Marcado: redes sociais

Redes sociais: 28% do planeta está conectado

Infografia do Go-Globe apresenta dados mais recentes da presença, uso e engajamento nas redes sociais…

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um mapa nacional da mídia digital

Mapeamento da Mídia Digital no Brasil imagesgstsAcaba de cair na rede um estudo amplo e aprofundado sobre os meios digitais no país. “Mapeamento da Mídia Digital no Brasil” é uma iniciativa da Open Society, assinado por Pedro Mizukami, Jhessica Reia e Joana Varon. Tem oito capítulos espalhados em 173 páginas que tratam de consumo, relações com a sociedade, jornalismo, tecnologia, negócios e formas de financiamento, leis, regulações e políticas. Em linguagem clara, com textos analíticos e recorrendo a diversas fontes, o estudo merece leitura atenta e muita discussão. Tem mais: está bem atualizado, já que a ele foram adicionadas informações sobre o Marco Civil da Internet, aprovado e sancionado em abril passado.

Acesse aqui. (em PDF, em português e com arquivo de 7,6 Mega)

nem tudo tem um link

desplugadoEm tempos de conectividade total, uma história me divertiu semana passada. Quem contou foi o jornalista Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S.Paulo e da GloboNews na Argentina. Ele estava em um local público e “pescou” uma rápida discussão entre pai e filho, que discordavam sobre algo. O pequeno teimava, argumentando que sabia do que estava dizendo, afinal tinha visto aquilo na internet. O pai não hesitou e mandou uma frase certeira:

Filho, nem tudo na vida tem um link!

cadê a privacidade que estava aqui?

Capa_PoliTICS_16_100x133Se você é daqueles que andam bem cabreiros quando navegam na internet, vale a pena estar muito informado sobre as principais discussões sobre privacidade e segurança de dados. Existe muita coisa por aí que merece ser conhecida e lida, e uma lista de leituras obrigatórias seria sempre muito limitada. Por isso, nem me arrisco a fazer, até porque por mais que estude o assunto, ainda tenho muito a aprender sobre a tal coisa…

De qualquer forma, me atrevo a indicar a leitura do mais recente número da revista poliTICs, editada pelo Nupef, que circula gratuitamente e pode ser lida tanto em papel quanto em PDF.  O número em questão traz três artigos muito importantes. O professor Pedro Antonio Dourado de Rezende, de Ciências da Computação da UnB, aponta caminhos para se entender melhor as denúncias de espionagem e vigilância global, hipertrofiadas com as ações de Edward Snowden. De quebra, faz um “afago” ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

O cultuado ativista Cory Doctorow chacoalha a cadeira para falar de marcos regulatórios para proteção de dados na União Europeia. Você não mora por lá? Não importa. Se algo de grave acontecer do outro lado do Atlântico, o que garante que as ondas não cheguem aqui?

E se você pensa que “privacidade” é apenas manterem seus dados guardadinhos quando você acessa algum site, abra a cabeça com o artigo de Koichi Kameda e Magaly Pazello, pesquisadores do Nupef, que abordam a segurança de dados sobre a saúde das pessoas num ambiente hiperconectado como o nosso.

E já que estamos falando nisso, por que não conferir Os arquivos de Snowden, o livro do jornalista Luke Harding, do The Guardian, sobre o delator dos megaesquemas de espionagem dos EUA? Lendo a trajetória do jovem analista de segurança terceirizado da NSA, dá pra ver como resta quase nada do que chamávamos de segurança na navegação e privacidade…

chyperpunks, criptojornalismo e assange

capa-cypherpunks-provisc3b3riaCoincidências, ah, as coincidências… Bem na semana em que começo a ler “Cypherpunks – liberdade e futuro da internet”, o novo livro de Julian Assange, tropeço em “Cryptoperiodismo – manual ilustrado para periodistas”, de nelson fernandes (assim mesmo, sem iniciais maiúsculas) e Pablo Mancini. O primeiro traz quase 170 páginas de diálogo do rosto à frente do Wikileaks com três importantes ativistas e programadores sobre quebra de privacidade na web, segurança, vigilância e outros temas relacionados. Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann dividem com Assange preocupações sobre a nossa convivência online no presente e além. De quebra, fortalecem o movimento dos chyperpunks, os criptopunks, que defendem privacidade para as pessoas comuns e transparência para os poderosos. Polêmico, instigante, atual.

“Cryptoperiodismo” não mergulha tanto, mas vai na mesma trilha: a necessidade de os jornalistas se resguardarem em ambientes virtuais, preservando identidade, fontes e informações. É um guia, em espanhol, e disponível no site do livro.

Se você é jornalista ou não, pouco importa. Mas se eu fosse você, não desviaria dos alertas que esses dois livros trazem. Na pior das hipóteses, fazem a gente pensar.

desconecte-se! um pouco…

Não adianta negar! Você é um cara comum: tem perfis em algumas redes sociais, passa por sites e portais diariamente, participa de umas listas eletrônicas, tem mais de um endereço de e-mail e checa suas caixas postais com frequência. Vez ou outra deixa comentários em blogs, cutuca um amigo no Facebook, compartilha um arquivo de áudio, baixa o último episódio da sua série favorita, e retuíta uma mensagem engraçadinha que recebeu. Faz isso tudo ao mesmo tempo, no meio do ambiente do trabalho ou mesmo enquanto estuda para a prova de amanhã. Você não diz uma palavra, mas está em contato com dezenas de pessoas, “conversando” com elas simultaneamente. Não está fazendo uma, mas várias operações ao mesmo tempo, e isso te dá aquela sensação de onipresença, versatilidade e produtividade.

Não adianta negar! Se você fica mais de oito horas por dia plugado na web, sabe do que estou falando. Você faz isso também. “Todo o mundo faz!”, pode até argumentar. Isso não quer dizer que seja o certo, o normal, o natural, dirá o escritor William Powers, autor de “O BlackBerry de Hamlet”, um best-seller no ano passado nos Estados Unidos e lançado por aqui recentemente.

A tese central de Powers é que precisamos desconectar pelo menos um pouco. Jornalista aficionado por tecnologia e colunista da área em importantes veículos norte-americanos, ele teria razões de sobrar de dizer justamente o contrário. Já fez isso, mas alterou drasticamente seu comportamento e, neste livro, chama a atenção do leitor dos perigos da “ultraconexão”. Sim, Powers nada contra a corrente. Talvez sozinho…

A questão que ele coloca é que estamos muitíssimos mergulhados nas telas (do desktop, do notebook, do tablet, do smartphone…), que consumimos um tempo infinito administrando nossas vidas online e que isso tem repercussões negativas. Segundo Powers, é falsa, então, a sensação de que estamos mais produtivos, que o comportamento multi-tarefa é sinal de versatilidade e que somos tão populares e aceitos quanto nos mostram as redes sociais. O raciocínio é que, mediados pelas muitas telas, construímos e alimentamos relacionamentos breves, frágeis, superficiais; que nossa vida se apequena diante das telas (ao invés do contrário); que priorizamos a vida virtual compartilhada em detrimento de vivências interiores mais intensas e profundas.

