para onde vão os livros?

Um velho ditado proclamava: “As palavras caminham”. Se elas não ficam paradas, o que dirá dos livros?

Os que você tem em casa, estão à sua vista, mas e os que você empresta ou os que são descartados?

Frequento sebos não apenas para encontrar livros baratos e fora de catálogo. Volta e meia, descarrego em um sebo os livros que não leio mais, não vou ler nunca ou que já transbordam da minha estante. Eu sei, tem gente mais apegada que não se livra de seus livros nunca. Também já fui assim, mas é que vem faltando espaço e, volta e meia, tento desocupar lugares nas prateleiras para os novos volumes que comprei e ganhei. Pois recentemente tive duas gostosas surpresas com os livros que dispensei. E quem me trouxe notícias deles foi o Facebook.

Meses atrás, uma moça mandou mensagem reservada pelo sistema dizendo que havia comprado um livro que fora meu. Ela identificara meu nome na folha de rosto, e em dois cliques no Google me encontrou. O livro era “A linguagem no pensamento e na ação”, e ele estava no interior de São Paulo, a quase mil quilômetros de onde estou. Vendi o livro em Florianópolis e, meses depois, a nova dona dele me encontrou na internet e decidiu mandar lembranças do volume. Achei curioso.

Semana passada, tive novas informações de outro ex-livro-meu: “Liberalismo e Democracia”. Mais uma vez, um desconhecido me procurou na rede, e me contou que era o mais novo proprietário. Desta vez, o volume viajara pouco. Na verdade, ele até estava me seguindo. Foi comprado numa banquinha de livros a cem metros do prédio onde leciono na UFSC. Tenho certeza de que vendera para um sebo do centro da cidade, mas “as palavras caminham”, lembra? O novo leitor não só me contou do livro como disse que me conhecia de uma palestra em outro lugar, e que ele sim viajara e acabara de comprar o volume…

Você pode até dizer: tá e daí?

E daí que o mundo é bem pequeno, os livros não ficam parados e as redes sociais ajudam as pessoas a se encontrar. Há poucos anos não escrevo mais meu nome na folha de rosto dos livros. Não é preguiça, superstição ou coisa que o valha. É só um ensaio de desapego.

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  1. alessandra

    😉 geralmente doo livros para os alunos. Dependendo do livro, escrevo o meu nome. Se for um provavelmente passageiro, não escrevo. Já vi casais que compram carimbos para colocar no livro tipo “Fulana e Sicrano”. Imagine….

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