os testes da coréia e o nosso telhado de vidro

Homer-768566O Brasil fez coro ao resto do mundo e condenou o lançamento de mísseis nucleares pela Coréia do Norte. O Itamarati esbravejou contra a ameaça do oriente. Só que quem tem telhado de vidro não pode atirar pedra nos outros. Por aqui, vazou material radioativo em Angra 2, mas a empresa responsável pela usina diz que foi “insignificante”.

Pode até ser, mas o fato se deu faz mais de dez dias e só agora anunciam o episódio. O governo brasileiro não sabia disso? Se não, estava mal informado, o que é preocupante. Se sabia, foi mal intencionado, como aquele macaco que senta em cima do próprio rabo e zomba da cauda dos colegas…

a greve de fome de evo morales

Democracias consolidadas, com instituições sociais funcionando plenamente, com alternância de poder e muita liberdade funcionam assim:

a) O presidente tenta aprovar uma lei no congresso nacional

b) A oposição tranca a pauta, vocifera e impede a votação

c) O presidente reúne suas bases, rearticula as forças, e… faz beicinho

d) A oposição dá de ombros

e) O presidente começa uma greve de fome para forçar a aprovação da lei.

Detalhe: a lei é para permitir eleições gerais este ano, e para que o presidente se reeleja. Legítimo? Inteligente? Maduro? Apelativo?

Na Bolívia, Evo Morales tomou essa importante decisão. Você acha que ele vai morrer de fome? Claro que não. Acha que vai conseguir o que quer? Não sabemos. Mas, convenhamos, é ridículo.

Política não se faz assim, com chantagem emocional, com populismo barato, à base de chá de coca, água e balas.

A última vez que um político sério apelou para o mesmo artifício foi quando Antony Garotinho também fez greve de fome em 2006 em protesto à “perseguição” que sofria da mídia, de opositores e do sistema financeiro. Na época, torci muito por Garotinho. Eu insistia: Não desista! Não coma nada! Não desista! Vá até o fim!!!!

liberdade de expressão, acesso à informação e empoderamento

wpfd_2008_proceedings_160A UNESCO acaba de disponibilizar um documento que interessa a todos aqueles que pesquisam políticas de comunicação, democracia e direitos. Trata-se de Freedom of Expression, Access to Information and Empowerment of People. O volume está em formato PDF, em inglês, e tem 106 páginas.

O sumário diz a que veio:

  • Press Freedom Contributes to Empowerment
  • Press Freedom and the Empowerment of People
  • Community Broadcasting: Good Practice in Policy, Law and Regulation
  • Working Conditions of Journalists in Africa
  • Freedom of Expression, the Right to Communication: Old Challenges, New Questions
  • Towards a Third Generation of Activism for the Right to Freedom of Information
  • Supporting Democracy Requires Combating New Media Censorship
  • Access to Information
  • Right to Information and Sustainable Development
  • Challenges for Advocacy and Implementation of Right to Information Laws
  • Freedom of Information Visibility on the Development Agenda
  • A Perspective on India’s Recent Experiences

Para ter acesso, clique aqui.

sarkozy despeja dinheiro sobre a mídia

Outro dia, escrevi aqui que camadas organizadas da sociedade francesa manifestaram publicamente sua preocupação sobre a qualidade da mídia local. Pois bem, não é apenas o povo quem coça as rugas da testa com o assunto. Já desde o final do ano passado, o governo também. Na semana que passou, o recado foi público e polpudo: o presidente Nicolas Sarkozy anunciou um pacote de 600 milhões de euros para o setor nos próximos três anos.

Em tempos bicudos como os nossos – quando Bush abre a torneira de 700 bilhões de dólares para bancos e financeiras, e quando Lula reduz impostos para impulsionar a indústria automobilística -, o presidente francês acena com um plano para salvar a imprensa escrita, como deixou claro no Palácio dos Champs Elisées. A operação atende pelo nome de États Généraux de la Presse, ou Estados Gerais da Imprensa. O desafio é melhorar a rentabilidade dos jornais, aumentar suas tiragens, aliviar os custos das empresas do setor e impulsionar os meios online.

