carregando o mundo nas costas

sisifo

Atlas era o titã que carregava os céus nas costas. Os artistas da época se acostumaram a representar o fortão como um homem que sustentava o globo. Mais tarde, alguém resolveu colocar a figura na capa do livro de mapas, e a moda pegou tanto que todos passaram a chamar o tal livro de atlas.

Ok, e daí?

E daí que estou me sentindo como se carregasse o mundo nas costas nos últimos dias.

Não que eu seja uma espécie de titã ou que eu me ache capaz de fazer o que Atlas fazia. Não. O fato é que estou soterrado de trabalho por conta do final do ano, do acúmulo de tarefas e de uma semana perdida por conta da enchente. Tudo resolveu acontecer agora…

Por isso, peço a minha meia dúzia de leitores que tenha paciência, pois vou postar algo digno de nota aqui, entre uma coisa e outra.

Para se ter uma idéia, tenho quatro bancas de TCC esta semana e preciso ler uma dissertação de mestrado e mandar um parecer por escrito antes da sexta-feira. Tenho que terminar de escrever um artigo e revisar um livro até a outra semana. Sem contar que preciso ainda migrar 21 edições de revista impressa para uma versão eletrônica no novo portal de periódicos que a Univali vai lançar em breve.

E não é só… mas já chega…

Tô mais para Sísifo que para Atlas: quando penso que terminei de rolar a pedra morro acima, ela despenca morro abaixo…

monitor de mídia leva o 2º lugar no prêmio caixa-unochapecó

A reportagem “Qual o futuro da Praia Brava?”, publicada originalmente no Monitor de Mídia, ficou em 2º lugar na segunda edição do Prêmio Caixa – Unochapecó de Jornalismo Ambiental. A reportagem multimídia é assinada pelas acadêmicas Gabriela Azevedo Forlin, Marina Fiamoncini e Stephani Luana Loppnow, e tem infografias de Joel Minusculi. Venceu a reportagem “Consumo crescente de água mineral provoca contradições”, de Esther da Veiga e Marina Bento Veshagem, estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, e em terceiro lugar ficou “O desafio de preservar sem sucumbir”, do jornalista Wagner Gris, diplomado pela Unochapecó.

Os vencedores disputaram com trabalhos vindos dos três estados da região Sul, e receberam prêmios de R$ 1,5 mil a R$ 4,5 mil.

As reportagens foram julgadas pelos critérios de relevância e adequação das informações; adequação do conteúdo ao formato de webjornalismo; utilização dos recursos da web; propriedade e adequação das fontes de informação; capacidades interpretativa e argumentativa; linguagem jornalística e coesão ecoerência textual.

A iniciativa do prêmio brinda os dez anos do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Unochapecó. A comissão que avaliou os trabalhos foi composta pelos jornalistas Sérgio Luiz Gadini (PR), Reges Shwaab (RS) e Elias Machado (SC). Todas as reportagens premiadas podem ser vistas aqui.

(Momento coruja: estou muito orgulhoso com a performance de meus meninos do Monitor!)

as coisas vão se normalizando

Este blog mudou bastante a sua rotina nas últimas três semanas.

Em 18 de novembro, eu deixava um post em que prometia “na medida do possível” contar aqui e no Twitter o que estava acontecendo de mais interessante no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. Pois é, não deu. Em São Bernardo do Campo, tive diversos problemas de conexão, além da correria habitual desses eventos curtos em que a gente revê muitos amigos, quer acompanhar todos em suas programações e aí falta tempo até pro banho…

Voltei de São Paulo com a cabeça em Santa Catarina, afinal a chuvarada que iria se transformar num dilúvio já tinha começado. Relatos de casa davam conta de que as aulas haviam sido canceladas e que não havia previsão de tempo firme. Cheguei no sábado, 22, e no domingo aconteceu a enchente. Deixei minha casa por quatro dias e a vida online ficou mais à deriva ainda.

Só consegui consultar caixa postal, feeds e blog no dia 25, quando escrevi um longo post sobre as enchentes no estado. Primeiro de forma intuitiva, usei este espaço para organizar minhas idéias e meus sentimentos sobre aquilo que vivíamos. Depois, percebi que além disso, o blog serviria para avisar amigos da situação por aqui e para dar relatos deliberadamente impressionistas sobre o evento.

