mídia-educação: 10 cartilhas de graça

Ontem, separei aqui cinco e-books organizados pelo Monitor de Mídia desde 2001. Mas existem outros materiais que podem servir para fins mais imediatos, como o conjunto de cartilhas Diálogos de Mídia e Educação, produzidos pelas professoras Laura Seligman e Valquíria John, ambas jornalistas e mestres em Educação, e pesquisadoras do Monitor.

Produzidas deliberadamente numa linguagem clara e fácil, as cartilhas têm o propósito de auxiliar docentes de diversos níveis a conduzir suas classes a uma leitura mais crítica e ampla dos meios de comunicação.

Confira!

Diálogos de Mídia e Educação nº 1 – Por que educar para a mídia?
10 páginas
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Diálogos de Mídia e Educação nº 2 – O jornal impresso
9 páginas
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Diálogos de Mídia e Educação nº 3 – A revista
12 páginas
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Diálogos de Mídia e Educação nº 4 – O rádio
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Diálogos de Mídia e Educação nº 5 – A televisão
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Diálogos de Mídia e Educação nº 6 – O cinema
11 páginas
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Diálogos de Mídia e Educação nº 7 – A fotografia
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Diálogos de Mídia e Educação nº 8 – A publicidade
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Diálogos de Mídia e Educação nº 9 – A internet
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Diálogos de Mídia e Educação nº 10 – Exercícios
11 páginas
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monitor de mídia: 5 livros de graça

O Monitor de Mídia está prestes a completar oito anos de observação dos meios de comunicação catarinenses. Está em produção a 150ª edição deste projeto que criei na Univali em 2001. Neste tempo todo, dezenas de alunos passaram por lá e trabalharam com um corpo dedicado de professores, gerando muito, mas muito conteúdo sobre a mídia catarinense. Praticamente, tudo o que se produziu está no site, mas pra facilitar, separei aqui cinco e-books organizados pela equipe.

Baixe! Leia! Compartilhe!

Diagnósticos da Imprensa: as 100 primeiras análises
411 páginas
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Ética e Mercado no jornalismo catarinense
152 páginas
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Jornalismo: a tela, a lousa e a quadra
128 páginas
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Jornalismo: Olhares de dentro e de fora
141 páginas
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Glossário de Termos Científicos
39 páginas
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uma entrevista com raquel recuero

raquel2Raquel Recuero é um dos principais nomes brasileiros na pesquisa sobre redes sociais. Recentemente, lançou o livro “Redes Sociais na Internet”, que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que se interessam pelo assunto. O livro pode ser encontrado nas livrarias e num site especialmente criado para o seu download. Na entrevista a seguir, Raquel fala um pouco mais sobre o tema. Confira…

Seu livro chega às bancas agora, justamente num momento em que as redes sociais são mais faladas do que nunca. Até mesmo os mais resistentes têm aderido a elas, como é o caso dos poderes centrais, dos governos. Esta semana, por exemplo, o Ministério do Trabalho e Emprego “entrou” no Twitter, e já está no Orkut desde o ano passado. De que maneira, os governos podem se valer das redes sociais? E como o cidadão pode se beneficiar com isso?
Penso que esses espaços na Internet contêm o potencial de ser extremamente democráticos, pois permitem um contato mais direto entre os governos e instituições e os cidadãos. Claro que isso depende do modo como o espaço é usado, mas de um modo geral, acho que essas redes podem prover espaços de debate e feedback para os cidadãos e espaços de informação e debate direto com a sociedade para os governos.

Você atua num programa de mestrado na área de Letras, um campo essencialmente ligado à Educação. Como as redes sociais podem contribuir para os avanços educacionais, em especial na realidade brasileira?
O espaços sociais que temos na rede auxiliam em um processo de comunicação mais amplo, tanto nos aspectos informativos (acesso à notícias, informações, serviços e etc.) quanto naqueles conversacionais (debates, discussões, etc.). Assim, também são espaço potenciais para a educação e o espírito crítico. Do meu ponto de vista, ainda fazemos um uso muito modesto das tecnologias na educação. Claro, é necessário um cuidado na exposição e na construção desses processos, mas poderíamos usar mais os sistemas que já existem em sala de aula. Se tu olhares para o Orkut, por exemplo, vais ver que ali há exemplos da cultura de toda a sociedade brasileira. Há pessoas em lugares menos favorecidos que estão lá, com seus perfis, suas comunidades, suas percepções culturais. Há uma quantidade expressiva de jovens e adolescentes que usam o sistema.  As pessoas vão construindo uma cultura ali, vão incorporando aqueles signos no seu dia a dia. No entanto, insistimos em ignorar essas práticas, focando sistemas “idealizados” para a educação e a chamada inclusão digital, que muitas vezes não refletem a experiência, os interesses e apropriações das pessoas. Penso que é preciso pensar a educação como espírito crítico e apropriação *a partir* dessas práticas.

No início deste ano, você lançou junto com Adriana Amaral e Sandra Montardo o livro “Blogs.com”, em formato de e-book e rapidamente absorvido pelos leitores brasileiros como uma importante sistematização da produção científica nacional sobre o tema. “Redes Sociais na internet” é seu primeiro livro autoral, embora você seja uma pesquisadora bastante produtiva. Ele não é propriamente a adaptação de sua tese de doutorado, não é mesmo? E por que você resistiu em lançar a tese antes?
É em parte uma adaptação da minha tese, em parte uma aplicação dela. O fato de não ter sido lançado antes foi menos por escolha e mais pelo tempo para adaptar aquilo que eu tinha escrito e as minhas pesquisas posteriores. A tese, em si, é meio “pesada”, tem muitos dados, muitas coisas que não entraram no livro para deixá-lo mais acessível. Claro que todo esse processo exigiu uma adaptação maior e um tempo maior para conseguir terminá-lo. 🙂

Pode-se notar que o Brasil vem criando um núcleo bem consistente de pesquisadores sobre cibercultura. Os esforços podem ser sentidos em diversos pólos regionais, como a Bahia e o Rio Grande do Sul. Que avaliação você faz desse cenário em construção? E como situa a produção científica brasileira nessa área?
Eu acho que é muito importante que a gente entenda como a sociedade brasileira vem apropriando o ciberespaço e vem criando novas práticas de identidade, participação e discussão. Essas práticas vão impactar a nossa sociedade offline cada vez mais fortemente. Por conta disso, acho extremamente saudável que novos grupos comecem a discutir essas questões, a pensá-las e a focar sua produção nessa compreensão. Quanto mais soubermos sobre esses impactos, melhor proveito poderemos tirar deles para a própria sociedade e melhor conseguiremos minimizar seus aspectos negativos. Espero assim que, no futuro, tenhamos mais grupos pesquisando essas questões em mais universidades e regiões do Brasil. 🙂

obamanofacebookPessoalmente, tenho a impressão de que os pesquisadores que estudam tecnologia e interfaces tecnológicas têm desafios sobressalentes no seu trabalho. Não apenas pela complexidade de seus objetos, mas pela fugacidade e volatilidade de temas e preocupações. Parece que esses cientistas estão sempre tentando trocar o pneu de um carro em movimento. Isso é só uma impressão minha? Ou ampliando: que outros desafios se apresentam para quem pesquisa tecnologia?
Hahahahaha Acho que é uma ótima analogia, mas penso que é o desafio de todo o cientista social. A sociedade é mutante, está sempre re-significando os processos culturais. É preciso ter claro que quase sempre temos, como resultado, um “retrato”de um determinado grupo em um determinado momento. Mas uma seqüência de imagens estáticas também pode ajudar a entender melhor a dinâmica, o movimento desses grupos. Por isso acho muito importante a continuidade dos estudos, sua comparação com outros trabalhos e sobretudo, o debate. São grandes desafios, precisamos de mais incentivo e mais pesquisadores para poder dar conta deles, especialmente em um país continental como o Brasil.

