literatura e redes sociais

A literatura é mesmo um rio. Não dá pra aprisionar. Você estanca, ela busca formas de se desviar dos entraves. Você tenta deter as águas, mas ela contorna, se espessa, rompe e se espalha.

Esta semana, vi que dois dos caras mais conectados que conheço estão fazendo vazar suas prosas pelas redes sociais. Fernando Arteche começou a publicar trechos de um “suposto livro” na forma de posts em seu blog, Os trabalhos e os dias. André Lemos anunciou que vai adaptar um livro inacabado –  chamado “Reviravolta” – para o twitter. Ele mesmo conta: “História de viagem, na e fora da rede. Posts todo sábado, com o marcador &. Para seguir é so apontar para http://twitter.com/andrelemos

A literatura é mesmo um rio…

prestem atenção: é a história acontecendo…

Preparem-se!

Sim, ficaremos por dias lendo e ouvindo muita coisa sobre a morte de Michael Jackson e as implicações na cultura pop e no showbiz… mas veremos também muita discussão sobre como este episódio traz novidades para o jornalismo, para a consolidação das redes sociais e para novas configurações no processo de comunicação.

A CNN não exagerou. Jackson morreu e quase levou consigo a web.

Robert Niles, por sua vez e de forma arguta (como sempre), já aponta as lições que o caso oferece para os jornalistas que cobrem assuntos quentes.

Estamos diante de capítulos historicamente importantes da contemporaneidade. Poucas são as vezes em que o verbo “revolucionar” é empregado com tanta pertinência e vinculado com tanta justeza a um sujeito. Realmente, Michael Jackson revolucionou a cena pop, e isso não é um exagero. Sua morte foi uma grande notícia, do ponto de vista jornalístico e do ponto de vista leigo. A maneira como os meios de comunicação agiram e reagiram ao episódio também tem relevância. Pois nos permite estudar aspectos fundamentais para o jornalismo, como credibilidade, confiabilidade de fontes, velocidade na produção e difusão de notícias.

As coisas estão mudando rapidamente.

Portanto, o leitor tenha paciência e atenção. A história  está acontecendo bem debaixo de nossos pés. Aqui e agora. Em toda a parte.

michael jackson e eu

25 de junho de 2009. 17h40. “Meu! O Michael Jackson morreu! Não, não. Sofreu um ataque… é, um ataque! Tá aqui no Twitter”. Meu aluno Joel Minusculi suspende o ar no laboratório da universidade. As pessoas se olham, não acreditam, a gente chega a soltar piadinhas, pensando ser mais um hoax da internet.

1982. Num bairro da periferia de Rio Claro, interior de São Paulo, peço pra vizinha para que deixe ver a capa do disco que ela ouve sem parar a todo o volume. Charmosamente, Michael Jackson repousa num conjunto branco, sobre um fundo escuro. Peguei o LP nas mãos e pedi emprestado.

25 de junho de 2009. 18 horas. Os sites noticiosos começam a confirmar a notícia da morte do artista. As redes sociais já convulsionam. “Não acredito! Não acredito”, é o que mais ouço.

1982. Toco “Thriller” sem parar em casa, o telhado quase dança. Eu e meus três irmãos fazemos a farra na ausência dos pais, no trabalho.

1983. No bairro pobre, a moda pega. Quem tem o disco, empresta para que o vizinho faça cópias em fitas cassete. Na escola, no festival de talentos improvisado, começamos a imitar as danças do cara. Juntamos dinheiro para comprar jaquetas vermelhas, como a usada no clipe de “Thriller”. Não evitamos mais usar meias brancas com sapatos e calças escuras. Se ele pode, podemos tambem. Meninos brancos como eu passam a desejar ter mais melanina e mais balanço.

25 de junho de 2009. 19h20. Disciplina de Redes Sociais na Internet. Anuncio na sala de aula a morte de Michael Jackson e a rapidez do twitter, os vídeos mais vistos no YouTube, e os fóruns fervilhantes no orkut. Os alunos têm em média 18 anos. Conheceram a fase menos glamourosa do artista, mas não conseguem disfarçar a consternação, o espanto, a sensação de perda.

1984. Não existe internet. Não existe MTV no Brasil. Os clipes são exibidos em programas da TV aberta, e em ocasiões especiais até mesmo no Fantástico. Quase ninguém tem videocassete no bairro da periferia. Ficamos na expectativa de quando os clipes são exibidos… e quando isso acontece, paramos com tudo para estudar os movimentos do dançarino que parece ter asas nos pés.

1999. Michael Jackson já parece não me importar mais. Tenho outros ídolos. Suas excentricidades, os boatos, os escândalos alimentam uma cadeia imensa de piadas, de gracejos, de lendas. Sim, o artista que mudou a nossa forma de dançar, de cantar, de pensar e viver o pop se torna uma caricatura.

1985. “We are the world” é a música mais executada. Os meninos e as meninas do bairro pobre passam a cantar o hit. Foi a primeira letra de música em inglês que aprendi. As professoras chegaram a distribuir cópias nas aulas, falando de  geopolítica, de união dos países, etc…

1985. Meninos e meninas dançam juntos os sucessos do artista. Imitamos seus passos. Cantamos num inglês inventado. Improvisamos performances na quadra arrebentada da escola. Fingimos ser zumbis coreografados. Esquecemos de tudo e entendemos que se pode ser feliz ao menos na duração de uma canção.

2000. Michael Jackson é um artista recluso, esquisito, atolado em dívidas. É o rei do pop, mas quem venceu a batalha foi Madonna, que soube se inventar, prosperar, impor estilos e modismos. Prince nem é visto pelo retrovisor. Mas quem é rei não perde a majestade.

25 de junho de 2009. 23h40. Minha esposa se espanta com o turbilhão nos sites de relacionamento, as comunidades em luto se espalham numa velocidade impressionante. Ligo para um dos meus irmãos – aquele com quem “ensaiava” os passos -, e ele parecia muito abatido.

26 de junho de 2009. 00h25. Estou num maratona pela TV, zapeando entre clipes, homenagens, noticiários. “A gente parece só dar valor ao que a gente perde”, diz a mulher ao meu lado. Concordo com ela. Michael Jackson já não era o meu artista predileto, era mais um bom motivo de piadinhas, de trocadilhos, de gracejos. Mas não posso ignorar que ontem – com ele – se esvaiu uma parte importante da minha adolescência, do meu passado. Por causa do artista, um dia, os meninos perderam a vergonha e dançaram. Por causa dele, meninos e meninas quiseram aprender a cantar, quiseram aprender inglês, pensaram em ser artistas, em sair do bairro pobre, em buscar uma outra vida. Se alguém conseguiu? Sei lá, não importa. Mas o artista trouxe o sonho, a possibilidade, a expectativa. Tudo num ritmo contagiante, feliz, arrasador.

Por isso, é triste a notícia. Como foi pouco feliz a vida pessoal do astro. Fica a música, ficam os passos, o relevo da sua figura. Fica a lenda.

produção em mídias digitais: uma especialização

Exu Caveira Cover avisa que estão abertas as inscrições para o curso de especialização Produção em Mídias Digitais, que acontece na PUC-Minas de agosto de 2009 a junho de 2010.

Confira aqui!

o fim dos jornais: em santa catarina

Muito se fala sobre a crise dos jornais, sobre a queda das tiragens, sobre a migração das verbas publicitárias. Outro dia, tratamos do fim da Gazeta Mercantil, e agora, a blogosfera catarinense fervilha com fotos e vídeos que denunciam a penúria, o descaso, o abandono do espólio de O Estado.