De forma surpreendente, as visitas a este espaço explodiram. Não que eu não saiba o quanto a tragédia tenha atraído a atenção e a curiosidade das pessoas. Mas não imaginava que um simples blog como este alcançasse a visibilidade que conseguiu nesses dias, chegando a um pico de 2146 visitas no dia 26 de novembro, um recorde para este espaço. Em média, temos 200 e poucas visitas diárias…

De lá pra cá, as coisas vêm se normalizando. A vida lá fora mostra isso, mas nossas estatísticas também, veja abaixo.

estatsss

A queda vertiginosa dos acessos aponta para o gradativo desinteresse das pessoas em ler sobre a tragédia catarinense, sobre o desastre que vitimou – pelo menos – 120 pessoas, desabrigando e desalojando outras 78 mil. Melhor assim. Que as pessoas retomem suas vidas, suas rotinas, seus cotidianos. Que Itajaí, Blumenau, Ilhota e outras atingidas passem a se reconstruir, a se reinventar, a se refazer.

Sim, é preciso ir adiante. Tenho dito com alguma insistência que é necessário continuar remando, pois ainda há rio. Que seja assim e que voltemos ao que sempre nos queixamos: a rotina.

virando a página

Ultrapassamos, hoje, as cem mil visitas a este blog.

Isso me surpreende e me alegra. Por isso, agradeço aos leitores que passam por aqui e aos que recomendam nossos links. Para brindar o momento, para afastar o baixo astral e para iniciar um outro ciclo, inauguramos um novo layout.

O tema usado a partir de agora é o Cutline, criado por Chris Pearson.

Como sempre, entre e fique à vontade.

enchentes em itajaí (5)

Retornei ontem à noite para casa. Foram mais de 80 horas de tensão permanente, apreensão, e sofrimento. Voltamos e enfrentamos a lama e a sujeira. Na segunda, barcos passavam na frente de casa, onde o nível da água chegou à minha cintura. Em casa, o lodo marcou 30 cm nas paredes. Foi pouco, muito pouco, perto do que vi pela cidade. Tenho amigos que perderam tudo, pois a água tomou as habitações por completo.

Foi tudo muito rápido. Muitos não acreditavam que seriam atingidos, já que suas casas tinham mais de um piso. Outros nem tiveram tempo para retirar seus carros ou móveis. Felizmente sobreviveram, mas outros não.

A enchente aconteceu no domingo, e conforme os dias iam passando, crescia a ansiedade para conferir o tamanho do estrago. Quem havia deixado sua casa queria logo voltar. No retorno, surpresa, perplexidade, tristeza, solidão. Desolação.

Sorte, azar, destino

Diante de tudo o que vi, diante de tudo o que vejo e leio, não consigo me desviar de um sentimento: fui poupado. Me sinto um afortunado por ter sobrevivido, por ter sido pouco atingido e por tantos amigos que me ligaram, me escreveram, enfim, ofertaram ajuda, conforto e solidariedade.

São quase cem mortos. Os números não estão consolidados. Teremos mais corpos, inevitavelmente. Nas ruas, já desde ontem, restos de móveis, entulho, e lixo se acumulam. Camas, portas, sofás, geladeiras, fogões, berços, guarda-roupas, pedaços de madeira, mesas, todos jogados. Não prestam mais. Em alguns pontos, muros inteiros caíram, trechos de rua cederam, placas e postes tombaram. As ruas estão marrons, com lama ressecada, sujeira e desordem.

Na segunda, o trânsito era caótico. Carros na contramão, semáforos sem funcionar, filas e impaciência. Enxurradas leitosas como café-com-leite. Na terça e na quarta, saques em vários pontos assustaram a todos. Parecia o caos, uma terra sem lei, uma falência completa da ordem. Hoje, decretaram toque de recolher, e após as 22 horas não se pode andar pela cidade sem justificativas. É uma tentativa de restabelecer a segurança, e resgatar a sorte.

Operação de guerra

Na segunda e terça, fiquei impressionado com o circo armado em Itajaí. Havia policiais civis, militares e federais atuando. Chegaram homens da Marinha e do Exército e alguns da Força de Segurança Nacional. Vi o Bope também nas ruas. Vi lanchas nas principais ruas, blindados e muitos caminhões camuflados, como as fardas dos militares. 23 helicópteros coalharam o céu.

No Centro de Eventos da Marejada, chegavam carretas e mais carretas com alimentos, roupas, colchões e cobertores. Cordões de voluntários desembarcavam as cargas fazendo as chegar nas pilhas no canto do imenso pavilhão. Havia um espírito impressionante de preocupação, de urgência, de querer ajudar. Mais impressionante é perceber como as pessoas estão se reerguendo. Nas ruas, ainda impera um silêncio tenso. As pessoas se olham nos olhos, se comunicam num instante, tornam-se cúmplices na desgraça.  Todos aqui têm uma história para contar sobre a tragédia. Todos. Isso é inesquecível, atordoantemente inesquecível.

