adaptar um livro inacabado –  chamado “Reviravolta” – para o twitter. Ele mesmo conta: “História de viagem, na e fora da rede. Posts todo sábado, com o marcador &. Para seguir é so apontar para http://twitter.com/andrelemos

A literatura é mesmo um rio…

uma entrevista com raquel recuero

raquel2Raquel Recuero é um dos principais nomes brasileiros na pesquisa sobre redes sociais. Recentemente, lançou o livro “Redes Sociais na Internet”, que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que se interessam pelo assunto. O livro pode ser encontrado nas livrarias e num site especialmente criado para o seu download. Na entrevista a seguir, Raquel fala um pouco mais sobre o tema. Confira…

Seu livro chega às bancas agora, justamente num momento em que as redes sociais são mais faladas do que nunca. Até mesmo os mais resistentes têm aderido a elas, como é o caso dos poderes centrais, dos governos. Esta semana, por exemplo, o Ministério do Trabalho e Emprego “entrou” no Twitter, e já está no Orkut desde o ano passado. De que maneira, os governos podem se valer das redes sociais? E como o cidadão pode se beneficiar com isso?
Penso que esses espaços na Internet contêm o potencial de ser extremamente democráticos, pois permitem um contato mais direto entre os governos e instituições e os cidadãos. Claro que isso depende do modo como o espaço é usado, mas de um modo geral, acho que essas redes podem prover espaços de debate e feedback para os cidadãos e espaços de informação e debate direto com a sociedade para os governos.

Você atua num programa de mestrado na área de Letras, um campo essencialmente ligado à Educação. Como as redes sociais podem contribuir para os avanços educacionais, em especial na realidade brasileira?
O espaços sociais que temos na rede auxiliam em um processo de comunicação mais amplo, tanto nos aspectos informativos (acesso à notícias, informações, serviços e etc.) quanto naqueles conversacionais (debates, discussões, etc.). Assim, também são espaço potenciais para a educação e o espírito crítico. Do meu ponto de vista, ainda fazemos um uso muito modesto das tecnologias na educação. Claro, é necessário um cuidado na exposição e na construção desses processos, mas poderíamos usar mais os sistemas que já existem em sala de aula. Se tu olhares para o Orkut, por exemplo, vais ver que ali há exemplos da cultura de toda a sociedade brasileira. Há pessoas em lugares menos favorecidos que estão lá, com seus perfis, suas comunidades, suas percepções culturais. Há uma quantidade expressiva de jovens e adolescentes que usam o sistema.  As pessoas vão construindo uma cultura ali, vão incorporando aqueles signos no seu dia a dia. No entanto, insistimos em ignorar essas práticas, focando sistemas “idealizados” para a educação e a chamada inclusão digital, que muitas vezes não refletem a experiência, os interesses e apropriações das pessoas. Penso que é preciso pensar a educação como espírito crítico e apropriação *a partir* dessas práticas.

No início deste ano, você lançou junto com Adriana Amaral e Sandra Montardo o livro “Blogs.com”, em formato de e-book e rapidamente absorvido pelos leitores brasileiros como uma importante sistematização da produção científica nacional sobre o tema. “Redes Sociais na internet” é seu primeiro livro autoral, embora você seja uma pesquisadora bastante produtiva. Ele não é propriamente a adaptação de sua tese de doutorado, não é mesmo? E por que você resistiu em lançar a tese antes?
É em parte uma adaptação da minha tese, em parte uma aplicação dela. O fato de não ter sido lançado antes foi menos por escolha e mais pelo tempo para adaptar aquilo que eu tinha escrito e as minhas pesquisas posteriores. A tese, em si, é meio “pesada”, tem muitos dados, muitas coisas que não entraram no livro para deixá-lo mais acessível. Claro que todo esse processo exigiu uma adaptação maior e um tempo maior para conseguir terminá-lo. 🙂

