ando mortinho

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Tenho ouvido e lido muita gente se queixando de excesso de trabalho, de sobrecarga de compromissos, de cansaço extremado. Não, não é o pessoal do “Cansei!”. Não, é gente normal, que trabalha, que respira e que reclama também.

Não tô atrás. O pior é que o semestre acabou de começar.
Também, pudera! Tive três diazinhos de recesso apenas.
Snif!

prêmio da sbpjor vai até dia 15

reproduzo o release…

A Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo recebe as inscrições para o Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo até o dia 15 de agosto, nas categorias Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado e Sênior.
Os primeiros colocados receberão um diploma e uma placa durante o V Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, 15 a 17 de novembro em Aracaju (SE). A hospedagem e a passagem para recebimento do Prêmio no caso dos ganhadores, com exceção dos orientadores, serão custeados pela SBPJor. Todos os ganhadores, incluindo os orientadores estarão isentos de pagamento das taxas de inscrição no congresso anual da SBPJor.

Qualquer associado poderá indicar candidaturas para receber o Prêmio Adelmo Genro Filho na categoria Sênior, destinada a reconhecer anualmente o pesquisador que, pelo conjunto da trajetória, tenha colaborado com a consolidação do jornalismo como área científica. As candidaturas deverão ser apresentadas em formulário próprio disponível aqui.

As normas podem ser consultadas aqui.

mais lista de pesquisadores-blogueiros

Apenas para registro.
Esta já é a quarta atualização da lista e já passamos de 50 links.
Não paramos por aqui. Se você quiser replicar a lista em seu blog ou site, fique à vontade.
Se quiser mandar sugestões, manda ver.

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anpedsul

O site oficial da 7ª edição da Anpedsul já está na rede.
O evento acontece em junho de 2008, aqui na Univali.
Veja mais detalhes, direto na fonte.

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(clique na figura)

um novo código de ética

Começa depois de amanhã, dia 3, o Congresso Extraordinário dos Jornalistas, evento que vai discutir e definir um novo Código de Ética para a profissão. O encontro vai até o dia 5, e acontece no Hotel Bristol, bem em frente à Praia de Camburi, em Vitória. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) anuncia que delegações de vinte estados brasileiros estarão presentes, e esse alarde não é mera propaganda. O próprio Código de Ética em vigência estabelece que reformas ao documento só podem acontecer em congressos nacionais da categoria, na presença de ao menos dez delegações (art. 27).

Participei menos do que gostaria do processo de discussão do novo Código. Como leciono a matéria e como pesquiso na área, sempre me dispus a discutir a questão. Em fevereiro do ano passado, elaborei uma proposta de novo código e enviei à comissão que sistematizava as sugestões. Em maio, fui a Londrina para o 1º Seminário de Ética no Jornalismo, mas me frustrei á época porque pensei que discutiríamos a coisa por lá. Qual nada. Foi tirada uma comissão para ordenar o material e encaminhar as mudanças, apresentando as minutas do código à categoria.

Dei uma olhada na proposta e não vejo muitas mudanças. Veja você também.

Me organizei para ir a Vitória para o Congresso Extraordinário, mas as aulas e os compromissos me impedem. Vou passar.

De qualquer forma, acredito que um novo código de ética para o jornalista brasileiro é uma questão imperativa. Mas é preciso ter em conta uma coisa. Não basta que se tenha um excelente código se não forem fortalecidas as comissões de ética da Fenaj e dos sindicatos, pois são elas que recebem as denúncias, que encaminham os processos e aplicam possíveis sanções. Já escrevi isso em Jornalismo em Perspectiva (Ed. UFSC, 2005), e em Monitores de Mídia (Ed.UFSC-Univali, 2003). Então, é um processo lento, de educação da categoria, de convencimento da sociedade de que se pode ter um bom código e de que ele é eficaz, eficiente e serve à coletividade e não apenas aos profissionais.

Volto a esse assunto depois.

a lista dos pesquisadores blogueiros

A blogosfera é mesmo um organismo vivo e pulsante.
Reage com rapidez e potência.
Por isso, em 24 horas, já atualizei três vezes a lista.
Veja aqui.
E passe adiante.

 

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renoi no youtube

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Já está no YouTube o primeiro documentário sobre o Encontro da Renoi, que aconteceu em junho em Vitória. Com 6 minutos e 36 de duração, o trabalho foi produzido pelos estagiários da ANDI e pode ser acessado aqui.
Parabéns!!!

ética antes e depois da rede

Em Infotendências, Pere Masip cita Jane Singer, da Universidade de Iowa, que reafirma os mesmos preceitos da ética jornalística antes da web para a conduta em rede. Isto é, nada muda. Os valores se mantêm. Muda apenas o suporte, mas não a relação humana.

