boa notícia! capes e cnpq criam nova bolsa para estudantes

(Reproduzido da assessoria de comunicação da Capes)

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criam, como projeto piloto a ser iniciado ainda em 2012, uma nova modalidade de bolsa destinada aos estudantes que ingressaram este ano nas universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia. Preliminarmente, o projeto prevê a concessão de 6 mil bolsas de estudo que serão oferecidas pelas duas agências.

Nos próximos anos, esta modalidade de bolsa será estendida para os alunos ingressantes em universidades estaduais e também não públicas.

Estas bolsas terão por objetivo identificar precocemente nossos melhores Jovens Talentos entre os ingressantes universitários, para estimulá-los ao interesse e dedicação plena ao aprendizado acadêmico e a prática em ciência e tecnologia. Os alunos serão selecionados internamente em cada universidade, mediante prova de conhecimentos, para receberem estas bolsas já a partir do segundo semestre de 2012. Adicionalmente, os resultados obtidos poderão também ser utilizados como critérios de prioridade nos Programas Institucionais de Bolsas de Iniciação Científica e no Programa Ciência sem Fronteiras.

debata a liberdade de expressão

O jornalista Timothy Garton Ash e uma equipe internacional de estudantes ligados à Oxford University estão à frente de um projeto bem interessante: um site em 13 línguas que propõe 10 princípios para a liberdade de expressão, e que convida a debatê-los. Basta se cadastrar e participar, opinando, votando, clicando.

O site tem interfaces em inglês, português, espanhol, alemão, francês, japonês, chinês, russo, turco, hindi, árabe, farsi e urdu. Os responsáveis pelo projeto que acreditam que cobrem 80% dos 2 bilhões de pessoas conectadas à internet com este leque linguístico.

Os princípios propostos são:

1. Nós, seres humanos, devemos ser livres e ter as garantias necessárias para expressar, receber e comunicar informações e ideias, independentemente de fronteiras.

2. Defendemos a internet e todas as outras formas de comunicação contra os abusos ilegítimos tanto do poder público quanto da iniciativa privada.

3. Exigimos e criamos mídias abertas e diversificadas que possam nos ajudar a tomar decisões bem informadas, e com isso participar plenamente da vida política.

4. Falamos abertamente e com civilidade sobre todas as diferenças entre os seres humanos.

5. Não permitimos que tabus interfiram na discussão e disseminação do conhecimento.

6. Não fazemos ameaças de violência nem tampouco aceitamos intimidações violentas.

7. Nós respeitamos a pessoa que tenha uma opinião ou crença, mas não necessariamente o conteúdo dessa opinião ou crença.

8. Temos o direito a uma vida privada mas devemos aceitar investigações que sejam de interesse público.

9. Devemos ter meios de combater ofensas às nossas reputações sem com isso silenciar um debate legítimo.

10. Devemos ser livres para questionar todos os limites à liberdade de expressão que tenham como justificativa questões de segurança nacional, ordem pública e/ou princípios morais.

Ficou interessado? Quer debater?
Acesse: http://freespeechdebate.com/pt/

a classe média se regozija

As manchetes de três dos principais jornais brasileiros dão a tônica do sonho da classe média, ligeiramente endinheirada: Vamos pra Disney!!
Foi só o presidente norte-americano acenar com uma bugigangazinha que os nativos brilharam os olhos. Notem que o governo dos EUA não está abolindo a necessidade dos vistos para brasileiros; apenas anunciou que vai facilitar a emissão dos documentos… ainda precisaremos de carimbos para entrar naquele país e deixar por lá nossos dólares… mas a migalha foi alardeada em alto e bom na mídia daqui.

Se formos pensar, esse jeitão colono-deslumbrado-aparvalhado ajuda a explicar porque a viagem de Luiza ao Canadá causou tanto por aqui…

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“o brado retumbante” é ingênuo, mas interessante

Os americanos não têm tantos pudores quanto os brasileiros quando o assunto é usar seus presidentes na TV ou no cinema. Na pele do chefe da nação, Harrison Ford já trocou sopapos para salvar o mundo em seu Força Aérea Um, Morgan Freeman, Danny Glover e Jack Nicholson anunciaram o apocalipse, e até mesmo o baixinho Martin Sheen já mandou na Casa Branca. Os presidentes americanos pilotam caças contra alienígenas, lideram ofensivas globais, assumem – com algum conforto – o posto de xerifes do planeta.

Entre nós, a coisa não é bem assim.

A minissérie “O brado retumbante”, no ar na TV Globo desde a terça, 17, é um produto que foge à regra. Apresenta a história de um presidente acidental, cercado de chacais palacianos, e disposto a colocar o país nos trilhos, apesar de seus muitos deslizes pessoais. A direção caprichada, o ritmo bem cadenciado dos capítulos e o elenco que mescla medalhões e rostos menos conhecidos ajudam a dar um charme à trama. A trilha sonora reúne bons momentos, embora não tenha sido criada especificamente para a ocasião. Cenários aludem mais ao Rio de Janeiro que Brasília, mas isso pouco importa no enredo. Fica até mais bonito.

Particularmente, tenho gostado da história na medida em que embaça as fronteiras entre as vidas privada e pública do presidente Paulo Ventura, e quando mostra aliados e opositores de forma dúbia. O presidente se mostra aturdido pela surpresa de ter que assumir o cargo mais alto do país. É pressionado de todos os lados, até mesmo de quem ele menos poderia esperar, a mãe. Os diálogos oscilam entre boas trocas de farpas e discursos mais didáticos, que quase convidam ao sono. Mas a atração vale a atenção.

A história se apoia em alguns pontos frágeis, muito próximos da ingenuidade:

. Ventura se torna presidente porque o primeiro e o segundo homens da nação desparecem num acidente de helicóptero! Ora, em nenhum lugar do mundo, presidente e vice viajam juntos! É uma norma básica de segurança e de manutenção do poder!

. Um senador ou outro têm acesso fácil e privilegiado ao gabinete do homem, e chegam de forma intempestiva. Ora, não há secretária, agenda presidencial, protocolos? Em toda parte, esse acesso é restrito, dificultado pela burocracia, por filtros!

