Terror contemporâneo

“Pai, eu tenho basicamente três medos…

… de altura!

… de tubarão!

… de zumbis!”

É, faz sentido.

Este blog fez 10 anos!

Quando comecei este blog, em maio de 2005, o mundo era bem diferente do que é hoje.

George W. Bush não só mandava nos Estados Unidos, como estava no segundo mandato! Por aqui, Lula era o presidente e uma tal de Dilma Rousseff estava às vésperas de assumir a Casa Civil. O Fórum Social Mundial ainda acontecia em Porto Alegre e a Microsoft preparava o lançamento de uma novidade, o XBox 360. João Paulo 2º nem tinha esfriado ainda e Bento 16 dava o sermão na Praça São Pedro. Quem diria? O YouTube estava surgindo! O Orkut era o rei das redes sociais – apesar do Facebook já existir – e o Twitter só apareceria no ano seguinte, em 2006. Eu tinha um bebê em casa, muito mais cabelo e esperança, e muito menos barriga e mau humor.

Em dez anos, o mundo não parou de girar uma única vez. Por isso, mudamos tanto. Um passo à frente e você não está no mesmo lugar. Não foi assim que Chico Science ensinou?

Não entendo também como conseguimos chegar até aqui. Deveria ter desistido. Tive chance pra isso. Faltou coragem, faltou tempo, sei lá.

Registramos mais de 450 mil visitas, mais de 3,3 mil comentários e infinitas horas despejando coisas que colecionei por aí. Valeu a pena? Sim, valeu. Afinal, não são muitas as coisas na nossa vida que duram dez anos.

Obrigado pela visita, por algum comentário, por lincar este blog. De alguma forma, ele também foi seu. E eu me senti menos patético e sozinho enquanto remexia essas memórias.

2007: o endereço ainda era monitorando.zip.net
2007: o endereço ainda era monitorando.zip.net
2007: primeiro layout no wordpress
2007: primeiro layout no wordpress
2008: era demais ter um blog nessa época!
2008: era demais ter um blog nessa época!
2009: blogar era publicar para não perecer
2009: blogar era publicar para não perecer
2010: o blog se tornava cada vez mais um diário de bordo
2010: o blog se tornava cada vez mais um diário de bordo
2010: a cada mudança de humor, uma alteração no layout
2010: a cada mudança de humor, uma alteração no layout
2011: a integração com o Twitter ajudava a
2011: a integração com o Twitter ajudava a “espalhar” melhor
2012: começa a bater o cansaço. Os blogs já não são mais os mesmos
2012: começa a bater o cansaço. Os blogs já não são mais os mesmos
2013: posts ficam cada vez mais enxutos
2013: posts ficam cada vez mais enxutos
2014: as postagens ficam mais escassas
2014: as postagens ficam mais escassas
2015: o blog é
2015: o blog é “engolido” pelo site, mas sobrevive

Cremilda Medina em casa

UnknownFazia algum tempo que eu não a via pessoalmente. Mas na semana passada, ela passou pela cidade para uma conferência num evento, e foi a oportunidade de nos revermos rapidamente. Afetuosa como sempre, me deu um abraço daqueles, fez questão de me olhar nos olhos e me escaneou a alma. Acho que passei… Me trouxe também um presente: Você tem o meu livro de memórias? Sem jeito, fui sincero. Não. E ela sacou um exemplar com dedicatória e tudo o mais.

Acariciei a capa, sentindo a leveza do papel e deixei as páginas ventilarem meu rosto. Duas noites depois, abri o livro querendo um tantinho mais. E quem disse que consegui deixar de lado?

Me dei conta de que conheço Cremilda Medina há quase 15 anos. Ela me orientou no doutorado e convivemos um tempinho, pouco diante do que eu poderia aprender.

Em “Casas da Viagem”, Cremilda não apenas oferece uma autobiografia, mas porções generosas de diversos encontros que teve na vida nas últimas sete décadas. De maneira original, ela toma o mote das casas que habitamos ao longo da existência para contar o que viu, sentiu e viveu. As casas são as contas de um colar, e cada um tem o seu… Desprendida, a autora narra suas origens em Portugal, os tempos de imigração, a passagem pelo Rio Grande do Sul, a longa estada em São Paulo e as muitas viagens pelo mundo, como jornalista, pesquisadora e professora. Franca, a autora lembra de momentos bons e ruins, dá os nomes certos aos acertos e aos erros, e deixa escapar parte de sua coragem e ímpeto.