Para quem não sabe, O Estado era o jornal mais antigo de Santa Catarina, um orgulho até décadas atrás. Falido, maltratado, mal administrado, O Estado sucumbiu. Celso Martins, um dos melhores repórteres com que trabalhei, mostra no que se tornou o maior diário dessas terras… triste fim.

feliz!

Nenhum post, nenhum poema, nenhum grito poderiam traduzir os ventos que chicoteiam meu coração nesses dias.
Estou feliz e radiante. A vida é surpreendente, e cada uma das suas esquinas mal iluminadas nos faz ver o quanto nada se sabe dos caminhos que percorremos.

das minhas sentimentalidades sobre o diploma

Relendo meu post anterior e ouvindo a minha esposa – o que deveria fazer mais vezes -, queria tornar mais clara a minha posição sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Mesmo derrubado por uma feroz gripe, ontem, acompanhei atentamente ao julgamento do STF. Tuitei sobre isso. Tentei manter um certo distanciamento do tema, mas no final da sessão, o cansaço e o mal estar (da gripe ou da decisão?), já deixei escapar algumas farpinhas da minha indignação.

Dei aulas ontem à noite e falei com diversos alunos.

Mantive o equilíbrio e hoje cedo, postei uma análise distanciada do tema. Minha esposa leu e se enfureceu: Mas nada te indigna? Nada te tira do sério?

Ela tem razão. Eu deveria falar sobre isso. Mas eu não queria. Abri a caixa postal hoje e vi dezenas, verdade!, dezenas de mensagens destilando raiva, ira, indignação, protesto. Eu não queria engrossar o caldo do fel. Mas por outro lado, não posso falsear meus sentimentos. De decepção, de tristeza, de indignação, de raiva.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Sou professor de Legislação e Ética em Jornalismo há dez anos. Neste tempo todo, falei de regulamentação profissional, insisti na importância de uma profissão ter regras claras de ingresso e funcionamento. E ao falar de leis e regulamentos, eu falava sempre da profissionalidade, das formas de sermos o que somos, quando somos jornalistas.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Entre 2002 e 2005, fui dirigente sindical em Santa Catarina e trabalhei ativamente, escrevendo textos, promovendo eventos, participando de debates sobre a necessidade do diploma, em defesa desta regulamentação, a favor dessas regras.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Desde 2001, o meu fazer-pensar acadêmico gira em torno da profissão, da sua ética, e das estruturas nas quais se apóia a profissão jornalística.

Portanto, o investimento pessoal, emocional, de tempo e de energia de quase uma década foi muito grande, penoso mesmo. Não me arrependo. Claro que não. Continuo acreditando no Jornalismo, como algo importante para a sociedade. Continuo acreditando na organização dos profissionais, que se reúnem para defender e ampliar os seus direitos e a sua dignidade. Continuo acreditando que as escolas podem ter um papel crucial na formação de bons, de excelentes jornalistas. Continuo acreditando. Esta fé – que se traduz em pragmatismo, ou em uma certa frieza a olhos distantes -, esta fé aplaca meu descrédito, minha tristeza.

diploma obrigatório caiu, e agora?

Em dez anos de docência em Jornalismo, poucas vezes senti um clima tão intenso de perplexidade nos corredores da universidade, ontem à noite. Eram pouco mais de sete horas, e os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiam que já não seria mais obrigatório ter diploma para se obter o registro profissional de jornalista. Quer dizer, a corte suprema brasileira desregulamentava uma profissão, derrubando um marco de quarenta anos.

Pelos corredores da universidade, alunos e professores se olhavam num misto de consternação, receio e certa vergonha. Claro que sempre houve a possibilidade de uma decisão como aquela, na medida em que o assunto seria julgado, mas pelo jeito, não era o que se esperava. Um silêncio cúmplice pairava, e o ar frio e pesado da noite envolvia a todos, como numa espécie de transe, transe de velório.

Mas o que eu faço com o meu diploma?

O encerramento da polêmica não faz terminar os questionamentos. Alguns perguntam o que farão com seus diplomas, conseguidos a duras penas. Ora, é preciso ter a clareza do alcance da decisão de ontem. O Supremo julgou a OBRIGATORIEDADE e não a VALIDADE do diploma. Isto é, não é mais preciso juntar o canudo para se conseguir o registro. Quem tem diploma expedido por uma instituição de ensino superior reconhecido pelo MEC continua tendo seu diploma, com validade e (por que não?) orgulho.

Repito: a decisão de ontem não enfraquece nenhum diploma. Enfraquece a categoria, na medida em que desregulamenta, na medida em que flexibiliza as regras para ingresso no mercado de trabalho. Antes, havia uma trava – o diploma -, agora, não há mais.

O que eu faço? Continuo o curso?

Mas claro que sim. Estudar não faz mal a ninguém. Quem faz universidade está investindo na própria formação, na própria qualificação profissional, e isso – com diploma obrigatório ou não – continuará a ser um divisor de águas na contratação de gente no mercado. Isto é, qualquer empregador quer sempre admitir o melhor profissional para a sua empresa. Se ele é melhor qualificado  – porque tem um diploma de jornalismo – do que o concorrente que tem ensino médio ou outro curso universitário, o empregador já sabe o que fazer.

As faculdades de Jornalismo vão fechar?

Difícil prever isso. São muitas, é verdade. Estima-se que mais de 400 pelo país. Talvez algumas não sigam adiante. Talvez nada se altere. Mas vamos ser sinceros: não era o decreto-lei 972/69 que fazia com que hordas de jovens se matriculassem nos cursos de Jornalismo. Era e sempre foi a vontade, o desejo, a expectativa de ser jornalistas. Então, não sei se a curto prazo a coisa deva se mover tanto. Um exemplo: a profissão de publicitário não exige diploma do curso para o seu exercício, e mesmo assim, esses cursos universitários são cada vez mais abundantes e cada vez mais atraentes, sendo dos mais disputados. Outras regras parecem vigorar…

A minha escola vai fechar por causa disso?

Abrir um curso universitário é muito complicado. Fechar também. Depende de muitos fatores, de um trâmite longo no Ministério da Educação, e de outros aspectos, entre os quais o da imagem da instituição de ensino. Nenhuma escola deve se orgulhar de fechar cursos, mas sim de abrir novas turmas. Por isso, um curso não se fecha do dia para a noite, até porque se assim o fizer, será alvo de uma torrente de processos dos alunos que se sentirão prejudicados. Por isso, qualquer precipitação agora é demasiada e desnecessária.

O Supremo agiu certo?

Pessoalmente, acho que os ministros demonstraram não conhecer a profissão, e que acabaram confundindo um direito amplo com o direito de exercício profissional. Como quem confunde direito à Justiça e direito de atuar como advogado.

Mas pra ser bem sincero, decidida a questão pelo STF, de que adianta continuar a argumentar e contra-argumentar, se o tempo não volta. Sou mais pragmático. E é necessário olhar pra frente. A derrota foi dura, mas não é a final.

O Supremo pode voltar atrás?

Não. A decisão está posta. O decreto-lei que regulamentava a profissão foi considerado inconstitucional. Para a Justiça, isso significa que ele é inválido. Logo, qualquer pessoa pode requerer seu registro profissional de jornalista sem o diploma.

Então, não há saída? A coisa acabou?

