jorge pedro sousa na ufsc

Se você se interessa por história do jornalismo não pode perder esta:

Estão abertas para alunos de mestrado, graduação e outros interessados as inscrições para a disciplina “Temas Avançados em Fundamentos do Jornalismo” que será ministrada pelo professor visitante Jorge Pedro Sousa, da Universidade Fernando Pessoa e do Centro de Investigação Media e Jornalismo de Portugal. O curso é gratuito, e para fazer a inscrição os interessados devem mandar mensagem de email para posjor@cce.ufsc.br, informando nome completo, cpf e telefone de contato. As vagas são limitadas. As aulas acontecerão das 8h20min às 12 horas a partir da próxima segunda-feira.

o que professores de jornalismo devem saber sobre redes sociais

Redes sociais precisam ser ensinadas e internalizadas nos cursos de Jornalismo, seja qual for a sua geografia. Existem diversos pesquisadores brasileiros e internacionais que se dedicam a discutir o que deve ser ensinado, de que maneira e qual a melhor forma de fazê-lo. Se você acompanha este blog, sabe que sempre cito Raquel Recuero, Gabriela Zago, Carlos Castilho, Beth Saad e a turma do Intermezzo, Adriana Amaral, Alex Primo, Marcelo Träsel, Jorge Rocha e muitos mais que nem vou me atrever a mencionar ou linkar.

Desta vez, pinço o que pensa Suzanne Yada, estrategista no uso de redes sociais, jornalista e que agora, retorna aos bancos escolares para terminar seu bacharelado na área. Suzanne participou recentemente de um painel durante a convenção da Association for Education in Journalism and Mass Communication (AEJMC), algo como a nossa Intercom.

Para Suzanne, não basta ensinar redes sociais, veja uma síntese do que ela disse aos professores da área:

  • Professors need to not only teach social media, but practice it. It is now their job to understand this.
  • The students are also resistant. Just because they’re young and on Facebook doesn’t mean they know social media.
  • There’s a lesson plan in comparing ethics policies, legal quandaries and best practices of news organizations using social media. Less emphasis on teaching the tools, more on teaching principles.
  • Students who know social media should become TAs or peer teachers, or help organize a bootcamp/BarCamp at school to teach both students and the professors about social media.
  • But, professors, please still keep hammering fundamentals. Don’t get lost in the latest buzzword. Everything taught about social media should point straight back to the basics.

Leia na íntegra aqui.

Uma pergunta incômoda que me faço é: nossas escolas mantêm essas preocupações?

Mas tenho outras: os professores estamos capacitados para esse tipo de ensino? Existem condições objetivas para que nossos cursos ofereçam esses conteúdos programáticos? Avançamos na pesquisa a ponto de já ter uma dimensão do impacto que as redes sociais trazem para o ensino e a formação dos novos jornalistas? E pra ser mais cruel ainda: os alunos podem prescindir dos professores para esse assunto?

meia dúzia de links acadêmicos sobre jornalismo

Rápido e rasteiro:

vencedores convidam para o prêmio adelmo genro filho 2009

Faltam quatro dias para o final do prazo de inscrições para o Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e está na quarta edição. Podem participar trabalhos apresentados ou defendidos em 2008, nas categorias Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado.

Considerado o prêmio de maior prestígio nacional na área da pesquisa, o PAGF já destacou trabalhos importantes em diversos segmentos de estudo em Jornalismo. O vencedor da categoria Doutorado de 2007, José Afonso da Silva Júnior, destaca o impacto da iniciativa: “O prêmio não é apenas um reconhecimento à qualidade e relevância das pesquisas em jornalismo. Mais que isso, o PAGF se constitui num importante argumento em prol da consolidação do ensino e investigação do jornalismo como área de conhecimento e de apontar para práticas de jornalismo aperfeiçoadas sob o ponto de vista social, profissional é ético no contexto contemporâneo”. Para Zé Afonso, prêmio “demonstra ainda a crescente maturidade da pesquisa realizadas no Brasil que tem o jornalismo como problema. É como um sismógrafo: capaz de registrar a construção de conhecimento em torno do jornalismo e avançar a discussão e aprofundamento dos temas”.

Marcelo Träsel recebeu o PAGF no ano passado. “Foi um importantíssimo reconhecimento pelo trabalho que desenvolvi durante o mestrado. A pesquisa acadêmica é cercada de dúvidas sobre a relevância das questões estudadas e a pertinência das teorias e métodos que usamos. Receber um prêmio de seus colegas é um sinal de que você está no caminho certo. No meu caso, foi um dos principais incentivos para seguir adiante na carreira acadêmica e entrar no doutorado”.

As inscrições para o PAGF 2009 vão até 10 de agosto!

O regulamento está aqui: http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?page_id=421

Veja os vencedores dos anos anteriores:

2006

Iniciação Científica
1º lugar: O cidadão-comum nas páginas do Diário de Santa Maria: uma questão de valores-notícia
Carolina Adolfo De Carvalho (Universidade Federal de Santa Maria)
Orientadora: Dra. Márcia Franz Amaral

Mestrado
1º lugar: O Webjornalismo Audiovisual: uma análise de notícias no UOL News e na TV UERJ Online
Leila Nogueira (Universidade Federal da Bahia)
Orientador: Dr. Elias Machado

Doutorado
1º lugar: Ilustrações: fronteiras entre o Jornalismo e a Arte
Gilmar Adolfo Hermes (Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos)
Orientador: Dr. Ronaldo Henn

2007

Iniciação Científica
1º lugar: O uso da infografia na revista Saúde!
Elaine Aparecida Manini (UFSC)
Orientadora: Tattiana Teixeira

*Menção Honrosa na categoria Iniciação Científica
Título do Trabalho: Nuances de Análise Histórica do Jornalismo: homens, mulheres e a cidade nas páginas do Diário dos Campos (1910-1923)
Felipe Simão Pontes (UEPG)
Orientador: Sérgio Luiz Gadini

Mestrado
1º lugar: A qualidade da informação jornalística: uma análise da cobertura da grande imprensa sobre os transgênicos em 2004
Carina Andrade Benedeti (UnB)
Orientador: Luiz Gonzaga Figueiredo Motta

Doutorado
1º lugar: Uma trajetória em redes: modelos e características operacionais das agências de notícias: modelos e características operacionais das agências de notícias, das origens às redes digitais: com estudo de caso de três agências de notícias
José Afonso da Silva Júnior (Universidade Federal da Bahia)
Orientador: Marcos Silva Palácios

Sênior
Profa. Dra. Christa Berger – Universidade do Vale do Rio dos Sinos

2008

Iniciação Científica
1º lugar: Gabriela Jardim Rocha (PUC-Minas), “Mediações sociais no jornalismo colaborativo”
Orientadora: Geane Alzamora

Menção honrosa: Mariana de Almeida Costa (UFF), “Jornalistas e marginalidade social”
Orientadora: Sylvia Moretzsohn

Mestrado

1º lugar: Marcelo Ruschel Träsel (UFRGS), “A pluralização no webjornalismo participativo”
Orientador: Alex Primo

Menção honrosa: Ana Paula Ferrari Lemos Barros (UnB), “Saúde, sociedade e imprensa”
Orientadora: Dione Moura

Doutorado
1º lugar: Suzana Barbosa (UFBA), “Jornalismo digital em base de dados”
Orientador: Marcos Palacios

Sênior
Marcos Palacios (UFBA)

jornalismo de políticas públicas, um curso

Estão abertas as inscrições para o curso “Jornalismo de Políticas Públicas Sociais”, promovido pela UFRJ e ANDI. A realização é do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência (NETCCON), da Federal do Rio, e o prazo de inscrição termina em 27 de julho.

O curso é gratuito e fornece certificado. Começa em 3 de agosto, sempre às segundas-feiras pela manhã.

As inscrições pelo link:
http://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dHB2TXBxcU9wa09GSFQwYWVEWS1uY2c6MA

escolas de jornalismo e a crise dos jornais

O professor Larry Atkins, da universidades Temple e Arcadia, publicou ontem um artigo no Knight Digital Media Center com um sugestivo título: Não deixemos de lado as escolas de Jornalismo só porque os jornais estão em crise.

Atkins cita casos como o da Columbia University, que não vem sofrendo com o declínio dos jornais impressos e vem sim atraindo cada vez mais estudantes na sua escola de Jornalismo. “Mas como as escolas e os departamentos de Jornalismo estão acomodando este interesse às realidades em mudança da profissão?”, questiona Atkins. As respostas dadas pelas escolas têm vindo na forma de revisões curriculares, aumento na exigência de trabalhos nas disciplinas, e incentivo ao desenvolvimento de ações empreendedoras.