Pode-se notar que o Brasil vem criando um núcleo bem consistente de pesquisadores sobre cibercultura. Os esforços podem ser sentidos em diversos pólos regionais, como a Bahia e o Rio Grande do Sul. Que avaliação você faz desse cenário em construção? E como situa a produção científica brasileira nessa área?
Eu acho que é muito importante que a gente entenda como a sociedade brasileira vem apropriando o ciberespaço e vem criando novas práticas de identidade, participação e discussão. Essas práticas vão impactar a nossa sociedade offline cada vez mais fortemente. Por conta disso, acho extremamente saudável que novos grupos comecem a discutir essas questões, a pensá-las e a focar sua produção nessa compreensão. Quanto mais soubermos sobre esses impactos, melhor proveito poderemos tirar deles para a própria sociedade e melhor conseguiremos minimizar seus aspectos negativos. Espero assim que, no futuro, tenhamos mais grupos pesquisando essas questões em mais universidades e regiões do Brasil. 🙂

obamanofacebookPessoalmente, tenho a impressão de que os pesquisadores que estudam tecnologia e interfaces tecnológicas têm desafios sobressalentes no seu trabalho. Não apenas pela complexidade de seus objetos, mas pela fugacidade e volatilidade de temas e preocupações. Parece que esses cientistas estão sempre tentando trocar o pneu de um carro em movimento. Isso é só uma impressão minha? Ou ampliando: que outros desafios se apresentam para quem pesquisa tecnologia?
Hahahahaha Acho que é uma ótima analogia, mas penso que é o desafio de todo o cientista social. A sociedade é mutante, está sempre re-significando os processos culturais. É preciso ter claro que quase sempre temos, como resultado, um “retrato”de um determinado grupo em um determinado momento. Mas uma seqüência de imagens estáticas também pode ajudar a entender melhor a dinâmica, o movimento desses grupos. Por isso acho muito importante a continuidade dos estudos, sua comparação com outros trabalhos e sobretudo, o debate. São grandes desafios, precisamos de mais incentivo e mais pesquisadores para poder dar conta deles, especialmente em um país continental como o Brasil.

Já há uma agenda de lançamentos de “Redes Sociais na Internet”? E mais: após esse livro, quais são seus próximos estudos e projetos?
Estou trabalhando em um projeto com mais duas pesquisadoras, a Adriana Amaral e a Suely Fragoso em um livro focado em métodos de pesquisa para dados do ciberespaço. E estou também trabalhando em um projeto de estudo da conversação mediada pelo computador, tentando entender como a língua é utilizada e mudada no ciberespaço e como isso reflete os aspectos sociais da apropriação. Acho que são esses os atuais. 🙂

vôo 447: as certezas de jobim

Frank Maia arrebenta!!

jobim

4 anos de monitorando, 1000 posts e algumas histórias

Hoje, este espaço completa quatro anos de existência, sendo a metade deles no WordPress. Ao mesmo em que isso acontece, percebo que este é o milésimo post por aqui. Essas duas marcas ajudam a compor um momento especial para mim, pois é na condição de blogueiro que tenho tido a oportunidade de me comunicar com mais gente, conhecer outras realidades e ampliar o horizonte dos meus interesses.

Quem é blogueiro sabe que manter decentemente um espaço na internet é como ter uma microempresa, um pequeno filho ou mesmo um cachorro bem carente. Tem que alimentá-lo bem, zelar pela sua integridade, gerenciar com quem ele se relaciona, enfim, cuidar. Blogueiro não é quem cria, mas quem cuida, quem cultiva.

Refiro-me a blogueiros sem financiamento ou remuneração, como eu. No mundo do trabalho, chamariam de amadores, muito embora seja uma grande contradição alguém ser um blogueiro profissional. Os blogs e outras traquitanas tecnológicas pós-internet bagunçaram nossas noções mais primitivas de trabalho, de rotina produtiva, de fluxo informativo, de hierarquia no processo da comunicação, e por aí vai. O blogueiro se guia por uma ética hacker – na acepção de Pekka Himanen, o antropólogo que estudou as comunidades de nerds e constatou que “hacker” não é um palavrão. Em geral, blogueiros são diletantes, generosos, vivem em bandos, mesmo que separados por fios e distâncias abissais. Blogueiros não são seres tecnológicos, são pessoas que se valem da tecnologia para viver (ou quem sabe ser) melhor. Como o surfista que se aproveita da prancha para conhecer o mar…

Por isso, agradeço aos leitores deste espaço e principalmente aqueles que foram meus interlocutores, deixando comentários, indicando links, retificando equívocos… Desde maio de 2007, contabilizei aqui mais de 134 mil visitas, pouco se comparado aos campeões de audiência, mas muito aquém do eu jamais pudesse esperar. Ainda em termos estatísticos, o monitorando.wordpress registrou mais de 1500 comentários neste tempo. O dia em que tivemos mais visitas – 2146!! – foi o 26 de novembro de 2008, quando passei a deixar por aqui relatos das enchentes que destruíram boa parte do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, de onde irradiamos nosso sinal. Trágicos, aqueles dias de novembro mostraram – como com o Katrina, nos EUA – a força da blogosfera e o quanto a tecnologia pode ajudar a unir pessoas e vidas.