Aquelas páginas nos contam da relação de Cremilda com escritores e artistas, do convívio com intelectuais e cientistas, da vida difícil em tempos difíceis, da certeza de que a vida deve ser celebrada. Ao final, somos apresentados às casas da viagem, em fotos vívidas dos imóveis que a autora já habitou, como um filme rápido que desfila pelas nossas retinas.

Autobiografias há aos milhões. Toda vida merece ser contada e registrada. Este livro de memórias de Cremilda Medina não é um acerto de contas, não é um balanço de trajetória, não é uma ostentação de ditos e feitos. Para mim, as “Casas da Viagem” é um volume que cerca uma personagem que está à procura de si mesma. Alguém que sabe saborear bons e maus momentos, e que enxerga na vida uma grande aventura, um risco do qual não se pode fugir.

É hoje! Promoção relâmpago de Os Maiores Detetives do Mundo

kindle8

Amanhã tem promoção de Os Maiores Detetives do Mundo

O futuro dura muito tempo

A Editora da UFSC, o Departamento de Jornalismo e o Laboratório da Tele da UFSC têm um projeto bem bacana chamado “O livro da sua vida”. Nele, em um minutinho, leitores falam de títulos que foram importantes em algum momento de suas existências…

Como hoje é feriado, que tal perder ganhar um tempinho conhecendo a iniciativa?

(Até eu me arrisquei a indicar um livro…)

A memória está nos poros

Aconteceu num dia de Natal, e não foi especial apenas por isso. Mas é claro que em datas como essas a gente fica mais sensível, propenso a tornar tudo mais simbólico, quase milagroso…

Era o finalzinho da tarde, quando não havia mais presentes para abrir e a preguiça nos alcançava de uma forma inescapável. A luz sumindo lá fora, a cortina do quarto fechada, o abajur aceso tingindo as paredes de um amarelo mole. A família ainda se espremia inteira na cama, quando esbarramos num CD caseiro antigo, repleto de canções que a mãe reunira para uma festinha de aniversário do filho. As musiquinhas infantis pertenciam a um passado longínquo do garoto agora com dez anos. Quase uma eternidade para ele…

Apertei o play para que a família embarcasse naquela viagem, e o rapazinho pulou me dando um abraço, o que me fez segurá-lo numa posição de aconchego. Grudado, se aninhou ali, com o queixo colado no meu ombro, as pernas e os braços, sobrando às costas. Começamos a dançar as aberturas dos desenhos animados, as cantigas de roda e as músicas da Turma do Cococoricó… Há quase uma década, quando o rapazinho era só um cisco de gente, eu fazia o mesmo. A mãe – exausta do dia – aproveitava para descansar e eu colocava o bebê para dormir, ao som daquelas canções.

Agora, dançávamos mais uma vez, e os braços sentiam quase trinta quilos a mais. A mãe assistia com um sorriso que unia as duas orelhas… E, de repente, eu notei o ombro encharcar. Em silêncio, o rapazinho me abraçava com força, com uma disposição de nunca mais largar. Disfarcei, mas também deixei escapar algumas lágrimas. Continuamos dançando por outra eternidade. A mãe quis saber o que acontecia, e o rapazinho disse que estava com saudades dos tempos de ninar…

Mas como poderia lembrar se nem gente quase era?

Naquele dia de Natal, percebi que a memória não está na cabeça nem no coração. Ela está em toda a parte, na pele, no corpo, nos poros. Qualquer coisa pode interromper seu sono latente, e fazê-la vibrar feito asas de beija-flor. A música infantil, o calor do colo e o chacoalhar da dança, tudo isso mexeu com a gente, e nos fez voltar um tempo de delicadeza. Foi meu melhor presente no Natal que passou…

Sabe mesmo o que eu quero?

Je Veux d’l’amour, d’la joie, de la bonne humeur…

As solidões de Carlos Henrique Schroeder

schroederConfesso que cheguei meio acabrunhado na livraria. Arrastado por minha esposa, eu ia a um lançamento de dois livros de jovens autores brasileiros que eu desconhecia. Para ser mais exato: já tinha ouvido falar muito deles, cheguei a trombar com alguns de seus títulos, mas eu nunca tinha lido Santiago Nazarian ou Carlos Henrique Schroeder. E eles estavam ali, a duas fileiras de cadeira, falando de suas novidades, e eu só balançando o queixo, no maior estilo sabe-tudo…

Confesso também que fui capturado pela simplicidade e pelo jeito gente-boa de Schroeder, e dias depois, fui “conhecer” o sujeito por meio de seu As Fantasias Eletivas. Nele, uma voz atual e um timbre claro nos conta a história de Renê, sujeito pacato, com passado tumultuado, que trabalha como recepcionista de hotel à noite em plena baixa temporada. Estamos em Balneário Camboriú, que no verão é a Babilônia, e fora dele, o Saara.

