Atendendo a pedidos, estendemos o prazo de recebimento de artigos para a próxima edição da revista ESTUDOS EM JORNALISMO E MÍDIA, do Mestrado em Jornalismo da UFSC.
O eixo temático é “Teorias do Jornalismo”, mas também são aceitos artigos, relatos de pesquisa e demais colaborações sobre outros assuntos. Resenhas assinadas por mestrandos e doutorandos também são publicadas.
ESTUDOS EM JORNALISMO E MÍDIA é uma publicação científica eletrônica e semestral.
Acontece hoje, a partir das 9h30, no auditório B do CCE da UFSC a defesa de dissertação de Leonardo Feltrin Folleto. O trabalho tem o título “O blog jornalístico: definição e características na blogosfera brasileira”, e foi orientado por Elias Machado Gonçalves. Estarei na banca de avaliação junto com o orientador e Claudia Quadros, da Universidade Tuiuti do Paraná.
Ficou interessado e não tem como ir? Assista à transmissão ao vivo por este link.
Se você se interessa por história do jornalismo não pode perder esta:
Estão abertas para alunos de mestrado, graduação e outros interessados as inscrições para a disciplina “Temas Avançados em Fundamentos do Jornalismo” que será ministrada pelo professor visitante Jorge Pedro Sousa, da Universidade Fernando Pessoa e do Centro de Investigação Media e Jornalismo de Portugal. O curso é gratuito, e para fazer a inscrição os interessados devem mandar mensagem de email para posjor@cce.ufsc.br, informando nome completo, cpf e telefone de contato. As vagas são limitadas. As aulas acontecerão das 8h20min às 12 horas a partir da próxima segunda-feira.
A primeira coisa que ouvi de “Intrigas de Estado” era que o filme dirigido por Kevin MacDonald colocava frente a frente para um combate jornalistas e blogueiros, personagens talhados a se odiar e se autodestruir. Confesso que demorei um pouco para assistir receando encontrar um enredo maniqueísta e raso. Mas jornalista não deve acreditar nos primeiros comentários que ouve, precisa é checar, conferir, provar a coisa.
Pois fiquem sabendo que “Intrigas de estado” (State of Play, no original) não opõe jornalistas e blogueiros e, por isso, não alimenta guerrinhas que se insinuam em ciclos cada vez mais curtos. Há exatos dois anos, aqui mesmo no Brasil, uma campanha do Grupo Estado causou polêmica na internet, comparando blogueiros a chimpanzés e a gente muito esquisita. À época, não quis embarcar numa briga intestina que para mim não tinha o menor sentido. Vi que não se tratava de algo apaixonado, mas apenas business.
No caso de “Intrigas de Estado”, a coisa também é bem diferente. O enredo coloca o jornalista Cal McAffey (interpretado por Russell Crowe) ao lado da blogueira Della Frye (Rachel McAdams) na cobertura de um caso que parece, no início, um simples assassinato de um anônimo mas se converte num caso de conspiração nacional, com implicações bilionárias e pessoais. Outra morte – agora de uma assistente do congressista Stephen Collins (Ben Affleck) – coloca mais gasolina na fogueira, pois entram em cena elementos como infidelidade conjugal, corrupção política, lobbies em Washington, as ascendentes empresas de segurança privada que alistam mercenários… enfim, juntaram sexo, poder, dinheiro e guerra! Para temperar, os produtores agregaram interesse público, conflitos de interesse e ética jornalística num cenário de transição midiática.
Veja o trailer
A trama coloca em primeiro plano uma dupla que parece no início muito contrastada, mas que ao longo do filme vai se mostrando afinada e convergente: de um lado, o jornalista tarimbado, conhecedor de lugares e pessoas, criterioso e desorganizado, comprometido com a profissão mas conflitado pois é amigo de longa data do deputado em apuros. De outro, a jovem blogueira, imediatista, impulsiva e levemente arrivista, mas que na verdade é apenas uma jovem repórter. Não, a dupla não vira um casal. Há pouco espaço e tempo para romances aqui. A relação que se mostra é muito mais de mestre e aprendiz, e é aí que a coisa está: o filme não opõe blogueiros e jornalistas, nem o velho contra o novo jornalismo.
Na minha leitura, o filme discute o que é essencial no jornalismo, o que faz do jornalismo algo relevante e útil na sociedade. Neste sentido, as críticas que o diretor deixa escapar pela boca do jornalismo experiente têm alvo certo: o jornalismo de sensação, a velocidade como fetiche, a correção e a precisão como acessórios, e a fofoca como modo de existência da informação. Cal McAffey dirige as suas ações para o que está por trás das versões que vão se colocando. Como quem tenta trazer à tona a verdade, o segredo oculto pelos interesses corruptores. O jornalista tenta convencer a jovem blogueira e a veterana publisher que há algo por trás daquilo tudo, algo que é essencial, que é o espírito da matéria.
