ombudsman e ouvidorias no df

divulgacao

Mais informações aqui

chyperpunks, criptojornalismo e assange

capa-cypherpunks-provisc3b3riaCoincidências, ah, as coincidências… Bem na semana em que começo a ler “Cypherpunks – liberdade e futuro da internet”, o novo livro de Julian Assange, tropeço em “Cryptoperiodismo – manual ilustrado para periodistas”, de nelson fernandes (assim mesmo, sem iniciais maiúsculas) e Pablo Mancini. O primeiro traz quase 170 páginas de diálogo do rosto à frente do Wikileaks com três importantes ativistas e programadores sobre quebra de privacidade na web, segurança, vigilância e outros temas relacionados. Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann dividem com Assange preocupações sobre a nossa convivência online no presente e além. De quebra, fortalecem o movimento dos chyperpunks, os criptopunks, que defendem privacidade para as pessoas comuns e transparência para os poderosos. Polêmico, instigante, atual.

“Cryptoperiodismo” não mergulha tanto, mas vai na mesma trilha: a necessidade de os jornalistas se resguardarem em ambientes virtuais, preservando identidade, fontes e informações. É um guia, em espanhol, e disponível no site do livro.

Se você é jornalista ou não, pouco importa. Mas se eu fosse você, não desviaria dos alertas que esses dois livros trazem. Na pior das hipóteses, fazem a gente pensar.

comunicação pública e democrática…

… é o tema do Leituras Contemporâneas com Bernardo Kucinski!

Convitico-Kucinski3

regulação de mídia no reino unido

Screenshot 2012-12-03 10.55.06Os britânicos levam a mídia muito a sério. Eles têm órgãos fortes que atuam nesse campo, têm regras rígidas e um sistema de comunicações que compreende a dimensão dos cidadãos na equação comunicativa. Mesmo com tudo isso acontecem algumas barbaridades por lá, e o caso mais evidente é o escândalo dos grampos do News of the World.

Recentemente, foi lançado um amplo relatório – com quase 2 mil páginas! – tratando de questões relativas à cultura, à sociedade, à política, à ética e aos meios de informação.

O aspecto mais forte é que há um entendimento de que a mídia precisa de uma nova regulação nas terras da rainha…

Você pode ler o Leveson Inquiry aqui, mas se quiser uma mãozinha, The Guardian te dá: veja um sumário visual do documento…

Já pensou um negócio desses por aqui?

crimes contra jornalistas na ditadura

web-audiencia

duas questões éticas na semana

Dois episódios em latitudes distintas, envolvendo jornalistas, ajudam a fechar a semana com a cabeça fervilhante. São eventos provocantes, que nos levam a fazer sérios e oportunos questionamentos éticos:

No Reino Unido, a Press Complaints Comission julgou que usar fotos retiradas de páginas do Facebook não é uma violação ética. Que implicações isso pode ter em termos de privacidade e uso de materiais de terceiros?

No Brasil, um sequestro terminou após o apresentador de TV José Luiz Datena negociar a liberação dos reféns, ao vivo, pela TV. Felizmente, tudo terminou bem. Mas fica a pergunta: até onde o jornalista pode ir em casos delicados como este?

A pensar…

ataques em sc: o pior já passou?

Enquanto você pensa na resposta, que tal olhar pras capas dos principais jornais nesses dias em que o crime fez o governo, a imprensa e a população de gato e sapato…

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conferência sobre ética jornalística

A Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilha, na Espanha, está divulgando a chamada de textos para a segunda edição da Conferência Internacional sobre Ética Jornalística. O evento acontece em abril de 2013, e contribuições são aceitas até 15 de março.