Com quatro anos de blog, tivemos alguns layouts, e só aqui no WordPress foram quatro até agora: NeoSapien, Digg 3 Column, Conections e Cutline. Porque mil posts são também uma marca, o Monitorando passa por mais uma cirurgia plástica e passa a adotar o template Freshy, de Jide.

Por isso, entre e fique à vontade. Obrigado pela sua sempre bem vinda visita. Se gostou, indique aos amigos. Se não gostou do blog, ótimo! Indique então aos inimigos…

5 links pra pensar o ensino e o jornalismo

Como estamos em pleno Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, remexo as gavetas aqui e encontro cinco links que podem ser inspiradores a todos que se preocupam com a qualidade do ensino de Jornalismo, ou da educação em geral…

Em tempos de crise, colunista questiona papel da universidade na formação de jornalistas

Será que as escolas de Jornalismo pegaram o caminho errado?

É a hora de fechar as escolas de Jornalismo?

Literacias e letramentos para o século 21

A importância da presença física na educação

7 links que acabo de encontrar na gaveta

Você arruma um tempinho e começa a organizar as coisas na mesa, no computador, na cabeça. Descobre coisas muito boas que arquivou e esqueceu. Por isso, listo a seguir sete links que não são totalmente atuais, mas têm sua importância e utilidade. Siga!

uma dissertação sobre blogs e professores

Minha orientanda Juliane Regina Guedes defende a sua dissertação de mestrado hoje, 12 de março, no Mestrado em Educação da Univali. O trabalho tem como título “Entre o diário virtual e o diário de classe: traços de identidade profissional de professores na blogosfera”, e faz uma análise de blogs de professores brasileiros.

A defesa está marcada para as 13h30, e teremos na banca a professora Marilda Behrens (PUC-PR) e a professora Solange Puntel Mostafa (Univali). Estou satisfeito e orgulhoso!

Uma síntese do trabalho de Juliane pode ser conferida no vídeo abaixo:

livro sobre blogs: prontinho pra baixar

Agora, sim!!!

Aqui: http://www.sobreblogs.com.br

as últimas do pedro dória

Pedro Dória não pára quieto. O primeiro repórter-blogueiro do Brasil e responsável por projetos como o NoMínimo acaba de lançar As últimas, um agregador de blogs, sites e outras traquitanas online em português e voltado para quem quer se informar sobre o Brasil.

Correspondente internacional, ele se ressentia das dificuldades de acompanhar a vida aqui pela rede. Sempre deu muito trabalho e dependeu de disciplina, ele conta. Com isso, decidiu facilitar a vida e criar um agregador do tipo AllTop, como ele mesmo declara a inspiração.

Inicialmente, Dória disponibilizou três páginas: Política Brasileira, Política Internacional e Futebol. Vêm aí Mídia e Humor, e quem sabe algo mais.

Embora As últimas junte blogs verdadeiros com blogs que não são bem lá isso (mas colunas apenas vertidas ao online), a iniciativa é muito, muito bem vinda.

livro disseca o fenômeno dos blogs no brasil

capalivroblogsOs blogs já existem há mais de dez anos e têm se espalhado com rapidez e força que impressionam. Já existem no mercado brasileiro alguns títulos que tratam do assunto. Blog, de Hugh Hewitt, e Blog: Comunicação e Escrita Íntima na Internet, de Denise Schittine, são dois deles que merecem atenção.

