há 5 anos, um marco na tv brasileira…

Retransmito convite dos combativos e incansáveis colegas do Intervozes:

Há 5 anos, pela primeira vez na história, a televisão privada brasileira era ocupada por produções independentes a partir de uma ação civil pública movida por organizações da sociedade civil contra uma emissora por violação de direitos humanos. Entrava no ar o programa Direitos de Resposta.

De lá pra cá, a luta pelo direito à comunicação avançou, mas ainda há muito pra lutar!

Dia 12 de novembro, vamos celebrar os cinco anos deste programa e bater um papo sobre liberdade de expressão e participação social nas comunicações, tema tão candente nas eleições deste ano.

Será o lançamento do livro “A sociedade ocupa a TV”, memória do processo que culminuou com a ocupação da Rede TV! pelo programa que tratava de Direitos Humanos.

Nos vemos lá!

Serviço:
Data: 12 de novembro de 2010, sexta-feira, das 18:30 às 21:30
Local: Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, Av Paulista 37 (Próximo ao metrô Paraíso)
Mais informaçõeswww.intervozes.org.br – (11) 3877-0824

 

afinal, o que são culturas piratas?

A Observatório (OBS*), revista científica do Observatório da Comunicação de Portugal, está com chamada de textos para sua próxima edição, já para 2011. Veja a chamada:

Open Call for International Journal of Communication on “Piracy Cultures”
Special Section to be published in 2011 [submission deadline: March 2011].
Editors Gustavo Cardoso and Manuel Castells

What are “Piracy Cultures”? Usually we look at media consumption departing from a media industry definition. We look at TV, Radio, Newspapers, Games, Internet and media contents in general departing from the idea that the access to those is made through the payment of a licence fee, subscription, or simply because it’s either paid or available for free (being supported by advertisement). That is, we look at contents and the way people interact with them within a given system of thought that looks at contents and their distribution channels as the product of relationships between media companies, organizations and individuals effectively building a commercial relationship of a contractual kind with rights and obligations.

But what if, for a moment, we turn our attention to the empirical evidence found not just in Asia, Africa and South America but also all over Europe and North America? All over the world we are witnessing a growing number of people building media relationships outside those institutionalized set of rules.

We do not intend to discuss if we are dealing with legal or illegal practises, our departure point for this call for papers is that, when a very significant number of the population is building its mediation through alternative channels of obtaining content, such a movement should be studied in order to deepen our knowledge of media cultures. Because we need a title to characterize those cultures in their diversity, but at the same time in their commonplaceness’, we propose to call it “Piracy Cultures”.

By addressing the dimension of Piracy Cultures we hope to increase our understanding of the practices and cultural drives (both individual and collective – national cultures; generational cultures, etc.) of fruition and consumption of media (cinema, TV series, music, etc.) under what is labeled, by both law and managerial cultures, as piracy.

Our aim is to give new insights as to how those current practices might evolve towards new institutionalized market practices and the changing of the perception of law or remain as counter-cultural movements, although shared by large portions of the population.

Manuel Castells and Gustavo Cardoso

Paper Submissions
The online submission deadline for papers is 31 Mar 2011. Please indicate in a cover note that the paper is intended for the special issue. Authors are advised to consult the journal’s guide for authors before submitting their paper.
Authors: Submit your paper now (IJoC login page), or see the Guide for Authors.

mídias sociais, o vídeo em português

“o jornal do brasil que nós amávamos”

regulação da mídia: um evento para se acompanhar

mudanças estruturais no jornalismo

O colega Fabio Pereira, da UnB, informa sobre o Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo:

A FAC/UnB, em parceria com a Rede de Estudos sobe Jornalismo (Réseau d’études sur le Journalisme/REJ), e com o apoio de vários parceiros, está organizando um Colóquio Internacional para discutir as mudanças estruturais no jornalismo. Gostaria de convidá-los a submeter trabalhos e também pedir ajuda na divulgação desse evento. Ele acontece em Brasília, de 25 a 28 de abril de 2011. Os trabalhos podem ser submetidos até o dia 15 de dezembro. A submissão é feita on-line no site: www.mejor.com.br

Veja a chamada aqui.

“democracia e jornalismo na era digital”

A cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, jornalistas e acadêmicos terão a chance de debater as relações entre democracia e os meios de comunicação. O seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital” é uma promoção da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e do Mestrado em Jornalismo da UFSC (PosJor). O evento acontece no próximo dia 26 no Auditório Henrique Fontes, no CCE/UFSC, a partir das 14 horas, é gratuito e aberto ao público.

O seminário vai contar com uma atração internacional, o professor Silvio Waisbord, da George Washington University e um dos principais pesquisadores da área. Waisbord abre os debates tratando da democracia em outros países. O jornalista Carlos Müller, assessor da ANJ e doutor em Ciências Sociais, será o comentador da mesa. Na sequência, o editor-chefe do Diário Catarinense, jornalista Nilson Vargas, aborda os desafios regionais na era digital. Os comentários ficam por conta do professor Francisco José Karam, do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) e do PorJor.

Além de Florianópolis, a ANJ promove eventos semelhantes em mais quatro cidades brasileiras: Brasília, Porto Alegre, Vitória e Fortaleza. Para acompanhar o seminário na Capital é necessário se inscrever por email, bastando enviar nome e CPF. As inscrições são limitadas a 120 vagas.

O Seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital” tem o apoio do Diário Catarinense, objETHOS, Departamento e do Curso de Jornalismo da UFSC.

Serviço:

O quê? Seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital”

Onde? Auditório Henrique Fontes – CCE – UFSC

Quando? 26 de outubro, às 14 horas

Quanto? Entrada Gratuita

Como? Inscrições pelo e-mail objethos@gmail.com

mas, afinal, quem está blogando?

Lembra quando os blogs surgiram e os compararam a diários íntimos juvenis? Isso foi há pouco mais de dez anos, o que nesses tempos equivale a uma era inteira. O fato é que, hoje, o perfil do blogueiro está muito longe desse esteriótipo. O blogueiro médio é adulto, tem entre 25 e 45 anos, é homem, japonês e atualiza seu blog semanalmente, quase sempre por diletantismo. Esses dados podem ser conferidos nas pesquisas mais recentes sobre a blogosfera que hoje congrega algo em torno de 150 milhões de blogs, conforme relata Fernando Tellado no CiberPrensa.

