jornalismo online: princípios básicos (3)

Paul Bradshaw oferece a terceira parte de seus posts especiais sobre os princípios básicos do jornalismo online.

O primeiro foi Brevidade. Em seguida, veio o Adaptabilidade. Agora, o Scanabilidade.

Neste blog, já dei algo sobre isso aqui e aqui.

um golpe contra a lei de imprensa

O Supremo Tribunal Federal concedeu liminar contra artigos essenciais da Lei de Imprensa. Com a medida – provisória até que o STF julgue o mérito da ação -, ficam suspensas penas de prisão por calúnia, injúria e difamação que tiveram como base a Lei de Imprensa (5250/67). O Código Penal já trata da matéria.

O STF deu liminar com base em ação do PDT, que – capitaneado pelo deputado, jornalista e ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira – quer derrubar a lei como um todo. Segundo argumenta o PDT, a 5250 é inconstitucional.

(Para ler matéria do G1 sobre isso, clique aqui ou da Folha de S.Paulo, aqui)

(Para saber da medida, tim-tim por tim-tim, vá ao Consultor Jurídico)

(Quer ler a liminar? Leia aqui em pdf)

A lei é inconstitucional? É sim, em diversas partes, ainda mais quando trata da censura de espetáculos e diversões (um dos trechos atingidos pela liminar). A lei é de 1967, e é tida como um dos entulhos autoritários, aquela legislação que restou após a queda da ditadura militar em janeiro de 1985.

Diversos países não têm lei de imprensa, e em alguns – como nos Estados Unidos – é inclusive proibido legislar sobre a mídia, de forma a constrangê-la ou impedir o seu trabalho. Quem garante isso é a tal Primeira Emenda, que os americanos tanto arrotam nos filmes.

De qualquer forma, a liminar não é uma surpresa por três motivos:

1. Miro Teixeira e o PDT fizeram alarde no Congresso reunindo assinaturas para um pedido de revogação da 5250/67.

2. A lei é flagrantemente obsoleta, inconstitucional e inóqua, já que muitos juristas e cortes já nem mais a levavam a sério. Para processos do tipo, recorriam ao Código Penal, mais forte e sem contestação jurídica.

3. Nem a mídia, nem a sociedade defendiam mais a lei, o que abre largos flancos para a sua derrota.

Há décadas, tramitam no Congresso diversos substitutivos da 5250. O mais avançado – para se ter uma idéia é de 1992.

A liminar do STF vem num momento oportuníssimo de discussões acirradas na mídia brasileira. Dois embates de grandes proporções estão em campo: um que envolve a Igreja Universal do Reino de Deus e a Rede Record contra Folha de S.Paulo, Extra e A Tarde; e outro que mobiliza o jornalista Luís Nassif contra a poderosa Veja (aqui o estopim da história, um resumo do Código Aberto, e sua sequência, aqui).

O ano já começou, senhores!

jornalismo online: princípios básicos (2)

Paul Bradshaw dá continuidade a sua série de posts que refletem sobre as mudanças que o jornalismo online está promovendo não só no consumo, mas na cozinha da coisa, afetando também os jornalistas. São, como ele mesmo escreveu, princípios básicos.

Se o primeiro capítulo foi a Brevidade, este de agora trata da Adaptabilidade dos profissionais aos novos cenários.

O post é longo, mas serve como uma aula. Para ler, pensar, contestar ou concordar. Mas não deixar passar em branco.

especial sobre blogs

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e-cuaderno já deu a dica. Raquel Recuero – como novo visual no blog – fez eco. Eu repito: a revista Dialogos de la Comunicación, da Felafacs, lançou uma edição sobre blogs.

Vá ver.

jornalismo online: ensino e princípios básicos

Mindy McAdams concluiu hoje o seminário que iniciou dia 11 no Poynter. O tema é mais do que interessante para professores de jornalismo e mesmo aqueles que se interessam sobre evolução pedagógica em tempos de web 2.0: Multimedia Journalism for College Educators. Mindy disponibilizou o material que produziu para esta atividade, veja aqui.

