A chuva contada por Schroeder

544931_historia-da-chuva-702678_Z1Eu esperava outra coisa de “História da Chuva”.

Quando Carlos Henrique Schroeder deixou escapar o título do livro que preparava, me deslumbrei com o achado. Por que não pensei nisso antes? Algo tão ancestral, quase mítico. Tipo “A história do fogo”, como no filme. Um rótulo amplo, capaz de reunir todos os fluxos do tempo e ainda conservar lirismo. Era maio e estávamos em pleno Festival Nacional do Conto. O autor confidenciou ainda que se tratava de um romance sobre a enchente de 2008 no Vale do Itajaí, e vibrei secretamente com aquilo. Também sobrevivi a ela e foi uma das minhas experiências mais aterradoras. Alguém precisava contar aquilo. Aquele mar de tristezas e horror não poderia escorrer pelos ralos da memória…

Então, eu esperava outra coisa de “História da Chuva”, e por isso, saí no meio da tempestade com uma sede infinita, engolindo sofregamente as páginas. Fui tragado por outros redemoinhos, como aqueles que a gente vê num rio caudaloso e que dá dentadas nos barrancos e nas pontes, como já escreveu Schroeder. Os redemoinhos sinalizam os sumidouros, onde pessoas, animais e coisas são tragadas, desaparecendo na água turva.

Fui arrastado então para outros lugares. A partir de um corpo que boia na água marrom, mergulhamos na busca de um narrador por sua própria história e natureza. O cadáver é de um artista de teatro de animação e o narrador estranhamente se chama Carlos Henrique Schroeder, mora em Jaraguá do Sul, é escritor e modesto editor. Tal qual o homem que assina o livro e que iluminou a noite com um título como aquele. O narrador tenta reconstituir o passado do morto, enquanto tenta manter longe a ex-namorada perigosamente ciumenta às vésperas de seu casamento. Como é de se esperar, sua jornada é também a busca de si mesmo, a tentativa de preencher as lacunas que justificariam sua existência.

Menos poético que “As fantasias eletivas”, este “História da Chuva” é um romance muito mais complexo e ambicioso. Schroeder, o autor, espalha mais personagens na mesa e constroi sua trama a partir de várias camadas, alternadas com muita destreza. Me fez lembrar daqueles artistas de circo que equilibram pratos giratórios nas mãos, pés, nariz e queixo. O malabarismo não está apenas em manter os pratos em movimento, mas em mover as varas que os sustentam numa dancinha caótica. Schroeder faz autoficção e ensaísmo sobre o teatro de animação, e reflete sobre o que é sobreviver em meio às agruras de ser artista periférico. Não satisfeito, oferece mais: prende a respiração e afunda no turbilhão da alma de quem se dedica a escrever e a criar. Como foi tudo rápido e sem aviso, há pouco oxigênio para aquilo e o leitor pode acabar como o corpo que boia: com os pulmões cheios de água.

Eu esperava outra coisa de “História da Chuva”. Talvez a redenção a partir da enchente, talvez um punhado de explicações para o mistério que faz da água tanto trazer quanto tirar vidas. Talvez, talvez, talvez. Faz poucos minutos que fechei o livro, depois de reler seis ou sete vezes o final. O impacto permanece. Não pelas surpresas que me trouxe, mas pelo inevitável desconforto de quem passa o dia com as meias e os pés encharcados.

Uma aula de adaptação para os quadrinhos

dois_irmaos-10-1-2Quando fechei o volume de Daytripper, pensei: Nunca li nada melhor por aqui. Sim, a minha impressão permanece, e acho que o trabalho de Gabriel Bá e Fábio Moon é a melhor HQ brasileira já produzida. Sensível, criativa, instigante, belíssima, caprichada.

E quando a gente pensa que os caras alcançaram o ápice e a tendência é ladeira abaixo, engano-engano.

A adaptação de Dois Irmãos mostra que os gêmeos mais talentosos dos quadrinhos mantêm um patamar de altíssima qualidade gráfica e narrativa. O premiado romance de Milton Hatoum conta décadas da vida de outros dois gêmeos descendentes de libaneses numa Manaus mansa e chacoalhada. A história é linda, triste, sofrida e absolutamente cativante. Hatoum revisita uma fábula ancestral – a dos irmãos que se digladiam -, atualiza os mitos de Esaú e Jacó (Machado de Assis) e desvela como amores fraternais podem ser frios e bestiais.