Ainda está aí? Imagino que alguns leitores já torceram o nariz e abandonaram o post. Sim, você pode discordar totalmente de William Powers, mas não pode ignorar os argumentos ou os fatos que ele apresenta. De forma esperta, você pode até aproveitar para refletir sobre a sua situação particular à frente das telas, e – quem sabe? – mudar algum hábito (ou não). Você verá que ele tem razão em muitos aspectos…

Powers não pede nem espera que você se desconecte por completo. Nem ele fez isso! “O BlackBerry de Hamlet” não é desses livros que ditam-regras tão somente. O autor parte de sua experiência pessoal para pensar em voz alta sobre como as coisas podem não estar bem. A chave parece passar pela moderação, uso racional e equilíbrio.

Escrito com leveza e bom humor, o livro merece atenção em tempos de pensamento único e deslumbrado pela tecnologia. Sai da frente desta tela e se conecte no livro de Powers…

para onde vão os livros?

Um velho ditado proclamava: “As palavras caminham”. Se elas não ficam paradas, o que dirá dos livros?

Os que você tem em casa, estão à sua vista, mas e os que você empresta ou os que são descartados?

Frequento sebos não apenas para encontrar livros baratos e fora de catálogo. Volta e meia, descarrego em um sebo os livros que não leio mais, não vou ler nunca ou que já transbordam da minha estante. Eu sei, tem gente mais apegada que não se livra de seus livros nunca. Também já fui assim, mas é que vem faltando espaço e, volta e meia, tento desocupar lugares nas prateleiras para os novos volumes que comprei e ganhei. Pois recentemente tive duas gostosas surpresas com os livros que dispensei. E quem me trouxe notícias deles foi o Facebook.

Meses atrás, uma moça mandou mensagem reservada pelo sistema dizendo que havia comprado um livro que fora meu. Ela identificara meu nome na folha de rosto, e em dois cliques no Google me encontrou. O livro era “A linguagem no pensamento e na ação”, e ele estava no interior de São Paulo, a quase mil quilômetros de onde estou. Vendi o livro em Florianópolis e, meses depois, a nova dona dele me encontrou na internet e decidiu mandar lembranças do volume. Achei curioso.

Semana passada, tive novas informações de outro ex-livro-meu: “Liberalismo e Democracia”. Mais uma vez, um desconhecido me procurou na rede, e me contou que era o mais novo proprietário. Desta vez, o volume viajara pouco. Na verdade, ele até estava me seguindo. Foi comprado numa banquinha de livros a cem metros do prédio onde leciono na UFSC. Tenho certeza de que vendera para um sebo do centro da cidade, mas “as palavras caminham”, lembra? O novo leitor não só me contou do livro como disse que me conhecia de uma palestra em outro lugar, e que ele sim viajara e acabara de comprar o volume…

Você pode até dizer: tá e daí?

E daí que o mundo é bem pequeno, os livros não ficam parados e as redes sociais ajudam as pessoas a se encontrar. Há poucos anos não escrevo mais meu nome na folha de rosto dos livros. Não é preguiça, superstição ou coisa que o valha. É só um ensaio de desapego.

ops! cancelaram o encontro de blogueiros

Sabe o Primeiro Encontro de Blogueiros e Tuiteiros de Santa Catarina, que aconteceria nos dias 9 e 10 deste mês?
Pois é, não vai ter.

Vejam a nota de cancelamento dos organizadores

Lamentamos informar que o Primeiro Encontro dos Blogueiros e Twitteiros de Santa Catarina está cancelado por problemas de planejamento e consequente falta de recursos para sua realização.

A ideia, porém, continua de pé. Neste espaço continuaremos a divulgar blogs do estado e notícias do interesse da população catarinense que não alcançam espaço na mídia tradicional.

Nossa luta por pluralidade de informações e pelo marco regulatório das comunicações continua, assim como a busca por qualidade e honestidade em nossas publicações.

Parceiros são bem vindos, o blog está aberto a colaboradores que queiram participar desta árdua batalha que é combater o pensamento único da mídia e sua relação simbiótica com o poder público catarinense.

Com pesar suspendemos o evento, mas continuamos com o projeto e se tudo der certo, teremos um grande encontro no próximo ano.

Aos inscritos, agradecemos a confiança e entraremos em contato por e-mail para maiores esclarecimentos.

A comunicação é um direito seu, participe desta luta que cresce em todo Brasil pela sua democratização!

blogueiros catarinenses, uni-vos!

(reproduzido do site da UFSC)

Estão abertas as inscrições para o “I Encontro dos Blogueiros e Twiteiros de Santa Catarina”.
O evento acontecerá nos dias 9 e 10 de março de 2012, no hotel e Centro de Eventos Canto da Ilha, localizado na Avenida Luiz Boiteux Piazza, 4810 – Cachoeira do Bom Jesus, Florianópolis-SC.
O objetivo do evento é debater o novo marco regulatório das comunicações e as ações regionais dos blogueiros catarinenses, que lutam pela criação do conselho de comunicação estadual e organização dos meios independentes de informação, os blogs e redes sociais.

Os convidados para a mesa principal, “Comunicação e Oligopólio em Santa Catarina”, são  Venício Lima, Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de “Regulação das Comunicações – História, poder e direitos”, Editora Paulus, 2011; e Rosane Bertotti, atual coordenadora nacional do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações).

O custo da inscrição é de R$ 100,00, incluídas a estadia e alimentação nos dois dias de evento.

Para os participantes que não precisarem de estadia a inscrição é gratuita, sem alimentação inclusa. Basta enviar os seguintes dados através do formulário de contato no rodapé do site ou para o email contato@blogueirossc.com.br – nome completo, RG, telefone e e-mail para contato.

O evento é organizado pela estudante de economia da UFSC, Binah Ire, com apoio do professor Márcio Vieira de Souza, do curso de Tecnologias da Informação e da Comunicação do Campus de Araranguá.

Informações: binahire@hotmail.com ou http://blogueirossc.com.br

jornalismo após wikileaks e news of the world

O World Press Freedom Committee e a Unesco promovem hoje e amanhã o seminário “A mídia mundial após o WikiLeaks e o News of the World”, evento que vai reunir jornalistas e experts de diversas partes do mundo para debaterem novos cenários para o jornalismo nos próximos anos. O seminário acontece nas dependências da Unesco em Paris, e é motivado pelos rebuliços provocados pelas ações do WikiLeaks e pelas escutas clandestinas que precipitaram o fechamento de um dos jornais mais tradicionais do Reino Unido.

