jornalismo: um prêmio e uma ação contra a rbs

O prêmio. Vocês se lembram que a Folha de S.Paulo comprou uma briga de cachorro grande com a Igreja Universal do Reino de Deus (e com a Record) este ano, por conta de uma reportagem de dezembro de 2007 sobre o império da igreja? Pois bem, a reportagem de Elvira Lobato virou alvo de mais de cem ações judiciais, quase todas abolidas até então. O melhor de tudo veio agora: a reportagem venceu o Prêmio Esso de Jornalismo.

Alguém mais esperto aí já disse que a imprensa existe para confortar os aflitos e afligir os acomodados.

A ação. Na quarta, 10/12, o Ministério Público Federal apresentou à Justiça Federal uma ação civil pública pedindo a anulação da compra do jornal A Notícia pelo Grupo RBS,  e pedindo a redução do número de estações de radiodifusão controladas pelo grupo. A ação foi proposta contra nove empresas de comunicação, a União, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e os empresários Nelson Pacheco Sirotsky e Moacir Gervásio Tomazi. O processo foi para a 3ª Vara Federal de Florianópolis, e por sorteio eletrônico, caiu na mesa do juiz Cláudio Roberto da Silva.

Será que agora vai?


observatório publica especial sobre 20 anos de constituição

Arte de Henrique Costa para o Observatório do Direito à Comunicação
Arte de Henrique Costa para o Observatório do Direito à Comunicação

O Observatório do Direito à Comunicação acaba de publicar um (ótimo) especial sobre os 20 anos da Constituição Federal e a mídia nacional. Compõem o dossiê textos de Mariana Martins, Henrique Costa, Jonas Valente e Cristiana Charão. Os temas vão da concentração na propriedade dos meios à tensão entre público e privado, passando também pelas concessões de radiodifusão, liberdade de expressão e produção de conteúdos com identidades locais e nacionais.

Não é novidade alguma dizer que esse Observatório realiza um trabalho importantíssimo para a sociedade na medida em que reflete criticamente as relações entre comunicação e sociedade. Desta vez, com este dossiê, mais um material de referência é oferecido.

um estrabismo insistente estreita mais a razão

Uma confusão tem sido recorrente no debate que cerca a obrigatoriedade do diploma para jornalistas: tomar por sinônimas as expressões “liberdade de expressão” e “exercício profissional”. Entretanto, existe um abismo entre as duas coisas.

Em resposta ao meu post que criticava a ideologização da discussão, Mauricio Tuffani afirma que o que está em jogo no Supremo Tribunal Federal é

uma concepção do direito de liberdade de expressão que tem um significado muito maior que aquele insistentemente repetido por muitos sindicalistas e professores de jornalismo. Trata-se de um direito que não pertence apenas à categoria dos jornalistas, mas a toda a sociedade.

Mas é evidente que o direito à livre expressão não é e não pode ser um privilégio de jornalistas. Este direito é extensivo a todas as pessoas, na medida em que garante a elas a troca de idéias, a manifestação do pensamento, a formulação de opiniões e juízos. É um direito previsto na legislação e em protocolos consagrados internacionalmente, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, como já citou Tuffani. O artigo 19, em especial, merece uma leitura mais atenta que a realizada pelo autor:

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Note-se que o artigo não menciona “produzir” ou “elaborar” informações. Isto é, o direito vige numa esfera ampla, generalista, e não restritiva ao mundo do trabalho. Jornalistas também são cidadãos, e também gozam do direito da livre expressão. Mas em sua condição profissional, produzem, elaboram, difundem informações com o propósito de abastecer a sociedade com dados que permitam uma compreensão melhor da realidade.

Não se pode esquecer também que o conjunto das atividades jornalísticas não se resume apenas à livre expressão. Há colunistas, articulistas, editorialistas que, sim, ocupam-se da formulação de idéias e da sua disseminação em escala massiva. Mas os demais profissionais do jornalismo não se expressam em suas lidas diárias. O que fazem é tentar oferecer ao público relatos dos acontecimentos que, por ventura, foram alçados à condição de noticiáveis. Para alcançar essa situação, os fatos devem conter elementos que dialoguem com valores de noticiabilidade, elaborados no mundo do jornalismo e que, cotidianamente, ajudam a organizar essa atividade. Esses valores compõem um rol de saberes específicos da profissão, conhecimentos a que se tem acesso nas escolas de jornalismo.

Mas voltando à Declaração Universal, encontramos o inciso 2 do artigo 29 que é esclarecedor na tensão entre direito e lei.

No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

Isto é, o direito à livre expressão se estende até a fronteira que inicia a demarcação de uma atribuição profissional, a regulamentação do exercício jornalístico, por exemplo. Note-se que não há contradição entre os artigos, mas complementaridade já que são contemplados o direito do cidadão comum a manifestar sua opinião e o direito do jornalista a exercer sua profissão (conforme o artigo 23).

Se recorrermos à Constituição Federal e ao próprio Tuffani, veremos que os dois direitos são também atendidos.

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (inciso IX do artigo 5º)

 “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (inciso XIII do artigo 5º)

Desta forma, insisto que não se deve tomar por idênticos o direito à livre expressão e o exercício profissional do jornalismo. Se assim o fizermos, poderíamos por extensão confundir o direito à justiça com o exercício da advocacia, ou o direito à saúde com a prática da medicina. Em todos esses casos, o direito mais geral não colide com a atribuição profissional, que depende de qualificação técnica, de habilitação legal e de competências e habilidades específicas. Misturar as coisas é fazer prevalecer um estrabismo que prejudica nossa visão e compreensão. Embaçar as fronteiras entre ambos provoca, isso sim, o estreitamento da razão.

