termine já a sua tese ou dissertação!!!

Recebi de minha amiga Marcia Benetti, e repasso por haver altíssimo valor científico…

Oração para “destrancar” trabalhos acadêmicos

Você está na reta final da sua tese ou dissertação?
Você sente que existe uma força misteriosa que tira seu ânimo?  Faz seu orientador adoecer ou sumir do mapa inexplicavelmente? Seu computador quebra ou é roubado com todos os seus dados e análises? Ou melhor, os seus dados não tem explicação??

Lamento ser o portador dessa má notícia, mas… VOCÊ TEM UM EXU TRANCA TESE NA SUA VIDA!!!

Esta é a corrente da Nossa Senhora Destrancadora de Teses. Você deve evocar esta novena toda vez que for vítima de alguma das artimanhas do “Exu Tranca Tese” ou se quiser apenas proteção contra essa entidade!!!  Então, toda vez que sentir necessidade, faça a seguinte oração:

“Nossa Sra. Destrancadora das Teses, em ti confiamos para a proteção contra o Exu Tranca Tese, nos proteja de: Queimação de pen drive; bibliografia em alemão; visita fora de hora; linha no word que não sobe com “del”; fotocopiadora quebrada. Dá-me: encontros com o orientador no corredor da Universidade e   livro emprestado com data de devolução pra 2050.

Ah, senhora, livra-me também das perguntas indiscretas, das dúvidas fora de hora, e das certezas idem. Ajuda-me a lembrar dos nomes dos autores e da   pronúncia deles, assim como do modo como se faz notação de revistas.
Nossa Senhora, livre-me de pensamentos acerca de minha tese durante meu sono. Que eu possa dormir o sono dos justos impunemente, sem que eu tenha que me levantar ou acender a luz para anotar insights invasivos que detonam minha mente quando preciso descansar para mais um dia de batalha! Que tais pensamentos venham na hora certa, quando me sento diante de meu PC e eu não me torne um zumbi.

Ó Senhora, desperta no meu orientador uma enorme vontade de ler minha tese. Que ele a leia com olhos vigilantes, para não deixar passar nenhuma monstruosidade, mas também com olhos piedosos, para me deixar enfrentar a banca. E que a banca, Senhora, me dê os apertos que achar necessários, mas que ao final assine a poderosa ata, redenção final dos meus inúmeros pecados.

Nossa Senhora, meu orientador insiste em dizer que a minha tese está, entre aspas, uma merda, mas eu sinto que a Senhora vai me dar uma luz bem forte e lançar como de um passe de mágica, artigos que abram meu cérebro tão debilitado por tamanha pressão.

Minha Santa querida, já que eu fiz esta escolha na minha vida e sinto na obrigação de terminar, me dá forças para não matar um, e que este “um” não seja o meu orientador, porque ele ainda precisa assinar a versão final!
AMEM!!!!”

E não seja egoísta, repasse esta mensagem imediatamente a todos os seus amigos e alunos que estão passando pela mesma pressão senão o Exu não vai te largar e você vai passar o resto da sua vida “quase” terminando sua tese.

duas revistas chamam textos

Atendendo o velho-novo adágio “Publish or Perish”, reproduzo duas chamadas de textos de revistas científicas da Comunicação:

Revista Memex – Informação, Cultura e tecnologia – É uma publicação multidisciplinar de periodicidade bimestral, dedicada à divulgação de estudos relativos à informação, cultura e tecnologia.  A seção Navegar, onde são publicados os artigos, busca contribuir com reflexões e análises que auxiliem na constituição de uma perspectiva crítica acerca da relação sujeito, informação e mediação tecnológica. A seção compreende artigos que contenham relatos completos de estudos ou pesquisas concluídas,matérias de caráter opinativo, revisões da literatura e colaborações assemelhadas. A revista é multílingue, publica trabalhos em português,espanhol, inglês e francês. Estamos recebendo trabalhos para até 20/05/2010.

Mais informações em http://www.eci.ufmg.br/memex

Revista Galaxia – chamada para a edição de dezembro 2010. Os textos deverão ser postados diretamente no site e obedecer às normas da revista (item “sobre” no site http://revistas.pucsp.br/galáxia)
O dossiê contará com um consultor especializado no tema, que será revelado apenas na edição da revista.
Temática: “Comunicação e biopolítica”

uma cidade, uma canção (atualizado!)

Jay-Z e Alicia Keys fazem uma ode à Big Apple, e New York se oferece num retrato bem recortado, caprichosamente emoldurado e cool.
Sabe, São Paulo merecia algo parecido…

ATUALIZAÇÃO-RELÂMPAGO:
Mal postei o clipe acima, e o conectado António Granado me informa que lá em Portugal já circula com muito sucesso uma paródia da canção de Jay-Z. Trata-se de Diana Piedade e Rui Unas contando suas desventuras na Margem Sul. Ironia, Ritmo e Poesia.

abril se foi, mas “me acorde quando setembro terminar”…

É domingo. Então, deixa eu tocar uma neste blog…

miles e coltrane, um encontro

Porque hoje é sábado… (para Demétrio Soster)

Miles Davies e John Coltrane num espetacular tema para a vida inteira: ‘Round Midnight

intercom sul 2010: contagem regressiva

Acerte os ponteiros aí! O Intercom Sul 2010 – que acontece daqui a três semanas – está chegando!

A programação está disponível aqui. O página oficial é aqui. O blog é aqui. Resultados de trabalhos enviados podem ser consultados aqui.

