É muito comum uma certa atitude de todos os pais para com seus filhos. Parece que fomos biologicamente programados para alimentar grandes expectativas sobre a prole, de maneira a projetar sobre as crianças nossas insuficiências, nossos insucessos. Quer dizer: pais sempre querem que seus filhos sejam muito, mas muito melhores do que jamais sonharam. Dessa esperança vem o super cuidado, as altas exigências, muita sobrecarga e quase a asfixia.
Não sou diferente, e acredito que pouquíssimos pais conseguem desviar dessas armadilhas. Quando soube que esperávamos um bebê, corri à livraria em busca de títulos que me ensinassem a ser um pai melhor, que me dessem o caminho das pedras, e que me orientassem na melhor educação possível para o inquilino do útero de minha esposa. Me frustrei de cara. Naquela época – e não faz muito, quase sete anos -, não havia títulos no mercado editorial dedicados ao pai. Pensei até em escrever um, com dicas e experiências diversas, mas desisti disso semanas atrás quando terminei de ler “Sob Pressão”, de Carl Honoré. Isso porque o livro é um ótimo anti-manual de educação de filhos, tudo aquilo de que precisamos nesse momento.
Trombei com o livro nessas lojas de aeroporto, abarrotadas de obras de auto-ajuda empresarial e best-sellers de vampiros juvenis. “Sob Pressão” me chamou a atenção pelo subtítulo: “Criança nenhuma merece superpais”. Folheei e trouxe o volume comigo, encaixando a sua leitura nos intervalos possíveis. E por que estou falando tanto do livro?
Ora, porque ele é um excelente chacoalhão nos pais que simplesmente funcionam como torniquetes para seus filhos: enchem-nos de manias, lotam suas agendas, consomem suas energias com preocupações neuróticas, planejam suas vidas como se fossem as de seus pets… “Sob Pressão” nos chama a atenção para que deixemos as crianças serem crianças, para que cuidemos delas no limite de seu bem-estar, conforto e segurança; e não deixemos de viver nossas vidas vivendo as da prole. No final, o próprio Honoré confessa que, no início, queria escrever uma bússola para os pais, mas igualmente perdido, deixou de lado o projeto e pôs-se a pensar em voz alta como os pais precisamos nos colocar na posição de pais e não de dublês dos filhos.
Os perigos da vida continuam existindo. As pressões externas e internas soterram a todos. Tecnologia, consumo exacerbado e violência gratuita fecham o cerco em torno da ninhada. Mas Honoré nos lembra que isso não é novidade, e que gerações e gerações sobreviveram apesar de todas as adversidades. Liberdade, cuidado, equilíbrio e respeito pelo outro – mesmo que ele não tenha nem um metro de altura e ainda dependa de você para ir ao banheiro. Tudo isso aprendi com Carl Honoré e suas angústias, que também são as minhas. Se ficou curioso, vá ao site do autor ou o siga no Twitter… aliás, faça isso junto com seu filho!




Olho de carneiro cozido. Miolos de bezerro marinados. Testículos de boi assados. Gafanhotos crocantes. Pâncreas tenros de cabrito. Assado de arraias. Cabeças fritas de sardinha… e o menu é quase infinito.
A cidade dos meus sonhos, a cidade que me fez perder o sono, a cidade que hoje me embala as noites faz hoje 284 anos. Florianópolis é ilha e é continente; é capital e é refúgio; é um recanto de liberdade e traz no nome uma homenagem a um presidente tirânico. Já foi Nossa Senhora do Desterro e ainda hoje é asilo, é exílio, é degredo, é desterro, é oásis.