Se o que está em discussão no STF no imbróglio sobre o diploma é a concepção de direito à liberdade de expressão, esse debate não pode desconsiderar o lugar estratégico que a mídia (seus veículos, sistemas e profissionais) ocupa na vida social atualmente. Cada vez mais central na existência contemporânea, a dimensão da comunicação social precisa dispor de profissionais altamente capacitados para fazer as mediações necessárias entre os fatos e os públicos, contribuindo para o entendimento e o desenvolvimento humano e social.

O professor Eugenio Bucci formulou uma definição de jornalismo que é, ao mesmo tempo, ampla e precisa: O jornalismo é uma atividade que existe para satisfazer um direito do cidadão comum, o direito à informação. Neste sentido, essa atividade profissional – exercida por pessoas capacitadas e habilitadas – encontra justificativa social, utilidade pública e dimensão coletiva para a sua existência.

Dito dessa forma, o estrabismo insistente se dissolve e o campo de visão de abre para uma compreensão melhor do que temos adiante.

liberdade de imprensa: um radiodocumentário

A BBC colocou à disposição dos internautas as duas partes de um radiodocumentário sobre a liberdade de imprensa ao redor do mundo.

Ouça aqui e aqui.

“falta de educação”, danos morais, indenização, orkut e uma decisão brasileira

(Deu no UOL Educação)

A Justiça de Rondônia condenou 19 pais de estudantes a pagar indenizações a um professor de matemática de Cacoal (500 km de Porto Velho) que, somadas, resultam em R$ 15 mil.

O professor foi alvo de ofensas dos alunos no Orkut. Eles criaram, em 2006, a comunidade virtual “Vamos Comprar uma Calça para o Leitão”, ilustrada com a foto e o nome do professor Juliomar Reis Penna, 33. Na comunidade, dez alunos da oitava série, com idades de 12 a 13 anos, escreveram ofensas, piadas, questionaram notas e ameaçaram o professor.

“Eu ajudo a furar os pneus do Vectra dele […] Vamos quebrar os vidros, jogar açúcar dentro do tanque de gasolina”, foram alguns dos recados deixados pelos alunos.

Condenados em primeira instância, os pais dos alunos recorreram ao Tribunal de Justiça de Rondônia. Alegaram que o fato fora apenas uma “brincadeira infantil”. O argumento foi rejeitado pelo juiz relator da 2ª Câmara Cível do TJ-RO, Edenir da Rosa, que avaliou como “grave” o teor dos comentários publicados na internet.

No recurso, os pais disseram ser “impossível” vigiar os filhos vinte e quatro horas por dia, justificativa considerada “frágil” pelo TJ-RO.

Denunciados pelo professor ao Juizado da Infância e da Juventude, os alunos reconheceram a criação da página e a autoria dos recados. Como medida socioeducativa, oito estudantes tiveram de apresentar palestras para adolescentes sobre o uso responsável da internet.


(SE A MODA PEGA…)

ganhou bolsa, se mandou, não voltou. mas vai pagar…

Vocês sabem: há muito dinheiro para pesquisa científica no Brasil. Qualquer um consegue recursos para construir seus laboratórios espaçosos-modernosos-bem-equipados. Qualquer um que entra em mestrado ou doutorado consegue bolsa antes mesmo de se matricular. E, claro, hoje, somos potências científicas à frente da Eritréia e do Turcomenistão…

Pois bem. Mesmo com essa torrente de dinheiro, tem gente que abusa.

Imagina que tem gente que consegue bolsa pra fazer doutorado fora do país, se qualifica e decide não voltar pro Brasil. Imagina que esse mesmo pessoal, ao receber o benefício, se compromete por escrito a retornar e devolver à sociedade, ao país que investiu na sua formação, o investimento feito.

E vocês imaginam que o Supremo condenou uma professora a ressarcir o CNPq em R$ 160 mil porque ela simplesmente não retornou ao país após ter passado nababesca temporada na Inglaterra?

Não acredita? Então, leia aqui a notícia completa.

criou fakes no orkut e foi pro xilindró

Deu na Folha:

Um advogado foi preso na noite de quarta-feira (13) em Florianópolis, sob suspeita de criar perfis falsos para difamar uma colega de trabalho e o noivo dela. Segundo a Polícia Civil, ele deve ser indiciado sob acusação de falsidade ideológica e difamação.

A prisão, realizada em uma LAN house da cidade, ocorreu após cerca de oito meses de investigação. De acordo com a polícia, o advogado criou três perfis falsos no Orkut –dois com imagens da vítima e um com o noivo dela. No momento da prisão, foi encontrado com o suspeito um CD com fotos das vítimas.

A polícia afirma que o advogado trabalhava com a mulher no Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) e ele “provavelmente tinha atração, amor pela vítima”. “Como não era correspondido, ele começou a fazer perfis falsos no Orkut”, diz o investigador André Gustavo da Silveira, do 1º Departamento de Polícia.

Em um deles, o noivo da vítima era colocado como homossexual e em outro, com o nome da funcionária do banco, havia imagens pornográficas. O terceiro perfil, com fotos “normais” da vítima, era utilizado pelo advogado para conversar com outras pessoas no Orkut.

Segundo os investigadores, não houve rastreamento do IP (protocolo de internet) do suspeito durante as investigações. Para chegar ao advogado, a vítima apresentou uma lista de nomes que poderiam ser os responsáveis pela ação. Depois, a polícia comparou o modo de escrever do suspeito em seu perfil verdadeiro e os falsos e afirma ter encontrado muitas semelhanças.

A LAN frequentada pelo sujeito também colaborou com as investigações e monitorou suas ações nos computadores da loja.

ficha suja, consciência limpa e um desajuste

O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem por 9 votos a 2 que os candidatos que estiverem respondendo processos e que ainda não tiverem nenhuma condenação poderão disputar cargos nas eleições municipais deste ano (leia mais aqui). Claro que a sociedade já chia. Afinal, manda o senso comum que gente com ficha suja não possa assumir cargos públicos, de representação, onde se espera conduta ilibada.