Mas parece que a coragem dessa gente é maior que o pesadelo, que a devastação. Me arrepiei há pouco com isso, com a vontade sem fim de dar a volta por cima.

Tenho aprendido tanto nesses dias! Tenho visto tanta coisa, e pensado tanto na vida! Esta é uma experiência transformadora. O pesadelo ensina.

Esses são dias em que se envelhece anos.

enchentes em itajaí (3)

Uma boa notícia!

A sensação é de que, desde a manhã, os diversos atores envolvidos na operação de salvamento e atendimento aos flagelados pelas cheias estão falando a mesma língua. Defesa Civil, governos municipal, estadual e federal, e outras instituições – como a Univali – estão atuando de forma mais coordenada.

As doações estão sendo encaminhadas para o Centro de Eventos da Marejada. A Univali recebe e atende desabrigados, junto com outros 30 postos pela cidade. Na Univali, os voluntários chegam, fazem um cadastro e são encaminhados para as localidades mais necessitadas. Choveu muito rapidamente no meio da tarde, mas o sol retornou e o nível das águas nas ruas vai diminuindo, sempre dependendo da região. Ainda existem pontos onde há água e lama até o telhado das casas; noutras, nem parece que choveu.

Percebo uma esperança, mesmo que diminuta…

enchentes em itajaí (2)

Muito rapidamente:

(*) Já são 72 mortos, e os números ainda sobem. Ontem à noite, eram 53.

(*) São quase 54 mil desalojados e desabrigados, estatística que dobrou de ontem pra hoje.

(*) Parou de chover e as águas já estão num nível mais baixo.

(*) Um blog foi criado para reunir informações sobre os atingidos: http://www.desabrigadositajai.wordpress.com

A situação na cidade parece, aparentemente, melhorar. No centro, próximo à rotatória da rua Joca Machado Brandão, ontem tomada pelas águas e lama, já havia trânsito agora há pouco. Já se podia ver o asfalto. Saiu o sol pela manhã toda e parte da tarde. Isso fez com que o espírito da cidade ficasse mais aliviado, mais desperto, mais reativo.

enchente em itajaí

Sou um dos mais de 20 mil desalojados nas enchentes que assolam o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, neste final de novembro. É um drama, mas não é um drama isolado. Estimativas dão conta de que 1,5 milhão de pessoas tenham sido afetadas pelas fortes e constantes chuvas. São mais de 44 mil pessoas – até o momento – que estão desabrigadas ou desalojadas. Existe uma diferença entre uma coisa e outra: desabrigado é quem não tem onde ficar e vai para abrigos improvisados ou organizados pela Defesa Civil e órgãos de atendimento. Desalojado é quem está em casa de amigos, vizinhos, parentes, como é o meu caso.

Cerca de 80% da cidade de Itajaí está sob as águas, e todas as classes sociais estão atingidas. Dos miseráveis aos ricaços, ninguém foi poupado. Mesmo quem não foi diretamente atingido está sofrendo as conseqüências: veja o caso dos meus amigos Isaías e Raquel, que acolheram a minha família e mais outras duas em seu apartamento. A cidade deve sofrer nas próximas horas com falta de água, alimentos, combustíveis… Boa parte da cidade, metade dela, está sem energia elétrica.

Os gestos

É um lugar comum, um clichê desgastado, mas tem uma verdade incontornável: em momentos trágicos como este, nos surpreendemos com os gestos de solidariedade, amizade, fraternidade das pessoas. Das pequenas às grandes demonstrações: é o empresário carioca que disponibiliza caminhões da sua empresa para distribuir água; é o caminhoneiro anônimo que oferece carona a desconhecidos para atravessar um trecho alagado; são os amigos que se ligam para ter informações; são as pessoas que – mesmo atingidas – se colocam como voluntários para atender os outros.

Deixei minha casa, e depois conferi que cerca de 30 ou 40 cm de água havia invadido o local. Não pude permanecer lá. Saí no domingo de manhã, antes mesmo da água chegar. Fui com mulher e filho para um local seguro, e em seguida, fomos auxiliar no Colégio Dom Bosco, onde centenas de pessoas chegavam molhadas, com frio, com fome, e sem nenhuma esperança. Perderam tudo. Distribuindo roupas para as pessoas, eu via nos olhos delas um misto de vergonha, de desalento, de perplexidade. Um sofrimento intenso, difícil de escrever aqui.