Este assunto me interessa por completo, já que é muito fácil cair na tentação de se querer inventar a roda a cada atualização do Windows, por exemplo, ou a cada traquitana da moda na web.

Para discutir mais sobre o tema, dou outros dois links:

http://www.mediachannel.org/wordpress/2007/04/20/new-media-culture-challenges-limits-of-journalism-ethics

http://www.ojr.org/ojr/wiki/ethics

o cinema encolhe

Ontem, Bergman morreu.

Hoje, foi a vez de Antonioni.

Sem eles, o cinema fica menor.
Fica menos ousado, menos inventivo, menos artístico.
Suas obras – como a de qualquer um – têm saltos e tropeços, mas eles ajudaram a dar contornos maiores a esta arte.
Sem eles, o cinema do século XX vai desaparecendo aos pouquinhos, como num fade…

para um mergulho com Foucault

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 Meu querido amigo Pedro de Souza acaba de retornar da França onde permaneceu por cem dias em pesquisas sobre Michel Foucault. E é justamente ele, o Pedro, quem me repassa dois importantes links para os que se interessam pelo pensamento e pela obra de um dos mais influentes nomes do século XX:

Michel Foucaul Archives é uma iniciativa do Centre Michel Foucault e do Institut Mémoires de l’Édition Contemporain. O site ainda está em construção, mas já traz conteúdos bem básicos sobre o autor, como uma cronologia de sua obra, a digitalização de alguns manuscritos – como o curso de 1981-82 que Foucault deu no Collège de France – e algumas fotos. Em breve, haverá vídeos, promete o site que tem interfaces em inglês, francês, espanhol, chinês e árabe. Na equipe responsável pelo site está Daniel Defert, antigo companheiro de Foucault e quem detém a guarda, zela e administra muita coisa inédita.

Institut Mémoires de l’Édition Contemporain (IMEC) guarda e disponibiliza arquivos de nomes como Foucault, Althusser, Barthes, Beckett, Benveniste, Céline, Anthony Burgess, Derrida, Jean Genet, Guattari, Grotowsky, Levinas, entre muitos outros. O slogan da iniciativa é “uma memória viva da escrita, da edição e da criação“. O instituto e todo esse patrimônio funciona numa abadia, isso mesmo, a Abadia d´Ardenne. Lá, o visitante pode acessar arquivos em áudio, vídeo e originais (manuscritos ou datilografados). Nada pode ser xerocado ou copiado, apenas consultado. Pelo menos no caso de Foucault. A medida drástica se explica: ainda restam alguns cursos que Foucault deu e que ainda estão inéditos em livros. Os responsáveis pelo acervo estão sistematizando tais originais para a sua publicação, e o vazamento de tais materiais pode provocar diversas conseqüências: da exploração indevida à apropriação indébita.

lista de pesquisadores-blogueiros (40ª atualização)

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Este post é um primeiro esforço ara juntar os principais blogs dos pesquisadores em comunicação no Brasil. A lista é provisória, em constante construção e aceita novos links. Sugestões de novos blogs são muito bem-vindas. Aliás, passar essa lista adiante também é uma boa iniciativa para replicar e ampliar a iniciativa.
Tomei dois critérios para inclusão de links: 1. Tem que ser pesquisador da área da Comunicação; 2. Tem que ser blog, independente se ele trata de Comunicação.
Esta lista, este post é um bumerangue.
Lanço na blogosfera e não sei quando nem como ele voltará…

sobre games e educação

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Na noite passada, ZEREI “God of War”. Para os não-iniciados, isso significa que cheguei ao final do jogo do PlayStation 2. Ok, e daí?

E daí que quem conclui a jornada imposta pelos games mais modernos e arrojados passa por uma experiência diferente e única. Isso porque jogar um desses games não é tão somente manipular um controle, brincar. É entrar no jogo, apropriar-se daquela narrativa e projetar-se na condição do personagem que funciona como a sua interface com o jogo. E como vencer as tantas fases leva tempo, a experiência de chegar ao final é um misto de sentimentos: glória por ter concluído e vencido; surpresa por saber dos detalhes finais, quase sempre inesperados; felicidade por fechar um ciclo; vazio por saber que a saga terminou – ao menos ali naquela edição – e que você não tornará ao jogo (pelo menos se não for obcecado e quiser passar por tudo de novo em outros níveis de dificuldade).

