hq-con bombou!

O Floripa Music Hall ficou pequeno pra tanta gente neste sábado, durante a HQ-CON. Pelo que me lembro, esta é a primeira convenção de quadrinhos da cidade, e a casa de shows no centro ficou abarrotada de gente ao longo do dia. Milhares de pessoas passaram pelo local, espremendo-se entre as cadeiras dispostas para assistir aos debates e a área de circulação aberta. Confesso que me impressionei com o que vi. Quando cheguei pela manhã com meu filho, na abertura do evento, um grupo bem menor de pessoas aguardava a abertura dos portões. “É a meia dúzia de aficcionados de quadrinhos de sempre”, pensei. Que nada!

A casa foi enchendo e depois do almoço estava cheia. Um sucesso!

Eddy Barrows, desenhista do Superman, e dr Banner

Como convém, havia exposição de originais, encontro com artistas – como Eddy Barrows, que desenha o Superman, e Ricardo Manhães -, venda de gibis novos e usados, e alguns outros artigos para colecionadores. Diversas mesas com roteiristas e desenhistas aproximaram os fãs de quadrinhos catarinenses de alguns realizadores de outras praças, principalmente São Paulo. O concurso de Cosplay também convenceu alguns a aparecem fantasiados de seus personagens favoritos, vindos dos quadrinhos, dos animés ou dos games. Levei meu filhote vestido de Hulk e ele fez grande sucesso, mas se cansou bastante e não conseguiu esperar colher as glórias na competição: foi pra casa da avó. Atendi ao pedido, afinal “Hulk esmaga!”

Mesmo em sua primeira edição, a HQ-CON revela um incrível potencial comercial, cultural e social. Seus realizadores irão enxergar como um evento como este pode não apenas mobilizar tanta gente como também render dividendos e ajudar a difundir as subculturas ligadas à cultura de fãs. O que que quero dizer com isso? Ora, da próxima vez, será preciso fazer a convenção num espaço maior, com infra-estrutura tão boa como a que vimos hoje, mas com a presença de mais expositores, mais divulgação na mídia e mais cuidados na organização, principalmente com relação ao cronograma. Houve atraso de mais de duas horas em algumas atrações…

Se você não foi, mas quer um resumo, veja o que achei de bom e de ruim na HQ-CON:

Positivo

  • A escolha do local de realização; o Floripa Music Hall é central, limpo, bem iluminado, com bons banheiros e com estacionamento fácil (e de graça). É verdade que o estacionamento não é muito grande a ponto de permitir a entrada da Enterprise, mas bastava para veículos civis…
  • O preço dos ingressos: R$ 15,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Para um evento que começa às 10 da manhã e vai até até as 19 horas é bem barato.
  • Os convidados das mesas representam parcela interessante da produção atual de quadrinhos. Para quem não os conhecia, estava aí uma chance; para os mais bem informados, foi uma forma de revê-los
  • Trazer artistas para conversar com os fãs, desenharem por lá, e trocarem ideias é sempre muito legal. Aproxima o realizador com o seu público. Deveriam ter sido mais “explorados”.
  • Sorteios de brindes e gincanas sempre são muito divertidos.
  • A heterogeneidade do público foi uma grata surpresa. Sim, encontrei com os nerds de sempre, os cabeludos e barbudos, as meninas esquisitonas, mas vi a vovó que trouxe o neto, o professor de matemática que estava de passagem pelo centro, a bonitona que entorta os pescoços dos rapazes, enfim, várias camadas que se interessam pelo assunto. Isso é muito positivo, pois quadrinhos deixa de ser assunto de gueto…

Negativo

  • Não havia muita opção para alimentação e os preços praticados no interior da convenção eram extorsivos
  • Houve atraso na abertura dos portões e os debates se estenderam para além de seus horários, comprometendo todo o cronograma. Poderiam ter chamado o Wolverine pra ser o mediador: ninguém estouraria o horário!
  • Faltou um grande nome nacional entre os debatedores. Quem sabe ano que vem convidem alguém para uma conferência de abertura. Talvez a organização escolha um homenageado da edição e ele possa ser o cara do momento…
  • Havia poucos expositores e vendedores, e eles estavam confinados a espaços bem limitados. Sebos da cidade, lojas de games, camisetas e suvenires poderiam estar por lá também… afinal, nenhuma convenção de quadrinhos trata apenas de quadrinhos. A cultura de fã abarca games, seriados, livros, animés, vestuário, lembrancinhas diversas…
  • Não ter convidado escolas e articulado a vinda de mais crianças e pré-adolescentes. Vi poucos por lá. A maioria levada por pais ou parentes que já gostam da Nona Arte. Mas fazer com que estudantes frequentem um evento de quadrinhos é também uma importante iniciativa de formação de leitores.
  • Senti falta de grandes editoras ou lojas de quadrinhos, de alcance nacional. A presença de comerciantes locais deu um charme especial e mostrou que há um mercado regional, mas a vinda de grandes players daria mais opções ainda aos consumidores.
  • Por fim, acho que a convenção pode ter uma cobertura ao vivo pelas redes sociais. Twitter, Facebook, YouTube, Orkut e outros lugares estão aí mesmo pra expandir o universo…
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  1. Jackson Kuntz