De acordo com algumas fontes do autor, mais oficinas práticas também estão sendo oferecidas pelos cursos, numa clara tentativa de simular situações reais da profissão. Eventos fora das universidades também têm sido “cobertos” pelos alunos, seguindo a mesma tendência. (O que me parece óbvio, e o que já se vem fazendo em muitas escolas de Jornalismo que conheço no Brasil)

O ensino com base em mídias sociais é também apontada pelo professor Atkins como uma tendência emergente forte nos cursos de Jornalismo norte-americanos.

Mas o que me chamou a atenção é o fato de professores e gestores olharem para fora de seus instituições, muito preocupados com a sobrevivência de seus cursos. Nos Estados Unidos, a queda nas tiragens dos jornais, a migração maciça de verbas publicitárias para outros meios e o vaticínio de que a imprensa está mesmo morrendo são fatores bem fortes que vêm abalando a confiança de quem produz jornalismo, de quem ensina e até de quem consome.

Por aqui, não temos essa crise ainda. Mas o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo deve precipitar nas escolas preocupações semelhantes, e a busca de diferenciais de formação. Esta história está apenas começando… vamos acompanhar…

me pegaram de surpresa. esses alunos…

O João Guimarães Rosa, que é um cara que a gente devia ler muito mais, escreveu lá pelo meio do Grande Sertão: Veredas que “professor é quem de repente aprende”. E é. Para além dos convencionais clichês que a gente destila nas salas de aula, se o professor prestar bastante a atenção vai aprender todo dia alguma coisa…

Tenho me esforçado nos últimos dez anos a aprender e a dar algumas aulas. Tenho aprendido muito. Verdade…

Em dez anos de docência no ensino superior, tive diversos desafios, mas nenhum deles se comparou a um que precisei enfrentar este semestre. Não é nenhuma inconfidência o que irei contar, já que o jogo sempre foi muito aberto. Mas o fato é que peguei uma turma mista de alunos de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda para uma disciplina estreante: Temas Contemporâneos – Redes Sociais. O desafio estava tanto no trato com os alunos, na quantidade de sujeitos envolvidos (quase 50!), e na complexidade do tema, em constante mutação…

É preciso dizer que nada foi fácil nesses meses. Em muitos momentos, senti que não conseguia envolver completamente a turma, que muitos sequer reagiram, que não compreendiam a relevância dos conteúdos e práticas para seus futuros profissionais. Tivemos momentos tensos, delicados, quase que desagradáveis. Pela primeira vez na vida, tive que me aconselhar com as coordenadoras dos cursos, com a orientadora pedagógica. Era muita angústia a minha, de tentar convencê-los, chacoalhá-los, envolvê-los.

Mas a vida ensina, e os alunos também.

Não se tratava de uma conversão, mas de um convite à compreensão, de um encontro. A partir dali, o ritmo foi outro, o fluxo seguiu, e fui levado… No final do semestre, verdadeiramente, vi que os alunos haviam criado blogs e comunidades no Orkut, com empenho, lançando mão dos recursos tecnológicos e dos conceitos com os quais trabalhamos. Fiquei satisfeito com a conclusão do semestre, com o trajeto percorrido, com os companheiros de jornada. Fiquei de bem, de novo.

Pensei que tinha terminado assim, num happy end. Que nada!

Hoje, recebo email com um link. Lá, descubro que os alunos de Redes Sociais criaram um blog para se despedirem de mim. Estou em processo de transferência para uma outra instituição e ando afivelando as malas por aqui. Claro que me emocionei com o gesto, com as palavras, com tudo. A demonstração de apreço, o reconhecimento de quem realmente interessa – os alunos, oras! -, tudo isso me fez molhar esse teclado. Sinto-me envaidecido, privilegiado, mimado… tocado. Pensei que poderia me sentir realizado ao avaliar o resultado da disciplina no semestre, e ver que de alguma maneira contribui. Estava errado. Aprendi de novo. A sala de aula não tem mais paredes. E eu aprendo mais e mais…

fim dos diplomas: a moda pegou!

Deu no Consultor Jurídico:

Requião questiona diploma para oficial de Justiça

Depois de decidir que jornalistas não precisam ter diploma para exercer a profissão, será a vez do Supremo Tribunal Federal resolver se oficiais de Justiça precisam de um curso superior para exercer o ofício. Roberto Requião, governador do Paraná, entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade, no STF, contra a Resolução 48/07 do Conselho Nacional de Justiça. A regra estabelece que os Tribunais de Justiça exijam diploma de curso superior para oficial de Justiça. Para Requião, a Resolução é uma afronta à autonomia e isonomia do poder Judiciário dos estados-membros.

Segundo ele, a determinação “produziria uma subordinação absoluta dos tribunais ao CNJ, violando a autonomia administrativo-orçamentária e mesmo de iniciativa legiferante do Judiciário local”. O governador afirma que seria questionável a competência do CNJ para proibir a nomeação, por meio de concurso público, de oficiais de Justiça que não possuam curso superior.

De acordo com Roberto Requião, “apenas a lei em sentido formal – ato editado pelo poder Legislativo, de iniciativa do poder Judiciário – poderia tratar da matéria”. Nesse sentido, o governador lembra que no Paraná existe a Lei estadual nº 16.023/08, que prevê o ensino médio como suficiente para o exercício da função de oficial de Justiça.

A elevação do requisito mínimo para o cargo, alerta Requião, ocasionaria um acréscimo significativo das despesas orçamentárias no Poder Judiciário do Paraná, “inviável na atualidade, pois inexistem recursos financeiros para suprir essa demanda”.

(Por falar no assunto, o blog Azesquerda publica um contundente artigo do constitucionalista João dos Passos Martins Neto sobre o fim do diploma de jornalismo)

cai o diploma; não caem os registros

A decisão do Supremo Tribunal Federal que desobriga o diploma de Jornalismo para exercer a profissão – a exemplo de outras sentenças – trouxe mais dúvidas e incertezas do que paz para o campo profissional. Após oito ministros do STF terem votado pela não exigência, havia dois entendimentos distintos para a nova realidade do mercado de trabalho jornalístico:

– A suprema corte decidiu que o decreto 972/69 era totalmente inconstitucional e, por isso, não haveria mais sentido existir registros profissionais para os jornalistas. A profissão estaria totalmente desregulamentada, sem regras de ingresso.

ou

– A suprema corte apenas vetou a obrigatoriedade do diploma. Com isso, ainda seria necessário ter registro para atuar na área, mas ele poderia ser obtido sem o canudo, como milhares de pessoas conseguiram amparadas pela liminar da juíza Carla Rister.

Permaneceu um vácuo jurídico até o final da semana passada. Na sexta, saiu no Diário da Justiça Eletrônico a decisão do STF:

O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente), conheceu e deu provimento aos recursos extraordinários, declarando a não-recepção do artigo 4º, inciso V, do Decreto-lei nº 972/1969, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Ausentes, licenciados, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Falaram, pelo recorrente, Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo – SERTESP, a Dra. Taís Borja Gasparian; pelo Ministério Público Federal, o Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza; pelos recorridos, FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas e outro, o Dr. João Roberto Egydio Piza Fontes e, pela Advocacia-Geral da União, a Dra. Grace Maria Fernandes Mendonça, Secretária-Geral de Contencioso. Plenário, 17.06.2009.

Com isso, o entendimento que tenho é de que caiu o diploma, mas os registros continuam valendo e sendo necessários para se atuar na área. O trecho da lei considerado inconstitucional é justamente o que define como documento obrigatório para se obter o registro o diploma de Jornalismo. Com o veto ao inciso V do artigo 4º, pode-se correr atrás do registro de jornalista sem o diploma.

Resumo da ópera: cai o diploma, mas o registro permanece como condição de acesso ao mercado de trabalho. Desregulamentação pela metade.

***

Para ver mais sobre a polêmica da queda do diploma, basta acessar a edição desta semana do Observatório da Imprensa, que traz um especial sobre o tema.

das minhas sentimentalidades sobre o diploma

Relendo meu post anterior e ouvindo a minha esposa – o que deveria fazer mais vezes -, queria tornar mais clara a minha posição sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Mesmo derrubado por uma feroz gripe, ontem, acompanhei atentamente ao julgamento do STF. Tuitei sobre isso. Tentei manter um certo distanciamento do tema, mas no final da sessão, o cansaço e o mal estar (da gripe ou da decisão?), já deixei escapar algumas farpinhas da minha indignação.

Dei aulas ontem à noite e falei com diversos alunos.

Mantive o equilíbrio e hoje cedo, postei uma análise distanciada do tema. Minha esposa leu e se enfureceu: Mas nada te indigna? Nada te tira do sério?

