fim das férias: séries e a vida que a gente leva

Não é porque é agora não. Mas os anos 90 e esta década são simplesmente o supra-sumo das excelentes séries de TV. Elas são numerosas, bem escritas, bem produzidas, envolventes, viciantes. Sei que antes já tivemos ótimos produtos, mas penso que agora não temos só bons, mas muitos e muito bons. (se você discorda, comente!)

Fiquei parado com Lost. Vi as três temporadas e me intriguei com a trama caleidoscópica.

No final da temporada de 2007, lá por junho ou julho, pensei: e agora? Os episódios só retornariam no final de janeiro. Eu tinha que conseguir algo para “pôr no lugar”, preencher o lobo de entretenimento do cérebro. Parti para os videogames. Enfrentei God of War, e fui até o final. Segui com a sequência e God of War II também foi zerado.

Voltei aos seriados e caí com o queixo em House.

Nestas poucas férias devorei as três temporadas inteirinhas. Terminei ontem mesmo.

Hoje, nos Estados Unidos, recomeça o Lost, a quarta temporada, curta por causa da greve dos roteiristas. Claro que vou voltar a acompanhar…

Mas você, que está aí do outro lado da tela, deve estar pensando: “Que besteira isso tudo. São apenas filmes e personagens que não existem. Tramas rocambolescas, ficção pura”.

Concordo. Claro que é. E é justamente por isso que importa tanto. Precisamos de fantasia, precisamos de ficção. Precisamos de narrativas todos os dias, como de ar ou de alimento. Essas narrativas me desviam o olhar, me mostram novos horizontes, me fazem ver para além da minha vidinha. A arte, a literatura, o cinema, as fofocas cotidianas, tudo isso me leva a surfar na vida contemporânea. Me dá alívio, frescor nas narinas, vento nos cabelos. 

Acompanhar o delegado Espinosa, dos romances de Luiz Alfredo García-Roza, não resolve meus problemas, não paga as minhas contas. Mas eu não o procuro para isso. Procuro para me divertir, para me envolver em outros problemas. Os meus eu faço questão de resolver. E se eu não os resolver, outros tantos ficarão na fila…

5 comentários em “fim das férias: séries e a vida que a gente leva

  1. Ótima postagem. Também adoro as séries. Meu irmão tem toneladas de gigabites delas. Tem até umas oitentistas, sem contas os animes (o cara aprende até a falar japonês, se duvidar).
    Esse lance das narrativas é muito interessante. A gente sente falta, precisa. Pena que a TV brasileira (diga-se Rede Grobo) não consiga investir à altura. A trama brasileira gira sempre em torno do mesmo enredo. Claro que faltaria orçamento, também, e o povo que assiste novela talvez não gostasse muito. Mas seria o jeito de trazer as novas gerações para a frente da tela (mesmo que do PC, disponibilizando tudo para download).
    E o mais legal é que essas narrativas não ficam só na tela. Viram blogs, sites de corporações fictícias, eventos, etc. A ficção no real, o real como ficção. Uma mistura muito doida, que alimenta a ficção, como nas historinhas das Mil e Uma Noites.
    Tomara que Lost já esteja disponível amanhã para download. Abraço

  2. Com um cara cantou uma vez: “A gente não quer só comida”. Quase nenhum brasileiro pode falar nada contra sérias, já que por aqui são as novelas que levam multidões para a frente dos televisores. Infelizmente as boas séries são semanais (o brasileiro não tem paciência de esperar tanto por episódios normalmente) ou passam em horários terríveis (diga-se Lost de madrugana na Globo). Além disso, é muito mais interessante para a vida a falsa realidade das séries do que a realidade falsa de uns BBBs da vida.

  3. Nunca fui muito ligada nas séries, e muito menos na programação da TV aberta brasileira. Sou apreciadora das numerosas e aconchegantes páginas de um livro, na maioria das vezes. Talvez porque aqui em casa o acesso às tecnologias (multiplos canais, vídeo, dvd e afins) chegou tarde e eu me apeguei aos livros que pedia de presente.

    Tem um porém! Essa onda está me carregando, de leve…minha paciência para assistir por horas e horas a sequência de episódios de Lost, por exemplo, não é das mais resistentes, mas os gigas e + gigas estão aqui no meu computador! Hehe.

  4. Concordo. Estou até com vontade de assistir essa temporada, só porque eu achei o último final de temporada BEM legal. 😀

    Séries são meu espaço de sanidade mental e me ajudaram muito a terminar a tese. hehehehe

  5. Séries, séries… Eu fico com as dos anos 80, Rogério. Era garoto quando não perdia “Profissão Perigo”. Lembra do MacGyver, que conseguia desarmar um míssel com um simples clipe? Pois é, minha favorita! Já comprei no Submarino a primeira temporada e pretendo adquirir as outras seis. Assisti novamente os episódios, e até lembrei de alguns que vi nas tardes de domingo, na Globo. Assistir em DVD não te traz o mesmo sabor da época, claro! Mas vale pela recordação, nostalgia. Dessas novas, assisti alguns episódios de uma chamada “Desaparecidos”. Interessante até para a nossa profissão que, em muitas vezes, corre atrás de pistas.. Infelizmente, o SBT (sempre ele, SS) mudou de horário umas enentas vezes e, por fim, creio que já cancelou a exibição. Ou, sei lá, a série já deve ter terminado.
    Abraços

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