. A filha de Ventura se mete em enrascadas e grita, como que anunciando, ser filha do homem. Ora, em tempos de redes sociais, paparazzi e meios de comunicação de massa, ninguém sabia disso? Só se estivesse no Canadá…

O fato é que “O brado retumbante” é um bom exercício narrativo, apesar da visão política maniqueísta e juvenil. É uma boa história mesmo com sua estatura rasa, sem muitas camadas e temas paralelos. Sua nuvem de tags poderia trazer “ética”, “política”, “corrupção”, “utopia”, “moralismo”, “justiça”, “novo país”, “público versus privado”, “interesses privados”, “razões de estado”… Tornar mais intrincado o jogo entre essas palavras é que seria muito bem vindo.

Seus autores e realizadores só não podem querer fazer da diversão um capítulo do Telecurso 2000 ou mesmo uma transmissão da TV Senado. Teledramaturgia não precisa de didatismo nem discursos insossos. Requer ritmo, bons diálogos, trama envolvente, personagens críveis e finais não previsíveis. Aliens, guerras mundiais e finais do mundo podem ficar com os americanos…

estudos em liberdade de informação

A ONG Artigo 19 lançou recentemente o primeiro de uma série de informes sobre o tema da liberdade de informação e de acesso a ela. Baixe aqui. (em português, em PDF, 40 páginas e arquivo com 560 Kb)

o ai-5 digital em debate na “politics”

Recebi esta semana a edição impressa da revista poliTICs, editada pelo Nupef e com apoio da Fundação Ford. O tema deste número de agosto é a chamada Lei Azeredo, projeto de Lei Sobre Crimes de Informática (PL 84/99), apontado por ciberastivistas como um “Cavalo de Troia” legislativo. O tema é polêmico e os textos da edição são vitais para a compreensão e discussão do assunto.

Vejam o sumário:

A internet e o novo Cavalo de Troia – Sergio Amadeu da Silveira

Nomeação de domínios na internet – Avri Doria

Os guerreiros dos Dados Abertos estão lutando a favor de Robin Hood ou do xerife? – Michael Gurstein

A febre dos princípios da internet – Wolfgang Kleinwächter

Quer a melhor notícia? Você pode conferir tudo isso de graça e pela internet.
direito à fonte!

cnpq baixa normas éticas para pesquisadores

O CNPq recebeu denúncias de fraudes em periódicos científicos, cometidas por seus pesquisadores. Diante disso, percebeu-se que não havia diretrizes claras para lidar com situações desse tipo. Em maio passado, foi formada uma comissão para elaborar uma política de ética científica. Essas regras foram anunciadas recentemente pelo CNPq, conforme aponta o Relatório da Comissão de Integridade de Pesquisa (leia a íntegra aqui).

Em resumo, o CNPq identifica quatro tipos de fraudes científicas:

Fabricação ou invenção de dados: consiste na apresentação de dados ou resultados inverídicos.

Falsificação: consiste na manipulação fraudulenta de resultados obtidos de forma a alterar-lhes o significado, sua interpretação ou mesmo sua confiabilidade. Cabe também nessa definição a apresentação de resultados reais como se tivessem sido obtidos em condições diversas daquelas efetivamente utilizadas.

Plágio: consiste na apresentação, como se fosse de sua autoria, de resultados ou conclusões anteriormente obtidos por outro autor, bem como de textos integrais ou de parte substancial de textos alheios sem os cuidados detalhados nas Diretrizes. Comete igualmente plágio quem se utiliza de ideias ou dados obtidos em análises de projetos ou manuscritos não publicados aos quais teve acesso como consultor, revisor, editor, ou assemelhado.

Autoplágio: consiste na apresentação total ou parcial de textos já publicados pelo mesmo autor, sem as devidas referências aos trabalhos anteriores.

Para orientar a conduta dos pesquisadores brasileiros, o CNPq lista um conjunto de diretrizes:

1) O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho.

2) Toda citação in verbis de outro autor deve ser colocada entre aspas.

3) Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o significado exato das ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve ser citado.

4) Quando em dúvida se um conceito ou fato é de conhecimento comum, não se deve deixar de fazer as citações adequadas.

5) Quando se submete um manuscrito para publicação contendo informações, conclusões ou dados que já foram disseminados de forma significativa (p.ex. apresentado em conferência, divulgado na internet), o autor deve indicar claramente aos editores e leitores a existência da divulgação prévia da informação.

6) Se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados como um todo coesivo, não é considerado ético que eles sejam fragmentados em manuscritos individuais.

7) Para evitar qualquer caracterização de autoplágio, o uso de textos e trabalhos anteriores do próprio autor deve ser assinalado, com as devidas referências e citações.

8. O autor deve assegurar-se da correção de cada citação e que cada citação na bibliografia corresponda a uma citação no texto do manuscrito. O autor deve dar crédito também aos autores que primeiro relataram a observação ou ideia que está sendo apresentada.

9) Quando estiver descrevendo o trabalho de outros, o autor não deve confiar em resumo secundário desse trabalho, o que pode levar a uma descrição falha do trabalho citado. Sempre que possível consultar a literatura original.

10) Se um autor tiver necessidade de citar uma fonte secundária (p.ex. uma revisão) para descrever o conteúdo de uma fonte primária (p. ex. um artigo empírico de um periódico), ele deve certificar-se da sua correção e sempre indicar a fonte original da informação que está sendo relatada.

11) A inclusão intencional de referências de relevância questionável com a finalidade de manipular fatores de impacto ou aumentar a probabilidade de aceitação do manuscrito é prática eticamente inaceitável.

12) Quando for necessário utilizar informações de outra fonte, o autor deve escrever de tal modo que fique claro aos leitores quais ideias são suas e quais são oriundas das fontes consultadas.

13) O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem seu ponto de vista, sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em apoio a suas posições devem ser metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente apontados aos leitores.

14) O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que possam ser importantes para a reprodutibilidade independente de sua pesquisa.

15) Qualquer alteração dos resultados iniciais obtidos, como a eliminação de discrepâncias ou o uso de métodos estatísticos alternativos, deve ser claramente descrita junto com uma justificativa racional para o emprego de tais procedimentos.

16) A inclusão de autores no manuscrito deve ser discutida antes de começar a colaboração e deve se fundamentar em orientações já estabelecidas, tais como as do International Committee of Medical Journal Editors.

17) Somente as pessoas que emprestaram contribuição significativa ao trabalho merecem autoria em um manuscrito. Por contribuição significativa entende-se realização de experimentos, participação na elaboração do planejamento experimental, análise de resultados ou elaboração do corpo do manuscrito. Empréstimo de equipamentos, obtenção de financiamento ou supervisão geral, por si só não justificam a inclusão de novos autores, que devem ser objeto de agradecimento.