Já há uma agenda de lançamentos de “Redes Sociais na Internet”? E mais: após esse livro, quais são seus próximos estudos e projetos?
Estou trabalhando em um projeto com mais duas pesquisadoras, a Adriana Amaral e a Suely Fragoso em um livro focado em métodos de pesquisa para dados do ciberespaço. E estou também trabalhando em um projeto de estudo da conversação mediada pelo computador, tentando entender como a língua é utilizada e mudada no ciberespaço e como isso reflete os aspectos sociais da apropriação. Acho que são esses os atuais. 🙂

o blog da petrobras e os interesses desacomodados

Há milhões de anos, quando o maior dinossauro chegava à beira do lago para beber água, causava tremores, derrubava árvores, fazia fugir animais menores e trazia muita confusão para o local. Pelo menos por um curto período, ele mudava o panorama da região. Não era novidade nenhuma matar a sede por ali, mas a chegada do gigante causava desconforto geral.

Passado tanto tempo depois disso, a história se repete, e na blogosfera brasileira.

Desde o dia 2 de junho está na rede o Fatos e Dados, blog oficial da Petrobras. Isso equivale dizer que a maior empresa do país aderiu a alguns dos caminhos da web 2.0, aquela da participação, da colaboração, do compartilhamento de arquivos, de busca de maior transparência. Até aí, parece que não há nada demais, né?

Pois a Petrobras chega à blogosfera mais de uma década depois do surgimento dos blogs, e chega vestindo a indumentária do momento. Seu blog está hospedado no WordPress, gratuito, e não num sistema próprio de publicação. Seu visual aproveita um dos templates disponíveis, e não há nenhum acessório ou traquitana inovadora do ponto de vista tecnológico. Não importa. Um dinossauro é sempre um dinossauro, e embora esteja camuflado com texturas brandas, seu vigor e força são os de um gigante. O que significa dizer que o que importa no Fatos e Dados são o espírito e a motivação. O espírito é a quantidade de informações e notícias que uma empresa como a Petrobras gera a cada dia, e que interessa a milhões de pessoas. A motivação pode ser traduzida por uma “linha editorial” que se pretende ser mais transparente e aberta, divulgando dados e fatos, até mesmo antes da mídia tradicional.

E aí, o dinossauro começa a incomodar a fauna já estabelecida.

Vazamento ou transparência?

O fato é que o blog da Petrobras já criou gritaria entre alguns jornais e entidades ao divulgar não só comunicados oficiais, mas também perguntas e pedidos de informação de jornalistas. Com isso, provoca uma situação nova nas relações entre fontes e jornalistas no país, já que pode prejudicar investigações sigilosas, alertar concorrentes sobre matérias em andamento ou mesmo evidenciar que os veículos de comunicação distorcem ou corrompem algumas informações ao divulgá-las.

Folha de S.Paulo e O Globo se queixaram do que acusam ser um vazamento premeditado de informações, de forma a virar o jogo sobre a mídia. Carlos Castilho lembra que isso já se dá nos Estados Unidos, por exemplo, onde algumas fontes de informação têm seus próprios canais de difusão de dados. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lançou nota, condenando a postura da Petrobras: “Ao agir dessa forma, a Petrobras inibe os meios de comunicação e os jornalistas que precisam verificar com a empresa informações de eventuais reportagens que serão veiculadas”. A Abraji pede uma revisão de política por parte da Petrobras.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) também lançou documento oficial, criticando a “canhestra tentativa de intimidação” da estatal.

A Petrobras respondeu às críticas, lançando mão de conceitos e práticas do próprio jornalismo:

A noção de confidencialidade e sigilo, como a própria nota da ANJ registra, é um princípio que norteia a relação dos jornalistas com suas fontes (pessoas ou empresas, consultorias). O objetivo principal é preservar aqueles que passam informações aos jornalistas e que, por qualquer motivo, precisam ou querem se manter no anonimato. Mas não há compromisso semelhante de confidencialidade e sigilo da fonte para o jornalista, pois isso limitaria o próprio caráter público e aberto da informação.

Passos de gigante

Parte da blogosfera nacional convulsiona nos últimos dias com a novidade. Avelar fala do “desespero da mídia”, Túlio Viana ironiza dizendo que O Globo quer ter o monopólio das perguntas e das respostas. Azenha lista dez razões que explicariam porque jornais atacam o blog da Petrobras. Sergio Leo responde a Azenha e dá bons argumentos contra a ação do Fatos e Dados. Comentários abundam nesses e noutros blogs, e o estrago já é uma realidade.

A chegada da Petrobras à blogosfera é um movimento que transcende a opção de uma grande empresa por canais gratuitos e mais ágeis de informação. Trata-se de uma briga ruidosa e de contornos brutais. A Petrobras tem lucro superior a PIB de muitos países, é uma grande anunciante, uma expressiva financiadora de projetos. Seus interesses nem sempre coincidem com os do país ou com os de largos setores da sociedade. Afinal, é uma empresa colossal, de escala mundial e agressiva nos segmentos que opera. Grandes jornais como a Folha e O Globo – a exemplo de outros veículos – não querem ficar nas garras desse dinossauro. Mas o gigante já está à beira do lago, sua presença esbarra nos interesses comerciais da mídia, seu hálito incomoda.

O blog da Petrobras pode constranger, intimidar, acuar pequenos e grandes meios, jornalistas experientes e novatos. O blog da Petrobras não tem que se submeter aos preceitos da ética jornalística, já que seus produtores são assessores de comunicação, cujas condutas devem se orientar pelos interesses da empresa. Sei que essa discussão de uma ética distinta para os assessores causa arrepios em muita gente, e quero tratar disso numa outra ocasião. Mas o fato é que o blog da Petrobras expõe nervos infeccionados da relação mídia-fontes de informação.

Não estou convencido de que o blog da Petrobras seja um mal para o jornalismo. É mais um canal de informação, que pode ser confiável ou não, e que pode contornar a mídia para chegar ao público. Ao prescindir dos meios tradicionais, o blog contraria interesses de quem ainda quer manter uma comunicação de mão única, o monopólio das formas de informação. O blog da Petrobras não é um mal para o jornalismo, mas pode ser para alguns jornalistas. As coisas estão mudando muito rápido nos últimos tempos, e essa é mais um desafio para os jornalistas. O jornalismo mantém o seu compromisso de buscar a informação custe o que custar, colidindo com interesse da petrolífera ou não. Os jornalistas que não quiserem ficar sob a sombra do dinossauro precisarão ser ágeis, versáteis, inteligentes. Nem todos os dias pertecem ao predador…

4 anos de monitorando, 1000 posts e algumas histórias

Hoje, este espaço completa quatro anos de existência, sendo a metade deles no WordPress. Ao mesmo em que isso acontece, percebo que este é o milésimo post por aqui. Essas duas marcas ajudam a compor um momento especial para mim, pois é na condição de blogueiro que tenho tido a oportunidade de me comunicar com mais gente, conhecer outras realidades e ampliar o horizonte dos meus interesses.