Veja parte da programação:

Hoje, quinta, 16:
Painel 1 – Como os profissionais de mídia tratam o ambiente digital
Painel 2 – Profissionalismo e ética no ambiente de novas mídias depois do WikiLeaks e do News of the World
Painel 3 – Legislação internacional após WikiLeaks
Painel 4 – Relações entre governo e mídia depois do WikiLeaks

Amanhã, sexta, 17:
Painel 5 – Liberdade na internet após o WikiLeaks
Painel 6 – Jornalismo profissional e jornalismo cidadão trabalhando juntos após o WikiLeaks

Mais informações: http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/

Aaaahhhh!
Se você se interessa pelo tema, veja um livro sobre o WikiLeaks, um dossiê sobre o assunto e uma entrevista.

vamos discutir direito à comunicação?

O Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), junto com outras organizações, promove nesta semana o primeiro Encontro Nacional sobre o Direito à Comunicação.
O evento acontece nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em Recife.

Confira o site do evento.

“compartilhar” é o verbo mais importante hoje

Houve um tempo em que “compartilhar” era uma ação muito mais ligada a motivações religiosas, na tentativa de igualar as pessoas, nivelar oportunidades, reduzir as distâncias entre as pessoas. Na igreja, era o momento de compartilhar o pão, de dividir uma metáfora do corpo do salvador. A eucaristia se resumia a um ato de compartilhar, uma expressão de afeto e desapego.

Atualmente, compartilhar vai além disso. É tornar comum, é comungar também para além das filiações religiosas. Compartilhamos fotos, textos, arquivos de áudio e de vídeo, experiências, gostos, opiniões, desagravos, conselhos, nossas vidas… Isso impactou nossos hábitos, nossas culturas, nossas formas de sociabilidade e nossa economia.
Somos todos, de alguma maneira, personagens desta nova conjugação do verbo.

“Sharing: culture and the economy in the internet age”, de Philippe Angrain, é um bom estudo sobre as transformações mais recentes que este hábito contagiante está provocando. Vale conhecer. Baixe aqui
(em inglês, em PDF, com 243 páginas e 2,5 mega de arquivo)

jornalistas e redes sociais na europa

Um recente e extenso estudo realizado pela TNS Qual+ descreve a relação de jornalistas e redes sociais na Europa. Se você se interessa pelo fenômeno das redes ou por jornalistas, vale dar uma olhada. Tem 111 páginas, em formato PDF, em inglês e com arquivo de 1,1 Mega… (baixe aqui)

vida digital, um estudo global

Foram apresentados publicamente os resultados de um amplo estudo sobre hábitos e apropriações de usuários digitais em 60 países, incluindo o Brasil. “Digital Life” é uma pesquisa que traz dados de 2011 a partir de entrevistas a 72 mil usuários de 16 a 65 anos, uma amostra de 93% da população mundial conectada. A pesquisa foi feita pela TNS, multinacional de pesquisa de mercado.

Alguns dados que chamam a atenção:

  • Dos 2,1 bilhões de internautas, 84% estão nas redes sociais e 33% elegem marcas como “amigas”
  • 80% deles usam o meio digital para conseguir informação e 78% levam em consideração comentários sobre marcas, produtos e serviços
  • No planeta, a média é que se destine 18 horas semanais à internet, quase um quinto disso nas redes sociais
  • O tempo conectado por dispositivos móveis vem crescendo e já ocupa 11% do total global
  • Esses dispositivos impulsionam o crescimento das redes sociais e dos comentários, e em países emergentes acaba sendo uma das únicas formas de estar conectado
  • Em junho de 2011, contava-se 200 milhões de tweets ao dia
  • 64% de quem posta comentários sobre uma marca, o faz para oferecer conselhos ou compartilhar uma experiência; 53% para criticar

O estudo interessa a empresas do setor de tecnologia e mídia, mas também a pesquisadores da área e a usuários comuns, que podem ter uma compreensão maior dos fenômenos atuais da comunicação.

Saiba mais sobre o estudo aqui

Veja a apresentação dos resultados dirigida à mídia!
(em formato PDF, em espanhol, 65 páginas e arquivo com 1,6 Mb)

como adolescentes se comunicam?

Surgiu um estudo recente da Ericson sobre como os adolescentes norte-americanos se apropriam de tecnologias para se comunicar. A pesquisa leva em conta 2 mil entrevistas online feitas com sujeitos de 13 a 17 anos. A amostra representa uma fatia de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária, afirma o estudo. Alguns resultados:

  • Mandar textos pelo celular é legal, mas não substitui contato presencial
  • Videochat é uma tendência crescente
  • O telefone celular é uma ferramenta social
  • Adolescentes e adultos usam o Facebook de forma diferente

Quer ver o estudo na íntegra, clique aqui.
(em inglês, 12 páginas, em formato PDF e arquivo de 498 Kb)

googlejornalismo: um guia

Já pensou usar o Google para organizar suas fontes de informação, encontrar dados e fazer pesquisas pelo buscador e usar outros serviços e ferramentas para apurar, editar e publicar reportagens? Enfim, fazer jornalismo pelo Google?
Veja este guia produzido pela Medios Milenium, de Bogotá.
(documento em espanhol, em PDF, com 80 páginas e arquivo de 8,6 mega)

uso de mídia define gerações: será mesmo?

O Link, caderno de tecnologia de O Estado de S.Paulo, trouxe matéria sobre estudo da agência Adge/Magid Generational Strategies que apontaria uma ligação direta entre consumo de certas mídias por grupos etários em faixas de horário do dia. Quer dizer: o uso do meio ajuda a definir a sua geração. Típico caso de determinismo biotecnológico, fácil da gente “comprar” mas igualmente fácil de desbancar.

Veja a matéria aqui, o estudo aqui e um infográfico aqui.

Digo que a gente embarca nessa história com facilidade porque estudos deste tipo nos “ajudariam a explicar as mudanças pelas quais estamos passando nos últimos anos”, separando em gavetinhas as espécies de usuários e organizando a bagunça em que vivemos. Mas a coisa não é assim tão tranquila.