Um infográfico produzido pela equipe do Infographiclabs.com para o The Blog Herald ilustra muito bem como a coisa está. Entre os dados que me chamam a atenção: o inglês não é a língua mais blogada; tem mais conteúdos em italiano e espanhol do que em português; blogs de notícia e tecnologia são os maiores do pedaço. Confira você mesmo!

uma entrevista sobre convergência

Vinicius Navarro entrevistou o professor Henry Jenkins, do Programa de Mídias Comparadas do Massachussets Institute of Technology (MIT), para a revista Contracampo, da Universidade Federal Fluminense. A conversa está disponível em inglês e português.

Jenkins é o nome mais conhecido nos estudos sobre convergência, principalmente por um viés mais cultural e menos tecnológico, e sobre narrativas transmidiáticas. Ele também é um dos maiores entusiastas dos estudos sobre as culturas dos fãs. Seu “Cultura da Convergência” já figura por aqui como leitura obrigatória para quem se interessa por esses assuntos.

Vale a leitura. Clique aqui e leia.

“a origem” desestabiliza quem o assiste

O filme mais comentado do momento tem um bom punhado de razões para sê-lo. “A origem”, de Christopher Nolan, é mesmo impactante. Não apenas pelos impressionantes efeitos visuais e sonoros, mas pela rocambólica trama e pelo ritmo eletrizante. Assim, o filme que reúne Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe e Ellen Page no elenco – com participação luxuosa de Michael Caine – verdadeiramente tira o espectador de sua zona de conforto para envolvê-lo numa sucessão de jogos mentais e pensamentos frenéticos.

Não é exagero dizer que o “A origem” desestabiliza o espectador e o faz pensar, o que nem sempre é exigido no cinema. Tanto nas explicações oferecidas pelos personagens sobre o plano – entrar nos sonhos de um megaempresário e enxertar uma ideia na sua mente – quanto na história de fundo do personagem de DiCaprio. Não é um filme digestivo. Diversos elementos se encadeiam numa complexa estrutura narrativa. É um filme de jornada, dessas em que os personagens atravessam o inferno para cumprir uma missão e se transformam no meio dela. O que sobra, no final, são personagens-outros, redimensionados.

Christopher Nolan junta um punhado de ideias poderosas e de símbolos recorrentes: Convencer, mudar a opinião de alguém. Transformar a mente. Mudar os sonhos para modificar a realidade. A estrutura arquitetônica como um reflexo da estrutura da mente. Labirintos mentais. Labirintos físicos. Sofrer na vida real e despertar do pesadelo. Níveis de consciência. Um sonho dentro de um sonho, dentro de outro e de outro. Labirintos e espirais. Paradoxos e dúvidas. Embaçamento das fronteiras entre o real e o ilusório. O inconsciente como um cofre. Ariadne, a jovem arquiteta onírica, sendo o fio que conecta todos à realidade, como na mitologia que a coloca num labirinto.

Enfim, “A origem” mexe com a gente. Fica-se incomodado com a sensação claustrofóbica de estar mergulhado nos sonhos. Como se houvesse um efeito babuska, a boneca russa que tem dentro de si bonecas menores. Camadas de uma cebola. Níveis, estruturas interdependentes.

Do ponto de vista moral, o filme embaralha nossos valores. Torcemos para uma gangue de criminosos. Eles querem invadir a mente de um empresário por um propósito meramente comercial, claramente antiético. A gangue é empregada por um outro empresário que quer simplesmente anular seu concorrente, impedir que este cresça e se torne um rival impossível de ser controlado. Aliás, essa ideia – a de controle – perpassa todo o filme. Todos querem ter controle de seus sonhos, de suas vidas, de suas memórias, dos negócios, das estruturas de uma cidade, do tempo, dos níveis de consciência. Taí uma angústia que sustenta nossa existência: estar no controle das coisas e de si.

Claro, “A origem” é um filme, não passa disso. Não se trata de uma proposta de vida, uma visão alternativa dela. Mas de alguma maneira encarna uma obsessão humana, um sonho. Um sonho? Será? Já se beliscou pra ver se é mesmo?

webreportagem especial: uma dissertação

Amanhã, sexta (27), acontece a defesa da dissertação “Análise do especial multimídia Cayucos: um estudo de caso”, de Andréa Aparecida da Luz, aqui no Mestrado em Jornalismo da UFSC. O trabalho é orientado pela professora Raquel Ritter Longhi (com co-orientação de Mauro César Silveira), e tem na banca avaliadora os professores Luciana Mielnickzuk (UFSM) e Orlando Tambosi (UFSC), além de mim.

A dissertação se debruça sobre um especial multimídia que o Clarín fez sobre africanos que se aventuravam em barcos (os cayucos) para chegar até a Europa via Ilhas Canárias.

A defesa acontece às 14h30 na sala de videoconferência, Bloco B do CCE.
Se você não estiver por aqui e quiser acompanhar,veja a transmissão ao vivo aqui.

jornalismo em rede, e redes sociais no jornalismo convencional

Os grupos de mídia brasileiros demoram pra se mexer.

O jornal mais influente do país – a Folha de S.Paulo – só foi perceber que as mídias sociais podem ajudar seus canais convencionais de jornalismo há pouquíssimo tempo. Com isso, há três meses apenas, criou a função de editor de mídias sociais, cargo para coordenar ações nesses vetores. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, os britânicos não só absorvem o poder das redes há mais tempo como já dispõem de estudos interessantes para gestores, jornalistas e estudiosos. Cito dois casos bem recentes e cujos resumos executivos que podem ser lidos rapidamente. Em The value of networked journalism, Charlie Beckett avalia como o jornalismo praticado em rede já faz parte da mídia mainstream da Inglaterra e como ele agrega valores para os meios convencionais. A publicação tem 20 páginas, e é resultante de uma conferência que reuniu o BBC College of Journalism, o Channel 4 TV, entre outros, em junho passado

Accountability through Social Media at the BBC é um resumo de um trabalho assinado pela Unthinkable Consulting e data de abril deste ano. A empresa avalia e sugere ações de como a poderosa BBC deve atuar com transparência em redes e mídias sociais. A publicação tem quatro páginas, e as preocupações ali esboçadas poderiam ser parcial ou integralmente assimiladas pelos grupos de mídia brasileiros…

(as dicas vieram de @agranado)

e agora, não é censura?