Quem é blogueiro sabe que manter decentemente um espaço na internet é como ter uma microempresa, um pequeno filho ou mesmo um cachorro bem carente. Tem que alimentá-lo bem, zelar pela sua integridade, gerenciar com quem ele se relaciona, enfim, cuidar. Blogueiro não é quem cria, mas quem cuida, quem cultiva.

Refiro-me a blogueiros sem financiamento ou remuneração, como eu. No mundo do trabalho, chamariam de amadores, muito embora seja uma grande contradição alguém ser um blogueiro profissional. Os blogs e outras traquitanas tecnológicas pós-internet bagunçaram nossas noções mais primitivas de trabalho, de rotina produtiva, de fluxo informativo, de hierarquia no processo da comunicação, e por aí vai. O blogueiro se guia por uma ética hacker – na acepção de Pekka Himanen, o antropólogo que estudou as comunidades de nerds e constatou que “hacker” não é um palavrão. Em geral, blogueiros são diletantes, generosos, vivem em bandos, mesmo que separados por fios e distâncias abissais. Blogueiros não são seres tecnológicos, são pessoas que se valem da tecnologia para viver (ou quem sabe ser) melhor. Como o surfista que se aproveita da prancha para conhecer o mar…

Por isso, agradeço aos leitores deste espaço e principalmente aqueles que foram meus interlocutores, deixando comentários, indicando links, retificando equívocos… Desde maio de 2007, contabilizei aqui mais de 134 mil visitas, pouco se comparado aos campeões de audiência, mas muito aquém do eu jamais pudesse esperar. Ainda em termos estatísticos, o monitorando.wordpress registrou mais de 1500 comentários neste tempo. O dia em que tivemos mais visitas – 2146!! – foi o 26 de novembro de 2008, quando passei a deixar por aqui relatos das enchentes que destruíram boa parte do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, de onde irradiamos nosso sinal. Trágicos, aqueles dias de novembro mostraram – como com o Katrina, nos EUA – a força da blogosfera e o quanto a tecnologia pode ajudar a unir pessoas e vidas.

Com quatro anos de blog, tivemos alguns layouts, e só aqui no WordPress foram quatro até agora: NeoSapien, Digg 3 Column, Conections e Cutline. Porque mil posts são também uma marca, o Monitorando passa por mais uma cirurgia plástica e passa a adotar o template Freshy, de Jide.

Por isso, entre e fique à vontade. Obrigado pela sua sempre bem vinda visita. Se gostou, indique aos amigos. Se não gostou do blog, ótimo! Indique então aos inimigos…

jornalista tem que estar antenado com novas mídias

Deu no Jornalistas da Web, e reproduzo:

Na última semana, Jornalistas da Web realizou uma enquete para saber se o novo profissional de jornalismo deve estar antenado com as novas mídias.

De um total de 79 respostas, a grande maioria, ou 83%, disse que sim, estar antenado com as novas mídias é um pré-requisito hoje em dia. Já 6% disseram que não, mas que é importante hoje em dia. Apenas 2% dos usuários que responderam a pesquisa disseram que jornalista não precisa estar ligado nas novas mídias, e 7% disseram não ter opinião sobre o assunto.

Na enquete desta semana, queremos saber qual recurso do celular, além da funcionalidade de telefone, você mais utiliza. Para votar, basta ir na página principal do site e localizar a enquete, que fica em destaque na coluna da direita. O resultado será anunciado na próxima segunda-feira, 25 de maio

por que a “cultura da convergência”, de jenkins, interessa a jornalistas?

livro_jenkinsNo final do ano, a Brazilian Journalism Research publicou uma resenha curta que fiz sobre “Cultura da convergência”, que fora lançado por Henry Jenkins no Brasil há poucos meses. Porque cada vez penso mais e mais nas consequências dessa coisa chamada convergência, republico abaixo (agora em português) o texto. Quem sabe a gente não amplia o debate?
(Se quiser ler o arquivo original, clique aqui)
Uma entrevista bacana com ele, no programa Milênio, pode ser vista aqui.

Três idéias já seriam suficientes para que a leitura de “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins, interessasse a jornalistas e pesquisadores da área: a convergência midiática como um processo cultural; o fortalecimento de uma economia afetiva que orienta consumidores de bens simbólicos e criadores midiáticos; a expansão de formas narrativas transmidiáticas.

Isoladas ou associadas, essas idéias não só ajudam na compreensão da indústria da comunicação e de seus mercados derivados, como também auxiliam a recuperar parte de sua história recente. Isso porque Jenkins se preocupa em documentar com rigor e com detalhes as principais transformações no cenário de criação e consumo midiático.

O professor do Programa de Mídias Comparadas do Massachusetts Institute of Technology acompanha de perto as modificações nos seriados televisivos, no cinema, na publicidade, nos games, na internet, na política e na cidadania. Observa como, há mais de uma década, o público tem deixado uma posição predominantemente passiva e acomodada para ocupar um novo lugar no processo da comunicação. O usuário deseja participar mais dessa experiência, sabe compartilhar seus conhecimentos sobre aqueles temas com outros consumidores afins e chega, inclusive, a criar coletivamente peças sobressalentes que podem se encaixar à estrutura de produtos disponíveis.

Um exemplo ilustra esse novo público descrito pelo autor: a indústria da mídia lança um novo filme sobre o Homem-Aranha, e em seguida novos produtos associados, como um videogame, uma nova série de revistas em quadrinhos, um website, um punhado de desenhos animados para a televisão. Milhões de pessoas terão acesso a esses conteúdos, passando não só a consumi-los, mas a tomá-los como experiências. Milhares dessas pessoas vão se associar em redes na internet para discutir o filme, para dar dicas de como evoluir no game e também para trocar informações sobre o super-herói. Os mais fanáticos vão além: criarão blogs sobre o tema, escreverão narrativas paralelas alterando o final do filme ou indicando novas ramificações no enredo. Isto é, o público dá continuidade ao que a indústria ofereceu. E esses consumidores só fazem isso porque admiram muito o Homem-Aranha, pois o consideram familiar, modelo para algumas condutas e detentor de outras virtudes atraentes.

Na época da convergência midiática, o que Henry Jenkins chama a atenção é que essa convergência não se restringe ao desenvolvimento de aparatos tecnológicos e nem à confluência de meios para uma única “caixa preta”. O autor salienta que a convergência representa uma “transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos”. Isto é, a convergência não acontece por meio dos aparelhos, mas “dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros”.

Ao colocar o tema da convergência numa outra perspectiva, o autor não nos deixa esquecer que o público mudou muito nos últimos vinte anos. Criadores da indústria midiática – e jornalistas também! – não podem ignorar esse fato, e precisam se reposicionar na cena contemporânea.

Em tempos como os nossos, os hábitos de consumo cultural são também afetados pelo fenômeno das franquias de produtos midiáticos. O estúdio que lança o novo filme já projeta sua seqüência, e com isso coloca no mercado outros produtos vinculados ao filme, como CDs de trilha sonora, versões do roteiro no formato de livros, adaptações do enredo para os quadrinhos, videogames de console e para computadores, e outros produtos licenciados, como camisetas, figuras de ação dos personagens, bonés, etc. Os consumidores mais fanáticos vão atravessar os diversos suportes de mídia para ter acesso àqueles conteúdos e produtos. Podem não conseguir alcançar todos os elos dessa cadeia, mas vão por si só reescrevendo uma nova narrativa que trata não apenas do filme original, mas contempla também a sua experiência de consumo dos conteúdos a que teve acesso.