Se as gerações funcionam assim, como explicar os casos de velhinhos que estão nas redes sociais, que blogam, que se comunicam com seus netinhos pelo Skype, que postam suas fotos familiares no Flickr ou coisas do tipo? Como explicar que existem jovens usuários que não são necessariamente heavy users ou nerds de plantão, apesar de seus colegas serem? Eles são desvios da norma? São exceções à regra? Não se pode afirmar porque não há dados científicos que o coloquem dessa maneira…

Isto é, embora gostemos da piadinha que elogia as novas gerações por estas “virem software embarcado atualizado”, as formas de apropriação dos meios seguem regras que transcendem as biológicas: são culturais, sociais, contextuais, históricas. Quem dá bons argumentos nessa direção é o sagaz Clay Shirky, professor da Universidade de New York e autor de um livro inspiradíssimo: Cultura da Participação. Segundo Shirky, as gerações podem se diferenciar no uso dos meios não por aspectos inatos, ligados a sua genética ou coisa do tipo. Hiatos podem surgir entre elas por conta das oportunidades diferentes que elas têm de se apropriar de algo, de trazer isso para suas vidas e de transformar suas existências com essas novas chances.

O raciocínio de Shirky ajuda a explicar porque hoje milhões de pessoas – de todas as gerações – compartilham mais suas experiências nas novas mídias, articulam-se mais em torno de causas cívicas (ou não), buscam se organizar pela web e forçam a porta da participação nos meios convencionais. Temos atualmente mais oportunidades de fazer coisas que antes ficavam relegadas a grupos mais restritos. Temos capacidade de nos conectar mais rapidamente e mais facilmente a grupos de semelhantes, o que facilitaria trabalhar de forma coletiva. Não é, portanto, um fenômeno geracional; é histórico; é o momento. Segundo Shirky, temos os meios, os motivos intrínsecos para fazer isso e as oportunidades. Junte tudo, bata e coloque no forno. O resultado é o que o autor chama de “excedente cognitivo”.

Não disse que essa coisa do determinismo geracional era fácil de contrariar?

Não disse que as ideias do Shirky são interessantes?

uso do twitter, media literacy e regulação de redes sociais

A mais nova edição da revista Jornalismo & Jornalistas, editada pelo Clube dos Jornalistas de Portugal, tem ótimas razões para ser conferida. Cito três motivos bem pessoais:

1. O sempre conectado Pedro Jerónimo faz uma análise do uso do Twitter no contexto regional português. Para quem não conhece o trabalho desse jornalista, deve segui-lo aqui.

2. Reportagem resgata o que de melhor aconteceu no Congresso Nacional sobre Literácia, Media e Cidadania, que a Universidade do Minho promoveu em março passado. O professor Manuel Pinto é um dos grandes nomes nas pesquisas sobre educação e mídia em Portugal, e seu trabalho vem ecoando para fora das fronteiras daquele país faz tempinho… Aqui no Brasil, Manuel Pinto é um habitué. Ainda bem…

3. Catarina Rodrigues traz algumas perguntas e respostas sobre a questão de regramentos para o uso de redes sociais por jornalistas. Vale a pena ler e pensar sobre isso…

Quer conferir a publicação? Clique aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

jornalistas e redes sociais: mais uma pesquisa

Estão lembrados do estudo que a ONG Artigo 19 fez recentemente sobre as relações entre jornalistas e redes sociais?

Pois o site Jornalistas da Web informa que mais uma pesquisa do tipo, e com profissionais brasileiros, está disponível, e ajuda a entender o tema. O levantamento foi feito pela PR Newswire e tem como amostra 305 jornalistas, que responderam perguntas pela internet entre março e abril deste ano.

Quer ver um resumo da pesquisa em PDF? Clique aqui.

Quer ver uma apresentação em slides? Clique aqui.

jornalistas e redes sociais: resultados de pesquisa

A divisão brasileira da ONG Artigo 19 já sistematizou os resultados que colheu na pesquisa que realizou com jornalistas abordando o tema das redes sociais. A amostra é de 150 jornalistas de 20 estados e os questionários foram aplicados em abril e maio de 2011.

Algumas questões abordadas:

  • As redes sociais favorecem a liberdade de imprensa?
  • Quais são os limites entre a identidade profissional e o perfil pessoal nas redes sociais?
  • Qual o uso profissional das redes sociais?
  • As redes sociais favorecem o jornalismo cidadão?
  • As redes sociais e blogs aumentam a transparência das empresas jornalísticas?
  • Os jornalistas de referência nas mídias tradicionais são os mesmos de referência nas redes sociais? Blogs e redes sociais favorecem que mais jornalistas se tornem famosos?
  • Como acontece a discussão sobre as políticas de comunicação e a imprensa nas redes
    sociais?

Veja os resultados em arquivo PDF, 11 páginas: aqui

A pesquisa Artigo 19 contou com apoio do escritório da Unesco no Brasil e com o Portal Imprensa.

contemporânea chama para textos sobre wikileaks

Reproduzo mensagem de André Lemos e Edson Dalmonte, editores da revista Contemporânea.

Edição – Agosto 2011
“WIKILEAKS – CIBERCULTURA E POLÍTICA”
A Revista Contemporanea lança um call for papers sobre o tema “Cibercultura e Política”, tendo como ênfase principal a discussão sobre o fenômeno “Wikileaks”. No final de 2010, o “Wikileaks” difundiu importantes e constrangedores documentos secretos que incomodaram as principais potências mundiais (EUA, China, França, GB) e alguns países emergentes, entre eles o Brasil. O papel das tecnologias de comunicação e informação (TICS) na reconfiguração do jogo político não é um fato novo, desde as ações ativistas e micropolíticas, até o uso por candidatos, políticos eleitos, partidos políticos, bem como governos e instituições públicas. O caso “Wikileaks” (“Wiki”, plataforma colaborativa online e “Leak”, vazamento, circulação de informação) é a mais nova faceta do ciberativismo global e coloca em discussão o papel do jornalismo, da diplomacia mundial e dos novos meios de comunicação. Segundo Manuel Castels, uma nova etapa da comunicação política foi inaugurada. A revista Contemporanea quer investigar essas questões.

Calendário:
Recebimento de artigos: até 31 de maio
Resultado da seleção: 20 de junho
Trabalho de revisão: 21 a 30 de junho
Publicação da Revista: 15 de agosto

jornalistas e redes sociais: uma pesquisa

O escritório da UNESCO no Brasil, o Portal Imprensa e a ONG Artigo 19 estão aplicando uma pesquisa online sobre jornalismo e mídias sociais. Segundo os promotores, a divulgação dos resultados da pesquisa vai fazer parte das atividades de celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa no Brasil, em 3 de maio.

“O objetivo da pesquisa é identificar desafios e possibilidades do uso de redes sociais para o exercício do jornalismo”, informam os realizadores. A pesquisa é aplicada por meio de um formulário eletrônico, com 32 questões bem diretas, e que não duram muito para serem concluídas. As respostas podem ser anônimas.