18) A colaboração entre docentes e estudantes deve seguir os mesmos critérios. Os supervisores devem cuidar para que não se incluam na autoria estudantes com pequena ou nenhuma contribuição nem excluir aqueles que efetivamente participaram do trabalho. Autoria fantasma em Ciência é eticamente inaceitável.

19) Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e idoneidade do trabalho, cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais autores responsabilidade pelas suas contribuições individuais.

20) Os autores devem ser capazes de descrever, quando solicitados, a sua contribuição pessoal ao trabalho.

21) Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja com animais ou com seres humanos.

acesso a informações públicas, um guia

O Senado Federal aprovou na terça-feira (25/10) o projeto de lei de acesso à informação, oito anos após a primeira proposta ter sido apresentada ao Congresso Nacional.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), uma das organizações que mais articularam para a aprovação da nova regra, produziu um guia que ajuda a traduzi-la. Veja aqui.

ocupar wall street: uma sugestão

Se antes boa parte da mídia ignorava, agora já é impossível fechar os olhos para os muitos protestos em Nova York e outras muitas cidades pelo mundo. O movimento para “ocupar Wall Street” tem bandeiras variadas e uma indignação comum contra o sistema financeiro, banqueiros e governos.

Não é fácil colocar centenas de pessoas acampadas em locais públicos e mantê-las unidas e motivadas por tantos dias. Por isso, temendo o esvaziamento, eu sugiro um novo lance aos manifestantes. Em vez de ocuparem Wall Street, eles devem desocupar os bancos!

Isso mesmo! Incito os manifestantes a limpar suas contas nos bancos, a retirar toda a grana retida no sistema financeiro. Com isso, podem dar um recado concreto: sem nossa grana, o sistema não fica em pé. Imagine se todos fizerem isso… pode não ser, nem um arranhãozinho no monstro, mas e se a coisa se alastra globalmente?

Alguma Cassandra histérica poderá dizer: Mas você está promovendo a baderna, o caos, a quebra do sistema financeiro! Menos… menos… só estou sendo absolutamente pragmático e socando direto no fígado. Em forma de protesto, os manifestantes dariam uma banana aos banqueiros, exigindo juros mais baixos, lucros menos escandalosos, relações menos exploratórias. Pressionados pelos correntistas e pela opinião pública, os governos e os bancos teriam que rever as bases de um sistema menos perverso…

enquanto o deputadômetro não volta…

Sim, a Facisc avisou que vai retornar com o polêmico ranking dos deputados catarinenses, mas isso daqui a algumas semanas. Se você gostou da iniciativa, confira o que um cidadão comum fez e que também é um ótimo projeto: AssembleiaAberta.

não é bem um wikileaks, mas vale…

A Folha de S.Paulo está colocando à disposição dos leitores uma série de documentos que ajudam a dar mais clareza às relações políticas nacionais e internacionais dos últimos anos. O projeto Folha Transparência, segundo o próprio jornal, é “é um conjunto de iniciativas do jornal para divugar informações e documentos de interesse da sociedade. O projeto reflete não só o trabalho de reportagem da Folha como também ações nas esferas administrativas e judicial para levar o poder público a revelar dados mantidos em sigilo”.

Não chega a ser comparável ao WikiLeaks, mas vale pelo esforço e pela abertura.

apesar do mimimi dos deputados, ele vai voltar…

Ao que tudo indica, o site mais polêmico de Santa Catarina deve voltar em breve. A Facisc emitiu nota anunciando que retomará o ranking dos parlamentares locais em seu Deputadômetro. A iniciativa causou irritação de suas excelências e a pressão fez com que a organização classista recuasse. Baixada a poeira e com um punhado de manifestações de apoio, o site deve ser atualizado em 30 dias.

Tomara que o site retorne rapidamente e que não volte atrás na sanha de observar os políticos catarinenses…

Veja a nota da Facisc

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) vai voltar a publicar o ranking dos deputados estaduais no site Deputadômetro (www.deputadometro.com.br). A decisão foi da diretoria da entidade após o recebimento de inúmeras manifestações de apoio e ponderações da sociedade, através de entidades empresariais e cidadãos. A FACISC também recebeu solicitações de entidades empresariais de outros estados para implantar a ferramenta nas suas assembleias legislativas.

Segundo o presidente da FACISC, Alaor Tissot, a intenção é rever alguns critérios, mas publicar novamente o ranking. “Nós vamos analisar outros itens sugeridos para ampliar a avaliação”, ressaltou.  A Federação ressalta que o site faz uma análise quantitativa da atividade parlamentar dentro da Assembleia Legislativa através de dados oficiais disponibilizados
pela própria Alesc.

Na próxima semana a Federação tem uma reunião agendada com o diretor executivo Cláudio Abramo do portal Transparência Brasil para troca de ideias. “Vamos buscar informações com a entidade a fim de promovermos as melhorias necessárias”.

Sobre a data do retorno a diretoria avalia que deve ser o mais rápido possível. “Temos que fazer as adequações e retornar com o ranking num prazo de 30 dias, que é o tempo necessário para coletar dados e adaptar a tecnologia”.

ebc vai ter manual de jornalismo

Não é só a Globo que se preocupa com a transparência de seus princípios editoriais, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) também tem seu compromisso público com as audiências e está trabalhando na elaboração de um manual de jornalismo próprio. O documento deve orientar os conteúdos produzidos e veiculados na TV Brasil, nas rádios EBC, na Radioagência Nacional e na Agência Brasil.

Conheça os princípios editoriais da EBC:

  1. A valorização da liberdade de imprensa e de expressão como fundamentos da democracia;
  2. o direito do cidadãos à informação e à comunicação e à livre manifestação de opinião e pensamento; a busca do pluralismo regional e da expressão da diversidade social, regional, étnica e cultural do Brasil devem pautar o jornalismo praticado pelos canais da EBC;
  3. a busca da verdade e da precisão, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e à diversidade de opiniões são fundamentos da credibilidade, patrimônio maior da imprensa livre e da comunicação democrática;
  4. a responsabilidade social é condição essencial ao exercício do jornalismo e à liberdade de imprensa;
  5. o respeito aos direitos do cidadão, sem distinção de qualquer natureza e a rejeição de toda e qualquer forma de preconceito são compromissos do jornalismo praticado pela EBC;
  6. a observância da Declaração Universal dos Direitos Humanos, dos princípios fundamentais da Constituição brasileira e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros são essenciais ao exercício do jornalismo nos canais da EBC;
  7. A preservação da Língua Portuguesa e da Cultura Brasileira, com respeito à diversidade e às identidades culturais são indispensáveis ao exercício do jornalismo nos canais da EBC.