DoisIrmaosA obra de Bá e Moon é uma aula de como adaptar um romance para os quadrinhos. Sim, eles sabem o que fazem. Já até ganharam um Jabuti por O Alienista. Há o respeito à obra original e a oferta generosa de outra obra, única, autônoma, efetiva. Mas em Dois Irmãos, vejo muito mais. Há os traços angulosos e esquálidos que contornam os personagens, aparentemente fortes, mas que fraquejam em suas paixões. Há os estudos da cidade, o porto, as ruas, o casario, o bairro flutuante, cenários que hipnotizam em preto e branco. Está tudo ali. A prosa contida, as palavras bem escolhidas, a caligrafia tortuosa, as onomatopeias econômicas. A casa que envelhece, os amores confusos, as ilusões difusas, os segredos familiares, a ambição convertida em coragem, a preguiça ocultando a pequenez, a sensualidade de orientais e barés, a violência, a vida e a morte.

Longa vida aos irmãos Omar e Yaqub, Gabriel e Fábio.

“Número Zero” desestabiliza

imagesUmberto Eco é um intelectual com uma dose cavalar de coragem.

Quando eruditos e escrachados se agrediam com cotoveladas, ele veio e colocou os devidos pingos nos is falando de apocalípticos e integrados. Analisou quadrinhos com rigor, método e paixão. Assombrou-nos com seu conhecimento enciclopédico sobre a Idade Média e nos deu um belo romance policial com O Nome da Rosa. Nos ensinou e nos envolveu com O Pêndulo de Foucault e outros tantos. Agora, bagunça o coreto com Número Zero.

Tenho uma simpatia enorme pelo professor-bonachão e corri para ler Número Zero. Não só por isso, mas também pelo fuzuê dos comentários sobre o livro. Se você não sabe do que se trata, não é um livro cheio de rococós e empreendimentos rebuscados como os anteriores, mas um volume curto, pouco mais de 200 páginas, e que aborda temas atuais… Um grupo de jornalistas é recrutado para produzir doze edições de teste para um novo jornal em Milão. Não é jornal qualquer, mas será O jornal, algo que vai abalar as estruturas da sociedade local e do próprio jornalismo.

Em tempos difíceis para o jornalismo, claro que o livro me chamou a atenção. Com inteligência, humor refinado, ironia delicada, Eco me fez rir em diversas passagens que bem poderiam passar por anedotas, mas que são reconhecíveis nos meios de comunicação atuais. Estratégias para ocultar a verdade, formas de como atrair o interesse do público para banalidades, esquemas para separar o joio do trigo e publicar o joio estão em todas as partes. A gente ri amarelo em muitas delas, com vergonha alheia. A gente se entristece com os rumos que seguem os veículos e os profissionais.

É um alerta de Eco? Talvez. Mas o fato de ambientar sua trama em 1992 me faz pensar que o sinal vermelho esteja soando atrasado, bem atrasado. Pessoalmente, eu não esperava nenhuma saída milagrosa dele no romance, mas talvez algum alento, alguma esperança. Não, nada disso.

A trama me decepcionou também. Quase nada acontece, e aqueles personagens se colocam em cena como caricaturas, clichês desgastados. O desfecho é incerto e hesitante. E foi assim que fiquei ao final do livro. Não entendi o que levou um homem daquela estatura e volume a cometer aquelas páginas. Tal como as edições produzidas pelos personagens, talvez Número Zero nem devesse ter deixado o prelo…

Cremilda Medina em casa

UnknownFazia algum tempo que eu não a via pessoalmente. Mas na semana passada, ela passou pela cidade para uma conferência num evento, e foi a oportunidade de nos revermos rapidamente. Afetuosa como sempre, me deu um abraço daqueles, fez questão de me olhar nos olhos e me escaneou a alma. Acho que passei… Me trouxe também um presente: Você tem o meu livro de memórias? Sem jeito, fui sincero. Não. E ela sacou um exemplar com dedicatória e tudo o mais.