Assim, a história do Homem-Aranha transcende o momento da sua ocorrência na sala de exibição. Ela continua na expansão de episódios menores na trama de início, na adição de outros elementos ou personagens, ou numa nova narração da aventura. Esses esforços não são por reforço ou redundância. O público percebe que pode encontrar novidades para além do produto-matriz e busca pistas em outras peças, reestabelecendo uma nova narrativa, agora transmidiática.
Jenkins adverte que essa disposição do público de encontrar seus personagens favoritos em outros momentos, de viver e reviver essas experiências, atende mais a apelos emotivos que racionais. É uma economia afetiva que rege as forças nesse campo, afirma o autor.

Henry Jenkins se define como um “utópico crítico”, e com isso não se perde deslumbrado com o avanço da tecnologia e com a multiplicação das possibilidades. Ele se entusiasma com o que chama de “comunidade de fãs”, e tenta entrever que tipo de modificações pode advir nos cenários culturais contemporâneos. Segundo ele, na cultura da convergência, novas e velhas mídias colidem, mídias corporativas e alternativas acabam se cruzando e os poderes de consumidores e produtores interagem de formas imprevisíveis. Os resultados desembocam até mesmo na forma de fazer e acompanhar a política, e Jenkins esboça um diálogo que suspende um pouco a tensão entre consumidor e cidadão.

É evidente que jornalismo e entretenimento são produtos semelhantes na sua natureza de conteúdos simbólicos. São substratos midiáticos, são resultados da produção cultural, mas as diferenças se acentuam a partir daí, tanto na forma (embalagem) quanto na essência (o conteúdo embalado). Jornalismo e entretenimento não são consumidos segundo as mesmas regras, mas não se pode ignorar que – em algumas situações – a distância entre ambos fique bem pequena, e que as fronteiras entre um e outro se tornem porosas.

O livro de Jenkins trata de consumo e de marketing, de operações conjugadas para venda de conteúdo e de grandes planos midiáticos. Em tese, o jornalismo deveria estar alheio a isso, oferecendo conteúdos que orientassem melhor as pessoas, que lhes dessem mais condições de compreender a realidade, a despeito de razões comerciais. Mas cada vez mais, percebe-se que o jornalismo converte-se numa mercadoria, num produto de mídia como qualquer filme ou videogame. O jornalismo é uma experiência? Isto é, ao se informar, um cidadão tem uma certa experiência de conexão com o mundo e com seus fatos? Se a resposta for positiva, pode-se perguntar ainda: Esta experiência pode ser oferecida numa narrativa transmidiática e conforme a lógica de uma economia afetiva, segundo descreveu Jenkins?

Talvez seja cedo para responder a essa indagação, mas alguns elementos já nos permitem refletir sobre o papel do jornalismo em meio à convergência. As redações estão se movimentando para dialogar mais com seus públicos, permitindo que participem mais e que se associem em algumas etapas da produção jornalística. A proliferação dos canais informativos impele jornalistas a produzirem conteúdos diferenciados e em várias camadas de aprofundamento de forma a satisfazerem públicos heterogêneos. Com isso, os agentes da informação tentam encontrar formas para fidelizar seus públicos, preocupação até então restrita aos publicitários e aos criadores da indústria midiática. Já se ouve falar de jornalismo de imersão, de associação de games a noticiários e do cada vez mais influente jornalismo participativo. São novos tempos.

Se a convergência dos meios é mesmo um processo mais cultural que tecnológico, as transformações resultantes inevitavelmente vão contagiar os jornalistas. Por isso, observar os movimentos do público pensando no que fazer nas redações é mesmo muito oportuno. “Cultura da Convergência” não é um livro sobre jornalismo, mas não pode ser ignorado por jornalistas e pesquisadores atentos às modificações que o campo da notícia está sofrendo.

palestra adriana amaral, a cobertura

Se você não pôde aparecer na palestra que Adriana Amaral deu na Univali ontem à noite, a saída é acompanhar como foi a cobertura pelo Twitter e pelo Blog do curso de Jornalismo. A cobertura ficou a cargo de Joel Minusculi e Laura Seligman, ambos do Monitor de Mídia.

palestra: consumo, juventude e redes sociais

lustreA professora Adriana Amaral, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), faz palestra na quinta, 7, na minha turma de Redes Sociais sobre o tema “Consumo, juventude e redes sociais”.

É no auditório 2 dos blocos de Medicina (24 e 25) no campus da Univali em Itajaí. O evento começa às 19 horas. Se ficou interessado e pensa em passar por lá, não deixe de ler este texto, especialmente recomendado pela palestrante.

perder-se! um manifesto da mídia locativa

Fiquei quatro diazinhos em Belo Horizonte, e me perdi diversas vezes. Não era a minha primeira nem segunda vez por lá, mas me desorientei de carro e a pé. Na carona de amigos, e um deles com GPS, consegui zanzar perdido, o que inevitavelmente nos coloca na posição estrangeira de um forasteiro.

Agora, como uma bússola digital, me chega o Manifesto sobre as Mídias Locativas, sensacional texto de André Lemos para a 404notfound.

Para Bernardo, que já busca o seu lugar no mundo.

Mídia – Todo artefato e processo que permite superar constrangimentos infocomunicacionais do espaço e do tempo. Mídias produzem espacialização, ação social sobre um espaço. Mídias produzem lugares.

Locativo – Categoria gramatical que exprime lugar, como “em” ou “ao lado de”, indicando a localização final ou o momento de uma ação.

Mídia Locativa. Tecnologias e serviços baseados em localização (LBT e LBS) cujos sistemas infocomunicacionais são atentos e reagem ao contexto. Ação comunicacional onde informações digitais são processadas por pessoas, objetos e lugares através de dispositivos eletrônicos, sensores e redes sem fio. Dimensão atual da cibercultura constituindo a era do “ciberespaço vazando para o mundo real” (Russel, 1999), a era da “internet das coisas”.

1. Crie situações para perder-se. O medo de perder-se é correlato ao medo de encontrar. Mas perdendo-se, encontra-se. A desorientação é uma forma de apropriação do espaço! Tudo localizar, mapear, indexar é uma morte simbólica: o medo do imponderável, do encontro com o acaso: evitar uma dimensão vital da existência. “Perder-se é um achar-se perigoso”, como diz Clarice Lispector.

2. Erros, falhas, esquecimentos de localizações e de movimentações são as únicas possibilidades de salvação da hiperracionalização atual do espaço. Só uma apropriação tática dos dispositivos, sensores e redes poderá produzir novos sentidos dos lugares. Desconfie de sua posição e de seu status de nômade. Quando sua operadora diz, “você é nômade”, desconfie. Mas saiba que o nomadismo é um traço essencial da aventura humana na terra!

3. Tudo é locativo: aprendemos, amamos, socializamos, jogamos, brigamos, festejamos, trabalhamos…, sempre de forma locativa. Não há nada fora do tempo ou do ESPAÇO. E o espaço social é o LUGAR. Em tudo, o lugar é o que importa.

4. Lugar é composto por fluxos de diversas territorializações. Ele é sempre dinâmico e, ao mesmo tempo, enraizado. Lugar é vínculo social. Lugar é fluxo de emoções, é topos, é memória e cristalização de sentimentos. Lugar não é fixação mas interrelação. Com as mídias locativas, o lugar deve ser visto como fluxo de diversas territorializações (sociocultural, imaginária, simbólica) + bancos de dados informacionais. Espaços visíveis marcados por fluxos invisíveis de informação circulando por redes invisíveis.

