Sobre transparência no jornalismo: um exemplo

Quantos repórteres falam de suas relações com as fontes?
Quantos jornalistas avisam ao público de algum eventual conflito de interesses?
Transparência ainda é um tabu para muitos de nós…
Em um contundente texto para The Intercept Brasil, Glenn Greenwald mostra que esta não é só uma medida de coragem, mas de caráter.

Ética Jornalística, um curso

Começo hoje um curso para alunos de mestrado e doutorado sobre estudos avançados em ética jornalística. Esta é uma disciplina eletiva do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, e nas próximas 15 semanas, pretendo  enfrentar com meus companheiros de aula algumas questões que me parecem cruciais para se pensar a profissão atualmente: ética das redações e ética hacker; verdade, credibilidade e fake news; robôs, algoritmos e automação do jornalismo; privacidade, vigilância e transparência; direito ao esquecimento e vazamentos… esses são alguns dos tópicos que vamos perseguir com uma extensa bibliografia, e é claro que outros podem surgir inadvertidamente.

A turma já está fechada e estarei em excelente companhia. Como talvez o assunto interesse a você, leitor, deixo aqui o plano de ensino na esperança de atrair novos interlocutores. Se não de forma presencial e em sala de aula, que o diálogo se dê pelas muitas vias tecnológicas que temos hoje.

A mídia e a morte do reitor da UFSC

A morte trágica do reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que aconteceu em 2 de outubro passado, me levou a escrever dois textos, ambos publicados no Observatório da Ética Jornalística (objETHOS):

Recomendo que se leia ainda Qual a responsabilidade dos repórteres no suicídio do reitor da UFSC?, do experiente e competente Carlos Wagner, e Anatomia de uma reputação midiática: um espetáculo de horror na televisão, de Maura Martins.

Precisamos debater os métodos das polícias, os critérios da justiça, os procedimentos do jornalismo e a sanha justiceira da sociedade…

Um seminário aberto de jornalismo

screenshot-2017-05-14-08-12-37Participo amanhã da abertura da sexta edição do Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pela linha de pesquisa Linguagens e Práticas Jornalísticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos.

Divido a mesa com a professora Roselyne Ringoot, da Universidade de Grenoble (França). Vou tratar de crise do jornalismo e ética profissional. Mais informações aqui.

Jornalismo, hackers, cypherpunks e Wikileaks: um debate

Já está disponível a íntegra do debate “A reconfiguração do jornalismo investigativo e a Influência do Hacktivismo, do Movimento Cypherpunks, e do Wikileaks”, que aconteceu no finalzinho de agosto em Recife. O evento foi uma promoção do Núcleo de Pesquisas em Tecnologia, Lei e Sociedade do Centro de Informática da UFPE. Foi muito bom discutir e refletir com a professora Carolina Dantas de Figueiredo (UFPE) e com o professor e jornalista Luiz Carlos Pinto (Unicap e Coletivo Marco Zero Conteúdo). Tivemos a mediação do professor Ruy de Queiroz (CIn/UFPE).

Venha discutir o desmonte da EBC

Cartaz EBC

Ética jornalística, uma entrevista

Há anos, a Rádio Univali FM mantém um interessante programa de entrevistas na sua programação: o Viva Voz. Sempre comandado pela jornalista e professora Liza Lopes Correia e por um estudante de jornalismo, o programa aborda diversos temas da vida social. Em maio estive na universidade para uma palestra e passei pelos estúdios da rádio. A conversa, que teve ainda o acadêmico Lucas Rosa, tratou de ética no jornalismo e cobertura da crise política. Confira!

Vamos falar de imparcialidade da mídia no Brasil?

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Um curso na pós em Jornalismo e Novas Mídias

É nos dias 26 de setembro e 10 de outubro no ISCOm, em Florianópolis.

Mais informações: http://iscom.com.br/pos-graduacao/jor/

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O fator confiança

Screenshot 2015-02-27 03.07.27A Ethical Journalism Network acaba de lançar um estudo com dados de 16 países sobre como jornalistas monitoram seus erros e os corrigem. O Brasil está no relatório, e a seção a ele dedicada é assinada pelo jornalista Marcelo Moreira, que já presidiu a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

No geral, o estudo é bastante genérico, mas de alguma forma contribui e estimula os debates sobre auto-regulação no setor, um tabu por essas bandas.