Acariciei a capa, sentindo a leveza do papel e deixei as páginas ventilarem meu rosto. Duas noites depois, abri o livro querendo um tantinho mais. E quem disse que consegui deixar de lado?

Me dei conta de que conheço Cremilda Medina há quase 15 anos. Ela me orientou no doutorado e convivemos um tempinho, pouco diante do que eu poderia aprender.

Em “Casas da Viagem”, Cremilda não apenas oferece uma autobiografia, mas porções generosas de diversos encontros que teve na vida nas últimas sete décadas. De maneira original, ela toma o mote das casas que habitamos ao longo da existência para contar o que viu, sentiu e viveu. As casas são as contas de um colar, e cada um tem o seu… Desprendida, a autora narra suas origens em Portugal, os tempos de imigração, a passagem pelo Rio Grande do Sul, a longa estada em São Paulo e as muitas viagens pelo mundo, como jornalista, pesquisadora e professora. Franca, a autora lembra de momentos bons e ruins, dá os nomes certos aos acertos e aos erros, e deixa escapar parte de sua coragem e ímpeto.

Aquelas páginas nos contam da relação de Cremilda com escritores e artistas, do convívio com intelectuais e cientistas, da vida difícil em tempos difíceis, da certeza de que a vida deve ser celebrada. Ao final, somos apresentados às casas da viagem, em fotos vívidas dos imóveis que a autora já habitou, como um filme rápido que desfila pelas nossas retinas.

Autobiografias há aos milhões. Toda vida merece ser contada e registrada. Este livro de memórias de Cremilda Medina não é um acerto de contas, não é um balanço de trajetória, não é uma ostentação de ditos e feitos. Para mim, as “Casas da Viagem” é um volume que cerca uma personagem que está à procura de si mesma. Alguém que sabe saborear bons e maus momentos, e que enxerga na vida uma grande aventura, um risco do qual não se pode fugir.

É hoje! Promoção relâmpago de Os Maiores Detetives do Mundo

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Amanhã tem promoção de Os Maiores Detetives do Mundo

O futuro dura muito tempo

A Editora da UFSC, o Departamento de Jornalismo e o Laboratório da Tele da UFSC têm um projeto bem bacana chamado “O livro da sua vida”. Nele, em um minutinho, leitores falam de títulos que foram importantes em algum momento de suas existências…

Como hoje é feriado, que tal perder ganhar um tempinho conhecendo a iniciativa?

(Até eu me arrisquei a indicar um livro…)

Um encontro de dois escritores fantásticos

Já pensou uma conversa entre Ray Bradbury (de As Crônicas Marcianas) e Adolfo Bioy Casares (de A invenção de Morel)? Não é fantasia minha, não. Aconteceu! Em algum dia numa feira literária em Buenos Aires…

Da arte de destruir coisas do teatro

A sensação que fica depois de terminar “Teatro”, de David Mamet, é de quase terra arrasada.

Num estilo direto, o autor desfere bordoadas em atores, dramaturgos, diretores, realizadores, farsantes, teóricos, professores, preparadores-de-elenco e outros animais do palco. Sobra pra todo o mundo, e quase não sobra nada.

Na verdade, sobra. Resta o palco, resta um teatro baseado em coisas simples e verdadeiras, resta o público, a quem ele manifesta um colossal respeito.

Para Mamet, o teatro precisa entreter, o dramaturgo deve se preocupar com o enredo (e não com suas ideias, mesmo que elas sejam geniais), os atores precisam mostrar sua verdade no palco, e o diretor não deve atrapalhar.

Com quatro décadas de carreira, Mamet é aclamado por suas peças e roteiros de cinema. Sabe contar uma história, sabe prender a nossa atenção. Em “Teatro”, ele esfrega na nossa cara suas antipatias, manias, maneirismos, dogmas e frescuras.

Os Maiores Detetives do Mundo a R$ 1,99

ebook entre livrosJohn Lennon já cantou: “So this is Christmas.”

Por isso, nada mais esperado do que… presentes!

Que tal comprar Os Maiores Detetives do Mundo por apenas R$ 1,99?