5. Hoje é impossível pensar os lugares sem os territórios informacionais. Mas lugares persistem sem nenhuma informatização. Não esqueça destes lugares. Pense nos contextos independentes de qualquer tecnologia.

6. Estamos na era da computação ubíqua e pervasive (Weiser), ou seja da informática em todos os lugares e em todas as coisas. Mas não há tecnologias sensíveis e nenhuma delas está atenta a contextos! Elas estão em tudo e em todos os lugares, mas não sabem o que é um contexto e nem tem capacidades de sentir o local.

7. Depois do upload para a Matrix lá em cima, a internet 1.0, agora é a vez do “download do ciberespaço”, da informação nas coisas aqui em baixo, a internet 2.0. Não se trata mais do virtual lá em cima, mas do que fazer com toda essa informação das coisas e dos lugares aqui de baixo! Como nos relacionamos com as coisas e com os lugares? E agora, com essas coisas e lugares dotados de informação digital e conexão à internet? Convocamos Heidegger e Lefevbre?

8. Recuse os LBS e LBT que te colocam apenas na posição de mais um consumidor massivo. Busque produzir informação localizada que faça sentido aqui e agora. Esse é o único meio de construir lugares sociais com essa tecnologias de localização e mobilidade. Reivindique das mídias locativas as funções pós-massivas. A publicidade, o marketing e as operadoras te querem apenas como receptor passivo, massivo, embora supostamente livre, móvel e sem fronteiras. Eles te querem controlado, ativo mas consumindo, receptor pensando que está emitindo. Agir é mais. Reaja à isso.

9. Saiba que as mídias de localização não são novas. Toda mídia é, ao mesmo tempo, local e global. Preste atenção às mídias locativas analógicas que estão entre nós, pense nas anotações urbanas como os graffitis, stickers, bilhetes ou notas, preste atenção às marcas nas ruas, aos índices a sua volta, ao jornalismo local e agora hiperlocal. Aja como um detetive buscando solucionar os mistérios do espaço urbano! Busque o uso crítico dos dispositivos locativos. Lembre-se que o termo “mídia locativa” foi criado por artistas e ativistas para questionar a massificação dos LBS e LBT.

10. Use, divulgue e estimule o desenvolvimento de protocolos não-proprietários, de softwares colaborativos e de fonte aberta, de sistemas operacionais livres e participativos. A sua liberdade no mundo das mídias locativas é diretamente proporcional ao desenvolvimento da computação móvel aberta. Assim como na era do ciberespaço “lá em cima”, bem como na era da internet pingando nas coisas, lute contra o fechamento dos dispositivos, dos sistemas, dos softwares e dos contratos, como os que vigoram no atual sistema de telefonia móvel mundial. Busque, use e distribua jailbreak para todos os sistemas da mobilidade e da localização!

11. Pense que o único interesse do uso das mídias locativas é produzir sentido nos lugares. Se isso não acontece, desligue ou crie um uso que desconstrua o aparelho. Você não precisa ser preciso, você não precisa estar localizado o tempo todo, você não precisa ser sempre racional, um homo-economicus total para viver o local! Se os dispositivos ajudam, use-o, senão, desvie os usos (hacking) e, se não der mesmo assim, abandone!

12. Ache um equilíbrio entre o clique generalizado no mundo da informação e a contemplação ociosa. Desconecte e reconecte os seus dispositivos, sempre, diariamente, permanentemente. Pare, feche os olhos, abra os ouvidos e desloque-se apenas pelo pensamento, essa desterritorialização absoluta (Deleuze).

13. A questão da localização nem sempre está ligada ao espaço e ao movimento, mas ao tempo. Pense assim na duração, na viscosidade das coisas, na imobilidade, no tempo estendido. Saiba que nunca há “tempo perdido” e é impossível “matar o tempo”.

14. Independente de qualquer smartphone ou GPS, o que importa é que você já sabe onde está: “você está aqui” e “agora”. Inverta a máxima de Walter Benjamin (1927) que afirmava que os “lugares foram reduzidos a pontos coloridos em um mapa”. Faça com que este pontos sejam efetivamente lugares.

15. Lute para que marcas, indicando nos mapas o que está perto de você, não evitem o seu encontro com o inusitado nem com o outro. Não se preocupe se não souber o que há por perto. Tenha consciência que, de qualquer forma, você sempre encontrará o caminho para os lugares que procura. Simples: peça informação, pergunte, procure indícios, encare o espaço como algo a ser desbravado, localmente, em contato com o mundo ao seu redor.

16. Pense nos cruzamentos, nas esquinas, nas diferenças de posicionamento; pense nas conexões, nas distâncias e nas aproximações; pense no audível e no inaudível, no visível e no invisível, no fixo e no mutável. Pense nos lugares como parte da sua existência, permanentemente em construção. Pense que você só é estando locativamente.

17. Dê sentido ao seu lugar no mundo, social, cultural e politicamente. As mídias locativas podem, através de anotações, de mapeamentos, de redes sociais móveis, de mobilizações políticas ou hedonistas e de jogos de rua, ajudar nesse processo. Mas tudo é potência e resta ainda o trabalho difícil, penoso, lento, de atualização.

18. Pense nos bairros, nos cruzamentos, nos caminhos, nos pontos históricos, nas bordas (Lynch). Sempre se pergunte como as mídias locativas podem agir em cada uma dessas dimensões: Como criar comunidade e agir politicamente (bairro)?, como proporcionar encontros (cruzamentos)?, como abrir novas veredas (caminhos)?, como criar novos marcos (pontos)?, como tensionar as fronteiras (bordas) com essas tecnologias?

19. Toda mobilidade pressupõe imobilidade e não existe e não existirá um mundo sem fronteiras. Fronteira é controle e controle pode ser liberdade. A imobilidade é uma condição da mobilidade e vice-versa. Só podemos pensar uma em relação à outra. Devemos mesmo estar imóveis para pensar a mobilidade e em movimento para pensar a inércia. Defina as suas fronteiras, tenha autonomia no controle de suas bordas, pare para se locomover e locomova-se para parar.

20. “Des-locar” não é acabar com o lugar, mas colocá-lo em perspectiva. Desloque-se e aproprie-se do urbano, escreva seu espaço com texto, imagens e sons, reúna pessoas, jogue, ocupe o espaço lá fora. As mídias locativas permitem isso. Mas se não conseguir fazer nada disso, então pense no uso e no porquê dessas tecnologias.

21. Mapas são sempre psicocartografias, nunca são neutros. Instrumentos técnicos, mnemônicos e comunicacionais, os mapas, incluindo aí os “Google Earth”, “Maps”, “Street”, e seus similares, são sempre expressões de visões tendenciosas do mundo. Eles sempre refletem estruturas de poder e servem como instrumentos para estender um domínio geopolítico. Pense na “miopia” dos mapas digitais. Compare os detalhes de Tóquio e de cidades da África nos mapas digitais para ter uma idéia dessa invisibilidade.

22. Saiba que todo mapa é uma mídia e que todo mapeamento é uma ação de comunicação, com mensagem, emissor, canal e receptor. Mapear é escrever e ler o espaço. Mapear é sempre um discurso sobre o espaço e o tempo. Mapas, como as mídias, são sempre formas de visualização, de conhecimento e de produção da realidade do mundo externo. Busque, como Borges no “Del Rigor de la Ciência”, criar mapas que sejam novos territórios na escala 1 x 1.