Na Feevale, onde tudo acontece, o pessoal está na maior empolgação. Para se ter uma ideia, as inscrições já foram encerradas: não cabe mais ninguém! Mil e setecentos pessoas já estão inscritas!

meu filho quer ser “desenhor”

Aos seis anos, eu não sabia nada de nada. Mais de trinta anos depois, a coisa continua na mesma.

Mas não desanimem: novas gerações chegam para salvar o mundo e converter a humanidade numa nota de rodapé relevante no Grande Livro da Vida no Universo. Meu filho, por exemplo, nem completou seis anos e já sabe o que quer. Quando crescer, vai ser “desenhor”. Isso mesmo! Ela vai desenhar, criar personagens novos, colorir o mundo, apagar as coisas ruins, e por aí vai.

Você duvida?

Veja só o que o moleque já apronta com uma folha amassada e um punhado de canetinhas quase-sem-tinta, toquinhos de giz de cera e canetas esferográficas…

(compilado e legendado pela Ana Laux)

como as universidades usam redes sociais?

O jornalista espanhol Pablo Herreros mostra como as mais prestigiadas universidades do mundo estão usando redes sociais como o Twitter e o Facebook. Mesmo apesar da resistência de uns, da ignorância de outros e da incompetência de alguns.

Conforme Herreros, nas redes sociais, as instituições…

  • compartilham informações e notícias próprias;
  • explicam o que fazem;
  • conectando sua comunidade entre si;
  • retransmitindo eventos ao vivo;
  • criando conteúdos exclusivos;
  • permitindo a criação de blogs para alunos;
  • estreitando relações com alunos, professores e funcionários…

Enfim, aprofundando a especialidade das redes: relacionamentos.

Saiba mais aqui.

sobre livros e percursos

Existem livros que trazem consigo muito mais histórias que suas páginas contam. A trama, os personagens, as ações estão ali, mas o próprio-livro-como-coisa às vezes escreve narrativas a respeito de si mesmo.

Ontem, me deparei com um desses casos. Soube pelo Twitter que o André Lemos estava lançando o seu “Caderno de viagem: Comunicação, Lugares e Tecnologias”, um e-book gratuito sobre seu tempo de pós-doutoramento no Canadá. Fiquei curioso, baixei e depois me pus a olhar as mais de 300 páginas com um misto de curiosidade e encantamento. Quando percebi, já estava lendo, e devorando as páginas curtinhas, caprichadamente editadas para serem lidas com bastante conforto na própria tela do computador.

Lançado em vários formatos – inclusive para kindle e outros leitores digitais, com opção de impressão em papel -, o livro é interessantíssimo. Híbrido de diário de bordo, álbum de fotos inusitadas, e compilação de insights conceituais, “Caderno de Viagem” é atraente até mesmo para quem não quer saber do Canadá, não se interessa por traquitanas tecnológicas ou por quem sequer imagine quem é o seu autor. O livro interessa pois traça um mapa que reúne ideias muitíssimo importantes para todos nós, humanos: comunicação, cidades e caminhos.

Por isso e por outras razões, a gente consome o livro sem parar, em poucas horas. Seja motivado pelos mapas que o próprio André desenha de suas caminhadas pelas ruas de várias cidades; seja pelo que se pode imaginar desse narrador no momento de suas ações.

Produzido em meio a um ano sabático, o livro é um belo exemplo de como ciência e sensibilidade, narrativa agradável e pesquisa social, tecnologia e geografia se encontram. Aliás, não é que cairia bem se os editores lançassem uma versão em audiobook? É que aí, o “leitor” baixaria em seu IPod, e – caminhando – ouviria as páginas de André, tendo uma espécie de companheiro na jornada…

Como eu disse, o livro foi concebido num período sabático, aquele tempo em que artistas e intelectuais deveriam se devotar um tempo maior para maturar ideias e projetos, enfim, uma puxada de freio no campo das ideias e emoções. Que nada! Como o próprio André conta no livro, de sabático, o período não teve nada. Foi um tempo de muito trabalho, de muita produção, de muito empenho. O “Caderno de viagem”, que ele agora nos oferece, é apenas um dos muitos frutos desse ano no Canadá; desse período fértil, vieram artigos acadêmicos, palestras, capítulos de livros, comunicações científicas e até mesmo um filho…

Enfim, como eu disse no início, existem livros que têm suas próprias histórias. “Caderno de viagem” é um desses generosos casos…

***

Mas a vida nos atropela mesmo. E os livros com ela. Semana passada, encontrei em minha página no Facebook um recado inusitado de uma total desconhecida. Ela me contava que escrevia de Campinas (SP), onde havia ganho um livro com uma assinatura minha, seguido de uma data e uma localidade: 05 de outubro de 1992, Bauru.

A moça ficou curiosa diante do fato de que o livro continha outras marcas. Carimbos de um sebo de Itajaí (SC), mas o volume havia sido comprado em Ribeirão Preto (SP) por um amigo que a presenteara. A moça deve ter pensado: como esse livro veio parar aqui e quem é esse cara da assinatura? Entrou na internet e acabou me encontrando lá no Facebook (e em lugares não comentáveis aqui…).

O livro andou. Por caminhos que sabe-se lá quem determinou…

Este é mais um exemplo de como livros e percursos nos interessam, nos chamam a atenção. A ponto de a história que acabei de escrever ser até mais interessante que o próprio livro em questão. (A propósito, era um exemplar de “Comunicação em prosa moderna”, do Othon Garcia)

lições de inocência com meu filho

Consciente ou inconscientemente, às vezes, me esqueço que meu filho nem completou seis anos. Falo com ele quase tudo, converso de igual para igual, e há quem diga que isso é muito natural: afinal, os dois têm a mesma idade mental, dirão meus detratores.