Russell Crowe encarna esta perspectiva, a do homem-essencial. Seu jornalista anda com cabelos desgrenhados, está visivelmente fora de forma, come de forma desregrada, se veste de qualquer maneira. Seu carro é um velho Saab de 1990, azul calcinha. Seu apartamento até que é arrumado, mas a sua mesa no jornal é a sucursal do inferno… Cal McAffey é despojado, informal, focado no que é essencial. É avesso ao deslumbramento, ao imediato, à primeira impressão. É instintivo, racional e pouco convencional nos seus procedimentos. Afinal, a situação é delicada, e a distância que precisaria manter de suas fontes não é a ideal…
Você já viu isso…
“Intrigas de Estado” lembra mesmo “Todos os homens do presidente”, dirigido por Alan Pakula. Mas é deliberado, conforme reconhecem os próprios realizadores. A redação do jornal Washington Globe é um decalque de qualquer grande redação, e ainda mais a do Washington Post recriada para o clássico de 1976. O clima de suspense e de intriga segue os mesmos passos, e até mesmo a sequência da checagem de informações pelos jornalistas se remete ao trabalho de Bob Woodward e Carl Bernstein, interpretados por Robert Redford e Dustin Hoffman. (Veja o trailer)
Não só isso. “Intrigas de Estado” traz a ótima Helen Mirren no papel da publisher Cameron Lynne, fácil de ser comparada às editoras mandonas e inesquecíveis vividas por Glenn Close em “O jornal” e por Meryl Streep em “O diabo veste Prada”. Grandes atrizes em papéis fortes e decisivos.
O que não havíamos visto é a belíssima sequência final que mostra o processo industrial de impressão do jornal. Da composição, passando pelo fotolito das páginas e pela gravação da chapa de metal, vamos ao encaixe nas rotativas e o acoplamento das imensas bobinas de papel. Depois, as esteiras, a velocidade, as manchetes, a cadernização, os encartes, a dobra, o refile e o empilhamento dos exemplares. Por fim, os fardos de jornais são embarcados nos caminhões e seguem para a entrega nas bancas. Sim, é isso mesmo: contei o final do filme. Mas isso nem é o essencial, o essencial está em outro ponto, momentos antes do que contei.
Para Débora Miranda, do G1, o filme presta uma homenagem ao “velho jornalismo”. Talvez, talvez. Mas vejo mais como uma reafirmação do que é essencial no jornalismo, daquilo que mais importa nessa coisa ininterrupta de correr atrás dos fatos e contá-los da melhor maneira possível. O filme não tem gorduras, é enxuto e sem grandes efeitos especiais. Os cenários são cotidianos, os figurinos realistas e convencionais. A trilha sonora passa despercebida e até mesmo se apela para sequências onde sequer há fundo musical, num completo silêncio, magreza total. O filme se apóia na história, nas boas interpretações, nas idéias sérias que nos são atiradas no colo. Não há firulas nem penduricalhos, só despojamento e não-deslumbramento. Justamente, valores que o jornalismo – seja ele novo ou velho – deveria sempre cultivar…
Redes sociais precisam ser ensinadas e internalizadas nos cursos de Jornalismo, seja qual for a sua geografia. Existem diversos pesquisadores brasileiros e internacionais que se dedicam a discutir o que deve ser ensinado, de que maneira e qual a melhor forma de fazê-lo. Se você acompanha este blog, sabe que sempre cito Raquel Recuero, Gabriela Zago, Carlos Castilho, Beth Saad e a turma do Intermezzo, Adriana Amaral, Alex Primo, Marcelo Träsel, Jorge Rocha e muitos mais que nem vou me atrever a mencionar ou linkar.
Desta vez, pinço o que pensa Suzanne Yada, estrategista no uso de redes sociais, jornalista e que agora, retorna aos bancos escolares para terminar seu bacharelado na área. Suzanne participou recentemente de um painel durante a convenção da Association for Education in Journalism and Mass Communication (AEJMC), algo como a nossa Intercom.
Para Suzanne, não basta ensinar redes sociais, veja uma síntese do que ela disse aos professores da área:
Professors need to not only teach social media, but practice it. It is now their job to understand this.
The students are also resistant. Just because they’re young and on Facebook doesn’t mean they know social media.
There’s a lesson plan in comparing ethics policies, legal quandaries and best practices of news organizations using social media. Less emphasis on teaching the tools, more on teaching principles.
Students who know social media should become TAs or peer teachers, or help organize a bootcamp/BarCamp at school to teach both students and the professors about social media.
But, professors, please still keep hammering fundamentals. Don’t get lost in the latest buzzword. Everything taught about social media should point straight back to the basics.
Uma pergunta incômoda que me faço é: nossas escolas mantêm essas preocupações?
Mas tenho outras: os professores estamos capacitados para esse tipo de ensino? Existem condições objetivas para que nossos cursos ofereçam esses conteúdos programáticos? Avançamos na pesquisa a ponto de já ter uma dimensão do impacto que as redes sociais trazem para o ensino e a formação dos novos jornalistas? E pra ser mais cruel ainda: os alunos podem prescindir dos professores para esse assunto?
A oportunidade é estagiar na Alemanha, com bolsas em euros.