“God of War” é um jogo fascinante. Conta a história épica de um obstinado guerreiro espartano que não suporta mais viver com a dor da perda de sua mulher e filha. Kratos, então, se rende aos caprichos dos deuses para tentar não enlouquecer, já que permanecera um exílio de dez anos de pesadelos. Com isso, o jogo torna-se uma grande maratona por monumentos da antigüidade grega, por monstros e entidades mitológicas, por deuses e suas confusas personalidades, por cenários de tirar o fôlego. São templos, câmaras, cavernas, jardins, as profundezas do inferno, os píncaros da glória, desfiladeiros, montanhas, ruínas submersas, cidades saqueadas. O jogador – na pele de Kratos – enfrenta minotauros, centauros, medusas, sirenes, gorgons, sátiros, zumbis, ciclopes, arqueiros flamejantes, hidras, harpias e até mesmo o deus da guerra, Áries. É traído, surpreendido, envolvido em tramas que desafiam a credulidade.

Em termos de jogabilidade, “God of War” combina ação, aventura, muita porrada, desafios que testam habilidades como destreza, rapidez e agilidade e inteligência nos vários quebra-cabeças que os deuses lhe impõem como prova. É um jogo que lhe toma pela medula.

Os gráficos são excelentes, a trilha sonora contagiante, os rugidos dos monstros horripilantes e a história flerta com sucesso o universo maravilhoso e fantástico da mitologia grega. O próprio Kratos não se lembra direito de seu passado e, com a evolução do jogo, vai sendo lembrado pelos deuses, como Édipo, como os heróis helenos. Aliás, Kratos é um Hércules. Não apenas porque tenha que executar trabalhos para o Olimpo, mas também por seu temperamento, por sua tragédia pessoal, pelo que lhe reserva o destino.

Mas o que isso tudo tem a ver com educação?

Tudo, oras. Imagine se as nossas escolas usassem esse jogo – e outros, claro! – para ensinar História da Antigüidade, História da Arte Antiga, Mitologia… Imagine trabalhar com alunos conteúdos para desenvolver competências e habilidades como raciocínio rápido, orientação espacial, dedução… Mas e a violência? Ora, isso também pode ser trabalhado com os estudantes, na canalização de energia para o jogo, na distinção do certo e do errado, no incentivo para discussões sobre dilemas éticos, no reforço de valores como o bem para combater o mal…

Há tempos venho pensando no desenvolvimento de um jogo – no estilo RPG – que auxilie no ensino de jornalismo. Parece já haver uma iniciativa neste sentido. Mas gostaria de trabalhar com uma equipe na experiência de criar e desenvolver um game que servisse de apoio pedagógico para ética jornalística, por exemplo.

Alguém aí se habilita? 

mais um ataque do lobo

Antonio Lobo Antunes acaba de lançar mais um livro no Brasil.
Trata-se de Eu Hei-de Amar uma Pedra, de 2004.
A informação é do Gaveta do Autor.

ensino e novas tecnologias: um prêmio

Já pensou se houvesse um prêmio para os professores que usam as Tecnologias de Informação e Comunicação no ensino, de forma criativa, inovadora, inclusiva?

Já pensou se esse prêmio desse reconhecimento e dinheiro àqueles que usam a tecnologia para melhorar as condições de ensino e aprendizagem?

Mas esse prêmio JÁ EXISTE. Só que na Argentina… Educ.ar – Intel

(dica de Octavio Islas)

ela é o céu

Estou vidrado no CD Céu, da cantora brasileira de mesmo nome. A menina, com vinte e poucos anos, lançou esse primeiro trabalho ano passado e já é apontada como revelação da música nacional pela crítica. Diga-se, a crítica internacional. Revistas e jornais franceses babam em cima da moça que flerta com bossa, com jazz, com samba e com música eletrônica.  A mídia local também já se rende, mas não é que a mulher é boa mesmo?!

Confira aqui, faixa a faixa.

E se não tiver tempo, vá direto na versão cheia de groove de Concrete Jungle, de Bob Marley.

Céu, que nasceu Maria do Céu, tem voz aveludada, tocante, amadeirada. Sua praia parece não ser a potência vocal, mas o encaixe do que tem nas frestas do possível.

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quando elas se encontram

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O G1 traz uma extensa, exclusiva e ótima entrevista com Alan Moore, uma lenda entre os quadrinhos mundiais, apontado como um dos responsáveis por catapultar a Nova Arte à condição de arte respeitável. Pois a entrevista dá conta do lançamento de Lost Girls, obra em três partes que relaciona sexo, o começo do século XX e Wendy (de Peter Pan), Dorothy (O mágico de Oz) e Alice (aquela de Lewis Carroll).

Consegue imaginar essas personagens se encontrando?

Consegue pensar nelas e ver perversão sexual, desejos e vias de fato?

Mas Moore fala de muito mais coisas.