Ainda é cedo para medir a temperatura e dizer qual repercussão o anúncio trouxe ao mercado francês, e por extensão à mídia européia.

O Le Monde foi bastante contido, como sempre. Em editorial, ponderou as medidas, salientando a sabedoria da presidência da República em deixar que editores e jornalistas dêem os devidos encaminhamentos à solução da crise que asfixia o setor. O jornal não comemora abertamente, mas o editorial ressalta que a mídia é também uma indústria, o que a legitimaria a receber auxílios financeiros, pode-se ler nas entrelinhas.

Já Le Figaro trouxe editorial do seu diretor de redação Étienne Mougeotte reconhecendo o “ceticismo francês” que acompanhou o setor à mesa de negociação com o governo. Mas sauda a iniciativa. Entretanto, Mougeotte não se fez de rogado: reforçou que o norte do jornal é o leitor e para quem ele trabalha. A preocupação do experiente jornalista é com a credibilidade do veículo, mas não só ele. Um comunicado da AQIT, Associação pela Qualidade da Informação, convocava esta semana jornalistas e editores a conjugar esforços para a formalização de um Conselho de Imprensa. Segundo a AQIT, um novo código deontológico e uma instância que aglutinasse produtores e usuários do sistema seriam condições essenciais para um resgate da confiança ao setor.

Os movimentos são muitos e em direções não necessariamente opostas. Os franceses estão mesmo preocupados com o assunto e tudo leva a crer que arragaçaram as mangas para enfrentar a(s) crise(s) da mídia. No Brasil, já passamos perto disso. No final da década de 90 e começo desta, a revista Carta Capital martelou em várias edições um tal plano do BNDES para salvar a mídia, notadamente a Rede Globo. A revista bateu forte, e o plano de ajuda acabou não saindo. Não porque a revista fosse tão influente assim. Mas a revista também não estava fazendo aquilo por patriotismo, mas por isonomia…

O fato é que as torneiras mantiveram-se fechadas pro setor. Pouco ou quase nada entrou de dinheiro estrangeiro por aqui, mesmo após mudarem a Constituição em 2002. Os jornalistas revisaram seu código deontológico em 2007. Mas ficamos nisso. Talvez porque a crise nas bancas esteja anestesiada pelo sucesso de jornais a preços populares ou ainda porque as redações acreditam contar com a confiança dos seus leitores.

Será mesmo?

ATUALIZAÇÃO: Alberto Dines tratou do assunto, trazendo muito mais detalhes. Vale a pena ler.

o legado de bush a obama…

Frank Maia, soberbo, sintetiza a troca de faixa em Washington...

http://xinelao.blogspot.com/2009/01/obama-de-entrada.html

obama toma posse e eu com isso?

Tentei não tocar no assunto já que há muita gente altamente capacitada tratando de escrever, mas é que não consegui resistir. Estamos a três horas mais ou menos da posse de Barack Obama, e a euforia generalizada me impele a deixar registrado aqui que lua de mel é bom, mas não é pra sempre.

Eu explico.

É natural que após oito desastrados anos de governo WBush, a maioria dos norte-americanos e o resto do mundo atingido por uma política externa ruim dê graças a deus pelo seu fim. Se um poste fosse eleito para substitui-lo, muita gente estaria exultante hoje mesmo. O fato de ser um jovem senador negro, conciliador, de idéias progressistas é simbólico e expressivo.