Se é uma boa? Talvez, melhor atravessar o Atlântico e conferir…
Veja a matéria completa do Universia:
A IJP (Internationale Journalisten-Programme) recebe inscrições até 25 de setembro para o programa de intercâmbio entre jovens jornalistas da Alemanha e da América Latina. O programa tem apoio do Ministério Federal de Imprensa da Alemanha e de empresas privadas e os selecionados vão trabalhar por dois meses como redator-visitante em veículos de comunicação da Alemanha.
O programa tem como objetivo oferecer aos jornalistas das duas regiões a oportunidade de vivenciar a realidade de outro país. Durante os dois meses de trabalho no veículo de comunicação alemão, os jornalistas latino-americanos poderão se familiarizar com a realidade política e econômica do país, além de conhecer a cultura germânica.
Podem participar jornalistas entre 23 e 35 anos, que tenham conhecimentos regulares da língua alemã, ou, para alguns casos, fluência na língua inglesa. Os selecionados devem trabalhar como redatores, estagiários ou colaboradores fixos em um veículo de comunicação brasileiro.
O estágio será realizado entre os meses de março e abril de 2010. Uma aula introdutória será realizada em 27 de fevereiro, na Alemanha, com a presença de todos os bolsistas selecionados. Em seguida, os jornalistas iniciarão os estágios em um órgão de imprensa alemão.
Os interessados devem apresentar seus pedidos na embaixada ou no consulado da Alemanha. É preciso entregar currículo, foto 3×4, cópia de três artigos ou reportagens e uma carta de recomendação do redator-chefe de seu veículo de comunicação, que deve servir como permissão para que o interessado possa participar do programa por dois meses. Além disso, também é preciso entregar um texto com a descrição da capacidade profissional do jornalista. O resultado da seleção será divulgado até o dia 1º de dezembro.
Os escolhidos receberão bolsa de 3.300 euros, destinados a custear gastos como viagem, alojamento e alimentação. É esperado que o bolsista se responsabilize com algumas despesas e o trabalho não será remunerado. Caso seja necessário, será prestado auxílio ao bolsista para encontrar alojamento na Alemanha.
Tenho conversado com alunos e profissionais da área que hoje se fala em crise dos jornais, em fim dos jornais – e nos casos mais estridentes, em fim do jornalismo -, mas não se fala de fim das revistas. Talvez por uma razão muito simples: há tempos, as revistas levantaram seus fundilhos da cadeira e estão correndo atrás de saídas. Isso mesmo, as revistas são para os meios impressos o que os seriados são para a indústria audiovisual: um oásis de ousadia, de criatividade e de inteligência.
Na telinha e na telona, os seriados são o que temos de mais interessante e empolgante, dando um banho no cinema, e criando franquias de produtos e bens simbólicos de muito sucesso. Os arrasa-quarteirões hollywoodianos têm seu lugar no mercado, movimentam milhões de dólares e espectadores, mas têm se ressentido de acomodação e dogmatismo. Já disse aqui que o jornalismo poderia aprender bastante com os seriados de hoje em dia…
O mesmo acontece na indústria dos meios impressos. E aqui não falo mais tão somente de mídia, mas de jornalismo mesmo!
Os jornais queixam-se da queda das vendas, da migração de verbas publicitárias para outros meios, da redução de tempo de leitura, mas pouco ou quase nada têm feito para se reinventar. As revistas, por outro lado, trabalham em consonância com pesquisas de opinião pública e estudos de satisfação; buscam nichos bem específicos e os exploram – no bom sentido – até as raízes; promovem reformas gráficas e editoriais; e radicalizam em algumas boas idéias. Cito uma que está nas bancas: Trip.
Faz tempo que a Trip vem fazendo um jornalismo inventivo, inteligente, ousado e coerente, acima de tudo. É uma publicação voltada a um público good vibes, que tem a mente aberta, preza pela saúde e por um modo de vida saudável-consciente. Por isso, a revista não aceita nem veicula anúncio ligados à industria tabagista. É uma questão de princípios, já martelou diversas vezes o publisher Paulo Lima. É uma publicação que tem uma estratégia simples e inteligente para ganhar visibilidade nas bancas: todo mês, chega às prateleiras com duas capas. Com isso, faz uma jogadinha de marketing de “dar escolha” ao leitor e ocupa dois espaços nos displays. Não bastasse tudo isso, a revista adotou uma linha editorial que a permite ser temática a cada mês, explorando temas e assuntos à exaustão.
Na edição de agosto, me chamou muito a atenção a coragem da equipe. O tema é, nada mais nada menos, a morte. Um assunto delicado, indigesto, complexo. As pessoas – exceto as que vivem disso! -, as pessoas geralmente não buscam a morte, não procuram esse assunto, e na verdade, fogem dele. Por medo, por convicções íntimas ou por escolha. Morte é um tema do qual se evita falar. Mas a Trip de agosto não só abordou a morte de forma séria e também bem-humorada, como até mesmo inusitada. A morte é tratada não só como o fim da vida, mas como sua transcendência, uma fase, uma transformação. Por isso, a revista convidou Fujocka, um mestre no tratamento de imagens, para projetar como estariam alguns de nossos ídolos hoje caso não tivessem ido para o outro lado. Nem o finado mais ilustre dos últimos tempos, Michael Jackson, escapou. Basta ver aí ao lado a reprodução de uma das capas oferecidas ao público.