O 8º Congresso Brasileiro de Jornais terminou na semana passada com a sinalização de que a entidade maior do setor, a ANJ, criará até o final do ano um conselho de autorregulamentação. Segundo a presidente da associação nacional, Judith Brito, o órgão deve ter sete membros e vai se ocupar da aplicação do código de ética da entidade. A notícia faz lembrar a ruidosa discussão de seis anos atrás, quando a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defendeu a criação de um Conselho Federal de Jornalistas. Em 2004, a proposta causou grande polêmica, dividindo a categoria e espalhando mal estar no mercado.

O cenário cindido tinha de um lado, a defesa da necessidade de um órgão que pudesse regular a atividade jornalística, observando regras de acesso à profissão e aplicando o código de ética da categoria. No outro lado, havia o medo de que a a instância se tornasse um instrumento de censura ao jornalismo. O fato é que a ideia do Conselho Federal de Jornalistas foi rechaçada, muito por conta de uma ampla campanha que promoveu o terror na sociedade: um grupo de sindicalistas iria censurar os meios de comunicação! O resultado foi o arquivamento da proposta e a perda de uma oportunidade história para se discutir limites éticos e práticos para o jornalismo nacional.

Agora, uma ideia semelhante vem à tona. Não é preciso ir muito longe para ver que a proposta de um conselho de autorregulamentação dos jornais tem parentescos com a do Conselho Federal de Jornalistas. Há preocupações legítimas de se garantir a ética nos negócios e a responsabilidade social dos jornais. Mas o que causa surpresa é que, agora, não se rotula a proposta de censora, inibidora da liberdade de expressão no setor. Ora, o que mudou em seis anos? O conceito de liberdade de imprensa se modificou? O jornalismo se tornou mais livre desde então? Foram definitivamente afastadas as tentações de centralização da opinião e de controle da informação?

Nada disso. Os contextos atual e o de 2004 são bem semelhantes: o jornalismo ainda continua sua luta cotidiana em prol da pluralidade e da liberdade de informação e opinião; o jornalismo mantém seu compromisso com a democracia, na defesa do direito e no atendimento ao interesse público; o jornalismo continua sendo hostilizado por governos, empresas e cidadãos comuns que não se conformam com sua função fiscalizadora. O que distingue 2004 de 2010 é a cada vez mais evidente constatação de que o cenário da comunicação está em transformação acelerada, e que os jornais impressos em particular precisam se reposicionar no mercado; que precisam se reinventar para dividir a atenção e as verbas publicitárias com os meios eletrônicos e instantâneos; que não podem se acomodar sob pena de não sobreviverem. Isto é, motivações muito mais econômicas que políticas orientam a Associação Nacional dos Jornais a retomar um papel de protagonismo – já que essa expressão está tão em moda – no ecossistema informativo brasileiro. Os jornais querem manter seu prestígio junto a camadas sociais influentes; querem sobreviver e prosperar. E para fazê-lo é imperativo que se reaproximem da sociedade, que se reposicionem politicamente, empunhando bandeiras que são estratégicas, legítimas e populares, como a qualidade e a ética.

Um conselho de autorregulamentação para os jornais, gerido pela entidade empresarial do setor, é legítimo e é bem-vindo. Assim como um conselho federal para a categoria, a exemplo de entidades classistas que aproximem as profissões com a sociedade, como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil ou do Conselho Federal de Medicina. A sociedade precisa de órgãos ou instrumentos que promovam a ética e os valores, que incentivem a qualidade de produtos e serviços, que defendam os direitos individuais – como a privacidade e a liberdade de opinião – e os direitos coletivos – como o direito de ser bem informado. Não se trata aqui de defender um burocratismo que se apoie em entidades, conselhos, comitês que mais emperram que facilitam a vida do cidadão comum. Trata-se mais de promover o surgimento de iniciativas que possam se constituir em instrumentos verdadeiros e efetivos que auxiliem os públicos no consumo crítico das informações e do entretenimento.

Por isso, acho uma boa ideia a do conselho de autorregulamentação da ANJ. Como defendi claramente a existência de um Conselho Federal dos Jornalistas, proposta pela Fenaj. Aliás, penso que as duas entidades e outras ligadas às comunicações poderiam se aproximar mais em algumas lutas em comum. A ética no jornalismo preocupa também à Associação Nacional dos Editores de Revista (ANER), ao Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações (FNDC), à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) ou à sua irmã, a Abra, entre outras entidades. Um bom primeiro passo pode ser dado na discussão e elaboração de um código de ética comum a elas. Durante a Conferência Nacional de Comunicação, em dezembro do ano passado, foi aprovada uma resolução para um Código de Ética do Jornalismo, primeiro documento que seria chancelado tanto por jornalistas quanto por empresas, que teria força de lei e que seria mais efetivo que os acordos deontológicos hoje tão segmentados.

Esta é uma proposta que a ANJ poderia abraçar agora já que está tão disposta a promover a ética jornalística…

perspectivas da comunicação digital, o livro

As pesquisadoras Maria Clara Aquino, Sandra Montardo e Adriana Amaral lançam durante o Intercom, em setembro, o e-book Intercom Sul 2010: perspectivas da pesquisa em comunicação digital, obra que reúne alguns dos estudos mais importantes na área da cibercultura no país e que vem reforçar a bibliografia nacional. O prefácio é de Fátima Reges, professora da UERJ.

Quer uma prévia? Veja o Sumário:

Introdução – Adriana Amaral (Unisinos), Maria Clara Aquino (ULBRA/UFRGS) e Sandra Montardo (Universidade Feevale)

Parte 1 – Lugares, ciberespaço e mobilidade

Neo-pragmatismo no ciberespaço – Hans Peder Behling (UNIVALI/FURB)

Em Busca do Território Virtual: dos Lugares Concretos para os Lugares Virtuais – Rebeca Recuero Rebs (Unisinos)

Jornalismo colaborativo: uma leitura do imaginário de Porto Alegre através da plataforma Locast – Ana Cecília Bisso Nunes, Priscilla Guimarães e Eduardo Campos Pellanda (PUCRS)

Novas tecnologias móveis: aspectos sobre o leitor e as redes sociais na Pós-modernidade – Sandra Henriques (PUCRS)

Parte 2 – Identidades, informação, jogos on-line e moda nos sites de redes sociais