Mas na próxima semana chega à web um volume que atualiza a bibliografia e oferece muita informação sobre o tema: Blog.com: Estudos sobre Blogs e Comunicação. Coerente com o seu objeto, o livro organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo não desembarca nas estantes e livrarias, mas segue direto para um site, para um espaço virtual onde poderá ser lido, baixado, compartilhado. Naturalmente, esta escolha não se deve apenas ao reforço da coerência, mas também às dificuldades de viabilização do projeto numa editora convencional, de suporte papel. A Momento Editorial responde pela edição em PDF que tem doze capítulos, mais prefácio e posfácio, distribuídos em 293 páginas.

O livro será lançado oficialmente no próximo dia 22 de janeiro, em meio ao Campus Party, e até o início da semana já estará à disposição no site: http://www.sobreblogs.com.br

A disponibilidade do livro gratuito na web amplia o seu acesso e faz ventilar com mais força as idéias ali contidas. Num mercado editorial como o nosso, carente de títulos inovadores e em língua nativa, isso é pra lá de muito bem vindo.

Para quem não sabe, as organizadoras não apenas estudiosas dos blogs, mas blogueiras contumazes, daí a sua familiaridade com a coisa e a facilidade com a qual conseguiram reunir relatos e textos de diversas partes. O prefácio é assinado por André Lemos, o principal pesquisador em cibercultura no país, e o posfácio é de Henrique Antoun, também um nome de peso na área. O sumário você confere abaixo:

SEÇÃO I – BLOGS: DEFINIÇÕES, TIPOLOGIAS E METODOLOGIAS

Blogs: mapeando um objeto – Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Portella Montardo

Ciberespaço e a escrita de si na contemporaneidade: repete o velho, o novo blog? – Rosa Meire Carvalho de Oliveira

Teoria e método na análise de um blog: o caso Mothern – Adriana Braga

A vitória de Pirro dos blogs: ubiqüidade e dispersão conceitual na web – Marcelo Träsel

Práticas de blogging na blogosfera em língua alemã: resultados da pesquisa “Wie ich blogge?!” – Jan Schmidt

SEÇÃO II – USOS E APROPRIAÇÕES DE BLOGS

O movimento Cansei na blogosfera: o debate nos blogs de política – Cláudio Penteado, Marcelo dos Santos e Rafael Araújo

Contribuição dos blogs e avanços tecnológicos na melhoria da educação – Helaine Abreu Rosa e Octávio Islas

Pedagogia dos blogs: posts sobre o uso da ferramenta no ensino de jornalismo – Rogério Christofoletti

Blogosfera X Campo Jornalístico: aproximação e conseqüências – Leonardo Foletto

Blogs como nova categoria de webjornalismo – Juliana Escobar

Os blogs na web 2.0: publicação e organização coletiva de informação – Maria Clara Aquino

Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade – Fernando Firmino da Silva

Imperdível.

blogs, jornalismo e as férias

Sim, estou de férias. Por isso, os posts são preguiçosos e esparsos, quase telegráficos e bissextos…

(*) Quem confia nos blogs? Paul Bradshaw duvida da questão.

(*) Por que as pessoas lêem blogs ao invés de sites de notícias? André de Abreu responde.

(*) Blogs são um novo gênero jornalístico? Frédéric Filloux pensa (alto) sobre isso.

(*) Qual o futuro do jornalismo online? No Nieman Report, você encontra muitos artigos que tentam responder à questão.

(*) Nós, de Marcelo Camelo, não é lá essas coisas. Tem faixas bem bonitas, mas o conjunto é inconstante. Dá saudades de Los Hermanos.

(*) Blindness é lindo. Fernando Meirelles acerta a mão e nos incomoda com a parábola que Saramago urdiu em suas páginas.

(*) A troca é angustiante e bem realizado. Clint Eastwood é um ótimo diretor e um sensível compositor de trilhas. Deu um papel marcante para Angelina Jolie, e mostrou – mais uma vez – que o mal existe, está entre nós e nem sempre o enxergamos com a nitidez necessária.