Mais ou menos. A saída não é pelo Judiciário, mas pelo Legislativo ou pelo Executivo. São eles que podem – por exemplo – formularem projetos de lei para uma nova regulamentação para a profissão. E se esse projeto tramitar no Congresso e se tornar lei, pronto: temos novas regras para a profissão.

A boa notícia é que isso pode estar já em curso. No final do ano passado, o Ministério do Trabalho criou um grupo que iria trabalhar na redação de uma nova regulamentação. Há cerca de um mês, o presidente da Fenaj, Sergio Murillo de Andrade, me disse que a coisa estava em banho-maria, penso que no compasso da decisão do STF. Fechado o capítulo no Judiciário, pela via política, haveria outros caminhos…

O mercado vai ficar pior?

É difícil dizer. Principalmente, num tempo em que é cada vez mais difícil enganar as pessoas. Por conta da internet e da cordilheira de informação que todos temos à disposição, a toda hora, pode-se desmintir qualquer um que queira aplicar um golpe. Fazer jornalismo é cada vez mais difícil. Vai depender de gente cada vez mais qualificada. Para a lei, não vai importar se essa gente terá diploma de Jornalismo ou não. Mas o fato é que nunca na história humana houve tanto interesse por informação e houve tanta informação à disposição. Isso requer tratamento técnico, especializado, adequado. Isso requer triagem, seleção, acuro, qualidade e credibilidade. Jornalistas são ainda muitíssimo necessários. Bons jornalistas são mais necessários ainda.

O jornalismo precisa se reafirmar. E talvez se reiventar. A ausência de diploma obrigatório trará novos componentes no cotidiano das redações, novas formas de atrito e de reacomodação de forças. O jornalismo continuará a ser necessário para as democracias, para a cidadania, para o desenvolvimento humano. Os profissionais que se ocupam disso, que se arriscam diariamente para obter informações, devem se orgulhar por este papel social que cumprem. Devem se orgulhar, mas precisam estar atentos, pois as mudanças são muito rápidas nesta área. Esta instabilidade provoca a vertigem e o deleite.

Para ir mais adiante…

Alec Duarte faz uma equilibrada análise de como fica a formação daqui pra frente. Cesar Valente aponta para dois possíveis caminhos, com a desregulamentação, e opta pelo mais otimista. Alberto Dines avalia que o STF errou tanto na extinção da Lei de Imprensa quanto com o expurgo da necessidade do diploma.

diploma de jornalismo não é mais obrigatório

O Supremo Tribunal Federal acaba de decidir que já não é mais obrigatório ter diploma de ensino superior para se obter o registro de jornalista. Caiu o diploma e a regulamentação profissional. Fiz cobertura pelo Twitter, mas amanhã – com a cuca mais fresca e o corpo mais refeito da gripe – escrevo algo aqui.

Agora, preciso dar minhas aulas… de Jornalismo.

diploma de jornalismo finalmente foi a julgamento

Depois de longa novela, o Supremo Tribunal Federal passou a avaliar o recurso extraordinário que contesta a obrigatoriedade de diploma de jornalismo. Como a gripe me derrubou, não escrevi nada aqui. Mas estou tuitando da cama… coisa de gente doente mesmo!

Sigam-me os bons!

ele me pegou

Olhe bem para este cara aí embaixo. É uma fotinho do vírus da gripe. Sim, ele se infiltrou na minha casa em pleno feriado, atacou meu filho, partiu pra cima da minha esposa, e agora me atropelou.

Sim, ele é o responsável por isso que sou hoje…

gripe-Virus-influenza

mídia-educação: 10 cartilhas de graça

Ontem, separei aqui cinco e-books organizados pelo Monitor de Mídia desde 2001. Mas existem outros materiais que podem servir para fins mais imediatos, como o conjunto de cartilhas Diálogos de Mídia e Educação, produzidos pelas professoras Laura Seligman e Valquíria John, ambas jornalistas e mestres em Educação, e pesquisadoras do Monitor.

Produzidas deliberadamente numa linguagem clara e fácil, as cartilhas têm o propósito de auxiliar docentes de diversos níveis a conduzir suas classes a uma leitura mais crítica e ampla dos meios de comunicação.

Confira!

Diálogos de Mídia e Educação nº 1 – Por que educar para a mídia?
10 páginas
Tamanho do arquivo: 1,6 Mega – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 2 – O jornal impresso
9 páginas
Tamanho do arquivo: 500 Kb – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 3 – A revista
12 páginas
Tamanho do arquivo: 600 Kb – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 4 – O rádio
10 páginas
Tamanho do arquivo: 448 Kb – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 5 – A televisão
12 páginas
Tamanho do arquivo: 208 Kb – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 6 – O cinema
11 páginas
Tamanho do arquivo: 456 Kb – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 7 – A fotografia
9 páginas
Tamanho do arquivo: 128 Kb – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 8 – A publicidade
10 páginas
Tamanho do arquivo: 752 Kb – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 9 – A internet
9 páginas
Tamanho do arquivo: 1,6 Mega – Baixe já!

Diálogos de Mídia e Educação nº 10 – Exercícios
11 páginas
Tamanho do arquivo: 1,1 Mega – Baixe já!

monitor de mídia: 5 livros de graça

O Monitor de Mídia está prestes a completar oito anos de observação dos meios de comunicação catarinenses. Está em produção a 150ª edição deste projeto que criei na Univali em 2001. Neste tempo todo, dezenas de alunos passaram por lá e trabalharam com um corpo dedicado de professores, gerando muito, mas muito conteúdo sobre a mídia catarinense. Praticamente, tudo o que se produziu está no site, mas pra facilitar, separei aqui cinco e-books organizados pela equipe.

Baixe! Leia! Compartilhe!

Diagnósticos da Imprensa: as 100 primeiras análises
411 páginas
Tamanho do arquivo: 1,6 Mega – Baixar já!

Ética e Mercado no jornalismo catarinense
152 páginas
Tamanho do arquivo: 4,46 Mega – Baixar já!

Jornalismo: a tela, a lousa e a quadra
128 páginas
Tamanho do arquivo: 2,2 Mega – Baixar já!

Jornalismo: Olhares de dentro e de fora
141 páginas
Tamanho do arquivo: 4,1 Mega – Baixar já!

Glossário de Termos Científicos
39 páginas
Tamanho do arquivo: 1,4 Mega – Baixar já!

uma entrevista com raquel recuero

raquel2Raquel Recuero é um dos principais nomes brasileiros na pesquisa sobre redes sociais. Recentemente, lançou o livro “Redes Sociais na Internet”, que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que se interessam pelo assunto. O livro pode ser encontrado nas livrarias e num site especialmente criado para o seu download. Na entrevista a seguir, Raquel fala um pouco mais sobre o tema. Confira…

Seu livro chega às bancas agora, justamente num momento em que as redes sociais são mais faladas do que nunca. Até mesmo os mais resistentes têm aderido a elas, como é o caso dos poderes centrais, dos governos. Esta semana, por exemplo, o Ministério do Trabalho e Emprego “entrou” no Twitter, e já está no Orkut desde o ano passado. De que maneira, os governos podem se valer das redes sociais? E como o cidadão pode se beneficiar com isso?
Penso que esses espaços na Internet contêm o potencial de ser extremamente democráticos, pois permitem um contato mais direto entre os governos e instituições e os cidadãos. Claro que isso depende do modo como o espaço é usado, mas de um modo geral, acho que essas redes podem prover espaços de debate e feedback para os cidadãos e espaços de informação e debate direto com a sociedade para os governos.