Sujeito Pós-moderno, Identidade Múltipla e Reputação nas Mídias Sociais – Sandra Bordini Mazzocato (PUCRS)

Do Boato à Notícia: Considerações sobre a Circulação de Informações entre Twitter e Mídia Online de Referência – Gabriela Zago (UFRGS)

Das folhas de papel para o universo digital: o jogo “Stop” agora em game on-line – Marcos Leivas (UCPEL)

Desfiles de Moda na Era da Informação – Cynthia Hansen (IBES/UNIFEBE) e Hans Peder Behling (Univali/FURB)

Moda enredada: um olhar sobre a rede social de moda LookBook.nu – Daniela Hinerasky (PUCRS/UNIFRA) e Elisa Fonseca Vieira (UNIFRA)

Parte 3 – Blogosfera e cenários de convergência no jornalismo e na televisão digital

Estudo sobre a autoria dos 50 blogs brasileiros mais populares de 2009 –Laura Andrade e Alex Primo (UFRGS)

Cenário de convergência, impactos no webjornalismo e o caso Clarín.com – Andréa Aparecida da Luz (UFSC)

O uso do Hipertexto em Blogs de Jornais Online – Paolla Wanglon (UFSM)

A Colaboração entre jovens viabilizada pela Internet: uma análise dos casos Harry Potter e The Sims – Erick Beltrami Formaggio (IBGEN) e Mariana Corrêa de Oliveira (UFRGS)

Que TV é essa que agora tem de transmissão digital? Como ficam as especificidades da televisão em um ambiente de convergência – Simone Feltes (UNISINOS)

De I Love Lucy à Lost: Aspectos Históricos, Estruturais e de Conteúdo das Narrativas Seriais Televisivas Norte-Americanas – Maíra Bianchini dos Santos (UFSM)

Parte 4 – Conhecimento e comunicação organizacional na Web

Podcast: O Universo Midiático em Sala de Aula – Daniele Cristina Canfil, Diana Rocha e Camila Candeia Paz Fachi – (UnC – Concórdia)

Arquitetura da participação, construção de conhecimentos e ecologia cognitiva na web 2.0 – Aline de Campos (UFRGS)

Comunicação Organizacional Multimídia: um estudo de Websites Universitários – Giane Fabrine Stangherlini, Taís Steffenello Ghisleni e Angela Lovato Dellazzana (UNIFRA)

Redes Sociais na internet como ferramenta de gestão de relacionamento entre empresa e consumidor do ramo alimentício – Caroline Dias da Costa (FEEVALE)

Comunicação Corporativa Digital via Twitter: uma Leitura Funcionalista – Andressa Schneider, Nadia Garlet e Elisângela Mortari (UFSM)

hacking em 10 links

Ainda não se desfez o mal entendido sobre a palavras “hacker”. Muita gente ainda vê nela um tom pejorativo e uma semântica que aponta para a violação de sistemas e o crime cibernético. Se você pensa que hackers são sempre assim, melhor dar uma passada nos links a seguir. Você tem dez chances de mudar de ideia:

direito de autor, um evento

Reproduzo a chamada de textos para o 4º Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, que acontece aqui em Florianópolis no mês que vem…

O Programa de Pós-graduação em Direito – CPGD/UFSC, por intermédio de seu Grupo de Estudos de Direito de Autor e Informação – GEDAI/UFSC, realiza o IV Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, que ocorrerá em Florianópolis, nos dias 27, 28 e 29 de setembro de 2010 no campus universitário da UFSC.

O evento está realizando uma CHAMADA DE ARTIGOS com a finalidade constituir instrumento de vinculação de trabalhos científicos e doutrinários dedicado à análise do Direito de Autor as questões relacionadas a Sociedade da Informação e ao Domínio Público.

Prazo para envio de trabalhos até 31 de agosto de 2010 para o e-mail gedai.ufsc@gmail.com

– Os trabalhos deverão ser postados no site do congresso até dia 31/08/2010, impreterivelmente .

– O trabalho encaminhado deve atender o modelo disponível no site neste.

Clique aqui para ver o modelo

– Divulgação dos trabalhos selecionados e aprovados para apresentação será até 03/09/2010;

– A publicação dos trabalhos nos Anais depende da apresentação do mesmo no congresso;

– Somente será permitida a apresentação de trabalhos pelo(s) autor(es). Em caso de co-autoria, far-se-á suficiente a presença de pelo menos um deles no momento da exposição. Não será admitida a apresentação do trabalho por terceiros;

Mariores informações podem ser obtidas pelo site www.direitoautoral.ufsc.br

mark deuze e sua vida midiática

O número 86 da Revista da USP já está disponível nas livrarias e traz um abrangente dossiê sobre Cibercultura. A organização é da Beth Saad, e entre os muitos trabalhos interessantes está uma versão em português e mais sintética de “Media Life”, assinado por Mark Deuze, Laura Speers e Peter Blank. Se quiser dar uma olhada numa outra versão do texto – mais longa e em inglês – veja aqui. Se quiser dar uma olhada no sumário da Revista da USP, clique aqui. E se quiser ler o editorial de Francisco Costa, vá adiante…

Editorial

Incrível como em questão de décadas avançamos tanto nas mais diferentes direções do mundo do conhecimento. Isso não é novidade alguma, está claro, mas de dez ou doze anos para cá o mundo se viu, grosso modo, às voltas tanto com a indefectível globalização, com seu multiculturalismo intrínseco e seu último abalo sísmico – a crise econômica mundial (veja nosso dossiê anterior) –, como com uma outra configuração social e tecnológica que nos envolve e muda e agiliza nossa vida a cada dia.
“Cibercultura” é o nome dado a esse novo estado de coisas, em que o computador, a Internet e a tecnologia de ponta estão moldando um novo modo de vida. Hoje é relativamente comum você ter sua página no Orkut, no Facebook ou no Twitter. Hoje, ao entrar na Internet, por exemplo, você tem acesso a milhões de blogs – e por trás de cada um deles está um ser humano ou um grupo, que o configura e o abastece, conforme a periodicidade e o interesse.
Vive-se a era da sociedade plugada, em que cada vez mais os profissionais levam a tiracolo seu notebook a cada canto do mundo para onde vão – ou de onde vêm. Em que os avatares habitam os games que nossos filhos jogam em casa. Está mais viva do que nunca a famosa ideia de que o centro do conhecimento, hoje, está em toda parte (como já estava anteriormente, mas agora com muito mais ênfase). O que temos, na verdade, é uma gigantesca teia que nos agrega ou nos exclui. À parte o incrível avanço técnico, o mundo continua lutando de forma insana contra a miséria e sua consequente exclusão digital. Esse novo mundo já mencionado propõe novas formas de relacionamento. E essa nova proposta de viver já tem nome: “cibercultura”.
Pois Cibercultura é o dossiê que busca explicar que admirável mundo novo é esse no qual habitamos. Para organizar a seção, convidamos uma especialista, a professora Beth Saad, que se mostrou uma entusiasta da ideia e não poupou esforços pra termos um dossiê digno de nota. Nossos mais sinceros agradecimentos a ela, portanto, que, no seu artigo – que abre o dossiê –, já situa com muita propriedade o leitor dentro desse estado de coisas que vivemos e que atende pelo nome de “cibercultura”. Assim mesmo, com letra minúscula. Afinal, nós já vivemos dentro dela. Para o bem ou para o mal.

