um selo de ética para a web?

Patrick Thornton vem com a idéia de um selo de ética para sites na internet. O conceito dialoga com as preocupações de várias pessoas em torno de uma web com mais transparência, qualidade e confiabilidade. Segundo explica o próprio Thornton, a coisa funcionaria como as licenças de Creative Commons, já que estamos falando de internet e tratando de comunidades virtuais, redes sociais de pessoas que atuam na web.

Seriam cinco categorias, e cada uma delas teria níveis diferentes:

For instance, your blog could say that you do not accept anonymous sources, while I might accept anonymous sources as long as two-independent sources confirm the same information. This will create a lot of freedom for people to customize their specific ethics policy within our open source framework.

As categorias:

  1. Sourcing
  2. Objectivity/advocacy/opinion journalism or opinion
  3. Linking
  4. Copy editing/fact checking (does a second person fact check?)
  5. Conflicts of Interests.

O proponente do selo de ética diz que vários motivos estimulariam cada blogueiro ou dono de site a buscar certificar seus domínios na web com a nova rotulagem: transparência, marketing, satisfação dos usuários, por exemplo.

Mas a idéia, frisa o Thornton, está apenas tomando forma. Ele pede para que as pessoas divulguem o conceito, que mandem sugestões por email ou participem do online ethics wiki.
O que eu acho disso tudo?
1. O projeto parece bem intencionado. Mas desde Dante Alighieri sabemos que “o inferno está cheio de boas intenções”. Isto é, nada garante que ele tenha sucesso, que mude uma cultura, que seja incorporado pelos usuários, que se materialize em algo bom para a web e para as pessoas.
2. O projeto tem qualidades. A idéia tem o mérito de ser afirmativa, de apontar o que deve ser destacado na web por seus valores intrínsecos e não estratégias de visibilidade e outros mecanismos. O blog ou site deveria reunir condições e características que o distinguissem por valores e conteúdos relevantes, o que – em tese – tenderia a separar bem o joio do trigo.
3. O projeto toca em pontos nevrálgicos na web e ainda pouco explorados. O tema da ética é altamente polêmico. É um assunto que todos dizem defender ou gostar, mas pouca gente estuda e trabalha por ele. Sejamos francos. Também contaminam as discussões diversos interesses (inclusive conflitantes), uma carga pesada de subjetivismo, doses generosas de ceticismo e cinismo. Mas acho importante alguém colocar a cabeça para pensar e se arriscar para trazer esse tema para a discussão. O caso mais ruidoso e recente de que me lembro foi o de Tim O’Reilly que propôs um código de ética para a blogosfera e foi bastante rechaçado.
De qualquer forma, é uma idéia a ser discutida. Vai dar certo? Não tenho tanta certeza. Vai ter adesão? Penso que alguma. Vai ser implementada? Quem vai dizer será a comunidade…

google nos deixa mais burros?

Joel Minusculi me falou de uma pesquisa que mostraria que a internet nos deixa mais burros. O texto saiu na Época Negócios (aqui) e, em resumo, menciona artigos de Nicholas Carr. Para ele, a internet vem modificando nossos cérebros e afetando nossa memória e resistência de leitura. Isto é, por conta do Google e Cia., não conseguimos ler textos mais longos. Ok, um prato cheio para quem quer satanizar as novas tecnologias.

Os argumentos de Carr são curiosos, interessantes, mas não me convenceram. Eu gostaria de ler a íntegra das pesquisas – cujos textos devem certamente ultrapassar dez ou quinze página – para me certificar…

(Se você, como eu, foge à regra de Carr, leia o texto dele que iniciou essa polêmica. Eu aviso: não é um texto curto)

pesquisa mostra que crianças digitais são “multitarefas”

O canal televisivo pago Cartoon Network realizou uma pesquisa com 7 mil usuários de seu site, entre 7 e 15 anos, e chegou a resultados impressionantes sobre os usos e apropriações desses meninos e meninas da tecnologia e de atividades cotidianas. A conclusão mais ruidosa é de que 73% dos sujeitos da pesquisa têm o hábito de combinar o uso de diversas tecnologias ao mesmo tempo, revelando um comportamento “multitarefa”. Realizada todos os anos, a pesquisa Kids Experts acompanha o comportamento infanto-juvenil. 