Mas o que achei mais impactante foi a matéria em que a revista reproduz fotos do projeto de Walter Schels, que clicou 24 pessoas momentos antes de morrer e logo depois da partida. Todos os retratos foram consentidos, e a esposa do fotógrafo colheu depoimentos dos sujeitos, dando testemunhos de vida e morte. A Trip republicou parte do material, tomando quase a totalidade das páginas dedicadas à matéria. Se você ficou curioso, pode ver aqui. Mas a versão do site não se compara à qualidade do material impresso, com altíssima resolução, contraste perfeito e uma carga dramática avassaladora. A Trip nos apresenta fotos de cadáveres numa outra dimensão. Ela nos mostra a morte, nos esfrega a morte na cara, nos incita a vê-la. E leitor passa por aquilo, como quem passa pela vida.
Isso é ousadia. É coragem, e a vontade de fazer jornalismo e revista de uma forma diferente sempre. Os jornais – os nossos e os de fora, que sofrem fortemente com a tão alardeada crise – poderiam abrir os olhos para esses exemplos…
Passou despercebido da maioria, mas a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) publicou recentemente em seu site um documento que deve padronizar o trabalho das comissões de ética dos seus sindicatos. O novo regimento não se aplica à Comissão Nacional de Ética, mas às instâncias estaduais, o que sinaliza um movimento unificador de procedimentos, algo inédito até então. Antes disso, havia disparidades entre os sindicatos tanto na composição dos membros das comissões quanto na sua nomenclatura e mesmo nos trâmites internos.
Inicialmente burocrática, a publicação do novo regimento pode ser vista como um passo na direção de ações mais contundentes no que tange a ética jornalística no Brasil. Pois uma entidade do alcance da Fenaj – e mesmo a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) – pode contribuir de forma mais incisiva para o aprimoramento de práticas e condutas dos profissionais do jornalismo.
Pessoalmente, sempre fui um crítico do pouco uso das comissões de ética. Em 2001, em “Monitores de Mídia: como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos” (Ed. UFSC e Univali), apontei uma certa invisibilidade das comissões de ética tanto pela categoria quanto pela sociedade. Indaguei repórteres e editores sobre seus conhecimentos acerca de regras deontológicas e deslizes de colegas. De forma unânime, os respondentes se diziam conscientes do Código de Ética do Jornalista Brasileiro, mas pouco ou nada sabiam do funcionamento das comissões dos sindicatos e mesmo da Fenaj. Isto é, temos um nó na questão: se as comissões não são visíveis ou conhecidas, como as denúncias de condutas questionáveis eticamente são avaliadas? Se as comissões não iniciam procedimentos de julgamento de conduta, a impressão que fica é de que está tudo muito bem, e as comissões deixam de ter função, o código de ética repousa na gaveta das redações e profissionais faltosos incorrem em novos erros.
Em 2005, em “Jornalismo em Perspectiva” (Ed. UFSC), voltei a bater na tecla da necessidade de as comissões de ética se estruturarem, pois são elas as instâncias judicantes, que têm a função de zelar e aplicar o código deontológico.
De lá pra cá, não se pode dizer que nada tenha mudado. Em 2007, após um intenso debate nacional, a Fenaj aprovou em assembléia um novo Código de Ética do Jornalista Brasileiro. Agora, a entidade tenta uniformizar os procedimentos das primeiras instâncias de julgamento nos sindicatos. Para começar, são bons passos, mas é preciso ir além. Códigos e comissões são importantes para a profissionalidade, mas as mudanças de cultura demoram mais tempo, dependem da conjugação de esforços e investimentos diversos.
Em termos formais, as comissões de ética dos mais de trinta sindicatos ligados à Fenaj terão que se ajustar à normativa recém-editada. Mas só isso não trará novos resultados. Os sindicatos precisam entender que as comissões de ética podem ser mais do tribunais profissionais. Elas podem atuar como fomentadoras de debates, promotoras de cursos de aperfeiçoamento e formação, mobilizadoras da categoria para discussões maiores, que transcendam os interesses corporativos. Temas como corrupção na sociedade, liberdades individuais, transparência na coisa pública, valores morais da coletividade, todos esses podem ser tratados pelas comissões de ética, apoiados em debates mais amplos.
Para além de uma instância punitiva, as comissões de ética podem se tornar células de difusão de valores e pensamentos jornalísticos mais afinados com o interesse público e com a natureza social da profissão. As comissões de ética podem funcionar não apenas motivadas por denúncias, mas também proativamente. É a inversão de um pólo: a comissão deixaria de ser reativa para ser ativa. Com isso, contribuiria para disseminação de valores que se sedimentam na cultura das organizações e na cultura profissional com tempo e perenidade.
