Um depoimento de como o Twitter afeta nosso comportamento

Marcelo Träsel já foi um usuário inveterado no Twitter. Opinava, informava, discutia, brigava. Mas há um ano está longe daquela rede social.

Algumas razões pessoais o levaram a isso, e o mais corajoso nem é se desligar da rede, mas fazer um profundo exame de consciência e uma revisão de suas atitudes. Passado um ano de abstenção, Träsel faz um relato pungente de como o Twitter continua fabricando babacas, de como pouco se importa com crimes e linchamentos pessoais, e de como isso nos faz cada vez piores.

Leia o Träsel. Pense a partir dele.

novos tuíters e blogueiros

Atualizei há pouco os mapeamentos que vimos fazendo sobre pesquisadores lusófonos da Comunicação que mantêm blogs e pesquisadores da área que estão no Twitter. A primeira lista já foi atualizada 45 vezes e agora tem 215 blogs de Brasil e Portugal. A segunda está na 40ª versão e conta com 360 tuíters.

Pesquisadores da Comunicação no Twitter: aqui

Lista lusófona de blogs da Comunicação: aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

mais de 300 pesquisadores no twitter

Se você é pesquisador da área da Comunicação ou se interessa por isso, não deixe de conferir nossa lista de perfis no Twitter. Já são mais de 300 contatos.

Temos também uma outra lista, agora com blogs de pesquisadores da comunicação dos países lusófonos.

Acesse e ajude a expandir!

o twitter e a demissão do jornalista

Nesta semana, uma notícia causou tremores e ranger de dentes nas redações e nas redes sociais. A Editora Abril demitiu o jornalista Felipe Milanez – até então editor da National Geographic Brasil – por postar tweets críticos à outra revista do mesmo grupo, a Veja.

É claro que o acontecido varreu a internet brasileira como um rastilho de pólvora e provocou reações as mais variadas: houve surpresa, inconformidade, críticas ao próprio jornalista e contestações. Mas a decisão da Abril é irrevogável e os danos irreversíveis, de um lado e de outro. Dentro da Abril, a estupefação de que havia amigo na trincheira; fora do colosso da marginal, queixas de perseguição à livre expressão e tal.

Mas o fato é que o episódio traz velhas e novas lições.

1. As redes sociais inspiram o compartilhamento de conteúdos, de ideias, de sentimentos, de opiniões, mas essa troca provoca consequências, e a mais evidente delas é a contrariedade. Basta criar, por exemplo, uma comunidade no Orkut manifestando a admiração de alguém que logo surgirão comunidades análogas “combatendo” esse pensamento. Basta opinarmos num blog sobre algo que rapidamente leitores deixarão comentários rebatendo nossos argumentos.

2. Nas redes sociais, parece que estamos pensando alto. Mas na web como a conhecemos agora, pensar alto é dividir. E esse compartilhamento se dá no âmbito público e não mais privado. Por isso, toda queixa, ataque ou admoestação pode sim ser rapidamente encontrada, rastreada e, claro, combatida.

3. De nada adianta que eu tenha o meu perfil pessoal numa rede social se nele faço constar também minhas atividades sociais, públicas, funcionais. Isto é, não basta que o jornalista argumente que postou críticas em sua página pessoal se nela, seu perfil afirmava sua condição de editor de tal ou qual publicação. Nas redes sociais, pessoa física e pessoa jurídica se confundem…

4. As redes sociais facilitam muitíssimo a formação de grupos, de elos sociais, mas não isentam as preocupações que temos em outras esferas, principalmente com relação à privacidade. É sim importantíssimo que reflitamos sobre a administração da própria intimidade na internet. O usuário do sistema precisa escolher o que vai mostrar em público; precisa atentar para o que quer manter sigiloso, recluso, discreto. E talvez essa seja a lição mais contundente deste episódio (e de outros também): precisamos cuidar daquilo que somos e daquilo que projetamos nas redes.