Você atua num programa de mestrado na área de Letras, um campo essencialmente ligado à Educação. Como as redes sociais podem contribuir para os avanços educacionais, em especial na realidade brasileira?
O espaços sociais que temos na rede auxiliam em um processo de comunicação mais amplo, tanto nos aspectos informativos (acesso à notícias, informações, serviços e etc.) quanto naqueles conversacionais (debates, discussões, etc.). Assim, também são espaço potenciais para a educação e o espírito crítico. Do meu ponto de vista, ainda fazemos um uso muito modesto das tecnologias na educação. Claro, é necessário um cuidado na exposição e na construção desses processos, mas poderíamos usar mais os sistemas que já existem em sala de aula. Se tu olhares para o Orkut, por exemplo, vais ver que ali há exemplos da cultura de toda a sociedade brasileira. Há pessoas em lugares menos favorecidos que estão lá, com seus perfis, suas comunidades, suas percepções culturais. Há uma quantidade expressiva de jovens e adolescentes que usam o sistema.  As pessoas vão construindo uma cultura ali, vão incorporando aqueles signos no seu dia a dia. No entanto, insistimos em ignorar essas práticas, focando sistemas “idealizados” para a educação e a chamada inclusão digital, que muitas vezes não refletem a experiência, os interesses e apropriações das pessoas. Penso que é preciso pensar a educação como espírito crítico e apropriação *a partir* dessas práticas.

No início deste ano, você lançou junto com Adriana Amaral e Sandra Montardo o livro “Blogs.com”, em formato de e-book e rapidamente absorvido pelos leitores brasileiros como uma importante sistematização da produção científica nacional sobre o tema. “Redes Sociais na internet” é seu primeiro livro autoral, embora você seja uma pesquisadora bastante produtiva. Ele não é propriamente a adaptação de sua tese de doutorado, não é mesmo? E por que você resistiu em lançar a tese antes?
É em parte uma adaptação da minha tese, em parte uma aplicação dela. O fato de não ter sido lançado antes foi menos por escolha e mais pelo tempo para adaptar aquilo que eu tinha escrito e as minhas pesquisas posteriores. A tese, em si, é meio “pesada”, tem muitos dados, muitas coisas que não entraram no livro para deixá-lo mais acessível. Claro que todo esse processo exigiu uma adaptação maior e um tempo maior para conseguir terminá-lo. 🙂

Pode-se notar que o Brasil vem criando um núcleo bem consistente de pesquisadores sobre cibercultura. Os esforços podem ser sentidos em diversos pólos regionais, como a Bahia e o Rio Grande do Sul. Que avaliação você faz desse cenário em construção? E como situa a produção científica brasileira nessa área?
Eu acho que é muito importante que a gente entenda como a sociedade brasileira vem apropriando o ciberespaço e vem criando novas práticas de identidade, participação e discussão. Essas práticas vão impactar a nossa sociedade offline cada vez mais fortemente. Por conta disso, acho extremamente saudável que novos grupos comecem a discutir essas questões, a pensá-las e a focar sua produção nessa compreensão. Quanto mais soubermos sobre esses impactos, melhor proveito poderemos tirar deles para a própria sociedade e melhor conseguiremos minimizar seus aspectos negativos. Espero assim que, no futuro, tenhamos mais grupos pesquisando essas questões em mais universidades e regiões do Brasil. 🙂

obamanofacebookPessoalmente, tenho a impressão de que os pesquisadores que estudam tecnologia e interfaces tecnológicas têm desafios sobressalentes no seu trabalho. Não apenas pela complexidade de seus objetos, mas pela fugacidade e volatilidade de temas e preocupações. Parece que esses cientistas estão sempre tentando trocar o pneu de um carro em movimento. Isso é só uma impressão minha? Ou ampliando: que outros desafios se apresentam para quem pesquisa tecnologia?
Hahahahaha Acho que é uma ótima analogia, mas penso que é o desafio de todo o cientista social. A sociedade é mutante, está sempre re-significando os processos culturais. É preciso ter claro que quase sempre temos, como resultado, um “retrato”de um determinado grupo em um determinado momento. Mas uma seqüência de imagens estáticas também pode ajudar a entender melhor a dinâmica, o movimento desses grupos. Por isso acho muito importante a continuidade dos estudos, sua comparação com outros trabalhos e sobretudo, o debate. São grandes desafios, precisamos de mais incentivo e mais pesquisadores para poder dar conta deles, especialmente em um país continental como o Brasil.

Já há uma agenda de lançamentos de “Redes Sociais na Internet”? E mais: após esse livro, quais são seus próximos estudos e projetos?
Estou trabalhando em um projeto com mais duas pesquisadoras, a Adriana Amaral e a Suely Fragoso em um livro focado em métodos de pesquisa para dados do ciberespaço. E estou também trabalhando em um projeto de estudo da conversação mediada pelo computador, tentando entender como a língua é utilizada e mudada no ciberespaço e como isso reflete os aspectos sociais da apropriação. Acho que são esses os atuais. 🙂

porque estamos num feriado prolongado…

… deixo tocar John Legend em três momentos:

diploma de jornalismo: agora vai?

Sim, sim, senhoras e senhores. Conforme havíamos previsto, a novela não chegou ao seu último capítulo ontem. A sessão foi curta para tão palpitantes assuntos. O Supremo Tribunal Federal deve avaliar a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo na próxima sessão, marcada para o dia 17 de junho, conforme informa a Fenaj.

No site do STF, o processo é o quinto da pauta naquela tarde. Apesar disso, não arrisco prognóstico. Tantos adiamentos são comuns em processos polêmicos e com pautas carregadas, como as que vimos ultimamente. Se a questão for analisada, acho que pode não ter sua conclusão ainda na sessão do dia 17, estendendo-se para a do dia seguinte. Vamos esperar pra ver.

diploma de jornalismo: previsão de adiamento

O julgamento da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo está previsto para a sessão de hoje no Supremo Tribunal Federal. Mas conforme já adiantei aqui, ele pode não acontecer. Houve mesmo a inclusão da discussão sobre o caso Goldman e a decisão sobre o diploma é o terceiro ponto de pauta. Quem abre a sessão desta quarta é o ministro Joaquim Barbosa, relator de outro processo polêmico, o do Mensalão.

Então, com dois assuntos cabeludos no início da tarde e com a iminência do feriado de Corpus Christi, acho que o ministros do Supremo devem mais uma vez adiar a decisão sobre a polêmica do diploma…

[Espero estar errado quanto a isso. A sessão poderá ser acompanhada pela TV Justiça (canal 53-UHF, em Brasí­lia; SKY, canal 117) e pela Rádio Justiça (104.7 FM, em Brasília). Começa às 14 horas.]

o blog da petrobras e os interesses desacomodados

Há milhões de anos, quando o maior dinossauro chegava à beira do lago para beber água, causava tremores, derrubava árvores, fazia fugir animais menores e trazia muita confusão para o local. Pelo menos por um curto período, ele mudava o panorama da região. Não era novidade nenhuma matar a sede por ali, mas a chegada do gigante causava desconforto geral.

Passado tanto tempo depois disso, a história se repete, e na blogosfera brasileira.

Desde o dia 2 de junho está na rede o Fatos e Dados, blog oficial da Petrobras. Isso equivale dizer que a maior empresa do país aderiu a alguns dos caminhos da web 2.0, aquela da participação, da colaboração, do compartilhamento de arquivos, de busca de maior transparência. Até aí, parece que não há nada demais, né?

