Nesta semana conversei com a Vivian Menezes, do programa Mundo Político, sobre a guerra que Jair Bolsonaro declarou contra o jornalismo desde que assumiu a presidência da República. O programa é uma das atrações da grade da TV Assembleia de Minas.
Categoria: jornalismo
Ética jornalística e desinformação: o vídeo do debate
SBPJor promove debate sobre ética e desinformação
Acontece hoje (8) à tarde, a partir das 16 horas, um debate promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) sobre ética jornalística e desinformação. O evento faz parte do ciclo “A pesquisa em Jornalismo em tempos de Covid-19”, e é o segundo debate da série.
Estarei com a Silvia Moretzsohn falando sobre o assunto, com mediação do Rafael Bellan.
Para acompanhar e fazer perguntas, basta “sintonizar” nos perfis oficiais da SBPJor no Youtube e no Facebook.
Poder, emoção e desinformação: um evento
O Labcom da Universidade da Beira Interior, Portugal, vai realizar sua terceira edição das Jornadas Internacionais “Patologias e Disfunções da Democracia em Contexto Mediático”, que tem como tema “Poder, Emoção e Desinformação”. O evento acontece em 7 e 8 de maio, na UBI.
Os organizadores recebem até dia 30 de março resumos de artigos para apresentação e posterior publicação. Se interessou?
Mais detalhes…
O tema
“Poder, Emoção e Desinformação” é o tema selecionado para esta edição, que pretende reunir os investigadores de Ciências da Comunicação, Ciências Sociais e Humanidades (Ciência Política, Teoria Política, Filosofia Política, Sociologia Política, Psicologia, Economia) e Artes (Design, Media Artes e Cinema), sem minimizar e, antes, estimular a abertura a áreas como Engenharia Informática e as Ciências da Computação.
Chamada de resumos
As 3ªs Jornadas Internacionais “Patologias e Disfunções da Democracia em Contexto Mediático” centram-se em três temas, que serão abordados em três painéis plenários e em três conjuntos de sessões paralelas:
- Desinformação e “fake news”. Por um lado, pretende-se avaliar fenómenos de visibilidade / invisibilidade, silenciamento e ocultação nos processos de informação jornalística. Por outro lado, pretende-se identificar a intervenção de agentes de comunicação política especializados (assessores, spin doctors, influenciadores, agências de comunicação estratégica e outras formas de intervenção ligadas aos poderes fácticos).
- Datificação do espaço publico. Neste item pretende-se refletir sobre a dimensão tecnológica da manipulação. Entre as múltiplas possibilidades que os interessados e participantes podem percorrer, contam-se a identificação de perfis e preferências de utilizadores; a utilização maciça de dados e a sua transferência para contextos manipulativos de diversos níveis; as possibilidades abertas de concretização de simulacros e de simulações tornados possíveis pela realidade virtual; a realidade aumentada e outras tecnologias digitais; a manipulação de emoções e de desejos através do conhecimento das características da audiência, o uso de algoritmos e as suas consequências.
- Pós-verdade. Em torno desta palavra-chave, pretende-se descrever, analisar e proceder à indagação dos motivos que possibilitam teses negacionistas, de revisionismo histórico, e particularmente, de descrença na ciência e nas conquistas da mesma, manifestos em fenómenos como o regresso do criacionismo, a discussão em torno das vacinas, a negação da esfericidade da terra ou, pior, a negação obsessiva das alterações climatéricas.
Cada um destes três temas dará origem a uma conferência ou mesa redonda, seguida de três sessões paralelas, de quatro pessoas cada (total de 36 intervenções).
Modalidades de participação
Privilegiam-se trabalhos empíricos e teóricos que envolvam debates em contexto mediático e comunicacional relativamente recentes em qualquer uma destas vertentes.
Serão bem-vindas abordagem empíricas e de estudos e de caso, bem como as abordagens teóricas complementadas com exemplos. As análises e as reflexões podem incidir em processos comunicacionais online ou offline, ou complementares.
Resumos
Os resumos devem ter um máximo de 400 palavras (excluindo tabelas, figuras e referências), incluir 3 a 5 palavras palavras-chave, devendo ser escritos em português, espanhol e Inglês – as línguas consideradas nas 3ªs Jornadas Internacionais “Patologias e Disfunções da Democracia em Contexto Mediático”. A submissão deve ocorrer até 30 de março.
Devem descrever o tópico da pesquisa e a abordagem teórica e metodológica. Imagens / tabelas / gráficos são permitidos no resumo, mas não são contabilizados na contagem de palavras. Todos os resumos serão submetidos a uma revisão por pares.
Os resumos devem ser anexados ao email, sem referências ao(s) autor(es). Os detalhes do autor (nome, afiliação e detalhes de contato) devem ser incluídos no corpo do email, a submeter para os endereços jcorreia@ubi.pt, agradim@ubi.pt, ricardo.morais@labcom.ubi.pt e pj@ubi.pt.
A apresentação final pode ser feita numa das línguas consideradas, isto é, português, inglês ou espanhol, mas acompanhadas de dispositivos (ppt) e com resumos e tópicos essenciais escritos em inglês.