Mais informações em: http://congreso.us.es/mediaethics/index.html

o governo do jornalismo: chamada

A revista internacional Sobre Jornalismo está com chamada aberta para artigos, e o tema é “O Governo do Jornalismo”. O prazo para envio dos textos completos é 15 de janeiro de 2013.
Veja a chamada aqui.

um seminário sobre as transformações no jornalismo

 

oriente médio e a crise de narrativas

 

é hoje! reportagem, pesquisa e investigação

Eu e Samuel Lima tivemos o prazer e o privilégio de organizar mais um livro resultante do Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo, o Bapijor. Com Francisco José Castilhos Karam, criamos o evento em 2011, e naquele mesmo ano, lançamos “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: fronteiras”, com capítulos assinados por jornalistas e acadêmicos dos dois países.

Agora, propusemos avançar um pouco mais. E com “Reportagem, Pesquisa e Investigação” (também editado pela Insular), pretendemos oferecer alguma contribuição para se pensar métodos para o jornalismo investigativo e a pesquisa acadêmica que se faz sobre esse tema.

Lançaremos inicialmente no Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, HOJE (9/11), às 20 horas, na PUC em Curitiba. Ficou curioso? Então, veja o sumário abaixo, e a seguir uma apresentação do livro. (Em breve, nas melhores e piores casas do ramo…)

Sumário

Apresentação: Um discurso pelo método – Rogério Christofoletti

Prefácio: Livre de preconceitos – Mauro César Silveira

>> Parte 1 – Cenários e Desafios

La calidad informativa en contextos digitales – Lila Luchessi

Governos progressistas e meios de comunicação na América Latina – Guillermo Mastrini

O repórter, o pesquisador e a apuração – Francisco J. Castilhos Karam

Oncotô?, doncovim?, proncovô? – Mylton Severiano

Riscos (e avanços) do Jornalismo na profissão e na academia – Valci Zuculoto

Risco Jornalístico, uma questão de Direitos Humanos – Luciana Kraemer

>> Parte 2 – Questões de Método

Jornalismo investigativo e metodologia de pesquisa indiciária – Samuel Lima

Técnicas de la investigación social: el método científico aplicado a la investigación periodística – Sandra Crucianelli

Métodos de Pesquisa e Investigação – Daniela Arbex

Um pouco de sol para o Paraná – James Alberti

Investigação jornalística de encomenda e a extinção dos intelectuais nas redações brasileiras – Leandro Fortes

Telejornalismo com Antropologia e sem câmeras ocultas – Antonio Brasil

Apresentação: um discurso pelo método

Uma das principais dificuldades em qualquer atividade humana é sistematizar conhecimentos. Ordenar ideias, selecionar as que melhor funcionam e fazer descartes é trabalhoso e angustiante. Mas também necessário e recompensador. Aglutinar dados, promovê-los à condição de informação e oferecer a melhor síntese de um conceito ou procedimento interessa não só a quem se dedica a pensar, mas também a quem faz.

O jornalismo se ressente da carência de métodos. Mesmo com uma história universal ligada ao desenvolvimento das sociedades e aos avanços da tecnologia, essa atividade carece da reunião de conhecimentos para a proposição de padrões de ação. Muitas vezes, os saberes são lapidados a duras penas no dia a dia e ficam espalhados, ajudando a consolidar a sensação de que a área é frágil conceitualmente, não tem tradição de trabalho nem massa crítica. Com isso, a dispersão dos conhecimentos empíricos contribui não apenas para a fragmentação da área, mas também para o aprofundamento de uma fissura que insiste em distanciar o mundo do trabalho (o mercado, a indústria e a categoria profissional) da academia (a pesquisa, a experimentação e a formação de novas levas de jornalistas). Existem ainda saberes construídos nas universidades e centros de pesquisa e que lá ficam confinados, como se fizessem parte de um estoque intocável de bens perecíveis.