Mas para uma mudança como essa, não basta apenas um regimento. Os sindicatos precisam organizar melhor as comissões de ética, garantir-lhes condições de trabalho e operacionalidade, enfim, destinar recursos logísticos e financeiros. Assim, talvez, as comissões deixem de ser invisíveis, operem com mais naturalidade e não passem tão despercebidas.
A Press Complaints Commission (PCC), órgão que fiscaliza a imprensa no Reino Unido e encaminha queixas do público contra jornais e revistas, engaja-se agora em uma batalha própria para convencer os críticos de sua utilidade. Diante de acusações, por conta de casos recentes envolvendo questões sobre ética jornalística, de que o órgão seria um “elefante branco”, sua nova presidente, Peta Buscombe, quer provar que a indústria é capaz de se auto-regular. Para tanto, encomendou a um grupo independente uma revisão das operações da PCC – o que não ocorria desde 1991. “Temos que assegurar em todas as partes do espectro político que somos responsáveis e robustos o suficiente” para evitar a ameaça de uma regulação externa, disse.
No Brasil, não temos nada parecido, já que não existe um Conselho Federal de Jornalismo ou uma instância semelhante. Temos as comissões de ética dos sindicatos dos jornalistas e a da Fenaj, que, aliás acaba de reformar seu regimento interno (assunto de que falarei mais adiante. ATUALIZANDO: já tratei aqui). Mas não existe um órgão que proponha auto-regulação entre os jornalistas. Os publicitários têm o Conar. Não sei se funciona, mas a sua existência já sinaliza uma disposição de colocar os dedos nas feridas, que não são poucas…
A quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo superou as expectativas de participação dos seus organizadores. Encerradas as inscrições no último dia 10 de agosto, a coordenação do PAGF contabilizou 36 concorrentes nas três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado.
Pesquisadores de todas as regiões brasileiras enviaram seus trabalhos, e número de inscritos já é o maior desde a criação do prêmio pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), em 2006. Registramos a participação de 26 instituições de dez estados. São concorrentes de cursos novos e tradicionais, de instituições de ensino públicas e particulares. Essa diversidade reflete que a produção científica em jornalismo já está bem disseminada no país, completa.
Ainda nesta semana, os trabalhos inscritos para o PAGF2009 serão encaminhados para as comissões avaliadoras. Os resultados serão anunciados no início de outubro, e os vencedores receberão seus prêmios em novembro, durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece na USP, em São Paulo.
O sempre conectado Mark Briggs posta hoje no seu blog uma discussão que inferniza cabeças nas redações e na academia: a produção de conteúdo genérico por usuários não profissionais ameaça o trabalho profissional do jornalismo, consagrado nas últimas décadas?
Termina hoje às 24 horas o prazo de recebimento de inscrições para o 4º Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo.
A premiação é concedida pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2008.
São três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.
O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site da SBPJor, e os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros, e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.
Os resultados têm anúncio previsto para 6 de outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Paulo.
Sergio Gwercman, redator-chefe da Superinteressante, escreve contestando algumas das informações que dei aqui e aqui sobre as mudanças gráficas na revista. Por uma questão de justiça (e portanto, de princípio), reproduzo o que Gwercman disse:
“A mudança editorial da Super não é uma resposta às mudanças da Galileu. É simples perceber isso: Galileu mudou há 2 meses. Seria quase impossível fazer o trabalho que fizemos em 60 dias – buscar, testar e comprar novas fontes, refazer o grid, redefinir a estrutura da revista, repensar as seções, etc. etc. Eu tenho um arquivo de texto no meu computador que deu início ao processo todo – chama “Reforma Super” e definia o que eu queria que o novo projeto trouxesse. Esse arquivo foi criado no dia 5 de dezembro de 2008. A Super mudou porque sentíamos a necessidade de mudar para continuar sendo inovadores”.
“Não é verdade que nossos textos estão menores. A Super há tempos mantém uma estrutura com uma capa com 10 páginas uma ou duas matérias de 6 páginas uma ou duas de 4 páginas. Nesta edição a capa tem menos páginas, mas exatamente a mesma contagem de toques que uma matéria de 10 páginas: repare que ela tem menos entradas, nenhum box, por isso a diferença. O que aconteceu que talvez tenha causado a sua sensação foi que a nova tipologia nos permitiu escrever um pouquinho a mais do que a antiga no mesmo espaço. A única seção que realmente diminuiu de tamanho foi o SuperPapo. Em compensação criamos o Polêmica, uma página essencialmente de texto”.
Obrigado, Gwercman, pelas informações de bastidores.
Faltam quatro dias para o final do prazo de inscrições para o Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e está na quarta edição. Podem participar trabalhos apresentados ou defendidos em 2008, nas categorias Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado.
Considerado o prêmio de maior prestígio nacional na área da pesquisa, o PAGF já destacou trabalhos importantes em diversos segmentos de estudo em Jornalismo. O vencedor da categoria Doutorado de 2007, José Afonso da Silva Júnior, destaca o impacto da iniciativa: “O prêmio não é apenas um reconhecimento à qualidade e relevância das pesquisas em jornalismo. Mais que isso, o PAGF se constitui num importante argumento em prol da consolidação do ensino e investigação do jornalismo como área de conhecimento e de apontar para práticas de jornalismo aperfeiçoadas sob o ponto de vista social, profissional é ético no contexto contemporâneo”. Para Zé Afonso, prêmio “demonstra ainda a crescente maturidade da pesquisa realizadas no Brasil que tem o jornalismo como problema. É como um sismógrafo: capaz de registrar a construção de conhecimento em torno do jornalismo e avançar a discussão e aprofundamento dos temas”.