Mais informações serão publicadas brevemente na página do evento ou podem ser obtidas através dos endereços de email indicados.
Inscrição
1ª fase – até 15 de abril (registro antecipado)
1 – Professores de instituições de ensino superior: 100 euros
2 – Estudantes e bolseiros de investigação das instituições de ensino superior: 60 euros
2ª fase – entre 15 de abril e 2 de maio
1 – Professores de instituições de ensino superior: 150 euros
2 – Estudantes e bolseiros de investigação das instituições de ensino superior: 110 euros
ISENÇÕES DA TAXA DE INSCRIÇÃO
Professores, pesquisadores e estudantes da Universidade da Beira Interior, bem como qualquer membro do Comitê Científico com uma proposta aceita, estão isentos de pagamento, mas ainda devem formalizar sua inscrição, enviando as informações solicitadas.
PROCEDIMENTOS DE PAGAMENTO
Transferência bancária para a Universidade da Beira Interior
BANCO: Santander
NIB: 0018 0003 2322 0304 0208 9
IBAN: PT50 0018 0003 2322 0304 0208 9
CÓDIGO SWIFT: TOTAPTPL
No caso de despesas significativas devido a transferência bancária internacional, o pagamento será possível no momento da chegada, se essa modalidade for solicitada pelo participante por email endereçado à organização. No entanto, o participante deve enviar, em qualquer caso, o email de inscrição para os endereços referidos com a identificação do autor e com a indicação expressa de que o pagamento será processado na receção da conferência.
Crise do jornalismo: caminhos
Se você se afoga em números que mostram que o jornalismo sofre de uma crise terrível e cujo horizonte de sobrevivência está mais longe do que nunca, calma. Você não está sozinho. Eu também me nutro desse necessário veneno. Mas nem tudo são gráficos em vermelho, e há quem formule e pense soluções (sim, eu também).
O Laboratorio de Periodismo da Fundación Luca de Tena, da Espanha, listou esta semana três mudanças básicas que podem ajudar a recuperar a confiança nos meios de comunicação:
- Transparência radical: Ok, concordo. Todos concordam, mas quem se dispõe? A questão da transparência esbarra em muitas travas de caráter financeiro (ela gera despesas extras e pode comprometer fontes de ganhos), político (pois estremece focos de poder dentro das instituições) e culturais (jornalistas são tradicionalmente impermeáveis a mostrar e reconhecer erros e falhas). É um tema do momento e não pode ser considerado uma preocupação vã ou passageira…
- Ser confiável e ser coerente: Ok, ótimo. Mas há uma questão a ser resolvida: se se espera que um veículo seja plural e diverso, quanto de coerência se pode esperar dele? Superar esse impasse ajuda a definir uma espécie de lugar de fala do veículo, o que tem a ver com a próxima mudança…
- Ser “um dos nossos”: Ok, excelente! E esta dimensão tem a ver com prioridades editoriais e a necessidade de refazer pactos com os públicos, tendo diálogos mais abertos, constantes e horizontalizados. Requer disposição de quem dirige os meios e de quem os opera. Alguns jornalistas mais jovens demonstram menos resistência a essas trocas, mas sabem que – no dia a dia – elas implicam em mais trabalho e eventualmente mais desgaste público. É uma questão complexa, mas igualmente inadiável…
Da Inglaterra, David Caswell lista para o BBC Labs outras cinco ideias para ajudar a inovar no jornalismo em 2020:
- Proporcionar aos públicos produtos jornalísticos com valor único diante do que é oferecido. Só assim, os meios podem conseguir alguma vantagem competitiva no mercado da atenção…
- Romper com a dependência das plataformas digitais para construir relações diretas com seus públicos. Acho sensacional e urgente isso. Escapar das garras das Big Techs é um fator de sobrevivência imediata do jornalismo.
- Entregar notícias que correspondam às necessidades reais dos públicos. É óbvio, mas ironicamente tem sido cada vez mais difícil e raro…
- Restabelecer a confiança com os leitores entediados e que, aparentemente, abriram mão do jornalismo. Sim, é uma espécie de resgate, pois esse público é crescente.
- Preservar os valores do jornalismo e manter a perspectiva editorial humana. Também parece óbvio, mas não custa repetir.
Como jornalistas podem reagir aos ataques de Bolsonaro?
(publicado originalmente no objETHOS)
Ele já te constrangeu publicamente, disse que você só espalha mentiras. Já te ofendeu, falou da sua mãe e “deu uma banana” para o seu trabalho. Constantemente, não respeita o que você faz, e te xinga porque você é mulher ou porque trabalha para esse jornal ou aquele. Seus subordinados já te impediram de participar de entrevistas coletivas, e tentaram convencer empresas a não anunciar mais nos veículos em que você trabalha. Milícias virtuais te perseguem nas redes sociais, muitas vezes instigadas pelo desprezo que ele tem por você. Não é novidade nenhuma que Jair Bolsonaro – o presidente da república – odeia o jornalismo e os jornalistas, e faz de tudo para atacá-los. A questão é: como reagir a isso?