A EBC também leva em consideração itens da Declaração da Unesco sobre o tema:

  • Princípio I: O direito dos povos a uma informação verídica – 
O povo e os indivíduos têm o direito de receber uma imagem objetiva da realidade, pelo canal de uma informação precisa e completa, e de se exprimirem livremente por intermédio de diversos meios de difusão da cultura e da comunicação.
  • Princípio II: O respeito do jornalista pela realidade objetiva
    A tarefa primordial do jornalista é servir o direito do povo a uma informação verídica e autêntica, respeitando com honestidade a realidade objetiva, colocando conscientemente os fatos no seu contexto adequado, salientando os seus elos essenciais, sem provocar distorções, desenvolvendo toda a capacidade criativa do jornalista, para que o público receba um material apropriado que lhe permita formar uma imagem precisa e coerente do mundo, na qual a origem, a natureza e a essência dos acontecimentos, processos e situações sejam compreendidas de uma forma tão objetiva quanto possível.
  • Princípio III: A responsabilidade social do jornalista
    No jornalismo, a informação é compreendida como um bem social e não como um simples produto. Isto significa que o jornalista partilha a responsabilidade da informação transmitida. Por isso é responsável, não só perante os que dominam os media mas, em última análise, perante o grande público, tendo em conta a diversidade dos interesses sociais. A responsabilidade social do jornalista exige que ele aja, em todas as circunstâncias, em conformidade com a sua própria consciência ética.
  • Princípio IV: A integridade profissional do jornalista
    O papel social do jornalista exige que a profissão mantenha um alto nível de integridade. Isso inclui o direito que o jornalista tem de não trabalhar ao arrepio das suas convicções ou de não revelar as suas fontes de informação bem como o direito de participar na tomada de decisões no media que o emprega. A integridade da profissão proíbe o jornalista de aceitar qualquer forma de remuneração ilícita e de promover interesses privados contrários ao bem-estar geral. O respeito pela propriedade intelectual, nomeadamente pela abstenção do plágio, faz igualmente parte do comportamento ético do jornalista.
  • Princípio V: Acesso e participação do público
    O caráter da profissão exige além disso que o jornalista favoreça o acesso do público à informação e à participação do público nos media, incluindo a obrigação de correção ou de retificação e o direito de resposta.
  • Princípio VI: Respeito pela vida privada e pela dignidade do homem
    O respeito pelo direito do indivíduo à vida privada e à dignidade humana, em conformidade com as disposições do direito internacional e nacional sobre a proteção dos direitos e da reputação de outrem, proibindo a difamação, a calúnia, a injúria e a insinuação malévola, faz parte integrante das normas profissionais do jornalista. 
PRINCÍPIO VII: RESPEITO PELO INTERESSE PÚBLICO 
As normas profissionais do jornalista prescrevem o pleno respeito pela comunidade nacional, pelas suas instituições democráticas e pela moral pública.
  • Princípio VIII: Respeito pelos valores universais e pela diversidade das culturas
    O verdadeiro jornalista defende os valores universais do humanismo, em particular a paz, a democracia, os direitos do homem, o progresso social e a libertação nacional, respeitando ao mesmo tempo o caráter distintivo, o valor e a dignidade de cada cultura assim como o direito de cada povo a escolher livremente e a desenvolver os seus sistemas político, social, econômico e cultural. Assim, o jornalista participa ativamente nas transformações sociais orientadas para uma melhoria democrática da sociedade e contribui, pelo diálogo, para estabelecer um clima de confiança nas relações internacionais, de modo a favorecer em toda a parte a paz e a justiça, o desanuviamento, o desarmamento e o desenvolvimento nacional. Compete ao jornalista, por razões de ética profissional, conhecer as disposições que, a este respeito, estão contidas nas convenções internacionais, declarações e resoluções.
  • Princípio IX: A eliminação da guerra e outros flagelos que afligem a humanidade
    O compromisso ético para com os valores universais do humanismo obriga o jornalista a abster-se de toda a forma de apologia ou de incitamento favorável às guerras de agressão e à corrida aos armamentos, especialmente às armas nucleares, e a todas as outras formas de violência, de ódio ou de discriminação, especialmente o racismo e o apartheid, e incita-o a resistir à opressão dos regimes tirânicos, a extirpar o colonialismo e neocolonialismo, bem como outros grandes flagelos que afligem a humanidade, tais como a miséria, a desnutrição e a doença. Com isso, o jornalista pode contribuir para eliminar a ignorância e a incompreensão entre os povos, para sensibilizar os cidadãos de um país para as necessidades e desejos dos outros, para garantir o respeito pelos direitos e pela dignidade de todas as nações, de todos os povos e de todos os indivíduos, sem distinção de raça, de sexo, de língua, de nacionalidade, de religião ou de convicções filosóficas.
  • Princípio X: Promoção de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação
    O jornalista trabalha no mundo contemporâneo na perspectiva do estabelecimento de relações internacionais novas em geral e de uma nova ordem da informação em particular. Esta nova ordem, concebida como parte integrante da nova ordem econômica internacional, visa a descolonização e a democratização, tanto no plano nacional como internacional, tendo por base a coexistência pacífica entre os povos no pleno respeito pela sua identidade cultural. O jornalista tem o dever especial de promover a democratização das relações internacionais no domínio da informação, salvaguardando e encorajando nomeadamente as relações pacíficas e amigáveis entre os Estados e os povos.”.

 

veja não deu trégua à dilma…

A edição da semana passada da revista Veja trouxe um editorial em que a publicação dá todo apoio à presidente. É uma trégua, então? Não é bem assim. Saiba porque no texto que escrevi para o objETHOS.

deputadômetro não durou um dia!

Foi só os deputados se queixarem um pouquinho que a Facisc voltou atrás e suspendeu o Deputadômetro. Lançado ontem, o site “para acompanhar o trabalho dos deputados estaduais de Santa Catarina” sofreu críticas dos parlamentares e teve seu ranking da atuação dos políticos suspenso. Entre no site e veja tudo parado e leia a nota oficial da Facisc.

Uma pena! Uma iniciativa que parecia arrojada, corajosa e interessante se revela um projeto medroso.

deputadômetro: política e transparência na rede

Foi lançado ontem em Florianópolis o Deputadômetro, site que deve permitir o acompanhamento dos parlamentares na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A iniciativa não vem de uma ONG, de um grupo de ativistas políticos, nem de hackers que querem complicar a vida dos políticos. O projeto é da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina, a Facisc.