23. Construa mapas que desconstruam visões de mundo. Produza mapas do que não é mapeado em seu entorno, do que é invisível aos olhos bem abertos. Escape do cartesianismo, do racionalismo e das coordenadas geoespaciais. Tente usar as mídias locativas para descentralizar o poder de construção de mapas e de sentido sobre os lugares. Como diz Meyrowitz: “toda mídia é um GPS mental”;

24. Não abuse das redes sociais móveis: encontrar amigos e conhecidos ao acaso pode ser mais interessante do que o tudo programado. A surpresa pode ser um ingrediente para grandes encontros. Mas pense também nas novas formas de voyeurismo, de controle, de monitoramento e de vigilância de amigos, familiares, empregados e empregadores.

25. Você é um ponto em roaming nos diversos sistemas (GPS, redes de telefonia celular, etiquetas RFID, redes Wi-Fi ou bluetooth…). Saiba que novos tipos de controle, monitoramento e vigilância (sutis, transparentes e locativos) estão cada dia mais presentes em tudo o que você faz, desde ligar o celular, acessar uma rede sem fio em um café, atualizar em mobilidade sua rede social, usar o caixa do banco, circular com uma etiqueta RFID em sua camisa ou pagar um pedágio automaticamente ao passar com o seu carro. Pense que não são apenas as câmeras de vigilância que estão te olhando!

26. Na atual fase da computação ubíqua e da internet das coisas, há os dados fornecidos, os “data”, mas há também aqueles que não são “dados”, mas captados à sua revelia e, as vezes, sem o seu conhecimento, os “capta” (Kapadia, et al.). Pense neles, nos “data” que você fornece e nos “capta” que te são roubados! Lute para proteger (agenciar) os novos territórios informacionais de onde emanam os invisíveis “data” e “capta”. Controle e defenda a sua privacidade e o seu anonimato, fundamento e garantia das democracias modernas. Crie, se for preciso, sistemas de contravigilância: sousveillance (Mann) contra a surveillance. No limite, forneça informações imprecisas ou desligue e torne-se invisível.

27. Não há apenas o panopticom do confinamento disciplinar de Foucault, mas o “controlato”, a modulação, a cifra e o “dividual” de Deleuze. As paredes não vedam mais nada. Os presos atacam da prisão. Para Pascal, o problema do homem é que ele não consegue ficar sozinho no seu quarto. Com as camadas informacionais, o que significa e qual a eficiência informacional de mandar alguém ficar de castigo, sozinho, no seu quarto?

28. Não há uso, distribuição, produção ou consumo neutro de informação e ou de tecnologias. Pense em como as mídias locativas podem te ajudar a criar e destruir seus territórios. Quais os limites dos seus territórios? Pense em maneiras criativas de contar histórias, de fazer política, de jogar e de se divertir. Essas tecnologias podem te ajudar a escrever e demarcar eletronicamente o seu espaço circundante, mas busque novas significações, novas memórias dos lugares, reforçar os vínculos sociais e o imaginário coletivo.

29. Comprometa-se em reverter a lógica dos olhares vigilantes, em produzir sons para ouvidos atentos, em criar imagens do passado atreladas ao presente. As mídias locativas só têm importância se ajudarem a produzir conteúdo que faça sentido para você e para o lugar onde vive. Não use passivamente nenhuma mídia, especialmente essas que agem sobre a sua mobilidade e localização no mundo!

30. Pense no uso da técnica (ela não é neutra), na comunicação como aproximação ao lugar e ao outro (ela não é impossível, mas improvável – Luhmann) e no seu lugar no planeta (ele é parte da sua existência). A pergunta deve ser: as mídias locativas te ajudam a encontrar o teu lugar no mundo?

mídia-educação está nos currículos ingleses

(Dica da colega Solange Puntel Mostafa)

Os estudantes ingleses do ensino básico terão agora que estudar, por determinação legal,  em votação no Parliament técnicas colaborativas digitais como o Twitter, os blogs e outros instrumentos wiki como parte do conteúdo a ser ministrado obrigatoriamente em suas escolas preliminares.

O novo currículo marcara’ a maior mudança colocada no ensino básico do Reino Unido em décadas. Os professores terão mais liberdade de decisão e  poderão escolher em conjunto com seus alunos os aspectos específicos do conhecimento histórico e científico, dentro de cada período. 

O novo programa que foi analisado  pelo The Guardian indica uma orientação detalhada de cada um dos núcleos chamados  “áreas de aprendizagem” que devem substituir as 13 áreas anteriormente existentes.

Algumas áreas do programa de estudo básico determina,  para aprendizado em todas as escolas, que alguns pontos são primordiais:

• Os alunos não sairão da escola preliminar se não tiverem completo conhecimento do funcionamento operacional do instrumental de Blogging, os Podcasts, a Wikipedia e o Twitter com a intenção de usa-los  como fonte da informação, elemento social colaborativo e como modo de uma comunicação pessoal e profissional.

• Os alunos devem saber colocar  eventos históricos dentro de uma cronologia. Cada um aprenderá dois períodos chaves da história britânica, mas será a escola que decidira’ quais períodos

• Será imprescindível  conhecer profundamente as condições e políticas sociais  vigentes e sua relação com a família e  e amigos. 

As outras áreas do núcleo são: inglês compreensivo, comunicação e línguas,  matemática, compreensão científica e tecnológica, compreensão social e ambiental do ser humano, saúde e bem estar social e individual e artes.

(FONTE: The Guardian, UK, Quarta feira 25 Março 2009)

acompanhando a sessão do stf

Para quem não tem acesso da TV Justiça ou da Rádio Justiça, sugiro que acesse o Twitter. Por lá, siga #diploma.

contagem regressiva: mba em mídias digitais

Faltam apenas dois dias para o final do prazo de inscrições para o MBA em Mídias Digitais, oferecido pela Univali, em Itajaí (SC).

As aulas começam em abril, e serão nas sextas-feiras à noite e sábados pelas manhãs e tardes.

Alunos e ex-alunos da Univali têm descontos especiais.

Mais informações: http://www.univali.br/pos

nem o twitter escapa

Twittosfera? Pessoas te seguindo? Site baleiando?

Não conhece o Twitter? Vai lá conferir. (O meu é este aqui).

Mas se conhece, vai se divertir com esse videozinho. (Dica da aluna Isabela Lenz)

uma dissertação sobre blogs e professores

Minha orientanda Juliane Regina Guedes defende a sua dissertação de mestrado hoje, 12 de março, no Mestrado em Educação da Univali. O trabalho tem como título “Entre o diário virtual e o diário de classe: traços de identidade profissional de professores na blogosfera”, e faz uma análise de blogs de professores brasileiros.

A defesa está marcada para as 13h30, e teremos na banca a professora Marilda Behrens (PUC-PR) e a professora Solange Puntel Mostafa (Univali). Estou satisfeito e orgulhoso!

Uma síntese do trabalho de Juliane pode ser conferida no vídeo abaixo:

redes socias: bônus da formação

Cometeram a irresponsabilidade de me escalarem para dar uma oficina sobre redes sociais hoje. O “evento” acontece no meio da semana de formação continuada para os professores da Univali, e é voltado para os docentes dos cursos de graduação, principalmente os cursos de ciências sociais aplicadas, comunicação…

Bem, para não lesar os colegas com as não-novidades que vou falar à tarde (com direito a uma outra turma, à noite), deixo abaixo um bônus, prêmio para os que ficaram até o final da minha ladainha. Explico. No último slide da apresentação, aviso que deixei material bom neste blog…

Divirtam-se! E Deus lhes paguem…

Bônus 1: Veja um belo mapa de redes e mídias sociais. Aqui, em PDF, e em espanhol.