Vamos admitir, ele não está sozinho nessa. Ministros, deputados e governadores também apontam o dedo acusador para a imprensa, diante de perguntas incômodas (mas necessárias) e questionamentos firmes (e legítimos). Empresários, pseudo-celebridades, bots e valentões de redes sociais também babam de raiva contra repórteres. Bolsonaro não está sozinho e sua postura encoraja outros a atacarem o jornalismo. Se o presidente faz, é porque está liberado fazer! Mas a verdade é que ele não pode alimentar e espalhar esse ódio contra os jornalistas. E não pode usar a posição que ocupa para atacar pessoas ou organizações, apenas porque elas o desagradam. É covarde, antidemocrático e, em algumas situações, ilegal.
Nesta semana, tivemos mais um caso de ataque coordenado para descredibilizar a imprensa: um depoente na CPI das Fake News mentiu ao dizer que uma repórter se insinuou sexualmente para obter informações. O ataque não partiu do terceiro andar do Palácio do Planalto, mas foi endossado por um dos filhos do presidente e ganhou corpo nos esgotos das redes sociais. Como reagir a isso?
Um grupo corajoso e expressivo de mulheres jornalistas mostrou como: coletivamente. Produziu um manifesto contra a agressão misógina, levando organizações e pessoas a se posicionarem publicamente sobre isso. Os céticos poderão dizer que abaixo-assinados não resolvem os problemas do mundo, e eles estão certos. Mas a resposta aos ataques de Bolsonaro e companhia passa necessariamente pela ação coletiva e pela organização dos jornalistas.
Se os super-ricos se reúnem em Davos, se os grandes industriais almoçam juntos na Fiesp, se os patrões incham os cofres das suas associações classistas, por que o jornalista – que é bem mais fraco – deve enfrentar esses ataques sozinho? Repórteres, redatores, editores, produtores de conteúdo precisam buscar seus sindicatos e associações jornalísticas, pois são ambientes que podem protegê-los e que podem organizar reações.
Organização e ação
É suicídio tentar reagir sozinho às provocações dos poderosos de plantão, já que, muitas vezes, o jornalista não encontra amparo ou apoio na empresa que em trabalha. O departamento jurídico não dá respaldo, os superiores não fornecem orientações ou equipamentos de segurança. O profissional se vê solitário, cercado por quem o odeia, sem muita chance para responder.
É preciso reagir coletivamente à agenda anti-jornalística que querem impor ao país. Jornalistas não podem ser ofendidos quando estão fazendo o seu trabalho. Não podem ser perseguidos por autoridades, constrangidos publicamente, e linchados nas redes sociais apenas porque investigam, apuram informações ou fazem as perguntas certas nos momentos incertos.
Os sindicatos, os coletivos profissionais e as associações são os lugares certos para reorganizar a categoria porque são ambientes legítimos, representativos e construídos coletivamente. Você pode até não concordar com os rumos que o seu sindicato está tomando, mas como associado pode criticar, cobrar e disputar posição. Você pode até não acreditar no sindicato como instituição de luta, mas vai se organizar onde e de que forma? Você pode achar que não vale a pena agir coletivamente porque abomina toda forma de corporativismo, mas vai apanhar sozinho enquanto seus algozes agem em bandos? Não precisamos inventar a roda de novo! Se essas entidades já existem, por que não encontrar nelas os meios de reagir às agressões que sofremos? Por que não discutir dentro delas as maneiras de garantir dignidade e respeito profissional?
Nos sindicatos, na Fenaj e na Abraji, podem ser implementados programas de proteção a jornalistas, e podem ser oferecidos cursos de capacitação e segurança. Nesses locais, podem ser debatidos meios jurídicos para se contrapor a ataques, e podem ser formulados projetos de lei que assegurem condições profissionais seguras. Campanhas de valorização da categoria podem ser gestadas, e formas de diálogo com outras entidades e a sociedade podem ser criados.
Enfim, há muitos caminhos a serem trilhados, mas a jornada é coletiva. Em grupo, fazemos mais barulho e somos mais numerosos. Em grupo, somos mais inteligentes, mais fortes e chegamos mais longe. A unidade, o senso coletivo e alguma disposição para cooperar podem nos tirar da imobilidade em que estamos, sendo ofendidos, oprimidos e perseguidos. Isso tem acontecido porque estamos fazendo jornalismo, e tentando garantir o direito à informação de cidadãos e cidadãs. Algumas forças se opõem a essa condição. Oferecer resistência é uma obrigação moral de cada jornalista. Precisamos de imaginação e organização para reagir, porque fortalecer o exercício profissional é fortalecer o jornalismo e a democracia.
3 links sobre jornalismo para 2020
2020 já é!
Que tal três linquezinhos espertos sobre jornalismo no Brasil?