Eu entendi a decisão do STF. Os togados estão preocupados com um princípios do direito: a presunção de inocência, e mais. Ninguém é culpado antes de ser julgado. Seria o caso dos candidatos com processos nas costas. Afinal, eles ainda não foram sentenciados e tal.

Sim, os togados bateram o martelo para ficar com a consciência limpa de que essa garantia será mantida, mesmo que provoque e permita a eleição de um salafrário qualquer.

Sim, é legal a decisão da maior corte do Brasil. É legal, mas não é justa. Tanto é que a sociedade se queixa, rumina e vomita dizendo que o país não tem mais jeito, já que os maiores juízes daqui deixam gente que responde processo ser prefeito ou vereador.

É legal, tá na norma. Mas colide com o que a gente entende por ser justo.

Taí uma lição que é amarga: seguir a lei nem sempre corresponde a fazer justiça.

grupo vai sugerir mudanças na regulamentação de jornalista

(Do site da Fenaj)

O Diário da União publicou na edição desta sexta-feira (25/07) a portaria 342/08 instituindo grupo de estudos com o objetivo de “propor alterações na legislação em vigor para viabilizar a regulamentação da profissão de jornalistas”. A publicação é um compromisso recentemente assumido pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em reunião com dirigentes sindicais dos jornalistas.

No dia 10 de julho, representantes da FENAJ informaram ao Ministro que partiu do próprio Governo a proposta de constituição de um Grupo de Trabalho para encaminhar a atualização da regulamentação profissional dos jornalistas. “A constituição de tal GT, adiada durante quase dois anos, seria uma medida compensatória após o veto do governo federal, no final de 2006, ao PLS 079/04, que havia sido aprovado no Senado”, explica o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Para Murillo, a iniciativa do Ministro vem em boa hora e não tumultua a campanha de defesa do diploma — questão em análise no Supremo Tribunal Federal. “São processos relacionados, mas absolutamente independentes”, avalia.

Entre as atualizações previstas no PLS 079/04, estavam as caracterizações de novas funções profissionais, inclusive a de assessor de imprensa. A Portaria 342/08 estabelece a composição do GT com participação dos trabalhadores, empresários e governo, cada qual com três representantes, e com prazo de 90 dias para apresentar relatório final.

daniel dantas e um roteiro cinematográfico para o país

Nos anos 90, tivemos oportunidades sensacionais para acompanhar em tempo real uma saga com tons semelhantes aos maiores filmes de gângster, com pitadas de suspense, lances inesperados, crime e mortes.

O presidente estava enredado numa teia de corrupção. Até o pescoço. Seu tesoureiro de campanha, uma eminência parda no governo, era o homem de frente nos negócios escusos. O presidente foi denunciado pelo irmão, enciumado. Sim, o presidente teria avançado sobre a cunhada. O presidente foi impedido de governar, renunciou, deixou o governo. Morreu a esposa do tesoureiro. A mãe do presidente entrou em coma. O irmão-delator morreu de um câncer devastador. O presidente saiu de cena. O tesoureiro foi encontrado morto com a namorada, na cama. Sangue, corrupção, ganância…

De lá pra cá, tivemos escândalos ruidosos também, e o Mensalão trouxe o enredo mais megalomaníaco. Tinha como protagonistas um ministro influente e um deputado-falastrão. Abalou o Planalto, derrubou bastante gente, mas a República se refez.

Agora, com os acontecimentos das últimas semanas, temos um filme que parece ser um verdadeiro arrasa-quarteirão. A prisão de um banqueiro com ligações estreitíssimas com o Parlamento, com camadas do Executivo e com todos os demais focos do poder trouxe à tona um enredo não totalmente desconhecido, mas não menos surpreendente pelo teor de enxofre e uréia que exala. Foi preso e foi solto pelo STF. Foi preso novamente, e mais uma vez solto pela corte maior do país. Um jornalista contou que – na segunda vez em que estava com os federais em interrogatório -, o banqueiro ameaçou contar tudo, entregar todos. Curiosamente, o STF deu novo habeas corpus, isto é, aceitou a chantagem. Com isso, deflagrou uma crise no próprio Judiciário. Ontem, 400 – eu disse, quatrocentos – procuradores e juízes manifestaram-se publicamente contra o presidente do Supremo, dando apoio ao magistrado que pediu a prisão por duas vezes do milionário. Agora, parcelas do Judiciário no sul e sudeste do país cogitam pedir o impedimento do presidente do STF.

Na mídia, foi dito mais de uma vez que estamos assistindo a colonoscopia do Brasil, que mergulhamos nos intestinos do país. Justamente lá, onde encontramos a alma e as fezes.

Já temos um novo filme para o país. Não tão novo, é verdade. Mas o fedor é fresco, e como embrulha o estômago!

ainda o projeto para criminalizar internautas

Sim, já tratamos desse assunto,mas vale a pena retomar.

O texto aprovado no Senado pode ser lido aqui.

Raquel Recuero revisa o texto e aponta melhoras significativas.

Mesmo a uma distância oceânica, Sergio Amadeu ainda se preocupa.

É importante manter-se informado e atento. Como antes, os próximos movimentos serão decisivos.

sindicato fecha acordo coletivo para jornalistas

Do boletim do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina:

O piso dos jornalistas em Santa Catarina passará de R$ 1.050 para R$ 1.127, retroativo a 1º de maio, representando reajuste de 5,9% (INPC) e mais 1% de ganho real. O acordo, com vigência por dois anos (INPC acrescido de 1%), foi fechado hoje na terceira rodada de negociação com o patronal e, segundo o presidente Rubens Lunge, representa uma vitória da categoria, “que registra perdas de 12,5% no período 1996-2004, conforme dados do Dieese”. A próxima etapa prevê a realização de assembléias gerais em Florianópolis, Lages, Tubarão, Criciúma, Blumenau, Joinville, Itajaí, Jaraguá do Sul e Chapecó, para apreciação da proposta por parte dos jornalistas.