É só amanhã, dia 23 de dezembro, e por aqui: http://zip.net/bcpY75

As solidões de Carlos Henrique Schroeder

schroederConfesso que cheguei meio acabrunhado na livraria. Arrastado por minha esposa, eu ia a um lançamento de dois livros de jovens autores brasileiros que eu desconhecia. Para ser mais exato: já tinha ouvido falar muito deles, cheguei a trombar com alguns de seus títulos, mas eu nunca tinha lido Santiago Nazarian ou Carlos Henrique Schroeder. E eles estavam ali, a duas fileiras de cadeira, falando de suas novidades, e eu só balançando o queixo, no maior estilo sabe-tudo…

Confesso também que fui capturado pela simplicidade e pelo jeito gente-boa de Schroeder, e dias depois, fui “conhecer” o sujeito por meio de seu As Fantasias Eletivas. Nele, uma voz atual e um timbre claro nos conta a história de Renê, sujeito pacato, com passado tumultuado, que trabalha como recepcionista de hotel à noite em plena baixa temporada. Estamos em Balneário Camboriú, que no verão é a Babilônia, e fora dele, o Saara.

Acompanhamos Renê e o hall vazio, o silêncio da madrugada, as ruas desertas, as habitações ermas, a excêntrica fauna noturna, tudo isso e mais ajudam a compor uma atmosfera de absoluta solidão. Mais que solidão, abandono.

Se o romance só nos apresentasse o cotidiano de Renê, teríamos elementos de sobra para permanecer com o nariz colado naquelas páginas. Mas Schroeder – que já foi um Renê na vida – nos apresenta Copi, um travesti divertidíssimo que rouba a cena e que nos tira de nós mesmos. Fadado a mexer com os quadris e a capturar cenas com sua câmera, Copi captura pessoas e coisas que se cercam de solidão. Numa pasta surrada, coleciona os flagrantes da vida e destila pequenos textos que transbordam lirismo e inteligência.

É o que Copi chamou de A Solidão das Coisas, e aí a gente se depara com preciosidades que me fizeram lembrar de Borges nos seus delírios eruditos, em mundos inventados, nas obras e autores que sonhou… Ponteiros de relógio são solitários, marcadores de página são solitários, corredores de hotel são solitários, placas, sombras e notas de rodapé são solitários… Passamos por eles todos os dias, esbarramos em suas superfícies – como as dos rejuntes do piso – e nada. Nem percebemos suas condições singulares e, portanto, sozinhas.

Schroeder, Renê e eu ficamos só olhando o que Copi nos mostra. E é tanto que queremos mais Copi nas páginas que virão. Seria exagero dizer que “agora, sim!, conheço Schroeder”. É pouco ainda. Quero ler mais, e tenho certeza de que não estou sozinho nesse desejo.

Sabe tudo de ficção policial? Sabe nada, inocente!

Desafie seus limites, teste seus conhecimentos, fazendo o Quiz de Os Maiores Detetives do Mundo:

quiz promo

os maiores detetives do mundo!

10687074_809697539082601_8309464264861088602_nEu e Ana Paula Laux acabamos de lançar Os Maiores Detetives do Mundo, um livro que reúne 60 perfis dos mais importantes personagens da ficção policial da literatura, TV, cinema, quadrinhos e games.

Disponível exclusivamente em formato eletrônico, o livro é resultado de cinco anos de pesquisa e escrita. Mas não foi só muito trabalho. Foi também muita diversão ao encontrarmos com tantos tipos sensacionais: Sherlock Holmes, Poirot, Miss Marple, James Bond, Scooby-Doo, Casal 20, McGaiver, Wallander, Ed Mort, Delegado Espinosa, Nero Wolf, Miami Vice, CSI, Kay Scarpetta, House, e tantos outros…

Para escrever, buscamos uma linguagem leve, muitas curiosidades, e um estilo bem-humorado. Recorremos ao traço sensacional de Junião para a capa e o resultado você confere ao lado. Por falar nisso, reparou que nossos nomes não aparecem abaixo do título? Pois é, optamos por um pseudônimo, mas essa história eu conto depois…

Ficou curioso sobre o livro? Não fique mais!

Para adquirir seu exemplar, clique aqui.