sete links imperdíveis sobre jornalismo, blogs, redes sociais

  • Alex Primo posta um conjunto de textos em que compartilha sua longa pesquisa sobre os gêneros na blogosfera brasileira. Já estão disponíveis os três primeiros, com metodologia clara, farta apresentação de dados e apresentações esteticamente perfeitas. Como sempre. Por aqui, por favor.
  • Em dois vídeos muito pessoais, Fernando Firmino explica aspectos de base para se pensar o jornalismo móvel. Detalhe: ele é o mais proeminente pesquisador brasileiro sobre essa temática e acaba de ser premiado pela Intercom por sua tese doutoral em andamento. Veja aqui.
  • O Observatório da Imprensa traz entrevista com James Görgen, coordenador do projeto Os Donos da Mídia, e ele escancara o verbo. Leitura inflamável.
  • Se você, como eu, não pôde estar no Porto esses dias para participar do 1º Congresso Internacional de Ciberjornalismo, não se preocupe. Tem bastante material no Twitter e em blogs espalhados por aí. Destaco a visão particular de Alex Gamela.
  • O Observatório da Imprensa vem com outra entrevista que é nitroglicerina pura: com o procurador da República Celso Três, que assina a ação civil pública que questiona a compra do jornal A Notícia pelo Grupo RBS. Confira aqui.
  • Blogs podem ajudar no desempenho escolar, aponta pesquisa reportada pelo Jornal da Unicamp.
  • Ótimo material compilado pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano sobre discussões acerca da ética no jornalismo online. Os debates se deram no Seminário O Futuro do Jornalismo na Internet, promovido pela entidade fundada por Gabriel García Márquez. Imperdível.

direitos humanos, 60 anos da declaração

Esta semana, a Declaração Universal dos Direitos do Homem completou 60 anos.

Modestamente, indico o link de um blog que criei para um curso que dei na Universidade da Amazônia, no Pará: Mídia e Direitos Humanos

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as coisas vão se normalizando

Este blog mudou bastante a sua rotina nas últimas três semanas.

Em 18 de novembro, eu deixava um post em que prometia “na medida do possível” contar aqui e no Twitter o que estava acontecendo de mais interessante no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. Pois é, não deu. Em São Bernardo do Campo, tive diversos problemas de conexão, além da correria habitual desses eventos curtos em que a gente revê muitos amigos, quer acompanhar todos em suas programações e aí falta tempo até pro banho…

Voltei de São Paulo com a cabeça em Santa Catarina, afinal a chuvarada que iria se transformar num dilúvio já tinha começado. Relatos de casa davam conta de que as aulas haviam sido canceladas e que não havia previsão de tempo firme. Cheguei no sábado, 22, e no domingo aconteceu a enchente. Deixei minha casa por quatro dias e a vida online ficou mais à deriva ainda.

Só consegui consultar caixa postal, feeds e blog no dia 25, quando escrevi um longo post sobre as enchentes no estado. Primeiro de forma intuitiva, usei este espaço para organizar minhas idéias e meus sentimentos sobre aquilo que vivíamos. Depois, percebi que além disso, o blog serviria para avisar amigos da situação por aqui e para dar relatos deliberadamente impressionistas sobre o evento.

De forma surpreendente, as visitas a este espaço explodiram. Não que eu não saiba o quanto a tragédia tenha atraído a atenção e a curiosidade das pessoas. Mas não imaginava que um simples blog como este alcançasse a visibilidade que conseguiu nesses dias, chegando a um pico de 2146 visitas no dia 26 de novembro, um recorde para este espaço. Em média, temos 200 e poucas visitas diárias…

De lá pra cá, as coisas vêm se normalizando. A vida lá fora mostra isso, mas nossas estatísticas também, veja abaixo.

estatsss

A queda vertiginosa dos acessos aponta para o gradativo desinteresse das pessoas em ler sobre a tragédia catarinense, sobre o desastre que vitimou – pelo menos – 120 pessoas, desabrigando e desalojando outras 78 mil. Melhor assim. Que as pessoas retomem suas vidas, suas rotinas, seus cotidianos. Que Itajaí, Blumenau, Ilhota e outras atingidas passem a se reconstruir, a se reinventar, a se refazer.

Sim, é preciso ir adiante. Tenho dito com alguma insistência que é necessário continuar remando, pois ainda há rio. Que seja assim e que voltemos ao que sempre nos queixamos: a rotina.

virando a página

Ultrapassamos, hoje, as cem mil visitas a este blog.

Isso me surpreende e me alegra. Por isso, agradeço aos leitores que passam por aqui e aos que recomendam nossos links. Para brindar o momento, para afastar o baixo astral e para iniciar um outro ciclo, inauguramos um novo layout.