O portal traz a entrevista em versão para maiores de 18 anos e um infográfico ótimo.

brrrr…

Ontem, fez 8 graus à noite em Itajaí. Oito!

Hoje, tá chovendo e tá tão frio quanto. Agora, conforme o Canal do Tempo, estamos em 13 graus, mas a sensação é de mais frio por causa da umidade e de dois pingüins que estão sambando na rua da frente (é sério! Tô vendo da minha janela!)

Como é que eu sei desses detalhes todos? Oras! Eu acompanho a meteorologia pela internet. Mas não me oriento por ela não. Veja como os institutos batem a cabeça.

Previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para amanhã:
Nublado com pancadas de chuva.
Temperatura: ligeira elevação máxima de 15°C e mínima de 9°C”

Previsão do Climatempo pro mesmo dia:
Nublado com chuva de manhã. Sol e diminuição de nuvens à tarde. Noite com poucas nuvens.
Temperatura: máxima de 16º C e mínima de 9º C”

Previsão do Tempo Agora:
“Encoberto de manhã, nublado à tarde e com poucas nuvens à noite.
Temperatura: máxima de 17ºC e mínima de 10º C”

Previsão do Canal do Tempo para esta quarta:
“Chuva na manhã.
Temperatura: máxima de 17º C e mínima de 7º C”

E aí? Com que roupa eu vou?

o fim de potter

Quer saber o final de Harry Potter?

Ana Laux e seu Gaveta do Autor dão os caminhos. Siga por aqui.

sobre o top-top e o direito de imagem (2)

Outro leitor deste blog, Celio Penteado, discorda do que escrevi sobre o fato de jornalistas terem desrespeitado o direito de imagem dos assessores do governo ao gravarem suas reações. Ele escreve: “Que bobagem essa história de autorização do uso da imagem. Se for assim não se poderia documentar um seqüestro. Deveríamos pedir primeiro, e por escrito, a autorização do seqüestrador. Se quisesse manter a privacidade, deixasse a cortina fechada”.

Também concordo em partes. Começo pelo final. Claro! Se o governo quer privacidade, que construa as condições para tal. No episódio, era fácil. Basta fechar as cortinas. Basta zelar pela confidencialidade. Não se expor. Como fez o presidente: não apareceu. Só o fez 72 horas depois. (Que agilidade! Onde estava Franklin Martins, que poderia aconselhar melhor o presidente?) Já disse aqui: quem faz a foto é o modelo, quem zela pela pose é o fotografado. E em tempos de regime das imagens, todo cuidado é mínimo.

Entretanto, a questão do direito de imagem vai mais além. Segundo o direito, a coisa é assim: todas as pessoas têm direito sobre as suas imagens e não podem abdicar delas. O que podem é autorizar a exploração e o uso delas. Todas as pessoas, inclusive os famosos, têm esse direito.

Neste sentido, a Justiça entende que há dois tipos de imagem: imagem-retrato e imagem-atributo. A primeira se refere ao físico, ao visual, à projeção visível e apreensível de alguém, como um retrato da pessoa. A segunda tem relação com sua reputação, decoro, imagem pública, honra, etc. Por que os juristas dividem? Porque, na verdade, a exposição de alguém fazendo algo pode não constituir em danos para essa mesma pessoa e só o fará quando for violada a imagem-atributo. Explico: se sou fotografado numa praia da Espanha conversando com a Daniella Cicarelli, não posso argumentar que sofri algum dano com essa exposição. Agora, se estiver na mesma praia me esfregando em Marco Aurélio Garcia (em pleno ato de traição à minha esposa e em flagrante atentado ao pudor), posso argumentar que a veiculação das imagens foi nociva a minha pessoa. Foi nociva porque constrangeu a mim e aos que me cercam, e porque me vinculou a alguém com quem eu não gostaria de ser visto.

Nesse episódio, eu poderia processar o fotógrafo? Sim. Mas eu teria legitimidade? Aí, já são outros quinhentos. Primeiro, a coisa aconteceu fora do país e lá as leis são outras. É necessário observar se a coisa se aplica. Segundo, podem argumentar que eu estava fazendo duas coisas erradas (adultério e atentado ao pudor, tipificados em nosso Código Penal) e meus delitos são maiores que os danos que sofri com a violação de minha imagem. E é justamente aí que as coisas emperram no escritório do advogado: quando o causídico vê a coisa nesse impasse, orienta – na maioria dos casos – a não entrar na Justiça para não fazer mais alarde ao caso, e porque a causa tem altos riscos de ser perdida.