O diretor da rede, Aidan White, considerou surpreendentes os resultados da pesquisa que apontou – à exceção da Noruega, um modelo para a auto-regulação – que na grande maioria das vezes, jornalistas e editores se digladiam com controles legais, interferência política e corrupção. Um mundo nada fácil…

Organizada pelo próprio White, a publicação – intitulada The Trust Factor (O fator confiança) – tem 80 páginas, em inglês e formato PDF.

Para baixar o estudo (arquivo de 7 Mb), vá por aqui.

Congresso de Ética na Mídia prorroga prazo

(reproduzindo o informe dos organizadores)

Ampliado el plazo hasta el día 8 de febrero de 2015 para enviar propuestas de comunicaciones (abstracts) al III International Conference on Media Ethics (http://congreso.us.es/mediaethics/index.php/es/), que tendrá lugar en Sevilla los días 24, 25 y 26 del próximo mes de marzo. El plazo máximo para la entrega del texto completo será el 28 de febrero.

Atendiendo a la petición de algunos investigadores, se aceptaran comunicaciones para ser presentadas a través de internet (por skype o programas similares). Se dedicarán algunas de las sesiones del congreso a estas comunicaciones no presenciales en horarios que tendrán en cuenta la diferencia horaria entre Europa y Latinoamérica.

En esta III edición del Congreso contaremos entre otros ponentes con los profesores John Peters (University of Standford), Basilio Monteiro (Universidad St. Johns – Nueva York-) o  José Manuel de Pablos (Universidad La Laguna). Esta edición, está concebida como un espacio para intercambiar ideas de nuevos proyectos y la búsqueda de socios internacionales. También se ofrecen actividades prácticas para la mejora y calidad de la investigación científica, como una mesa redonda sobre revistas científicas patrocinada por la Revista Latina de Comunicación Social.

Dado el carácter internacional del congreso y los horarios europeos, el congreso se desarrollará en dos sesiones: mañana (9’30h -14’30h) y tarde (16’00h-18’00h), dejando así más tiempo a los congresistas para establecer relaciones con otros colegas o disfrutar de la ciudad si así lo desean. La organización ofrecerá diversas actividades sociales complementarías para quienes deseen prolongar las sesiones académicas con sesiones de trabajo en un contexto más personal y ameno.

Las comunicaciones seleccionadas para su publicación formarán parte de en un libro de actas electrónico publicado por la editorial Dykinson S.L, de Madrid, con su correspondiente ISBN, y un comité científico que avale dicha publicación. En los propios días del congreso se ofrecerá el link desde el cual se podrán descargar los congresistas sus contribuciones.

El primer día, 24 de marzo, las sesiones del congreso serán sólo en español, y en los días sucesivos, 25 y 26, serán tanto en español como en inglés.

Le agradecemos que distribuya esta información entre vuestras redes de contactos.

Más información o cualquier gestión: 3mediaethics@gmail.com

um clássico renovado

capa karamO professor Francisco José Castilhos Karam, um dos coordenadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) está lançando a 4ª edição revista e ampliada de “Jornalismo, Ética e Liberdade”.

Editado pela Summus, o livro foi publicado originalmente em 1997 e se tornou uma leitura obrigatória para pesquisadores, jornalistas e estudantes interessados nos dilemas éticos jornalísticos. Nesta reedição, a editora apresenta novo tratamento gráfico, capítulos completamente revistos e novas seções.

O autor leciona no Departamento de Jornalismo da UFSC desde 1984, já publicou “A ética jornalística e o interesse público” e atualmente é o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR).

(reproduzido de objETHOS)

é depois de amanhã: donsbach na ufsc

Qual a relação do Jornalismo com o Conhecimento? Em uma época marcada pelas megafusões midiáticas, pelo infoentretenimento, pelo império das audiências, pelo marketing do poder político e econômico que embala a informação, haveria ainda sentido acreditar que o Jornalismo esteja ressurgindo com sua força de contrapoder, de investigação dos poderes públicos e privados quando estes impactam na vida social? Quando alguns autores e profissionais acreditam que o jornalismo dos sonhos foi sepultado, haveria sentido defender que o jornalismo tem ainda grande contribuição para manter a vitalidade democrática e disseminar controvérsias e possibilitar escolhas lúcidas?