Pois a Petrobras chega à blogosfera mais de uma década depois do surgimento dos blogs, e chega vestindo a indumentária do momento. Seu blog está hospedado no WordPress, gratuito, e não num sistema próprio de publicação. Seu visual aproveita um dos templates disponíveis, e não há nenhum acessório ou traquitana inovadora do ponto de vista tecnológico. Não importa. Um dinossauro é sempre um dinossauro, e embora esteja camuflado com texturas brandas, seu vigor e força são os de um gigante. O que significa dizer que o que importa no Fatos e Dados são o espírito e a motivação. O espírito é a quantidade de informações e notícias que uma empresa como a Petrobras gera a cada dia, e que interessa a milhões de pessoas. A motivação pode ser traduzida por uma “linha editorial” que se pretende ser mais transparente e aberta, divulgando dados e fatos, até mesmo antes da mídia tradicional.

E aí, o dinossauro começa a incomodar a fauna já estabelecida.

Vazamento ou transparência?

O fato é que o blog da Petrobras já criou gritaria entre alguns jornais e entidades ao divulgar não só comunicados oficiais, mas também perguntas e pedidos de informação de jornalistas. Com isso, provoca uma situação nova nas relações entre fontes e jornalistas no país, já que pode prejudicar investigações sigilosas, alertar concorrentes sobre matérias em andamento ou mesmo evidenciar que os veículos de comunicação distorcem ou corrompem algumas informações ao divulgá-las.

Folha de S.Paulo e O Globo se queixaram do que acusam ser um vazamento premeditado de informações, de forma a virar o jogo sobre a mídia. Carlos Castilho lembra que isso já se dá nos Estados Unidos, por exemplo, onde algumas fontes de informação têm seus próprios canais de difusão de dados. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lançou nota, condenando a postura da Petrobras: “Ao agir dessa forma, a Petrobras inibe os meios de comunicação e os jornalistas que precisam verificar com a empresa informações de eventuais reportagens que serão veiculadas”. A Abraji pede uma revisão de política por parte da Petrobras.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) também lançou documento oficial, criticando a “canhestra tentativa de intimidação” da estatal.

A Petrobras respondeu às críticas, lançando mão de conceitos e práticas do próprio jornalismo:

A noção de confidencialidade e sigilo, como a própria nota da ANJ registra, é um princípio que norteia a relação dos jornalistas com suas fontes (pessoas ou empresas, consultorias). O objetivo principal é preservar aqueles que passam informações aos jornalistas e que, por qualquer motivo, precisam ou querem se manter no anonimato. Mas não há compromisso semelhante de confidencialidade e sigilo da fonte para o jornalista, pois isso limitaria o próprio caráter público e aberto da informação.

Passos de gigante

Parte da blogosfera nacional convulsiona nos últimos dias com a novidade. Avelar fala do “desespero da mídia”, Túlio Viana ironiza dizendo que O Globo quer ter o monopólio das perguntas e das respostas. Azenha lista dez razões que explicariam porque jornais atacam o blog da Petrobras. Sergio Leo responde a Azenha e dá bons argumentos contra a ação do Fatos e Dados. Comentários abundam nesses e noutros blogs, e o estrago já é uma realidade.

A chegada da Petrobras à blogosfera é um movimento que transcende a opção de uma grande empresa por canais gratuitos e mais ágeis de informação. Trata-se de uma briga ruidosa e de contornos brutais. A Petrobras tem lucro superior a PIB de muitos países, é uma grande anunciante, uma expressiva financiadora de projetos. Seus interesses nem sempre coincidem com os do país ou com os de largos setores da sociedade. Afinal, é uma empresa colossal, de escala mundial e agressiva nos segmentos que opera. Grandes jornais como a Folha e O Globo – a exemplo de outros veículos – não querem ficar nas garras desse dinossauro. Mas o gigante já está à beira do lago, sua presença esbarra nos interesses comerciais da mídia, seu hálito incomoda.

O blog da Petrobras pode constranger, intimidar, acuar pequenos e grandes meios, jornalistas experientes e novatos. O blog da Petrobras não tem que se submeter aos preceitos da ética jornalística, já que seus produtores são assessores de comunicação, cujas condutas devem se orientar pelos interesses da empresa. Sei que essa discussão de uma ética distinta para os assessores causa arrepios em muita gente, e quero tratar disso numa outra ocasião. Mas o fato é que o blog da Petrobras expõe nervos infeccionados da relação mídia-fontes de informação.

Não estou convencido de que o blog da Petrobras seja um mal para o jornalismo. É mais um canal de informação, que pode ser confiável ou não, e que pode contornar a mídia para chegar ao público. Ao prescindir dos meios tradicionais, o blog contraria interesses de quem ainda quer manter uma comunicação de mão única, o monopólio das formas de informação. O blog da Petrobras não é um mal para o jornalismo, mas pode ser para alguns jornalistas. As coisas estão mudando muito rápido nos últimos tempos, e essa é mais um desafio para os jornalistas. O jornalismo mantém o seu compromisso de buscar a informação custe o que custar, colidindo com interesse da petrolífera ou não. Os jornalistas que não quiserem ficar sob a sombra do dinossauro precisarão ser ágeis, versáteis, inteligentes. Nem todos os dias pertecem ao predador…

tolerância zero com telemarketing

Poucas coisas me irritam tanto quanto receber ligações de telemarketing. Elas acontecem sempre quando você menos tem tempo a perder. Porque é isso mesmo: telemarketing é SEMPRE perda de tempo. Não conheço ninguém que tenha feito um bom negócio a partir de uma ligação dessas, ou que tenha se dado bem com isso.

Por essas e outras, nesses anos todos, reuni um bom número de desculpas, xingamentos e patadas a serem desferidas contra quem mais incomoda. Algumas – I must confess… – eu protagonizei; outras, ainda não. Mas quem sabe o leitor pode usar essas dicas de como (des)tratar os teleatendentes.

Sirva-se de fel…

***

– Senhor Rogério, bom dia. Sou da Claro, e tenho uma ótima oportunidade para o senhor e…

– Peralá, mocinha! Quem te deu meu nome e meu número?

– Senhor Rogério, está na lista.

– Não está não, senhora. Onde a senhora conseguiu meu número e nome? Sabia que é ilegal comercializar dados das pessoas?

– Mas, senhor Rogério, eu tenho uma ótima oportunidade da Claro para o senhor, e…

– Não. A melhor oportunidade é mesmo não me ligar mais, ok? Obrigado.

***

– Bom dia, senhor Rogério. Eu sou da Ranglewraehgsf & Co. – inaudível -, e para sua comodidade, esta ligação está sendo gravada, e…

– Peralá, mocinha! De onde você fala?

– De São Paulo, senhor Rogério!

– Eu perguntei o nome da sua empresa.

– Ah, senhor Rogério. Aqui é da Ranglewraehgsf & Co.- novamente, inaudível -, e para sua comodidade, esta ligação está sendo gravada, e…

– Peraí, moça! Quem te disse que eu quero que grave essa ligação? Nem sei com quem estou falando…

– Senhor Rogério, eu sou a jhfskffdhdf – ininteligível – da Ranglewraehgsf & Co., e …

Tum! Desliguei.

***

– Boa noite, senhor Rogério. Sou da BRTurbo e tenho uma oportunidade imperdível para o senhor.

– Sei, mas como sabe o meu nome?

– Senhor Rogério, o senhor já foi nosso cliente e por isso temos o seu nome. E porque foi nosso cliente, temos uma oportunidade imperdível para o senhor.