Para saber mais desses seminários do Poynter, vá por aqui.

Do Reino Unido, Paul Bradshaw fez a primeira de uma série de cinco postagens sobre os princípios básicos do jornalismo online. O autor começa com B, de Brevidade. Acompanhe por aqui.

Fiz questão de juntar as duas iniciativas neste mesmo post por várias razões: são contemporâneas (da mesma semana), vêm de lugares distintos (EUA e Inglaterra), de gerações distintas de autores e são muito, mas muito estimulantes para se pensar ensino, tecnologias, valores e práticas.

madu dá a real

Madu articula duas informações dispersas na rede e tece um raciocínio claro, colocando os pingos nos is sobre a relação das novas e velhas mídias com o público, o desembarque dos blogueiros na praia das coberturas e o que temos adiante.

Madu junta estudo feito por uma universidade norte-americana (e comentado no Poynter) e a notícia-piada de que blogueiros estariam hostilizando jornalistas na Campus Party. De quebra, Madu lembra os incautos que acha que leram A Longa Cauda.

Vá conferir.

dieta informativa de jornalistas

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Uma pesquisa norte-americana mostra que – cada vez mais – os jornalistas de lá vêm se abastecendo de informações de blogs e sites para fazer o seu trabalho. A informação é de Ramón Salaverría, que adverte que a pesquisa tem fragilidades metodológicas, mas que vale a pena ser observada.

Um resumo ilustrado da pesquisa pode ser visto aqui. Em inglês e em PDF.

PS – Chama a atenção também a frequência do uso de press-releases como fontes das matérias dos colegas. Nada contra usar um texto de assessoria para fazer uma reportagem, mas depender disso – conforme mostram os números das respostas – é perigosíssimo!!!

de onde vem a objetividade?

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Francis Pisani, jornalista que mantém um blog sobre tecnologias no Le MondeTransnets, responde à questão no site de Philippe Gammaire, o UniversMedias:

– A objetividade foi inventada. E pelos americanos! E pra ganhar mercado!

Ok, a gente já sabia disso. Mas vale a pena ler na íntegra aqui.

micos jornalísticos

Existem centenas de trapalhadas jornalísticas espalhadas no YouTube, em blogs e sites especializados. Mas Ana Laux reúne em seu blog o que se pode chamar de tudo menos de jornalismo. Tentou-se até fazer jornalismo, mas o acaso rouba a cena e vigora a Lei de Murphy.

Se o seu dia não foi bom, acesse. Vai ficar mais leve…

Se foi bom, por que não terminar melhor ainda?

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a quinta no sábado

Já estamos na 5ª atualização da lista de pesquisadores de comunicação brasileiros que mantém blogs.

Cheque!

por falar em blogs e jornalistas…

No post anterior, dei a entrevista do Pedro Dória ao Digestivo Cultural, mas me lenbrei de uma outra que ele deu em 2005 – se não me engano – a uma publicação da Unisinos. Aliás, a publicação toda – a edição inteira – trata de blogs e sua relações com a formação de profissionais, com o desenvolvimento de pesquisas e ensino, etc… Dória chega a comentar que os cursos de comunicação precisam mudar e tal.

Para ver a publicação – IHU on-lineclique aqui. (Em formato PDF, baixe!)

assim falou pedro dória

Julio Daio Borges entrevista longamente um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas da internet e da blogosfera brasileira: Pedro Dória. A entrevista está no Digestivo Cultural. Em pauta, a web, o futuro das mídias, a formação dos jornalistas, a internet como negócio, blogs e seus leitores com comentários violentos e por aí vai.

Eu recomendo.

a lista dos pesquisadores blogueiros

A blogosfera é mesmo um organismo vivo e pulsante.
Reage com rapidez e potência.
Por isso, em 24 horas, já atualizei três vezes a lista.
Veja aqui.
E passe adiante.