Ela tem razão. Eu deveria falar sobre isso. Mas eu não queria. Abri a caixa postal hoje e vi dezenas, verdade!, dezenas de mensagens destilando raiva, ira, indignação, protesto. Eu não queria engrossar o caldo do fel. Mas por outro lado, não posso falsear meus sentimentos. De decepção, de tristeza, de indignação, de raiva.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Sou professor de Legislação e Ética em Jornalismo há dez anos. Neste tempo todo, falei de regulamentação profissional, insisti na importância de uma profissão ter regras claras de ingresso e funcionamento. E ao falar de leis e regulamentos, eu falava sempre da profissionalidade, das formas de sermos o que somos, quando somos jornalistas.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Entre 2002 e 2005, fui dirigente sindical em Santa Catarina e trabalhei ativamente, escrevendo textos, promovendo eventos, participando de debates sobre a necessidade do diploma, em defesa desta regulamentação, a favor dessas regras.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Desde 2001, o meu fazer-pensar acadêmico gira em torno da profissão, da sua ética, e das estruturas nas quais se apóia a profissão jornalística.

Portanto, o investimento pessoal, emocional, de tempo e de energia de quase uma década foi muito grande, penoso mesmo. Não me arrependo. Claro que não. Continuo acreditando no Jornalismo, como algo importante para a sociedade. Continuo acreditando na organização dos profissionais, que se reúnem para defender e ampliar os seus direitos e a sua dignidade. Continuo acreditando que as escolas podem ter um papel crucial na formação de bons, de excelentes jornalistas. Continuo acreditando. Esta fé – que se traduz em pragmatismo, ou em uma certa frieza a olhos distantes -, esta fé aplaca meu descrédito, minha tristeza.

diploma obrigatório caiu, e agora?

Em dez anos de docência em Jornalismo, poucas vezes senti um clima tão intenso de perplexidade nos corredores da universidade, ontem à noite. Eram pouco mais de sete horas, e os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiam que já não seria mais obrigatório ter diploma para se obter o registro profissional de jornalista. Quer dizer, a corte suprema brasileira desregulamentava uma profissão, derrubando um marco de quarenta anos.

Pelos corredores da universidade, alunos e professores se olhavam num misto de consternação, receio e certa vergonha. Claro que sempre houve a possibilidade de uma decisão como aquela, na medida em que o assunto seria julgado, mas pelo jeito, não era o que se esperava. Um silêncio cúmplice pairava, e o ar frio e pesado da noite envolvia a todos, como numa espécie de transe, transe de velório.

Mas o que eu faço com o meu diploma?

O encerramento da polêmica não faz terminar os questionamentos. Alguns perguntam o que farão com seus diplomas, conseguidos a duras penas. Ora, é preciso ter a clareza do alcance da decisão de ontem. O Supremo julgou a OBRIGATORIEDADE e não a VALIDADE do diploma. Isto é, não é mais preciso juntar o canudo para se conseguir o registro. Quem tem diploma expedido por uma instituição de ensino superior reconhecido pelo MEC continua tendo seu diploma, com validade e (por que não?) orgulho.

Repito: a decisão de ontem não enfraquece nenhum diploma. Enfraquece a categoria, na medida em que desregulamenta, na medida em que flexibiliza as regras para ingresso no mercado de trabalho. Antes, havia uma trava – o diploma -, agora, não há mais.

O que eu faço? Continuo o curso?

Mas claro que sim. Estudar não faz mal a ninguém. Quem faz universidade está investindo na própria formação, na própria qualificação profissional, e isso – com diploma obrigatório ou não – continuará a ser um divisor de águas na contratação de gente no mercado. Isto é, qualquer empregador quer sempre admitir o melhor profissional para a sua empresa. Se ele é melhor qualificado  – porque tem um diploma de jornalismo – do que o concorrente que tem ensino médio ou outro curso universitário, o empregador já sabe o que fazer.

As faculdades de Jornalismo vão fechar?

Difícil prever isso. São muitas, é verdade. Estima-se que mais de 400 pelo país. Talvez algumas não sigam adiante. Talvez nada se altere. Mas vamos ser sinceros: não era o decreto-lei 972/69 que fazia com que hordas de jovens se matriculassem nos cursos de Jornalismo. Era e sempre foi a vontade, o desejo, a expectativa de ser jornalistas. Então, não sei se a curto prazo a coisa deva se mover tanto. Um exemplo: a profissão de publicitário não exige diploma do curso para o seu exercício, e mesmo assim, esses cursos universitários são cada vez mais abundantes e cada vez mais atraentes, sendo dos mais disputados. Outras regras parecem vigorar…

A minha escola vai fechar por causa disso?

Abrir um curso universitário é muito complicado. Fechar também. Depende de muitos fatores, de um trâmite longo no Ministério da Educação, e de outros aspectos, entre os quais o da imagem da instituição de ensino. Nenhuma escola deve se orgulhar de fechar cursos, mas sim de abrir novas turmas. Por isso, um curso não se fecha do dia para a noite, até porque se assim o fizer, será alvo de uma torrente de processos dos alunos que se sentirão prejudicados. Por isso, qualquer precipitação agora é demasiada e desnecessária.

O Supremo agiu certo?

Pessoalmente, acho que os ministros demonstraram não conhecer a profissão, e que acabaram confundindo um direito amplo com o direito de exercício profissional. Como quem confunde direito à Justiça e direito de atuar como advogado.

Mas pra ser bem sincero, decidida a questão pelo STF, de que adianta continuar a argumentar e contra-argumentar, se o tempo não volta. Sou mais pragmático. E é necessário olhar pra frente. A derrota foi dura, mas não é a final.

O Supremo pode voltar atrás?

Não. A decisão está posta. O decreto-lei que regulamentava a profissão foi considerado inconstitucional. Para a Justiça, isso significa que ele é inválido. Logo, qualquer pessoa pode requerer seu registro profissional de jornalista sem o diploma.

Então, não há saída? A coisa acabou?

Mais ou menos. A saída não é pelo Judiciário, mas pelo Legislativo ou pelo Executivo. São eles que podem – por exemplo – formularem projetos de lei para uma nova regulamentação para a profissão. E se esse projeto tramitar no Congresso e se tornar lei, pronto: temos novas regras para a profissão.

A boa notícia é que isso pode estar já em curso. No final do ano passado, o Ministério do Trabalho criou um grupo que iria trabalhar na redação de uma nova regulamentação. Há cerca de um mês, o presidente da Fenaj, Sergio Murillo de Andrade, me disse que a coisa estava em banho-maria, penso que no compasso da decisão do STF. Fechado o capítulo no Judiciário, pela via política, haveria outros caminhos…

O mercado vai ficar pior?

É difícil dizer. Principalmente, num tempo em que é cada vez mais difícil enganar as pessoas. Por conta da internet e da cordilheira de informação que todos temos à disposição, a toda hora, pode-se desmintir qualquer um que queira aplicar um golpe. Fazer jornalismo é cada vez mais difícil. Vai depender de gente cada vez mais qualificada. Para a lei, não vai importar se essa gente terá diploma de Jornalismo ou não. Mas o fato é que nunca na história humana houve tanto interesse por informação e houve tanta informação à disposição. Isso requer tratamento técnico, especializado, adequado. Isso requer triagem, seleção, acuro, qualidade e credibilidade. Jornalistas são ainda muitíssimo necessários. Bons jornalistas são mais necessários ainda.

O jornalismo precisa se reafirmar. E talvez se reiventar. A ausência de diploma obrigatório trará novos componentes no cotidiano das redações, novas formas de atrito e de reacomodação de forças. O jornalismo continuará a ser necessário para as democracias, para a cidadania, para o desenvolvimento humano. Os profissionais que se ocupam disso, que se arriscam diariamente para obter informações, devem se orgulhar por este papel social que cumprem. Devem se orgulhar, mas precisam estar atentos, pois as mudanças são muito rápidas nesta área. Esta instabilidade provoca a vertigem e o deleite.

Para ir mais adiante…

Alec Duarte faz uma equilibrada análise de como fica a formação daqui pra frente. Cesar Valente aponta para dois possíveis caminhos, com a desregulamentação, e opta pelo mais otimista. Alberto Dines avalia que o STF errou tanto na extinção da Lei de Imprensa quanto com o expurgo da necessidade do diploma.

diploma de jornalismo não é mais obrigatório

O Supremo Tribunal Federal acaba de decidir que já não é mais obrigatório ter diploma de ensino superior para se obter o registro de jornalista. Caiu o diploma e a regulamentação profissional. Fiz cobertura pelo Twitter, mas amanhã – com a cuca mais fresca e o corpo mais refeito da gripe – escrevo algo aqui.

Agora, preciso dar minhas aulas… de Jornalismo.

diploma de jornalismo finalmente foi a julgamento

Depois de longa novela, o Supremo Tribunal Federal passou a avaliar o recurso extraordinário que contesta a obrigatoriedade de diploma de jornalismo. Como a gripe me derrubou, não escrevi nada aqui. Mas estou tuitando da cama… coisa de gente doente mesmo!