Mas para além desse detalhe, é o próprio menino quem me alerta quando estou indo rápido demais, quando estou usando palavras incompreensíveis ou quando minhas ideias são completamente irracionais. Ele me olha no fundo dos olhos, seriíssimo, espalma a mão direita, dobrando levemente o polegar para dentro da mão e pergunta. Suas questões são diretas, nem sempre vocalizadas com precisão, pois a boca não acompanha o pensamento. E é aí nesses momentos em que o menino me ensina, me mostra que a inocência está ali, que um estágio superior ao humano pode se manifestar numa criaturinha como aquela.

Alguém, cético até a medula, já diagnosticou que a inocência é um câncer. Mas vá lá! Permita-se relembrar o que é estar inocente, desconhecer, acreditar numa nuvem como chão… Ser inocente é um estado de graça, um átimo de segundo que nos escapa à medida que envelhecemos.

Noites passadas, eu assistia à TV com o pequeno e ele me perguntou onde o apresentador do programa morava. Eu disse que ele era de bem longe, que era um novaiorquino típico. O menino me olhou incrédulo. Me concedeu um, dois segundos. No terceiro, suas sobrancelhas – que são as minhas em miniatura – subiram até a metade da testa. “Então, ele não fala português?”

“Não, ele fala inglês!”

“Mas, pai – mão espalmada para a frente, polegar ajudando a fazer um quatro – mas, pai, ele tá falando português agora. Eu tô entendendo…”

A inocência despencou sobre o meu colo. Entendi que o menino simplesmente ignorava que o programa era dublado. Ele sequer imaginava que havia muita gente por trás daquilo de traduzir, dublar, sincronizar, modular os tons, gravar e substituir a voz original.

Fiz um esforço sobrehumano para explicar a ele que alguém “emprestava” a voz ao apresentador da TV, que alguém falava em português o que era dita anteriormente em inglês. O menino ouviu tudo com uma calma de lama do Tibete. Apenas o par de sobrancelhas dançava pra cima e pra baixo. Os olhos, de repente, se abriram, cresceram, brilharam. O rosto dele ficou todo iluminado. O pequeno não disse mais nada. Mas não foi preciso: eu tinha certeza de que ele estava descobrindo algo novo, novíssimo para ele. Como quem olha o mar pela primeira vez. É a descoberta em estado bruto, seminal, primitivo, sem fingimentos ou arremedos. Dessas descobertas que apenas são o efeito colateral da inocência. Essas descobertas só existem porque descortinam para a gente um mundo novo, um panorama inédito, uma paisagem jamais vista.

Eu sorri para ele, que me devolveu na mesma moeda. Ele entendeu. Eu percebi que tinha testemunhado um instante importante ali. A descoberta dele, a inocência se lhe escapando, a luz do conhecimento apagando a ingenuidade. Isso não durou mais que poucos minutos. Não havia mais ninguém na sala. Não tive cúmplices. Foi tão sensível e duradouro que me fez pensar nisso que escrevo. Nas perdas e nos ganhos; no paradoxo que junta consciência e inocência, feito ímãs. Conhecer é perder a inocência; saber é sepultar a ingenuidade; saber é tornar-se mais familiar às coisas e ao mundo; saber é se localizar melhor no mundo e na vida… Coisas tão importantes e tão desimportantes diante daqueles dois olhinhos me mirando sérios. Olhinhos e sobrancelhas que me fazem agora – solitário num quarto de hotel – escrever essas divagações que apenas um post pode conter.

justiça espanhola libera geral: compartilhamento não é pirataria

Reproduzo notícia que li no Observatório do Direito à Comunicação:

Um juiz de Barcelona decidiu que o blogueiro Jesus Guerra Calderon é inocente das acusações de violação de propriedade intelectual que lhe fizera a Sociedade Geral dos Autores e Editores da Espanha. O site de Jesus Guerra Calderon, o Elrincondejesus.com, divulga links para downloads de músicas e filmes através de sistemas de partilha de arquivos, como o eMule ou o Bit Torrent, os chamados sistemas peer-to-peer (P2P).

O processo contra Jesus Calderon, dono de um pequeno bar nos subúrbios de Barcelona, foi movido pela Sociedade Geral dos Autores e Editores da Espanha há três anos. Esta entidade é responsável pela gestão e proteção dos direitos de autor e representa mais de 90.000 membros de áreas tão distintas como a indústria cinematográfica, música ou literatura. A SGAE é ainda o rosto de mais de 150 das maiores empresas do mundo na área de conteúdos. Agora, a Justiça espanhola decidiu que o site não viola a Lei de Propriedade Intelectual.

A sentença vai mesmo ao fundo da questão, afirmando que os sites de links como o Elrincondejesus.com limitam-se a oferecer a possibilidade de fazer downloads através do P2P, mas “não supõe nem a distribuição, nem a reprodução, nem a comunicação pública das obras sujeitas a propriedade intelectual, pois é um mero índice que facilita a busca em redes de intercâmbio de arquivos P2P através do sistema de menus, cartazes ou capas com títulos de filmes ou obras musicais.”