No acordo fechado hoje, ficou definido o seguinte:

Para quem recebe o piso, pagamento do INPC e mais 1%;

Para salários até R$ 5.172,00 será acrescido o INPC;

Para salários acima de R$ 5.172,00 haverá aumento de R$ 182,00.

Em 2009, pagamento do INPC e mais 1%.

Os negociadores também confirmaram a criação de uma Comissão Paritária para discutir “a saúde e as condições de trabalho do jornalista”, devendo ser implantada em 60 dias. A comissão começa a trabalhar após a formalização do acordo coletivo e será formada por três representantes do Sindicato dos Jornalistas e outros três do Sindicato das Empresas. As reuniões são mensais e nesses encontros uma das entidades poderá levar um convidado para debater questões relacionadas à saúde do trabalhador.

A reunião de ontem também aprovou o “acordo compensatório de horas trabalhadas”, que somente será possível quando for de interesse dos profissionais. Nesse caso, cabe ao Sindicato encaminhar a discussão e a deliberação junto aos jornalistas, que pode ser por editoria ou local de trabalho. Todas as decisões tomadas hoje dependem, agora, da aprovação da categoria nas nove assembléias a serem realizadas no Estado.

senado aprova projeto de azeredo. e agora?

Direto ao ponto. O senado aprovou nesta madrugada o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que muito contribuirá para penalizar boa parte da internet brasileira. A reação da blogosfera foi imediata. Tem muita gente que foi ao teclado pra avaliar os estragos.

Pedro Doria faz um equilibrado mas nada alentador balanço:

Agora o projeto vai para a Câmara. Havia um erro na descrição do tramite por lá, no último post. Não passa por nenhuma comissão, não pode sofrer emendas. Vai a plenário simplesmente. Os deputados só têm direito a veto. Isto quer dizer que podem vetar um parágrafo (ou um artigo) e aprovar o resto.

Será difícil.

Tramitou rápido no Senado porque a maioria dos parlamentares não se deram ao trabalho de compreender a fundo a questão. Há um acordo político entre todos os partidos – o senador Aloísio Mercadante, do PT, auxiliou o senador tucano relator do projeto. Para qualquer veto, os deputados teriam que fazer um novo acordo político, derrubando o do Senado, costurado por dois nomes peso-pesados do governo e oposição.

Após, ainda há a esperança de veto presidencial de um artigo ou outro.

Raquel Recuero enumera dois pontos que a incomodam na aprovação. Pontos que mais funcionam como sofismas do que como argumentos mesmo. Aliás, ela mostra – em bom juridiquês – que a matéria é muito enviesada e mal compreendida pelo legislador…

Adriana Amaral deixa o fígado falar e desce a lenha na aprovação. Para ela, o Brasil não tem mais jeito mesmo diante de tal absurdo.

Carlos D´Andrea vai pelo pragmatismo. Reúne posts informativos e analíticos para que retomemos o fio da meada e compreendamos – nós, sociedade brasileira – o tamanho da coisa. Particularmente, gosto deste pragmatismo, afinal é assim – reagindo rápido e de forma estratégica – que podemos tentar algo.

Algumas possibilidades – umas viáveis, outras nem tanto:

1. É preciso ganhar tempo. Procrastinar. O projeto não pode ser votado assim, de afogadilho, na Câmara. Ainda mais porque pode entrar num pacote de negociação entre governo e oposição, dependendo dos interesses. Então, é preciso reduzir a marcha da coisa…

2. É preciso abrir um canal de comunicação com os deputados. E neste sentido, seria o caso de quem sabe iniciarmos uma nova onda de emails, agora aos deputados, e mais importante, ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), tentando uma audiência pública sobre o tema. A idéia é simples: dizer que a sociedade não está devidamente informada, que a blogosfera está preocupada com os descaminhos, e que aquela Casa de Leis precisa ser a caixa de ressonância da sociedade e abrir uma discussão ampla para a coisa. Feito isso, na audiência pública, devemos – a parte interessada – colocar os pingos nos is, apontar o estrago e a miopia da medida.

3. É necessário agir em duas frentes. Tentar abrir um canal de comunicação com o Parlamento e com o Executivo, afinal, o presidente Lula pode vetar o projeto em partes ou no todo. Neste sentido, não sei se o caminho é a Secretaria de Comunicação ou mesmo o ministro Franklin Martins, que é jornalista, é do mercado, e pode entender que a coisa é delicada.

4. Não podemos deixar de rechear a petição de novas assinaturas. Ela é uma parte importante e que demonstra a articulação dos internautas, é uma carta que pode pesar em algum convencimento.

Como eu acredito que a internet é um projeto de inteligência coletiva. Como acredito que podemos ser melhores juntos. Chamo os colegas a pensarem também em mais formas de combate desse projeto de lei nefasto. Juntos, seguimos remando com força, e contra a maré que pode nos conduzir ao buraco.

bombando a petição online contra projeto de azeredo

Em três dias, mais de 7,5 mil pessoas assinaram a petição online que pede o veto ao projeto de lei do senador Eduardo Azeredo sobre cibercrimes.