- Nativojor: o site é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso da jornalista Fernanda Giacomassi, e o objetivo é oferecer um panorama dos veículos nativos digitais brasileiros. Vale navegar com calma, ler as entrevistas e conhecer as iniciativas. É inspirador, ideal para o início de um ano…
- Por falar em gente inspiradora (e corajosa!), Sérgio Spagnuolo e Alexandre Orrico juntaram alguns cacos e vários talentos para criar o Núcleo, empreendimento de jornalismo de dados, cujo foco é transparência.
- E para falar de jornalismo por aqui é essencial ler as projeções de especialistas deste especial do Farol Jornalismo e da Abraji.
Comunicação e gênero, um congresso internacional
É em Sevilha (Espanha), em 19 e 20 de março, e você já pode enviar sua proposta de comunicação.
Mais informações aqui: https://gendercom.com/

Um livro sobre privacidade e transparência
Amanheci ontem com uma ótima notícia: a Egregius Ediciones, de Sevilha, publicou o livro “Privacidad, Transparencia y Éticas Renovadas”, que organizei a partir de um simpósio que coordenei no 4º Congreso Internacional Comunicación y Pensamiento.
O livro traz sete capítulos assinados por pesquisadores espanhóis, portugueses e brasileiros tratando de temas emergentes como a proteção de dados, a necessidade de transparência na mídia, e as tensões que a privacidade cria no fazer jornalístico.
Para baixar o livro gratuitamente, basta ir por aqui
Guerra entre Bolsonaro e jornalistas deve continuar em 2020
O ano de 2019 foi um ano pra lá de tenso nas redações, não só por causa de demissões e fechamento de títulos, mas também porque cobrir os atos do governo de Jair Bolsonaro foi, digamos, mais insalubre do que imaginávamos.
Houve violência verbal, truculência, ameaças e medidas arbitrárias vindas do principal ocupante do Palácio do Planalto…
Você acha que a guerra entre o presidente e o jornalismo profissional vai amainar em 2020? Eu acho que não, e explico tim-tim por tim-tim neste artigo especial para o objETHOS.
ATUALIZAÇÃO de 13/12/2019: Falei um pouco mais sobre isso com a jornalista Kassia Nobre do Portal Imprensa. Veja aqui a entrevista.
Bolsonaro dá uma canetada e acaba com registro de jornalista
(publicado originalmente no objETHOS)
Os ataques do governo Bolsonaro ao jornalismo são tantos e tão frequentes que já deveríamos estar acostumados. Surpresos, já não ficamos mais, é verdade, mas não dá pra se acostumar com homens públicos que desprezam o debate público, que perseguem jornalistas e fazem de tudo para impedir que a sociedade seja bem informada. O presidente já hostilizou repórteres, mandou cancelar assinaturas de jornais, editou atos que interferiram nos negócios de empresas de mídia, distribuiu politicamente verbas publicitárias e vem sufocando o sistema público de comunicação. O que mais pode ser feito para acabar com o jornalismo?, deve ter se perguntado o presidente da república em seu gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto.
A resposta veio na semana passada, na forma de mais uma canetada para atingir em cheio os jornalistas: ao criar modalidades mais flexíveis de contratação – o chamado Programa Verde e Amarelo -, Bolsonaro não perdeu a chance de alterar a legislação trabalhista e de extinguir direitos. Por meio da Medida Provisória 905, o presidente da República simplesmente revogou artigos do Decreto-Lei nº 972/69, que regulamenta a profissão de jornalista. O mais grave ataque foi ao registro profissional, que deixou de ser obrigatório para o exercício da função. Com isso, qualquer pessoa pode atuar no país como jornalista, sem qualquer exigência formativa ou legal.
A medida revoltou setores organizados no jornalismo. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitiu nota apontando inconstitucionalidade na decisão presidencial, e entidades acadêmicas como a Intercom, a associação de ensino do jornalismo (Abej) e a de pesquisadores da área (SBPJor) também criticaram publicamente a ação. Escamoteada em meio ao Programa Verde e Amarelo, a extinção da obrigatoriedade dos registros de jornalistas é um golpe direto no exercício desses profissionais, pois desregulamenta o setor, fragiliza a categoria e escancara as portas do mercado a aventureiros, sem qualquer formação específica, responsabilidade social ou preocupação ética.
A edição da MP precipitou reuniões de emergência em sindicatos de todo o país, e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) – que não tem função classista, mas de interface com a sociedade – reproduziu as preocupações da Fenaj e está em articulação com a entidade ações para “enfrentar essa onda de ataques à profissão”. Um das ofensivas é convencer os parlamentares a não aprovar a medida provisória na íntegra, vetando os trechos que colocam em risco as regras de entrada profissional. Pressionado, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu atuar para deter o ataque.