A sentença vai ainda mais longe e afirma que “o sistema de links constitui a própria base da internet e uma multidão de páginas e sites de busca ( como o Google) permitem tecnicamente fazer aquilo que precisamente se pretende proibir neste procedimento, que é linkar as redes P2P”

A sentença foi classificada como “histórica” pelo advogado do acusado, Carlos Sánchez Almeida, e rebate assim os argumentos da SGAE, que acusava Jesús Guerra de infringir a Lei de Propriedade Intelectual por explorar obras sem ter os direitos de fazê-lo, reproduzi-las e fazer comunicação pública delas.

Segundo o El País, há hoje 34 processos penais contra sites que distribuem links ou disponibilizam arquivos para download.

A decisão vai também no sentido oposto ao que foi seguido recentemente na França, que aprovou uma lei contra a pirataria que prevê cortes de acesso à internet e multa em até 300 mil euros quem descarregue ficheiros de conteúdo denominado “ilegal”.

intercom sul 2010: prazo esgotando…

Fique esperto!

Mais informações aqui

um autêntico estômago de avestruz

Olho de carneiro cozido. Miolos de bezerro marinados. Testículos de boi assados. Gafanhotos crocantes. Pâncreas tenros de cabrito. Assado de arraias. Cabeças fritas de sardinha… e o menu é quase infinito.

Andrew Zimmern é um autêntico estômago de avestruz… Este nova-iorquino careca, de olhos vibrantes e sorriso fácil é praticamente um sparring da gastronomia. Diferente de outros personagens da TV, ele não prova apenas os pratos chiques e altamente saborosos. Zimmern enfrenta as comidas mais esquisitas do planeta no lugar onde elas são devoradas com o maior prazer.

Se você não conhece a figura, pode vê-lo na TV a cabo no programa Comidas Exóticas, no Discovery Travel & Living. Originalmente, a atração tem o título Bizarre Foods, que dispensa tradução. E Andrew Zimmern faz tudo sem medo, sem frescuras, sem cerimônia. E o mais importante: sem dublê! No Marrocos, ele se senta com os populares para devorar em praça pública uma iguaria local, os miolos de bezerro. Prova, e se delicia. Nos Andes, come larvas e carne de cabrito. Mastiga lentamente e descreve como é a textura da carne, os sabores e… odores!

Andrew não é um exibicionista nem irresponsável. Ele se serve de pratos altamente exóticos, esquisitos, de aparência duvidosa para mostrar que a gastronomia, a culinária, a imaginação e o estômago humanos não têm limites. Andrew é um desbravador; ele está constantemente alargando as fronteiras da curiosidade de quem senta à mesa. Andrew é ousado, e se diverte muito fazendo o que faz. Ele realmente gosta dessas comidas excêntricas. Na Espanha, serviram um leitão à pururuca pra ele. Você acha que ele atacou o lombo ou as partes mais tenras do porquinho? Que nada! Ele se atracou com a cabeça do bicho, delicadamente separando com o garfo o que era carne dos ossos e cartilagens…

Ah, esse Andrew é o cara! Isso sim é programa de Gastronomia… Desculpaí, Nigela…

Quer saber mais desse cara? Vá ao blog dele, mas fique com um saquinho de vômito por perto…

reality show pra valer…

Meu amigo Frank Maia dá uma real na realidade…

florianópolis, 103 mil dias depois

A cidade dos meus sonhos, a cidade que me fez perder o sono, a cidade que hoje me embala as noites faz hoje 284 anos. Florianópolis é ilha e é continente; é capital e é refúgio; é um recanto de liberdade e traz no nome uma homenagem a um presidente tirânico. Já foi Nossa Senhora do Desterro e ainda hoje é asilo, é exílio, é degredo, é desterro, é oásis.

Passados mais de 103 mil dias de seu surgimento no mapa, a cidade faz e se refaz. Todos os dias.

A equipe do Cotidiano.ufsc, projeto liderado pela professora Maria José Baldessar, produziu um especial em homenagem à cidade. Vale a visita.

games, educação e comunicação: prorrogação no evento

A organização do 6º Seminário de Jogos Eletrônicos, Educação e Comunicação informa que foi estendido o prazo para as inscrições de trabalhos. Agora, o deadline para o evento em Salvador é dia 25 de março.

Os artigos devem ser encaminhados para um dos grupos de trabalho: Jogos eletrônicos e narrativas, Jogos eletrônicos e educação, Jogos eletrônicos e redes sociais, Arte e Design dos jogos eletrônicos e Jogos e consumo.

O evento é organizado pelo coletivo Realidade Sintetica e pelo grupo de pesquisa em Comunidades Virtuais de Aprendizagem. O seminário será realizado nos dias 06 e 07 de maio em Salvador -BA, no Campus Cabula da UNEB.

Mais informações: http://realidadesintetica.com/seminario

seminário: liberdade de expressão, direito à informação na américa latina

Reproduzo a informação…

Em plena revolução digital, que parece dificultar práticas arbitrárias de restrição à liberdade de expressão e ao direito social à informação, acontecimentos recentes que marcam as relações entre governos e mídia de países como Cuba, Venezuela, México, Colômbia, Argentina, além do caso O Estado de S. Paulo X Sarney, no Brasil, recolocam na ordem do dia a urgência e necessidade de se discutir tais direito e liberdade.