Tanto num caso como em outro, são perdidos tempo, energia e recursos, que podem impedir que o jornalismo avance justamente porque não sedimentou práticas, não definiu padrões, não pacificou entendimentos. Não se trata apenas de produzir manuais de reportagem, mas de pensar a teoria e a prática a partir dos procedimentos aperfeiçoados no cotidiano, suas dificuldades, impasses e inconsistências. Não se trata também de despejar sobre os jornalistas uma avalancha de ditames que burocratizem o trabalho das redações, que atravanquem o fluxo das informações e engessem suas ações. Mas consolidar métodos de apuração, de investigação de dados, e de tradução e empacotamento da informação são muito bem-vindos na medida em que cristalizam e disseminam os acertos e as melhores práticas na área.

No que concerne ao jornalismo investigativo – aquele que força os limites quase nunca complacentes dos poderes para revelar crimes, imoralidades e abusos –, ainda há muito a se produzir em termos de metodologia. Seja criando e testando técnicas, seja formulando e buscando novas formas de abordagem. Sem deixar de identificar critérios de análise e síntese e, em muitas ocasiões, redobrando os cuidados éticos. A se julgar por sua etimologia, que remonta ao grego antigo e significa “caminho”, a palavra “método” é um oceano a ser explorado no jornalismo, ainda mais nos dias atuais, quando as sociedades se tornaram mais complexas e a revelação de histórias ocultas se mostra mais urgente.

A multiplicação e descentralização de bancos de dados digitais, a exigência crescente dos cidadãos por abertura e transparência de governos e organizações, os muitos avanços tecnológicos, tudo isso contribui para o desenvolvimento de novas técnicas e de novos métodos para averiguar e investigar jornalisticamente. Cabe aos profissionais da informação se habilitarem a explorar essas oportunidades e a recolherem as melhores lições desses usos. Há que se pensar e agir com senso de oportunidade!

O livro que o leitor tem em mãos objetiva fustigar o debate em torno da necessidade do método na reportagem. Resultado do 2º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), que aconteceu em abril de 2012 em Florianópolis, o livro reúne textos de acadêmicos e jornalistas num diálogo impetuoso e franco. O evento foi uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (POSJOR/UFSC) e Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), com patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Como em “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras” (também editado pela Insular em 2011), este volume atrai formulação científica, experiência profissional, observação de cenários e proposição de reflexões e práticas. São nossos interlocutores nas próximas páginas os jornalistas Daniela Arbex, James Alberti, Leandro Fortes, Luciana Kraemer, Mylton Severiano e Sandra Crucianelli, bem como os pesquisadores Antonio Claudio Brasil, Francisco José Karam, Guillermo Mastrini, Lila Luchessi, Samuel Lima e Valci Zuculoto, a quem agradecemos pela generosidade no compartilhamento de suas ideias e angústias pessoais sobre o tema.

Agradecemos ainda aos mediadores dos painéis do Bapijor – Antonio Brasil, Carlos Castilho, Luís Meneghim e Simone Kafruni – e à equipe de trabalho que tornou o evento possível: Cândida de Oliveira, Carolina Dantas, Carolina Pompeo Grando, Gian Kojikowski, Janara Nicoletti, Lucas Pasqual, Patricia Pamplona, Vanessa Hauser, Vinicius Schmidt e Wesley Klimpel.

As páginas a seguir retomam pontos importantes dos debates já ocorridos, devidamente ampliados e atualizados. Os lugares de fala são variados, o que reforça uma rica heterogeneidade, evidenciando também a multiplicidade de caminhos a perseguir. Nada mal. Talvez esteja aí a primeira atitude a assumir no jornalismo investigativo: compreender e conjugar o método numa perspectiva plural.

posjor lança nove livros na sbpjor

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo prepara um super lançamento editorial na 10ª edição do encontro nacional de pesquisadores, promovido pela SBPJor. São nove livros, todos editados pela Insular.

Confira!