    Olá, eu também estava lá e concordo com tudo que você disse, tanto nos pontos positivos quanto negativos, apesar de eu não criticar tanto, pois pra mim um evento de quadrinhos em … veja bem FLORIANÓPOLIS, que está completamente fora do circuito cultural quando o assunto é shows, teatro entre outros eventos culturais, já é de se parabenizar. Tive a oportunidade de conversar com uma das organizadoras e ela estava bem emocionada. Ela me falou um pouco da dificuldade da falta de incentivo principalmente público, falou que gastaram até o que não tinham para o evento.
    Eles estavam em apenas 3 pessoas para o evento todo. Viva que deu certo e que lotou.
    é muito bom ver encontrar outros amantes de hq.

    Vamos torcer para que existam outras edições do mesmo evento e que os pontos negativos que voce colocou sejam resolvidos.

    ps. cara ver os pais levando os filhos pra convenção foi realmente emocionante.

  2. rogério christofoletti

    Oi, Jackson!
    Sim, foi uma grande realização o evento. E os aspectos negativos que apontei podem ajudar (ou não) a organização a melhorar a convenção para as próximas edições. Como fã de quadrinhos, quero mais é que a coisa vá pra frente, claro.
    abs

  3. 3st3r

    Olá amigos, em primeiro lugar, MUITO OBRIGADO! Pela presença, pela divulgação, pelo apoio, e principalmente pelo feedback. Precisamos mesmo que nos apontem pontos positivos e negativos, queremos aprender e melhorar sempre.
    Tivemos alguns problemas e já estamos discutindo como solucioná-los. Atrasamos a abertura e o início das palestras e o cronograma foi pro espaço. Tivemos dois problemas, a montagem da estrutura, que por motivos de “força maior” começou com um hora e meia de atraso e a “ajuda” da companhia aérea que mudou o horário do vôo do Érico Assis das 6h da manhã para as 14h. A alimentação realmente faltou. O pessoal da Fatto Pizza foi incrível, mas outras empresas que chamamos não vieram.
    E isso vale também para outros convites (sebos, games, escolas…) que foram recusados. Mas neste ponto, tudo bem. Sabíamos que, por ser o primeiro, haveria desconfiança e falta de interesse. Ano que vem, com certeza será diferente. Pela conversa inicial que tivemos com a galera do HQSHopping, o retorno foi, como o evento, muito além do esperado.
    Sobre o “grande nome nacional”, esse ponto é discutivel, uma vez que tinhamos nomes reconhecidos e admirados do mercado, tanto nacional quanto internacional. Mas entendemos o que quer dizer. Sidney Gusman, diretor de criação do Maurício de Sousa, estava conosco desde o primeiro dia. A primeira ligação que fizemos foi pra ele. Mas o choque de datas com a Bienal não permitiu sua participação. Outra coisa que aprendemos: conferir o calendário nacional.
    Para encerrar, a cobertura ao vivo não rolou pois quem fez a “assessoria de imprensa” na web (os 3 organizadores) estavam correndo durante o evento. Ano que vem, com certeza, vamos selecionar alguém pra cuidar disso e dar notícias em tempo real.
    Mais uma vez, obrigado.
    PS: Jackson, eu estava mesmo muito emocionada. Depois de ouvir tantos “não vale a pena” encontrar tantas pessoas mostrando “que valia a pena” foi incrível. Assim que acabou o evento, cai no choro. Apenas nós 3, com o apoio da Estácio de Sá (a ÚNICA empresa que ajudou mesmo) e com o carinho dos palestrantes e de TODOS que divulgaram conseguimos realizar esse sonho. Ver o público curtindo e os palestrantes felizes, foi a consagração. Temos que melhorar muito. Mas agora temos certeza que não somos loucos. Ou, pelo menos, loucos sem razão. 🙂

  4. rogério christofoletti

    3st3r, obrigado também pelo comentário.
    Parabéns pela realização. Ao saber que apenas três pessoas cuidaram de tudo, tive que apanhar meu queixo no chão. Sensacional!
    E, claro, ano que vem, será muito melhor.
    Para o alto e avante!!!
    Forte abraço e conte com a gente!

    • 3st3r

      Rogério, preciso retificar um erro, ontem durante o evento, tivemos o inestimável apoio de alunos, funcionários e professores da Estácio de Sá SC. Logo faremos um post sobre o evento, ainda estamos nos recuperando, rsrs.

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