vivo numa ilha!

É praticamente impossível escolher onde se nasce. Por uma razão muito simples: nunca te consultam sobre isso. Mas é plenamente possível optar onde viver e, quem sabe, passar os últimos dias da vida.

Para os seres humanos, a vida se desenrola em torno das cidades. E mesmo que tentemos fugir delas, elas se estendem ao longo do mundo e acabam nos alcançando. Não se vive fora delas, e cada cidade ajuda a gerar tipos diferentes de vida. Por isso que escolher é tão importante, tão precioso, tão especial.

Eu, por exemplo, vivo numa ilha há catorze anos. Num dia qualquer, me precipitei do interior de São Paulo para Florianópolis, com o claro propósito de escrever as linhas da vida com a minha caligrafia torta. Talvez tenha sido esse o único destino verdadeiro que decidi. De lá pra cá, mergulhei na cidade, e fiz dela a minha pátria. Como a gente pertence à cidade dos filhos, tratei de fincar uma raiz familiar na capital catarinense. E costumo dizer: quando (e se) eu morrer, quero ser enterrado aqui.

Eu sei que Florianópolis é desses lugares fáceis de deitar elogios. As belezas naturais, a exuberância de suas mulheres, as curvas dos seus caminhos, seus sabores à mesa, seu sol e as águas do Atlântico fazem desse canto um encanto. Mas quem aqui vive sabe também das feridas: o trânsito caótico, a insegurança pública, a fauna especulativa no setor imobiliário, o anacronismo político.

Mas eu vivo numa ilha e sou muito, muito feliz.
Meu horizonte se alarga aqui. A maresia me desvencilha dos problemas. O vento sul renova nossos ares.

Florianópolis faz aniversário amanhã, e eu quase nem ligo pra isso. É que comemoro todos os dias.

Ao leitor invejoso, desculpe a falta de pudor. É que ando meio manezinho, sabe…

 

6 comentários em “vivo numa ilha!

  1. Uwwwaaaa!!! Realmente, pra escrever um “canto de amor a ilha” sem puderes algum vc está apaixonado cada vez mais com essa ilha torta… =) Ela é como dizia Franklin Cascaes, um mistério, uma entonação frouxa do que há de mágico e maravilhoso nessa terra.

  2. Adorei o post, Rogério!
    Eu me identifico muito com este texto, desemboquei do interior de São Paulo, vim parar nesta ilha maravilhosa e aqui sou muito feliz!
    Ah, O quando(e se) eu morrer foi ótimo, rachei de rir!
    Bjus

  3. Não é nada não. Encontrei este teu “cantinho” só porque estou a experimentar o notebook novo que acabei de comprar. O “encontro” foi assim: primeiro, acessei o blog “desculpe a nossa falha”, que vive às turras com o jornal “Folha SP”. Li a matéria sobre a dispensa de dois jornalistas pela “Folha”. Os profissionais trocaram msgs jocozas. A ombudsWOMANN Suzana Singer comentou as msgs trocadas. Resultado: Alec Duarte e Carolina Rocha tomaram o “pé na bunda”. Fui ao post da Carolina (http://veneno-antimonotonia.blogspot.com) para ver as suas reações já que Alec deu a coisa por encerrada. No lado direito do blog está lá: “Monitorando”. Entrei, gostei, principalmente da leveza do texto e jeito coloquial de se dizer as coisas. Parabéns.
    Ah! Estou muito satisfeito. O notebook é muito bom mesmo. Ao contrário do meu pc grande e desajeitado, este dá até para se colocar no colo e viajar por toda imensidão do universo virtual.
    Prazer.

    1. Legal, Tércio!
      Obrigado pela visita! E obrigado também pelo retorno de como chegou até aqui. Nem sempre a gente imagina como o leitor esbarra no blog ou se depara com ele.
      Boa sorte com o notebook novo e que ele te ajude a encontrar novos e bons endereços “por toda imensidão do universo virtual”.
      abs

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