Esta é a proposta do seminário “Liberdade de Expressão/Direito à Informação nas sociedades contemporâneas da América Latina”, que acontece nos dias 24 e 25 de março no memorial da América Latina. Sob a coordenação da professora Cremilda Medina (ECA- PROLAM/USP) e do professor Adolpho José Melfi (Cátedra UNESCO-MEMORIAL), o evento pretende avaliar os cenários contemporâneos da América Latina, numa reflexão sob as ameaças ao exercício do direito à informação com políticas comunicacionais restritivas ou mesmo atos censórios.
Além dos coordenadores, o evento conta com a participação de pesquisadores e profissionais como Demétrio Magnoli (sociólogo e colunista de O Estado de S. Paulo e O Globo); Pedro Ortiz (TV USP/Casper Líbero), Adrián Padilla (professor da Universidad Nacional Experimental Simón Rodiguez da Venezuela). Dario Pignotti, (argentino e diretor da Agência Ansa, em Brasília), José Maria Mayrink (O Estado de S. Paulo), Alberto Dines (Observatório da Imprensa) e Eugênio Bucci (ECA/USP).

Informações e inscrições:
Fundação Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664
01156-001 -Barra Funda – São Paulo SP
Telefone: 11 3823.4600
Website: www.memorial.sp.gov.br

expocom sul recebe indicações até 30/03

O maior festival de trabalhos e atividades acadêmicas do sul do Brasil está com o prazo esgotando… Quer saber mais do Expocom Sul? Veja o vídeo que os organizadores locais – da Feevale, em Novo Hamburgo (RS), produziram…

graduando também publica

Embora a grande maioria das publicações científicas publique textos de mestres, doutores, doutorandos e mestrandos, há revistas que são específicas para quem ainda está na graduação. Reproduzo a chamada da Iniciacom, um bom exemplo do gênero.

Iniciacom – Revista Brasileira de Iniciação Científica em Comunicação Social, publicação eletrônica destinada a trabalhos oriundos de pesquisas desenvolvidas nos cursos de graduação em Comunicação Social de todo o país, está aceitando colaborações para seu próximo número, a ser lançado no Congresso Nacional da Intercom, em setembro deste ano.

A última edição da revista (Vol. 2, nº 1 – 2010) está disponível em http://www.intercom.org.br/iniciacom/v2n1/index.htm. Nesse mesmo endereço, os interessados poderão consultar as normas e diretrizes para submissão de trabalhos.

A revista Iniciacom é uma publicação semestral da Intercom e aceita artigos, dossiês, resenhas e entrevistas. As colaborações a serem submetidas à próxima edição deverão ser encaminhadas até o dia 15 de maio de 2010 para o seguinte endereço eletrônico: iniciacom@intercom.org.br.

intercom sul 2010: você vai?

Reproduzo a chamada de trabalhos para a edição 2010 do Intercom Sul, feita pela coordenadora das Divisões Temáticas, a professora Sandra Montardo:

O XI Congresso Intercom Sul 2010 será sediado na Feevale, em Novo Hamburgo, RS (a 50 Km de Porto Alegre) e tem como tema Comunicação, Cultura e Juventude.

Com o objetivo de enriquecer a discussão sobre temas inovativos na pesquisa em Comunicação, convidamos os pesquisadores da área a enviarem artigos para as Divisões Temáticas do Intercom Sul 2010.

Divisões temáticas:
1. Jornalismo;
2. Publicidade e Propaganda;
3. Relações Públicas e Comunicação Organizacional;
4. Comunicação Audiovisuall;
5. Multimídia;
6. Interfaces Comunicacionais;
7. Comunicação, Espaço e Cidadania;
8. Estudos Interdisciplinares.

Datas importantes:
Prazo para envio: 03/03/2010 a 12/04/2010
Pagamento de boleto de inscrição para envio de artigos: 07/04/2010
Comunicação de aceites: 22/04/2010

Podem enviar artigos ou comunicações científicas para as DTs: Doutores, doutorandos, mestres, mestrandos, graduados, pós-graduados, estudantes de especialização, professores e profissionais.

Site do evento: http://www.feevale.br/intercomsul
Mais informações: congressos.regionais@intercom.org.br

o nascimento do jazz numa tragédia recheada de blues

São muitas as histórias que cercam a origem da palavras “jazz”. São muitas as lendas que tentam traduzir a palavra “blues”. Numa delas, uma mulher conta que, ao retornar da igreja, numa manhã de domingo, deitou-se na cama e olhou para o teto com um sentimento tão profundo, uma tristeza tão atroz, e este era um sentimento tão blue… O blues virou lamento, virou ruminação, choro contido… O jazz é um gênero que se destaca dos demais pelo improviso e por uma escala musical de DNA negro. Diferente da escala europeia, a matriz do jazz tem uma blue note, uma nota blue.

Como o samba, o jazz e o blues não são apenas sofrimento e tristeza. Mas como no ritmo dos morros, a música dos pântanos, dos bairros negros, do algodoal e das planícies inundáveis tem lá as suas tragédias, as pequenas-grandes tragédias do cotidiano. Sem querer, esbarrei numa delas esta semana. Numa livraria de aeroporto, encontrei “Buddy Bolden’s Blues”, de Michael Ondaatje. O livro estava numa pilha de títulos vendidos a R$ 8,90. Subtexto: não valia muita coisa. Não tanto pelo preço, mas pelo que li na orelha, trouxe o volume comigo, e o devorei em dois dias.

Além de ser assinado por um importante autor – “O paciente inglês” é sua obra mais famosa -, “Buddy Bolden’s Blues conta a história de uma das raízes do jazz, o cornetista negro que imprime seu nome na capa. Mas o livro não é uma biografia, é um romance. Não é apenas ficção, é da linhagem de livros que ignora as fronteiras entre o real e o imaginado, entre o lembrado e o inventado.