Sigam-me os bons!

diploma de jornalismo: previsão de adiamento

O julgamento da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo está previsto para a sessão de hoje no Supremo Tribunal Federal. Mas conforme já adiantei aqui, ele pode não acontecer. Houve mesmo a inclusão da discussão sobre o caso Goldman e a decisão sobre o diploma é o terceiro ponto de pauta. Quem abre a sessão desta quarta é o ministro Joaquim Barbosa, relator de outro processo polêmico, o do Mensalão.

Então, com dois assuntos cabeludos no início da tarde e com a iminência do feriado de Corpus Christi, acho que o ministros do Supremo devem mais uma vez adiar a decisão sobre a polêmica do diploma…

[Espero estar errado quanto a isso. A sessão poderá ser acompanhada pela TV Justiça (canal 53-UHF, em Brasí­lia; SKY, canal 117) e pela Rádio Justiça (104.7 FM, em Brasília). Começa às 14 horas.]

julgamento do diploma é remarcado, mas pode não acontecer

Foi incluída na pauta do Supremo Tribunal Federal a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. De acordo com o STF, o julgamento da polêmica está marcado para a sessão de 10 de junho, mas existem fortes chances de ele não acontecer na data marcada. Dois fatores podem provocar isso.

Primeiro. A pauta da tarde de 10 de junho começa com a discussão da Ação Penal 470, que tem como réus José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno, Luiz Gushiken, entre outros. Sim, é o processo do Mensalão. O relator é o ministro Joaquim Barbosa.

Uma segunda razão que pode postergar ainda mais a decisão sobre o diploma do jornalismo – e temida pela Fenaj – é a discussão sobre o caso Goldman, o do menino cuja guarda está sendo reivindicada pelo pai norte-americano. Segundo a assessoria do STF, o

o ministro Marco Aurélio concedeu liminar para impedir que o garoto brasileiro S.R. G. fosse entregue nessa quarta-feira ao consulado dos Estados Unidos aos cuidados de seu pai biológico David Goldman. A decisão de Marco Aurélio se deu na análise de liminar na ADPF 172 ajuizada pelo Partido Progressista (PP). Agora, ela precisa ser referendada pelos demais ministros, no Plenário.

Pela urgência do caso Goldman, sua análise deve ser prioritária e alterar a pauta do dia 10. O julgamento do diploma – segundo ponto da pauta – deve mais uma vez ser adiado…

uma falsa questão para a comissão das diretrizes curriculares em jornalismo

pingos_nos_isApós uma oportuna jornada de audiências públicas envolvendo diversos setores interessados da sociedade, a comissão de especialistas que trabalha na reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo trabalha para finalizar um documento-síntese sobre o tema. O texto deve ser encaminhado ao Ministério da Educação em meados de agosto, para avaliação e tramitação no Conselho Nacional de Educação. Entre a versão da comissão e o texto final das novas diretrizes, muita coisa pode acontecer. Há quem ainda peça mais tempo para discussão e reflexão sobre o tema – é o caso da Fenaj -, mas sabemos todos que mudanças nos cursos de Jornalismo são ansiadas e até mesmo urgentes.

A comissão trabalha nas sugestões feitas, e talvez não seja mais possível agregar novas contribuições. Por isso, apenas sinalizo aqui um temor pessoal nas últimas rodadas de discussão que li em sites e blogs. Receio que ganhe cada vez mais relevo um aspecto que, na minha forma de ler, é uma falsa questão para a comissão de especialistas.

Nas últimas semanas, muito decorrente da terceira audiência pública promovida pela comissão, diversos atores sociais manifestaram suas preocupações com uma formação mais humanística nos cursos de Jornalismo. Mais que isso, frisaram da necessidade de se construir currículos com fortes doses de disciplinas desse naipe, de maneira a garantir formação mais amplas e sólidas aos novos jornalistas.

Penso que essa é uma falsa polêmica, uma falsa questão para o tema.


Desvio de função

Estive em São Paulo na terceira audiência e percebi uma clara tendência de sugestões em torno de conteúdos a serem incluídos nos currículos dos cursos de Jornalismo. Diversos colegas que usaram o microfone se restringiram a defender certas unidades de ensino e disciplinas em detrimento de outras, e muitas dessas sugestões são realmente muito bem vindas. No entanto, não era o caso de fazê-las ali. E por uma questão simples: a comissão que trabalha nas diretrizes NÃO VAI DITAR NOVOS CURRÍCULOS para os cursos. A comissão vai elaborar um texto que sinalize orientações mais gerais de formação. Daí que o documento das atuais diretrizes curriculares sinalize perfis desejáveis para os egressos dos cursos e competências e habilidades a serem perseguidas e desenvolvidas.

A LDB prevê as diretrizes, e essas diretrizes apontam os focos de formação esperados. Cabe aos gestores – coordenadores e coordenadores pedagógicos – estruturarem seus currículos de forma a satisfazer tais diretrizes. Por isso que as sugestões de conteúdo – embora ricas e interessantes – feitas na terceira audiência pouco importam à comissão. Se os especialistas se detiverem a listar conteúdos para rechearem currículos, estaremos retornando à lógica dos currículos mínimos dos anos 1980 e incorrendo num tremendo desvio de função da comissão.

Sei que esse risco é pouco provável. Na terça, 26 de maio, o presidente da comissão, José Marques de Melo, disse no programa televisivo do Observatório da Imprensa que não cabia àquele colegiado ditar novos currículos para os cursos. Mesmo sabendo que a comissão está consciente desse papel, é importante tornar muito claro o alcance de um documento como o das diretrizes curriculares.


Mais humanidades. Mais?

O coro ouvido nas últimas semanas clamou para que os cursos de Jornalismo contemplem uma formação mais humanística. Acho importante e oportuna a sugestão. Entretanto, ela precisa ser colocada em perspectiva para que se possa avaliar a sua real pertinência. Proponho ao leitor que pense em cinco escolas de Jornalismo no Brasil. Peço então que entre em seus sites e que acesse suas matrizes curriculares, seus ementários ou – quem sabe? – seus projetos pedagógicos. Notem a proporção de disciplinas específicas para a formação jornalística e as que poderiam ser classificadas como disciplinas mais amplas, de sustentação e formação humanística.

Posso afirmar que quaisquer que sejam as escolas listadas pelo leitor, em todas elas veremos disciplinas como Sociologia, Antropologia, História, Filosofia, Psicologia, entre outras. Veremos a clara preocupação de oferecer saberes de base para que os futuros jornalistas estejam preparados para analisar cenários e compreender realidades. Veremos também algumas tentativas de conexão entre essas unidades de conhecimento com a prática jornalística. Pois bem. Não é demais dizer que as humanidades fazem parte da formação oferecida nos cursos de Jornalismo, e eu estenderia isso a todo o Brasil. Venho desenvolvendo uma pesquisa sobre ensino de deontologia jornalística entre os cem cursos mais tradicionais do país. Isso tem me obrigado a analisar matrizes curriculares e ementas, e o que venho encontrando – entre outras coisas – é esta presença bem evidente de disciplinas de humanidades.

Com isso, pergunto: se os cursos já oferecem doses elementares de humanidades, precisamos valorizar ainda mais esse tipo de formação? Essa formação ampla é mais importante que a específica, voltada ao exercício profissional? Existe fórmula para equilibrar esses termos da equação?

Ana Arruda Calado, no mesmo programa do Observatório da Imprensa, foi pontual na questão: o problema não está na quantidade desses conhecimentos, mas na integração das formações humanística e específica. Isto é, precisamos trabalhar melhor nossas matrizes curriculares, nossas ementas, nossos planos de ensino, de forma a fazer com que as humanidades não sejam mais adereços nas situações de sala de aula, mas se amalgamem com as práticas da profissionalidade. Neste sentido, estendo o mesmo raciocínio para a falsa dicotomia teoria-prática, que também carece de mais atenção por professores e supervisores pedagógicos.

Cinismo e injustiça

Pareceu-me que o argumento dos defensores de mais humanidades nos cursos de Jornalismo está baseado na generalização de que os novos jornalistas chegam às redações totalmente despreparados. Isso é possível sim. É plausível que os egressos que não tiveram experiências profissionais anteriores ou simulações pedagógicas dos desafios das profissões desaguem nas redações como quem não sabe a que veio. Mas isso não é “privilégio” dos cursos de Jornalismo. Em outras áreas, existem claras oportunidades de ensaio, de exercício, de estágio supervisionado. Jovens formados em Medicina precisam passar por tempo de residência; concluintes dos cursos de Direito estagiam em escritórios do ramo, bem como egressos da Engenharia não saem por aí assinando projetos…

Dos jovens jornalistas espera-se que saiam completos, maduros e competentemente formados para o trabalho. Esquecem-se que a lei que regulamenta a profissão impede o estágio na área, e que muitas escolas de Jornalismo não detêm bons laboratórios para atividades práticas que poderiam servir de ensaios profissionais. Mesmo assim, exige-se que os jovens jornalistas saiam plenamente aptos à lida cotidiana.