A idéia do estudo é entender como os pequenos “nativos digitais” consomem diferentes meios enquanto fontes de informação e ferramentas de entretenimento, desvendando seu lado multitarefa – o hábito que as crianças têm de utilizar mais de uma ferramenta e executar mais de uma atividade ao mesmo tempo: baixar arquivos enquanto falam com os amigos pelo MSN, terminar um trabalho de escola enquanto postam scraps no Orkut, jogar videogame enquanto ouvem música.

Para auxiliar na obtenção dos resultados, também foi utilizado o método qualitativo batizado de “observação com registro”, no qual as mães de meninos e meninas registravam em um diário, durante quatro dias, as atitudes de seus filhos em relação aos mais diversos aparatos.

Outras conclusões da pesquisa:

– Uma em cada cinco crianças já postou algum vídeo no YouTube;

– Crianças entre 6 e 8 anos usam a tecnologia de forma mais passiva, com foco no entretenimento, fazendo atividades que não exijam a divisão da atenção;

– Entre 9 e 11 anos começa a existir maior interação, com busca também por informação – é quando acontece o pico da utilização dos videogames pelos meninos;

– A partir dos 12 anos, a comunicação também passa a ser elemento primordial, com a criança dominando totalmente as ferramentas. Nesta fase, elas conseguem executar até oito combinações diferentes entre tecnologias;

– A TV é o primeiro aparelho com o qual as crianças têm contato e está presente durante toda a infância, mas a música em aparelhos como rádio e MP3 players surge logo depois e ocupa espaço permanente;

– O computador cresce em influência a partir dos 9 anos e se transforma justamente no equipamento mais usado em combinação com outros, registrando presença em 57,5% das combinações entre meios;

– O celular é o equipamento que tarda mais a ser incorporado, já que seu uso regular aparece entre os 9 ou 10 anos. O estudo sinaliza ainda que o celular pode cada vez mais assumir um papel importante como integrador de todas as tecnologias.

– Mais de 70% das meninas pesquisadas usam programas de comunicação instantânea, sendo que 46% das meninas usam o MSN todos os dias e 22% passam de uma a duas horas conversando por meio do software;

– Nas comunidades online (Orkut, Facebook, MySpace), as meninas também dominam: 66% delas são membros, mantendo uma média de 80 contatos;

– Nas redes sociais, as crianças têm em média 23 amigos que não moram na mesma cidade, sendo que 73% diz que em suas listas de amigos têm mais pessoas que conhecem pessoalmente;

– 23% das meninas têm blog, fotolog ou videolog;

– 75% dos meninos têm videogame, sendo que o Playstation é o console favorito;

– Em comum, meninos e meninas entram em contato com o mundo digital cedo: 77% das crianças entre 7 e 9 anos entraram pela primeira vez em um site de comunidade online quando tinham entre 5 e 8 anos de idade;

– Duas em cinco das crianças pesquisadas já trocaram com amigos algum conteúdo de mídia na web (música, vídeo, fotos);

Para ler matéria do Rio Mídia sobre a pesquisa, clique aqui.

Para saber mais como “funciona” a chamada Geração Multitarefa, veja matéria do espanhol La Vanguardia.

EM TEMPO: Por falar em geração multitarefa, Paco Tejero comenta o livro de Jeroen Boschma – La generacion Einstein -, lançado recentemente e que aponta esta “nueva generación de jóvenes más intelligentes, más sociables y más rápidos”. Mas Paco Tejero é bem crítico quanto a isso. Aliás, Alex Gamela faz o mesmo, se perguntando: será que nossos alunos de jornalismo estão preparados para o que vislumbramos em nossos cursos e disciplinas? 

livros grátis no monitor de mídia

O Monitor de Mídia disponibilizou mais três e-books, reunindo boa parte de sua produção desde 2001. TODOS DISPONÍVEIS NA SEÇÃO BIBLIOTECA MONITOR.
Jornalismo: a tela, a lousa e a quadra
128 páginas (2,2 Mega)

 Ética e Mercado no jornalismo catarinense
152 páginas (4,46 Mega)

 Jornalismo: Olhares de dentro e de fora
141 páginas (4,1 Mega)

ética na web, um evento

Mais informações em http://eticanarede.blog.terra.com.br

livros de graça… em 50 sites!

O Education Portal disponibilizou endereços de cinquenta sites na internet que permitem baixar livros completos gratuitamente e em diversos idiomas.

As referências estão divididas em “Livros de Ficção e Não-Ficção”, “Livros-Texto e Livros de Educação”, “Áudio-books” e “Livros de referência”.