ex-hacker existe?

Ao final da leitura de “Watchman – a vida excêntrica e os crimes do serial hacker Kevin Poulsen”, uma pergunta me martelou a cabeça: as pessoas podem mudar tanto assim?

Não que a biografia assinada pelo jornalista Jonathan Littman tenha me levado a pensar nisso. O livro conta como um adolescente norte-americano pacato, tímido e muito hábil se torna uma espécie de Inimigo Público Nº 1 nos Estados Unidos no começo dos anos 1990. Na década anterior, Kevin Poulsen era um gênio que se aventurava a hackear comunicações telefônicas, e em seguida passou a operar computadores se convertendo num impetuoso invasor de sistemas, acusado pelo FBI inclusive de espionagem.

Poulsen foi também o primeiro hacker a cumprir uma pena de prisão por seus atos – quase cinco anos atrás das grades – e ficou fora de circulação justamente no período em que a internet fervilhava, e novas gerações de hackers apareciam.

Mas como eu disse, não foi a leitura de sua biografia que me chacoalhou tanto. Foi juntar seu passado com sua atuação no presente. Poulsen deixou a cadeia em 1996, e passou a trabalhar com segurança online. Sua empresa chegou a ser adquirida pela gigante Symantec, e hoje Kevin Poulsen é ninguém menos que um dos editores-sêniores da Wired, a mais influente revista de tecnologia do mundo. O que é ter um ex-hacker na redação? O que teria feito com que Poulsen deixasse a adrenalina de seu cotidiano para “baixar a bola” e trabalhar com jornalismo? O tempo nos presídios o regenerou?

Na CampusParty deste ano, a organização trouxe Kevin Mitnic, outro lendário ex-hacker que cumpriu pena, deixou o “lado negro da força” e virou consultor de segurança. Assim como seu xará, Poulsen deixou tudo pra trás?

Alguém já me disse que “uma vez hacker, sempre hacker”. Isso porque o negócio nessa atividade não é dinheiro nem fama, mas entusiasmo pelo risco, respeito dos pares e outros valores de uma ética muito particular. Aliás, foi por conta da ética hacker que cheguei à biografia de Poulsen e venho estudando outros textos. Minha pesquisa sobre novos valores éticos que poderiam contagiar a prática jornalística esbarra na ética hacker e na presença de outros atores no cenário comunicativo contemporâneo. Mas a dúvida persiste: existe ex-hacker?

O que você acha?

jornalismo, tecnologia, liberdade e democracia: e-books grátis

Baixe três interessantes publicações, todas atualíssimas e em espanhol, mas que ajudam a refletir sobre as relações entre jornalismo, tecnologia, democratização e consolidação de liberdades individuais.

“El impacto de las tecnologias digitales en el periodismo y la democracis en America Latina y el Caribe” é um estudo organizado por Guillermo Franco, tendo como financiador o Knight Center for Journalism in Americas, da Universidade do Texas. Tem 88 páginas e 11,2 megabites de tamanho de arquivo. Baixe aqui.

“Periodismo digital en un paradigma de transición” é uma publicação organizada por Fernando Irigaray, Dardo Ceballos e Matías Manna, e resulta do 2º Foro de Periodismo Digital de Rosario (Argentina). Tem 109 páginas e o arquivo tem 2 megas. Baixe aqui.

“Libertad de Expression” é uma publicação de 36 páginas em quadrinhos, produzida pela Unesco de Quito. Tem arquivo com 4,2 Megas. Baixe aqui.

games e tv: tudo o que é ruim é bom pra você

É com essa afirmação provocativa que um dos caras mais antenados e inteligentes da atualidade chacoalha o nosso senso comum. Steven Johnson tem três filhos, 42 anos, e está baseado no Departamento de Jornalismo da New York University. E a sua provocação neste livro é esta: a cultura de massa que costumamos culpar pela idiotia massiva não imbeciliza ninguém. Pelo contrário: games, TV, internet e cinema têm feito com que fiquemos mais inteligentes nas últimas décadas!

Num dos mais comentados livros de 2005, o autor contraria os argumentos fáceis que satanizam as mídias massivas, principalmente quanto ao “baixo nível” da TV, às constantes cenas de violência gratuita e sexo abundante e por aí vai. Johnson apresenta dados que mostram, por exemplo, que os seriados atuais têm narrativas mais complexas, menos maniqueísmo e recursos tecnológicos que permitem uma outra experiência de fruição. Equilibrado, o autor propõe uma análise que transcende a habitual – e injusta – comparação entre a leitura de livros e os gestos de assistir a TV e jogar videogames. A comparação é injusta porque são complexos cognitivos muito diferentes. Não se trata de melhor ou pior, mas de operações distintas. Se por um lado, não se pode exigir de um videogame o aprofundamento psicológico de personagens que se encontra num romance; por outro, também não se pode esperar que o leitor tenha o mesmo “sistema de recompensa” dos games durante a leitura do tal romance. Cada meio oferece um tipo de experiência.