O trecho acima é do comentário da semana no objETHOS, assinado pelo professor Francisco José Castilhos Karam. Ele aborda as relações entre jornalismo, conhecimento e ethos profissional, e saúda a vinda de Wolfgang Donsbach depois de amanhã – dia 17! – na conferência de abertura do semestre no POSJOR/UFSC.

Para ler a íntegra, clique aqui.

ética na comunicação, um dossiê

 

cover_issue_148_pt_PTA revista Comunicação e Sociedade, publicada pela Universidade do Minho (Portugal), acaba de chegar à web com um dossiê sobre ética na comunicação.

Ajudei a editar o número com o professor Joaquim Fidalgo, e o sumário dá uma amostra da variedade e atualidade das pesquisas sobre o tema no amplo arco da área da comunicação:

  • Panorâmica da ética dos media no plano internacional  – Clifford G. Christians
  • Sem medo do futuro: ética do jornalismo, inovação e um apelo à flexibilidade – Jane B. Singer
  • Novos desafios para uma deontologia jornalística duradoura: o modelo de negócio dos media face às exigências éticas e à participação cidadã – Carlos Maciá-Barber
  • Entre verdade e respeito – por uma ética do cuidado no jornalismo – Carlos Camponês
  • Ética e teorias da comunicação: poder, interações e cultura participativa – Luis Mauro Sá Martino e Ângela Cristina Salgueiro Marques
  • O respeito pela privacidade começa na recolha de informação – Paulo Martins
  • Credibilidade das redes sociais online: aos olhos dos jornalistas profissionais finlandeses – Mohammad Ofiul Hasnat
  • A (não) regulação da blogosfera: a ética da discussão online – Elsa Costa e Silva
  • Preocupações éticas no jornalismo feito por não-jornalistas – Rogério Christofoletti
  • Para além da propaganda e da Internet: a ética do jornalismo – J. Paulo Serra
  • Agendamento em publicidade: compreender os dilemas éticos de um ponto de vista comunicativo – Marius-Adrian Hazaparu
  • A prioridade ética da retórica publicitária – Paulo Barroso

Editada em português e inglês, a revista pode ser acessada em:
http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/comsoc/issue/current/showToc

 

conteúdo gerado pelo usuário, um estudo

Screenshot 2014-06-04 02.47.20O Town Center for Digital Journalism, da Escola de Jornalismo de Columbia, acaba de disponibilizar ao grande público um estudo global sobre como sites, blogs e emissoras de TV usam e aproveitam os materiais enviados por suas audiências, os chamados Conteúdos Gerados pelos Usuários (CGU).

A pesquisa pode ser acessada aqui (em PDF, inglês, 153 páginas num arquivo de 2,8 megas).

Entre as conclusões, convém destacar que:

  • Os meios não sabem dar os devidos créditos nos casos de fotos e vídeos;
  • Esses materiais são utilizados todos os dias pela mídia!
  • Na pesquisa, 40% do CGU analisado estava relacionada à guerra civil síria, o que demonstra que os meios geralmente usam a colaboração amadora quando não têm acesso ou condições para fazer seu trabalho profissional;
  • As agências de notícia quase nunca conseguem verificar ou checar as informações embutidas nesses conteúdos, uma brecha perigosa para o jornalismo…
  • Os staffs editoriais não estão capacitados para lidar com os conteúdos dos colaboradores;
  • Nas redações, perdura um grande medo de que o uso de CGU gere ações judiciais, por violação de direitos autorais, de imagem, entre outros…

imprensa e judiciário, um evento

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quem pode ser jornalista?

A resposta polêmica e incômoda de Jean-François Fogel é “qualquer um”. Pois quem decide é o público!

A declaração foi dada num evento recente no México e arrepiou a nuca de muita gente. Para um bom resumo da abordagem de Fogel, leia “No ambiente da nova mídia, o público decide quem é jornalista”, artigo de James Breiner.

Para ouvir as palavras do próprio Fogel, assista ao videozinho abaixo:

Você concorda?

gmail espiona os seus emails…

Se você tinha aquela pulga atrás da orelha, agora já pode ter certeza.

Não é mais segredo, pois o próprio Google admitiu: ele dá uma olhadinha nos emails que você manda para criar publicidades dirigidas!