Veja e baixe!

controle da internet brasileira: uma entrevista

Joel Minusculi entrevistou o Sérgio Amadeu para o Monitor de Mídia. O assunto ainda é o controle que alguns “nobres parlamentares” querem impor à internet brasileira.

Ficou curioso? Vai lá ler!

faxina de links

O que os jornalistas da CNN não podem fazer

O prisma da conversação na web

A cara do jornalismo no futuro

Para ler e guardar…

a vanguarda científica joga videogame

É um comportamento padrão entre os gestores de redes nas universidades: implantarem filtros, restringirem acesso a conteúdos “impróprios” e “inadequados”, bloquearem blogs, orkuts, youtubes e outras traquitanas.

Já sofri e sofro com isso.

Nada contra a segurança nas redes, mas a coisa tem que ser inteligente, feita por gente competente… senão, fica um instrumentozinho de poder…

Como será que os principais centros de excelência no mundo fazem?  Como será que o Cern cuida da sua rede de dados? Como será que o MIT faz?

Olha, não sei. Eles devem se cuidar, mas com certeza há menos caretice por aí. Só sei que numa das principais empresas de tecnologia do mundo – a Google -, os funcionários têm um dia da semana para se dedicar a projetos pessoais, que em outra – a Microsoft -, há salas de jogos divertidíssimas, e que num dos principais centros da vanguarda científica – o MIT -, o pessoal estuda e joga videogames. Ah! O curso de Teoria e Análise de Games é aberto e você pode baixar os materiais gratuitamente

senado aprova projeto de azeredo. e agora?

Direto ao ponto. O senado aprovou nesta madrugada o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que muito contribuirá para penalizar boa parte da internet brasileira. A reação da blogosfera foi imediata. Tem muita gente que foi ao teclado pra avaliar os estragos.

Pedro Doria faz um equilibrado mas nada alentador balanço:

Agora o projeto vai para a Câmara. Havia um erro na descrição do tramite por lá, no último post. Não passa por nenhuma comissão, não pode sofrer emendas. Vai a plenário simplesmente. Os deputados só têm direito a veto. Isto quer dizer que podem vetar um parágrafo (ou um artigo) e aprovar o resto.

Será difícil.

Tramitou rápido no Senado porque a maioria dos parlamentares não se deram ao trabalho de compreender a fundo a questão. Há um acordo político entre todos os partidos – o senador Aloísio Mercadante, do PT, auxiliou o senador tucano relator do projeto. Para qualquer veto, os deputados teriam que fazer um novo acordo político, derrubando o do Senado, costurado por dois nomes peso-pesados do governo e oposição.

Após, ainda há a esperança de veto presidencial de um artigo ou outro.

Raquel Recuero enumera dois pontos que a incomodam na aprovação. Pontos que mais funcionam como sofismas do que como argumentos mesmo. Aliás, ela mostra – em bom juridiquês – que a matéria é muito enviesada e mal compreendida pelo legislador…

Adriana Amaral deixa o fígado falar e desce a lenha na aprovação. Para ela, o Brasil não tem mais jeito mesmo diante de tal absurdo.

Carlos D´Andrea vai pelo pragmatismo. Reúne posts informativos e analíticos para que retomemos o fio da meada e compreendamos – nós, sociedade brasileira – o tamanho da coisa. Particularmente, gosto deste pragmatismo, afinal é assim – reagindo rápido e de forma estratégica – que podemos tentar algo.

Algumas possibilidades – umas viáveis, outras nem tanto:

1. É preciso ganhar tempo. Procrastinar. O projeto não pode ser votado assim, de afogadilho, na Câmara. Ainda mais porque pode entrar num pacote de negociação entre governo e oposição, dependendo dos interesses. Então, é preciso reduzir a marcha da coisa…

2. É preciso abrir um canal de comunicação com os deputados. E neste sentido, seria o caso de quem sabe iniciarmos uma nova onda de emails, agora aos deputados, e mais importante, ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), tentando uma audiência pública sobre o tema. A idéia é simples: dizer que a sociedade não está devidamente informada, que a blogosfera está preocupada com os descaminhos, e que aquela Casa de Leis precisa ser a caixa de ressonância da sociedade e abrir uma discussão ampla para a coisa. Feito isso, na audiência pública, devemos – a parte interessada – colocar os pingos nos is, apontar o estrago e a miopia da medida.