– É verdade. Já fui cliente. Pode puxar aí no seu cadastro qual foi o motivo pelo qual deixei de ser seu cliente?

– Claro, senhor Rogério. Aguarde um minuto, pois sua ligação é muito importante para nós.

– Mas não fui eu que liguei, moça…

(Três minutos depois)

– Senhor Rogério…

– Oi…

– Senhor Rogério, temos em nossos registros que o senhor deixou de ser nosso cliente às 14h35 do dia 28 de março de 2003, e segundo consta o senhor estava insatisfeito com o tratamento dispensado pela empresa, e…

– Pois é, continuo com a mesma opinião.

Tum! Desliguei.

***

– Boa tarde, senhor Ronaldo! Sou Cleivison, da Brasil Telecom, e hoje é seu dia de sorte, senhor Ronaldo…

Tum! Desliguei.

***

– Boa tarde, senhor Rogério. Meu nome é Ana Maria, da Telefônica. Tenho uma importante oportunidade para o senhor, senhor Rogério.

– Sei…

– Hoje, pelos nossos registros, o senhor tem um celular pela TIM e o seu telefone fixo é pela Brasil Telecom, certo, senhor Ricardo?

– Como sabe disso, Ana Claudia?

– Meu nome não é Ana Claudia, senhor Ricardo. É Ana Maria.

– E o meu não é Ricardo, moça! Como sabe desses meus dados?

– Nossos registros, senhor. Temos tudo registrado aqui.

– Ah, ótimo! Então, registre mais uma coisinha: não me liga mais, tá?

Tum! Desliguei.

***

– Olá, bom dia! Por favor, eu gostaria de falar com o senhor Rogério Cosoletti…

– Quem?

– Senhor Rogério Cosoletti!

(Quase engasguei com a gargalhada, mas prendi a respiração)

– É ele.

– Senhor Rogério, sou da TSW-7, representante de vendas, e o senhor teria um minutinho para conhecer a minha proposta?

– Na verdade, estou de saída e…

– Pois, então, senhor Rogério, o senhor tem a possibilidade de pagar muito menos pelo seu telefone fixo. Hoje em dia, existem diversas oportunidades e tecnologias no mercado que podem baratear suas ligações nacionais e internacionais, e ainda o senhor pode economizar para viagens e presentes para sua família, correndo inclusive o risco de ganhar prêmios, e…

– Sei, moça, mas eu…

– … e concorrer ainda a prêmios pela loteria federal, tornando-se um milionário em pouquíssimo tempo. O senhor está interessado em ouvir a nossa proposta?

– Na verdade, nã…

– Pois, senhor Rogério Cosoletti, o senhor tem parentes em outras cidades?

– Si-sim.

– Telefona a eles com frequência?

– Na-não.

– Mas como, senhor Cosoletti. Família é muito importante. O senhor – certamente – não liga para seus parentes por questão de custo, mas seus problemas estão próximos de terminar com a TSW-7. Basta apenas aderir ao nosso plano HighFidelity e…

– Mas, moça, eu…

– Senhor, o senhor não acha importante se comunicar? Falar com seus parentes como bem quiser?

– Olha, eu…

– Pois senhor Cosoletti, vamos aderir ao plano HighFidelity e com isso, as suas ligações sairão quase de graça. Quanto o senhor paga por mês na conta telefônica?

– Olha, eu não vou dizer isso. Nem te conheço.

– Mas o senhor paga mais de cem reais ou menos?

– Moça, eu…

– Qual a faixa salarial do senhor?

– Moça, eu não vou di…

– O senhor tem casa própria ou alugada?

– Moça, eu…

– O senhor é assalariado ou autônomo?

– Moça…

– Senhor Cosoletti, eu…

– MOÇAAAAA!!! Qual a cor da sua calcinha?

– Ma-mas, senhor. O que é isso? Que coisa mais indiscreta!

– Indiscreto é ligar aqui pra casa, me encher o saco com nenhuma proposta, me perguntar quanto eu ganho e ainda errar o meu nome.

Tum! Desliguei.

***

– Boa noite. Meu nome é Luís Claudio e sou da Vesper. O senhor Rogério, por favor.

– Um minuto, por favor. Não desligue, pois a sua ligação é muito importante para o senhor Rogério.

Deixo o telefone na mesa, vou tomar banho, fazer a barba, assistir a um filme…

monitor de mídia publica edição 149

Já está na rede o 149º número do MONITOR DE MÍDIA. Veja o sumário:

REPORTAGEM
Um trabalho especial
Nossa equipe apurou como funciona o processo de inserção de deficientes no mercado de trabalho em Itajaí e Balneário Camboriú.

REPORTAGEM
Um show às avessas
Yana Lima e Gabriela Forlin cobriram os bastidores do show de Roberto Carlos em Florianópolis.

DIAGNÓSTICO
O que há de popular nos semanários que carregam esse título
O Monitor de Mídia investigou se os novos semanários de Itajaí e Camboriú são mesmo populares.

ENTREVISTA
Adriana Amaral explica como os pais devem acompanhar a educação dos seus filhos na web

EDITORIAL
Trabalho, muito trabalho e reconhecimento
O Monitor de Mídia está prestes a completar oito anos. Fique por dentro de quais foram as nossas últimas realizações.

vôo 447: as certezas de jobim

Frank Maia arrebenta!!

jobim

julgamento do diploma é remarcado, mas pode não acontecer

Foi incluída na pauta do Supremo Tribunal Federal a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. De acordo com o STF, o julgamento da polêmica está marcado para a sessão de 10 de junho, mas existem fortes chances de ele não acontecer na data marcada. Dois fatores podem provocar isso.

Primeiro. A pauta da tarde de 10 de junho começa com a discussão da Ação Penal 470, que tem como réus José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno, Luiz Gushiken, entre outros. Sim, é o processo do Mensalão. O relator é o ministro Joaquim Barbosa.

Uma segunda razão que pode postergar ainda mais a decisão sobre o diploma do jornalismo – e temida pela Fenaj – é a discussão sobre o caso Goldman, o do menino cuja guarda está sendo reivindicada pelo pai norte-americano. Segundo a assessoria do STF, o

o ministro Marco Aurélio concedeu liminar para impedir que o garoto brasileiro S.R. G. fosse entregue nessa quarta-feira ao consulado dos Estados Unidos aos cuidados de seu pai biológico David Goldman. A decisão de Marco Aurélio se deu na análise de liminar na ADPF 172 ajuizada pelo Partido Progressista (PP). Agora, ela precisa ser referendada pelos demais ministros, no Plenário.

Pela urgência do caso Goldman, sua análise deve ser prioritária e alterar a pauta do dia 10. O julgamento do diploma – segundo ponto da pauta – deve mais uma vez ser adiado…

mais um seminário sobre qualidade no jornalismo

O amigo Josenildo Luiz Guerra, da Universidade Federal de Sergipe, informa:

Renoi e UNESCO promovem seminário sobre Qualidade

A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa e a UNESCO realizam nos dias 8 e 9 de junho, em Aracaju, o I Qualicom – Seminário Qualidade em Comunicação. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Renoi e a UNESCO para o desenvolvimento da pesquisa “Indicadores de Qualidade Jornalística”. A organização local do evento cabe ao Laboratório de Estudos em Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe, grupo de pesquisa vinculado à Renoi.