É claro que o meu exemplo é canhestro. Mas as condições de análise podem ser plenamente transpostas ao episódio do top-top. Marco Aurélio e seu assessor tiveram sim seu direito à imagem desrespeitado pelos jornalistas que os flagraram vendo o Jornal Nacional. Mas não têm força, legitimidade ou – no popular – moral para contestarem as imagens veiculadas, cujo significado simbólico é mais arrasador que a gravação das cenas. 

sobre o top-top e o direito de imagem (1)

No momento em que você lê este post, é muito provável que este assunto nem mais seja pauta na mídia, que os meios de comunicação tenham voltado suas cabeças para outro “Ouro do Brasil” ou ao “deslizamento de parte da encosta de Congonhas”. Mas quero retomar o tema, até motivado por alguns dos comentários que recebi neste blog.

De Portugal, Cadeiradopoder releva os gestos dos assessores do governo brasileiro que trouxeram indignação em meio ao acidente aéreo de Congonhas na semana que passou. Para quem não se lembra, basta voltar ao meu post anterior. “Penso que os gestos dos assessores não têm assunto nenhum. Pode-se criticar outras acções ou falta delas por parte do Governo, agora dar importância a um gesto (igual ou menos mau do que o que o jornalista que captou as imagens deve ter feito) não acrescenta nada à informação”, diz Cadeiradopoder.

Concordo em partes. As imagens do top-top não trazem informação adicional às causas do acidente ou às condições dos aeroportos brasileiros, ou à crise aérea como um todo. Mas, por outro lado, revelam de forma clara e acintosa o que muitos de nós não sabia. Se foi um gesto de “alívio” – como se defendeu Marco Aurélio Garcia – ou de “comemoração indevida” – como alfinetou a oposição -, pouco importa. O que importa é que nenhum de nós esperava AQUELA REAÇÃO, que em nenhum contexto é respeitosa, serena ou preocupada diante das novas informações que traziam a reportagem do Jornal Nacional, assistida pelos assessores, cuja reação foi flagrada pela própria Globo.

Marcia Benetti Machado rechaça a resposta de Marco Aurélio Garcia, e reconhece na sua fala uma contradição dilacerante: ele disse ter tido aquela reação em um momento privado. Ora, ele tem uma ética privada e outra pública, indaga sagazmente Marcia. E é neste ponto que a coisa me interessa primeiro: quem está no governo, quem representa outrem, quem ocupa um cargo de representação não pode argumentar condutas personais quando está no exercício destas qualidades. Como aconteceu com Rubens Ricupero em 1994, lembra? Não dá. Não pode, porque a massa – no caso, os patrões, aqueles que pagam impostos e alimentam o Leviatã – porque a massa não tolera, indigna-se, cobra postura.

E faltou isso mesmo: postura, pudicícia, humildade, respeito aos fatos. Se foi um desabafo ou não, o fato é que Marco Aurélio e o outro assessor deixaram escapar que o governo tratava do assunto na arena da disputa, da política, da atribuição de culpas e responsabilidades. Não era o caso. Não deveria ser assim. Não poderia… O governo não tratou como um problema que fere a Nação, que vitima os nossos, que ceifa vidas de brasileiros, como Rudolph Giuliani e o governo Bush fizeram em setembro de 2001. Tanto que o governo não apareceu em pessoa nas determinantes horas seguintes à tragédia.

Resumindo. Pensando em ética pública, em ética geral, num ambiente democrático, numa atmosfera republicana – não é assim que Tarso Genro gosta de dizer? -, o governo agiu mal de cima a baixo. A indignação nos meios de comunicação e do público expõem esse descolamento moral que assistimos.

a gripe e dante (de novo)

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Há dez dias, escrevi que estava de volta ao blogar cotidiano, depois de me reerguer de uma gripe homérica. Vã ilusão a minha.O fato é que desde então, ela me persegue como uma sombra. As dores no corpo foram embora, mas ficou a corisa, o nariz-chafariz e uma tosse de cachorro. Ando combatendo a marvada, mas o friozinho e – agora – a umidade tornam as condições mais favoráveis para a gripe.

Mas eu dizia que escrevi sobre a gripe, mas me lembro também que fiz alusão aos círculos de inferno de Dante, ao deixar o lado enfermo. Pois volto a ele agora. Não o lado enfermo (deus me livre!), mas ao poeta.Por conta do frio e da chuva que tornaram esse domingo mais longo, devorei um livro em que me arrastava há semanas: Os crimes do mosaico, um romance que escala nada menos que Dante Alighieri para investigar um estranho assassinato de um mosaicista na Florença de 1300. O poeta é prior da cidade e sua autoridade é reforçada por astúcia e erudição.