3. É necessário agir em duas frentes. Tentar abrir um canal de comunicação com o Parlamento e com o Executivo, afinal, o presidente Lula pode vetar o projeto em partes ou no todo. Neste sentido, não sei se o caminho é a Secretaria de Comunicação ou mesmo o ministro Franklin Martins, que é jornalista, é do mercado, e pode entender que a coisa é delicada.

4. Não podemos deixar de rechear a petição de novas assinaturas. Ela é uma parte importante e que demonstra a articulação dos internautas, é uma carta que pode pesar em algum convencimento.

Como eu acredito que a internet é um projeto de inteligência coletiva. Como acredito que podemos ser melhores juntos. Chamo os colegas a pensarem também em mais formas de combate desse projeto de lei nefasto. Juntos, seguimos remando com força, e contra a maré que pode nos conduzir ao buraco.

bombando a petição online contra projeto de azeredo

Em três dias, mais de 7,5 mil pessoas assinaram a petição online que pede o veto ao projeto de lei do senador Eduardo Azeredo sobre cibercrimes.

O projeto tem atrocidades que podem penalizar o compartilhamento de arquivos e a própria evolução da internet brasileira. A blogosfera está reagindo à ação. Para saber mais sobre o texto, leia a análise de Sergio Amadeu e a de Raquel Recuero.

uma petição online pede o veto ao projeto de azeredo

Gente conectada é gente articulada!

Além dos emails que lotam as caixas eletrônicas de deputados e senadores; além da blogagem coletiva condenando o projeto; além dos selos e das peças gráficas carimbando um não à proposta retrógrada e míope do senador Eduardo Azeredo, além disso tudo já há na internet uma petição online que pede o veto ao projeto que amordaça a web. Quem avisa é o Caribé!

Se você não quer que a internet brasileira contribua para o avanço do conhecimento, para o compartilhamento de idéias e para uma inteligência coletiva, ASSINE JÁ!

controle da internet e o respeitável senador

Você tem boa memória?

Deve-se lembrar que o respeitável senador Eduardo Azeredo, este que quer penalizar a web brasileira, é aquele mesmo que estava envolvido no escândalo do Mensalão em Minas, ligado ao conhecido Marcos Valério e tal…

Foi só pra lembrar…

em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na internet brasileira

A carta aberta, abaixo reproduzida, foi escrita por Sérgio Amadeu e André Lemos e está circulando para angariar adesões de professores e pesquisadores. Quem estiver de acordo e quiser assiná-la basta mandar um ok com o nome e a instituição para samadeu@gmail.com.
O projeto está previsto para ser votado em 9 de Julho. Se aprovado no Senado, representará um enorme retrocesso para a pesquisa e produção de conhecimento. De acordo com uma analogia feita por Marcos Palacios, “se esse projeto vigorasse nos prédios brasileiros, os porteiros teriam de gravar toda movimentação dos moradores, diariamente, guardar esse relatório por 3 anos e reportar essa movimentação para a polícia, sob pena de multa e prisão pelo não cumprimento”.

EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA

A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.

A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento. O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural.

A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana. E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, “Educação e Carreira”, ou seja, acesso à sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil.

Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência. Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral.

O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância. Se, como diz o projeto de lei, é crime “obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida”, não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por “cópia sem pedir autorização” na memória “viva” (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime.

O projeto, se aprovado, colocaria a prática do “blogging” na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém! Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao “transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado”, “sem pedir a autorização dos autores” (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.

O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos… Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum “dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular”? Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime.

Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI. Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.

André Lemos, Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq.

Sérgio Amadeu da Silveira, Prof. do Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre.

entrevista sobre cibercultura

Minha amiga Adriana Amaral manda avisar que a entrevista que deu em abril passado ao programa Cybercubo, da TV Feevale, já está na web. Para quem não ligou o nome à pessoa, a Adriana é a pessoa que mais entende de cibercultura, ciberpunk e cibertribos do país. Conectada!!!

Assista em quatro partes!

Parte 1

cnpq lança nova versão do lattes

Você está no Orkut? No Facebook? No Gazzag ou qualquer desses sites de redes sociais?

Pois saiba que até mesmo os cientistas mais sérios têm lá seus sistemas parecidos. O CNPq tem a chamada Plataforma Lattes, rede de currículos eletrônicos da comunidade acadêmica. Por meio dela é possível localizar a produção, presença e atuação de 1,14 milhão de mestres, doutores, estudantes de graduação e pós-graduação, figurões, técnicos e o escambau na ciência nacional. Mais: você pode ver quem orientou quem, quais os links entre grupos de pesquisa e instituições e tal… Não parece um Orkut acadêmico?