Para participar, acesse http://artigo19.org/midiassociais/pesquisa

redes sociais, jovens e crianças

Orkut, Facebook e Twitter já são tão populares entre as novas gerações que parece que alguns bebês abrem suas contas nesses ambientes antes mesmo de fazer o teste do pezinho. Apesar do meu exagero, tem gente mais qualificada que se preocupa com o uso (ou intenso uso) das redes sociais por crianças e jovens.
É o caso da Academia Americana de Pediatria, que produziu e está circulando um estudo sobre o tema em seu periódico oficial. Em pauta, benefícios dos usos, impactos na aprendizagem, acesso a informações de saúde, ciberbullyng, pressões para o consumo, preocupações com a garantia da privacidade dos pequenos.

Tudo bem que a publicação é localizada – originária dos Estados Unidos -, mas pode servir como um bom roteiro para ser replicada em outras partes, inclusive aqui. (São 303 Kb, sete páginas, em PDF e em inglês)

Baixe!

 

novos tuíters e blogueiros

Atualizei há pouco os mapeamentos que vimos fazendo sobre pesquisadores lusófonos da Comunicação que mantêm blogs e pesquisadores da área que estão no Twitter. A primeira lista já foi atualizada 45 vezes e agora tem 215 blogs de Brasil e Portugal. A segunda está na 40ª versão e conta com 360 tuíters.

Pesquisadores da Comunicação no Twitter: aqui

Lista lusófona de blogs da Comunicação: aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

filosofia 2.0 e redes sociais

Acontece hoje e amanhã na Universidade Nacional Autônoma do México o 1º Encontro Filosofia 2.0 e Redes Sociais.

Confira a programação:

Hoje, 14
Comunicações tradicionais: 10h-12h

  • Miguel Angel Cabrera Sanchez. “Redes sociales, caos y Tecnopolítica. Tradicional”
  • Marco Antonio Godínez Bustos. “La proliferación digital del discurso y el futuro de la filosofía”
  • Adriana Romero Villegas. “Sobre el Ciber-Café-Philos y la filosofía de autoayuda”. Benemérita Universidad Autónoma de Puebla.
  • Carlos Alberto Pineda Saldaña. “Lebenswelt 2.0”


Comunicações dinâmicas: 12h – 14h

  • Mauricio Sosa. “Debate sobre las aporías de la democratización en las redes sociales”
  • Oscar Santana. “Algunas consideraciones en torno a la relación entre Filosofía, Redes Sociales y Bibliotecas digitales”
  • Leticia Flores Farfán: “Estrategias Contemporáneas de lectura de la antigüedad grecorromana”

Pausa

Apresentações de ferramentas: 17h – 19h

  • Antonio Salgado. “Ambientes colaborativos y documentales”
  • Talía Elizabeth Morales. “Revista AIon.mx”
  • “Círculo de estudios de la filosofía Mexicana”

Amanhã, 15
Comunicações dinâmicas: 10h-12h

  • Isabel Galina. “Publicaciones digitales”
  • Ernesto Priani. “Micro filosofía”
  • Ramos Chaverry Soto. “Redes sociales y procesos de subjetivación”
  • Daniela Michel. “Alcances y limitaciones de Wikipedia para laformación digital del alumno”

Comunicações tradicionais: 12h-14h

  • Edith Gutiérrez Cruz. “Hay un ethos en Twitter”
  • Francisco Javier Montes. “Redes sociales: evolución y alteración mental y cerebral”
  • Alberto Constante: “Escrito en Twitter”
  • Raúl Trejo Villalobos y Rebeca Garzón Clemente, “Hacia una clasificación de los sitios WEB especializados en Filosofía (En lengua Española)”

14h: Encerramento

wikileaks e a liberdade na web: grátis!

A editora Graciela Selaimen, do Nupef, informa que acaba de sair mais uma edição da revista poliTICs, agora com o tema Wikileaks e a liberdade da web: ataques e resistências.

A publicação pode ser acessada gratuitamente aqui.

Veja o sumário

>Algumas lições importantes que o caso Wikileaks ensina – Graciela Selaimen

>Por que o Wikileaks polariza a política de internet norte-americana – Milton Mueller

>Ética jornalística, novas mídias e eleições no Brasil – Rogério Christofoletti

>Lanhouses no Brasil: desafios a enfrentar – Alexandre Fernandes Barbosa e Winston Oyadomari

>A Lanhouse nas palavras de quem faz – Mario Brandao

>Wikiliquidação do Império? – Boaventura Souza Santos

>Qual o potencial de uma rede? – Alexander R. Galloway

campus party corre perigo

Como nos três anos anteriores, a Campus Party Brasil conseguiu reunir milhares de aficionados por tecnologia, gerou mídia para as empresas do setor, movimentou um pouquinho as redações com pautas leves e popularizou o evento. Mas não parece ter ido além disso. Pelo menos foi o que percebi daqui, a 550 quilômetros. Sim, não fui a Campus Party este ano e acompanhei o evento pela mídia convencional e pelas redes sociais.

O que eu quero dizer? Quero dizer que, a exemplo do Fórum Social Mundial, a Campus Party Brasil corre perigo. Não de acabar ou de se desintegrar. Mas de se acomodar a ser apenas um evento, apenas um happening (empresto a palavra de Beth Saad). É claro que o FSM e a CP são ocasiões muito distintas em formato, alcance e propósito. Enquanto o FSM se propõe apresentar alternativas para uma alternativa global, principalmente no que tange aspectos econômicos, políticos e sociais, a CP é mais uma festa tecnológica, restrita aos países que a realizam. O FSM quer pensar e construir um novo mundo. A CP não necessariamente. Mas como posso compará-los?

Aproximo os dois eventos por considerá-los bastante importantes e oportunos. É realmente relevante debater soluções para os problemas da humanidade num momento de consumo exacerbado, de inchaço populacional, de impactos ambientais altamente agressivos, de injustiça social e de desequilíbrio econômico. Mas também é importante trocar experiências sobre tecnologia, apontar tendências de uso/apropriação de equipamentos e sistemas, debater impactos na sociabilidade e na comunicabilidade em tempos como os nossos. Daí que acho que a Campus Party – e o FSM – não podem se resumir a eventos que juntam tribos.

Há algum tempo, os organizadores do Fórum Social Mundial são cobrados pela mídia e por outros setores a apresentar resultados mais palpáveis das discussões. Questiona-se para onde o FSM leva; pergunta-se que “outro mundo possível” é este. Apesar de incômodas, essas perguntas são importantes, inclusive para que os organizadores revejam a trajetória do evento e trabalhem para que ele se mantenha importante e oportuno.

O mesmo vale para a Campus Party. Para onde ela vai? Para que direções aponta? O que é a Campus Party hoje além de uma ocasião geradora de mídia para as empresas de telefonia? Tem sido um momento de prospecção de talentos, de inovações, de empreendedorismo efetivo e influente? Ou, mudando um pouco o discurso, o que a Campus Party Brasil quer ser daqui a cinco anos?

É preciso se reinventar.