Vi muita gente vibrar bastante com a vitória de Obama. Vi gente chorar e se emocionar. Vi gente dizer “finalmente, agora, temos um presidente negro”. Em silêncio e para não estragar a festa de ninguém, eu me perguntava: “temos, quem? Não sou norte-americano…”

Obama assume hoje o maior posto do planeta, cercado de símbolos, de lendas, de esperança quase infinita. A esperança é global, de que haja um mundo melhor e que o seu maior player jogue um jogo mais limpo. Obama assume com ares de semi-deus, como salvador do globo, que possa restituir a dignidade e o respeito que os norte-americanos perderam diante da comunidade internacional nos últimos anos, que possa retirar a todos da crise economica mundial, que traga prosperidade, felicidade, etc.

Mas Obama não é deus. Ele terá que negociar internamente as saídas para o seu país, que podem ser soluções não tão boas para nós, brasileiros, por exemplo. Se ele optar por isso, tenha claro que não é nada pessoal, amigo: são negócios, apenas. Afinal, ele é presidente dos EUA e não do Brasil. Obama terá que redefinir uma política externa que tenha na ponta de lança o diálogo, a interlocução, diametralmente oposto à postura arrogante e isolacionista adotada há quase uma década. Obama terá que compor, que se associar, que ouvir, que recuar. Isto é, o poder não estará no NÃO, mas no SIM, na aceitação, na coordenação de esforços, na composição.

Já vimos isso por aqui. Em 1985, uma esperança esmagadora tomou o país com a eleição de Tancredo Neves. Era o fim de quase 21 anos de ditadura. A lua-de-mel terminou antes de começar. Tancredo morreu e não chegou a assumir. José Sarney, que meses antes era do partido que sustentava a ditadura mas que virou-casaca rapidinho, tornou-se presidente e teve que negociar novas bases para o país.

Em 2003, Lula assumiu a presidência com uma aura muito semelhante à de Barack Obama. Os anos que se seguiram mostraram que ele precisou recuar em alguns pontos e avançar para a coalizão em outros tantos. Teve que compor, que pactuar, que fazer política.

Isto é, o Salvador da Pátria não existe. Nem no Brasil, nem nos EUA. O cenário é difícil, e Obama precisará de sabedoria, de paciência, de sorte, de perícia. Como o piloto que soube pousar suavemente um avião de carreira no rio Hudson semana passada…

PS – Antes que me xinguem, antes que agentes do FBI me tirem de circulação, aviso: não estou torcendo contra, afinal ainda moro neste planeta e a sanidade da maior economia global afeta a todos, incontornavelmente. Apenas quero ver a coisa com distanciamento, com olhar crítico e umas pitadas de ceticismo. Equilíbrio, gente. O mundo real é mais complicadinho…

as últimas do pedro dória

Pedro Dória não pára quieto. O primeiro repórter-blogueiro do Brasil e responsável por projetos como o NoMínimo acaba de lançar As últimas, um agregador de blogs, sites e outras traquitanas online em português e voltado para quem quer se informar sobre o Brasil.

Correspondente internacional, ele se ressentia das dificuldades de acompanhar a vida aqui pela rede. Sempre deu muito trabalho e dependeu de disciplina, ele conta. Com isso, decidiu facilitar a vida e criar um agregador do tipo AllTop, como ele mesmo declara a inspiração.

Inicialmente, Dória disponibilizou três páginas: Política Brasileira, Política Internacional e Futebol. Vêm aí Mídia e Humor, e quem sabe algo mais.

Embora As últimas junte blogs verdadeiros com blogs que não são bem lá isso (mas colunas apenas vertidas ao online), a iniciativa é muito, muito bem vinda.

obama é a maior notícia do século

Deu no Comunique-se, e eu reproduzo.

Pesquisa realizada pela Global Language Monitor revela que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, é o maior destaque da imprensa neste século. Os resultados divulgados nesta segunda-feira apontam que a cobertura da candidatura de Obama rendeu duas vezes mais textos que qualquer outro evento desde a virada do século.

“Obama não tem precedentes. Ele cativou o mundo”, disse o presidente da entidade responsável pelo estudo, Paul Payack.