Acompanhamos Renê e o hall vazio, o silêncio da madrugada, as ruas desertas, as habitações ermas, a excêntrica fauna noturna, tudo isso e mais ajudam a compor uma atmosfera de absoluta solidão. Mais que solidão, abandono.

Se o romance só nos apresentasse o cotidiano de Renê, teríamos elementos de sobra para permanecer com o nariz colado naquelas páginas. Mas Schroeder – que já foi um Renê na vida – nos apresenta Copi, um travesti divertidíssimo que rouba a cena e que nos tira de nós mesmos. Fadado a mexer com os quadris e a capturar cenas com sua câmera, Copi captura pessoas e coisas que se cercam de solidão. Numa pasta surrada, coleciona os flagrantes da vida e destila pequenos textos que transbordam lirismo e inteligência.

É o que Copi chamou de A Solidão das Coisas, e aí a gente se depara com preciosidades que me fizeram lembrar de Borges nos seus delírios eruditos, em mundos inventados, nas obras e autores que sonhou… Ponteiros de relógio são solitários, marcadores de página são solitários, corredores de hotel são solitários, placas, sombras e notas de rodapé são solitários… Passamos por eles todos os dias, esbarramos em suas superfícies – como as dos rejuntes do piso – e nada. Nem percebemos suas condições singulares e, portanto, sozinhas.

Schroeder, Renê e eu ficamos só olhando o que Copi nos mostra. E é tanto que queremos mais Copi nas páginas que virão. Seria exagero dizer que “agora, sim!, conheço Schroeder”. É pouco ainda. Quero ler mais, e tenho certeza de que não estou sozinho nesse desejo.

Frank Maia é o maior, e vou dizer porque

Screenshot 2014-11-05 10.01.58Imagine a cena: você entra na sala meio acabrunhado, nem senta e eles te dizem na lata. Você está fora! De-mi-ti-do.

Diante isso, a maioria das pessoas junta os cacos e sai de fininho. Uma minoria, em vez de juntar, espalha os cacos, jogando tudo no ventilador. Mas tem uns outros, que vão além… Meu amigo Frank Maia é desse time.

Soube hoje que ele foi desligado de A Notícia, e – chateado – fui buscar razões para a notícia ruim. Justo o Frank, um chargista criativo, com um traço personalíssimo, uma usina de piadas ambulante!

Pensei em ligar pra ele, deixar um abraço. Desisti. Vai que o cara emenda uma piada e acabamos gargalhando dessa história toda. Deixei meia linha de comentário no Facebook. Daí, deslizei a tela e vi outro post, que me deixou muito impactado. Nele, o Frank faz troça da própria condição. Faz uma charge homenageando justamente o cara que vai substituí-lo em A Notícia. Isso mesmo. Frank não é só o melhor chargista de Santa Catarina há anos – na época de Bonson, ele já era, mas não admitia frente ao mestre. Frank Maia não é só o melhor chargista do Estado como é um cara extraordinário, um ser humano capaz de deixar a prancheta reluzente para seu sucessor.

Frank, eu te amo, cara!

shakespiradas: leituras dramáticas

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a universidade é…

… o local onde alunos e professores se cumprimentam e se tratam com extrema cordialidade;

… o período da vida em que alunos se dedicam ao máximo para vencer limites;

… a oportunidade de professores se esforçarem para lecionar com qualidade, e de contribuírem para o crescimento de outras pessoas;

… o ambiente onde todos respeitam o pensamento alheio, principalmente se ele for bem diferente do seu;

… o lugar onde orientandos demonstram reconhecimento pela parceria com seus orientadores;

… o local onde professores emprestam livros e outros materiais, e esses sempre são devolvidos e sempre com pelo menos um bilhete de agradecimento;

… o ambiente onde orientandos convidam seus orientadores para sua formatura;

… o encontro da inteligência com a sensibilidade, do trabalho com o talento, e onde “educação” é uma palavra sem limites, quase como o ar que respiramos;

Enfim, a universidade é o lugar dos meus sonhos… talvez ela só exista em meus sonhos…

os maiores detetives do mundo!