O projeto tem atrocidades que podem penalizar o compartilhamento de arquivos e a própria evolução da internet brasileira. A blogosfera está reagindo à ação. Para saber mais sobre o texto, leia a análise de Sergio Amadeu e a de Raquel Recuero.

comissão de ética da fenaj revê decisão em processo contra jornalista

Do boletim do FNDC e da Fenaj, reproduzo:

Nesta segunda-feira (07/07), em julgamento do recurso – 2008-02-01 REC – apresentado pelo jornalista Francisco Luciano Luque dos Santos contra decisão da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, a Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas (CNE), acolheu em parte os argumentos do recorrente. A decisão original foi reformada, mas a Comissão entendeu que houve infração ao Código de Ética da profissão, determinando a suspensão por quatro anos de dois jornalistas filiados ao Sindicato e o encaminhamento de denúncia contra os profissionais ao Ministério Público.

O processo original teve grande repercussão na imprensa cearense em 2007, quando três então membros da diretoria da Associação Cearense de Imprensa (o ex-presidente, o ex-vice e o tesoureiro) foram denunciados por fraude na escolha dos vencedores do “Prêmio ACI de Jornalismo”. Acionada por 66 jornalistas signatários de um abaixo assinado, a diretoria do Sindicato encaminhou o caso para sua Comissão de Ética e, depois, puniu dois dos envolvidos no caso – que eram sindicalizados – com expulsão de seu quadro de associados, além de declarar o ex-presidente da ACI persona non grata.

Na reunião da Comissão Nacional de Ética estiveram presentes quatro membros (Armando Rollemberg faltou por motivo justificado). Após ouvir extensa explanação e o voto do relator do processo Washington Mello, os jornalistas Rossini Barreira e Regina Deliberai acompanharam o voto. A presidente da CNE, Carmen Lúcia Ribeiro Pereira, não votou por não haver necessidade de desempate.

A CNE decidiu aplicar a pena de suspensão do quadro social do Sindicato do Ceará, por quatro anos, dos jornalistas Paulo Tadeu Sampaio de Oliveira e Francisco Luciano Luque dos Santos, com a publicação da decisão em veículo de grande circulação na capital do Ceará. A penalidade passará a valer após o Sindicato dos Jornalistas do Ceará cumprir procedimentos previstos em seu Estatuto.

A CNE também recomendou ao Sindicato do Ceará que “se utilize da prerrogativa dada pelo art. 16, item VI, do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, individualmente ou de comum acordo com a Associação Cearense de Imprensa, ou seja, levar ao conhecimento do Ministério Público a denúncia da fraude geradora deste processo ético”.

uma petição online pede o veto ao projeto de azeredo

Gente conectada é gente articulada!

Além dos emails que lotam as caixas eletrônicas de deputados e senadores; além da blogagem coletiva condenando o projeto; além dos selos e das peças gráficas carimbando um não à proposta retrógrada e míope do senador Eduardo Azeredo, além disso tudo já há na internet uma petição online que pede o veto ao projeto que amordaça a web. Quem avisa é o Caribé!

Se você não quer que a internet brasileira contribua para o avanço do conhecimento, para o compartilhamento de idéias e para uma inteligência coletiva, ASSINE JÁ!

diarinho se ferra, mas nem tanto

Deu no Consultor Jurídico, ontem:

O jornal Diário do Litoral, de Santa Catarina, terá de indenizar em R$ 10 mil por danos morais o policial militar Jéferson Schmidt, por ter relacionado o seu nome a um homicídio. A decisão é da 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que confirmou sentença da comarca de Balneário Camboriú.

A Sociedade Editora Balneense Ltda EPP e o advogado Carlos Cesário Pereira, diretor do jornal quando da publicação da notícia, deverão arcar, solidariamente, com a compensação ao policial.

Para a relatora do processo, desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, as acusações proferidas foram precipitadas. A publicação no periódico local, segundo ela, tinha grandes chances de repercutir no meio social. “O direito de informar afigura-se condicionado à observância de outros direitos coexistentes, tais quais a honra e a vida privada, que se lhe superpõem e cujas violações acarretam dever de indenizar”, destacou. A decisão foi unânime.

Histórico

Em abril de 2000, o Diário do Litoral, conhecido como Diarinho, acusou Jefferson pelo assassinato de Luiz Gustavo de Oliveira Leitão, encontrado morto nas dependências do Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Balneário Camboriú.

Por ser policial militar e por atuar como árbitro de futebol, Jefferson Schmidt disse que sua imagem — tanto na carreira esportiva como militar — ficou arranhada. Já a editora alegou que o texto publicado apenas transcrevera informações repassadas pelo delegado de polícia, sem a intenção de ofender a honra, imagem ou reputação do PM.

Tá, o jornal perdeu.
Mas a indenização é pequenininha perto do estrago.
10 mil não limpa a honra de ninguém!!!

sensacionalismo custa caro

Deu no Consultor Jurídico:

Um jornal de Uberaba (MG) foi condenado a pagar indenização de R$ 15 mil por ter publicado uma reportagem considerada sensacionalista pela Justiça. Segundo os desembargadores da 10ª Câmara Cível do TJ-MG, o jornal extrapolou seu direito de informar ao expor a intimidade de uma médica da cidade.

Para ler na íntegra, clique aqui.

justiça implica com blog

Pedro Doria conta que um banner em seu blog motivou intimação da Justiça a um político.

Traduzindo:

A Justiça não quer propaganda eleitoral na web.

O Pedro Doria expressou sua preferência política num banner em seu próprio blog.

O blog dele não recebeu dinheiro para isso.

O político em questão é o Fernando Gabeira, que é um dos primeiros candidatos à prefeitura do Rio.

A Justiça não gostou. Acha que foi propaganda fora de hora. Implicou com o Gabeira.

Doria está irritadíssimo e denuncia a censura.

O que eu acho disso?

A Justiça vai na contramão dos acontecimentos. Decretos não vão conter a internet, a blogosfera ou coisas do tipo. A medida pode ser encarada como censura à opinião política, um direito previsto constitucionalmente. Acho que vamos ver e ouvir mais casos desse nos próximos meses. Infelizmente.