Marcelo Träsel recebeu o PAGF no ano passado. “Foi um importantíssimo reconhecimento pelo trabalho que desenvolvi durante o mestrado. A pesquisa acadêmica é cercada de dúvidas sobre a relevância das questões estudadas e a pertinência das teorias e métodos que usamos. Receber um prêmio de seus colegas é um sinal de que você está no caminho certo. No meu caso, foi um dos principais incentivos para seguir adiante na carreira acadêmica e entrar no doutorado”.
As inscrições para o PAGF 2009 vão até 10 de agosto!
Iniciação Científica
1º lugar: O cidadão-comum nas páginas do Diário de Santa Maria: uma questão de valores-notícia
Carolina Adolfo De Carvalho (Universidade Federal de Santa Maria)
Orientadora: Dra. Márcia Franz Amaral
Mestrado
1º lugar: O Webjornalismo Audiovisual: uma análise de notícias no UOL News e na TV UERJ Online
Leila Nogueira (Universidade Federal da Bahia)
Orientador: Dr. Elias Machado
Doutorado
1º lugar: Ilustrações: fronteiras entre o Jornalismo e a Arte
Gilmar Adolfo Hermes (Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos)
Orientador: Dr. Ronaldo Henn
2007
Iniciação Científica
1º lugar: O uso da infografia na revista Saúde!
Elaine Aparecida Manini (UFSC)
Orientadora: Tattiana Teixeira
*Menção Honrosa na categoria Iniciação Científica
Título do Trabalho: Nuances de Análise Histórica do Jornalismo: homens, mulheres e a cidade nas páginas do Diário dos Campos (1910-1923)
Felipe Simão Pontes (UEPG)
Orientador: Sérgio Luiz Gadini
Mestrado
1º lugar: A qualidade da informação jornalística: uma análise da cobertura da grande imprensa sobre os transgênicos em 2004
Carina Andrade Benedeti (UnB)
Orientador: Luiz Gonzaga Figueiredo Motta
Doutorado
1º lugar: Uma trajetória em redes: modelos e características operacionais das agências de notícias: modelos e características operacionais das agências de notícias, das origens às redes digitais: com estudo de caso de três agências de notícias
José Afonso da Silva Júnior (Universidade Federal da Bahia)
Orientador: Marcos Silva Palácios
Sênior
Profa. Dra. Christa Berger – Universidade do Vale do Rio dos Sinos
DIAGNÓSTICO Um pouco mais do mesmo
Programação infantil na televisão oferece poucas mudanças para as crianças em férias.
REPORTAGEM Litoral de contrastes
Balneários da Costa Esmeralda, que lotam durante o verão, são ideais para descanso e recolhimento no inverno. Confira nessa reportagem uma galeria de fotos.
REPORTAGEM Avanço da gripe A
A reportagem do MONITOR DE MÍDIA vai até a fronteira de Santa Catarina com a Argentina para acompanhar as medidas de contenção do vírus H1N1.
EDITORIAL Reestréias O MONITOR DE MÍDIA completa oito anos com mudanças em seus quadros e traça novas perspectivas.
MULTIMÍDIA Previna-se contra a gripe
Confira os vídeos explicativos sobre as principais características da gripe A e suas projeções no Brasil
Dias atrás, comentei aqui post de Carlos Castilho sobre uma estratégia da Associated Press para controlar melhor seus conteúdos. De acordo com a AP, já seria possível responsabilizar buscadores como o Google sobre reproduções não autorizadas de seus materiais. Polêmica a ofensiva, pra se dizer o mínimo. À época de meu post, Marcelo Träsel respondeu com sua contundência habitual demonstrando ser um equívoco da empresa.
O tempo passou, mas não muito. Hoje mesmo, o mesmo Träsel vem à tona com um excelente post em seu blog. Reproduzo o finalzinho, mas se eu fosse você leria de cabo a rabo. Inteligente, equilibrado e muito lúcido!
Um dos desafios do jornalismo hoje é encontrar o equilíbrio entre o caráter de serviço público e, consequentemente, a necessidade de permitir o uso justo das informações, e a proteção ao trabalho dos profissionais de imprensa. Se algumas empresas de mídia estão tomando posições irracionais frente às mudanças trazidas pela comunicação em rede, se tentam controlar o incontrolável, é certo que também há abusos por parte de muitas iniciativas individuais e empresariais. O uso justo da informação reside em algum ponto entre esses dois casos.
Restam apenas sete dias para o final do prazo de inscrição para a quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação é concedida pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2008.
São três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.
O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site da SBPJor, e os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros, e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.
Os resultados têm anúncio previsto para 6 de outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Paulo.