O Google se explica em sua política de privacidade:

Nossos sistemas automatizados analisam seu conteúdo (incluindo e-mails) para oferecer a você ferramentas relevantes, como resultados de buscas personalizados, anúncios direcionados e detecção de spam e malware. Essa análise ocorre enquanto o conteúdo é enviado, recebido e quando é armazenado

Mais uma pá de cal sobre aquilo que conhecíamos como privacidade…

erros e mais erros…

Os erros jornalísticos têm sido um assunto recorrente em minhas pesquisas. Em 2005, junto com um inquieto aluno de graduação, abordei o erro como um problema que afetava a qualidade no produto jornalístico. Nós nos debruçamos sobre três diários locais e observamos como eles lidavam com as próprias falhas, se as reconheciam, se as explicitavam, se as corrigiam…

Tempos depois, o assunto voltou à carga, e uma rigorosa e atenta aluna de mestrado me procurou para levarmos adiante um outro estudo, mais focado nas versões online de importantes jornais brasileiros. Esta mestranda não só fez um intenso monitoramento de como as empresas jornalísticas erram, como propôs uma tipologia de erros e as bases para uma política de gestão de identificação de erros e qualidade editorial. O resultado é a dissertação “Parâmetros éticos para uma política de correção de erros no jornalismo online”, que Lívia de Souza Vieira defende publicamente na próxima sexta-feira, 11 de abril, no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR/UFSC).

Um segundo orientando também se envolveu com esse assunto e está lustrando seu projeto de dissertação, para ser defendida em 2015. Enquanto isso, ele mergulha no tema, lendo, discutindo e escrevendo sobre erros jornalísticos. Na segunda-feira passada – ontem! -, ele assinou um artigo na seção Comentário da Semana do site Observatório da Ética Jornalística (objETHOS). Sob o título “O alargamento do espaço de reverberação e suas consequências, o caso Ipea”, o artigo de Thiago Amorim Caminada merece leitura, e comentários… Como se pode perceber, o autor tratou da derrapada de um dos institutos de pesquisa mais influentes do país e de como a mídia embarcou nessa história.

Como se pode perceber rapidamente, os erros jornalísticos são assuntos palpitantes, instigantes e muito férteis para debates profissionais e acadêmicos. Se o leitor se resigna e acredita que isso é mais que natural e que errar é humano, sugiro que olhe ao redor e perceba que o equívoco não é só das órbitas humanas. Robôs também erram, e robôs jornalísticos o fazem sem qualquer dor na consciência. Nicholas Diakopoulos mostra isso em seu artigo “Bots on the Beat”, publicado no Slate, com uma versão brasileira assinada por Fernanda Lizardo e Leticia Nunes, no Observatório da Imprensa.

Essa coisa de robôs fazendo notícias malucas me lembrou uma história recente. Em 2008, tropas russas invadiram a Geórgia, em mais um daqueles embates separatistas da região que já foi uma união de repúblicas soviéticas.  Acontece que os robôs do GoogleNews “montaram” relatos da ação e ilustraram as matérias com um mapa do estado norte-americano da Geórgia e não o país vizinho russo… Os mais afobados ficaram muito preocupados: os russos estão atacando os Estados Unidos… pura barbeiragem dos robôs!

 

a mídia e o cuidado como obrigação

David Putnam teve uma longa carreira como produtor de filmes premiados. Depois, cansou, largou tudo e passou a atuar com educação e ativismo social. Chegou a ser o homem forte da Unicef no Reino Unido. No video abaixo – uma intervenção no mundialmente aclamado TED – , ele traz questões bastantes interessantes sobre a mídia. Afinal, ela não deveria ter a obrigação de ser mais cuidadosa?

Para ver e pensar.

jornalismo-drone: questões éticas

O Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) retoma suas atualizações semanais hoje com um comentário que fiz sobre o uso de drones por organizações jornalísticas. Os drones são aqueles aviões-robôs, veículos aéreos não tripulados, criados com objetivos militares, mas já devidamente apropriados para outros fins, inclusive os jornalísticos. Meu comentário (que você pode ler na íntegra aqui) aborda cinco questões éticas para o jornalismo…

7 questões éticas para o jornalismo digital

Andrés Azocar, diretor de Meios Digitais do grupo midiático chileno Copesa, perguntou no Webinário de hoje à tarde na Red Ética Segura de Fundación de Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI):

  • Os critérios éticos do jornalismo convencional servem para a web?
  • Deve-se aceitar o erro como forma de evolução?
  • De quem são os cliques: dos meios ou dos agregadores?
  • O que é melhor: opinar ou informar?
  • O que fazer: ser o primeiro ou ser o melhor?
  • Editar ou censurar os comentários?
  • Qual a ética da tecnologia?