Em termos práticos, acabar com a obrigatoriedade do registro de jornalista não ajuda o jornalismo, nem a sociedade. Só contribui para quem quer aumentar a disseminação de fake news, de boatos, mentiras e informações mal apuradas. Só auxilia quem quer corroer ainda mais a credibilidade do jornalismo profissional e quem quer controlar por completo o fluxo de informações. A medida é um gesto de truculência à organização de uma categoria profissional que, legitimamente, lutou para ser reconhecida pelas leis e pelo Estado, e que tem finalidade pública. A medida visa a desestabilizar ainda mais repórteres e editores nas redações, precarizando o seu cotidiano e voltando parcelas raivosas da sociedade contra o seu trabalho. A decisão de Bolsonaro não ajuda sequer as empresas de mídia, pois dispensar o registro não significa economia nas contratações. Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de junho de 2009, que tirou a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, as empresas do setor perceberam que empregar bons profissionais é investir em jornalistas bem formados. Empregar pessoas que nem tenham registros de jornalistas é apostar na incerteza, na sorte de contar com alguém que possa cumprir uma função tão complexa e delicada.
Imagine, por exemplo, se o governo federal emitisse um decreto dispensando os médicos de obterem seus registros profissionais. Possivelmente, muita gente tentaria se colocar no mercado de trabalho, oferecendo-se para clinicar, mas teríamos uma medicina melhor? A resposta é uma só: não. Assistiríamos a um festival de barbaridades nos consultórios e hospitais. O mesmo vai se dar com o jornalismo. Não é precarizando a profissão, desorganizando a categoria e desregulamentando o setor que melhoramos o jornalismo. Para aumentar a qualidade de nossos produtos e serviços e para reforçar os nossos padrões éticos, precisamos intensificar a qualidade das empresas de mídia e a qualificação dos jornalistas. Com a MP nº 905, podemos esperar um sinistro festival de fake news, de propaganda travestida de informação, e de mentiras.
Acabar com a obrigatoriedade do registro profissional é só mais uma etapa na agenda anti-jornalística de Jair Bolsonaro e de políticos que detestam o debate público, que impedem os cidadãos de ter acesso às notícias críticas ao governo, e que não querem se submeter ao julgamento da sociedade. É um ataque ao jornalismo, mas é uma afronta à democracia e ao direito à informação ética e de qualidade das pessoas.
Lula Livre como manchete? Não rolou
No Twitter, perguntei quantos jornais dariam a manchete mais manjada dos últimos anos. A resposta veio hoje. Nenhum grande jornal brasileiro manchetou “Lula Livre”.
O que isso quer dizer? Arrisque responder.
SBPJor em Goiânia
Começa amanhã, 6, a 17ª edição do Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, promovido pela SBPJor. O evento é o maior do país na área e este ano acontece na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.
A programação pode ser conferida aqui, e os anais já estão disponíveis, de graça, aqui.
Estou a caminho e participo de várias atividades: estarei na mesa “Ética Jornalística e Qualidade da Informação”, com Ana Carolina Rocha Temer (UFG), Josenildo Guerra (UFS) e Danilo Rothberg (UNESP); na mesa coordenada “Trabalho e Identidade dos Jornalistas: em busca de modelos de governança social para superar a crise na profissão”, com meus colegas pesquisadores do projeto GPSJor; e também lançarei meu recente livro “A crise do jornalismo tem solução?”.
Passarei ainda pelo seminário de pós-graduação em jornalismo e pela reunião das redes de pesquisa, com meus amigos da Rede Nacional de Observatórios da Imprensa (Renoi).
O encontro termina na noite do dia 8.
UFSC explica o que é liberdade de imprensa
Jornalismo, democracia e dados abertos, um evento
Daqui a dois dias, na sexta, 27, o Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) vai realizar o evento Jornalismo, Democracia e Direito à Informação, uma jornada para debater dados abertos, cidadania informada e limites do jornalismo e do estado democrático de direito no Brasil. Nossos convidados são Sylvia Moretzsohn, Samuel Lima, Breno Costa e Maria Vitória Ramos, e a programação pode ser conferida aqui.
A jornada marca os 10 anos do objETHOS, os 20 anos da Rádio Ponto e os 40 do Departamento de Jornalismo da UFSC.
Ética, mercado de trabalho e crise do jornalismo
Os cursos de Comunicação da Faculdade Ielusc, de Joinville, estão realizando desde ontem, 10 de setembro, a 9ª Semana Integrada de Comunicação. O evento vai até amanhã, 12, e pra fechar, vou falar um pouco de ética jornalística, mercado de trabalho e a crise que se abate sobre o jornalismo. Vou aproveitar também para lançar naquela cidade o livro “A crise do jornalismo tem solução?”
Para saber mais da semana, veja aqui.
Para saber mais do livro, aqui.
Comentarista faz vista grossa para aparelhamento de Bolsonaro na UFFS
O presidente da República decidiu ignorar a decisão da comunidade acadêmica na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e nomeou o terceiro colocado na consulta. Na imprensa catarinense, ao menos um comentarista celebrou a medida e não perdeu a chance para atacar o PT. Comentei em detalhes no site do objETHOS.
Patrões da mídia do sul querem um jornalismo vassalo
Líderes da mídia regional do sul do país foram tomar café com o presidente da República e demonstraram seu ímpeto bajulador. Contei em detalhes no Observatório da Ética Jornalística (objETHOS).