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  • A programação de rádios públicas brasileiras – Valci Zuculoto
  • As entrevistas na notícia de televisão – Cárlida Emerim
  • Comunicação e comunidades virtuais: participação e colaboração – Rita Paulino
  • No ar: a história da notícia de rádio no Brasil – Valci Zuculoto
  • Jornalismo convergente: reflexões e experiências – Raquel Longhi e Carlos D’Andrea (organizadores)
  • Reportagem, Pesquisa e Investigação – Rogério Christofoletti e Samuel Lima (organizadores)
  • O segredo da pirâmide – Adelmo Genro Filho
  • Pesquisa e pedagogia para um jornalismo que está por vir – Eduardo Meditsch
  • Telejornalismo Imaginário – Antonio Brasil

por que queremos uma copa?

Estamos a menos de dois anos de sediar uma copa do mundo no Brasil. Se fosse na Sumatra ou no Azerbaijão, a coisa teria menos importância. Por aqui é diferente. Mexe com sentimentos, com tradições que insistimos em cultivar e com paixões. Mexe também com muito dinheiro, política e a agenda do país. Mas há vantagem em ter uma copa no país? O que fica de legado depois que os vencedores levantam a taça e os estádios se esvaziam?

Carolina Dantas e Gian Kojikovski são estudantes de jornalismo na UFSC e tentam responder a essas questões no trabalho de conclusão de curso que estão produzindo. Talentosos e inteligentes, esses meninos são também persistentes e corajosos. Por isso, foram buscar respostas na África do Sul, a última sede da Copa da Fifa. Atravessaram o oceano, embrenharam-se pelas vielas de Cape Town, conversaram com deus e o mundo, e voltaram para Florianópolis com mais de cinquenta horas gravadas em vídeo para editar. O documentário “Depois do apito final” está em fase conclusiva de produção, e parte do processo dos jovens jornalistas pode ser conferido num blog. A orientação é da professora Cárlida Emerim.

Tive o prazer de acompanhar parte da formação de Carolina e Gian, como alunos, bolsistas, repórteres. Sei o quanto são autoexigentes. Tenho curiosidade para conferir o resultado dessa jornada. Eles vão longe! Se para fazer um trabalho escolar atravessaram o Atlântico, imagine quando mergulharem pra valer no mundo da reportagem…

acabou…

 

A última primeira página do Jornal da Tarde…

mudanças no jornalismo: um evento, uma pesquisa

Participo hoje do Seminário “Mudanças no Mundo do Trabalho dos Jornalistas” na ECA/USP, a convite da professora Rosely Fígaro. A atividade é uma iniciativa do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) e está reunindo pesquisadores, profissionais e interessados para discutir transformações na área. Na semana passada, por exemplo, o convidado foi o jornalista Luciano Martins Costa, que tem larga experiência profissional e é um arguto analista da mídia com forte presença no Observatório da Imprensa. Na semana que vem, meu amigo Jacques Mick, professor do Departamento de Sociologia Política da UFSC, deve falar sobre a pesquisa que coordena para traçar um perfil do jornalista brasileiro.

Hoje, devo orientar minha fala para tratar da crise do jornalismo e da dimensão ética que perpassa esse cenário.

Acho muito importante a realização de eventos deste tipo, que juntam academia e mercado para debater soluções comuns para a atividade jornalística. O fosso que separa o setor produtivo da universidade interessa a quem, afinal?

Se você tem curiosidade sobre este assunto, pode acompanhar o debate de hoje à noite pelo IPTV-USP ao vivo. Basta clicar aqui.

Se quer participar da pesquisa que tenta recensear os jornalistas no Brasil, clique aqui.

10 anos que abalaram a mídia

Lembra do livro do John Reed? “Dez dias que abalaram o mundo” trazia um relato pungente e testemunhal da revolução de 1917 na Rússia. É obra importante e influente do jornalismo. Pois o Instituto Reuters para Estudo do Jornalismo acaba de lançar um relatório de pesquisa cujo título lembra bastante o livro de Reed: “Dez anos que chocaram o mundo da mídia”.

O estudo se debruça sobre a primeira década deste século e milênio, observando os mercados de seis democracias fortes e ricas e dois países emergentes, um deles o Brasil. São 75 páginas, em inglês, formato PDF e com arquivo de 4,8 megas de tamanho. Acesse aqui.