10687074_809697539082601_8309464264861088602_nEu e Ana Paula Laux acabamos de lançar Os Maiores Detetives do Mundo, um livro que reúne 60 perfis dos mais importantes personagens da ficção policial da literatura, TV, cinema, quadrinhos e games.

Disponível exclusivamente em formato eletrônico, o livro é resultado de cinco anos de pesquisa e escrita. Mas não foi só muito trabalho. Foi também muita diversão ao encontrarmos com tantos tipos sensacionais: Sherlock Holmes, Poirot, Miss Marple, James Bond, Scooby-Doo, Casal 20, McGaiver, Wallander, Ed Mort, Delegado Espinosa, Nero Wolf, Miami Vice, CSI, Kay Scarpetta, House, e tantos outros…

Para escrever, buscamos uma linguagem leve, muitas curiosidades, e um estilo bem-humorado. Recorremos ao traço sensacional de Junião para a capa e o resultado você confere ao lado. Por falar nisso, reparou que nossos nomes não aparecem abaixo do título? Pois é, optamos por um pseudônimo, mas essa história eu conto depois…

Ficou curioso sobre o livro? Não fique mais!

Para adquirir seu exemplar, clique aqui.

Para saber mais de Os Maiores Detetives do Mundo, acesse aqui.

E para ter uma amostra grátis do livro, vá por aqui.

respostas que professores adorariam dar a seus alunos

Leciono há quinze anos e isso me permitiu construir fama e fortuna. Mas não só. Permitiu que eu colecionasse perguntas sensacionais de alguns alunos. Nem sempre pude responder como queria, e até peço desculpas por isso.

Mas como hoje é dia do professor, me peguei fantasiando: já pensou se o professor pudesse dizer o que pensa nessas horas? Acho que seria mais ou menos assim:

ALUNO – Professor, essa matéria vai cair na prova?

PROFESSOR, enquanto atira um livro – Não, vai cair na sua cabeça!

***

ALUNO – Professor, o senhor vai dar alguma coisa importante nessa aula?

PROFESSOR – Vou sim. Vou revelar o terceiro segredo de Fátima, mostrar a fórmula da Coca-Cola e dar o celular pessoal da Fernanda Lima.

***

ALUNO – Professor, o senhor não vai fazer intervalo?

PROFESSOR – Vou sim. Turma, vamos dar uma paradinha agora. Voltamos em dez anos.

***

ALUNO – Professor, o trabalho é pra nota?

PROFESSOR – Claro que não. É sadismo mesmo.

***

ALUNO – Professor, o senhor trabalha também ou só dá aulas?

PROFESSOR – Sou matador de aluguel, traficante de órgãos e homem-bomba. Aliás, prestem atenção que eu só vou mostrar uma vez…

que ano trágico estamos tendo!

Dois terços de 2014 já se foram e com eles muita gente.

Difícil não pensar diante de tanto pesar.

Entre gente importante e celebridades, a lista é imensa: os escritores Ariano Suassuna, Nadine Gordimer, Rubem Alves, João Ubaldo Ribeiro e Ivan Junqueira;  a atriz Lauren Bacall; os atores Robin Williams, José Wilker, Bob Hoskins, Philip Seymour Hoffmann e James Garner; o político Eduardo Campos; os futebolistas Bellini, Marinho Chagas, Fernandão e Eusébio; o humorista Canarinho; o furacão Rubin Carter; o cineasta Eduardo Coutinho; os narradores Luciano do Valle e Maurício Torres; o cantor Jair Rodrigues; o músico Paco de Lucia; os intelectuais Stuart Hall e Jacques Le Goff… entre tantos outros.

Tristeza não tem fim…

não acho normal…

… que de um lado da guerra morram mais de mil e do outro, menos de cem;

… que uma rede de túneis clandestinos seja construída por inimigos sem ninguém perceber;

… que o conselho de segurança da ONU não mova um dedo diante de massacre de civis;

… que ninguém ou quase ninguém ligue para o Ebola que se alastra na África ocidental;

… que médicos e agentes de saúde morram contraindo vírus que estariam combatendo;

… que mais ninguém se importe com a guerra civil na Síria, as instabilidades no Egito e no Iêmen;

… que aviões de carreira sejam derrubados por mísseis…

… que os russos armem milicianos na Ucrânia para bagunçar o coreto por lá…

… que a NSA continue a espionar milhões de pessoas dentro e fora dos Estados Unidos;

… que as tropas norte-americanas continuem no Afeganistão;

… que por isso e muito menos Obama tenha ganho um prêmio Nobel da Paz…

Tudo isso é o mundo; nada nele é normal.

kucinski lança alice

alice de kucinskiBernardo Kucinski não para. Depois de estrear na ficção com “K”, chamar a atenção da crítica e do público, ser traduzido no exterior, mudar de editora, lançar um título de contos (“Você vai voltar pra mim…”), ele apronta mais uma. Chega às livrarias “Alice”, sua primeira novela policial, uma incursão que ele já ensaiava há algum tempo.