Eu sei que a CP é uma desconferência, um encontro mais informal e com propósitos mais amistosos. Isso por parte dos participantes. Não dos patrocinadores. Eles não querem apenas a amizade e a admiração dos milhares de nerds e geeks. Eles querem fidelizar suas marcas, querem ampliar seus públicos consumidores, querem se descolar dos concorrentes e se fixar no imaginário dos consumidores, de maneira que isso resulte em lucros e vitalidade empresarial. Os organizadores da Campus Party querem o que com o evento? Não sei dizer, mas gostaria muito de saber.

Diferente de há vinte anos, hoje, ser nerd é estar de alguma forma na moda. Há uma popularização do estilo geek de ser. Desktops, notebooks, netbooks, palmtops, smartphones, Iphones, Ipads e outras traquitanas estão se disseminando e facilitando usos variados. Eventos como a Campus Party são bem-vindos, mas não podem se limitar a ser vitrines; precisam ser arenas e laboratórios. Vitrines funcionam apenas como instigadoras do consumo; arenas permitem a discussão e o debate; laboratórios incentivam a busca de soluções. A Campus Party pode mais do que simplesmente reforçar o estereótipo de seus participantes – sujeitos sem vida social, afundados em seus computadores -, pode mais do que gerar imagens curiosas – como os computadores tunados – e pode mais do que criar mídia espontânea para construtores de máquinas e provedores de acesso. Se esta é a idade do conhecimento, se vivemos nas sociedades da informação, se os nerds estão no poder, se a tecnologia é uma determinante na distinção entre as civilizações do momento, penso que não é muito esperar mais do principal evento tecnológico do país…

estudos de gêneros textuais: um evento

Minha amiga Ana Elisa Ribeiro, a @anadigital, me informa de um evento imperdível para quem edita, escreve, pesquisa e trabalha na área de livros e publicações: o Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais, o Siget.

O evento realiza sua sexta edição entre 16 e 19 de agosto na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. Mas as inscrições se encerram agora no dia 16.

Mais detalhes: http://www.cchla.ufrn.br/visiget/

mas, afinal, quem está blogando?

Lembra quando os blogs surgiram e os compararam a diários íntimos juvenis? Isso foi há pouco mais de dez anos, o que nesses tempos equivale a uma era inteira. O fato é que, hoje, o perfil do blogueiro está muito longe desse esteriótipo. O blogueiro médio é adulto, tem entre 25 e 45 anos, é homem, japonês e atualiza seu blog semanalmente, quase sempre por diletantismo. Esses dados podem ser conferidos nas pesquisas mais recentes sobre a blogosfera que hoje congrega algo em torno de 150 milhões de blogs, conforme relata Fernando Tellado no CiberPrensa.

Um infográfico produzido pela equipe do Infographiclabs.com para o The Blog Herald ilustra muito bem como a coisa está. Entre os dados que me chamam a atenção: o inglês não é a língua mais blogada; tem mais conteúdos em italiano e espanhol do que em português; blogs de notícia e tecnologia são os maiores do pedaço. Confira você mesmo!

jornalismo em rede, e redes sociais no jornalismo convencional

Os grupos de mídia brasileiros demoram pra se mexer.

O jornal mais influente do país – a Folha de S.Paulo – só foi perceber que as mídias sociais podem ajudar seus canais convencionais de jornalismo há pouquíssimo tempo. Com isso, há três meses apenas, criou a função de editor de mídias sociais, cargo para coordenar ações nesses vetores. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, os britânicos não só absorvem o poder das redes há mais tempo como já dispõem de estudos interessantes para gestores, jornalistas e estudiosos. Cito dois casos bem recentes e cujos resumos executivos que podem ser lidos rapidamente. Em The value of networked journalism, Charlie Beckett avalia como o jornalismo praticado em rede já faz parte da mídia mainstream da Inglaterra e como ele agrega valores para os meios convencionais. A publicação tem 20 páginas, e é resultante de uma conferência que reuniu o BBC College of Journalism, o Channel 4 TV, entre outros, em junho passado

Accountability through Social Media at the BBC é um resumo de um trabalho assinado pela Unthinkable Consulting e data de abril deste ano. A empresa avalia e sugere ações de como a poderosa BBC deve atuar com transparência em redes e mídias sociais. A publicação tem quatro páginas, e as preocupações ali esboçadas poderiam ser parcial ou integralmente assimiladas pelos grupos de mídia brasileiros…

(as dicas vieram de @agranado)

perspectivas da comunicação digital, o livro

As pesquisadoras Maria Clara Aquino, Sandra Montardo e Adriana Amaral lançam durante o Intercom, em setembro, o e-book Intercom Sul 2010: perspectivas da pesquisa em comunicação digital, obra que reúne alguns dos estudos mais importantes na área da cibercultura no país e que vem reforçar a bibliografia nacional. O prefácio é de Fátima Reges, professora da UERJ.

Quer uma prévia? Veja o Sumário:

Introdução – Adriana Amaral (Unisinos), Maria Clara Aquino (ULBRA/UFRGS) e Sandra Montardo (Universidade Feevale)

Parte 1 – Lugares, ciberespaço e mobilidade

Neo-pragmatismo no ciberespaço – Hans Peder Behling (UNIVALI/FURB)

Em Busca do Território Virtual: dos Lugares Concretos para os Lugares Virtuais – Rebeca Recuero Rebs (Unisinos)

Jornalismo colaborativo: uma leitura do imaginário de Porto Alegre através da plataforma Locast – Ana Cecília Bisso Nunes, Priscilla Guimarães e Eduardo Campos Pellanda (PUCRS)

Novas tecnologias móveis: aspectos sobre o leitor e as redes sociais na Pós-modernidade – Sandra Henriques (PUCRS)

Parte 2 – Identidades, informação, jogos on-line e moda nos sites de redes sociais

Sujeito Pós-moderno, Identidade Múltipla e Reputação nas Mídias Sociais – Sandra Bordini Mazzocato (PUCRS)

Do Boato à Notícia: Considerações sobre a Circulação de Informações entre Twitter e Mídia Online de Referência – Gabriela Zago (UFRGS)

Das folhas de papel para o universo digital: o jogo “Stop” agora em game on-line – Marcos Leivas (UCPEL)

Desfiles de Moda na Era da Informação – Cynthia Hansen (IBES/UNIFEBE) e Hans Peder Behling (Univali/FURB)

Moda enredada: um olhar sobre a rede social de moda LookBook.nu – Daniela Hinerasky (PUCRS/UNIFRA) e Elisa Fonseca Vieira (UNIFRA)

Parte 3 – Blogosfera e cenários de convergência no jornalismo e na televisão digital

Estudo sobre a autoria dos 50 blogs brasileiros mais populares de 2009 –Laura Andrade e Alex Primo (UFRGS)