Questões muito, muito importantes…

“the newsroom” vem aí

A segunda temporada do seriado jornalístico mais interessante dos últimos anos está pra começar no Brasil este mês. Para ter um gostinho do que vem por aí…

padrões éticos para o jornalismo online

Os jornalistas britânicos andam bastante preocupados com o nível de seu jornalismo, afinal não está fácil pra ninguém, né? Grampos do News of the World… Relatório Leveson… as últimas denúncias de abusos sexuais de apresentadores da BCC…

Comentei no objETHOS sobre um evento que discutiu padrões éticos para o jornalismo online. O News:Rewired acaba de publicar um vídeo com um painel dessa discussão. Vale ver…

links para um domingo à noite

Fiz uma faxina nos links recolhidos na semana e destaco cinco cliques:

  • Práticas Jornalísticas é o blog do projeto de pesquisa O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas, coordenado pela Beatriz Marocco, professora e pesquisadora da Unisinos. Vale conferir as entrevistas com jornalistas brasileiros falando de seus métodos de trabalho.
  • De olho na cobertura das explosões na Maratona de Boston, o blog Chat Girl fez um resumão dos erros jornalísticos pela mídia, por causa da pressa, da checagem de informações mal feita…
  • Por falar na montanha dos erros, o colunista da Reuters Jack Shafer aborda as muitas repercussões do tema, e a importância da audiência em apontar as derrapadas dos jornalistas.
  • Conheça o Manual de Periodismo de Datos, resultado de um curso em 2011 do European Journalism Centre e a Open Knowledge Foundation em Londres. A versão está em espanhol e em contínua atualização.
  • Adivinhem quem é o campeão mundial em pedidos para retirada de conteúdos online? Segundo um relatório de transparência do Google, é o Brasil…

com criança pode?

Só hoje assisti ao vídeo em que José Genoino “fala” ao CQC, transmitido na segunda passada, 25. E confesso: pensei três, quatro vezes se escreveria sobre isso. Na verdade, me fez mal o que vi. Fiquei incomodado. Não com o cerco que os personagens do programa fazem aos políticos em Brasília, nem com a pegação de pé habitual com Genoino. Duas coisas me chamaram a atenção no vídeo: a gana do CQC Mauricio Meireles para humilhar o deputado e a cilada que armou para que Genoino respondesse ao programa.

Eu poderia descrever, mas é melhor ver com os próprios olhos:

Viu? Pois é, não vou discutir se Genoino é corrupto ou não. Fato é que ele foi condenado pelo STF pelo escândalo do Mensalão. Outro fato que também não pode ser ignorado é a sua biografia na vida política nacional. Mas, como disse, não vou entrar nessa polêmica. Só vou me prender aos dois aspectos que me causaram mal estar ao ver o vídeo. E para isso vou lançar perguntas ao léu, que você – leitor – pode se atrever a responder ou não…

– é correto ensaiar uma criança para repetir perguntas capciosas para alguém?

– é certo que o seu pai filme uma conversa em ambiente privado – um gabinete – para tentar “flagrar” algum deslize do político?

– a criança em questão sabia o que estava fazendo? se não sabia, de quem é a responsabilidade por aquilo?

– o homem que a acompanhava era mesmo seu pai?

– durante meses, o CQC tentou arrancar declarações de Genoíno e sempre em ambientes públicos. É legítimo que se valha de uma troca de palavras em ambiente privado para fazer tanto alarde?

– o CQC precisava usar uma criança para ter esse efeito?

– a frase de Genoíno – de que o PSDB tinha “lábia” e por isso não saía o julgamento do Mensalão tucano – era alguma confissão de culpa ou algo que o incriminasse?

– o CQC é um programa jornalístico ou humorístico?