 

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lista de pesquisadores-blogueiros (40ª atualização)

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Este post é um primeiro esforço ara juntar os principais blogs dos pesquisadores em comunicação no Brasil. A lista é provisória, em constante construção e aceita novos links. Sugestões de novos blogs são muito bem-vindas. Aliás, passar essa lista adiante também é uma boa iniciativa para replicar e ampliar a iniciativa.
Tomei dois critérios para inclusão de links: 1. Tem que ser pesquisador da área da Comunicação; 2. Tem que ser blog, independente se ele trata de Comunicação.
Esta lista, este post é um bumerangue.
Lanço na blogosfera e não sei quando nem como ele voltará…

jornalismo 2.0

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Juan Varela já anunciou o Periodismo 3.0, mas Mark Briggs trata de um Journalism 2.0.
Para saber mais de um e de outro, vá direto às fontes.
Aqui, você encontra o artigo de Varela (na revista Telos); e aqui, você baixa o livro (na versão PDF) de Briggs.

Tudo de graça. Graças aos autores.

frase do dia

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“O blog é o viagra do jornalista” – capturado por meu RSS do blog UniversMedias. O texto de Phillippe Gammaire destaca como na imprensa francesa e na suíça alguns blogs têm permitido uma revitalização do jornalismo.

luz no fim do túnel

Mark Glaser, do MediaShift, vê com esperança o futuro. Ele lista 10 razões para um futuro brilhante do jornalismo.

Se você tem preguiça de ir até lá, veja o lead aqui:

1. More access to more journalism worldwide.

2. Aggregation and personalization satisfies readers.

3. Digital delivery offers more ways to reach people.

4. There are more fact-checkers than ever in the history of journalism.

5. Collaborative investigations between pro and amateur journalists.

6. More voices are part of the news conversation.

7. Greater transparency and a more personal tone.

8. Growing advertising revenues online.

9. An online shift from print could improve our environmental impact.

10. Stories never end.

É uma forma de enxergar luz no final do túnel. E que não seja o trem…

ditando regras

António Granado, do PontoMedia, cita Michael Rosenberg e suas nove regras para o jornalismo. Se quiser na íntegra, clique aqui. Se tiver preguiça, leia abaixo. Se tiver com mais preguiça ainda e não quiser ler em inglês, mude de profissão. Ou vá dormir!

1. Afflict the comfortable and comfort the afflicted; then, after the afflicted become comfortable, afflict them again. This should provide an endless supply of news stories.

2. Be balanced. No matter what anybody says, find somebody to say the opposite. If a scientist claims to have a cure for cancer, find somebody who says cancer does not exist. If a man says “My name is Fred,” make sure you find somebody who says “No, your name is Diane.” Etc.

3. When deciding which tragedies deserve the most prominent coverage, use this simple math: 10,000 foreigners = one cute white American chick.

4. If the President of the United States is accused of violating the law on the same day that an African country erupts into civil war and an especially gloomy economic report is released, and you must decide which one is your lead story, ask yourself this: Did the local sports team just win a big game?

5. Internet, Schminternet. It will be gone in five years. People will always love reading a newspaper — and so will you, our intrepid reporter, once you accept our buyout offer.

6. When working at the New York Post, make sure your story includes all six W’s: Who, What, When, Where, Why and With What Kind of Lubricant.

7. When appearing on television, insinuate that all newspaper reporters are biased. When writing for a newspaper, imply that all television people are boobs with no credibility. When at the bar afterward, complain that nobody trusts journalists anymore.

8. Keep each of the following on speed dial: a wacko religious leader who believes that God loves all his children, except the ones who skip church once in awhile; a gun nut who put semiautomatic weapons on his baby registry; an anti-weapons nut who thinks there should be a 10-day waiting period before buying steak knives; a legendary, highly quotable politician who has not been sober past noon since 1991, and a self-designated leader of each of the following minority groups: African Americans, Asians, Latinos, American Indians, homosexuals, transsexuals, fat people, skinny people, people with absolutely no distinguishing physical attributes, and foot fetishists.