Para saber mais de Os Maiores Detetives do Mundo, acesse aqui.

E para ter uma amostra grátis do livro, vá por aqui.

um clássico renovado

capa karamO professor Francisco José Castilhos Karam, um dos coordenadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) está lançando a 4ª edição revista e ampliada de “Jornalismo, Ética e Liberdade”.

Editado pela Summus, o livro foi publicado originalmente em 1997 e se tornou uma leitura obrigatória para pesquisadores, jornalistas e estudantes interessados nos dilemas éticos jornalísticos. Nesta reedição, a editora apresenta novo tratamento gráfico, capítulos completamente revistos e novas seções.

O autor leciona no Departamento de Jornalismo da UFSC desde 1984, já publicou “A ética jornalística e o interesse público” e atualmente é o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR).

(reproduzido de objETHOS)

em novo endereço…

O site que dedicamos aos detetives, aos crimes e às páginas policiais (da ficção!) está em novo endereço!

Acesse www.literaturapolicial.com

Entre, sirva-se e fique à vontade!

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qual é o seu signo, detetive?

A literatura policial é dessas artes que permitem muitas extrapolações. Volta e meia, estudiosos propõem classificações por ciclos históricos, pela nacionalidade dos autores e até por modalidades de crimes. Rótulos são criados (noir, hardboiled…), períodos são determinados (era de ouro, etc…) e um cânone vai se formando. Mas poderíamos ir muito além. Quem sabe elaborar listas de detetives fumantes, de mulheres que investigam, de serial-killers com traumas de infância, de mortes esquisitas e de vítimas excêntricas?
Como a literatura policial é dessas artes que permitem extrapolações, vou propor uma nova classificação, a zodiacal.

(leia a íntegra de Sob o Signo do Crime que publiquei no Almanaque da Literatura Policial)

25 anos sem o pai de maigret

georges_simenon1Faz um quarto de século que Georges Simenon mudou de endereço, passando a martelar seu teclado em outra dimensão. Um dos escritores mais produtivos de todos os tempos, o pai do Comissário Jules Maigret foi lembrado hoje por Ana Paula Laux no Almanaque da Literatura Policial.

Leia na íntegra aqui.

lançamento: “máquinas de ver, modos de ser”

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gente estranha, nomes esquisitos

Esta semana, passei a colaborar para o site Almanaque da Literatura Policial.

No debut, fiz uma lista de nomes estranhíssimos do gênero… Leia um trechinho:

A literatura policial é um universo frequentado por quem não é muito bom da cabeça. Tem os assassinos em série, os obcecados por pistas, os acumuladores de casos insolúveis. Encontramos também os que ficam paranóicos com a pilha de corpos, os que desenvolvem explicações conspiratórias e aqueles que sofrem com a abstinência por não ter nenhum mistério para resolver. O mundo dos crimes é paradoxal: tem gente que não bate bem, mas para sobreviver nele é preciso ter raciocínio lógico, inteligência e outras habilidades mentais. Mas nessas páginas não basta ser um sujeito estranho. Veja como ter um nome esquisito também ajuda…

Ficou curioso? Leia a íntegra aqui.

“na epiderme da rocha” na bienal

Meu irmão, Rodrigo Christofoletti, lança amanhã na Bienal do Livro de São Paulo mais um livro: Na epiderme da rocha (Ed. Leopoldianum). O trabalho também é uma organização assinada por Cesar Agenos F. da Silva.

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eduardo campos e o livro a jato

Não é figura de linguagem! O corpo do presidenciável Eduardo Campos nem foi enterrado e já tem livro nas prateleiras com um perfil biográfico dele. Tá duvidando? Veja o anúncio abaixo!

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lá vem bellini!

Não, não. Não é o capitão da seleção que avança pela lateral com o coração na boca e a bola na ponta da chuteira…

É o detetive Remo Bellini, criatura de Tony Bellotto numa série de livros policiais com a cara, a fauna e a paisagem paulistana. Distante das prateleiras desde 2005, o personagem prepara o seu retorno, conforme conta Ana Laux na entrevista exclusiva que fez com o escritor. Aqui, no Almanaque da Literatura Policial.

kucinski lança alice

alice de kucinskiBernardo Kucinski não para. Depois de estrear na ficção com “K”, chamar a atenção da crítica e do público, ser traduzido no exterior, mudar de editora, lançar um título de contos (“Você vai voltar pra mim…”), ele apronta mais uma. Chega às livrarias “Alice”, sua primeira novela policial, uma incursão que ele já ensaiava há algum tempo.