Obama foi tema de cerca de 250 milhões de notícias, batendo assuntos como a guerra do Iraque, a morte do Papa João Paulo II, o ataque ao World Trade Center e o furacão Katrina.

“A magnitude nos surpreendeu. Ele teve 750.000 citações antes de ser escolhido como candidato do partido”, disse Payack.

sapatada: jornalista não pode!

Eu sei que a cena ajuda a fechar com chave de ouro oito anos de um governo desastrado e desastroso. Eu sei que foi por pouco que Bush não leva uma (com um pouco mais de mira, duas) sapatadas. Sei também que o ato protagonizado pelo jornalista Muntazer al Zaidi foi comemorado por meio mundo porque ilustra com grandiloqüência a desaprovação à administração Bush.

Mas não foi certo.

Não quero polemizar à toa, mas não foi certo.

Jornalista nenhum poderia ter feito aquilo. Por questões óbvias profissionais. Al Zaidi não estava lá para atentar contra Bush, para contradizê-lo, para protestar contra a ofensiva ao seu país. Credenciou-se para a ocasião de participar de uma entrevista coletiva e deveria, isso sim, ter brigado para questionar o presidente norte-americano, para colocá-lo na parede com perguntas indigestas e até mesmo constrangedoras. Al Zaidi não estava lá como um cidadão iraquiano ou de qualquer nacionalidade. Estava numa espécie de pessoa jurídica, na condição de jornalista, de representante de um determinado veículo de comunicação, e como tal, deveria atuar dentro das quatro linhas desse jogo.

Sei que a quase-sapatada gerou um estado de euforia em muita gente. Claro que ele em si já é uma piada, e ocasionou até jogos online, onde as pessoas se desestressam acertando o presidente. Al Zaidi traz à tona uma vontade nem tão secreta de milhões, quem sabe, bilhões de pessoas de punir um governante tão despreparado, inábil e irresponsável. Mas o papel dos jornalistas está em fiscalizar os poderes, denunciar abusos, investigar, perfilar personagens, contar histórias. Ao perder a paciência ou o controle, Al Zaidi deixou seu posto de jornalista, pulou o balcão e juntou-se aos cidadãos anônimos que não têm as obrigações e deveres que o jornalismo nos impõe. Não é um lugar ruim, mas o ethos é outro.

Al Zaidi deixou de contar a história para tornar-se personagem dela. Do ponto de vista da catarse coletiva de ferrar Bush, valeu. Do ponto de vista da ética profissional dos jornalistas, não vale. Com isso, foi preso, espancado e deve responder por processo que deve lhe render prisão. As entidades que lutam pelo direito de expressão fazem protestos contra as agressões por ele sofridas, o que é natural e esperado.

Fico pensando se ele tivesse acertado o alvo. De uma certa forma, acertou: deu ao mundo a última cena de um governo ruim para os Estados Unidos, para o mundo e para a nossa história.

governos podem monitorar a mídia?

A resposta parece óbvia, mas vale a pena ler a notícia que saiu hoje no Jornalismo nas Américas, do Knight Center:

Plano do governo de criar observatório da mídia causa repúdio dos jornalistas

A União dos Jornalistas de Honduras (CPH) disse que a proposta do governo de criar um observatório federal da mídia representa a intenção de controlar e censurar os meios de comunicação, segundo o El Heraldo.

A presidência anunciou na semana passada que pretende criar este órgão para fiscalizar as informações que os meios de comunicação publicam e divulgam.

Em um editorial, o jornal La Prensa qualificou a iniciativa como uma tentativa de controlar a mídia independente, e de deixar que as pessoas no poder ditem os padrões jornalísticos da objetividade e do profissionalismo.

a crise americana e nós

Ando perdendo muito dinheiro com a crise de confiança nos mercados.
Mas não vou me queixar neste blog. Vou mesmo é matar meu consultor de finanças…

Só quatro numerinhos:

1. O governo Bush quer repassar US$ 700 bilhões pro setor financeiro.

2. O rombo, na verdade, é maior, segundo comentário de Joelmir Betting, ontem na Band: US$ 1,5 trilhão.

3. O PIB brasileiro em 2007 foi de R$ 2,6 trilhões, o que convertido em dólar (câmbio de hoje) daria perto de US$ 1,4 trilhão.