Não voto no Rio. Não poderia manifestar meu voto no Gabeira, embora simpatize com ele. Mas será que a Justiça vai me censurar também por comentar a censura ao blog do Pedro Doria???

escola base: um novo capítulo

Reproduzo matéria do Portal Imprensa:

Grupo Folha da Manhã é condenado a indenizar garoto envolvido no caso Escola Base

28/05/2008 |
Redação
Portal Imprensa

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou, 14 anos depois, o Grupo Folha da Manhã no caso da Escola Base. Para o TJ, o jornal usou uma manchete escandalosa e sensacionalista que extrapolou a liberdade de informar, e não resguardou a honra moral de uma criança de quatro anos.

Em março de 1994, o jornal Folha da Tarde, assim como outros veículos de comunicação, afirmou – com informações repassadas pelo delegado que conduzia o inquérito policial, a partir dos depoimentos de duas mães de alunos – que seis pessoas estavam envolvidas no abuso sexual de crianças numa escola de educação infantil, localizada no bairro da Aclimação.

O jornal saiu com a chamada de primeira página: “Perua escolar carregava as crianças para a orgia”. A empresa terá de pagar indenização de R$ 200 mil para o garoto R.F.N, que hoje tem 18 anos. Ele foi apontado pelo jornal como vítima de abuso sexual dos próprios pais.

A empresa Folha da Manhã sustentou que a manchete se limitou a reproduzir as informações oficiais, tomando todo o cuidado para evitar pré-julgamentos ou especulações de ordem subjetiva, e que não existiria prova de dano moral. Mas a Justiça entendeu de forma contrária.

Outras empresas de comunicação já sofreram condenação pelas notícias divulgadas na época, que resultaram no fechamento da escola, na prisão e no julgamento público de inocentes. A Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo foram condenados a pagar R$ 750 mil, a Rede Globo R$ 1,35 milhão, e a Editora Três, responsável pela publicação da revista IstoÉ, R$ 360 mil.

Na área cível, várias ações foram propostas. A primeira delas, contra o Estado, para pedir indenização por danos morais e materiais. Em 1996, o juiz Luís Paulo Aliende mandou o governo paulista pagar cem salários mínimos – R$ 30 mil em valores atuais – ao casal proprietário da escola e ao motorista Maurício Alvarenga. O advogado Kalil Rocha Abdalla, considerou o valor baixo e recorreu ao TJ paulista reclamando 25 mil salários mínimos.

O TJ paulista julgou o recurso o fixou o valor de R$ 100 mil para cada um, por danos morais, e uma quantia a ser calculada para ressarcir os danos materiais. Pela decisão, a professora Maria Aparecida Shimada iria receber, ainda, uma pensão vitalícia por ter sido obrigada a abandonar a profissão.

estratégia da universal começa a fracassar (2)

Como já escrevi há um mês, a avalanche de processos em tribunais de pequenas causas contra jornais brasileiros, orquestrada pela Igreja Universal do Reino de Deus, já dá claros sinais de que está fazendo água. 

A medida – negada de pé junto pela IURD – é intimidar jornalistas e meios que publicam matérias sobre o crescimento da igreja e as formas de acumulação de seu patrimônio.

Segundo o Portal Imprensa, a Folha de S.Paulo já derrotou ao menos vinte ações movidas por fiéis que se ofenderam com as reportagens de Elvirato Lobato sobre os negócios da igreja.

Aliás, a matéria de capa da Revista Imprensa deste mês trata justamente deste assunto.
A chamada: FÉ CEGA, FACA AMOLADA.

estratégia da universal começa a fracassar

No começo, era uma grande idéia. Exortar os fiéis a entrarem com ações em juizados especiais contra uma jornalista que pratica o preconceito religioso em suas matérias. E melhor: fazer isso pelo país todo, de forma a impedir que a ré possa estar em mais de uma audiência ao mesmo tempo. Com isso, alguns processos seriam julgados à revelia, e a jornalista ficaria intimidada. Deixaria de escrever besteiras e tal.

Pois essa foi a estratégia montada pela Igreja Universal do Reino de Deus em reação a reportagens que a repórter Elvira Lobato vinha publicando desde o ano passado na Folha de S.Paulo (para entender, clique aqui).

Nesta semana, alguns movimentos no tabuleiro contribuíram para a estratégia começar a fazer água. Primeiro, a suspensão de 22 dispositivos da Lei de Imprensa pelo STF; e segundo, a derrota de algumas ações judiciais impetradas por fiéis.

Por partes.

A decisão – provisória! – do STF não atinge diretamente a ofensiva da Universal contra a Folha, A Tarde e o Extra. Não atinge porque o rebanho de Edir Macedo entrou com ações que têm como base não a Lei de Imprensa, mas os Códigos Civil e Penal. Logo, com o canetaço do STF, as ações não foram arquivadas. No entanto, o golpe é indireto: a liminar do STF chama a atenção da sociedade para a mídia, e mais simbolicamente para a liberdade de imprensa. Veja o que alegou o ministro do STF, Carlos Ayres Britto, que assinou o despacho: “A imprensa e a democracia são irmãs siamesas. Por isso que, em nosso país, a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade porquanto o que quer que seja pode ser dito por quem quer que seja”. O que quero dizer é que o lance do STF ressalta a importância e o papel social que podem desempenhar os meios de comunicação na democracia. (O Estadão preparou um material bem didático sobre o que está sendo discutido com a Lei de Imprensa: http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac129051,0.htm Aproveite e leia a matéria de hoje, aberta parcialmente para não-assinantes: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080224/not_imp129579,0.php)

Por outro lado, esses dias, mais duas ações de fiéis contra a Folha caíram por terra. Uma no Acre e outra no Paraná. E ambas foram rejeitadas por um argumento muito semelhante que pode ajudar a derrubar todas as demais ações: os fiéis que moveram as ações não têm legitimidade nelas. A matéria de Elvira Lobato não ofendeu os fiéis, mas se concentrou na forma como a Universal vem construindo seu imenso patrimônio e influência política. Trocando em miúdos: os fiéis se queixam de algo que não aconteceu, logo a ação mingua… A jurisprudência está aí. Basta que outros juízes que não caem no joguinho universal sigam o que manda a lei. (Para se ter uma idéia, cerca de 60 ações foram ajuizadas pelo rebanho de Macedo em todo o país).