Claro que é uma grande ideia e é óbvio que já está incomodando. Ontem mesmo os deputados já chiaram, queixando-se do fato de que o Legislativo é o poder mais fiscalizado e o que mais apanha; que um ranking com os deputados mais assíduos e produtivos não leva a nenhum lugar; que é uma irresponsabilidade, etc…. O deputado Gilmar Knaesel (PSDB) disse para que desistissem do Deputadômetro, afinal ele não contribui para a democracia. Ora, se a transparência do trabalho de homens com cargos públicos não ajuda a democracia e promove a cidadania, ocultar ajuda?

O pior foi ler no Diário Catarinense o que considerei uma ameaça do deputado Manoel Motta (PMDB): ele sugeriu que os deputados fizessem também consultas junto à Secretaria da Fazenda sobre possíveis dívidas de empresas no estado. É isso mesmo o que você viu. O digno representante do povo não quer ser monitorado, não quer ser acompanhado e ainda insinua que pode retaliar as empresas catarinenses com devassas fiscais.

Ninguém é bobo aqui. O Deputadômetro é uma ação dos empresários para “enquadrar” os políticos e convencê-los a gritar “numa voz única”, em torno dos interesses dos empreendedores locais. É uma estratégia política do empresariado. Os parlamentares não querem cabresto. Só eles querem fazer política.

E você com isso? Ora, você pode acompanhar os políticos pelo novo site, e cobrar que o próprio site de Transparência da Assembleia traga informações de interesse público…

cadê a crise que tava aqui?

Certamente, você já ouviu falar que as tiragens dos jornais estão despencando, que as verbas publicitárias evaporaram, que o jornalismo está morrendo à míngua e que o mundo vai acabar em 2012. Pois é, mas não é bem assim não… pelo menos no Brasil.

Na verdade, na verdade, os proprietários de jornais estão rindo de orelha a orelha.

No primeiro semestre de 2011, a circulação de jornais foi recorde: 4,4 milhões de exemplares por dia, conforme números auditados pelo Instituto de Verificação de Circulação (IVC). Se se considerar os jornais que não são acompanhados pelo IVC, a quantidade pode chegar a 8 milhões, estima o mercado. E se você multiplicar cada exemplar por quatro – que é uma média aceita de leitores por produto -, chegaremos a uma fatia de 32 milhões de leitores de jornal por dia no país.

Não fosse só isso, já seria boa notícia. Mas tem mais. O setor calcula que, de 2004 até a primeira metade deste ano, a circulação tenha crescido 32,7%, quase um terço a mais!

Não é à toa que os donos de jornais devem estar gargalhando. Tanto é que a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) não se conteve e publicou anúncio dando esses mesmos dados nos maiores diários brasileiros esta semana. Vá comparar esse desempenho com os mercados europeus e norte-americano…

o wikileaks no brasil, como aconteceu…

O Brasil foi o primeiro país a ter documentos secretos da diplomacia norte-americana após os cinco grandes meios que protagonizaram o grande vazamento de 2010: The Guardian, The New York Times, El País, Le Monde e Der Spiegel. Tudo graças a um telefonema perdido no meio do Pará.

Natália Viana, a jornalista por trás dessa costura, conta como conheceu Julian Assange e o país entrou na rota dos grandes vazamentos do WikiLeaks. Imperdível para quem se interessa por jornalismo investigativo e uma boa história…

 

unesco e ebc discutem mídias públicas em evento

(Reproduzindo do site da Unesco)

A Representação da UNESCO no Brasil e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC)/TV Brasil realizam, nos próximos dias 30 de junho e 1º de julho, o Seminário Internacional de Mídias Públicas: Desafios e Oportunidades para o Século XXI.

O evento reunirá, na sede da EBC, em Brasília, alguns dos maiores especialistas internacionais em radiodifusão pública, representantes de entidades e dirigentes de empresas de comunicação da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa.

O evento debaterá experiências de comunicação já implantadas e o futuro destas mídias no século que se inicia, marcado por grandes transformações tecnológicas que têm impacto nas comunicações em geral.  Entre os temas a serem discutidos estão os modelos de gestão, os modelos de financiamento, transparência, accountability e autoregulação, manuais de jornalismo público,  produção de conteúdos e programação.

O Seminário será aberto no dia 30/06, às 9h, em mesa que terá a participação da Ministra-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas, do Representante-Adjunto da UNESCO no Brasil, Lucien Muñoz, da Presidente do Conselho da EBC, Ima Guimarães Vieira, e da Diretora Presidente da EBC, Tereza Cruvinel.

Lançamento de publicação internacional

No dia 30/06, às 10h, será realizada a mesa “Mídia pública no século XXI – Análise Comparada” com o especialista internacional da UNESCO, Toby Mendel, o especialista latino-americano Valério Fuenzalida, da Universidade Católica do Chile, e Murilo Ramos, da Universidade de Brasília (UnB), tendo como moderador o Coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil, Guilherme Canela.

Na ocasião será lançada, regionalmente, a publicação Public Service Broadcasting: a comparative legal survey (Radiodifusão Pública: um estudo de direito comparado), de autoria de Toby Mendel. Esta é a segunda edição, revista e ampliada, de estudo clássico de Mendel sobre o tema, o qual aborda a questão em países como Austrália, Canadá, França, Japão, Polônia, África do Sul, Tailândia e Reino Unido.

Toby Mendel é também autor, em conjunto com Eve Salomon, do estudo O Ambiente Regulatório para a Radiodifusão: uma Pesquisa de Melhores Práticas para os Atores-Chave Brasileiros, que foi lançado em março passado pela UNESCO no Brasil. O estudo é uma investigação da atual situação regulatória do sistema midiático brasileiro em comparação com práticas correntes em 10 outras democracias (África do Sul, Alemanha, Canadá, Chile, França, Estados Unidos, Jamaica, Malásia, Reino Unido e Tailândia) e com o recomendado pela legislação internacional.

Programação

Ainda no primeiro dia do Seminário, às 14h 30, acontecerá uma mesa sobre Modelos institucionais: gestão e financiamento com a presença de Alexander Shulzyck, da European Broadcasting Union (União de Radiodifusão Européia), Tarja Turtia, da Divisão de Liberdade de Expressão do Setor de Comunicação e Informação da UNESCO, e Tereza Cruvinel.