Ontem, à noite, quando fomos à Univali para ajudar mais sofrimento e dor. Desespero e medo.

Tensão

No domingo à noite, passamos pelo Supermercado Angeloni e havia um clima silencioso de grande tensão, de comunhão pelo medo. As águas não paravam de subir e a maré cheia se aproximava. Depois, soube que o Angeloni – ao menos o seu estacionamento – ficou todo tomado pela água barrenta.

É manhã de terça, e os mortos já são 65. Temo que os números disparem assim que o nível da lama baixe e que a Defesa Civil, Bombeiros e Polícia possam chegar aos locais onde houve deslizamentos e quedas de barreira.

Conversei com vários moradores mais antigos da cidade, e que já passaram pelas famigeradas enchentes de 1983 e 1984. Eles me disseram que os dias que vivemos aqui são piores, bem piores. A cidade cresceu muito desde então. A área impermeabilizada aumentou, assim como a quantidade de lixo produzido também. Tudo isso associado às condições atmosféricas fizeram com que um cenário de guerra se descortinasse por aqui.

O caos

Alguém aqui lembrou um livro. Outro alguém, um filme. Acho que os dois exemplos dão uma noção do que estamos passando por aqui. O livro: Ensaio sobre a cegueira. O filme: Guerra dos Mundos. Nos dois, o panorama é de abandono, destruição, hordas de famintos e flagelados; desespero e o inevitável sentimento de perda. Imagens podem ser vistas no blog do meu amigo Robson Souza (http://luzeestilo.wordpress.com), e informações bem atualizadas no blog do Juliano Flor, acadêmico de Jornalismo (http://visaoextra.blogspot.com).

Demorei a postar algo aqui por diversos motivos: viajei a São Bernardo do Campo para o 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo na quarta 19 e só voltei no sábado, 21. No domingo, tudo aconteceu, e fiquei fora de órbita. Na verdade, ainda estamos fora de ordem.

A dor e o sofrimento não vão parar

Assim que as águas baixarem, projeto eu, entraremos em outra fase desse calvário: o de contabilizar os danos, limpar a destruição e passar a reconstruir a vida. Nada será como antes, e isso não é um pessimismo à toa. Quem passa por isso aqui não esquece. Nunca. Então, a vida está andando de lado, está suspensa. Não há aulas. Não há compromissos. Não há agenda a ser cumprida. Não há vida normal. Só existe o essencial: sobreviver.

Por isso, as imagens evocadas pelos meus amigos do livro e do filme não largam a minha cabeça. Calculo que não chegaremos a um nível tal de degradação como o relatado por José Saramago, em seu lindíssimo livro. Também acho que a destruição não será como a protagonizada por Tom Cruise nos cinemas. Mas a mobilização das pessoas, a interrupção brusca do ritmo da existência e a perplexidade com a nossa fragilidade e vulnerabilidade são os mesmos.

Estou bem. Minha família também. Os amigos idem. Aliás, graças à amizade, à generosidade, à imensa capacidade de doação de alguns, muito estão sobrevivendo.

15 dias apavorantes

Eu sei, o leitor deste blog detesta queixas. Mas aqui não vai nenhuma reclamação, mas uma satisfação.

As duas últimas semanas foram absorvidas quase que totalmente pelos infindáveis compromissos que me soterraram. Vai aí um resumo dos últimos 15 dias. Do dia 20 de outubro pra cá…

… corrigi provas da seleção de novos alunos no Mestrado em Educação

… dei palestra de abertura na Semana de Comunicação no Ielusc, em Joinville

… preparei e apliquei prova na disciplina de Legislação e Ética em Jornalismo

… preparei e apliquei também a prova da disciplina de Introdução ao Jornalismo

… elaborei relatório de produtividade dos professores do mestrado para a coordenação do programa

… revisei os currículos Lattes do meu grupo de pesquisa na graduação

… corrigi as provas de Legislação e Ética em Jornalismo e de Introdução ao Jornalismo

… reinstalei a rede wi-fi em casa que estava em pandarecos

… troquei de carro, o que implica dizer: instalar alarme, transferir seguro, etc…