Como em outras situações, o livro transporta o gênero policial para um ambiente clássico, tendo como protagonista um personagem pra lá de interessante. O Dante que Giulio Leoni nos apresenta é irascível, altivo, arrogante, cruel, pavio-curto. É briguento, sangüíneo, temperamental. Deixa a cabeça girar ao contrário por causa de um rabo de saia e é bem beberrão.O livro demora a engrenar, mas lá pela metade a narrativa vai fluída, contagiante. Não vou contar o final, mas descobrir o responsável pelas mortes macabras fica em segundo plano quando se percebe o segredo que provocou toda aquela confusão.

Diversão com ironia fina, inteligência arguta e um personagem que – se conhecêssemos – adoraríamos odiar.

eleições na fenaj: deu o esperado

Venceu a Chapa 1, liderada por Sérgio Murillo de Andrade, que agora segue para um segundo mandato à frente da entidade classista dos jornalistas.

O resultado oficial  foi:

A chapa 1, Orgulho de ser FENAJ, encabeçada por Sérgio Murillo de Andrade, foi eleita com 3.614 votos. A chapa 2, encabeçada por Dorgil Marinho, obteve 1239 votos. Já para a Comissão Nacional de Ética, foram eleitos Armando Rollemberg (2.794 votos), Washington Mello (2.526 votos), Carmem Lúcia Pereira (2.478 votos), Regina Deliberai (2.356 votos) e Rossini Barreira (2.347 votos). Os demais candidatos, Arthur Poerner e Venício Lima, obtiveram 1.254 e 1.368 votos, respectivamente”.

Sérgio Murillo, a exemplo do primeiro mandato, tem uma pedreira pela frente: quer retomar a discussão do Conselho Federal de Jornalismo, a regulamentação da categoria e as investidas do empresariado para precarizar as condições de trabalho dos jornalistas. Sérgio tem fibra, mas a diretoria patinou bastante no primeiro mandato, cometendo erros fatais – como o encaminhamento político desastrado do projeto que criava o CFJ e o apoio ao fechamento da RCTV por Hugo Chávez.

A nova diretoria toma posse no Congresso Extraordinário dos Jornalistas, que acontece de 3 a 5 de agosto em Vitória (ES). O evento deve definir um novo Código de Ética para a profissão.

cenas do top-top, ética na política e a ética jornalística

Marcos Palacios convida e eu topo a tarefa. Ele se refere ao vídeo obtido de forma clandestina que mostra importantes assessores do governo federal vendo a matéria do Jornal Nacional que sinalizaria falhas de ordem mecânica como causadoras do acidente da TAM esta semana. Os assessores deixam escapar algum júbilo por meio de gestos obscenos. Um faz o tradicional top-top, batendo a mão espalmada sobre a outra em forma de punho. Outro estende os braços e os contrai, como se estivesse remando…

Se você não viu o vídeo, acesse aqui.

Veja também o pedido de desculpas de Marco Aurélio Garcia.

Mas vamos aos fatos:

1. As imagens dos assessores foram obtidas sem as suas autorizações, pela fresta de uma janela, do lado de fora de um prédio.

2. Os gestos não foram feitos publicamente. Os gestos parecem demonstrar reações privadas dos assessores, mesmo que sejam revoltantes a quem assiste.

3. Mesmo pessoas públicas, como os assessores em questão, têm direito à privacidade.

4. Mesmo pessoas públicas, como os assessores do episódio, podem ter reações infelizes, basta lembrar do caso da ministra Marta Suplicy.

5. Tecnicamente, os jornalistas da Rede Globo invadiram a privacidade dos assessores.

6. Mas tecnicamente também estavam fazendo o seu trabalho, marcando de perto o governo nos dias seguintes à maior tragédia da aviação brasileira.

7. Embora tenham desrespeitado um direito particular, os jornalistas o fizeram em nome do interesse público. Pelo menos é o que se depreende, já que os jornalistas em questão não são notadamente paparazzi e os seus objetos não são celebridades. O flagra foi importante, embora traga também elementos de ordem política. A imprensa – e a população, pode-se dizer – esperava uma reação rápida do governo frente ao acidente, mas o Planalto demorou a aparecer.

8. A imprensa ficou em cima, e pinçou a imagem dos assessores, trazendo para dentro da arena o governo. Arrastando o governo para o debate.

9. A invasão de privacidade justifica a obtenção daquelas imagens? A cobertura do acidente poderia prescindir daquelas imagens, pois elas não trazem nenhuma informação adicional sobre as causas do desastre. Trazem, sim, elementos políticos que corroem ainda mais as desastradas ações do governo nesta crise aérea. Por outro lado, a invasão de privacidade traz elementos desconhecidos do público, como a postura de compostura de autoridades em alguns momentos. O episódio lembra o flagra de câmeras da própria Globo em 1997, quando o ministro Rubens Ricupero disse as célebres frases: “O que é bom a gente mostra. O que é ruim, esconde. Eu não tenho escrúpulos quanto a isso”. Deu no que deu: o ministro do Real caiu em seguida. Afinal, parabólicas em todo o Brasil retransmitiram de forma inconfidente as confissões do chefe da Economia nacional.