9. When threatening to kill other human beings, make sure they do not live in your coverage area. I knew I should have read to the end.

mais media on

Ainda do Terra, um dos realizadores do Media On, junto com o Itaú Cultural, com apoio da BBC Brasil, CNN.com e Abracom:

Internauta é colaborador, segundo diretora da BBC

 Mídia tradicional não deve temer força da internet

Veja mais no site do evento

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media on

O Portal Terra está cobrindo o Media On, que discute o futuro do jornalismo online. O evento termina hoje, mas você já pode acompanhar as coisas por aqui…

Seminário discute a formação do jornalista

Internet englobará todas as mídias

Media On discute relevância dos blogs

New York Times não teme internet (vídeo)

Fluxo das informações na internet

Vozes independentes na web (vídeo)

Hoje, a programação é esta:

Painel 5 – A construção do conteúdo e o jornalismo colaborativo

  • O impacto dos blogs, podcasts: a interatividade na produção jornalística.
  • O processo de produção e edição no ambiente online.
  • Como conviver com a inevitável automação de conteúdo e agregar valor à produção de notícias e reportagens.
  • A qualidade e checagem de informação e de textos no tempo real.

Mediador:
Helio Gurovitz – Diretor de Redação da Revista Época

Debatedores:
– Ricardo Noblat – Blogueiro e Colunista do Jornal Globo
– Sally Thompson – Diretora de Novas Mídias da BBC
– Julián Gallo – Jornalista Argentino especializado em temas tecnológicos e consultor de meios interativos. Edita o blog Mira!

Painel 6 – Desafios para a mídia tradicional

  • Os valores do jornalismo e as novas mídias
  • Como reinventar os produtos jornalísticos e enfrentar novas audiências e novos mercados
  • A reorganização das redações

Mediador:
Milton Jung – Âncora da Rádio CBN

Debatedores:
– Mário Magalhães – Ombudsman da Folha de São Paulo
– Sidnei Basile – Diretor Secretário Editorial e de Relações Institucionais da Editora Abril
– Caio Túlio Costa – Diretor Presidente de Internet da Brasil Telecom

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antenadíssimo

Manuel Pinto, em seu blog, lista algumas leituras bacanérrimas sobre as discussões mais acaloradas e atuais sobre o jornalismo. Cito textualmente:

  • Que potencialidades tem um blogue? – Responde Jay Rosen: “A Blog is a Little First Amendment Machine” e o impacto sobre o jornalismo é grande. “As it moves toward the Web, journalism will have to adjust to these conditions, but a professionalized press is having trouble with the shift because it still thinks of the people on the other end as an audience–an image very deeply ingrained in professional practice.”
  • Futuro dos jornais: dez coisas – Ryan Sholin, do blogue Invisible Inkling apresenta “10 obvious things about the future of newspapers you need to get through your head“. Vale pelos dez pontos e vale pelos comentários.

compós

Tá rolando em Curitiba a 16ª Compós.

Veja o site do evento.

Passe pelo blog do evento.

Já estão disponíveis os anais do evento.

seminário internacional de jornalismo online

Acontece agora em junho e em São Paulo o 1º Seminário Internacional de Jornalismo Online, promovido pelo Terra e pelo Itaú Cultural.

A programação vai de 12 a 14 de junho e é recheadíssima. Veja aqui.

É nítido perceber os esforços de unir academia e mercado; brasileiros e estrangeiros; gente estabelecida na mídia convencional e gente que desponta nas new medias… O evento é bem interessante, a se julgar pelos eixos dos debates.

A melhor das notícias vem agora: as inscrições são gratuitas, mas limitadas.

Outra boa notícia: se você chegar atrasado, não tem importância. O Terra vai cobrir o evento.

muita marola

Erin Telling, do Bivings Group, escreveu hoje o que muita gente já imaginava: tem muita marola nos mares da blogosfera. Ainda mais nos blogs jornalísticos. Segundo pesquisa rápida que fez nos sites do Washington Post e do USA Today, existe muitos blogs pendurados nas páginas eletrônicas, mas nem todos são alimentados com freqüência e muitos outros são simplesmente esquecidos.

Resultado: muita quantidade e pouca qualidade.

Para ler na íntegra, clique aqui.

de olho

Marcos Palacios comenta um caso bem sucedido de monitoramento da mídia norte-americana feito por blogs.