… dei aulas no mestrado em duas manhãs

… tive reuniões no Grupo de Pesquisa no Mestrado e no Colegiado do programa

… comecei a editar o livro sobre Cinema e Educação

… iniciei a divulgação de meu novo livro

… fiz revisão final de duas dissertações

… montei as bancas de qualificação de duas orientandas no mestrado

… levei meu filho ao pediatra

… dei aulas na graduação em duas noites

… resolvi burocracias em bancos

… recusei um trabalho legal

… acompanhei minha mulher em dois médicos

… escrevi um editorial para o Monitor de Mídia

… corrigi TCC de uma orientanda da graduação

… fiz loucuras com a patroa no sábado à noite

… revisei reportagem dos meninos do Monitor

… resolvi burocracias em cartório

… fiz entrevistas com candidatos ao mestrado

… terminei a prestação de contas de uma pesquisa para a Fapesc

Fala a verdade: eu mereço umas férias…

tudo ao mesmo tempo, agora, e mais e mais…

Chupar cana e assobiar. Bater escanteio, correr pra área, disputar a bola com os zagueiros, cabecear e correr pro abraço. Ter oito braços e fazer mil coisas ao mesmo tempo. Tudo junto. Tudo agora, Tudo pra ontem. Run Forest! Corra Lola corra! Vai, Alice! O tempo está correndo e escorrendo!

Não, não é a Lula Lelé aí de cima. Sou eu mesmo. E você? Contigo é diferente?

No Norte, e a trabalho

Pessoal, sei que já avisei, mas não custa repetir: este blog está meio devagar porque estou em viagem a trabalho, para um curso de pós-graduação na Universidade da Amazônia, aqui em Belém (PA).

Se vocês quiserem seguir o curso, passem no blog da disciplina “Mídia e Direitos Humanos”.

Voltaremos com nossa programação normal na próxima semana.

malas prontas

Embarco hoje para Belém (PA), para uma temporada de uma semana na Universidade da Amazônia (Unama). Lá, vou dar uma disciplina na especialização em Jornalismo, Cidadania e Políticas Públicas: “Mídia e Direitos Humanos”.

É longe: 3412 km me separam da capital do Pará. Vou a convite das amigas Ana Prado, Vânia Torres e Danila Cal, a quem já agradeço.

Se você quiser me seguir no curso, criei um blog: Mídia e DH.

É possível que este blog não tenha tantas atualizações nos próximos dias, devido à correria, por exemplo. Minha meia dúzia de leitores há de entender…

tristeza e solidão (baden e vinicius)

Sou da linha de umbanda
Vou no babalaô
Para pedir pra ela voltar pra mim
Porque assim eu sei que vou morrer de dor

Ela não sabe
Quanta tristeza cabe numa solidão
Eu sei que ela não pensa
Quanto a indiferença
Dói num coração
Se ela soubesse
O que acontece quando estou sozinho assim
Mas ela me condena
Ela não tem pena
Não tem dó de mim

não pense que estamos parados…

Só porque não atualizo esse blog desde agosto – e já estamos no dia 2 de setembro!!! -, não pense nossa meia dúzia de leitores que estamos parados. Na-na-ni-na-não!

Nossos técnicos estão enfurdados em seus laboratórios testando as potencialidades do Blip e do Google Chrome. Nossos especialistas estão discutindo com nossos orientandos o uso da participação do usuário nos portais noticiosos brasileiros, as apropriações dos microblogs pelo jornalismo nacional, o uso dos blogs por professores e o cinema na sua relação de dispositivo midiático pedagógico.

Estamos trabalhando duro para melhor servi-los. Obrigado pela preferência.

blogday, as minhas indicações

Não vou lá explicar porque o leitor já deve saber.
Vamos direto ao ponto.

Minhas indicações hoje são:

1. House, o médico – sobre o doutor que gostaríamos de ser

2. E Deus criou a mulher – uma prova definitiva sobre a existência de um ser superior

3. Dude! We are lost! – sobre o seriado que mais deixa a gente perdido

4. Faz caber – sobre projetos gráficos, infografias, deleites visuais

5. Samuel Casal – porque sou fã do trabalho desse cara!

corrupção: veja um infográfico feito de lama

Compra de votos. Desvio de verbas. Favorecimento de empresas. Compra de consciências. Compra de mandatos. Roubo de dinheiro público. CPIs fajutas. Negócios escusos. Relações promíscuas entre funcionários públicos e empresas. Conflito de interesses. Relacionamentos espúrios. Condutas condenáveis. Interesses abjetos.

O UOL preparou um esclarecedor (e triste) infográfico sobre os principais escândalos políticos do Brasil desde a redemocratização em meados dos anos 80. Veja aqui.

dia dos pais: uma crônica

Em julho de 2004, escrevi o texto abaixo, que foi publicado no site de um amigo meu.
É divertido ler agora… parece que um século me separa daquele tempo.