O seminário vai apresentar propostas e estudos sobre a avaliação de qualidade de produtos jornalísticos e também de audiovisuais. Além disso, vai por em discussão documentos como o Media Development Indicators, da UNESCO, sobre os indicadores de qualidade da comunicação, em especial, do jornalismo.  Segundo o prof. Josenildo Guerra, coordenador do I Qualicom, “o tema ainda é muito pouco estudado e aplicado, com rigor e método, seja na avaliação dos produtos seja na gestão dos processos de produção em jornalismo. Daí a importância do seminário”.

O Qualicom terá como expositores, entre outros convidados, o coordenador de Comunicação e Informação da Representação da UNESCO no Brasil, Guilherme Canela, e dois pesquisadores da Universidad Autónoma de Barcelona, Angel Bravo e Catalina Norminanda Montoya, que pesquisam o tema da qualidade no audiovisual.

O primeiro seminário sobre o tema da qualidade foi realizado no dia 13 de maio, sob a coordenação do professor Rogério Christofoletti, do Monitor Mídia, na Univali, em Itajaí – SC. Outros dois seminários serão realizados em São Paulo, na Universidade do Sagrado Coração, em Bauru, e na Universidade Federal de São Carlos nos dias 18 e 25 de junho, respectivamente, coordenados por Danilo Rothberg (Renoi-UNESCO)

compós 2009: self service

Se você – como eu – não foi a Belo Horizonte para a 18ª Compós e quer ter acesso aos trabalhos apresentados, seus problemas acabaram!

É que estão disponíveis TODOS OS TEXTOS de 2009 gratuitamente. Aliás, os textos desde 2000.

Sirva-se!

vem aí o scgames

sc_games

De 5 a 7 de junho, no Centrosul, em Florianópolis, acontece o 1º Simpósio Santa Catarina Games, o SCGames.

Mais informações, aqui.

sobre livros e sobre amigos

livro_raquelGosto de livros. Adorar torrar dinheiro com livros. Eles são caixinhas máginas, passaportes para tempos e lugares. Nos ensinam, nos divertem, nos ajudam a entender a vida e a nós mesmos. Tenho – como já disse Caetano – um “amor táctil” pelos livros. É bom de pegar, de ouvir as páginas farfalhando quando se folheia. Alguns têm um cheiro de coisa nova, capas lindíssimas, volumes preciosos.

Mais do que comprar livros, adoro ganhar.

Nas últimas semanas, de repente, ganhei quatro. E todos de amigos, o que só torna a ocasião mais especial ainda.

Pedro de Souza me deu um exemplar do recentíssimo “O trajeto da voz na ordem do discurso”, que publicou pela RG Editora. O livro reúne textos resultantes da passagem de Pedro pelos arquivos de Michel Foucault, na França, ano passado. A pesquisa se debruça sobre a voz do pensador francês em registros de áudio de entrevistas, aulas e conferências, e o interesse de Pedro é identificar elementos que apontem para a elaboração de um pensamento no ato da proferição, no momento da irrupção da voz. Se o tema do discurso é um tanto diáfano, a articulação entre discurso, pensamento e voz constrói pontes da espessura de bolhas de sabão…

franz_adelmoMarcia Franz Amaral – por meio de uma aluna – me presentou com “A contribuição de Adelmo Genro Filho”, livro que organizou e que faz uma revisão da obra do professor e jornalista que primeiro pensou numa teoria do jornalismo no país. Entre os autores do livro estão Elias Machado e Tattiana Teixeira. A obra foi lançada em 2007, quando foram celebrados vinte anos da edição de “Segredo da Pirâmide: para uma teoria marxista do jornalismo”.

Raquel Recuero me manda o seu fresquíssimo “Redes sociais na internet”, livro que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que pesquisam o assunto no país. Em breve, Raquel falará neste blog sobre seu livro e sobre a pesquisa brasileira em cibercultura. Aliás, o livro físico deve contar com suporte de um site próprio logo-logo, inclusive com a possibilidade de algum download. Livros rimam com generosidade.

charles essPor falar nisso, recebi hoje pelo correio outro título que já pulou a fila das leituras: “Digital Media Ethics”, de Charles Ess. Quem me mandou foi o Fernando Firmino, a quem sequer conheço pessoalmente, mas a quem respeito e sigo nas pesquisas que ele realiza. Foi assim: alguém mencionou no Twitter que haveria uma discussão sobre o livro, e – atrevido – sugeri que postassem algo sobre isso. Fernando me escreveu em seguida, oferecendo cópia sobressalente do livro. Fiquei surpreso, positivamente surpreso. Afinal, a gente nem sempre espera ataques de generosidade e demonstrações desinteressadas de amizade.

Pois a rede é mesmo misteriosa. Aproxima as pessoas, reencontra, fortalece laços. Estimula a leitura, o diálogo, o dissenso. Reedita a possibilidade de ler o mundo e a vida. Alguém já disse que um bom livro é o melhor amigo. Não. Livros são boas companhias, sim, mas amigos são insuperáveis…

uma falsa questão para a comissão das diretrizes curriculares em jornalismo

pingos_nos_isApós uma oportuna jornada de audiências públicas envolvendo diversos setores interessados da sociedade, a comissão de especialistas que trabalha na reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo trabalha para finalizar um documento-síntese sobre o tema. O texto deve ser encaminhado ao Ministério da Educação em meados de agosto, para avaliação e tramitação no Conselho Nacional de Educação. Entre a versão da comissão e o texto final das novas diretrizes, muita coisa pode acontecer. Há quem ainda peça mais tempo para discussão e reflexão sobre o tema – é o caso da Fenaj -, mas sabemos todos que mudanças nos cursos de Jornalismo são ansiadas e até mesmo urgentes.

A comissão trabalha nas sugestões feitas, e talvez não seja mais possível agregar novas contribuições. Por isso, apenas sinalizo aqui um temor pessoal nas últimas rodadas de discussão que li em sites e blogs. Receio que ganhe cada vez mais relevo um aspecto que, na minha forma de ler, é uma falsa questão para a comissão de especialistas.

Nas últimas semanas, muito decorrente da terceira audiência pública promovida pela comissão, diversos atores sociais manifestaram suas preocupações com uma formação mais humanística nos cursos de Jornalismo. Mais que isso, frisaram da necessidade de se construir currículos com fortes doses de disciplinas desse naipe, de maneira a garantir formação mais amplas e sólidas aos novos jornalistas.

Penso que essa é uma falsa polêmica, uma falsa questão para o tema.


Desvio de função

Estive em São Paulo na terceira audiência e percebi uma clara tendência de sugestões em torno de conteúdos a serem incluídos nos currículos dos cursos de Jornalismo. Diversos colegas que usaram o microfone se restringiram a defender certas unidades de ensino e disciplinas em detrimento de outras, e muitas dessas sugestões são realmente muito bem vindas. No entanto, não era o caso de fazê-las ali. E por uma questão simples: a comissão que trabalha nas diretrizes NÃO VAI DITAR NOVOS CURRÍCULOS para os cursos. A comissão vai elaborar um texto que sinalize orientações mais gerais de formação. Daí que o documento das atuais diretrizes curriculares sinalize perfis desejáveis para os egressos dos cursos e competências e habilidades a serem perseguidas e desenvolvidas.

A LDB prevê as diretrizes, e essas diretrizes apontam os focos de formação esperados. Cabe aos gestores – coordenadores e coordenadores pedagógicos – estruturarem seus currículos de forma a satisfazer tais diretrizes. Por isso que as sugestões de conteúdo – embora ricas e interessantes – feitas na terceira audiência pouco importam à comissão. Se os especialistas se detiverem a listar conteúdos para rechearem currículos, estaremos retornando à lógica dos currículos mínimos dos anos 1980 e incorrendo num tremendo desvio de função da comissão.