Manifestações pela educação nas capas dos jornais
Ontem, 13, aconteceram protestos em todo o país contra os cortes na educação e contra a reforma da previdência. É a terceira vez que isso acontece no governo Bolsonaro.
Em 15 de maio, 225 cidades tiveram protestos nas ruas. Em 30 de maio, foram 136. Ontem, 85 cidades. Os números sinalizam para um arrefecimento do movimento, seja por cansaço, fragmentação ou outras razões. As primeiras páginas dos jornais mostram isso também. Basta comparar com o levantamento que fiz nos primeiros protestos.
Teve jornalão que não deu uma linha sequer na capa, como é o caso de O Estado de S.Paulo…
A ver como a coisa anda…
A liberdade é uma condição para o jornalismo ético
Desde a redemocratização, nunca a liberdade de imprensa correu tanto risco como agora no Brasil. Os últimos 34 anos mostraram governos de diversos matizes políticos, mas em nenhum deles o jornalismo foi tão atacado e o exercício da profissão sofreu tantas ameaças. São insultos, anúncios de cortes de verbas publicitárias, perseguições diversas, acusações mentirosas e outras estratégias para espalhar o medo nas redações.
Para ler na íntegra, vá por aqui.
Três armadilhas a evitar quando pensamos sobre a crise do jornalismo
É tentador projetar cenários e apontar para soluções quando estamos estudando ambientes de crise. Tendo como objetivo fazer sínteses para explorar flancos e arrancar saídas, volta e meia cometemos erros de leitura e de julgamento. Por isso, é preciso evitar certas armadilhas.
No caso da crise do jornalismo, vejo como é fácil cair em três delas, pelo menos.
A primeira é fazer diagnósticos sem se apoiar em dados da situação. A indústria jornalística no Brasil é muito reticente em fazer pesquisas e disponibilizar essas informações. O resultado é um setor que funciona de forma errática, aos trancos e barrancos, à base da tentativa e erro. É um setor também que inova menos do que poderia, justamente porque teme o fracasso e não considera o risco como uma constante na equação daquela exploração econômica. Assim, como temos poucos números e nem sempre é possível gerar séries históricas que permitam comparações, recorremos a projeções nem sempre realistas.
Por isso, com alguma frequência, precisamos produzir relatórios, estudos e até mesmo dados. Fiz isso muito rapidamente no segundo capítulo de A Crise do Jornalismo Tem Solução?, que lancei este ano. Me debrucei sobre um material da Associação Nacional dos Editores de Revista (ANER) de anos passados e comparei com a realidade que encontramos nas bancas atualmente. Cheguei a uma taxa alarmante: 35 das 100 revistas mais lidas em 2014 já não circulavam mais quatro anos depois. Perceba: estou falando de publicações bem sucedidas de diversos nichos e públicos, e que simplesmente deixaram de existir em pouquíssimo tempo. Isso é uma medida, não a única, mas ela ilustra parte de como a crise se manifesta no mercado brasileiro…
A segunda armadilha fácil de se cair quando se pensa em crise no jornalismo é ignorar a escala dos acontecimentos e dos atores implicados. Quer dizer: a crise afeta cada um de um jeito, com uma duração e conforme uma proporção. A queda vertiginosa de vendas em banca pode acionar o alerta amarelo num jornal grande (e que tem boa base de assinantes no modo digital), mas pode ser fatal para uma empresa média, muito dependente desse modelo. Da mesma forma, o muro de pagamento pode funcionar em alguns casos e em outros, não, conforme comento também no livro. É preciso considerar o contexto e ponderar como cada fator pode se comportar num contexto de crise. E ficar com olhos atentos porque o peso e a influência desses fatores pode se modificar em meio à observação.
A terceira armadilha é permitir que nossos desejos contaminem nossas leituras da crise. Porque amamos o jornalismo e porque não queremos que ele desapareça, nos apressamos a dizer que ele nunca morrerá, que as mutações pelas quais passa são superficiais, e que não estamos vivendo um furacão, mas só uma ventania. Cuidado! Desejar que algo não aconteça não necessariamente impede que aquilo realmente ocorra. É preciso mais para evitar a realidade: interferir nela. Seja propondo soluções, apontando para erros evitáveis ou implantando saídas na prática, por exemplo.
Não nos enganemos: a crise que afeta o jornalismo é inédita na sua complexidade, duração e alcance. É também nova porque afeta aspectos que são estruturais e não só conjunturais.
Não é fácil nem cômodo estudar o terremoto com ele acontecendo. Você tenta anotar na prancheta, mas ela cai e a caneta também. Logo, é a gente quem está no chão vendo tudo ser remexido e nossa visão se nublando…
Direito à comunicação no Brasil: um relatório
O Intervozes lançou mais uma edição de seu relatório Direito à Comunicação no Brasil. A publicação, referente a 2018, aborda temas como fake news, violações ao direito de protestar, concentração de mídia e políticas de acesso à internet, entre outros. Em PDF, 80 páginas.