 

Faz duas semanas que me tornei pai. Claro, isso não é lá grande novidade já que quase toda a fauna de homens no mundo passa por isso em algum momento da sua vida. Mas é a minha primeira vez, e ainda não percebi a coisa toda… Vasculhando minha agenda essa tarde, em busca de qualquer outra coisa, esbarrei num bilhetinho que escrevi para mim mesmo na capa do caderno. Nem me lembrava mais que havia feito aquilo, mas agora me recordo nitidamente que rascunhei algumas frases no meio da madrugada: minha mulher descansava do parto, o bebê dormia sem culpa nem nada, e eu ainda me refazia de tudo aquilo. É claro que acompanhei a cirurgia, que tirei fotos, que anunciei o nascimento pelo celular, que monitorei cada respiração daquele menino naquela noite. Medo bobo. Medo de pai novo…

No silêncio do quarto, a clínica praticamente vazia, fiquei ali, só assistindo os dois dormirem. Quis gritar, quis dançar, mas me detive: seria ridículo; incompreensível para qualquer enfermeira que ali entrasse de repente. Cocei a mão e apanhei a agenda. Com uma letra miúda, fui deixando escoar uma ou outra palavra, como num conta-gotas. Não que eu pesasse as palavras, mas porque não queria acordá-los. Fui imprensando palavra com palavra, sem pressa, com cuidado na pontuação, fazendo a madrugada só minha.

Tornei-me pai há poucas horas e ainda estou tomado por uma imensa sensação de paz. Não chorei no parto; não fiquei nervoso; só fui sorriso. Não esperava reagir assim, mas acho mesmo que já estava esperando tudo isso. Ser pai me preencheu com tanta força, serenidade e delicadeza que quase nem me reconheço.

A força, eu roubo dos dedinhos dele, que apertam minha mão; a serenidade, eu vejo no soninho leve e contagiante dele; a delicadeza mora nos movimentos suaves dos lábios, quando balbucia historinhas incompreensíveis.

Como será daqui pra frente? Como o mundo vai tratar esse novo passageiro da vida? Eu não sei. Também não quero me preocupar agora com isso. Deixa o mundo girar que eu quero mesmo é velar por esse soninho gostoso.

Se fosse essa noite, escreveria outra mensagem. Talvez mais serena, mais amena. Já mudei bastante desde aquela madrugada. Não é responsabilidade ou o peso da idade. Não é medo, nem coragem. É uma sensação diferente, que me preenche, que me acalma, que me renova. É uma paz imensa, espalhada, inebriante. Só. Nessas duas semanas, a vida mudou bastante. Comi menos, sorri mais. Dormi menos do que o normal, é bem verdade. Mas não foi apenas para amainar algum chorinho sem-causa. Perdi o sono para sonhar com ele crescido, correndo pela praia, chutando a espuma da onda que lambe a areia. Não perdi o sono. Ganhei sonhando acordado.

 

seis filmes: comentários muito pessoais

Porque hoje é sábado e porque faz um friozinho preguiçoso, deixo aqui comentários muito pessoais sobre seis filmes que vi nos últimos dias:

O Fim dos Dias
Perdi a vez de assisti-lo no cinema, e até me arrependo agora. O filme de M.Night Shyamalan é envolvente, interessante, inteligente e despretensioso. Na verdade, estava meio arredio depois de ver Sinais e a A Vila, mas o cineasta voltou em grande estilo. É suspense e terror em doses fartas, sem efeitos especiais muito pirotécnicos. É desses filmes que – mesmo após assistir – a gente fica pensando, pensando, pensando… Para quem quer sobreviver.

Kung-Fu Panda
A animação é ótima, divertida e empolgante. A versão do cinema dublada é competente e engraçadíssima. As referências aos filmes de artes marciais estão lá, mas mesmo quem não as identifica assiste com prazer. Fui ver com amigas e meu filho. Saímos da sala dando caratê em todo o mundo. (O joguinho do Play Station também é bem divertido, focado na história, mas tem um porém: é curto). Para quem não tem preconceito com desenhos animados.

Wall-E
Outra animação pra ficar. Imagine 15 minutos de filme sem diálogos, sem gente, num cenário inóspito e você não desgrudando os olhos da tela. Isso acontece. A história de amor entre robozinhos e o futuro da Terra entretém, enternece e diverte. Referências explícitas a E.T. e a 2001 – Uma odisséia no espaço. Para quem não é robô.