Às 16h30, uma discussão sobre Transparência, accountability e autoregulação reunirá Eugênio Bucci, professor da Universidade de São Paulo e consultor da UNESCO, Alicia Shepard, ombudswoman da National Public Radio, de Washington, Estados Unidos, e Germán Rey, especialista colombiano e professor da Universidade Javeriana.

O evento terá ainda, em seu segundo dia, palestras de especialistas tais como Bettina Peters, do Global Forum for Media Development (Fórum Global para o Desenvolvimento da Mídia); Matthew Powers, da Universidade de Nova York; Soren Johannsen, da BBC World Trust; Lumko Mtimde, da Media Development and Diversity Agency (Agência de Desenvolvimento da Mídia e Diversidade), África do Sul; Florencia Ripani, especialista em convergência e meios públicos, da Universidade de Palermo, Itália; Adelaida Trujillo, Diretora da Citurna Producciones e da La Iniciativa de Comunicación – Gestoras do “Compromisso Nacional por uma TV de Qualidade para a Infância na Colômbia” e Franklin Martins, jornalista e ex-Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

  • O Seminário Internacional de Mídias Públicas: desafios e oportunidades para o século XXI será transmitido, integralmente, pela webcast da EBC e pelo canal internacional da TV Brasil.

Mais informações
UNESCO no Brasil – Assessoria de Comunicação
Ana Lúcia Guimarães – (61) 2106 3536, ana.guimaraes@unesco.org.br
Isabel de Paula – (61) 21063538, isabel.paula@unesco.org.br

Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Comunicação Social: 61- 3799- 5231 e 3799-5234.

seminário brasil-argentina começa amanhã

Está tudo pronto para o 1º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), que acontece amanhã, 9, e sexta, 10, nas dependências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.

O evento vai reunir jornalistas profissionais, pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação e outros interessados para discutir o estado atual do jornalismo investigativos nos dois países de maior influência na América do Sul. As atividades do Bapijor terão lugar no Auditório Henrique da Silva Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. A programação prevê mesas com renomados jornalistas e pesquisadores brasileiros e argentinos. Nomes como José Roberto de Toledo, Claudio Tognolli, Martín Becerra, Angelina Nunes e Adriana Amado já estão confirmados.

O anúncio da realização do evento provocou o esgotamento das inscrições em apenas 48 horas. As 150 vagas se somaram a uma lista de espera, também preenchida rapidamente. Para quem não conseguiu se inscrever, a saída agora é acompanhar as atividades pelo Twitter. Para isso, basta seguir a conta do Observatório da Ética Jornalística (@objETHOS) e a hashtag #bapijor.

O Seminário Brasil-Argentina é uma realização do objETHOS, promoção do Posjor/UFSC, com patrocínio da Fapesc e apoio da Abraji, PRAE/UFSC, Associação Catarinense de Imprensa (ACI), CCE e Fapeu.

Mais informações no site do evento: http://www.bapijor.ufsc.br

autorregulação de jornais é positiva, mas insuficiente

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) alterou seu estatuto e lançou o seu programa permanente de autorregulamentação, com a indicação de boas práticas para as empresas do setor.

A ideia foi bem recebida por setores acadêmicos, mas é pouco, conforme se pode ler na reportagem que Gilberto Costa fez para a Agência Brasil.

o governador e a greve dos professores em sc

É mais simples que somar 2 mais 2.
Existe uma lei federal que obriga os estados a pagar um piso nacional para professores. A lei existe desde 2008, mas Santa Catarina e outros estados contestaram a lei, afinal é melhor construir penitenciárias que pagar melhor quem ajuda a formar as gerações futuras.
Pois o Supremo Tribunal Federal veio com nova decisão, obrigando o governo catarinense a pagar o piso. O governador foi viajar para o exterior e deixou o problema no colo do vice. A proposta do governo é então pagar o piso nacional, mas pra todo mundo que recebe a menos, não importando se o fulano ganha 500 ou 900 reais. Tá?

O sindicato dos professores não aceitou, pois não assinou recibo de bobo. Os professores cruzaram o braço porque querem que o Estado cumpra a lei. Só.

Então, se você – como eu – tem memória curta, que tal rever o que o candidato a governador Raimundo Colombo disse em seu programa de TV em setembro do ano passado, em plena campanha eleitoral? Ouça com atenção aos 3’30…

Então, a coisa é assim: professor tem um piso salarial (R$ 1187), mas não recebe porque o governo não paga. Governador e outras autoridades não tem piso salarial, tem teto e está na casa dos R$ 24 mil.
Tá bom assim?

PS – Diante da gritaria do professorado, chama a atenção também o silêncio da ex-deputada estadual e ex-senadora Ideli Salvatti, que disputou o governo do estado e sempre teve como base eleitoral os trabalhadores da educação.

ATUALIZANDO: A ministra Ideli Salvatti apareceu na TV – no Jornal do Almoço da RBS – hoje (27/05) e manifestou seu apoio aos professores. De forma um tanto protocolar e dez dias depois de iniciada a greve, mas que deu apoio, deu…

polêmica do livro do mec é tempestade em copo d’água

Tenho acompanhado de perto o debate em torno do livro adotado pelo MEC e que estaria “ensinando errado” a língua portuguesa, ao reproduzir erros de concordância. E o que se vê nos meios de comunicação é bastante discutível não apenas do ponto de vista linguístico, mas também jornalístico.

De maneira ampla, os meios de comunicação têm engrossado as críticas ao Ministério e ao livro, formando uma verdadeira tropa de choque a favor da língua pátria. Jornalistas gesticulam, esbravejam, tecem discursos moralizantes em torno do idioma, como se viu, por exemplo, na edição de hoje cedo no Bom Dia Brasil, da Rede Globo. O jornalista Alexandre Garcia disparou contra o livro e o MEC, criticando uma certa cultura que fraqueja diante dos insucessos escolares, que flexibiliza demais o ensino e permite o caos que hoje colhemos na educação. Ele lembrou os exemplos da Coreia do Sul e da China, que há décadas investem pesado em seus sistemas educacionais e hoje prosperam, assumem a dianteira de alguns setores. Só se esqueceu de dizer que esses países investem nas ciências exatas e duras e não nas humanísticas, no ensino de língua materna, etc…

Não satisfeito, o Bom Dia convocou o professor Sérgio Nogueira, guardião da língua nacional e jurado do quadro Soletrando, do Caldeirão do Huck, este bastião da cultura brasileira. Nogueira também bateu forte, e quase pediu a cabeça do ministro Fernando Haddad, citando casos recentes (e graves) que chacoalharam o MEC. Só não “demitiu” Haddad por falta de tempo em sua intervenção…