Bônus 2: Conheça um diretório brasileiro que reúne tudo o que já se produziu cientificamente por aqui sobre redes sociais..

Bônus 3: Baixe o livro Blogs.com: estudos sobre blogs e comunicação, organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo. Em PDF e de graça.

ATUALIZAÇÃO: Ah! A apresentação em PowerPoint da formação está aqui.

univali abre mba em mídias digitais

mbalogo

Estão abertas as inscrições para o MBA em Mídias Digitais da Univali. O curso de especialização tem 35 vagas e começa em abril no campus de Itajaí. As inscrições vão até 31 de março, e ex-alunos da Univali tem 15% de desconto sobre as mensalidades.
Com duração de 18 meses, o MBA é voltado para graduados em Comunicação Social, Ciências da Informação, Design Gráfico, Licenciaturas, Bacharelados em Humanas, Ciências Sociais e Artes, além de áreas afins. O público alvo é extensivo ainda a profissionais de instituições públicas ou privadas que tenham relação com produção de conteúdo e processos editoriais para mídias digitais.
O MBA em Mídias Digitais é uma iniciativa multidisciplinar, que reúne professores mestres e doutores de campos distintos do conhecimento: da Comunicação ao Design, passando pela Informática e Educação. Foram convidados ainda professores de outras instituições, como as universidades federais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As aulas acontecerão em modernos e bem equipados laboratórios na Univali, quinzenalmente, sempre às sextas-feiras (noite) e sábados (manhã e tarde). O currículo está apoiado em três unidades, cada um com 120 horas. Cada unidade reunirá quatro disciplinas, um seminário e um oficina, totalizando 18 atividades em sala de aula.

Conheça a grade curricular:
Unidade I – Tecnologia e Sociedade
Comunicação e interação mediada por computador (24 horas)
Tecnologia e a informação estratégica (24 horas)
Teorias da Cibercultura (24 horas)
Educação e Comunicação (24 horas)
Seminário: Análise crítica de mídia digital (12 horas)
Workshop: Webwriting (12 horas)

Unidade II – Comunicação Digital
Convergência de mídias (24 horas)
Sociedade em Rede (24 horas)
Ambientes Virtuais de Aprendizagem (24 horas)
Hipermídia e o texto na internet (24 horas)
Seminário: Media Training (12 horas)
Workshop: Webdesign (12 horas)

Unidade III – Produtos Digitais
Produção multimídia (24 horas)
Jogos digitais e plataformas de entretenimento (24 horas)
Ferramentas colaborativas (24 horas)
Metodologia da Pesquisa (24 horas)
Seminário: Direitos autorais na web (12 horas)
Workshop: Produção Multimídia (12 horas)

Saiba quem são os professores:
– Dr. Alex Primo – UFRGS
– Dr. Flávio Anthero Nunes – UNIVALI
– MsC. Valquíria Michela John – UNIVALI
– MsC Carlos Castilho – ASSESC
– MsC Sandro Lauri Galarça – UNIVALI
– MsC Mary Vonni Meurer de Lima – UNIVALI
– MsC Vera Lúcia Sommer – UNIVALI
– Dr. Luís Fernando Máximo – UNIVALI
– MsC. Laura Seligman – UNIVALI
– Esp. Tiago Ficagna – UNIVALI
– Dra. Maria José Baldessar – UFSC
– Dr. Rudimar Scaranto Dazzi – UNIVALI
– Dr. Rogério Christofoletti – UNIVALI

Inscrições:
De 2 de fevereiro a 31 de março. Para isso, junte:
* Formulário para Inscrição totalmente preenchido;
* Diploma de conclusão de graduação (cópia autenticada);
* Histórico escolar de graduação (original ou cópia autenticada);
* “Curriculum Vitae” resumido (atualizado);
* Carteira de Identidade e CPF (cópia);
* Uma foto 3×4 recente

Custos:
Inscrição (R$ 384,00) + 17 parcelas de R$ 384,00. Ex-alunos da Univali pagam R$ 326,00

Mais informações:
Gerência de Pós-Graduação da UNIVALI – Itajaí/SC – Bloco 5 sala 105
Rua Uruguai, 458 – Bairro Centro – Itajaí/SC – CEP 88302-202
Fone: 47-3341-7534 / 47-3341-7652

Contatos:

E-mail: mba.midiasdigitais@gmail.com
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=54531828
Site: http://www.univali.br/modules/system/stdreq.aspx?P=3230&VID=default&SID=477966633789518&S=1&A=closeall&C=27372

o futuro da música: um livro de graça!

Sergio Amadeu da Silveira e Irineu Franco Perpetuo lançam no próximo dia 22 no Campus Party “O futuro da música depois da morte do CD”, livro que organizaram e que dá uma geral na área que tem sofrido abalos sísmicos frequentemente com a chegada das novas tecnologias.

Ficou curioso? Baixe o livro então. É de graça!

http://www.futurodamusica.com.br

uso da web pelos jornais americanos

O Bivings Group soltou hoje um relatório de 29 páginas sobre o uso da internet pelos jornais norte-americanos.

Não, ainda não li. Mas se você quiser se servir, fique à vontade.

Sabe como é, nesses dias de dezembro, por conta das comprinhas de Natal, das visitas e da proximidade das férias, a gente desacelera mesmo…

uma rede social contra as enchentes de sc

Em 2005, na passagem do furacão Katrina pela Flórida, diversas redes sociais emergiram, informando do epicentro dos acontecimentos tudo o que a grande mídia tinha dificuldades para mostrar. À época, as redes sociais também prestaram serviços, estabelecendo contatos entre diversos atores de forma a fazer chegar donativos e suprimentos o mais rapidamente aos atingidos.

Em Santa Catarina, em novembro deste ano, por conta das enchentes no Vale do Itajaí, blogs, wikis e outras redes sociais também jogaram um papel importante. Em questão de horas, blogs como o Alles Blau informavam como estava a situação em Blumenau, e em Itajaí, o Desabrigados reunia as informações sobre quem tinha deixado suas casas, procurava amparo e parentes perdidos. Na mesma cidade, a Arca de Noé, outra rede social, unia esforços dispersos para informar e prestar serviços.

Nesta rápida entrevista, o criador da Arca de Noé – o ex-secretário municipal da Criança e Adolescente Raciel Gonçalves Júnior – relata a experiência e a importância das redes sociais em momentos cruciais como os vividos no final do mês passado.

O projeto Arca de Noé foi uma das mais positivas iniciativas online em meio à tragédia em SC. Como ele começou? Quem teve a idéia e como ele foi concretizado?
Raciel Gonçalves Jr. –
Sábado (22-nov), às 23h42m28s, meu irmão Rinaldo que mora no Loteamento Santa Regina, Bairro Espinheiros, me chamou no MSN (olha a tecnologia aí), preocupado com a situação. Ele vinha monitorando a subida das águas (mesmo tendo a informação de que aquela área não era sujeita a enchente). Às águas do Rio Itajaí-Açú naquele momento estavam a 100 metros do loteamento. Ele registra que a sua filha tinha chegado do Bairro São Vicente e que tinha passado de moto – sem problemas. Registra que a casa do prefeito eleito Jandir Bellini estava debaixo d’água. Ele tinha contatado o ex-marido da nossa irmã (contador da Secretária de Desenvolvimento Regional de Itajaí) que o avisou que realmente as coisas começavam a preocupar a Defesa Civil Estadual e que a TV Brasil Esperança já estava transmitindo ao vivo as primeiras notícias e pedidos de doações para as primeiras famílias alojadas no CAIC. Assisti a uma conversa ao vivo e por telefone do apresentador Denísio Dolásio Baixo da TV Brasil Esperança com o Márcio Xavier, empresário do ramo imobiliário aqui de Itajaí (somos amigos) e imediatamente a minha reação foi de pegar o meu notebook, roupas e produtos de higiene que estavam solicitando como doação e solicitei ao namorado da minha filha que me levasse para o posto de voluntários que o Márcio estava montando, já antevendo que a noite ia ser longa.