Steven Johnson mostra que cognitivamente os produtos da TV, do cinema, da internet e dos games têm exigido mais dos seus públicos do que tempos atrás. A complexidade narrativa, a não-linearidade do tempo, a ambiguidade moral, o recurso a paralelismos e a múltiplos focos de ação, tudo isso vem fazendo com que treinemos mais nossos cérebros. E isso é resultado de uma evolução paulatina na indústria de massa. Graças aos seriados rasos dos anos 70 é que hoje absorvemos com naturalidade séries mais complicadas como Lost e Fringe, por exemplo. Graças a quilômetros de filmes com explicações roteirizadas que aprendemos os códigos cinematográficos que nos permitem ter a sensação da previsibilidade de algumas cenas, de alguns gêneros.

Mas engana-se quem pensa que Steven Johnson sugira que joguemos fora as formas convencionais de informação e diversão. Não. Ele reconhece que TV e games nos tornam mais inteligentes, mas defende fortemente a leitura, os estudos habituais e as experiências que acumulamos desde então. Ele deplora a violência e o sexo gratuitos, e insiste na importância de pais acompanharem seus filhos no consumo das mídias e na sedimentação de valores morais verdadeiros. Johnson só não é careta, hipócrita e reacionário. Apontado pela Newsweek como uma das cinquenta pessoas mais importantes da internet, Steven Johnson é arejado, equilibrado e disposto a enfrentar o senso comum.

No Brasil, “Everything bad is good for you” foi editado pela Campus, mas a tradução dá umas derrapadas. A começar pelo título que se tornou “Surpreendente!”…

a morte no jornal e o jornalismo ferido

Uma reportagem cotidiana sobre um crime banal vem causando algum alvoroço nas redes sociais e em listas eletrônicas por aí. Assinada por Afonso Benites e publicada em 28 de maio passado na Folha, a matéria provoca mal estar por conta de dois trechos que, de jornalísticos, nada têm. Leia, com meus grifos:

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90). Era dia de promoção —a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.

As queixas que colhi por aí são de duas naturezas: técnicas e éticas. Em alguns comentários, elas se fundem. Mas de maneira geral, as reclamações se resumem a três:

  • A Folha de S.Paulo estaria fazendo merchandising no meio de uma peça jornalística, contrariando uma antiga divisão de territórios no terreno da comunicação e no interior do próprio negócio das notícias: jornalismo de um lado e publicidade de outro. É a velha separação Igreja-Estado, dois poderes na sociedade que devem se respeitar, conviver em relativa harmonia e preservar suas autonomias, sem mútua intervenção.
  • A Folha de S.Paulo estaria banalizando a violência urbana na medida em que notícias policiais estariam se prestando a veicular informações de cunho publicitário. Pouco importam as três vítimas esfaqueadas no hipermercado. Interessa mais é aproveitar a situação para evidenciar produtos e promoções.
  • A Folha de S.Paulo teria ultrapassado o limite do mau gosto, do respeito à vida alheia, tripudiando com perigosa ironia o fato noticiado e suas circunstâncias.

Confesso que a leitura da matéria me causou um tremendo estranhamento. Não me soou bem, me pareceu sarcástica, oportunista (no sentido mais arrivista), infeliz. Quis me manifestar nas listas eletrônicas, mas me contive. Optei por sentir as reações e em todos os casos foram críticas, quando não raivosas.

Um dos poucos a escrever um pouco mais serenamente sobre o caso foi Marcelo Träsel, que oferece uma interpretação do caso. Entre outros aspectos, ele não vê publicidade descarada na matéria e o crime maior está em como o jornalismo se alimenta de assassinatos e outros delitos para se prevalecer. “A meu ver, a sociedade não perderia nada se as histórias policiais fossem simplesmente banidas dos noticiários”, escreve Träsel. Pelo que pude entender, o autor exime o repórter da responsabilidade sobre o produto final, concede-lhe o benefício da dúvida, mas não poupa a indústria que se nutre do sangue.

Penso ligeiramente diferente. A indústria é implacável e muitas vezes se alimenta de crimes, de escândalos, de polêmicas para engordar seu noticiário, hipertrofiar sua audiência. Mas repórteres, redatores e editores também têm lá suas responsabilidades. No processo de produção jornalística, muitas mãos moldam, alteram e às vezes descaracterizam o texto original. O produto final pode ser muito diferente do que saiu do teclado do repórter, e responsabilidade se dilui. Mas não evapora. Dar o benefício da dúvida ao repórter é sensato pois faz prevalecer o princípio da presunção da inocência.

Mas o fato é que os elementos que causam estranhamento no texto de Afonso Benites poderiam ter sido simplesmente suprimidos. Por uma razão mais do que simples: não são jornalisticamente informativos. Basta voltar ao parágrafo e lê-lo sem os trechos grifados. Algo essencial fica de fora? Não, não fica. Essas sobras não têm estatuto jornalístico, mas contém informações que realçam características comerciais do produto – a faca – e da situação – um dia de uma promoção específica no hipermercado.

Por isso que o episódio inspira debates em torno da ética jornalística. A inserção na reportagem dos trechos grifados adiciona também elementos que contrariam o que convencionamos esperar do jornalismo. Ele é composto por informações que se orientam por interesses coletivos e públicos, e não por interesses de grupos e motivações primordialmente mercantis. Não porque o jornalismo seja melhor que a publicidade ou porque esteja acima do capitalismo. Mas porque o jornalismo se balize por valores que o aproximem mais da democracia do que do mercado. Historicamente, o jornalismo se desenvolveu como uma tecnologia social para as comunidades que servia. Na medida em que se aprimorava, a imprensa construiu em torno de si um conjunto de práticas que a credenciava como fiscal dos poderes, denunciadora de abusos, defensora da livre expressão e do pluralismo no pensamento. A sociedade foi delegando tais funções ao jornalismo, e este foi tecendo para si uma frágil, mas importante teia de sustentação: finalidade pública, função social.

O mal estar que senti ao ler a matéria de Afonso Benites – e pelo jeito não fui o único – é o sintoma do descolamento entre o que se vê no jornalismo e o que dele se espera. É o desvio de função que nos faz torcer o nariz. É uma indisfarçável sensação de estar sendo traído que nos preocupa, que nos indispõe.

O ruidoso episódio na Folha não mata o jornalismo, mas provoca uma incômoda ferida. Ela pode evoluir, arder, infeccionar. Mas também pode secar e cicatrizar. Qualquer diagnóstico é apressado… Irônico é perceber que não foi a faca quem feriu o jornalismo, mas o seu preço estampado na matéria.

o futuro do jornalismo na visão dos jornalistas

A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) promoveu de 25 a 28 de maio seu congresso mundial, cujo tema foi “Empregos, Ética e Democracia”. Se você, como eu, não estava em Cádiz (Espanha) nesses dias e se interessa pelo assunto, vá ao hotsite do evento, acompanhe as (raras) postagens no Twitter ou ainda assista aos vídeos no Canal Vimeo.