Sei que esse risco é pouco provável. Na terça, 26 de maio, o presidente da comissão, José Marques de Melo, disse no programa televisivo do Observatório da Imprensa que não cabia àquele colegiado ditar novos currículos para os cursos. Mesmo sabendo que a comissão está consciente desse papel, é importante tornar muito claro o alcance de um documento como o das diretrizes curriculares.


Mais humanidades. Mais?

O coro ouvido nas últimas semanas clamou para que os cursos de Jornalismo contemplem uma formação mais humanística. Acho importante e oportuna a sugestão. Entretanto, ela precisa ser colocada em perspectiva para que se possa avaliar a sua real pertinência. Proponho ao leitor que pense em cinco escolas de Jornalismo no Brasil. Peço então que entre em seus sites e que acesse suas matrizes curriculares, seus ementários ou – quem sabe? – seus projetos pedagógicos. Notem a proporção de disciplinas específicas para a formação jornalística e as que poderiam ser classificadas como disciplinas mais amplas, de sustentação e formação humanística.

Posso afirmar que quaisquer que sejam as escolas listadas pelo leitor, em todas elas veremos disciplinas como Sociologia, Antropologia, História, Filosofia, Psicologia, entre outras. Veremos a clara preocupação de oferecer saberes de base para que os futuros jornalistas estejam preparados para analisar cenários e compreender realidades. Veremos também algumas tentativas de conexão entre essas unidades de conhecimento com a prática jornalística. Pois bem. Não é demais dizer que as humanidades fazem parte da formação oferecida nos cursos de Jornalismo, e eu estenderia isso a todo o Brasil. Venho desenvolvendo uma pesquisa sobre ensino de deontologia jornalística entre os cem cursos mais tradicionais do país. Isso tem me obrigado a analisar matrizes curriculares e ementas, e o que venho encontrando – entre outras coisas – é esta presença bem evidente de disciplinas de humanidades.

Com isso, pergunto: se os cursos já oferecem doses elementares de humanidades, precisamos valorizar ainda mais esse tipo de formação? Essa formação ampla é mais importante que a específica, voltada ao exercício profissional? Existe fórmula para equilibrar esses termos da equação?

Ana Arruda Calado, no mesmo programa do Observatório da Imprensa, foi pontual na questão: o problema não está na quantidade desses conhecimentos, mas na integração das formações humanística e específica. Isto é, precisamos trabalhar melhor nossas matrizes curriculares, nossas ementas, nossos planos de ensino, de forma a fazer com que as humanidades não sejam mais adereços nas situações de sala de aula, mas se amalgamem com as práticas da profissionalidade. Neste sentido, estendo o mesmo raciocínio para a falsa dicotomia teoria-prática, que também carece de mais atenção por professores e supervisores pedagógicos.

Cinismo e injustiça

Pareceu-me que o argumento dos defensores de mais humanidades nos cursos de Jornalismo está baseado na generalização de que os novos jornalistas chegam às redações totalmente despreparados. Isso é possível sim. É plausível que os egressos que não tiveram experiências profissionais anteriores ou simulações pedagógicas dos desafios das profissões desaguem nas redações como quem não sabe a que veio. Mas isso não é “privilégio” dos cursos de Jornalismo. Em outras áreas, existem claras oportunidades de ensaio, de exercício, de estágio supervisionado. Jovens formados em Medicina precisam passar por tempo de residência; concluintes dos cursos de Direito estagiam em escritórios do ramo, bem como egressos da Engenharia não saem por aí assinando projetos…

Dos jovens jornalistas espera-se que saiam completos, maduros e competentemente formados para o trabalho. Esquecem-se que a lei que regulamenta a profissão impede o estágio na área, e que muitas escolas de Jornalismo não detêm bons laboratórios para atividades práticas que poderiam servir de ensaios profissionais. Mesmo assim, exige-se que os jovens jornalistas saiam plenamente aptos à lida cotidiana.

Não se trata de passar a mão sobre a cabeça dos egressos. Não. Defendo que os cursos de Jornalismo contribuam de maneira decisiva para a transformação de amadores em profissionais capacitados para a atividade. Defendo também que sejam cursos de qualidade, com alta exigência pela excelência técnica, com grande potencial para formar jornalistas críticos e conscientes, responsáveis e éticos. No entanto, é  – no mínimo – cinismo esperar que os egressos desses cursos saiam plenamente preparados para um mercado em transformação se tanto a formação acadêmica quanto seu entorno são incapazes de assegurar condições plenas de capacitação. Isso sem contar na idéia equivocada de formação restrita aos quatro anos de curso. Profissionais – e jornalistas não estão fora disso – devem estar em constante formação, reciclagem e aprimoramento…

Foco na formação

Mesmo que o argumento seja generalizador, cínico e injusto, ele nos ajuda a ajustar o foco da formação que se deve perseguir nos cursos de Jornalismo. Os jovens jornalistas chegam crus nas redações? As razões são muitas, mas os erros e deslizes que colhemos todos os dias não estão circunscritos apenas nos focas. Gente muito experiente tem derrapado por aí. E não por conta de formações humanísticas deficientes, mas sim por problemas de formação específica em jornalismo.

Jovens repórteres têm saído para suas matérias sem saber como e onde buscar informações. Muitas vezes, não sabem formular perguntas ou conduzir entrevistas. Jovens pauteiros elaboram pautas inconsistentes ou que pouco orientam repórteres. Editores, nem sempre jovens, penam em como articular os conteúdos e materiais que têm à disposição e que devem oferecer ao público.

Isto é, os egressos dos cursos de Jornalismo precisam ter acesso a disciplinas e conteúdos que lhe permitam ler cenários, compreender realidades, analisar circunstâncias. Estudantes de Jornalismo precisam ter aulas de Sociologia, mas não sairão sociólogos formados. Sairão jornalistas que precisam saber buscar informações, apurar, relatar com precisão e correção. Sairão jornalistas que devem inquirir sociólogos, antropólogos ou outras fontes de informação com rigor, atenção e foco.

Por isso, insisto, a defesa de conteúdos mais humanísticos nos cursos de Jornalismo é uma falsa questão. Não é o que a comissão busca. Os cursos já têm disciplinas dessa natureza, e nossos problemas de formação têm sido mais graves na capacidade dos jovens profissionais atuarem bem na especificidade da profissão.

Britto, por que no te calas?

Britto Jr acha que apresentar reality show é fazer jornalismo.

Pelo jeito, ele também se acha um Pedro Bial.

Ah, coitado!

monitor tem reportagem multimídia premiada

O 10º Intercom Sul terminou ontem em Blumenau com o anúncio dos vencedores nas diversas categorias do Expocom, um verdadeiro festival competitivo de produtos de comunicação produzidos por alunos de graduação. Fiquei particularmente feliz e orgulhoso com a vitória da reportagem multimídia “Qual o futuro da praia brava?”, produzida por meus alunos e publicada inicialmente no Monitor de Mídia.

O material é experimental, investigativo, equilibrado jornalisticamente, e muito interessante do ponto de vista da narrativa multimídia. Ficou curioso? Veja a reportagem aqui.

Os autores são Stephani Loppnow, Gabriela Forlin, Marina Fiamoncini e Joel Minusculi. A mesma reportagem já havia ficado em segundo lugar no Prêmio Caixa-Unochapecó de Jornalismo Ambiental!!!