Mas o caso do Bom Dia Brasil não é único. Alguém aí viu ou ouviu a autora do livro em alguma entrevista? Ela pôde dar sua versão? Alguém aí viu ou ouviu linguistas como Marcos Bagno e Ataliba T. Castilho, que pesquisam e trabalham há décadas em torno da discussão de uma gramática para o português falado e da singularidade idiomática do português brasileiro? Alguém aí viu alguma matéria sobre preconceito linguístico? Pois é, pois é…

Marcos Bagno tem um livro simples sobre o tema do preconceito linguístico, derivado de sua tese de doutorado e de anos de pesquisa. O professor Ataliba escreveu três volumes de uma gramática voltado ao português falado. Isso não é suficiente para se perceber que existem abismos entre o que se escreve e o que se fala? Que a língua falada é mais dinâmica, mais porosa que o padrão culto da língua, a ser aplicado na sua dimensão escrita? Alguém aí já ouviu falar de um genebrino chamado Ferdinand de Saussure, por acaso pai da Linguística, cujo livro póstumo de 1916 já tratava de separar língua (langue) e fala (parole)?

O fato é que sobra opinião apressada e ignorância na cobertura da imprensa sobre o caso. Sobra também prescritivismo, conservadorismo e elitismo no ensino de línguas. E justo nos meios de comunicação, ao mesmo tempo ator e ambiente fundamentais para difundir, disseminar e consolidar gestos de linguagem, fatos da língua…

ma che justiça é essa?

Em Florianópolis, a Tim teve 233 queixas não respondidas no Procon este ano. A operadora também tinha recebido oito multas e não pagou nenhuma. Aí, o Procon foi lá e determinou que a operadora não poderia ter a adesão de nenhum novo cliente por 48 horas. Mesmo assim, a Tim desobedeceu: vendeu um chip para um fiscal do Procon, que não se identificou. Aí, o Procon foi e multou a Tim em R$ 1 milhão. A mídia e a população adoraram a medida. A Tim entrou com pedido de liminar e um juiz deu o que operadora pediu. Segundo o juiz, o Procon foi exagerado.

Então, tá!

lei de acesso à informação avança

(Reproduzido de Artigo 19)

Brasília, 20.04.2011. Ontem, em sessão conjunta de duas comissões, senadores aprovaram pareceres favoráveis ao projeto de lei que regulamenta o direito à informação no Brasil. A proposta ainda precisa passar por mais uma comissão, mas o governo trabalha para que ela seja enviada rapidamente ao Plenário para aprovação.

“O projeto é um marco positivo para o desenvolvimento do direito à informação no Brasil”, afirma Agnès Callamard, diretora executiva da ARTIGO 19. “Nós saudamos os esforços do governo brasileiro de buscar acelerar a tramitação do projeto. O país enviaria uma mensagem muito positiva ao mundo se a proposta fosse aprovada antes do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio.”

Originalmente, a sessão conjunta entre a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado previa a participação da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Mas as articulações com a comissão presidida por Fernando Collor de Mello (PTB-AL) não avançaram, e o projeto (PLC 41/2010) ainda precisará passar por sua revisão.

O projeto de lei em tramitação no Senado é um substitutivo do texto enviado pela Casa Civil à Câmara dos Deputados em 2009, quando foi discutido e emendado pela sociedade civil e deputados. A presidente Dilma Rousseff esteve diretamente envolvida na elaboração do texto original e já manifestou seu apoio a uma aprovação célere do projeto pelo Senado.

O projeto de lei prevê a criação de procedimentos para facilitar e garantir o acesso a informações públicas mantidas por autoridades públicas. Ele inclui o treinamento de servidores públicos, sanções ao desrespeito à lei, obrigações de divulgação pró-ativa de informações de interesse publico e campanhas de conscientização. A regulamentação do direito de acesso à informação pública é uma tendência mundial, com mais de 90 países tendo aprovado leis de liberdade de informação.

só até amanhã

Se você é pesquisador da comunicação e tem um paper inédito sobre democracia e mídia, sobre regulação dos meios de comunicação ou sobre as relações tensas entre comunicação e política, amanhã é o deadline da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do PosJor/UFSC.

Veja a chamada:

Um dos temas mais discutidos nos últimos meses tem sido a estrutura dos meios de comunicação e a natureza da organização do mercado midiático brasileiro. Movimentos vindos de organizações não-governamentais, da academia e até mesmo do governo federal têm sinalizado para a necessidade de a sociedade discutir novas regras para o setor. Até mesmo uma importante organização do mercado – a Associação Nacional dos Jornais – manifestou a disposição para a autorregulação.
Diante desse cenário, a primeira edição da revista Estudos em Jornalismo e Mídia de 2011 objetiva discutir as complexas relações entre democracia e regulação do mercado de mídia.
Será priorizada a análise de artigos que tratem de temas como: políticas de comunicação no Brasil; marcos regulatórios no setor; regulaçã o, regulamentação e autorregulamentação dos meios; concentração de mídia; propriedade cruzada; relações entre meios de comunicação e grupos políticos; comparativos entre as legislações de mídia no Brasil e outros países; limites operacionais em meios audiovisuais e internet; órgãos de regulação; proteção da concorrência; mudanças estruturais no jornalismo a partir de marcos regulatórios; liberdade de imprensa, democracia e cidadania.

Deadline: 20 de abril de 2011
Publicação: Junho de 2011

A equipe editorial avisa que agora só estão sendo aceitos trabalhos que abordem o tema Democracia e Regulação.

Estudos em Jornalismo e Mídia existe desde 2004, é semestral, e circula exclusivamente em meioi eletrônico. No sistema de avaliação Qualis/Capes, é uma publicação B3.

compolítica começa amanhã

Os professores Alessandra Aldé e Fernando Gonçalves, da organização, reforçam o convite para a abertura amanhã do 4º Encontro da Compolítica – Associação Brasileira dos Pesquisadores em Comunicação e Política.

O evento é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ em parceria com a UFF, e acontece no campus Maracanã a partir das 18h30 com a conferência “A Comunicação Política e sua institucionalização no Brasil”, do professor Marcus Figueiredo (IESP-UERJ).