Não se trata de passar a mão sobre a cabeça dos egressos. Não. Defendo que os cursos de Jornalismo contribuam de maneira decisiva para a transformação de amadores em profissionais capacitados para a atividade. Defendo também que sejam cursos de qualidade, com alta exigência pela excelência técnica, com grande potencial para formar jornalistas críticos e conscientes, responsáveis e éticos. No entanto, é  – no mínimo – cinismo esperar que os egressos desses cursos saiam plenamente preparados para um mercado em transformação se tanto a formação acadêmica quanto seu entorno são incapazes de assegurar condições plenas de capacitação. Isso sem contar na idéia equivocada de formação restrita aos quatro anos de curso. Profissionais – e jornalistas não estão fora disso – devem estar em constante formação, reciclagem e aprimoramento…

Foco na formação

Mesmo que o argumento seja generalizador, cínico e injusto, ele nos ajuda a ajustar o foco da formação que se deve perseguir nos cursos de Jornalismo. Os jovens jornalistas chegam crus nas redações? As razões são muitas, mas os erros e deslizes que colhemos todos os dias não estão circunscritos apenas nos focas. Gente muito experiente tem derrapado por aí. E não por conta de formações humanísticas deficientes, mas sim por problemas de formação específica em jornalismo.

Jovens repórteres têm saído para suas matérias sem saber como e onde buscar informações. Muitas vezes, não sabem formular perguntas ou conduzir entrevistas. Jovens pauteiros elaboram pautas inconsistentes ou que pouco orientam repórteres. Editores, nem sempre jovens, penam em como articular os conteúdos e materiais que têm à disposição e que devem oferecer ao público.

Isto é, os egressos dos cursos de Jornalismo precisam ter acesso a disciplinas e conteúdos que lhe permitam ler cenários, compreender realidades, analisar circunstâncias. Estudantes de Jornalismo precisam ter aulas de Sociologia, mas não sairão sociólogos formados. Sairão jornalistas que precisam saber buscar informações, apurar, relatar com precisão e correção. Sairão jornalistas que devem inquirir sociólogos, antropólogos ou outras fontes de informação com rigor, atenção e foco.

Por isso, insisto, a defesa de conteúdos mais humanísticos nos cursos de Jornalismo é uma falsa questão. Não é o que a comissão busca. Os cursos já têm disciplinas dessa natureza, e nossos problemas de formação têm sido mais graves na capacidade dos jovens profissionais atuarem bem na especificidade da profissão.

diretrizes curriculares: um texto de eugênio bucci

O Observatório de Imprensa publicou há pouco (mais) um excelente texto de Eugênio Bucci, agora tratando dos debates sobre as novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Bucci participou da terceira audiência pública que a comissão que trabalha nas diretrizes convocou. E na ocasião, em pouco mais de dez minutinhos, lançou sugestões de conteúdos que deveriam preencher os currículos.

No texto do Observatório, Bucci amplia o escopo de sua fala. Vai além dos quatro eixos que havia formulado, e ainda reflete sobre o momento de crise do jornalismo, e o enfado nas universidades. Imperdível!

Leia aqui.

um relato da terceira audiência das diretrizes

A comissão de especialistas que trabalha na reforma das diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo concluiu ontem a etapa das audiências públicas que realizou com variados setores da sociedade. A terceira e última audiência aconteceu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São Paulo, e reuniu representantes de diversas organizações. “Foi a reunião mais densa e orgânica que tivemos”, avaliou o presidente da comissão, José Marques de Melo, após quase quatro horas de debates. “As duas audiências anteriores também foram bastante participativas, mas hoje a diversidade das falas enriqueceu bastante o processo”.

Marques de Melo se referia às quase trinta organizações presentes, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) a Unesco e Instituto Ethos, passando pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos)  e Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).

As manifestações das organizações, e as sugestões da platéia foram recolhidas pela comissão, que já iniciou a sistematização das informações para a redação de um documento que se pretende resultar no das novas diretrizes. Se antes o prazo de conclusão dos trabalhos era 3 de junho, agora estendeu-se até 12 de agosto, informou a representante do Ministério da Educação Cleonice Matos Henn.

Formação humanística
Não apenas entre as entidades participantes, mas também entre convidados, um tema foi repetido quase à exaustão durante a audiência: a necessidade de reforçar a formação humanística nos cursos de Jornalismo. Foi o caso dos jornalistas Caio Tulio Costa e Eugenio Bucci, que abriram a sessão de manifestações. Para eles – cada um a seu modo -, as escolas precisam retomar conteúdos que contribuam para uma formação mais clássica dos jornalistas, de modo a não apenas se capacitarem a executar tarefas práticas e cotidianas da profissão. “A formação do profissional multimídia não pode acontecer afastada de uma formação humanística”, afirmou Caio Tulio.

Eugenio Bucci criticou a organização atual das disciplinas nos currículos – jornalismo impresso, televisivo, etc… -, argumentando que essa disposição já não mais dá conta das demandas formativas. O professor de Ética da USP citou eixos que poderiam sustentar uma formação ideal na sua visão: Linguagem, Democracia, Formação Humanística e Formação em Teorias da Comunicação. Os conteúdos relevantes para formar novos jornalistas perpassariam esses eixos de forma mais fluida e sistêmica.

Curso complementar ou não?

Outro tema palpitante na audiência foi a própria natureza e modalidade dos cursos de Jornalismo a serem oferecidos no Brasil. Caio Tulio Costa, por exemplo, defendeu a proposta de profissionais formados em outros cursos fazerem especialização nas escolas de Jornalismo, habilitando-se a atuar nas redações. A proposta foi referendada por outras falas, entre as quais a da CNBB. Mas teve resistência bem marcada nas posições de Celso Schroeder, coordenador do FNDC, e de Valci Zuculoto, do Departamento de Educação e Aperfeiçoamento Profissional da Fenaj, que argumentaram pela garantia de formação específica em Jornalismo, e não a sua complementar.

Bem menos ligados à academia, alguns setores demonstraram forte preocupação quanto a oferta de cursos no país. Eduardo Ribeiro, da Mega Comunicação, comparou números de escolas e de egressos à tendência cada vez mais aguda de fechamento de postos de trabalho, e a consequente não absorção de grandes contingentes de recém-formados. Sérgio Gomes, da Oboré Comunicação, queixou-se da impossibilidade real de conciliar os conteúdos e competências desejáveis aos novos jornalistas com as condições encontradas nas escolas e na vida contemporânea.

Dispersão e resultados

A audiência de ontem foi comemorada pelo presidente da comissão, José Marques de Melo, como um momento de diversidade e encontro de pensamentos distintos no debate sobre as diretrizes curriculares. A pluralidade das organizações presentes e a possibilidade de manifestações livres enriquece, mas também fragmenta a discussão.

Nas quase quatro horas de audiência, falou-se de tudo: dos conteúdos desejáveis nos currículos à necessidade de maior fiscalização do MEC sobre os cursos; da urgência da democratização da comunicação ao papel central da ética na formação dos jornalistas. Houve até quem se perdesse, como o representante da ONG Amigos da Água que, em tom alarmante, falou da extinção da humanidade por causa da escassez do recurso; ou ainda como um angustiado repórter fotográfico, que se queixou de como o sindicato dos jornalistas vem permitindo a entrada de profissionais totalmente despreparados no mercado de trabalho.

Audiência públicas são relevantes, mas também são um perigo, pois podem descambar para um festival de catarses ideológicas, de reclamações descabidas e inoportunas, e de outros desvarios. Não foi o caso de ontem, talvez até pelo adiantado da hora e do cansaço evidente de todos.

Audiências como esta têm muito mais significado político do que prático e operacional. Nessas ocasiões, as organizações têm a liberdade de se manifestar e marcar posições, ancorando seus discursos em plataformas mais evidentes. Do ponto de vista prático, a comissão de especialistas teve a oportunidade de recolher contribuições, referendou o processo de debate público e concluiu uma importante etapa em seus trabalhos: ouvir os setores interessados e receber informações e sugestões.