Na semana passada, os meios de comunicação ligados à Universal (Portal Arca Universal e Rede Record, por exemplo) alardearam declaração do presidente Lula que surtiu como uma defesa da igreja: “As pessoas escrevem o que querem, depois ouvem o que não querem”. Nenhuma novidade nisso: só é preciso lembrar que o vice de Lula, José Alencar, deixou o PL para entrar no Partido Republicano Brasileiro. Adivinhe de quem é o partido? Da Universal.

O que vem a seguir?

1. A Universal vai perder mais ações nas próximas semanas.

2. Outras ações devem ser impetradas, agora com nova sustentação, tentando dar nova força à ofensiva.

3. Folha de S.Paulo e os demais réus vão dar uma tripudiada com suas vitórias parciais.

4. No Congresso Nacional, o PDT vai capitalizar forças para derrubar de vez a Lei de Imprensa.

5. Se o PRB for esperto, vai ser aliado de Miro Teixeira. (Com isso, traz o PDT na sua cruzada…)

6. O PT – paquidérmico e ruim de trato com a mídia – vai ficar olhando a coisa e coçando o queixo.

um golpe contra a lei de imprensa

O Supremo Tribunal Federal concedeu liminar contra artigos essenciais da Lei de Imprensa. Com a medida – provisória até que o STF julgue o mérito da ação -, ficam suspensas penas de prisão por calúnia, injúria e difamação que tiveram como base a Lei de Imprensa (5250/67). O Código Penal já trata da matéria.

O STF deu liminar com base em ação do PDT, que – capitaneado pelo deputado, jornalista e ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira – quer derrubar a lei como um todo. Segundo argumenta o PDT, a 5250 é inconstitucional.

(Para ler matéria do G1 sobre isso, clique aqui ou da Folha de S.Paulo, aqui)

(Para saber da medida, tim-tim por tim-tim, vá ao Consultor Jurídico)

(Quer ler a liminar? Leia aqui em pdf)

A lei é inconstitucional? É sim, em diversas partes, ainda mais quando trata da censura de espetáculos e diversões (um dos trechos atingidos pela liminar). A lei é de 1967, e é tida como um dos entulhos autoritários, aquela legislação que restou após a queda da ditadura militar em janeiro de 1985.

Diversos países não têm lei de imprensa, e em alguns – como nos Estados Unidos – é inclusive proibido legislar sobre a mídia, de forma a constrangê-la ou impedir o seu trabalho. Quem garante isso é a tal Primeira Emenda, que os americanos tanto arrotam nos filmes.

De qualquer forma, a liminar não é uma surpresa por três motivos:

1. Miro Teixeira e o PDT fizeram alarde no Congresso reunindo assinaturas para um pedido de revogação da 5250/67.

2. A lei é flagrantemente obsoleta, inconstitucional e inóqua, já que muitos juristas e cortes já nem mais a levavam a sério. Para processos do tipo, recorriam ao Código Penal, mais forte e sem contestação jurídica.

3. Nem a mídia, nem a sociedade defendiam mais a lei, o que abre largos flancos para a sua derrota.

Há décadas, tramitam no Congresso diversos substitutivos da 5250. O mais avançado – para se ter uma idéia é de 1992.

A liminar do STF vem num momento oportuníssimo de discussões acirradas na mídia brasileira. Dois embates de grandes proporções estão em campo: um que envolve a Igreja Universal do Reino de Deus e a Rede Record contra Folha de S.Paulo, Extra e A Tarde; e outro que mobiliza o jornalista Luís Nassif contra a poderosa Veja (aqui o estopim da história, um resumo do Código Aberto, e sua sequência, aqui).

O ano já começou, senhores!

proibição da venda de bebidas nas estradas

Tenho visto e ouvido muita besteira nos últimos dias sobre a medida do governo que proíbe o comércio de bebidas em estradas federais. Tem chiadeira dos comerciantes, lei da mordaça entre os patrulheiros e algumas manifestações de motoristas. O argumento mais usado por quem vende bebidas em postos de gasolina, bares e restaurantes é o de que a medida não irá impedir o consumo de bebidas alcoólicas por quem realmente quer beber. Basta trazer suas garrafas ou latinhas no próprio carro. Ou ainda passar em qualquer estabelecimento em área urbana.

Ok, é verdade. Mas é um sofisma.

A medida do governo não tem a pretensão de erradicar o consumo de bebidas nas estradas. Seria muita pretensão ou alguma ingenuidade. O propósito é simples: não fazer vista grossa para este comércio nas estradas federais, nos locais da sua jurisdição. E claro: não facilitar o acesso.

O governo está certo? Está. E a medida demorou. Deveria ter sido implementada antes, bem antes. O governo tardou em atuar. E agora, faz apenas o necessário, nada mais que isso. A medida vem em bom tempo porque já vale para este carnaval. Mas penso aqui: e se tivesse sido antecipada em seis meses? Certamente, não teríamos os mesmos números vistos nos feriados de Natal e Reveillon…

E a medida precisa ser estendida para as estradas estaduais, por meio de leis específicas. Em São Paulo, já é assim. Minas e Santa Catarina, sempre na dianteira das tristes estatísticas, deveriam fazer o mesmo.

A lei não é a panacéia, mas é uma ação. O governo e a sociedade não podem se omitir. Agir é o contrário de se omitir.