Cenário de convergência, impactos no webjornalismo e o caso Clarín.com – Andréa Aparecida da Luz (UFSC)

O uso do Hipertexto em Blogs de Jornais Online – Paolla Wanglon (UFSM)

A Colaboração entre jovens viabilizada pela Internet: uma análise dos casos Harry Potter e The Sims – Erick Beltrami Formaggio (IBGEN) e Mariana Corrêa de Oliveira (UFRGS)

Que TV é essa que agora tem de transmissão digital? Como ficam as especificidades da televisão em um ambiente de convergência – Simone Feltes (UNISINOS)

De I Love Lucy à Lost: Aspectos Históricos, Estruturais e de Conteúdo das Narrativas Seriais Televisivas Norte-Americanas – Maíra Bianchini dos Santos (UFSM)

Parte 4 – Conhecimento e comunicação organizacional na Web

Podcast: O Universo Midiático em Sala de Aula – Daniele Cristina Canfil, Diana Rocha e Camila Candeia Paz Fachi – (UnC – Concórdia)

Arquitetura da participação, construção de conhecimentos e ecologia cognitiva na web 2.0 – Aline de Campos (UFRGS)

Comunicação Organizacional Multimídia: um estudo de Websites Universitários – Giane Fabrine Stangherlini, Taís Steffenello Ghisleni e Angela Lovato Dellazzana (UNIFRA)

Redes Sociais na internet como ferramenta de gestão de relacionamento entre empresa e consumidor do ramo alimentício – Caroline Dias da Costa (FEEVALE)

Comunicação Corporativa Digital via Twitter: uma Leitura Funcionalista – Andressa Schneider, Nadia Garlet e Elisângela Mortari (UFSM)

hacking em 10 links

Ainda não se desfez o mal entendido sobre a palavras “hacker”. Muita gente ainda vê nela um tom pejorativo e uma semântica que aponta para a violação de sistemas e o crime cibernético. Se você pensa que hackers são sempre assim, melhor dar uma passada nos links a seguir. Você tem dez chances de mudar de ideia:

pare tudo e veja esses 7 links

Fiz uma rápida faxina na gaveta de links, e esses aí embaixo não podem deixar de ser conferidos.

Aproveite!

para americanos, blogueiro = jornalista

Um estudo recentíssimo mostra que 52% dos blogueiros norte-americanos se consideram jornalistas. O levantamento é da PR Week e da PR Newswire. Essa sensação de equivalência era menor no ano passado: um em cada três blogueiros se achavam jornalistas.

Claro que cada caso é um caso, e que a pesquisa é concentrada no complexo ambiente dos Estados Unidos. De qualquer forma, os indicativos nos permitam pensar e discutir em torno das aproximações cada vez mais inevitáveis entre jornalistas e blogueiros. O combustível para essa atração e confusão de papéis atende pelo nome de Redes Sociais. Elas têm chacoalhado as relações profissionais não apenas na Comunicação, mas também na Educação.

Nas páginas finais de meu “Ética no Jornalismo”, eu projetava movimentos convergentes de uma ética jornalística tradicional e de uma ética hacker, cada vez mais influente. Está em curso. Aperte os cintos porque não é apenas a paisagem da janela que está mudando; nosso ônibus já não é mais o mesmo…

o twitter e a demissão do jornalista

Nesta semana, uma notícia causou tremores e ranger de dentes nas redações e nas redes sociais. A Editora Abril demitiu o jornalista Felipe Milanez – até então editor da National Geographic Brasil – por postar tweets críticos à outra revista do mesmo grupo, a Veja.

É claro que o acontecido varreu a internet brasileira como um rastilho de pólvora e provocou reações as mais variadas: houve surpresa, inconformidade, críticas ao próprio jornalista e contestações. Mas a decisão da Abril é irrevogável e os danos irreversíveis, de um lado e de outro. Dentro da Abril, a estupefação de que havia amigo na trincheira; fora do colosso da marginal, queixas de perseguição à livre expressão e tal.

Mas o fato é que o episódio traz velhas e novas lições.

1. As redes sociais inspiram o compartilhamento de conteúdos, de ideias, de sentimentos, de opiniões, mas essa troca provoca consequências, e a mais evidente delas é a contrariedade. Basta criar, por exemplo, uma comunidade no Orkut manifestando a admiração de alguém que logo surgirão comunidades análogas “combatendo” esse pensamento. Basta opinarmos num blog sobre algo que rapidamente leitores deixarão comentários rebatendo nossos argumentos.

2. Nas redes sociais, parece que estamos pensando alto. Mas na web como a conhecemos agora, pensar alto é dividir. E esse compartilhamento se dá no âmbito público e não mais privado. Por isso, toda queixa, ataque ou admoestação pode sim ser rapidamente encontrada, rastreada e, claro, combatida.

3. De nada adianta que eu tenha o meu perfil pessoal numa rede social se nele faço constar também minhas atividades sociais, públicas, funcionais. Isto é, não basta que o jornalista argumente que postou críticas em sua página pessoal se nela, seu perfil afirmava sua condição de editor de tal ou qual publicação. Nas redes sociais, pessoa física e pessoa jurídica se confundem…

4. As redes sociais facilitam muitíssimo a formação de grupos, de elos sociais, mas não isentam as preocupações que temos em outras esferas, principalmente com relação à privacidade. É sim importantíssimo que reflitamos sobre a administração da própria intimidade na internet. O usuário do sistema precisa escolher o que vai mostrar em público; precisa atentar para o que quer manter sigiloso, recluso, discreto. E talvez essa seja a lição mais contundente deste episódio (e de outros também): precisamos cuidar daquilo que somos e daquilo que projetamos nas redes.

Esta é uma questão de cunho moral, não se enganem. É uma questão que envolve valores, que afeta condutas, enfim, que mexe diretamente com a relação que as pessoas estabelecem com as demais. Que o infeliz episódio que custou o emprego de Felipe Milanez nos motive a discutir e refletir mais sobre a rede que estamos tecendo todos juntos.

comentários no twitter derrubam jornalista

Alguém mais esperto que eu já disse que tuitar NÃO é pensar; é pensar alto. E pensar alto na web é compartilhar…

Veja (desculpe o trocadilho), mas veja o caso do jornalista que perdeu o emprego por detonar a Veja no seu twitter…

(matéria de Eduardo Neco, do Portal Imprensa, com colaboração de Ana Ignacio)

O jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, licenciada pela editora Abril, foi demitido nesta terça-feira (11) por ter criticado via Twitter a maior publicação da casa, a revista Veja.

Milanez, na National desde outubro de 2008, publicou, em seu perfil no microblog, comentários a respeito da reportagem “A farsa da nação indígena”, veiculada na última edição da revista. “Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? (sic)”, escreveu em post no último domingo (9).