Pois hoje o CNPq lançou uma nova versão do Lattes. Saiba mais nas informações da própria assessoria de comunicação do órgão

justiça implica com blog

Pedro Doria conta que um banner em seu blog motivou intimação da Justiça a um político.

Traduzindo:

A Justiça não quer propaganda eleitoral na web.

O Pedro Doria expressou sua preferência política num banner em seu próprio blog.

O blog dele não recebeu dinheiro para isso.

O político em questão é o Fernando Gabeira, que é um dos primeiros candidatos à prefeitura do Rio.

A Justiça não gostou. Acha que foi propaganda fora de hora. Implicou com o Gabeira.

Doria está irritadíssimo e denuncia a censura.

O que eu acho disso?

A Justiça vai na contramão dos acontecimentos. Decretos não vão conter a internet, a blogosfera ou coisas do tipo. A medida pode ser encarada como censura à opinião política, um direito previsto constitucionalmente. Acho que vamos ver e ouvir mais casos desse nos próximos meses. Infelizmente.

Não voto no Rio. Não poderia manifestar meu voto no Gabeira, embora simpatize com ele. Mas será que a Justiça vai me censurar também por comentar a censura ao blog do Pedro Doria???

acompanhe dois eventos do sul pela web

Você não pôde ir ao Intercom Sul, em Guarapuava (PR)?

Não pode ir a Porto Alegre para a Maratona que discute jornalismo e internet na PUC?

Não tem problema. Acompanhe tudo isso pela web.

O pessoal da Católica de Pelotas montou um blog para a cobertura do Intercom Sul. Veja aqui.

A revista Cyberfam acompanha a maratona na Famecos.

links do momento: educação

[ * ] Prensa-Escuela: da Espanha, um projeto do jornal La Voz de la Galícia para fomentar a criação de novos leitores.

[ * ] Já está disponível o mais recente número da revista Educação e Tecnologia, do CEFET de Minas. (dica da Gladis L.Santos)

[ * ] Um coletivo de blogs educativos no Brasil

[ * ] 4º Seminário Jogos eletrônicos: narrativas, aprendizagem e desenvolvimento. Na Bahia, em agosto, mas com chamadas abertas.

[ * ] TV e professores: um site em inglês que pode oferecer material e idéias sobre o uso da telinha na sala de aula.

prêmios para blogs e inovação na web

Saíram os vencedores do 2º Prêmio Espiral Edublogs 2008!

Saíram os vencedores do Knight News Challenge!

 

um manifesto para a web e sua fauna

De tempos em tempos, palavras conseguem dar sentidos que parecem definitivos aos desejos e vontades das pessoas. Às vezes, essas palavras resultam em plataformas eleitorais; em outras, transformam-se em odes; em outras ainda, viram manifestos.

Pois recebi um link para um texto de Marco Gomes que eu já chamaria de um Manifesto para a Web, palavras de ordem para o mundo que estamos construindo com cliques, bits, sentimentos e razões as mais diversas. “Eu faço parte da revolução” lembra – com links, claro! – como a web e seus usuários produtores e compartilhadores de conteúdo têm modificado não apenas a comunicabilidade mundial, mas também as formas como nos associamos.

Vale a pena ler e guardar. Ler e voltar a ler de tempos em tempos.

chamada de trabalhos: icbl 2008

Saiu a chamada de trabalhos para a edição 2008 da Conferência Internacional da Interactive Computer Aided Blended Learning, que acontece no em novembro em Florianópolis.

Veja o site aqui.

Deadline no começo de junho.

Esta é a segunda edição do evento que, segundo os organizadores, objetiva “focar na troca de
relevantes tendências e resultados de pesquisas, bem como na apresentação de experiências práticas obtidas com o desenvolvimento e teste de elementos da aprendizagem assistida por computador”.

Por isso, vale tudo: projetos-piloto, aplicações, relatos e produtos…

 

3ª ciranda de textos: é hoje

Tá acontecendo a terceira edição da ciranda de textos, um autêntico blog carnival brasileiro.

Acesse, mande seu texto, leia os dos colegas, opine e comente; compartilhe e dê links…

manual da mídia legal

Deu no Boletim Rio Mídia, que reproduzo: 

“A ONG Escola de Gente – Comunicação em Inclusão lançou, no dia 25 de março, durante a Semana Estadual de Juventude, o Manual da Mídia Legal 5 – Comunicadores pela Não-discriminação, no Palácio Guanabara, Rio de Janeiro.