Esta é uma questão de cunho moral, não se enganem. É uma questão que envolve valores, que afeta condutas, enfim, que mexe diretamente com a relação que as pessoas estabelecem com as demais. Que o infeliz episódio que custou o emprego de Felipe Milanez nos motive a discutir e refletir mais sobre a rede que estamos tecendo todos juntos.

comentários no twitter derrubam jornalista

Alguém mais esperto que eu já disse que tuitar NÃO é pensar; é pensar alto. E pensar alto na web é compartilhar…

Veja (desculpe o trocadilho), mas veja o caso do jornalista que perdeu o emprego por detonar a Veja no seu twitter…

(matéria de Eduardo Neco, do Portal Imprensa, com colaboração de Ana Ignacio)

O jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, licenciada pela editora Abril, foi demitido nesta terça-feira (11) por ter criticado via Twitter a maior publicação da casa, a revista Veja.

Milanez, na National desde outubro de 2008, publicou, em seu perfil no microblog, comentários a respeito da reportagem “A farsa da nação indígena”, veiculada na última edição da revista. “Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? (sic)”, escreveu em post no último domingo (9).

Em mensagem no mesmo dia, Milanez complementou dizendo que ignorava a Veja, mas “racismo” da publicação fez com que se manifestasse. “Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas (sic)”.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Milanez admitiu que fez observações contundentes sobre a publicação, mas que foi surpreendido pela demissão. “Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido [com a reportagem]. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos”, lamentou o ex-editor.

A decisão de demitir o jornalista, segundo ele, teria vindo diretamente de setores da Editora Abril ligados à revista Veja e repassada aos responsáveis pela National Geographic. “Não sei quem decidiu e como”, disse.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou à reportagem que Milanez foi demitido pelos comentários no Twitter. “Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão”, disse.

Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que “fez o que tinha que fazer exercendo a função”.

twitter é jornalismo?

Hoje, notícias são como o ar; elas nos rodeiam, estão em toda a parte. As redes sociais radicalizaram essas possibilidades, e o Twitter – o recente maior fenômeno – ajuda a confundir o que é informação do que é jornalismo…

Conversação distribuída, notícia como experiência social, Twitter como ambiente jornalístico, todas essas ideias estão em “From TV to Twitter: how ambiente news became ambient journalism”, artigo do professor Alfred Hermida, veterano jornalista da BBC e hoje professor assistente da Escola de Jornalismo da University of British Columbia (Canadá).

Vale ler e pensar…

blogs, twitters e um coletivo bloguístico

Rápido e rasteiro…

…a nossa lista lusófona de blogueiros da comunicação foi atualizada pela 37ª vez e está com 210 links quentíssimos

…a nossa lista dos pesquisadores da comunicação no Twitter já está na 21ª versão e conta com 260 nomes

… Charles Cadé acaba de inaugurar um coletivo de blogs, endereço que reúne atualizações de oito blogs (por enquanto!) que tratam de comunicação e cibercultura. É o Contexto Digital, que além deste Monitorando, congrega ainda os blogs OJornalista, o de Marcelo Träsel, o Mosca Branca, o Sam Shiraishi, o Tons de Azul, o Webmanário e o do próprio Cadé!

lista do twitter também em portugal!

A lista dos pesquisadores brasileiros em comunicação no Twitter, lançada ontem neste blog, está crescendo de forma exponencial. Em pouco tempo, já temos mais de 150 contatos. De Portugal, o colego Pedro Jerónimo fez o mesmo e está incentivando a composição de uma lista análoga, mas com os pesquisadores do lado de lá do Atlântico. Para acompanhar, veja aqui.

Aproveito para agradecer os muitos colegas que têm dado sugestões de inclusão. Como disse antes, este é um projeto de inteligência coletiva, de agregação e disseminação de conteúdos que pretendem ser relevantes e úteis.