(cabalístico: este é o post número 2012 deste blog…)

revistra trilíngue sobre jornalismo

Um consórcio internacional de pesquisadores acaba de lançar uma revista trinlíngue (inglês, português, francês) que se debruça sobre o jornalismo e seus entornos. O título não poderia ser mais referencial:

Sur le journalisme/About journalism/Sobre jornalismo

Conheça!

crise mundial, oriente médio e comunicação pública, por kucinski

(reproduzido do POSJOR)

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC promove a partir deste mês o ciclo “Leituras Contemporâneas com Bernardo Kucinski”, um conjunto de conferências para discutir alguns dos principais temas da atualidade.

Nos mesmos moldes das lectures norte-americanas, as conferências do Leituras Contemporâneas são abertas ao grande público, gratuitas e voltadas à discussão e reflexão. A primeira delas aborda “A crise financeira mundial” e acontece no próximo dia 16 de outubro, terça-feira, às 10 horas no Auditório Henrique da Silva Fontes no CCE-UFSC. O evento é dirigido a professores, pesquisadores e estudantes de diversas áreas e a interessados em geral.

Em novembro, no dia 14, as Leituras Contemporâneas enfocam o “Oriente Médio e a Crise de Narrativas”, e em dezembro, no dia 5, a “Comunicação Pública Democrática”, ambos às 10 horas no Auditório Elke Hering, na Biblioteca Universitária da UFSC.

O ciclo é uma realização do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR), com apoio do Departamento de Jornalismo da UFSC e Observatório da Ética Jornalística (objETHOS).

Entrada gratuita, com direito a certificados. Inscrições no local.

Quem é Bernardo Kucinski: graduado em Física, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, livre-docente pela mesma universidade e pós-doutor pela University of London. Como jornalista, atuou no serviço brasileiro da BBC de Londres, e, ainda na capital inglesa, foi correspondente da Gazeta Mercantil e dos jornais Bondinho e OPINIÃO. De volta ao Brasil, foi correspondente do The Guardian, e editor dos cadernos especiais da revista Exame, além de trabalhar na Veja e outros veículos. Entre 2003 e 2006 foi assessor Especial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Aposentou-se como titular da USP e é professor visitante junto ao POSJOR da UFSC. É autor de vários livros, entre eles “A ditadura da dívida: a crise do endividamento da América Latina”, “Jornalismo Econômico”, “Jornalismo na era virtual: ensaios sobre o colapso da razão ética”. Em 2011, estreou na ficção com o romance “K”, finalista do Prêmio Jabuti.

para hackers e para jornalistas

Ficou interessado? Inscreva-se aqui.

mudanças no mundo do trabalho dos jornalistas

O Centro de Pesquisa Comunicação e Trabalho (CPCT) realizará o Ciclo de Seminários As Mudanças no Mundo do Trabalho dos Jornalistas para divulgar os resultados da pesquisa O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo. Um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo, realizada entre 2009 e 2012 com apoio da FAPESP. Este Ciclo de Seminários propõe-se a discutir sobre o perfil dos jornalistas a partir do ponto de vista do profissional sobre o seu trabalho. Os dados sobre o perfil e as falas dos jornalistas profissionais foram coletados durante o desenvolvimento do projeto.

A pesquisa realizou o estudo proposto a partir do binômio comunicação e trabalho, o qual mobiliza o ponto de vista da atividade humana (ergológica) para entender as práticas profissionais no contexto da fusão de mídias e de relações de trabalho cada vez mais precárias. O projeto abordou o objeto empírico – amostra de jornalistas profissionais em São Paulo – a partir de métodos quantitativos e qualitativos, e os dados foram analisados por meio da Análise do Discurso.