A programação é bem recheada e pode ser conferida aqui. Estarei por lá com os colegas Fernando Azevedo (UFSCar), Flávia Biroli (UnB) e Fernando Rezende (UFF) na Mesa Redonda “Jornalismo e Política”. Vou abordar o Cablegate do WikiLeaks e suas implicações para a ética jornalística. Mas fora isso, haverá muita coisa boa no evento…

o major me ligou

21h44 de ontem e toca meu celular. Não reconheci o número que chamava, mas atendi. Do outro lado, uma voz calma, num tom baixo, anunciou que se tratava do major Marcio Luiz Alves, responsável pela Defesa Civil em Santa Catarina. Respeitosamente, desculpou-se de estar ligando àquela hora e justamente no celular, e perguntou se eu tinha tempo para falar com ele. Respondi afirmativamente, e ele revelou que me ligara por conta de um post neste blog, em que eu questionava a atitude dele se candidatar em 2010 a uma vaga na Assembleia Legislativa.

No post de janeiro deste ano (leia aqui), eu me questionava se aquele gesto não teria sido oportunismo, já que o soldado frequentava com assiduidade os meios de comunicação locais. À época do post, eu “pensava em voz alta”, tentando investigar as razões da minha discordância de sua atitude.

Pois bem, não é que ontem me liga o major?

Como jornalista, não foi a primeira vez que alguém me procurou para comentar o que escrevi. Já recebi telefonemas mais inflamados, menos educados, alguns até ofensivos, outros elogiosos. Já recebi ameaças ostensivas e veladas, e chamadas que tentavam me convencer de que aquela não era a melhor maneira de narrar ou descrever algo.

Mas o telefonema do major me surpreendeu ontem. Não por ele ter ficado “chateado” com o que escrevi, mas pelo tom cordato, civilizado; pela atenção que dispensou ao contar pacientemente sua trajetória pública. Me surpreendeu também o fato de ele encontrar o telefone pessoal de um blogueiro desconhecido e tentar falar com ele pessoalmente, para explicar suas razões. Ele poderia ter ignorado, ou deixado um comentário no blog… Achei, no mínimo, atencioso. O major tinha o claro propósito de tirar uma má impressão que eu mantinha dele, e isso me fez pensar sobre como as redes sociais, os blogs, e as novas tecnologias de informação e comunicação podem aproximar mais e mais as pessoas. Imagine se todo político tivesse esse canal aberto com seus eleitores? Imagine se também ocorresse o contrário: um eleitor indignado com seu representante ligaria para ele se queixando?

Pois esses novos dispositivos de comunicação que dispomos permitem o encurtamento de certas distâncias. No meu caso, me manifestei num blog. Por alguma razão qualquer, o major leu e quis falar com aquele cara que dele escreveu, quis conhecer um eleitor anônimo. Em termos de democracia, não é pouca coisa. Em outros tempos, um militar te ligaria para tirar satisfação e não para prestar informações. Nos quase vinte minutos de chamada, não me senti pressionado a apagar meu post ou a fazer qualquer retratação. Do outro lado da linha, o major em nenhum momento insinuou isso. Percebi que ele respeitou minha opinião, e porque achei o caso surpreendentemente positivo e por respeito a ele, faço esse registro.

transparência na alesc e jornalismo watchdog

Reportagem do Diário Catarinense desta semana, assinada por Upiara Boschi, apontou que a Assembleia Legislativa do estado é das menos transparentes do país. A matéria, com chamada na capa da edição de domingo, 27, denuncia que no site da Alesc não estão disponíveis dados como assiduidade dos deputados, gastos em viagens e outras informações de interesse dos cidadãos.

Pois a reportagem teve efeito imediato. No início da semana, o presidente da Alesc, Gelson Merísio, apressou-se a anunciar numa coletiva que o Legislativo estava trabalhando num novo site, mais informativo. Quem acompanha o caso sabe que não foi apenas a matéria dominical que provocou essa reação. Na semana passada, outras matérias já questionavam viagens de parlamentares à China, sendo que mal se sabia dos motivos, dos custos, dos resultados e pior: um dos deputados viajantes é diretamente interessado na prosperidade dos negócios com aquele país, já que atua no setor de comércio exterior…

Esse quase cerco à Alesc traz à tona duas questões: deveres dos órgãos públicos e funções da imprensa. Nas democracias recentes, é cada vez mais invocado o princípio da transparência, e por isso gestores públicos e representantes da população precisam prestar contas do que fazem e do que deixaram de fazer. É um princípio constitucional, democrático, moderno, republicano, e que tende a se universalizar. Os norte-americanos têm uma palavra para isso: accountability. Nas palavras de um velho ditado: não basta que a mulher de César seja honesta; ela precisa também parecer honesta.

Diretamente ligado ao dever dos órgãos públicos está uma função do jornalismo: fiscalizar os poderes, acompanhar seus passos e informar à população o que está certo e o que não está. Os norte-americanos também um nome para esse tipo de prática: watchdog journalism. Numa tradução aproximada: jornalismo cão-de-guarda. Não se trata de um jornalismo pittbul que ataca a todos, mas de um jornalismo que resguarda, assegura, vigia os interesses da coletividade.

Por isso, o novo site da Alesc é bem vindo, sim. Assim como são bem recebidas as reportagens que seguem as sombras dos poderes. Jornalistas e políticos, mesmo que muito diferentes, deveriam se guiar por valores semelhantes: o bem comum, a vontade coletiva, o interesse público. Seria muito bom se fosse sempre assim. Seria…

liberdade de expressão e autorregulação: novos livros

A representação da Unesco no Brasil lançou hoje três novas publicações sobre o sistema midiático brasileiro. Os textos foram produzidos em parceria com a Fundação Ford, e fazem parte da série Debates em Comunicação e Informação.

O Ambiente Regulatório para a Radiodifusão: uma Pesquisa de Melhores Práticas para os Atores-Chave Brasileiros, assinado por Toby Mendel e Eve Salomon, é uma análise da situação regulatória do sistema nacional em comparação com África do Sul, Alemanha, Canadá, Chile, França, Estados Unidos, Jamaica, Malásia, Reino Unido e Tailândia.

Liberdade de Expressão e Regulação da Radiodifusão, dos mesmos autores, reflete sobre “a centralidade da regulação para a proteção, a promoção e a garantia do direito de receber, buscar e transmitir informações, ideias e opiniões.

Andrew Puddephatt é o responsável por A importância da autorregulação da mídia para a defesa da liberdade de expressão que sintetiza as intersecções do tema com a prática do jornalismo, com os princípios editoriais e com as estratégias de Responsabilidade Social Empresarial.