Pecados e Tentações
Falou-se muito da estréia de Leila Lopes no cinema pornô. Depois de ver o trabalho, acho que falaram demais. Leila está bonita e charmosa. Mas seu desempenho, digamos assim, fica bem aquém do esperado. Não é uma estrela da arte, o enredo é bobo e só tem três transas, duas com a protagonista. Rita Cadilac e Gretchen vestiram (?) melhor a camisa… Para quem é curioso.

O Amor nos Tempos do Cólera
A adaptação do romance de Gabriel García Márquez para o cinema resultou num filme com duas horas e quarenta minutos. É um épico, mas a gente se envolve, se emociona e se diverte. Fernanda Montenegro faz a mãe do protagonista, vivido na maturidade por Javier Barden. Os dois estão estonteantes na interpretação. As locações são lindas e a trilha sonora mostra, entre outros bons momentos, uma Shakira altamente romântica. Para quem quer se apaixonar.

Antes de partir
Uma amiga minha deu a chave: é um filme que tem tudo para ser piegas e contorna isso muito bem. Pois é. A história de uma amizade entre pacientes terminais reúne Morgan Freeman e Jack Nicholson nos papéis principais. O enredo reserva pequenas e divertidas surpresas, mas o que fica é uma espécie de “lição final”. Aquilo de que a vida é muito mais. Para pessoas sensíveis e duronas.

aprendendo a cozinhar

Você gosta de cozinhar?
Não tem jeito pra coisa, embora tente?

Seus problemas acabaram!
Há ótimas professoras por aí…

Nigella Lawson é a moça que posou para J.P. Masclet…

A moça abaixo é Padma Lakshmi,

a mesma tecla: sempre!

Este blog não está de férias.
Seu titular está é sem tempo pra respirar.

8 coisas pra se fazer antes de bater com as 10

Sim, é mais um meme,
Quem me convidou foi a Adriamaral.

As regras:

1) Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2) Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
3) Comentar no blog de quem nos convidou;
4) Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
5) Mencionar as regras.

Minhas 8 coisas:

1. Voltar a escrever pro prazer;
2. Conhecer os seis continentes;
3. Aprender a tocar trompete como Miles Davis;
4. Queimar umas notas de cem reais de verdade e sem me preocupar;
5. Ler um livro por semana: à minha escolha e todos os demais compromissos aguardando o ponto final;
6. Dirigir de olhos vendados e a 150 km por hora num retão deserto de estrada;
7. Assaltar um banco: não pra roubar, mas por uma questão de enfrentamento político;
8. Arrumar mais um milhão de motivos para não ir…
Passo adiante para:
Dauro Veras, Rogerio Kreidlow, Marcos Palacios, Rodrigo de Fáveri e Robson Souza.

daniel dantas e um roteiro cinematográfico para o país

Nos anos 90, tivemos oportunidades sensacionais para acompanhar em tempo real uma saga com tons semelhantes aos maiores filmes de gângster, com pitadas de suspense, lances inesperados, crime e mortes.

O presidente estava enredado numa teia de corrupção. Até o pescoço. Seu tesoureiro de campanha, uma eminência parda no governo, era o homem de frente nos negócios escusos. O presidente foi denunciado pelo irmão, enciumado. Sim, o presidente teria avançado sobre a cunhada. O presidente foi impedido de governar, renunciou, deixou o governo. Morreu a esposa do tesoureiro. A mãe do presidente entrou em coma. O irmão-delator morreu de um câncer devastador. O presidente saiu de cena. O tesoureiro foi encontrado morto com a namorada, na cama. Sangue, corrupção, ganância…

De lá pra cá, tivemos escândalos ruidosos também, e o Mensalão trouxe o enredo mais megalomaníaco. Tinha como protagonistas um ministro influente e um deputado-falastrão. Abalou o Planalto, derrubou bastante gente, mas a República se refez.

Agora, com os acontecimentos das últimas semanas, temos um filme que parece ser um verdadeiro arrasa-quarteirão. A prisão de um banqueiro com ligações estreitíssimas com o Parlamento, com camadas do Executivo e com todos os demais focos do poder trouxe à tona um enredo não totalmente desconhecido, mas não menos surpreendente pelo teor de enxofre e uréia que exala. Foi preso e foi solto pelo STF. Foi preso novamente, e mais uma vez solto pela corte maior do país. Um jornalista contou que – na segunda vez em que estava com os federais em interrogatório -, o banqueiro ameaçou contar tudo, entregar todos. Curiosamente, o STF deu novo habeas corpus, isto é, aceitou a chantagem. Com isso, deflagrou uma crise no próprio Judiciário. Ontem, 400 – eu disse, quatrocentos – procuradores e juízes manifestaram-se publicamente contra o presidente do Supremo, dando apoio ao magistrado que pediu a prisão por duas vezes do milionário. Agora, parcelas do Judiciário no sul e sudeste do país cogitam pedir o impedimento do presidente do STF.