O tema usado a partir de agora é o Cutline, criado por Chris Pearson.

Como sempre, entre e fique à vontade.

rápido e rasteiro: 4 links sobre jornalismo e cibercultura

Tentando tirar umas teias de aranha que se acumularam de sábado pra cá neste blog, mando ver com uns links represados em meu RSS:

faxina de links

Como vem sobrando tempo por aqui, vou ser curto e grosso e indicar links que estão represados em nossos favoritos…

Os obituários estão mortos, os wikis estão vivos – de Tiago Dória sobre a publicação da “morte” de Steve Jobs

Retransmissora da Record é retirada do ar por monopólio – do FNPJ sobre um veículo do Mato Grosso

O jornalismo cidadão retorna, mas produzindo os mesmos erros? – do blog do Paul Bradshaw

Chris Anderson fala da Cauda Longa em Porto Alegre, do SiteCharles

The Social Media Classroom, uma nova plataforma para a educação – do ReadWriteWeb

Ética e nova mídias, do Editorsweblog

The FutureLab – inovação na educação, direto do Reino Unido

Snackzine, revista multimídia, direto de Porto Alegre

Boring old values and the new media, do Miami Herald

blogs: para o alto e avante

O assunto em quatro notas:

1. O Technorati acaba de publicar seu relatório The State of Blogosphere.

2. Se você quer treinar o inglês, uma boa prévia está no ReadWriteWeb.

3. Raquel Recuero destaca alguns pontos do documento, em bom português.

4. Tiago Dória salienta que quase metade dos blogueiros já passou do 1º blog.

eu recomendo

Assim, apressado, como sempe, EU RECOMENDO:

[@] A entrevista que Thiago Dória fez com o jonalista português e alto especialista em novas mídias António Granado. AQUI.

[@] Jim Breiner conta sobre a aquisição de parte do New York Times pelo poderoso Carlos Slim. AQUI.

[@] Cinco maneiras usando redes sociais para encontrar pessoas que não usam redes sociais. AQUI.

[@] Gaveta do Autor com nova atualização: http://www.gavetadoautor.com

blogday, as minhas indicações

Não vou lá explicar porque o leitor já deve saber.
Vamos direto ao ponto.

Minhas indicações hoje são:

1. House, o médico – sobre o doutor que gostaríamos de ser

2. E Deus criou a mulher – uma prova definitiva sobre a existência de um ser superior

3. Dude! We are lost! – sobre o seriado que mais deixa a gente perdido

4. Faz caber – sobre projetos gráficos, infografias, deleites visuais

5. Samuel Casal – porque sou fã do trabalho desse cara!

faxina de links

O que os jornalistas da CNN não podem fazer

O prisma da conversação na web

A cara do jornalismo no futuro

Para ler e guardar…

200 blogs de comunicação em português

Em julho de 2007, criamos aqui uma lista de blogs de pesquisadores da comunicação.
Pouco mais de um ano depois, chegamos a 200 links para blogueiros brasileiros e portugueses, que tratam de diversos assuntos: de suas pesquisas a amenidades, de hobbies a especialidades pessoais antes desconhecidas.

São 157 blogs do Brasil e 43 de Portugal.
Evidentemente, esses números não esgotam a criatividade e expressão dos blogueiros da área, mas dão uma amostra considerável do global.

Agradeço aos colegas que levaram essa lista adiante, dando links e sugerindo novos endereços. Bem como corrigiram alguns pontos inativos ou quebrados.
Do primeiro post sobre a lista até hoje, atualizei 40 vezes o rol de blogueiros nacionais, e outras 31 vezes os dos patrícios portugas.

Nos 200 anos da imprensa no Brasil, esses 200 links são apenas uma amostra de como buscamos incessantemente nos comunicar, expressar nossas paixões e ódios e nos fazermos sujeitos de nossos próprios posts.

Adiante!

senado aprova projeto de azeredo. e agora?

Direto ao ponto. O senado aprovou nesta madrugada o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que muito contribuirá para penalizar boa parte da internet brasileira. A reação da blogosfera foi imediata. Tem muita gente que foi ao teclado pra avaliar os estragos.