Aqui em casa, recebemos um exemplar do autor, o que nos deixou muito felizes. Minha mulher foi uma das leitoras dos originais. Ela se assombrou com a história de crime acontecida em plena USP. Eu me assombro com a capacidade de reinvenção do Bernardo…

por uma tv de qualidade

CouvTVdequaliteO professor Eduardo Cintra-Torres avisa do lançamento do livro “Por une télévision de qualité”, organizado por François Jost.

Aliás, ambos participaram do dossiê do mesmo tema que lançamos na revista Estudos em Jornalismo e Mídia (confira aqui).

O novo livro tem 278 páginas e custa 20 euros.

Mais informações em http://www.inatheque.fr/publications-evenements/publications-2014/pour-une-t-l-vision-de-qualit-.html

previsões e o imponderável

236b-big-o-sinalNate Silver é um americano que vem maravilhando quem se interessa por baseball, pôquer, eleições, economia e outros campos onde as previsões têm um grande peso.

Ele costuma “acertar” com precisão de duas casas decimais. Seu site, o FiveThirtyEight, apresenta um generoso painel de análises estatísticas sobre quase tudo. Além disso, Nate escreveu um livro inspirados sobre o tema: O Ruído e O Sinal.

Estou vasculhando nele razões para acreditar que alguém seria capaz de prever o que se deu no Mineirão na última terça.

Imprevisível? Impossível? Inadiável?

So-bre-na-tu-ral.

para quem gosta de sangue e mistério…

Se você não consegue ir pra cama antes de devorar as últimas páginas do livro e descobrir a identidade do assassino… se você se amarra em séries sobre investigação… se você é íntimo de Sam Spade, Poirot, Maigret, Sherlock Holmes, Kay Scarpeta  e tantos outros… se você tem espírito de detetive e adora literatura policial… não pode deixar de conhecer, navegar e voltar sempre preciso a esses endereços:

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garcía márquez não morreu!

Todos sabem. Gabo só voltou para Macondo. E pronto.

(Na Colômbia, os jornais dão adeus…)

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daniela arbex vem aí

A 12ª Semana do Jornalismo da UFSC está trazendo hoje para o palco a jornalista Daniela Arbex, repórter especial da Tribuna de Minas e que é uma das mais respeitadas e premiadas da sua geração. Daniela, para além do currículo recheado, é uma profissional preocupada, comprometida e muito trabalhadora.

Em 2012, ela publicou uma série de reportagens que denunciava nada mais nada menos que 60 mil mortes ao longo de décadas num temido e legendário hospital psiquiátrico em Barbacena (MG). O título da série me pareceu à época um tanto exagerada: Holocausto Brasileiro. Não era, e a grande reportagem levou o Prêmio Esso de Jornalismo a sua autora.

Este ano, a série foi ampliada e editada na forma de livro com o mesmo título. E ele está causando nas livrarias, redações e outros lugares por aí. Está nas principais listas dos mais vendidos, e Daniela tem peregrinado por diversos locais para lançar e discutir a questão delicadíssima dos cuidados que se dispensa a quem precisa nas casas de internação. Aliás, discute-se também o estatuto da internação e tudo o mais…

Daniela Arbex falará hoje à noite na Semana (no Auditório do Centro de Convivência/UFSC, às 19 horas), e se eu fosse você não perdia. Nem deixava de ler o livro, que é tocante e terrível.

jornalismo científico e amazônia

Os professores Samuel Lima e Manuel Dutra estão lançando “Jornalismo científico e pesquisa na Amazônia”, ebook que traz dezessete entrevistas com jornalistas e pesquisadores daquela região. A obra – editada pela Insular – lança luz sobre um assunto que muitos evitam: como se faz ciência em regiões ao mesmo tempo afastadas dos grandes centros e estratégicas para o país?

Confira aqui.