Buddy Bolden é uma lenda por vários motivos: tocava seu cornetim de uma maneira tão diferente que ajudou a inventar uma nova música; era talentosíssimo, e nunca gravou; trabalhava como barbeiro durante o dia e tocava em boates à noite; enlouqueceu aos 31 anos e tentou resgatar sua sanidade até os 55, quando deixou-se morrer no sanatório; pouco ou quase nada se sabe dele, e apenas uma foto esmaecida e desfocada testemunha a sua real existência.

Ondaatje se vale dessa espessa zona de incerteza para construir-reconstruir-criar a história de um dos fundadores do jazz. E, claro, com ele, mergulhamos nas ruas insalubres de New Orleans, na virada do século 19 para o 20. Os bairros manchados pelos crimes e pelas contravenções, as hordas de prostitutas, traficantes e personagens que beiram a esquisitice. O ambiente moralmente fronteiriço. A vida difícil, a pobreza material e a riqueza espiritual dos anônimos que ajudam a fundar uma nova página na arte e na expressão humanas.

A tragédia de Buddy Bolden soa como um blues. Há sonho, há amor, há sexo e loucura. O sopro no bocal do instrumento, o coração pulsante, um indisfarçável sentimento de estrangeiridade no mundo. O romance de Ondaatje é tocante e não é preciso gostar de jazz. É bem escrito, bem pesado, e funciona como o dardo cuspido por uma zarabatana: vai direto ao alvo. Zarabatana ou cornetim, tanto faz.

Wynton Marsalis, o mais talentoso trompetista de jazz desde Miles Davis, nasceu em New Orleans, a Meca do jazz. Reverente à tradição de seu gênero e ramo mais evidente de uma árvore jazzneológica, Marsalis mostra “Buddy Bolden’s Blues”, música também conhecida como “Funky Butt”. Feche os olhos e abra os ouvidos.

uma arca sem comandante: um desafio

Em novembro de 20o8, cidades do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, sofriam com enchentes, talvez as maiores da história naquela região. Chovia há dias sem parar e o solo encharcado não absorvia mais nada. A oscilação das marés impedia a vazão dos rios. A ocupação desordenada de morros e encostas e a impermeabilização dos terrenos foram outros componentes que ajudaram a produzir uma catástrofe que matou 135 pessoas.

Em Blumenau, um punhado de jornalistas, blogueiros e cidadãos comuns criaram o Alles Blau, um blog que conectou a cidade ao mundo, noticiando o que acontecia por lá quando os veículos convencionais de informação convulsionavam. Em Itajaí, um homem articulado e com um poder incrível de aglutinação criou uma rede social na internet que tinha como objetivo não apenas difundir informações, mas mobilizar a sociedade local para criar um efetivo sistema de defesa civil. O idealizador desta iniciativa é Raciel Gonçalves Jr., que tem um largo histórico de trabalho voluntário e de atuação em órgãos do poder público. A rede social era a Arca de Noé, evidente metáfora para um ponto de salvação diante de um dilúvio como o que testemunhávamos.

Desde o início, Raciel foi incansável: motivador, incentivador, concentrado e agregador. Criou para si um avatar, O Capitão, que moderava a rede, que a expandia e que convidava a tantos para não só subir ao convés, mas para integrar também a cabine de comando. Foi um belo trabalho!

Acabo de saber que O Capitão se demitiu. Não por cansaço ou por frustração. Mas porque uma rede social precisa ser descentralizada, precisa ter muitos nós operantes e planejantes, e porque o Raciel está assumindo novos desafios. A Arca de Noé está sem comandante, mas não está à deriva. Há muita gente por lá ainda e a força e a capacidade de trabalho e engajamento deles não há de fazer a arca parar. Modestamente, estive no convés algumas vezes, mas minha volta a Florianópolis naturalmente me afastou de Itajaí. Eu ainda sigo a Arca de Noé, sigo amigos e colegas em seus blogs e sites, e ainda tenho raízes na cidade-peixeira. Não poderia deixar de registrar minha admiração pelo trabalho de Raciel – a quem sequer conheço pessoalmente! – e não poderia deixar de torcer pela Arca. Que ela encontre um mar calmo, bons ventos e muitos entardeceres maravilhosos!

mataram o glauco e um pedaço do nosso riso

Que coisa mais sem graça!

O cartunista Glauco e seu filho foram mortos noite passada em Osasco. Teria sido uma tentativa de sequestro, segundo os primeiros relatos. Que lugar é este onde se atira em dramaturgo, onde se mata cartunista, onde se trucida crianças?

Quando assassinam um cara que nos faz sorrir ficamos todos mais tristes. Não há humor que resista.

Acompanho o Glauco há mais de vinte anos. Conheço Geraldão há tempos. Já vi milhares de vezes as tetas empinadas de Dona Marta. Me intriguei como aquele traço apressado, disforme e relaxado poderia ser tão sintético nas piadas… Fui fã (sou fã) de Glauco nos tempos de Los Três Amigos, uma bem sucedida joint-venture que também envolveu o Laerte e o Angeli. Glauco, era notório, tinha o traço mais primário dos três, mas uma vez ouvi da própria boca do Laerte uma história que me desconcertou: as histórias eram escritas e desenhadas pelos três artistas, mas não eram raras as vezes em que Laerte e Angeli não entregavam as suas partes. Quem então copiava o traço e os personagens dos colegas? Glauco! Ele carregava os dois nas costas…

Era uma molecagem entre eles. Sacanagem de meninos. Típico de Geraldão e Geraldinho.