A partir de agora, a comissão deve trabalhar em cima de uma massa considerável de dados, precisando inclusive tomar algumas decisões que venham a orientar o documento que será encaminhado ao MEC. Esse documento ainda não é o que sintetiza as diretrizes curriculares, já que é preciso que o Conselho Nacional de Educação analise e edite essas normativas. Como disse José Marques de Melo no final da audiência de ontem, não se deve alimentar ilusões de que o caminho esteja no final e ele seja tranquilo. De nada adianta termos diretrizes curriculares bem construídas se a sociedade não fazê-las acontecer. Marques de Melo sabe do que está falando e há muito chão pela frente…

10 links incontornáveis sobre jornalismo

No Poynter Online, Roy Clark escreve sobre o quinto poder e o futuro do jornalismo

Carlos Castilho reflete sobre o uso de fontes anônimas no jornalismo e nas novas mídias

Elizabeth Zwerling aponta novos rumos para as escolas de jornalismo com o suposto ocaso dos jornais

Steven Johnson e Paul Starr debatem sobre o futuro do jornalismo

O episódio envolvendo a Veja por ter usado material do Wall Street Journal nos leva a perguntar o que define plágio no jornalismo?

Um relatório americano dá dicas de como “salvar o jornalismo”

No Washington Post, Bruce Brown e Bruce Sanford tratam de leis que poderiam salvar o jornalismo

O estudante Josh Halliday arrisca o futuro do ensino de jornalismo

Roselyne Ringoot e Jean-Michel Utard falam de um jornalismo em invenção

Um jornal britânico pede desculpas ao público pelo seu mau comportamento

diretrizes curriculares: a proposta da renoi

A Renoi finalizou as discussões e redação de um documento que encaminhou ao professor José Marques de Melo, presidente da comissão que reforma as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo.
O documento pode ser lido aqui.

renoi vai à audiência das diretrizes

A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) participa na próxima segunda-feira, 18, da terceira audiência pública que discute reformas nas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. O evento acontece durante a manhã, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.
A exemplo de outras organizações, a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa foi convidada pelo Ministério da Educação e pela comissão de especialistas que lidera a discussão nacional em torno de um novo documento que oriente os cursos de graduação na área. A Renoi discute internamente um texto que apresentará com contribuições ao debate.
De acordo com informações do próprio MEC, a comissão deve concluir seus trabalhos e apresentar uma proposta de texto ao Conselho Nacional de Educação no início de junho.

Vou representar a Renoi no evento e farei um relato muito em breve. Quem sabe se as condições ajudarem, posto algo pelo Twitter também…

comissão das diretrizes pode ouvir notáveis

Miriam de Abreu, do Comunique-se, informa que a comissão designada pelo MEC para reformar as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo pode se estender além das audiências públicas que se encerram na próxima semana…

A Comissão do Ministério da Educação formada para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo avalia a possibilidade de ouvir nomes notáveis da área, como autores e jornalistas. O objetivo é colher o máximo de posições e perspectivas para que se possa apresentar ao MEC uma proposta consistente. O grupo deve conversar individualmente com essas pessoas, cujos nomes ainda não estão definidos.

As audiências públicas realizadas pela Comissão estão chegando ao fim. Os especialistas que fazem parte do grupo se reúnem na próxima segunda-feira (18/05) em São Paulo com segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais para ouvir suas sugestões.

Na agenda do MEC, consta que no dia 03/06 a Comissão vai avaliar todas as propostas oriundas dessas audiências e também das contribuições que chegaram por e-mail. Não se sabe ainda se o cronograma vai mudar, já que o grupo não decidiu se vai ou não ouvir individualmente nomes reconhecidos da área.

Em conversa com o Comunique-se em abril, o presidente da Comissão, José Marques de Mello, fez questão de enfatizar que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”.

Outra proposta que vai ser avaliada pela Comissão é a da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) sobre a realização de um novo encontro depois de 18/05 para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho dos especialistas que integram o grupo.

A próxima audiência será realizada das 9h às 12h, na OAB-SP.

fnpj intensifica coleta de sugestões para novas diretrizes curriculares do jornalismo

Não poderia ser diferente, mas a iniciativa merece destaque. O fato é que o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo está tomando a frente nos debates sobre as novas diretrizes curriculares para os cursos da área. Não poderia ser diferente porque se trata de uma entidade que congrega professores, gente ligada diretamente ao ensino do jornalismo. Mas, como disse, merece destaque pelo empenho dos envolvidos.

A seguir, reproduzo comunicado assinado pelo diretor editorial e de comunicação do FNPJ, Paulo Roberto Botão.

Em reunião de diretoria mantida em Belo Horizonte na última semana, após o término do XII Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, a diretoria do FNPJ decidiu manter a coleta de sugestões ao documento “Proposta do FNPJ para a reformulação das diretrizes curriculares em Jornalismo”.

Aprovado na assembléia de encerramento do Encontro Nacional, o documento servirá para balizar as discussões sobre as diretrizes curriculares, que devem prosseguir pelo menos até o dia 18 de maio, quando está programada para acontecer, em São Paulo, a terceira audiência pública proposta pela Comissão do MEC que estuda o assunto. A assembléia do FNPJ também aprovou indicação para solicitar novas audiências à comissão de especialistas nomeada pelo governo, a fim de que a mesma submeta a sua proposta à comunidade.

O Fórum também continuará acompanhando o assunto e aprofundando as discussões no âmbito de uma comissão de entidades do campo do jornalismo, que tem também representação da Fenaj e SBPjor.

A proposta do FNPJ pode ser lida no blog consulta instituído para receber contribuições e comentários, no seguinte endereço: www.diretrizesjornalismofnpj.blogspot.com.

Os professores e demais interessados que quiserem apresentar propostas podem fazê-lo diretamento no blog, ou através de e-mails criados para direção do FNPJ: diretrizesjornalismo@fnpj.org.br e dirfnpj@gmail.com.

O prazo definido para o recebimento de críticas e sugestões vai até o dia 18 de maio.

Após esta data e considerando já os debates da última audiência pública, uma comissão interna do Fórum vai implementar eventuais alterações ao texto inicial e finalizar um novo documento, a ser encaminhado à Comissão do MEC.

diretrizes dos cursos de jornalismo: a segunda audiência

Aconteceu hoje de manhã, em Recife, a segunda audiência pública convocada pela comissão de especialistas que trabalham para reformar as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Jornalismo. No final de semana, o professor Alfredo Vizeu – membro da comissão – informou que o evento teria transmissão para todo o Brasil, de forma a ampliar o alcance das discussões. O blog do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade anunciou que sediaria a transmissão, mas acho que “tivemos problemas, Houston”. Não houve transmissão por canais de áudio ou vídeo, e os operadores do blog atualizavam as notícias colando uma em cima da outra, impedindo a geração de um histórico das matérias. Cheguei a postar comentários por lá, mas não cheguei a ter nenhuma resposta se era assim mesmo ou se eu havia me confundido. No Twitter, outros colegas se queixavam também da sistemática que acabou sendo frustrante.

No final, mais uma vez, a audiência pública – que desta vez deveria ouvir profissionais e empresas – ficou restrita a quem estava por lá. Uma pena.

(ATUALIZAÇÃO de 25/04/2009: Alfredo Vizeu entrou em contato para saber mais detalhes das falhas detectadas. A professora Adriana Santana, que coordenou o trabalho de alunos da UFPE na cobertura, reconheceu que houve problemas, e atribuiu os bugs ao sistema de postagem do WordPress, onde está hospedado o blog. Os alunos chegaram a postar fotos e vídeos que sequer chegaram à rede, conta a professora que já estuda outras sistemáticas de cobertura, como o próprio Twitter)

Até o meio da tarde de hoje – são 15 horas! -, nos sites da Fenaj, do Sindicato de Jornalistas de Pernambuco e em outros meios nada traziam sobre a discussão desta manhã, ficando apenas no anúncio do evento em Recife. Quem trouxe matéria é o Comunique-se. Veja abaixo a matéria assinada por Miriam Abreu:

Comissão do MEC quer garantir liberdade curricular dos cursos de Jornalismo

O Presidente da Comissão formada pelo Ministério da Educação para aplicar novas diretrizes curriculares aos cursos de Jornalismo, José Marques de Mello, deixou claro que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”, explicou ele ao Comunique-se, ao término da audiência realizada na manhã desta sexta-feira, no Recife.

Ele avaliou como produtivo o encontro com representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais. “Todos nos trouxeram propostas concretas do perfil do novo jornalista, das competências deste profissional”.

O presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, apresentou um resumo das sugestões da entidade para o estimulo à qualidade do ensino do jornalismo (leia na íntegra aqui). “Somos contrários à dupla formação, à complementação da formação, favoráveis ao curso específico dentro do campo da comunicação. Pedimos também uma audiência depois da que será realizada em São Paulo, em 18/05, para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho desse grupo de especialistas”, contou Murillo.

Ele lamentou a ausência de representantes das entidades patronais, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert). “Espero que essa ausência não signifique que essas entidades sejam contra a formação superior, já que são contra a obrigatoriedade do diploma. Acho um desrespeito ao trabalho que esse grupo voluntário está desenvolvendo no sentido de qualificar o ensino no País”.