Em mensagem no mesmo dia, Milanez complementou dizendo que ignorava a Veja, mas “racismo” da publicação fez com que se manifestasse. “Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas (sic)”.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Milanez admitiu que fez observações contundentes sobre a publicação, mas que foi surpreendido pela demissão. “Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido [com a reportagem]. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos”, lamentou o ex-editor.

A decisão de demitir o jornalista, segundo ele, teria vindo diretamente de setores da Editora Abril ligados à revista Veja e repassada aos responsáveis pela National Geographic. “Não sei quem decidiu e como”, disse.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou à reportagem que Milanez foi demitido pelos comentários no Twitter. “Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão”, disse.

Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que “fez o que tinha que fazer exercendo a função”.

twitter é jornalismo?

Hoje, notícias são como o ar; elas nos rodeiam, estão em toda a parte. As redes sociais radicalizaram essas possibilidades, e o Twitter – o recente maior fenômeno – ajuda a confundir o que é informação do que é jornalismo…

Conversação distribuída, notícia como experiência social, Twitter como ambiente jornalístico, todas essas ideias estão em “From TV to Twitter: how ambiente news became ambient journalism”, artigo do professor Alfred Hermida, veterano jornalista da BBC e hoje professor assistente da Escola de Jornalismo da University of British Columbia (Canadá).

Vale ler e pensar…

congresso de ciberjornalismo no porto faz chamada de trabalhos

Reproduzo o comunicado lançado há pouco:

A organização do II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, marcado para 09 e 10 de Dezembro de 2010 na Universidade do Porto, convida os investigadores interessados a remeter, até 15 de Julho, propostas de comunicações a apresentar no Congresso.

As comunicações deverão versar sobre Ciberjornalismo, com especial preferência pelos tópicos deste II Congresso:
– Modelos de negócio para o jornalismo na Internet
– Redes sociais e ciberjornalismo

As propostas devem ser enviadas para obciber@gmail.com, em Português, Espanhol ou Inglês. Cada proposta deve contemplar uma descrição de 400 a 500 palavras, que inclua, designadamente, o tópico e relevância do mesmo, hipótese ou argumento, moldura conceptual e metodológica, resultados previstos e até 5 palavras-chave. Cada proposta deve ser acompanhada de uma folha de rosto separada, para blind-review, apenas com nome(s), filiação institucional e endereços postal e electrónico do(s) autor(es).

As propostas serão avaliadas pelos membros da Comissão Científica do Congresso, devendo o resultado ser comunicado a todos os autores até 15 de Setembro.

Os autores das propostas aprovadas comprometem-se a enviar as comunicações completas até 31 de Outubro. As melhores comunicações serão publicadas na revista Prisma.com – http://prisma.cetac.up.pt/.

As taxas de inscrição são iguais às praticadas no I Congresso – http://cobciber.wordpress.com/inscricao/.

O Congresso é organizado pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber) e pelo Centro para as Ciências da Comunicação (C2COM) da Universidade do Porto.

O programa do Congresso, em preparação, incluirá intervenções, já confirmadas, dos Profs. Marcos Palacios (Universidade Federal da Bahía), Elvira García de Torres (Universidad Cardenal Herrera), João Canavilhas (Universidade da Beira Interior) e Helder Bastos (Universidade do Porto).

como as universidades usam redes sociais?

O jornalista espanhol Pablo Herreros mostra como as mais prestigiadas universidades do mundo estão usando redes sociais como o Twitter e o Facebook. Mesmo apesar da resistência de uns, da ignorância de outros e da incompetência de alguns.

Conforme Herreros, nas redes sociais, as instituições…

  • compartilham informações e notícias próprias;
  • explicam o que fazem;
  • conectando sua comunidade entre si;
  • retransmitindo eventos ao vivo;
  • criando conteúdos exclusivos;
  • permitindo a criação de blogs para alunos;
  • estreitando relações com alunos, professores e funcionários…

Enfim, aprofundando a especialidade das redes: relacionamentos.

Saiba mais aqui.

uma rede social lusófona de pesquisadores de mídia e jornalismo

O colega Pedro Jerónimo acaba de criar uma rede social voltada a investigadores de Mídia e Jornalismo no Brasil e Portugal. A rede está “pendurada” no Ning e pode ser acessada aqui. Se você é mestrando, doutorando, pesquisador ou curioso sobre o assunto este deve ser um bom fórum a frequentar…

uma arca sem comandante: um desafio

Em novembro de 20o8, cidades do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, sofriam com enchentes, talvez as maiores da história naquela região. Chovia há dias sem parar e o solo encharcado não absorvia mais nada. A oscilação das marés impedia a vazão dos rios. A ocupação desordenada de morros e encostas e a impermeabilização dos terrenos foram outros componentes que ajudaram a produzir uma catástrofe que matou 135 pessoas.

Em Blumenau, um punhado de jornalistas, blogueiros e cidadãos comuns criaram o Alles Blau, um blog que conectou a cidade ao mundo, noticiando o que acontecia por lá quando os veículos convencionais de informação convulsionavam. Em Itajaí, um homem articulado e com um poder incrível de aglutinação criou uma rede social na internet que tinha como objetivo não apenas difundir informações, mas mobilizar a sociedade local para criar um efetivo sistema de defesa civil. O idealizador desta iniciativa é Raciel Gonçalves Jr., que tem um largo histórico de trabalho voluntário e de atuação em órgãos do poder público. A rede social era a Arca de Noé, evidente metáfora para um ponto de salvação diante de um dilúvio como o que testemunhávamos.

Desde o início, Raciel foi incansável: motivador, incentivador, concentrado e agregador. Criou para si um avatar, O Capitão, que moderava a rede, que a expandia e que convidava a tantos para não só subir ao convés, mas para integrar também a cabine de comando. Foi um belo trabalho!

Acabo de saber que O Capitão se demitiu. Não por cansaço ou por frustração. Mas porque uma rede social precisa ser descentralizada, precisa ter muitos nós operantes e planejantes, e porque o Raciel está assumindo novos desafios. A Arca de Noé está sem comandante, mas não está à deriva. Há muita gente por lá ainda e a força e a capacidade de trabalho e engajamento deles não há de fazer a arca parar. Modestamente, estive no convés algumas vezes, mas minha volta a Florianópolis naturalmente me afastou de Itajaí. Eu ainda sigo a Arca de Noé, sigo amigos e colegas em seus blogs e sites, e ainda tenho raízes na cidade-peixeira. Não poderia deixar de registrar minha admiração pelo trabalho de Raciel – a quem sequer conheço pessoalmente! – e não poderia deixar de torcer pela Arca. Que ela encontre um mar calmo, bons ventos e muitos entardeceres maravilhosos!