Não tem graça nenhuma matarem o Glauco!

redes sociais e a academia

Que as redes sociais vieram pra ficar isso não é lá novidade. De passatempo de adolescentes à febre do momento, as redes sociais da internet tornaram-se um fenômeno hoje indiscutível no novo panorama (eu deveria usar o plural) da comunicação no mundo. O fato é que hoje é difícil encontrar quem não esteja conectado ou faça parte de alguma rede social. (Até a minha mãe está no orkut!)

E já não basta ter seu perfil no Facebook ou seu canal no YouTube. Cada vez mais, surgem as redes de nicho, conforme mostrou o IDGNow. Redes cada vez mais específicas, cada vez mais exclusivas. Ninguém escapa. Nem mesmo os sérios acadêmicos, os sisudos cientistas. No Brasil, a rede mais conhecida é um repositório de currículos, a Plataforma Lattes, do CNPq, que reúne mais de um milhão de páginas de pesquisadores de todas as áreas. O amontoado de currículos agora permite entrever conexões entre as pessoas, o que possibilita usar a plataforma como uma rede, como um “orkut acadêmico”. Mas este não é o único exemplo na área.

Conheci hoje o Mendeley, outra “researcher network”. Pelo que pude perceber, os europeus têm aderido mais a esta rede, e é possível não só se conectar a outros cientistas da sua área como também trocar textos e materiais. Mas para isso é preciso estar logado e baixar um aplicativo que permite o compartilhamento. Ficou curioso? Vá conhecer. Quem sabe a gente se encontra por lá…

cinema paraíso

Um velho projecionista. Um garoto fascinado pela luz. Uma paixão em comum e uma amizade infinita. A cidade é minúscula e temos a vida inteira pela frente. “Cinema Paradiso” é desses filmes que fazem os espectadores se desmancharem em lágrimas, com um sorriso tímido no final.

Philippe Noiret dá uma aula de atuação. Sem exagero, Enio Morricone compôs uma das canções mais inesquecíveis do cinema. Mas pouco se comenta de uma letra que Dulce Pontes fez para o tema. Veja o belo poema…

Era uma vez
Um rasgo de magia
Dança de sombra e de luz
De sonho e fantasia
Num ritual que me seduz
Cinema que me dás tanta alegria

Deixa a música
Crescer nesta cadência
Na tela do meu coração
Voltar a ser criança
E assim esquecer a solidão
Os olhos a brilhar
Numa sala escura

Voa a 24 imagens por segundo
Meu comovido coração
Aprendeu a voar
Neste Cinema Paraíso
Que eu trago no olhar
E também no sorriso


Ouça agora o resultado, mas não se reprima: está escuro no cinema e ninguém vai ver você chorando…

a brisa do coração

Um velho jornalista que não quer confusão. Um jovem impetuoso que não tolera a censura e a perseguição política. Um regime duro e intolerante. Uma canção inesquecível: “A brisa do coração”. É um emocionante Marcello Mastroiani no cinema; é um soberbo Enio Morricone nos arranjos; é a tocante Dulce Pontes na canção-tema…

“According to Pereira”, com direção de Roberto Faenza, é de 1995, e circulou pouco por aqui sob o título de “Páginas da revolução”. É um filme pra chorar e pra sonhar. Mesmo depois de quinze anos… Assista à canção…

bye bye johnny

Johnny Alf morreu. Ele era uma encruzilhada do jazz com a bossa nova.
Agora, ele vai martelar suavemente as teclas do seu piano no céu. As nuvens vão tremeluzir com a sua voz aveludada.

No video abaixo, uma performance dele de sua conhecidíssima “A brisa e eu”…

direitos autorais: advogado avalia panorama das disputas judiciais

Ilustrado por Spacca para o ConjurEmbora seja um dos maiores experts brasileiros em Direitos Autorais, o advogado Amaro Moraes e Silva Neto recusa o rótulo de especialista. Ele se vê mais como um profissional que se dedica a questões que envolvem direito e tecnologia da informação, e em especial com casos de violação de direitos autorais na internet. Tudo porque, nos últimos anos, o próprio advogado tem percebido “dezenas de artigos seus” circulando pela rede sem qualquer menção ao autor.
Na entrevista a seguir, feita por email, Amaro Moraes e Silva Neto avalia como está sendo tratada essa que é uma questão cada vez mais estratégica e permanente na web: a autoria e os direitos de quem cria conteúdos.

No Brasil, muita gente move ações judiciais para garantir seus direitos nesta área? São artistas? Escritores? Jornalistas?
No que diz respeito a quem promove estas ações, estão presentes todos os segmentos sociais (artistas, escritores, jornalistas, advogados, etc.) Entretanto, fique ressaltado, o número de processos em trâmite é insignificante. Parece que as pessoas não estão se importando em serem furtadas em suas idéias.

Para termos uma ideia, uma ação ganha nas cortes daqui chega a propor o pagamento de que indenizações? Que reparações são pedidas?
Como já o disse um brilhante jurista brasileiro, Nelson Hungria, “a vida é variedade infinita e nunca se ajusta com irrepreensível justeza aos figurinos da lei ou às modas da doutrina”. No que diz respeito às indenizações por danos morais, deve ser esclarecido que somente cabe ao juiz a determinação do montante da indenização por danos morais.
Em 22 de agosto de 2000, a Coordenadoria de Editoria e Imprensa do Superior Tribunal de Justiça, veiculou notícia relativa ao Recurso Especial nº 114302/SP contra um Acórdão que condenou o pesquisador científico Carlos Augusto Pereira a pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais à biomédica Yeda Lopes Nogueira, do Instituto Adolpho Lutz, a título de danos morais em razão do plágio perpetrado. No entanto, às indenizações por danos morais em razão plágio não são tão pródigas. No que diz respeito a danos materiais (inclusive lucros cessantes), estes serão reparados na razão direta de sua comprovação.