“Na verdade essa ausência não significa boicote. As entidades patronais têm mandado sugestões, não estão ausentes. Nem sempre as datas das audiências são viáveis para todos”, respondeu Mello.

As audiências têm sido um avanço, na avaliação do presidente da Comissão. Ele está ciente de que há posições contrárias e deixou claro que o grupo vai estabelecer diretrizes “consensuais, que atendam à sociedade”.

Sobre as contribuições recebidas por e-mail até 30/03, ele conta que o grupo já leu as sugestões. “Há muita coisa pontual, repetitiva. Uma equipe do MEC está fazendo uma grade com essas contribuições”.

encontro de professores, só pra fechar

Terminou ontem em Belo Horizonte o 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo. Para um rapidíssimo balanço pessoal, lanço seis itens:

* Ainda persistem queixas e reclamações sobre o sistema eletrônico de submissão de trabalhos para o evento. O SOAC não é prático, amigável e dá bugs. Eu mesmo tive seriíssimos problemas para postar meu texto. A diretoria sabe do problema e estuda soluções para a questão. O SOAC não apenas ajuda a gerenciar o processo de sumissão e avaliação dos trabalhos, mas também é uma ferramenta de administração do evento.

* O encontro foi bem organizado e com uma programação intensa. Embora estivesse rolando em BH o projeto Comida Di Buteko – uma espécie de festival de quitutes em 41 bares -, não houve tempo para quase nada de passeio ou diversão. A organização do próximo poderia pegar mais leve e dedicar parte do período para alguma programação cultural.

* Conversei com diversos colegas que atestaram grande qualidade de boa parte dos trabalhos apresentados. O nível de discussão, de pesquisa e extensão sobre o ensino de jornalismo está se elevando…

* A presença dos convidados estrangeiros – de Portugal, Argentina, Colômbia e da Espanha – foi muito boa tanto em termos de contatos quanto no intercâmbio de idéias.

* A cobertura pelo twitter não foi apenas pra inglês ver. A professor Joana Ziller tomou as rédeas da coisa e fez um trabalho atento, ágil e muito importante para quem não estava por lá e queria estar informado.

* A assembléia do Fórum referendou a proposta de realizar em anos pares o Encontro Nacional e em ímpares os regionais. Este redimensionamento deve fortalecer os eventos e organizar melhor a agenda dos participantes.

pitadas do segundo dia de encontro de jornalismo

Eu que achava que o 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo seria encharcado de discussões sobre o diploma e sobreas novas diretrizes curriculares, acabei não errando. Mas também não acertei em cheio. A crise mundial e a crise identidade do jornalismo – por conta de mudanças estruturais e conjunturais – também são signos fortes nesses dias em Belo Horizonte.

Ontem, por exemplo, no primeiro painel do dia, as falas foram convergentes neste sentido. Baixou climão no auditório. Na sequência, o outro painel refrescou o ambiente, na medida em que os membros da mesa – Josenildo Guerra, Carlos Eduardo Franciscato e Marcos Palácios – trataram de pesquisa aplicada e perspectivas outras para o jornalismo.

Uma questão mineira

No redemoinho da crise, o jornalista Álvaro Teixeira da Costa, diretor dos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense e da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse no primeiro painel do dia: “Quedê a ética do jornalismo, sô?”

A indagação em bom mineirês é uma reação à luta intestina entre as emissoras de TV locais: alguns telejornais enfrentam como concorrência programas que apelam para tudo para ter audiência. “Tem um aqui que o apresentador se vestiu de Batman e estava sorteando salários mínimos pros telespectadores”, contou Teixeira da Costa.

GPs

Antes mesmo de Rubinho Barrichello correr no Grande Prêmio da China, houve GPs aqui em BH: os Grupos de Pesquisa, a ocasião em que os pesquisadores apresentam suas pesquisas, seus relatos, suas experiências. Estavam inscritos 76 trabalhos nos seis GPs do Encontro. Nem todos foram apresentados, e a presença de alunos de jornalista das três instituições organizadoras – UNA, UniBH e Faculdades Pitágoras – foi marcante e bem ativa.

A 12ª edição do ENPJ continua hoje com o 2º Colóquio Ibero-Americano de Ensino de Jornalismo. Os convidados são João Canavilhas (Universidade da Beira Interior, Portugal), Miguel Wiñazki (Máster em Jornalismo do jornal Clarín com as universidades de San Andrés, Colúmbia e Bologna, Argentina), Carlos Gerardo Agudelo Castro (Universidade de Antioquia, Medellín–Colômbia) e Sérgio Luiz Gadini (UEPG, Brasil). Gerson Martins faz a mediação.


A transmissão ao vivo pelo Twitter continua em http://twitter.com/12enpj

5 links pra pensar o ensino e o jornalismo

Como estamos em pleno Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, remexo as gavetas aqui e encontro cinco links que podem ser inspiradores a todos que se preocupam com a qualidade do ensino de Jornalismo, ou da educação em geral…

Em tempos de crise, colunista questiona papel da universidade na formação de jornalistas

Será que as escolas de Jornalismo pegaram o caminho errado?

É a hora de fechar as escolas de Jornalismo?

Literacias e letramentos para o século 21

A importância da presença física na educação

começa o encontro de professores em bh

Começou ontem a 12ª edição do Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, em Belo Horizonte. A conferência de abertura ficou por conta do professor Alfredo Vizeu (UFPE), um dos membros da Comissão de especialistas que trabalha sobre novas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Jornalismo.

Vizeu fez uma revisão histórica das “idas e vindas” dos atores envolvidos na busca por qualidade no ensino de Jornalismo no país. Sua função, reforçou, era mostrar que existe uma tradição, uma trajetória percorrida desde a década de 1940, com discussões sobre currículos, conteúdos e orientações pedagógicas. Os trabalhos da comissão continuam, informou Vizeu. Na próxima semana, por exemplo, Recife sedia a segunda audiência pública (de um total de três), que deve colher informações, sugestões e encaminhamentos de setores interessados na questão, assumidamente a academia e o mercado.

Selo de qualidade

Na esteira do aperfeiçoamento do ensino de Jornalismo, o Fórum Nacional de Professores trabalha numa proposta de Selo de Qualidade para os Cursos, adiantou ontem o presidente da entidade Edson Spenthof. A idéia ainda está em fase de discussão interna, mas deve apontar para uma ação positiva, de sinalização para a sociedade das experiências acadêmicas na área que devem ser destacadas pela sua qualidade na inovação de processos didáticos e de organização pedagógica.

Segundo dados do INEP, atualmente, existem quase 900 cursos de Comunicação no país, sendo 375 só de Jornalismo, enumerou Alfredo Vizeu.

Quadro da morte e a piada da noite

Entre os presentes à abertura, o presidente da Fenaj Sergio Murillo de Andrade voltou a falar da expectativa na categoria sobre a decisão do STF sobre a polêmica do diploma. Segundo ele, um veredicto deve sair nas próximas semanas, ainda neste semestre, sem um agendamento ainda. A projeção é que maio possa trazer os votos dos ministros do Supremo e encerrar esta etapa da discussão. A Fenaj não está apenas atenta a este episódio, mas vem acompanhando também os chamados reflexos da crise mundial nas redações.

A entidade vem fazendo um “quadro da morte”, estudo que contabiliza os desligamentos nas empresas jornalísticas desde o final do ano passado. Segundo Sergio Murillo, de lá pra cá, 206 jornalistas foram pra rua em todo o Brasil, sob a alegação de que a “marolinha” chegou aos departamentos de Recursos Humanos.

O número assusta, e não tem graça nenhuma. Mas para que este post não termine tão apocalíptico, repito a piada que meu amigo Josenildo Guerra contou ontem à noite. Segundo Josenildo, os intelectuais gremistas estavam em pé de guerra com o conceito de “intersubjetividade”. Disseram que até podem aceitar a noção se for criada também uma “gremio-subjetividade”.

PS – Josenildo dá os créditos da piada. Devem ser atribuídos ao também amigo Luiz Martins da Silva.

lei de imprensa volta a ser julgada dia 29; diploma pode ficar pra maio

A novela continua. O alerta vem do colega Tales Tomaz. Veja comunicado de imprensa do STF:

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar no dia 29 de abril o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, ajuizada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), que questiona a Lei de Imprensa (Lei 5.250/67). O julgamento foi suspenso na sessão plenária do dia 1º deste mês, quando o relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela procedência integral da ação. Para ele, a Lei de Imprensa não pode permanecer no ordenamento jurídico brasileiro, por ser incompatível com a Constituição Federal de 1988.

Naquela sessão, o entendimento do ministro-relator foi seguido pelo ministro Eros Grau, que adiantou seu voto.

