é hoje! reportagem, pesquisa e investigação

Eu e Samuel Lima tivemos o prazer e o privilégio de organizar mais um livro resultante do Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo, o Bapijor. Com Francisco José Castilhos Karam, criamos o evento em 2011, e naquele mesmo ano, lançamos “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: fronteiras”, com capítulos assinados por jornalistas e acadêmicos dos dois países.

Agora, propusemos avançar um pouco mais. E com “Reportagem, Pesquisa e Investigação” (também editado pela Insular), pretendemos oferecer alguma contribuição para se pensar métodos para o jornalismo investigativo e a pesquisa acadêmica que se faz sobre esse tema.

Lançaremos inicialmente no Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, HOJE (9/11), às 20 horas, na PUC em Curitiba. Ficou curioso? Então, veja o sumário abaixo, e a seguir uma apresentação do livro. (Em breve, nas melhores e piores casas do ramo…)

Sumário

Apresentação: Um discurso pelo método – Rogério Christofoletti

Prefácio: Livre de preconceitos – Mauro César Silveira

>> Parte 1 – Cenários e Desafios

La calidad informativa en contextos digitales – Lila Luchessi

Governos progressistas e meios de comunicação na América Latina – Guillermo Mastrini

O repórter, o pesquisador e a apuração – Francisco J. Castilhos Karam

Oncotô?, doncovim?, proncovô? – Mylton Severiano

Riscos (e avanços) do Jornalismo na profissão e na academia – Valci Zuculoto

Risco Jornalístico, uma questão de Direitos Humanos – Luciana Kraemer

>> Parte 2 – Questões de Método

Jornalismo investigativo e metodologia de pesquisa indiciária – Samuel Lima

Técnicas de la investigación social: el método científico aplicado a la investigación periodística – Sandra Crucianelli

Métodos de Pesquisa e Investigação – Daniela Arbex

Um pouco de sol para o Paraná – James Alberti

Investigação jornalística de encomenda e a extinção dos intelectuais nas redações brasileiras – Leandro Fortes

Telejornalismo com Antropologia e sem câmeras ocultas – Antonio Brasil

Apresentação: um discurso pelo método

Uma das principais dificuldades em qualquer atividade humana é sistematizar conhecimentos. Ordenar ideias, selecionar as que melhor funcionam e fazer descartes é trabalhoso e angustiante. Mas também necessário e recompensador. Aglutinar dados, promovê-los à condição de informação e oferecer a melhor síntese de um conceito ou procedimento interessa não só a quem se dedica a pensar, mas também a quem faz.

O jornalismo se ressente da carência de métodos. Mesmo com uma história universal ligada ao desenvolvimento das sociedades e aos avanços da tecnologia, essa atividade carece da reunião de conhecimentos para a proposição de padrões de ação. Muitas vezes, os saberes são lapidados a duras penas no dia a dia e ficam espalhados, ajudando a consolidar a sensação de que a área é frágil conceitualmente, não tem tradição de trabalho nem massa crítica. Com isso, a dispersão dos conhecimentos empíricos contribui não apenas para a fragmentação da área, mas também para o aprofundamento de uma fissura que insiste em distanciar o mundo do trabalho (o mercado, a indústria e a categoria profissional) da academia (a pesquisa, a experimentação e a formação de novas levas de jornalistas). Existem ainda saberes construídos nas universidades e centros de pesquisa e que lá ficam confinados, como se fizessem parte de um estoque intocável de bens perecíveis.

Tanto num caso como em outro, são perdidos tempo, energia e recursos, que podem impedir que o jornalismo avance justamente porque não sedimentou práticas, não definiu padrões, não pacificou entendimentos. Não se trata apenas de produzir manuais de reportagem, mas de pensar a teoria e a prática a partir dos procedimentos aperfeiçoados no cotidiano, suas dificuldades, impasses e inconsistências. Não se trata também de despejar sobre os jornalistas uma avalancha de ditames que burocratizem o trabalho das redações, que atravanquem o fluxo das informações e engessem suas ações. Mas consolidar métodos de apuração, de investigação de dados, e de tradução e empacotamento da informação são muito bem-vindos na medida em que cristalizam e disseminam os acertos e as melhores práticas na área.

No que concerne ao jornalismo investigativo – aquele que força os limites quase nunca complacentes dos poderes para revelar crimes, imoralidades e abusos –, ainda há muito a se produzir em termos de metodologia. Seja criando e testando técnicas, seja formulando e buscando novas formas de abordagem. Sem deixar de identificar critérios de análise e síntese e, em muitas ocasiões, redobrando os cuidados éticos. A se julgar por sua etimologia, que remonta ao grego antigo e significa “caminho”, a palavra “método” é um oceano a ser explorado no jornalismo, ainda mais nos dias atuais, quando as sociedades se tornaram mais complexas e a revelação de histórias ocultas se mostra mais urgente.

A multiplicação e descentralização de bancos de dados digitais, a exigência crescente dos cidadãos por abertura e transparência de governos e organizações, os muitos avanços tecnológicos, tudo isso contribui para o desenvolvimento de novas técnicas e de novos métodos para averiguar e investigar jornalisticamente. Cabe aos profissionais da informação se habilitarem a explorar essas oportunidades e a recolherem as melhores lições desses usos. Há que se pensar e agir com senso de oportunidade!

O livro que o leitor tem em mãos objetiva fustigar o debate em torno da necessidade do método na reportagem. Resultado do 2º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), que aconteceu em abril de 2012 em Florianópolis, o livro reúne textos de acadêmicos e jornalistas num diálogo impetuoso e franco. O evento foi uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (POSJOR/UFSC) e Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), com patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Como em “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras” (também editado pela Insular em 2011), este volume atrai formulação científica, experiência profissional, observação de cenários e proposição de reflexões e práticas. São nossos interlocutores nas próximas páginas os jornalistas Daniela Arbex, James Alberti, Leandro Fortes, Luciana Kraemer, Mylton Severiano e Sandra Crucianelli, bem como os pesquisadores Antonio Claudio Brasil, Francisco José Karam, Guillermo Mastrini, Lila Luchessi, Samuel Lima e Valci Zuculoto, a quem agradecemos pela generosidade no compartilhamento de suas ideias e angústias pessoais sobre o tema.

Agradecemos ainda aos mediadores dos painéis do Bapijor – Antonio Brasil, Carlos Castilho, Luís Meneghim e Simone Kafruni – e à equipe de trabalho que tornou o evento possível: Cândida de Oliveira, Carolina Dantas, Carolina Pompeo Grando, Gian Kojikowski, Janara Nicoletti, Lucas Pasqual, Patricia Pamplona, Vanessa Hauser, Vinicius Schmidt e Wesley Klimpel.

As páginas a seguir retomam pontos importantes dos debates já ocorridos, devidamente ampliados e atualizados. Os lugares de fala são variados, o que reforça uma rica heterogeneidade, evidenciando também a multiplicidade de caminhos a perseguir. Nada mal. Talvez esteja aí a primeira atitude a assumir no jornalismo investigativo: compreender e conjugar o método numa perspectiva plural.

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    • Eliana Frantz

      Parabéns, Rogério Cristofoletti! Para você e para todos, que se empenharam em tão fascinante tarefa, pela obra que se apresenta, que com certeza, virá a acrescentar conhecimentos e dar possibilidades de repensar “o método” do jornalismo investigativo.
      Este fará parte da minha biblioteca, também.
      Abs.

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