Isto é, o governo Bush quer transferir meio PIB do Brasil pros bancos.
É ou não é um bom negócio ser banqueiro em qualquer parte do mundo?

a solução para a crise de wall street

# New York: Histeria na mídia internacional com a crise em Wall Street.


# Belém:
Fui conferir no Mercado Ver o Peso como a crise de confiabilidade no sistema financeiro norte-americano está afetando os negócios por lá. Vendedores de peixe, de frutas e de outras comodities me garantiram que o movimento continua normal, apesar da quebradeira lá fora.

Mesmo com a crise da Bolívia e o efeito dominó que derrubou as bolsas mais importantes do mundo, o vendedor Miguel está otimista. Para ele, a tendência é melhorar no mês seguinte, quando Belém virá o maior cenário religioso do país com o CÍrio de Nazaré. A crise em Wall Street não provoca temor no empresário. “Pode piorar um pouquinho em casa, aumentando o preço do arroz e do feijão. Mas não afeta as vendas aqui!”, garantiu.

Mais do que otimista, Miguel parece altamente confiante. Na Banca da Flora, onde vende essências de patchouili e de andiroba – entre outras mais -, ele apresenta um produto que pode ser a solução para o caos no exterior: seu viagra natural, à base de ervas e raízes da Amazônia.

Miguel dá a receita para a crise.

puladas de cerca e políticos em campanha

Katia Bachko fez uma interessante consulta ao “eticista” do The New York Times, Randy Cohen, sobre o caso do senador John Edwards, aquele que admitiu um caso extra-conjugal recentemente. O texto saiu hoje na CJR, e você pode estar se perguntando: o que isso nos interessa? Afinal, Edwards está fora do páreo pela Casa Branca, e nem brasileiro ele é… O que isso pode modificar o rumo das coisas por aqui?

Esse caso em particular não afeta diretamente a minha e a sua vida, mas é sempre importante ler sobre valores da mídia em situações de dilema ético em plenas campanhas eleitorais. Afinal, estamos no meio de uma – de caráter mais restrito, municipal, é verdade -, mas político é político, e escândalo sexual quase sempre provoca impactos no eleitorado…

um barômetro do acesso à informação

Esbarrei num interessante levantamento da Fundação Konrad-Adenauer sobre como a mídia chilena tem acesso a informações naquele país. O estudo é uma consulta com mais de 400 jornalistas que apontam as suas maiores dificuldades para trabalhar, os piores lugares para conseguir informações e as principais causas dessas barreiras.

O estudo pode ser lido aqui. O relatório – de novembro de 2007, e o quarto de uma série – está em espanhol, formato PDF e tem 42 páginas, fartamente ilustradas com gráficos. Não conheço nada tão abrangente da mesma temática aqui no Brasil, mas está aí uma pesquisa oportuna e necessária para ser feita no país. As conclusões a que chegaram nossos vizinhos são de que “la ‘poca disposición de las autoridades e instituciones’ para entregar información, junto a la ‘autocensura’ de los propios medios, son dos de los aspectos que más dificultan el acceso a la información pública en el país”.

Acho que por aqui não seria lá muito diferente…

a amazônia é de todos

Basta dar uma olhadinha na banca de jornais, uma rodadinha pelos canais de TV ou uma voltinha na web e a gente se depara com a falação do momento: os gringos estão crescendo o olho sobre a Amazônia.
A capa da revista Isto É desta semana é sintomática:

No outro canto da banca, O Estado de S.Paulo berra: A Amazônia tem dono. E na semana que passou assisti a duas vezes, ao menos, a veiculação de um editorial da Band sobre o tema, conclamando o governo a tomar pé da situação. Joel Betting e José Luiz Datena leram “a opinião da Band”.