Com isso e como outros nove ministros ainda não deram seu voto sobre a questão, a decisão pode se estender por toda a sessão do dia 29 e ainda respingar para o dia seguinte. O julgamento do STF sobre a polêmica do diploma, previsto como ponto de pauta seguinte, pode mesmo ficar para maio…

diretrizes curriculares: mais um relato

Há duas semanas, observei a carência de relatos sobre a primeira audiência pública que discutiu aspectos importantes para as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. O evento aconteceu em 20 de março no Rio. Recebi de membro da Comissão que lidera as discussões um email com um texto do professor, José Marques de Melo, sobre o assunto. Marques de Melo preside a Comissão, e o texto que reproduzo abaixo é uma versão da aula inaugural do curso de Jornalismo recém-criado na Universidade Federal de São João Del Rey (MG).

Por que reproduzo o texto? Ora, porque ele reforça a discussão sobre a reforma das diretrizes, e porque é assinado por alguém mais do que credenciado para este debate.

Ao texto, portanto!

Repensar o ensino de jornalismo para fortalecer a democracia[1]

Durante seis décadas o Brasil acumulou experiência na formação universitária de jornalistas, construindo uma matriz pedagógica que lhe confere singularidade no panorama mundial.

Mesclando o padrão europeu (estudo teórico) com o modelo americano (aprendizagem pragmática), logramos uma via crítico-experimental de ensino-pesquisa.

Entretanto, o jornalismo adquiriu maior complexidade, principalmente em função da convergência midiática e das transformações da sociedade.

Capitalizando meio século de imersão em atividades jornalísticas, tenho consciência de que o nosso ensino do jornalismo precisa ser reinventando para fortalecer a democracia. Por isso, aceitei a convocação do ministro Fernando Haddad para presidir a comissão encarregada de rever as diretrizes curriculares do curso de Jornalismo.

Formada pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação, a comissão tomou posse em Brasília, no dia 19 de fevereiro, decidindo preliminarmente debater a questão com os segmentos representativos da sociedade.

Metas e compromissos

Constituída por jornalistas com experiência no mercado e na academia [Fazem parte da comissão Alfredo Vizeu (UFPE), Eduardo Meditsch (UFSC), Lucia Araújo (Canal Futura), Luiz Gonzaga Motta (UnB), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sergio Matos (UFRB), e Sonia Virginia Moreira (UERJ)],  a Comissão de Especialistas foi criada para rever e atualizar exclusivamente as diretrizes curriculares do Curso de Jornalismo, dentro da área da Comunicação Social, focalizando dois aspectos: o perfil do jornalista demandado pela sociedade e suas competências ou habilidades profissionais.

Além de promover audiências públicas no Rio de Janeiro (academia),  Recife (mercado e profissão) e São Paulo (sociedade civil), a comissão vem mantendo canais abertos para dialogar com todos os segmentos da área, através das suas entidades representativas. Pela internet,  vem recebendo propostas e sugestões de todo o país. Cada audiência contempla, portanto, um segmento do universo jornalístico.

Realizada no Rio de Janeiro, no dia 20 de março, a primeira contou com a participação da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJOR, do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo – FNPJ, da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – COMPÓS, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação –  INTERCOM, Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação –  ENECOS, de alguns diretores de faculdades e coordenadores de cursos, além de professores, pesquisadores e estudantes.

Os empresários e os trabalhadores da área serão ouvidos, na cidade do Recife, no próximo dia 24 de abril. Os proprietários de empresas jornalísticas estarão representados pela Associação Nacional de Jornais – ANJ, Associação Nacional de Revistas – ANER, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT, Associação Brasileira das Assessorias de Comunicação – ABRACOM, etc. Por usa vez, a representação dos jornalistas se fará pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ e associações setoriais, como a Associação Brasileira de Jornalismo Científico – ABJC.

A sociedade civil se manifestará em São Paulo, no dia 18 de maio, através de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, Associação Brasileira de Imprensa – ABI, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais – ABONG,  movimentos de mulheres, afro-descentes,  e congêneres.

A comissão está aberta a contribuições de todas as entidades interessadas na melhoria da qualidade do ensino de jornalismo.  Pretendendo cumprir o cronograma previamente estabelecido, a equipe apela a todos os segmentos interessados para que enviem suas propostas e recomendações até maio, quando se encerram as audiências públicas.

Na primeira semana de junho, em Brasília, o grupo se reúne com representantes de órgãos vinculados ao Ministério da Educação para avaliar a natureza e a exeqüibilidade das recomendações  a serem propostas, antes de entregar seu relatório final ao ministro Fernando Haddad.

Balanço

A audiência do Rio de Janeiro foi muito produtiva. Há consenso sobre a questão da qualidade, e por isso mesmo surgiram propostas no sentido de que as diretrizes curriculares não se esgotem em si mesmas, mas incluam a avaliação de desempenho dos cursos e a fiscalização da suas condições de funcionamento. Por outro lado, ficou clara a necessidade de fortalecer a comunicação como grande área do conhecimento, à qual pertencem o jornalismo e outras áreas profissionais como publicidade e relações públicas.

Também aflorou a problemática da formação dos professores de jornalismo, demandando articulação com os programas de pós-graduação. Da mesma forma, foram anotadas propostas para assegurar oportunidades de estágio  aos formandos,  nas empresas do ramo, bem como o incentivo à iniciação científica para fomentar a pesquisa desde a graduação. Destacou-se, finalmente, a responsabilidade de repensar o jornalista como profissional que tem papel decisivo na consolidação e aperfeiçoamento da sociedade democrática.

Ao ser entrevistado pelos repórteres que cobriram a audiência pública do Rio de Janeiro, tive oportunidade de reiterar algumas questões, a seguir resumidas.

As minhas idéias sobre a formação dos jornalistas estão contidas  nos livros que publiquei, sobretudo os mais recentes: Jornalismo Brasileiro (Sulina, 2003), Teoria dó Jornalismo (Paulus, 2006), Vestígios da Travessia: da imprensa à internet (Paulus, 2009), Jornalismo, forma e conteúdo (Difusão, 2009) e Jornalismo, conhecimento e reinvenção (Saraiva, 2009).

Seus parâmetros pedagógicos foram testados no Curso de Jornalismo que fundei em 1967 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA-USP, mas também aplicados no Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, onde trabalho atualmente. Trata-se de modelos que, durante vários anos, servem de referência para tantos outros cursos em todo o país. Além de atualizada formação teórica e experimentação pratica, no campo do jornalismo, o futuro profissional deve ter uma sólida formação humanística (geral ou especializada).

Contudo, o maior desafio que deve enfrentar o jornalista diplomado é de natureza ética. Ser fiel à destinação do jornalismo como serviço público, sem perder de perspectiva as inovações tecnológicas que atualizam constantemente seus gêneros e formatos, garantindo plena interação com as demandas da sociedade.

Perspectivas

Amparados em princípios que preservem a vocação educativa e missão civilizatória do jornalismo, além de balizados pela cidadania e comprometidos com a preservação da democracia, os novos profissionais não podem ignorar as forças que atuam nos bastidores da profissão, tanto as econômicas quanto as políticas.
Nesse sentido, torna-se fundamental exercer vigilância para assegurar a qualidade, a diversidade e a liberdade nos processos de formação acadêmica.

Quero, a título de conclusão, anotar alguns princípios que podem ajudar nessa tarefa.

Tenho consciência de que formar profissionais responsáveis e competentes constitui dever inquestionável dos cursos de jornalismo.

Creio também que esses cursos devem praticar a diversidade, preservando as diferenças regionais e dialogando com as organizações onde os formandos irão exercer a profissão.
Defendo finalmente um modelo de universidade mais aberto e menos engessado, capaz de assegurar liberdade aos estudantes.  Somos legatários de uma tradição cartorial, mantendo programas de ensino que enclausuram os jovens ingressantes em grades curriculares compulsórias.

O direito de mobilidade, dentro do campus, não pode ser manietado, principalmente numa conjuntura em que as fronteiras do conhecimento estão em processo de mutação.

São estes, na minha maneira de ver, os requisitos básicos para formar profissionais competentes, criativos e empreendedores.

Desejo firmemente que eles possam servir como eixos norteadores deste Curso de Jornalismo que a Universidade Federal de São João del Rei em boa hora decidiu criar, sob a responsabilidade de um corpo docente idealista.

Não tenho dúvida de que esse resultado será atingido plenamente, tendo em vista a sabedoria do reitor Helvécio Luiz Reis ao confiar a  liderança do Curso de Jornalismo ao Prof. Dr. Guilherme Rezende, cuja trajetória acadêmica acompanho há mais de 30 anos. Trata-se de intelectual admirado por todos, não só pela tranqüilidade, seriedade, disciplina e motivação, mas, sobretudo,   por seu cativante humanismo, temperado pela generosidade peculiar ao modo de ser mineiro.