A Lava Jato domesticou a imprensa: uma entrevista
Conversei com Laercio Portela, do Marco Zero, um dos mais pulsantes meios jornalísticos independentes de Pernambuco. Ele quis repercutir os terremotos das revelações feitas por The Intercept Brasil sobre Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outros mais.
Falei bastante. Desculpe.
Na íntegra, a entrevista pode ser lida aqui.
Lá se foi Clóvis Rossi
O coração de Clóvis Rossi parou, e o jornalista está morto.
Juca Kfouri escreveu um curto comentário em seu blog, que dá uma dimensão de como é difícil se despedir de amigos.
Eu não conhecia Clóvis Rossi pessoalmente, mas o acompanhava há 30 anos, pelo menos. Eu o li religiosamente durante duas décadas, e ele representou um dos meus horizontes como jornalista. Foi um dos que me influenciou no início de carreira pelo texto, a bagagem profissional, o jeitão de repórter e a compreensão histórica da política na América Latina.
De uns anos para cá, Clóvis Rossi foi caminhando cada vez mais para o epicentro ideológico da classe média, e eu fui me distanciando. Era um moderado, civilizado e até brando. O que ele escrevia já não batia tanto com o que eu acreditava ou via no mundo. Não importa. Hoje, se foi um dos grandes jornalistas do meu tempo. Obrigado, Clóvis.
O livro “A crise do jornalismo tem solução?” na mídia
Na metade de maio, começou a chegar nas melhores livrarias do país e nas plataformas de ebooks do mundo inteiro o meu livro “A crise do jornalismo tem solução?” (Ed. Estação das Letras e Cores).
Se você não sabe do que estou dizendo, eu explico aqui. E se ficou interessado em ter o seu, vá por aqui. Veja o que andam dizendo sobre ele:
- revista Jornalismo & Jornalistas – Portugal, dezembro de 2019
- Site Profissão Jornalista – 20/11/2019
- Blog Jornalismo nas Américas – EUA, 06/11/2019 (en español) (in english)
- Revista QuatroCincoUm – 01/08/2019
- Portal Comunicación, da Espanha – 10/07/2019
- Red Ética/Fundación Gabo, de Colômbia – 08/07/2019
- Observatório da Imprensa – resenha – 02/07/2019
- Portal Acontecendo Aqui – 25/06/2019
- Newsletter 7 Sources – 10/06/2019
- Programa Fórum Onze e Meia – revista Fórum – aos 53’15” – 07/06/2019
- Jornal GGN – 06/06/2019
- Knight Center for Journalism in Americas – 03/06/2019
- Jornal Opção – 02/06/2019
- Podcast Mamilos – aos 1h41’06” – 31/05/2019
- Delibecracia, blog espanhol – 31/05/2019
- Portal Imprensa – entrevista – 30/05/2019
- Portal da Intercom – 28/05/2019
- Newsletter do Farol Jornalismo – 24/05/2019
- Portal Making Of – 22/05/2019
- Observatório da Imprensa – entrevista – 21/05/2019
- Observatório da Ética Jornalística (objETHOS)– 18/05/2019
- Notícias UFSC – 17/05/2019
- Programa de Pós-Graduação em Jornalismo – 16/05/2019
- Caros Ouvintes – 16/05/2019
É possível salvar o jornalismo sem o dinheiro do Google?
Se tem um tipo de notícia que faz os donos da mídia brilharem os olhinhos é o anúncio de que alguém vai abrir as torneiras do dinheiro. Ontem, foi mais um dia desses no 3º Google For Brasil, evento da poderosa Big Tech no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Não, eu não estava lá, mas posso afirmar sem medo de errar que teve gente que saiu feliz da vida e a explicação é uma só: o Google vai despejar milhões de dólares em projetos de fact-checking, fortalecimento de padrões de qualidade, eventos, incubação de novos meios e até educação midiática, conforme conta o Portal Imprensa. Segundo o Marco Tulio Pires, que coordena o Google News Lab, já foram injetados R$ 36 milhões no mercado brasileiro desde 2018. Não é pouco, mas está longe de ser a salvação da lavoura.
Gente muito competente e organizações muito reconhecidas – como Projor, Abraji e ANJ – são beneficiadas com esses recursos, e os seus projetos são muito importantes para o jornalismo e a sociedade, de um modo geral. Não discuto isso, já que os resultados podem ser conferidos em iniciativas como o Comprova e o Credibilidade, por exemplo.
O buraco é mais embaixo. Será que a indústria jornalística pode ficar refém da vontade e do planejamento financeiro de gigantes da internet que ajudam a corroer o negócio das notícias? Não dá pra buscar saídas da crise sem depender dos milhões das grandes plataformas? O dinheiro não pode vir de outras fontes ou cofres? A benevolência das Big Techs não é uma maneira para conter efeitos colaterais da quebradeira que vêm provocando em tantas outras atividades econômicas?
Talvez a indústria jornalística nacional não veja Google e Facebook – que também investe no setor – como concorrentes, e talvez eles não sejam mesmo. São piores: são predadores. E seu apetite insaciável já abocanha mais da metade do bolo publicitário anual, conforme levantamentos em mercados como os Estados Unidos.