Não sei nada de Amazônia. Nunca fui até lá. Não sei nada de direito internacional e tenho uma idéia vaga de soberania nacional. Mas de qualquer forma não custa perguntar: Não é estranho que essa gritaria toda ganhe a mídia logo após a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente? Se eu fosse um sujeito persecutório e encanado, diria que uma parcela influente da comunidade internacional estaria pressionando o governo brasileiro pelos flancos, os flancos ambientais. Lembra daquela queda de braço do biodiesel brasuca e do biodiesel à base de milho?

Todos parecem querer falar da Amazônia, pôr as mãos nos seus recursos, tirar fotinhos com macacos e indiazinhas ribeirinhas. A Amazônia é de todos. Ao menos nos sonhos…

israel, 60

Uma amiga me manda um vídeo sobre os 60 anos da criação do estado de Israel.

O vídeo tem pouco mais de sete minutos, mas vale a pena assistir e rever conceitos.

depois do tremor, o que esperar da china?

O terremoto de 7.8 graus na escala Richter que se abateu sobre o sudoeste da China hoje de manhã provoca ondas de choque por todos os lados.

Paul Bradshaw, como de hábito, muito rápido e antenado, reflete sobre o arrasa-quarteirão e as olas no Twitter.

Aqui no Brasil, o não menos antenado e rápido Pedro Doria avalia que a tragédia é um tremendo teste para o gigante chinês:

Este é um teste para a abertura da China. O New York Times trabalha com 7.600 mortes, já. A capacidade do governo de atender as vítimas, de lidar com a ajuda internacional, de explicar ao mundo o que se passa, darão mostras de que tipo de potência poderemos esperar. A China entrará num casulo de auto-proteção – como a URSS costumava fazer – ou permitirá à imprensa que torne tudo público, inclusive os vacilos das autoridades locais e nacionais? É certo que um caminho do meio é o mais provável. Do meio, sim, mas de que lado?

contra a censura na internet

A Unesco e os Repórteres Sem Fronteiras promovem no próximo dia 12 de março o primeiro Dia Internacional da Liberdade de Expressão Online. A idéia lançada é de que os internautas do mundo todo protestem por 24 horas contra os países considerados “inimigos da internet”, já que são eles quem constrangem, perseguem e oprimem jornalistas, blogueiros e demais usuários.

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, existem hoje 63 pessoas consideradas ciberdissidentes, que estão atrás das grades.

Para a ONG, os países “inimigos da internet” são a Birmânia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Eritréia, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã.

crise na américa latina

A Colômbia pulou o muro do vizinho Equador pra pegar um peixe grande das FARC. Matou o cidadão e violou tratados internacionais. O Equador fez beicinho e exigiu desculpas. A Colômbia contra-atacou, dizendo que o Equador não tinha do que reclamar, afinal ele e a Venezuela davam dinheirinho pros bandidos das FARC. Lá em Miraflores, Chávez ficou chateado e tirou seus tanques de guerra da caixa. Pegou os soldadinhos de chumbo também. Em Brasília, Celso Amorim dourou as pílulas, mas assentiu que um pedido formal de desculpas era de bom tom.

Tô sentindo falta da Condoleeza Rice nesse angu. Esse governo Bush não tem política para a América Latina, não?

Quer saber?

Acho que não vai dar em nada.

eleições nos eua: saiba tudo

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Se o assunto é a eleição presidencial nos Estados Unidos e você está mais perdido que cachorro que cai do caminhão de mudança, não se preocupe. O IG preparou um excelente infográfico que ensina como funciona a coisa por lá, quais são os candidatos, quando vai ser e o que os caras acham de temas polêmicos como aborto e casamento gay.

Acesse aqui!