Obtém-se como resultado um mapa do perfil do profissional de jornalismo e o ponto de vista deste profissional sobre seu trabalho, para que se possa entender qual o compromisso dele com o direito à informação, bem como poder traçar caminhos mais profícuos para a sua formação universitária. Neste Ciclo serão apresentados o desenvolvimento e os resultados da pesquisa, além de contar com a participação do jornalista Luciano Martins Costa no dia 08/10 e dos Professores Rogério Christofoletti (no dia 18/10) e Jacques Mick no dia 23. Nos três dias o evento contará com a presença dos professores Roseli Fígaro (ECA/USP, coordenadora do CPCT e da pesquisa), Maria Aparecida Baccega (vice-coordenadora do CPCT, ECA/USP e ESPM) e José Coelho Sobrinho (ECA/USP). Veja a programação completa:

Seminário O Mundo do Trabalho dos Jornalistas

Coordenadora:

Roseli Fígaro Profa. Livre-docente do Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP, coordenadora do CPCT.

Convidados:

Luciano Martins Costa: 8/10 (segunda-feira) no Centro Universitário Maria Antonia USP (Rua Maria Antonia, 258 e 294, Vila Buarque), SP

Rogério Christofoletti: 18/10 (quinta-feira) na ECA/USP – Auditório Lupe Cotrim (Av.Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443, 2ºandar)

Jacques Mick: 23/10 (terça-feira) na ECA/USP – Auditório Lupe Cotrim (Av.Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443, 2ºandar)

Debatedores (presentes a todos os eventos):

Maria Aparecida Baccega – Profa. Livre-docente, vice-coordenadora do CPCT da ECA-USP e orientadora no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM.

José Coelho Sobrinho (Prof. Titular e chefe do Depto de Jornalismo e Editoração da ECA-USP).

Inscrições: grátis. Enviar e-mail para comunicacaoetrabalho@gmail.com com nome completo, contato e instituição/vínculo até a véspera do evento.

(reproduzido do site do grupo de pesquisa)

mudanças estruturais no jornalismo: uma chamada

Segundo Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo: Estatutos, carreiras e normas
Local: Natal, Rio Grande do Norte, Brasil
Data: 7 a 10 de maio de 2013
Submissão de propostas até: 15 de novembro de 2012
Realização: Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Departamento de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
Parceria: Departamento de Comunicação Social da UFRN, Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e Réseau d’Études sur le Journalisme (Rede de Estudos sobre o Jornalismo/REJ)

Para saber mais, acesse: www.mejor.com.br

cláusula de consciência e um precedente jurídico

A notícia interessa a todos os jornalistas, pois pode criar uma jurisprudência brasileira para casos de violação à cláusula de consciência…

(reproduzido do site do Tribunal Superior do Trabalho. A dica é do professor Marcel Cheida)

Uma jornalista da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão no Estado do Rio Grande do Sul (RS) será indenizada em R$ 10 mil por danos morais após a comprovação de ato de cerceamento da liberdade profissional por parte da Fundação. A decisão, por unanimidade, foi tomada pela Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que ao negar provimento ao recurso da Fundação manteve a condenação imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS). A Fundação opera uma emissora pública de televisão, a TV Educativa (TVE) do Rio Grande do Sul.

A jornalista em sua inicial narra que foi escalada para fazer uma matéria para a TVE sobre a troca da direção da Secretaria de Transparência do Estado do Rio Grande do Sul. Na matéria seriam entrevistados o recém-nomeado para o cargo e a secretária demissionária. A jornalista destacou que a ex-secretária, ao pedir demissão, havia criticado publicamente o Governo do Estado por este não haver estruturado a Secretaria. As críticas segundo a jornalista foram amplamente divulgadas pela imprensa gaúcha à época.

Após pronta a reportagem sobre a troca de secretários, a jornalista foi informada que sua matéria não seria veiculada e que estaria afastada, a partir daquela data, do jornalismo político, sendo proibida a sua presença no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho.