Pedro Doria faz um equilibrado mas nada alentador balanço:

Agora o projeto vai para a Câmara. Havia um erro na descrição do tramite por lá, no último post. Não passa por nenhuma comissão, não pode sofrer emendas. Vai a plenário simplesmente. Os deputados só têm direito a veto. Isto quer dizer que podem vetar um parágrafo (ou um artigo) e aprovar o resto.

Será difícil.

Tramitou rápido no Senado porque a maioria dos parlamentares não se deram ao trabalho de compreender a fundo a questão. Há um acordo político entre todos os partidos – o senador Aloísio Mercadante, do PT, auxiliou o senador tucano relator do projeto. Para qualquer veto, os deputados teriam que fazer um novo acordo político, derrubando o do Senado, costurado por dois nomes peso-pesados do governo e oposição.

Após, ainda há a esperança de veto presidencial de um artigo ou outro.

Raquel Recuero enumera dois pontos que a incomodam na aprovação. Pontos que mais funcionam como sofismas do que como argumentos mesmo. Aliás, ela mostra – em bom juridiquês – que a matéria é muito enviesada e mal compreendida pelo legislador…

Adriana Amaral deixa o fígado falar e desce a lenha na aprovação. Para ela, o Brasil não tem mais jeito mesmo diante de tal absurdo.

Carlos D´Andrea vai pelo pragmatismo. Reúne posts informativos e analíticos para que retomemos o fio da meada e compreendamos – nós, sociedade brasileira – o tamanho da coisa. Particularmente, gosto deste pragmatismo, afinal é assim – reagindo rápido e de forma estratégica – que podemos tentar algo.

Algumas possibilidades – umas viáveis, outras nem tanto:

1. É preciso ganhar tempo. Procrastinar. O projeto não pode ser votado assim, de afogadilho, na Câmara. Ainda mais porque pode entrar num pacote de negociação entre governo e oposição, dependendo dos interesses. Então, é preciso reduzir a marcha da coisa…

2. É preciso abrir um canal de comunicação com os deputados. E neste sentido, seria o caso de quem sabe iniciarmos uma nova onda de emails, agora aos deputados, e mais importante, ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), tentando uma audiência pública sobre o tema. A idéia é simples: dizer que a sociedade não está devidamente informada, que a blogosfera está preocupada com os descaminhos, e que aquela Casa de Leis precisa ser a caixa de ressonância da sociedade e abrir uma discussão ampla para a coisa. Feito isso, na audiência pública, devemos – a parte interessada – colocar os pingos nos is, apontar o estrago e a miopia da medida.

3. É necessário agir em duas frentes. Tentar abrir um canal de comunicação com o Parlamento e com o Executivo, afinal, o presidente Lula pode vetar o projeto em partes ou no todo. Neste sentido, não sei se o caminho é a Secretaria de Comunicação ou mesmo o ministro Franklin Martins, que é jornalista, é do mercado, e pode entender que a coisa é delicada.

4. Não podemos deixar de rechear a petição de novas assinaturas. Ela é uma parte importante e que demonstra a articulação dos internautas, é uma carta que pode pesar em algum convencimento.

Como eu acredito que a internet é um projeto de inteligência coletiva. Como acredito que podemos ser melhores juntos. Chamo os colegas a pensarem também em mais formas de combate desse projeto de lei nefasto. Juntos, seguimos remando com força, e contra a maré que pode nos conduzir ao buraco.

brasileiros confiam mais em blogs

A notícia não é nova, é do finalzinho do mês passado. Mesmo assim, vale a pena repetir a notícia do Comunique-se:

“Em pesquisa realizada por e-mail com 1820 participantes em todo o Brasil, o Instituto de Pesquisas Qualibest indica que 12% do total de entrevistados acreditam totalmente e 86% acreditam parcialmente nas informações que encontram em um diário virtual. Já 72% dos entrevistados afirmaram que, por meio dos blogs, já obtiveram informações que ajudaram a formar uma opinião sobre uma marca ou serviço.