Na mídia, foi dito mais de uma vez que estamos assistindo a colonoscopia do Brasil, que mergulhamos nos intestinos do país. Justamente lá, onde encontramos a alma e as fezes.

Já temos um novo filme para o país. Não tão novo, é verdade. Mas o fedor é fresco, e como embrulha o estômago!

desejo e reparação, eu vi

Noite passada, mesmo que entrecortado, assisti a Desejo e Reparação, adaptação do romance de Ian McEwan para o cinema pelo diretor Joe Wright. Vi e devorei os extras da versão do DVD. Vi e fiquei louco para ler o livro que originou o filme.

É uma história pungente, envolvente, dilacerante. Desses dramas românticos de guerra, a história traz à tona sentimentos que a gente luta a vida inteira pra esconder. Mas é o desejo de reparar um imenso erro que move os dedos da narradora.

As cenas rodadas em steadycam para relembrar a desocupação de Dunkirk são estupendas, colocam o telespectador no meio da praia coalhada de loucura, desolação, fumaça e soldados maltrapilhos.

Buscar o perdão, tentar a redenção. Que motes para uma história!!!

entrevista sobre blogs

Hoje, a partir das 13h30, estarei no programa Viva Voz, da Univali FM. O tema é a mania dos blogs. Tentei convencer a produção que eu não era a melhor pessoa para falar disso, mas acho que eles não entenderam bem o drama. De qualquer forma, fica o convite para ouvir.

O programa é comandado pelo jornalista e professor Carlos Roberto Praxedes e tem a participação de acadêmicos do curso de Jornalismo da Univali. Se você está em Itajaí, basta sintonizar em 94,9 na banda FM. Se estiver fora da cidade, acompanhe pela internet: http://www.univali.br

ATUALIZAÇÃO: Participou do programa o Joel Minusculi, e a Fernanda Prado auxiliou Praxedes nas perguntas. Foi bem legal ter participado e nem vimos o tempo passar. Aliás, acabei sabendo que o próprio Praxedes criou um blog.

ele andou pensando…

Com o olhar se arrastando pelo chão, ele suspirou uma ou duas vezes.
A agenda cheia, como sempre, mas desta vez os deadlines não tinham margem nenhuma de negociação. Tentou riscar um ou outro compromisso menos importante, mas chegou ao final da lista sem nenhum rabisco.
Pensou, é o fim do mundo?
Não, mas quase: o fim do semestre.

(Deixou de escrever este post e voltou à lida…)

retomando a vida normal (normal?)

Fiquei longe daqui por estar envolvido até o pescoço com a realização da Anpedsul aqui na Univali.

Se você quer mais informações sobre isso? Vá direto ao site do evento.

Posso adiantar que foi um sucesso e um prazer receber os colegas pesquisadores dos três estados da região.

Vamos colocar a vida em ordem agora… ou pelo menos tentar…

Vamos com bom humor.

Frank comenta o fato de o Brasil ser o terceiro país no planeta em novos milionários

na correria (pra variar)

Hoje, eu tô assim…

Fui!

o estado atual das coisas

Por aqui, no entorno do meu ego e cercanias, RINITE.

 

poeira: sobre o tudo e sobre o nada neste blog

Faz dias que não alimento esse meu bloco de notas.

Tem acontecido muita coisa por aqui e nada do que espero. Isto é, acontece tudo e não acontece nada.

Há muito a fazer. Muito mesmo. Mas existe uma densa fumaça diante dos olhos. Eu tateio no escuro e não encontro absolutamente nada que me oriente. Tentarei abrir uma janela para deixar um vento bom entrar. Quem sabe ele não dissipa essa nebulosidade toda. Quem sabe não varre a poeira desse blog…

testando o firefox 3, versão beta 5

Decidi que estou numa semana de test-drives… tô fazendo isso com softwares e sistemas e otras cositas mas. Hoje à noite, foi a vez do navegador. Tô querendo assumir totalmente meu romance com a raposinha do Firefox… e tô aprendendo um monte com ela…

(acabei de publicar este post usando uma extensão direta do navegador. No popular: não precisei entrar na página do wordpress, me logar, botar senha, entrar na página de administrador e aí sim postar. Cliquei num botãozinho no pé da página e abriu uma janelinha para escrever e postar. A-do-rei!)