Tattiana Teixeira, que sabe muito mais de infografia do que eu, avisou a mim e ao Clóvis Geyer que as mudanças na Superinteressante tinham sido ocasionadas pelas “mudanças radicais editoriais e gráficas da Galileu”. A twittada dela me fez pensar e passar numa banca de revistas para conferir…
Sim, Tattiana tem razão. Não se pode julgar alterações num produto levando-se em conta apenas as motivações internas. Aspectos mercadológicos são fundamentais. E no caso da Super, claro, que reformas na concorrente direta – editada pela Globo e que está completando 18 anos este mês – foram determinantes para os ajustes a que mencionei antes. Na verdade, sempre, um conjunto de fatores internos e externos, estruturais e conjunturais fazem com que as empresas se modifiquem, alterem suas rotinas e redimensionem seus produtos e serviços.
A edição de agosto de Galileu também é muito visual. Recorre a infográficos, a cores, a ícones, mas não o faz em detrimento dos longos textos, mesmo quando justificado. Super parece apostar nisso. Galileu sofreu reformas e está mais visual, mas não abriu mão da extensão das palavras. Basta comparar as edições deste mês e perceber – sem cálculo, sem nada – que Galileu oferece muito mais unidades de informação verbal do que a concorrente da Abril. Por um preço ligeiramente menor, diga-se…
Isso faz da Galileu melhor? Não necessariamente. Se os textos forem bons, e funcionarem como “ferramentas” melhores para se contar histórias, tanto melhor. Se não, não. Pessoalmente, acompanho mais a Super que Galileu, mas no conjunto, a revista popular de ciência da Globo está muito mais interessante que a própria Superinteressante… Pautas, enfoques, angulações e textos estão bem mais instigantes…
No post anterior, eu destacava a aposta de Super, como um lance de ousadia pelo jornalismo visual. Talvez a estratégia se mostre equivocada. Mas os passos de Galileu sinalizam que não. Galileu também está mais atraente, visual, chamativa, sedutora aos olhos. Por aí, já se disse no mercado e na academia que o jornalismo visual era uma das tendências mais fortes dos próximos anos para a área. Adriana Alves, do ótimo blog Infografia em Base de Dados, citou diversos exemplos num comentário a este blog que bem demonstram tais tendências…
É com a frase do título que o redator-chefe da Superinteressante, Sérgio Gwercman, justifica o conjunto de mudanças pelas quais passou a revista a partir do número que está nas bancas. Quer dizer: a Super mudou para manter-se no jogo, para reforçar seu espírito de sempre.
Se você não viu ainda a edição 268 – de agosto de 2009 -, eu dou o serviço: as mudanças são mais de forma que de conteúdo. Isto é, com exceção do surgimento de uma ou duas novas seções, a estrutura da publicação continua a mesma. O que se percebe a olhos vistos é um novo projeto gráfico e a assunção de uma vocação histórica da revista: os infográficos. Quem acompanha a Super sabe que a publicação sempre foi jovial e sempre, sempre investiu pesado em infográficos de peso, que geralmente ocupavam as páginas centrais, juntinho aos grampos, estrategicamente ali colocados para serem destacados e se tornarem pôsteres. Esses infográficos tomavam duas páginas e o leitor – como os da Playboy – precisavam virar 90 graus a revista para acompanhar os detalhes.
A coisa era tão bem feita que houve um tempo em que a Super era a única publicação brasileira a trazer nas matérias a assinatura do repórter, do fotógrafo/ilustrador e do designer da página!
Pois bem, a Super – segundo Gwercman – agora traz mais e mais infográficos. E é verdade. Não apenas esses gigantes, mas outros menores, ocupando uma página ou menos. O fato é que se percebe que a redação decidiu colocar matérias e infográficos no mesmo patamar. Com isso, não uma mas várias vezes, o leitor vai encontrar arranjos tipográficos, soluções gráficas e muito visualmente trabalhadas ao invés de um texto corrido. Isso é uma mudança e tanto! Vou repetir: o jornalismo visual ganha espaço e divide as páginas da Super com o jornalismo de texto tradicional, bem redigido e tal.
É cedo para dizer se isso vai dar certo e se essa é a melhor forma de se adaptar a novos tempos de jornalismo e de mídia renovada.
Mas é curioso perceber que a Super faz isso para se manter firme e forte. Ao mesmo tempo em que permite que qualquer leitor acesse seu farto conteúdo na internet, apela para uma estratégia inteligente para reembalar seu conteúdo para o suporte impresso. No site, há infográficos também. Mas não se compara ao prazer de vê-los em papel de revista. Prazer mesmo!
Eu disse há pouco que é curioso perceber esse caminho, pois nos anos 80 a sedução pelos olhos foi a saída para uma certa reinvenção dos jornais. A Folha de S.Paulo seguiu os passos do USA Today, que buscou na TV uma nova diagramação para suas páginas, abrindo fotos em mais colunas, recorrendo à cor e reforçando a narrativa do texto com gráficos… Àquela época, os jornais copiavam a linguagem da TV para aumentar seu tempo de sobrevivência. Como o animal que mimetiza seu predador para não ser devorado por ele.