O fato segundo a jornalista repercutiu em toda imprensa gaúcha. O presidente da TVE a época ao ser perguntado sobre os fatos que levaram a jornalista a ser afastada do jornalismo político, acusou-a de “não possuir “padrão técnico” para trabalhar na reportagem política”. A jornalista se refere ao fato como “inacreditável”, já que possuía mais de 15 anos de experiência na área, era concursada e especializada em televisão pela Universidad de Alicante, na Espanha e formada em Documentários para televisão pela Universty of London e Westminster University, ambas no Reino Unido.

Diante dos fatos a jornalista afirmou estar sendo alvo de intimidações e constrangimentos, externados através de humilhações e da proibição de livre exercício da sua profissão. Pedia indenização no valor de R$ 45 mil por danos morais.

A 17ª Vara do Trabalho de Porto Alegre negou o pedido da jornalista. Na sentença o juízo observa que os fatos narrados pela jornalista de fato ocorreram, porém não ficou comprovado que estes tenham atingido de forma negativa sua intimidade, honra ou imagem. O Regional entretanto reformou a sentença e condenou a Fundação por danos morais em R$ 10 mil acrescidos de juros. Para o Regional a prova testemunhal provou o dano causado à dignidade profissional da jornalista, caracterizado através da entrevista do então presidente da TVE.

A Fundação diante da condenação recorreu por meio de recurso de revista ao TST. O seguimento do recurso foi negado pela vice-presidente do TRT da 4ª Região que não constatou a ocorrência de violação a dispositivo de lei ou da Constituição Federal que autorizassem o exame pelo TST. Com isto a Fundação ingressou com o agravo de instrumento agora julgado pela Turma.

Na Oitava Turma a relatora ministra Dora Maria da Costa negou o pedido da Fundação sob o fundamento de que o Regional havia fixado corretamente o valor da condenação, observando a culpa e o porte econômico da jornalista e da Fundação, bem como a proporcionalidade em relação a extensão do prejuízo. A ministra salientou ainda que os acórdão trazidos no recurso para o confronto de teses são inservíveis, por não tratarem dos mesmos fatos que são discutidos no recurso.

(Dirceu Arcoverde/RA)

Processo: AIRR-8600-11.2009.5.04.0017

O TST possui oito Turmas julgadoras, cada uma composta por três ministros, com a atribuição de analisar recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).

30 códigos de ética juntos!

Não comentei aqui antes, mas faço agora. O Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) retomou suas atividades deste semestre na semana passada e lançou seu primeiro e-book, contendo trinta códigos de ética jornalística devidamente traduzidos para o português. A Coleção objETHOS de Códigos Deontológicos é gratuito, tem 151 páginas, e arquivo de 1,4 Mega em documento PDF.

Baixe aqui.

mais um encontro de jornais laboratórios em sc

adelmo, 25 anos depois

onde fica a consciência do jornalismo?

(Já que falei da 11ª Semana do Jornalismo, reproduzo abaixo um texto que publiquei na Semana Revista, a pedido dos organizadores)

Idealismo e parcialidade ajudam a consolidar uma imagem equivocada do jornalismo. Embora ele seja uma atividade de massa, altamente exposta e cada vez mais presente na vida social, nem sempre se sabe como ele funciona, o que chega a ser uma contradição. Como são cercadas por veículos de informação, as pessoas acham que estão íntimas do jornalismo e se acomodam com os conceitos que dele têm. Por conveniência e letargia, jornalistas e veículos também não se mobilizam muito para desmanchar mitos insustentáveis como os da objetividade, imparcialidade e verdade única. Este círculo vicioso mantém visões românticas e glamourosas do jornalismo.