– se o CQC for um programa jornalístico, quem é o diretor responsável que deveria responder por eventual uso indevido de um menor no vídeo?

– se for um programa jornalístico, o CQC se baseia em que princípios jornalísticos? E quais princípios éticos?

– se for um programa humorístico, o CQC deve ter limites? Quais?

– pode-se discutir limites de programas humorísticos sem despencarmos para a velha discussão sobre censura?

– programas humorísticos transmitidos pela TV aberta também se enquadram no que dizem a Constituição Federal, a legislação sobre radiodifusão pública e o Estatuto da Criança e do Adolescente?

– a declaração de Genoíno traz algo de novo (jornalisticamente falando) ao caso do Mensalão ou a qualquer outro?

– pegadinha é um recurso jornalístico?

– pegação no pé é uma técnica jornalística?

– usar uma criança para armar uma arapuca com alguém (quem quer que seja!) é engraçado?

– onde está a graça em humilhar e ofender as pessoas, mesmo as condenadas na justiça?

– até onde pode-se ir na tv brasileira?

Sim, isso tudo me embrulhou o estômago…

chyperpunks, criptojornalismo e assange

capa-cypherpunks-provisc3b3riaCoincidências, ah, as coincidências… Bem na semana em que começo a ler “Cypherpunks – liberdade e futuro da internet”, o novo livro de Julian Assange, tropeço em “Cryptoperiodismo – manual ilustrado para periodistas”, de nelson fernandes (assim mesmo, sem iniciais maiúsculas) e Pablo Mancini. O primeiro traz quase 170 páginas de diálogo do rosto à frente do Wikileaks com três importantes ativistas e programadores sobre quebra de privacidade na web, segurança, vigilância e outros temas relacionados. Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann dividem com Assange preocupações sobre a nossa convivência online no presente e além. De quebra, fortalecem o movimento dos chyperpunks, os criptopunks, que defendem privacidade para as pessoas comuns e transparência para os poderosos. Polêmico, instigante, atual.

“Cryptoperiodismo” não mergulha tanto, mas vai na mesma trilha: a necessidade de os jornalistas se resguardarem em ambientes virtuais, preservando identidade, fontes e informações. É um guia, em espanhol, e disponível no site do livro.

Se você é jornalista ou não, pouco importa. Mas se eu fosse você, não desviaria dos alertas que esses dois livros trazem. Na pior das hipóteses, fazem a gente pensar.

regulação de mídia no reino unido

Screenshot 2012-12-03 10.55.06Os britânicos levam a mídia muito a sério. Eles têm órgãos fortes que atuam nesse campo, têm regras rígidas e um sistema de comunicações que compreende a dimensão dos cidadãos na equação comunicativa. Mesmo com tudo isso acontecem algumas barbaridades por lá, e o caso mais evidente é o escândalo dos grampos do News of the World.

Recentemente, foi lançado um amplo relatório – com quase 2 mil páginas! – tratando de questões relativas à cultura, à sociedade, à política, à ética e aos meios de informação.

O aspecto mais forte é que há um entendimento de que a mídia precisa de uma nova regulação nas terras da rainha…

Você pode ler o Leveson Inquiry aqui, mas se quiser uma mãozinha, The Guardian te dá: veja um sumário visual do documento…

Já pensou um negócio desses por aqui?

duas questões éticas na semana

Dois episódios em latitudes distintas, envolvendo jornalistas, ajudam a fechar a semana com a cabeça fervilhante. São eventos provocantes, que nos levam a fazer sérios e oportunos questionamentos éticos:

No Reino Unido, a Press Complaints Comission julgou que usar fotos retiradas de páginas do Facebook não é uma violação ética. Que implicações isso pode ter em termos de privacidade e uso de materiais de terceiros?

No Brasil, um sequestro terminou após o apresentador de TV José Luiz Datena negociar a liberação dos reféns, ao vivo, pela TV. Felizmente, tudo terminou bem. Mas fica a pergunta: até onde o jornalista pode ir em casos delicados como este?

A pensar…

conferência sobre ética jornalística

A Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilha, na Espanha, está divulgando a chamada de textos para a segunda edição da Conferência Internacional sobre Ética Jornalística. O evento acontece em abril de 2013, e contribuições são aceitas até 15 de março.

Mais informações em: http://congreso.us.es/mediaethics/index.html