No caso da Super, não se trata de copiar a TV novamente. Mas de reforçar nas páginas impressas uma vocação da revista, um jornalismo visual que parece funcionar muito bem no suporte de papel e não na tela. Com isso, a Super oferece conteúdos semelhantes, mas embalados de forma distinta na web e nas bancas. Não é mais o mimetismo da presa, mas a encarnação de uma pelagem para se fazer notar, como os espécimes que se transformam para seduzir e acasalar. Namorar com o leitor, no caso. Me parece inteligente, ousado, arriscado.
É bem verdade, não gostei tanto das tipologias adotadas pelo novo projeto gráfico. Mas a revista continua superatraente. De qualquer forma, é bom acompanhar o desenrolar dessa história. Ao invés de sentar, cobrir a cabeça com o véu e chorar diante do alardeado cadáver do jornalismo impresso, tem gente que está é sacudindo o caixão e bagunçando o coreto do velório…
A dica é rápida e ligeira: Alex Gamela reproduz entrevista que deu a uma acadêmica onde discute a idéia de certificação de qualidade para sites e blogs, bem como um selo de ética online. Vale ler e pensar sobre…
Chris Anderson, o editor da Wired, dá uma paulada na moleira da mídia tradicional. Em entrevista a Frank Hornig, do Salon.com, o autor de A Cauda Longa fala de jornalismo, de modelos de negócio que podem ajudar a sustentar a indústria de mídia e sobre o tamanho da economia da internet. O título da entrevista é provocativo: quem precisa dos jornais quando se tem o Twitter?
O homem por trás de uma das mais prestigiadas publicações (impressas) sobre tecnologia é categórico. Quando se detém para discutir o futuro da comunicação, não usa mais palavras como “jornalismo”, “mídia” e “notícias”. Para ele, esses termos ajudaram a definir o padrão de difusão informativa no século XX e hoje já precisariam ser substituídas, porque o cenário mudou.
A entrevista é interessantíssima, deve ser lida com atenção, e guardada para conferirmos possíveis erros e acertos nos prognósticos.
Reproduzo informe da Diretoria Científica da SBPJor:
A SBPJor decidiu prorrogar em uma semana a inscrição de trabalhos para o VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. O prazo passa a ser 10 de agosto.
Vivemos dias complicados para os governos e as redações, né mesmo?
Imagine que diante da pandemia de gripe A, os administradores públicos precisam informar a população, convencer o cidadão comum a adotar procedimentos de segurança e ainda repassar novidades aos agentes de saúde, por exemplo. A imprensa, por sua vez, também tem um papel estratégico nesta situação: disseminar massivamente as informações que realmente interessam, atualizar o noticiário, acompanhar os movimentos dos governos para ver se as melhores políticas públicas de saúde estão sendo adotadas… E o enrosco é justamente este: Como informar sem alarmar? Como comunicar com fidelidade as circunstâncias que compõem a realidade sem causar histeria coletiva? Que cuidados se deve tomar nessas condições?
Não é fácil.
Por isso, já falei aqui de uma publicação da ANDI sobre Jornalismo Preventivo e Cobertura de Situações de Risco. Mas volto a falar da Agência de Notícias dos Direitos da Infância, uma das ONGs que mais se preocupa com o jornalismo voltado ao desenvolvimento e às políticas públicas sociais. Desta vez, lembro que a ANDI disponibilizou mais uma publicação, agora uma análise sobre como a mídia tratou a dengue e a febre amarela. O livro está em formato PDF, o arquivo tem 3,1 mega, e é uma sequência de “Jornalismo Preventivo”…”. Baixe aqui.
1. A dica é do Luís Santos, do Atrium: Kevin Sablan fez uma interessante linha do tempo com prognósticos, vaticínios e palpites sobre o futuro do jornalismo. O levantamento tem suas limitações, é verdade, já que se apóia em alguns blogs e sites, apenas em língua inglesa, mas é um documento atualíssimo, pois se concentra no ano de 2009. Portanto, é uma timeline a ser esticada e acompanhada…
2. O CyberJournalis.Net arrisca: o futuro do jornalismo está nos jornais de nicho. Também vamos devagar… pois qualquer profecia nesses tempos tem tudo para ser contestada… mas vale pensar sobre…
Vão até o dia 10 de agosto as inscrições para a quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2008 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.
O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site da SBPJor, e os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros, e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.
Os resultados têm anúncio previsto para 6 de outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Paulo.
Dois links nesta sexta ensolarada – ao menos no litoral norte catarinense – me chamaram muito a atenção.
1. No agourento Newspaper Death Watch, Paul Gillin faz rápida reflexão sobre o valor do trabalho jornalístico.
2. Carlos Castilho conta em seu Código Aberto a reação da Associated Press para não ser lesada pelo Google e cia., que “chupam” seus materiais sem dar créditos ou dividendos.
Os dois links parecem não ter nada a ver entre si. Ilusão. Eles roçam em questões práticas e essenciais para o presente e o futuro do jornalismo. Se não existe almoço grátis, quem vai pagar a conta disso tudo?