Interessante também é conferir o documento “Informe sobre o futuro do jornalismo”, onde são reunidas ideias em torno das muitas mudanças na profissão, no mercado e na própria organização classista dos jornalistas. Para sindicalistas ou não.

o globo: uma campanha demais!

Você pode achar que O Globo não é lá um grande jornal.

Você pode torcer o nariz para a TV Globo.

Você pode nem passar por perto do G1.

Não importa. Este anúncio não é novo, mas é demais!

folha muda. veja como

A Folha de S.Paulo está fazendo um estardalhaço para as mudanças editoriais e gráficas que inaugura amanhã. Cadernos mudam de nome e de tamanho. Brasil vira Poder. Dinheiro vira Mercado. Mais! vira Ilustríssima. Informática vira Tec. O caderno Esportes vira tabloide, e por aí a coisa vai… Tem mudança de fontes e cores. Tem integração das redações das versões impressa e online… Tem redefinições editoriais e adoção de manuais específicos para cada editoria…

Ana Estela de Sousa Pinto reuniu sete vídeos que contam as mudanças que vêm sendo estudadas por mais de vinte pessoas desde setembro do ano passado. Vale ver!

A reforma da Folha vem logo depois da do concorrente direto, o Estado de S.Paulo, e vem numa onda de novos redesenhos na mídia impressa nacional. Transições, mudanças, transformações…

para americanos, blogueiro = jornalista

Um estudo recentíssimo mostra que 52% dos blogueiros norte-americanos se consideram jornalistas. O levantamento é da PR Week e da PR Newswire. Essa sensação de equivalência era menor no ano passado: um em cada três blogueiros se achavam jornalistas.

Claro que cada caso é um caso, e que a pesquisa é concentrada no complexo ambiente dos Estados Unidos. De qualquer forma, os indicativos nos permitam pensar e discutir em torno das aproximações cada vez mais inevitáveis entre jornalistas e blogueiros. O combustível para essa atração e confusão de papéis atende pelo nome de Redes Sociais. Elas têm chacoalhado as relações profissionais não apenas na Comunicação, mas também na Educação.

Nas páginas finais de meu “Ética no Jornalismo”, eu projetava movimentos convergentes de uma ética jornalística tradicional e de uma ética hacker, cada vez mais influente. Está em curso. Aperte os cintos porque não é apenas a paisagem da janela que está mudando; nosso ônibus já não é mais o mesmo…

comentários no twitter derrubam jornalista

Alguém mais esperto que eu já disse que tuitar NÃO é pensar; é pensar alto. E pensar alto na web é compartilhar…

Veja (desculpe o trocadilho), mas veja o caso do jornalista que perdeu o emprego por detonar a Veja no seu twitter…

(matéria de Eduardo Neco, do Portal Imprensa, com colaboração de Ana Ignacio)

O jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, licenciada pela editora Abril, foi demitido nesta terça-feira (11) por ter criticado via Twitter a maior publicação da casa, a revista Veja.

Milanez, na National desde outubro de 2008, publicou, em seu perfil no microblog, comentários a respeito da reportagem “A farsa da nação indígena”, veiculada na última edição da revista. “Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? (sic)”, escreveu em post no último domingo (9).

Em mensagem no mesmo dia, Milanez complementou dizendo que ignorava a Veja, mas “racismo” da publicação fez com que se manifestasse. “Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas (sic)”.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Milanez admitiu que fez observações contundentes sobre a publicação, mas que foi surpreendido pela demissão. “Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido [com a reportagem]. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos”, lamentou o ex-editor.

A decisão de demitir o jornalista, segundo ele, teria vindo diretamente de setores da Editora Abril ligados à revista Veja e repassada aos responsáveis pela National Geographic. “Não sei quem decidiu e como”, disse.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou à reportagem que Milanez foi demitido pelos comentários no Twitter. “Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão”, disse.

Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que “fez o que tinha que fazer exercendo a função”.

congresso de comunicação na espanha

A professora Maria das Graças Targino, da Comissão Organizadora do evento, informa a realização do 2º Congresso Internacional Comunicação 3.0: Novos Meios, Nova Comunicação, que acontece em 4 e 5 de outubro em Salamanca, na Espanha.

A Universidade de Salamanca, por intermédio da Faculdade de Ciências Sociais / Departamento de Sociologia e Comunicação, está organizando o II CONGRESO INTERNACIONAL COMUNICACIÓN 3.0: NUEVOS MEDIOS, NUEVA COMUNICACIÓN, que ocorrerá em Salamanca (Espanha), entre os dias 4 e 5 de outubro próximos.

A tônica é a interferência das tecnologias de informação e de comunicação nos meios de comunicação, em suas diferentes instâncias – impresso, TV, rádio e, obviamente, no próprio espaço digital e virtual –, transformando, substancialmente, as formas de comunicação, e, portanto, seu próprio conceito.

Em breve, estarão no site do Congresso http://campus.usal.es/~comunicacion3punto0 informações completas sobre suas atividades. Por enquanto, os interessados podem visitar a página para saber como aconteceu a 1ª edição e começar a se preparar para participar conosco do II CONGRESO INTERNACIONAL COMUNICACIÓN 3.0: NUEVOS MEDIOS, NUEVA COMUNICACIÓN!

ética no jornalismo online: um podcast

A mesa redonda dos repórteres do site CNET reuniu esta semana o editor chefe Scott Ard e a especialista em ética do Poynter Kelly McBride: o assunto é a conduta de jornalistas de sites e blogs na internet, após o que o escândalo envolvendo o Gizmodo.

Se você não está por dentro, a história é a seguinte: um dos blogs mais influentes da área de tecnologia, o Gizmodo, pagou pelo protótipo de um novo modelo de iPhone, que teria sido esquecido em algum lugar por um funcionário da Apple. Com o aparelho na redação, publicou “segredos” da novidade, “furando” a própria Apple, e alertando a concorrência. A fabricante argumenta que o protótipo não foi perdido, mas roubado. O Gizmodo se defende.