O estudo, que teve por objetivo construir o perfil do leitor de blogs no Brasil e avaliar quais são os blogs mais lidos e conhecidos no País, aponta que 89% já acessaram algum, pelo menos uma vez, e a média de acessos diários é de uma para a maioria dos entrevistados, e de duas ou mais vezes, para 25%. Quanto ao tempo de acesso, 60% afirmam que dedicam menos de uma hora a cada acesso e 34% gastam de uma a duas horas. Entre os temas preferidos estão curiosidades (18%), humor (15%), internet (10%), seguidos de notícias e tecnologia em geral (9% cada). Apenas 9% dos entrevistados costumam acessar blogs internacionais

Os sites de busca (48%) e recomendações de outras pessoas (30%) foram apontados como as formas mais citadas para se conhecer um blog novo. A leitura do conteúdo foi o recurso mais citado (86%), sendo que a maioria dos entrevistados acredita que fotos e vídeos são os recursos mais importantes em um blog.”

mestrado em educação agora tem blog

O Programa de Mestrado Acadêmico em Educação (PMAE) da Univali agora tem um blog, o PMAE informa. O veículo é a evolução do boletim eletrônico que chegava a mestrandos, pesquisadores, professores e outros assinantes, em formato PDF e a cada quinze dias. O boletim circulava desde fevereiro de 2007, mas a Coordenação do PMAE sentiu a necessidade de estreitar ainda mais a comunicação com o seu público, ganhando em agilidade, atualidade e interatividade.

Acesse: http://pmaeinforma.wordpress.com

entrevista sobre blogs

Hoje, a partir das 13h30, estarei no programa Viva Voz, da Univali FM. O tema é a mania dos blogs. Tentei convencer a produção que eu não era a melhor pessoa para falar disso, mas acho que eles não entenderam bem o drama. De qualquer forma, fica o convite para ouvir.

O programa é comandado pelo jornalista e professor Carlos Roberto Praxedes e tem a participação de acadêmicos do curso de Jornalismo da Univali. Se você está em Itajaí, basta sintonizar em 94,9 na banda FM. Se estiver fora da cidade, acompanhe pela internet: http://www.univali.br

ATUALIZAÇÃO: Participou do programa o Joel Minusculi, e a Fernanda Prado auxiliou Praxedes nas perguntas. Foi bem legal ter participado e nem vimos o tempo passar. Aliás, acabei sabendo que o próprio Praxedes criou um blog.

retomando a vida normal (normal?)

Fiquei longe daqui por estar envolvido até o pescoço com a realização da Anpedsul aqui na Univali.

Se você quer mais informações sobre isso? Vá direto ao site do evento.

Posso adiantar que foi um sucesso e um prazer receber os colegas pesquisadores dos três estados da região.

Vamos colocar a vida em ordem agora… ou pelo menos tentar…

Vamos com bom humor.

Frank comenta o fato de o Brasil ser o terceiro país no planeta em novos milionários

livro-bomba na web

Se você está em Santa Catarina tem acompanhado a história. Se não, a situação é a seguinte:

– A Polícia prendeu o dono de uma revista, acusado de estar extorquindo o governo do Estado.

– O empresário argumenta que vendeu serviços ao governo e estava cobrando dele mais de um milhão de reais.

– O governo desmente e diz que o empresário ameaçava publicar um livro com os podres da gestão de Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

– Detalhe: a revista em questão é a Metrópole, de Blumenau, um dos pivôs de um processo que pedia a cassação do governador.

Entre uma versão e outra, claro que a população está desinformada.

O livro-bomba não foi publicado, não circula pelas livrarias de Santa Catarina. Mas se você é muito curioso ou preocupado com as coisas daqui, leia o livro. Ele foi escaneado e pode ser lido no Cangablog.

lista dos blogs: crescendo e crescendo

Nossa lista de links dos blogueiros da comunicação está se espalhando.

O diretório que reúne blogs brasileiros chegou a 150 endereços, e está na sua 38ª atualização.

A lista dos blogs de Portugal e demais países de língua portuguesa soma 43 entradas, e está na 29ª atualização.

Se o seu blog ainda não está nessas listas… se você tem alguma sugestão de link… ajude a engrossar a fila aqui…

uma revista de feeds

Saiu a primeira edição da primeira revista no país sobre agregador de feeds, os tais RSS.
O título é um chiclete bem humorado.
Você pode baixar a revista por aqui.

O que eu achei?
Bem, a idéia é interessante e talvez até seja oportuna. Agora tanto o projeto gráfico quanto alguns textos mereceriam mais atenção… De qulquer forma, tá aí. Vale!