10. Um velho ditado diz o seguinte: quem tira a foto não é o fotógrafo, mas o modelo. Isto é, a pose quem faz é o objeto da câmera. Neste sentido, celebridades e famosos, notáveis e autoridades devem sempre zelar (ou super zelar) por suas posturas, mesmo em locais prvados.

11. Os assessores poderiam processar a Globo por uso indevido da imagem? Tecnicamente, sim. Afinal, não lhes foi pedida autorização para uso da imagem, patrimônio inabdicável de toda pessoa. Entretanto, compensaria buscar reparação na justiça? Evidentemente que não. Pois o constrangimento gerado pelas imagens despe de qualquer legitimidade uma autoridade que age de forma tão desrespeitosa com o fato.

12. Resumo da ópera, pela minha ótica: A mídia estava no calcanhar do governo e setores subalternos do Planalto se deixaram flagrar em momentos infelizes. O governo errou (mais uma vez) na estratégia de se comunicar com o público, atrasando a sua aparição diante da tragédia. Os jornalistas agiram em nome do interesse público, muito possivelmente motivados pelas prováveis repercussões políticas que as imagens trariam. Os jornalistas desrespeitaram o direito à privacidade dos assessores, mas no cenário atual, de constantes frustrações do público diante da crise aérea, isso pouco importa. As imagens não ajudam a explicar o acidente, nem trazem qualquer alento às vítimas.

webjornais mais populares

Quer saber quais são os jornais na web mais populares nos Estados Unidos?

Se você pensou que quem puxa a fila é The New York Times, acertou. Em seguida, vêm USA Today e Washington Post.

Para saber a listinha dos Top 30, acesse o Editor & Publisher.

ele disse sem pudor

Sabe, eu me prometi que não ia gastar uma linha sequer com esse assunto. Mas meu amigo-justiceiro-da-amazônia Avery Verissimo deu as linhas capitais sobre a morte de ACM. Coragem e sinceridade, sem papas na língua ferina.

a love supreme

Olhe pra baixo e imagine um pôster de quase um metro de altura e meio braço de largura.
Pois é. Ontem, ganhei esse pôster da minha mulher.
Adorei.

As fotos são de Francis Wolff, um sortudo que passou pelos principais clubes de jazz clicando gente como Coltrane, Miles Davis, Thelonius Monk e por aí vai.

Quer ver mais imagens do tipo? Vá ao Imagens do Jazz, blog desativado de Portugal, mas que é um museu da estética visual dos álbuns e da fauna do velho jazz.
(Vá ao blog e ligue as caixinhas de som)

O meu pôster pendurei bem cima do aparelho de som. Como se Coltrane velasse e zelasse pelos artistas que estão empilhados por ali, em CD, DVD e Vinil. Pra variar, Coltrane olha para o nada.

My favorite things não deixa de tocar silencioso naqueles lábios fechados.

francis.jpg

beto brant me decepcionou

Vou de cinema.

Adoro e vejo tudo o que Beto Brant produz. Pra mim, é um dos cineastas mais conscientes do cinema nacional. Seus filmes são enxutos, dizem a que vem, não se apóiam em grandes estrelas e medalhões, mas sempre se sustentam em excelentes roteiros e ótimos atores e atrizes. Bem, coloque a frase anterior no passado.

Isso porque acabo de assistir a Crime Delicado, o filme mais recente dele, que é de 2005. Sim, estou atrasado. Pra variar. Peguei na locadora, mas a vida corrida me impediu de ver duas vezes. Vi então agora, num naco de noite que me sobrou.

E me decepcionei.

A coisa muda por completa. Se em Matadores, Ação Entre Amigos e O Invasor, o ritmo é frenético, constante, cadenciado; agora, o velocímetro cai abruptamente; as cenas se alongam e as falas se estendem por milhas e milhas.