Há, portanto, aspectos legais – comprar o produto de um furto – e éticos – pagar fontes para se conseguir informações. O caso está causando tremores de média intensidade nos meios bloguísticos, mas vai provocar ondas para todas as partes da internet, e não estou exagerando…

Se você se interessou, ouça o podcast de ontem que reuniu Scott Ard e Kelly McBride…

twitter é jornalismo?

Hoje, notícias são como o ar; elas nos rodeiam, estão em toda a parte. As redes sociais radicalizaram essas possibilidades, e o Twitter – o recente maior fenômeno – ajuda a confundir o que é informação do que é jornalismo…

Conversação distribuída, notícia como experiência social, Twitter como ambiente jornalístico, todas essas ideias estão em “From TV to Twitter: how ambiente news became ambient journalism”, artigo do professor Alfred Hermida, veterano jornalista da BBC e hoje professor assistente da Escola de Jornalismo da University of British Columbia (Canadá).

Vale ler e pensar…

os eticistas, o pianista e o jornalista

Uma importante conferência reuniu acadêmicos e profissionais do jornalismo para discutir novos parâmetros e novas condutas para a profissão. O evento aconteceu na semana passada – 30 de abril – na Universidade de Wisconsin-Madison (Canadá), onde funciona o já renomado Center for Journalism Ethics. Na ocasião, a conferência perguntava se é necessária uma nova ética para este novo jornalismo com o qual nos confrontamos diariamente.

Oportuna, a questão trazia consigo uma série de outras indagações que certamente não foram respondidas pelos participantes, por mais experientes e capacitados. Isso porque alguns dilemas éticos estão acabando de aflorar nesse terreno ainda fértil das novas mídias, das tecnologias de informação e do cruzamento dos meios convencionais com as redes sociais.

(Bem) acostumados a debater tais questões, os canadenses não só convocaram grandes nomes do mercado, mas de organizações não governamentais ligadas à área e acadêmicos, mas também instituíram um prêmio para o que chamam de “jornalismo ético”. Como não poderia deixar de ser – já que o evento trata de novas tecnologias -, a conferência teve uma qualificada e generosa cobertura para os meios on line. Um live blogging permite que se tenha acesso a vídeos e textos dos debates; álbuns no Flickr possibilitam captar um pouco do clima do evento; e até mesmo pelo Twitter se consegue recuperar comentários e opiniões de participantes presenciais ou não.

O material que se tem ali é particularmente instigante pra todos os que pensam o jornalismo nos dias atuais. É verdade, existem lá mais perguntas que respostas. Mas não é assim mesmo que funciona isso que chamamos de ética?

Por falar nisso, acabo de devorar “O pianista no bordel”, ótimo livro de Juan Luis Cebrián. Se não ligou o nome à pessoa, Cebrián é um dos principais homens por trás do surgimento de “El País”, na Espanha na metade da década de 1970 em meio à redemocratização do país. Por anos e ainda hoje, o jornal se tornou um símbolo da luta pela liberdade de expressão e trouxe consigo um punhado de preocupações essenciais para um jornalismo de qualidade.

O livro de Cebrián acaba de desembarcar nas livrarias brasileiras. Li uma entrevista dele para “O Estado de S.Paulo” e fiquei interessadíssimo no volume. Passando por Recife, escapei para uma livraria e vasculhei tudo atrás do livro. Quando estava para desistir, chega uma atendente com uma pilha de dez exemplares: Cebrián veio direto para a minha mão, e furou a fila na lista das leituras.

Para tratar de jornalismo, sociedade, democracia e novas tecnologias, “O Pianista no Bordel” parte de uma anedota espanhola, um ditado popular:

Não digam à minha mãe que sou jornalista. Prefiro que continue pensando que toco piano num bordel.

Com humor refinado e texto elegante – que muito me lembraram Mino Carta, outro importante publisher -, o autor se vale de dez ensaios para não apenas fazer reminiscências de sua carreira, mas também para dividir o que pensa sobre jornalismo e política. Neste sentido, Cebrián toca em aspectos delicados das coberturas – como no caso do terrorismo -, e reforça valores do jornalismo, como a credibilidade, o rigor, a independência e a liberdade de imprensa. Critica o avanço da justiça e dos governos sobre os jornalistas, e a tentativa de controle da informação; e ainda desmitifica o propalado fim dos jornais por conta da emergência de novas formas de difusão informativa. Para Cebrián, é necessário um resgate do jornalismo para algumas de suas funções. É preciso coragem para enfrentar tempos difíceis, ousadia para ir além do superficial.

Nas 166 páginas do livro, os pontos de vista do velho jornalista são sempre lúcidos e explícitos; as ideias defendidas com uma contumaz bravura espanhola, mas sem sombra de empáfia. Cebrián parece pensar alto, e quem pensa alto não mede o passo de outrem, mede apenas o próprio. As posições que adota podem não ser unânimes, mas possibilitam pensá-las como alternativas respeitáveis, de nada descartáveis. E o que vejo como muito importante: o autor enfrenta as questões do jornalismo não de uma torre de marfim, segura e cômoda. Cebrián pondera também valores que nós, jornalistas, às vezes, atiramos para baixo do tapete, como rentabilidade, solvência empresarial, a busca por lucros e o jornalismo como negócio. Logo, Cebrián não é um utópico, não se aliena das agruras de quem precisa produzir um bom jornal todos os dias para vê-lo desaparecer rapidamente das bancas.

Cebrián desenha um jornalista sobre o fio da navalha, se não veja-se o trecho a seguir:

O senso de responsabilidade dos jornalistas é continuamente solicitado pelos governantes, quando justificam suas exigências de silêncio, manipulação e censura apelando para o bem superior constituído pela segurança coletiva. (…) Seria lamentável que, de uma forma geral, os profissionais da informação dessem ouvidos a semelhantes pressões. A obrigação moral e profissional dos jornalistas é contar os fatos, não calá-los, e a única responsabilidade que se deve exigir deles é a que emana da exigência de veracidade (…) Isso não quer dizer que devam ser insensíveis ao bem geral e não devam avaliar os danos que podem se originar de suas publicações.

Complicado, não? Sim. Com Cebrián, a impressão dá lugar à certeza: o jornalismo é mesmo muito delicado, muito complexo. E o pianista do bordel só pode ser mesmo personagem de piada. O que vale mesmo aqui é o homem que martela outras teclas, as da notícia.