Aqui em casa, recebemos um exemplar do autor, o que nos deixou muito felizes. Minha mulher foi uma das leitoras dos originais. Ela se assombrou com a história de crime acontecida em plena USP. Eu me assombro com a capacidade de reinvenção do Bernardo…

feira de arte no campeche

Não sei se todos sabem, mas me arrisco um pouco escrevendo peças para o teatro.
Neste ano, o Círculo Artístico Teodora está montando meu texto mais recente – Shakespiradas – um delírio cômico em homenagem aos 450 anos de William Shakespeare.
Como forma de captação de recursos para o espetáculo, o Círculo está promovendo no Campeche uma Feira de Amostras no próximo sábado, dia 26, com música, exposição de arte e de fotos, exibição de curtas catarinenses, e outras atrações. A feira começa às 15 horas e se estende ao longo do dia.

feira no CAT

o futebol que fez chorar

Jornal da Tarde - 06.07.1986Eu tinha dez anos quando a Itália de Paolo Rossi derrotou a seleção de Zico, Sócrates e Falcão.

Diante daquele inacreditável 3 a 2, engoli o choro e só vi uma maneira de enfrentar aquilo: junto com outros meninos da rua, desci até o campinho da esquina e lá “vingamos” a seleção. Jogamos até murchar, e a derrota em Sarriá nunca mais foi esquecida.

Meu filho tem dez anos e, ontem, ele assistiu ao devastador 7 a 1 para a Alemanha. Vestido de verde amarelo, o pequeno não conseguiu segurar, e o dique cedeu em lágrimas que me molharam os ombros.

O que se diz nessas horas?

Eu só pude contar a minha história, e de como – doze anos depois! – assisti ao Tetra. Ele esboçou um sorriso, enxugou o rosto envergonhado, e respirou fundo. Mas a dor da derrota estava lá no fundindo daqueles olhos…

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42

Qual é a resposta para o sentido da vida, do universo e tudo o mais?

42.

9 anos deste blog

Ontem, 20 de maio, este cantinho da web completou 9 anos.

Em tempos tão voláteis, quando nada permanece muito, tenho razões para sair pra galera!

Camisa_9

o mantra do momento

Os dias escorrem pelos meus dedos e eu continuo a cantar:

I’m on the edge of something
So I just keep running everytime
I lose my head

o beijo gay e o mundo de amanhã

Futebol e telenovela são coisas seríssimas no Brasil, sempre digo isso. E é claro que acompanhamos aqui em casa o capítulo final de “Amor à vida”. A família grudada no sofá esperava com ansiedade os desfechos da trama, e na cena com os personagens Félix e Niko, prendemos a respiração. Eles trocaram declarações de amor, os segundos passaram, a tensão aumentou e meu filho, de nove anos, soltou: “Beija logo, cara!”.

Félix e Niko se beijaram, as redes sociais explodiram em festa e ódio, e assim que subiram os créditos, fui com o filho para o quintal. Ficamos ali em silêncio, olhando nossos gatos, e eu me reconheci muitíssimo feliz com a atitude do filho. Sem preconceito, ele torceu pela felicidade dos personagens, inclusive de um que era o vilão da história até então. Gostei muitíssimo de ver a ousadia da maior empresa de comunicação do país em exibir uma cena que pode afrontar a tanta gente. Mas gostei muito mais de ver uma criança não se importar com o pre-julgamento dos outros, acatar a vontade de amar de pessoas diferentes, enfim…

A frase desabafada aqui na sala de casa me fez sonhar com um mundo melhor amanhã. Mais tolerante, mais aberto, menos preconceituoso, mais afeto ao amor. A todo tipo de amor. Foi um final feliz de novela…

este blog morreu. mentira!