Brant abandona a violência explícita de antes e agora se dedica ao amor, à paixão louca, a práticas esquisitonas como a do pintor velho que se despe e posa junto com a modelo para retratar trepadas… como o crime delicado do título: o estupro de uma mulher com uma perna amputada. (Eu sei, parece David Cronenberg de tão outsider…). A perneta é a modelo das pinturas… E o acusado de estupro não é o pintor, mas um solitário crítico de teatro que se envolve com a moça, que é atriz também…

O cineasta investe para uma narrativa que mescla o cinema, artes plásticas, teatro e literatura. Assim, o cinema tenta dar conta do mergulho nas pinturas que colorem a trama (na segunda parte), perpassa longas cenas de ensaios teatrais e ainda se baseia no livro de mesmo nome de Sérgio Sant´Anna. Tem no elenco Marco Ricca, Lilian Taublib e Felipe Ehrenberg. Sem contar boas participações de Adriano Stuart, Matheus Nachtergaele, entre outros. Até mesmo o roteirista Marçal Aquino faz uma figuração.

Mas nada disso me satisfez. Brant experimenta mais desta vez. Nas linguagens. Mas a sua narrativa se perde nos rococós, nas esquinas, num ritmo que faz tudo menos envolver.

Continuo fã dele. Até porque se o artista tem que fazer uma coisa é errar. O artista é sempre errante.

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derrapagem na pista e no jornalismo

A tragédia do vôo 3054 numa navegação muito particular…

Clique 1. Marcia Benetti se enfurece em seu blog com a ausência de informações. Lá do Rio Grande do Sul, ela se queixa do despreparo de jornalistas e da ausência de autoridades.

Clique 2. Também do Rio Grande, Alex Primo denuncia a lambança de um repórter que confia em google, mas não checa as informações devidamente.

Clique 3. O Intermezzo monitora a cobertura do acidente.

Clique 4. O UOL publica foto adulterada e depois se desculpa.

Clique 5. Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, critica a mania de pré-julgamento da imprensa nacional em casos como o de Congonhas.

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livro sobre metodologia de pesquisa em jornalismo

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Reproduzo o release… 

A Editora Vozes acaba de lançar o livro “Metodologia de Pesquisa em Jornalismo”, endereçado a todos aqueles que pensam o Jornalismo como ciência.

Organizado por Cláudia Lago e Marcia Benetti, com prefácio de José Marques de Melo, o livro reúne doze textos de autores de vários estados brasileiros e do exterior, divididos em três partes: Métodos, Conceitos e Intersecções com o Jornalismo, Aplicação de Métodos de Pesquisa em Jornalismo e Exemplos de Pesquisa e seus Métodos.

Na primeira parte os autores Richard Romancini, Cláudia Lago, Sônia Serra e Luiz Martins da Silva trabalham, respectivamente, a intersecção entre Jornalismo e os métodos próprios da Pesquisa Historiográfica e da Antropologia, os aportes da Economia Política da Comunicação e a Teoria do Agenda Setting, aplicada aos estudos de jornalismo brasileiro.

Na segunda parte Marcia Benetti apresenta a análise de discurso e Heloiza Herscovitz  discute a análise de conteúdo nos estudos sobre jornalismo, enquanto Luiz Gonzaga Motta trabalha a narrativa jornalística e Isabel Ferin Cunha discorre sobre a aplicação de programa estatístico – o SSPS – em estudos do jornalismo.

Por fim, a terceira parte discute pesquisas específicas à luz dos métodos que as geraram. É o caso de Elias Machado e Marcos Palacios, que apresentam a metodologia aplicada pelo Grupo de Pesquisa de Jornalismo On-Line (GJOL), a pesquisa levada a cabo por Alfredo Vizeu que analisou o newsmaking no telejornalismo brasileiro, enquanto Zélia Leal Adghirni e Francilaine de Moraes discutem os critérios que nortearam sua pesquisa sobre instantaneidade e memória no jornalismo on-line. Por fim, José Luiz Aidar Prado e Sérgio Bairon apresentam a metodologia utilizada na pesquisa que analisa discursivamente a representação do Outro na mídia das revistas semanais, notadamente a revista Veja.

O resultado final é uma obra que reúne não só autores de formação e campos distintos, pesquisadores que trabalham em diversas universidades, mas também textos que procuram dar uma noção da amplitude e abrangência das discussões relacionadas à esfera metodológica. O livro não esgota as inúmeras faces da discussão da ordem do método, mas contribui para o aprofundamento dessa temática, absolutamente crucial para todos aqueles que se aventuram a eleger o jornalismo enquanto objeto de estudo.

“Metodologia de Pesquisa em Jornalismo”
Claudia Lago e Marcia Benetti Machado (Orgs.)
Editora Vozes
286 páginas
R$ 32,00

 

 

 

 

jornalismo 2.0

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Juan Varela já anunciou o Periodismo 3.0, mas Mark Briggs trata de um Journalism 2.0.
Para saber mais de um e de outro, vá direto às fontes.
Aqui, você encontra o artigo de Varela (na revista Telos); e aqui, você baixa o livro (na versão PDF) de Briggs.

Tudo de graça. Graças aos autores.