Milhares de pessoas morrem no trânsito todos os anos. Muitos dos acidentes estão diretamente associados ao consumo de álcool. Há campanhas cada vez insistentes sobre a não combinação entre bebida e trânsito. A sociedade cada vez mais está consciente desses riscos.

A proibição da venda de bebidas em estradas federais não é populista, nem moralista. As mortes no trânsito são questões de saúde pública. As estatísticas são suficientemente claras e trágicas. Quem já perdeu alguém assim sabe o que é isso. Quem ainda não perdeu, não pode esperar que isso aconteça. Os argumentos dos comerciantes são movidos apenas por um interesse: o financeiro.

Até quando ficaremos vendo e revendo imagens e fotos de acidentes, com corpos mutilados, metal retorcido e gente sofrendo pelas perdas?

leis: você não manda em nada

Da promulgação da Constituição Federal, em 1988, até hoje, apenas quatro projetos de iniciativa popular viraram leis. Isso mesmo: quatro. Você acha pouco? E é. Não chega a meio por cento das quase 9,5 mil leis surgidas no período.

A Constituição prevê que as leis possam ser criadas de três formas: pelas mãos de parlamentares (afinal, eles compõem o Poder Legislativo), pelas mãos do Poder Executivo (prefeitos, governadores e presidente da República) e pela vontade da população. Para isso, é necessário juntar 1% de assinaturas do eleitorado, o que hoje significa 1,27 milhão.

Quer dizer, poder fazer lei, o povo pode! Só que a realidade mostra que não faz!

Para saber mais, vá à reportagem da Folha de S.Paulo (para assinantes) ou leia análise no Consultor Jurídico.

wikipedia e a justiça francesa

Stéphane Foucart analisa na edição de hoje do Le Monde a batalha que a Wikipedia trava na justiça contra processos por invasão de privacidade e difamação. O artigo – com o sugestivo título “Wikipedia, nem condenável, nem responsável” – pode ser lido aqui.

A propósito da enciclopédia colaborativa online, há também um estudo do Pew Internet & American Life Project que mostra que 36% dos norte-americanos adultos consultam a Wikipedia, e que ela é mais popular entre estudantes e os mais bem educados. Veja o arquivo em PDF… 

Ainda ouviremos muito dela…

empresas jornalísticas: ordem na casa

Reproduzo do site do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina:

Jornal terá que fazer esclarecimento sobre assédio,
assinar autoria de fotos e regularizar os sem registro

24/09 – Uma ação do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina junto ao Ministério Público do Trabalho resultou em ajustamento de conduta com nove itens, que o jornal Notícias do Dia de Florianópolis se compromete em cumprir, a partir de hoje, sob pena de pagamento de R$ 30 mil de multa por infração ou por trabalhador encontrado em situação irregular. As cláusulas que a empresa assumiu o cumprimento são:

1 – orientar os superiores hierárquicos para que deixem de maltratar ou humilhar os trabalhadores;

2 – abster-se de coagir e pressionar os empregados;

3 – promover esclarecimentos quanto ao tema assédio moral, com no mínimo duas palestras e distribuição de material escrito a cada trabalhador. As palestras devem ser realizadas em até 60 dias, assim como a entrega do material impresso;

4 – parar de descontar, dos trabalhadores, qualquer valor que não aqueles legais;

5 – creditar todas as fotos publicadas, inclusive as de arquivo, assim como cessar a comercialização de fotos sem a autorização do autor;

6 – remunerar em dobro o trabalho prestado aos domingos e feriados;

7 – manter registro fidedigno da jornada de trabalho;

8 – remunerar as horas extras com o adicional previsto na convenção coletiva;

9 – proceder, em no máximo 30 dias, o enquadramento dos repórteres-fotográficos e ilustrador que estão sem registro profissional, encaminhando os documentos necessários ao Sindicato dos Jornalistas.”

a câmera e as mensagens dos togados

Fernanda Bruno comenta o caso do fotógrafo que flagrou ministros do STF trocando mensagens pela intranet em meio ao “julgamento” de possíveis réus no escândalo do Mensalão. Veja o que ela diz aqui.

Para completar, veja a seleção que Luiz Antonio Magalhães fez sobre o caso no Observatório da Imprensa.

(Perguntinha para meus alunos de Legislação e Ética em Jornalismo: E aí, meninos e meninas?)

as leis mais estranhas do mundo

Na França, não se pode batizar porcos com o nome Napoleão.

Em Ohio (EUA), é proibido pescar bêbado.

Na Indonésia, quem é pego se masturbando perde a cabeça. Literalmente.

Em Illinois (EUA), é ilegal oferecer cigarros a animais de estimação.

No Líbano, qualquer homem pode fazer sexo com qualquer animal, desde que seja fêmea.

Os filmes de caratê foram banidos do Iraque no final dos anos 70, por força de lei.

Quer saber mais? Vá à fonte.

(Não, você não vai acreditar. A longa lista não menciona nenhuma leizinha brasileira. Eta, Congresso bom nós temos!!!)

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direito de imagem

PARA MEUS ALUNOS DE LEGISLAÇÃO E ÉTICA:

Em São Paulo, mãe e filho ganham na Justiça indenização por IG publicar foto e vinculá-la à Parada Gay.
Leia no Consultor Jurídico.

Em Belo Horizonte, um lixeiro não conseguiu o mesmo ganho por ter sua foto divulgada no caderno de Meio Ambiente.
Leia no Consultor Jurídico também.

As duas sentenças saíram na mesma semana e parace que a Justiça é louca, não é mesmo? Na verdade, os dois casos são bem diferentes, mas a alegação da mãe paulistana também não cola. Isto é: vale reclamar dano moral diante da orientação sexual; não vale reclamar frente à discriminação social e pobreza.