Como isso interfere na vida do cidadão comum, que não frequenta uma redação nem se preocupa com os valores-notícia? Essa visão idílica distorce também os julgamentos sobre os produtos e serviços jornalísticos, fazendo com que as pessoas passem a julgar as coberturas de uma forma que não tem correspondência com o cotidiano das ruas. Trocando em miúdos: as pessoas vêem o noticiário e se escandalizam com o enfoque das reportagens, julgando que alguém ali está querendo enganá-las. Claro que isso pode acontecer, mas nem sempre é manipulação descarada, distorção deliberada ou um grande plano conspiratório. Pode haver uma série de razões que expliquem a diferença entre a expectativa do público e a narrativa apresentada. Este descolamento entre o desejo da audiência e o produto jornalístico causa frustração num primeiro momento, depois indignação e uma quase incontornável repulsa na sequência.

Em coberturas de casos polêmicos, a zona de tensão se amplia porque tendências ideológicas afloram com mais força e os limites editoriais também se impõem mais. Veja-se o Caso Pinheirinho. Em janeiro deste ano, a Polícia Militar de São Paulo expulsou com violência 1,6 mil famílias de moradores da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos. Os soldados cumpriam uma decisão judicial de reintegração de posse do terreno, que pertencia à massa falida do grupo Selecta, do investidor Naji Nahas. A área contava com 1,3 milhão de metros quadrados, e o litígio opunha a ordem da justiça e milhares de favelados que ocuparam um terreno de um especulador que devia milhões de reais em impostos à prefeitura. Como a maior parte dos veículos de comunicação cobriu o assunto? Basicamente apoiada na legitimidade da ação policial em “desocupar” a área, sem questionar se a ordem era justa ou razoável, ao determinar desalojar milhares de pessoas para pagar dívidas tributárias.

O cidadão comum pode se queixar do tratamento dado ao caso pela mídia, enxergando ali a preferência de um lado em detrimento de outro, e – pior! – questionando a ética dos repórteres. Isso é legítimo? Sim, se o cidadão esperar que o relato jornalístico reflita o que o repórter sente e acredita. Mas nem sempre é assim.

O jornalismo é uma atividade complexa e coletiva. O resultado final, aquele que chega ao público, é produto de diversas etapas de apuração, checagem, recorte, seleção, adequação de formato, tradução de linguagem, embalagem e difusão. Claro que isso envolve mais gente, e que a visão do repórter pode se perder no meio de tudo, seja porque não é a que melhor retrata o fato, ou porque se corrompe ao longo do processo. As omissões no Caso Pinheirinho – sobre os abusos de poder da Polícia Militar e as violações de direitos humanos na ação -, a prevalência de um ângulo e a escolha da ênfase em algum aspecto podem sim contrariar preceitos da ética jornalística, expressa em códigos escritos ou em regras tácitas da categoria. O repórter “se vendeu” à visão do veículo que trabalha e por isso fez um “mau serviço”? Pode ser, mas é difícil afirmar com segurança. Sabe por quê? Porque existem mais fatores que ajudam a determinar a situação.

Nem sempre é o proprietário do meio de comunicação quem determina o viés da matéria. Muitas vezes, são os chefetes de plantão que atuam em nome de um jornalismo que insiste em conservar as coisas como elas estão. Eles fazem o serviço sujo, antecipando-se à sanha de um superior que supostamente gostaria de controlar todas as peças no tabuleiro. Em outras ocasiões, há o despreparo de quem sai às ruas para a cobertura, tanto técnico quanto cultural e cognitivo. Isso mesmo! Há repórteres que não se mostram capazes de “ler” uma cena, de compreender uma disputa, de perceber absurdos nas circunstâncias. Existem ainda os episódios em que tanto se mexe na matéria que ela se deforma, distanciando-se muito do seu sentido original. Note-se quantos fatores podem definir o resultado final de uma pauta!

Nem sempre é a consciência do repórter que determina e conduz a narrativa da reportagem. Valores-notícia, critérios editoriais do veículo, escolhas momentâneas de editores e decisores, consensos de redação também estão em campo. Afinal, onde fica a consciência no jornalismo? Fica em muitos lugares, mas precisa se orientar por um horizonte único: o interesse e a necessidade do público. Sem essa referência, qualquer bússola se desorienta.