Facebook e Google não apenas aspiram para si parcelas enormes das verbas publicitárias que antes iam para os meios jornalísticos. Também drenam o tempo e a atenção dos usuários no planeta todo, desviando o interesse nas notícias, entre outros efeitos.
É errado, então, receber dinheiro do Google e Facebook para fortalecer o jornalismo? Não é errado. Mas depender deles para tirar a cabeça para fora da água é muito, muito temerário. A indústria jornalística precisa de soluções, das suas próprias soluções. Será necessário meter a mão no bolso e convencer a sociedade, os governos e outros atores econômicos a investir em jornalismo. Proteger o jornalismo é manter empregos e empresas, mas também é reforçar um importante tecido que dá sentidos para as pessoas e as sociedades.
Como a universidade pode ajudar a enfrentar a crise do jornalismo?
Escrevi sobre como a academia pode participar dos esforços de enfrentamento da crise do jornalismo. O texto saiu no Observatório da Imprensa e foi reproduzido também no objETHOS e outros lugares.
Defendo que a crise não é um problema de jornalistas e meios de comunicação apenas, e que outros atores podem (e devem!) se envolver nisso, e as universidades têm vocações imprescindíveis para oferecer contribuições. Menciono três casos recentes e, ao final, listo outras três potencialidades dos cursos para a questão.
Na íntegra, o texto pode ser lido aqui.
Confiança e sustentabilidade: dois nós para o jornalismo
A crise do jornalismo não é apenas financeira, tenho dito isso com alguma frequência. É claro que a míngua de anunciantes e de recursos para manter os negócios deixa gestores e jornalistas de cabelos em pé.
Pesquisa recente do Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp-Meios) observou que os investimentos em mídia no Brasil cresceram pouco mais de meio por centro (0,57%) em 2018. Na prática, é uma estagnação, o que pode ser comemorado pelos mais otimistas ou ser detestado pelos pessimistas. De qualquer forma, estamos falando de um mercado de R$ 16,5 bilhões, nada desprezível.
Tem engrossado o coro, ultimamente, que uma saída necessária para crise é investir no jornalismo local, fortalecendo meios, barrando o avanço dos desertos de notícia, e apostando em saídas com menor escala e resposta mais rápida. Em Nova Iorque, o prefeito Bill de Blasio determinou que todas as agências da cidade gastassem pelo menos a metade de seus orçamentos anuais em meios comunitários e étnicos. Prevista para entrar em vigor em 2020, a iniciativa foi celebrada como um gesto para garantir que notícias locais continuem sendo produzidas e que a mídia que se encarrega disso se mantenha viva e pagando as contas em dia. Nova Iorque gasta mais de 2,75 milhões de dólares em publicidade na mídia local por ano.
É impossível prever que um ato desse contagie outros municípios e realidades, mas já pensou se o prefeito da sua cidade fizesse isso? Gaste um minutinho da sua vida pensando em que meios poderiam ser beneficiados e como isso afetaria a sua dieta pessoal de informações.
Mas como eu disse, não é só de dinheiro que o jornalismo precisa para vencer sua crise. Um outro nó é a credibilidade.
No Brasil, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) vem comemorando os resultados da pesquisa Dimension-2018 que revelou, entre outras coisas, que jornais e revistas têm mais credibilidade que as redes sociais. As taxas de confiança seriam de 67% e 72% contra 33% das redes. Meios impressos também têm índices menores de rejeição.
Outro estudo – este internacional – aponta não só descrença nas redes, mas um cenário pior para os chamados influenciadores digitais. Apenas 4% das pessoas afirmam confiar no que eles dizem online.
Penso que é um erro brutal quando o jornalismo tenta seguir os passos das redes sociais e de modismos diversos, como é o caso dos influenciadores. O tempo das redes é mais volátil e seus compromissos muito menores que os do jornalismo.
Investir na formatação de um modelo de negócio rentável, perene e sustentável é vital para a sobrevivência da indústria do setor, mas esse movimento não pode ser feito divorciado de uma verdadeira preocupação em reter e ampliar a confiança dos públicos. Afinal, se você não confia num meio de comunicação ou em um jornalista, por que vai consumir as informações que eles distribuem? Por que vai dar atenção a eles, quando seu tempo é tão escasso e há tantas formas sedutoras de gastá-lo?
A crise do jornalismo é multidimensional, dinâmica e complexa
Pedro Varoni, editor do Observatório da Imprensa, me entrevistou sobre o livro que estou lançando: A crise do jornalismo tem solução? (Ed. Estação das Letras e Cores). O pessoal do Farol Jornalismo repercutiu na newsletter da última sexta (24/05). Na entrevista, tive a oportunidade de falar um pouco mais sobre a crise e o jornalismo local.
Na íntegra aqui.
A crise do jornalismo tem solução? – onde comprar o livro
Sim, ele já está entre nós!
“A crise do jornalismo tem solução?” chegou da gráfica e começa a ser distribuído mundo afora.
Se você ficou interessado e quer ter o livro, há muitos caminhos:
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