O blogueiro Jason Kottke causou alguns tremores de terra com seu post no Nieman Journalism Lab nas vésperas do natal passado. No texto, ele dizia que os blogs como considerávamos desde 1997 estão mortos. E o blog como plataforma morreu justamente porque foi apropriada e absorvida por veículos e organizações que não produziam blogs, mas qualquer coisa que chamavam de blogs. E o blog como plataforma pessoal morreu porque as redes sociais têm servido muito mais a esse propósito, de maneira mais fácil, rápido e com mais recursos.

Kottke celebra: o blog morreu, longa vida ao blog.

Em janeiro de 2010, arrisquei um palpite numa mesa da Campus Party. Estava ao lado de André Lemos, Sérgio Amadeu, Sandra Montardo e Henrique Antoun. Eu disse que não sabia muito do futuro dos blogs, mas achava que eles eram uma mídia de transição, de passagem. Não sei se acertei, nem me interessa na verdade. O fato é que continuei blogando e vou permanecer nessa situação.

Não se aborreça, por favor. Você precisa relevar: sou quase um ancião, não aguentei os trancos das redes sociais e preciso escoar parte de minha tagarelice.

Este blog não era alimentado há mais de 100 dias, desde 30 de setembro de 2013. Não morreu de inanição. Nem eu. Por algum tempo não senti qualquer falta. Na verdade, não tenho lá uma ânsia para publicar conteúdos, mas voltarei sempre que der. Não farei promessas e você – se ainda estiver aí -, não mantenha grandes esperanças. Não sou como o notável e influente Dan Gillmor, que manifestou publicamente sua resolução para 2014 – lutar para impedir que os Estados Unidos se convertam num estado de vigilância plena de todos os internautas. Meus objetivos são bem menos ambiciosos.

Este blog vai continuar. Seja esta uma boa ou má notícia…

urano na casa das máquinas

Screenshot 2013-05-11 01.37.02Hoje, amanhã e domingo – dias 12, 13 e 14  de julho – tem apresentações de Urano Quer Mudar no teatro da Casa das Máquinas na praça da Lagoa da Conceição. O espetáculo começa sempre às 20 horas, com entradas a R$ 30,00 e R$ 15,00 para idosos, estudantes e classe artística.

Urano Quer Mudar é uma produção do Círculo Artístico Teodora, e tem no elenco os emocionantes Margarida Baird e José Ronaldo Faleiro, sob direção de Brigida Miranda. As canções originais são de Ana Laux. O texto é meu, reescrito a partir da versão original de 2003. Na história, um casal de atores prepara a mudança de casa e, no meio dos pacotes e caixotes, encontra um texto que nunca chegaram a encenar. Passam a ler, e aí, ficção, memória e reinvenção de si mesmos tomam conta do palco.

Vá conhecer Urano. Vá ver o que Fenícia tem a dizer.

junho vai deixar saudades

Nesta época de tantos superlativos e adjetivos totalizantes é muito fácil cair na tentação de cavar “dias históricos”. Mesmo assim, não receio em errar e me arrepender de apostar que aqui no Brasil vivemos um junho pra não mais esquecer.

Junho foi barulhento, agitado. As muitas passeatas trouxeram à rua milhões de pessoas em todas as partes do país. Nas metrópoles e nas cidades pequenas, do Acre ao Rio Grande do Sul, e mais de uma vez em muitos locais. As palavras de ordem eram muitas, e elas chacoalharam as pilastras dos centros de poder. Botaram medo e trouxeram apreensão para quem tem mandato político. Subiram no teto do Congresso Nacional, fecharam as pontes em Florianópolis, tentaram invadir o Itamarati e a Alerj…

Junho fez tarifas de transporte cair em várias cidades; fez os governos cortarem impostos; e fez com que parlamentares trabalhassem duro e rápido em pleno dia de jogo da seleção. Junho forçou a derrubada da PEC 37 e a aprovação da lei que tipifica corrupção como crime hediondo.

Junho viu ainda jogos na Copa das Confederações cercados de vaias, de batalhas campais nos entornos dos estádios e repulsa generalizada a políticos, cartolas, escroques e outros aproveitadores. O mês viu uma seleção brasileira vigorosa que atropelou o time dos sonhos do momento, campeão mundial mais recente. Junho viu também que é possível por aqui protestar, reclamar e se expressar, torcer, priorizar e discernir.

O mês que finda a primeira metade do ano se foi. E tudo o que aconteceu não foi pouco para 30 dias. E como julho começa em plena segunda-feira, é melhor se preparar porque o segundo tempo de 2013 vai começar.