O senhor acha que a realidade brasileira é muito diferente de outros países quanto à disputa pela propriedade intelectual? Isto é, nossa legislação – sobretudo a Lei 9610/98 – tem dado conta dos casos? É avançada ou retrógrada?
Num mundo globalizado, de certo modo, tudo é muito parecido, eis que tudo atende, basicamente, a um único fator: o econômico. A legislação que criou a propriedade intelectual (uma aberração jurídica) atendeu aos interesses das mega-corporações que, de fato, dominam o planeta, não aos dos artistas que foram rebaixados a produtores culturais. Tecnicamente, não tenho o que criticar da lei dos direitos autorais. Mas este não é o ponto. O ponto é a aplicação da lei nos moldes dos anseios coletivos.

É claro que o advento da internet trouxe novos elementos para a esfera do direito autoral. Como vem reagindo os poderes Legislativo e Judiciário diante dessas modificações?
A internet não trouxe novos elementos para a esfera do direito autoral. A internet se prestou, como meio de divulgação exponencial, a criar conflitos neste meio. O resto é tudo igual.

Neste sentido, como senhor vê movimentos de flexibilização de direitos de autor, a exemplo das licenças do tipo Creative Commons, propostas pelo jurista Lawrence Lessig?
Acho fabuloso. Sempre fui partícipe desta posição desde 1996, quando criei um portal jurídico chamado Avocati Lócus, que não existe mais. Meus artigos eram assim disponibilizados. O que eu não admito é a omissão de texto ou, principalmente, a de meu nome como autor.

De que maneira isso tem modificado a tramitação de ações por aqui?
Em nada.

Tecnicamente, é mais fácil se identificar plágios em músicas do que em textos. A repetição de um conjunto de acordes caracteriza a cópia indevida. Isso não está muito definido em termos de textos. Em que bases se apoiam as cortes brasileiras para diferenciar um plágio de uma excessiva similaridade? Esses parâmetros são confiáveis?
Eu creio que na literatura é mais fácil se identificar o plágio do que na música. Em primeiro lugar pelo tempo ocupado por uma música e o ocupado por um texto. Menos elementos, mais facilidade. Mas, voltando à identificação do plágio literário, via de regra ele é literal… Alguns raros plagiadores tentam, no começo, dissimular a origem, mudando a ordem do parágrafo com a inversão de frases, substituindo algumas palavras por seus sinônimos e vai. Mas é fácil. Atualmente, existem programas que facilitam esta consulta.
Quanto às bases em que se apóiam as cortes, nos casos em que sou parte ou advogado sempre os julgadores se convenceram estribados nas atas notariais que noticiam os fatos. Trata-se de mera comparação. Quanto à sua confiabilidade, é indiscutível. Na verdade quem, ao tentar explicar (rememorando mais uma vez Nelson Hungria) que a distância mais curta entre dois pontos precisa recorrer aos geômetras da Quarta Dimensão, perdeu a convicção em si mesmo. Certas coisas são simples.

Por trás desses litígios está a ideia de “autoria”. A internet e seus usuários tem proposto novos regimes de autoria, como as compartilhadas e coletivas. Como o senhor observa a evolução desse conceito? Que futuro imediato temos para a produção autoral de conteúdo?
Em havendo acordo entre as partes quanto à exploração de uma idéia, comunitariamente, na verdade nada de novo ocorrerá. A legislação autoral já antecipa isto que se chama co-autoria. Quanto ao futuro imediato eu vejo um caminho sendo bastante bem pavimentado para que nos dispamos integralmente de nossa privacidade e façamos de conta que somos uma grande comunidade. Já não guardo este otimismo dos primeiros momentos da internet. Hoje tudo é uma grande ágora. Mas ainda podemos conspirar.

blogs, twitters e um coletivo bloguístico

Rápido e rasteiro…

…a nossa lista lusófona de blogueiros da comunicação foi atualizada pela 37ª vez e está com 210 links quentíssimos

…a nossa lista dos pesquisadores da comunicação no Twitter já está na 21ª versão e conta com 260 nomes

… Charles Cadé acaba de inaugurar um coletivo de blogs, endereço que reúne atualizações de oito blogs (por enquanto!) que tratam de comunicação e cibercultura. É o Contexto Digital, que além deste Monitorando, congrega ainda os blogs OJornalista, o de Marcelo Träsel, o Mosca Branca, o Sam Shiraishi, o Tons de Azul, o Webmanário e o do próprio Cadé!

é domingo, e espinosa está na área

Terminei esta semana de ler “Céu de Origamis”, o mais recente caso de mistério do delegado Espinosa. Pra quem não se lembra, ele é o personagem principal do escritor carioca Luiz Alfredo García-Roza, e já protagonizou oito romances desde 1996. De longe é a maior experiência na literatura policial brasileira.

O livro é ótimo e desde “Uma janela em Copacabana”, eu não me envolvia tanto com a narrativa do autor e com o estado de ser do personagem. Se você leu “Na multidão” e ficou com impressão de que o delegado da 12ª DP penduraria as chuteiras, esqueça. Espinosa está de volta. Hoje é domingo, mas ele deve estar perambulando do Leme à Ipanema…


Neste vídeo, Garcia-Roza apresenta um pouco o mais recente livro. Para adoçar…