A publicação é resultado do 5º Encontro da Mídia Legal, que atualizou estudantes dos cursos de Direito, Comunicação Social e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em setembro de 2007, para se tornarem Agentes da Inclusão e atuarem no combate a toda forma de discriminação.

O objetivo do Manual é refletir em todas as formas de discriminação: de raça (negros, índios) , gênero (mulheres /GLBTT),  contra pessoas com deficiência,  moradores de comunidades populares, etc.”

Para baixar o manual da mídia legal, clique aqui.

mais um blog carnival

Flavia Garcia Reis, do Mil Idéias e Ideais de Todos, informa que depois de amanhã, dia 28, tem a 3ª edição do Ciranda de Textos, um blog carnival que terá como tema a interatividade.

Mais informações:
http://ideiasdetodos.blogspot.com/2008/03/3-ciranda-de-textos-ser-dia-28-de-maro.html

ética na web: chamada de textos

O International Journal of Internet Research Ethics está com chamadas abertas para colaborações.
O prazo para recebimento se esgota em 15 de abril.

Special Issue: Research Ethics, Policies, Law: International Perspectives
Call for Papers
This issue welcomes papers dealing with any aspect of international policy and internet research ethics. Specifically, we are interested in papers from researchers and scholars exploring data protection laws; policies and regulations; and ethical models of research protections. We seek practical, applied discussions – i.e., as informed by and focusing on one or more case studies or real-world examples – as well as theoretical papers. Suitable topics include: reviews of existing research protections laws and policies in specific countries or broader units of analysis such as Scandinavia, the European Union, Africa, South Asia, developing countries, and so forth; reviews of existing laws and policies vis-à-vis emerging technologies; cross-cultural analyses of research ethics and online research; specific analyses of related issues such as privacy, attribution, copyright, ownership, consent models; or discussions of online research in action, such as ethnographies, participant observations, research with/on minors, and discourse/content analyses.”

Mais informações: http://www.uwm.edu/Dept/SOIS/cipr/ijire/submit.html

contra a censura na internet

A Unesco e os Repórteres Sem Fronteiras promovem no próximo dia 12 de março o primeiro Dia Internacional da Liberdade de Expressão Online. A idéia lançada é de que os internautas do mundo todo protestem por 24 horas contra os países considerados “inimigos da internet”, já que são eles quem constrangem, perseguem e oprimem jornalistas, blogueiros e demais usuários.

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, existem hoje 63 pessoas consideradas ciberdissidentes, que estão atrás das grades.

Para a ONG, os países “inimigos da internet” são a Birmânia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Eritréia, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã.

internet na sala de aula: um evento

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Na Espanha, acontece de 26 a 28 de junho próximos, o 1º Congresso Nacional de Internet na Sala de Aula. O evento acontecerá simultaneamente em Madri, Granada, Santander e Barcelona. Mas se você, como eu, não está na Espanha nem deve aparecer por lá naqueles dias, tem outra chance de acompanhar: há uma modalidade virtual do evento que acontece de 1º de abril a 30 de outubro.

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5 links para professores (antenados)

Twitter for Academia
http://academhack.outsidethetext.com/home/2008/twitter-for-academia

Academic Commons
http://www.academiccommons.org

LifeHacker
http://lifehacker.com

Blog on Wiki Patterns
http://www.ikiw.org

Wikipedia e o novo currículo
http://www.scienceprogress.org/2008/02/wikipedia-and-the-new-curriculum

 

Divirta-se e passe adiante!

 

6 links para professores (inquietos)

(1) 10 maneiras de usar blogs no ensino: http://edublogs.org/10-ways-to-use-your-edublog-to-teach

(2) Plágio, Wikipedia e ética online para os estudantes: http://www.speedofcreativity.org/2008/01/29/plagiarism-wikipedia-and-encouraging-students-to-care-about-digital-ethics

(3) Twitter na sala de aula: http://novasm.blogspot.com/2008/01/twitter-em-sala-de-aula.html

(4) Videogames e mudanças na educação: http://www.pbs.org/idealab/2008/02/video-games-mobile-devices-inf.html

(5) Discuting direitos autorais, creative commons, propriedade intelectual e educação: http://www.speedofcreativity.org/2008/02/15/discussing-copyright-creative-commons-ip-and-education

(6) Edufuturo, um projeto equatoriano: http://www.edufuturo.com/entrada.php?c=43