No caminho de casa até o centro (a sede da Imobiliária Xavier é ao lado da Igrejinha, ali em frente à Delegacia da Receita Federal), me veio à mente a lembrança de minha mãe que em noites assim – de muitas chuvas e trovoadas, nos reunia na sala (somo em oitos filhos), e para nos acalmar e para que não sentíssemos medo, lia a Bíblia… Escutei a história bíblica de Noé muitas vezes… Quanto à idéia e concretização, nada foi planejado, nasceu naturalmente… Eu já havia respondido a um convite da Revista InfoExame para entrar na rede que eles haviam criado no NING. Assim, conheci o NING e já havia criado lá a REDE PIÁ (que ainda mantenho para discutir políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente). Incialmente, registrei a Rede Social Arca de Noé apenas para manter um registro de nossos contatos, pendências, e pedidos de ajuda e de doações…

Viramos a madrugada de sábado (22) para domingo, articulando várias ações efetivas. Eu tive um terminal de contêineres em Itajaí (Sulpartner Contêineres Ltda), e sempre vi ali uma possibilidade de com aquelas “caixinhas amigas” ajudar os outros em caso de fatalidades… Eles favorecem a logística para armazenar mercadorias, transportar e acolher pessoas, podem ser posicionados e arrumados de muitas maneiras… A ONU monta verdadeiras cidades com eles… As prefeituras de várias cidades assoladas regularmente por furacões na costa americana e no caribe, se utilizam dessas estruturas para proteger pessoas em casos de calamidades e existem empresas que exploram esse nicho de mercado.

Esta é a primeira vez que você usa redes sociais na internet para a mobilização social? Que outras experiências anteriores já teve?

Raciel Gonçalves Jr. – Eu fui um dos dez primeiros clientes da Melim Informática que introduziu a internet em Itajaí. Se não me engano, fui a terceira pessoa a arquivar em HTML puro uma página pessoal. “Nos Bares da Vida” era um diário das nossas andanças na boêmia… No terceiro setor, sou webmaster para a Associação Passos de Integração (também um dos fundadores, diretor e ex-presidente). Mais recentemente, criei e mantenho o Adoção Brasil . É a primeira vez que administro um número tão grande de membros que se registram (538*) e visitam (9.500*) um domínio mantido por mim – 91.193 page views. (*Sitemeter. Dados de hoje (9), 14:00h. Contando desde 27/11).

Aliás, por que lançar mão desses recursos tecnológicos nesse momento?
Raciel Gonçalves Jr. –
Trata-se de um recurso que favorece a interação e permite que rapidamente se disponibilize às pessoas com acesso à internet, mesmo as que apenas têm um domínio básico, acesso fácil e independente (obviamente que limitado a um padrão previamente configurado), mas com alto nível de qualidade e que está disponível 24 horas, ou seja, se você perdeu alguma informação, na web certamente ela estará disponível e atualizada, nem mesmo o rádio e a TV conseguem tanta interatividade.

Como você situaria esses esforços online em comparativo com os dispendidos pessoalmente?
Raciel Gonçalves Jr. – No meu caso particular, e tenho certeza que para muitas outras pessoas, a sensação é a mesma, os nossos esforços físicos foram tão extenuantes quanto o daqueles que foram observados presencialmente. Na primeira semana, eu não dormi mais do que 2 horas por dia, nos recolhiamos, mas a todo momento éramos acordados via fone e também porque não conseguíamos dormir. Você fecha os olhos e tenta relaxar, o cérebro dorme, mas é um sono cortado, agitado, que incomoda e que nos faz levantar e continuar a trabalhar. Os casos em que não conseguimos uma solução efetiva, apenas ligamos para a pessoa e a confortamos, solicitando que se mantivessem calmos porque tinha alguém que havia escutado e que estava imbuído de chegar até eles. Em relação a outros, nos foi possível assegurar que estavam bem e que podiam aguardar por ações mais organizadas da Defesa Civil. Para outros a Rede Social Arca de Noé articulou e disponibilizou caminhões, contêineres vazios, barcos, lanchas, donativos e voluntários. Também observamos que, aos poucos, muitos profissionais da mídia passaram a buscar aqui os informes e orientações para seus ouvintes. A Arca de Noé também disponibilizou rapidamente Formulários Eletrônicos e Planilhas Eletrônicas que facilitaram o trabalho da Defesa Civil na organização de uma listagem de pessoas desaparecidas e encontradas, serviço esse, realizado em parceria com o Instituto Areté, que é uma proposta nova, ainda em gestação, que chega para trabalhar pelo fortalecimento das políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente.

Que resultados esperava alcançar com a Arca de Noé? Que resultados alcançou até agora?
Raciel Gonçalves Jr. – Inicialmente, só visamos disponibilizar uma ferramenta acessível que favorecesse a mobilização e articulação para ações efetivas. Agora, temos recebido manifestações de várias partes do Brasil que estão nos animando a continuar mobilizando e articulando ações visando agora trabalhar permanentemente pelo fortalecimento da Defesa Civil em nossa região. Em números auditados pelo Sitemeter , nós alcançamos 9.500 visitas e 91.193 page views. Os resultados que mais interessam não temos como mensurar, mas as referências positivas a nossa iniciativa, em jornais de circulaçao nacional (Folha online, Estadão online, blogs, etc.) e as 2.160 referências ao nosso domínio no Google nos asseguram que a iniciativa foi exitosa.

Qual o futuro da Arca de Noé?
Raciel Gonçalves Jr. – A nossa expectativa é de que em terra, ela sirva de QG (quartel general) para os importantes desafios que teremos pela frente, nos somando as iniciativas que estão surgindo e que visam a construir uma Defesa Civil forte, aparelhada e treinada, mobilizada e articulada, enfim, viva!

começou o congresso de tecnologias da educação

De hoje, 27, a sexta, 31, acontece na web o 1º Congresso de Tecnologias da Educação.
Segundo a comissão organizadora, são 1261 inscritos nos minicursos e 30 trabalhos – sendo 15 artigos e 15 relatos – apresentados.

Para acompanhar, vá direto: http://congresso-tec-educacao.blogspot.com

portugueses recebem artigos sobre usos sociais e individuais da tecnologia

Jorge Pedro Sousa e Cristina Ponte mandam avisar:

Revista Media & Jornalismo
CALL FOR PAPERS
Tecnologias: usos sociais e individuais

A tecnologia não é neutra e a sua influência pulveriza-se em todas as áreas da actividade humana; reciprocamente, ela é incorporada no dia-a-dia de acordo com necessidades específicas que podem, eventualmente, ser distintas das que inicialmente foram pensadas como fundamento para o seu surgimento. Neste processo de tornar familiar o que é estranho, a tecnologia sofre alterações no âmbito dos usos sociais e individuais.

Como é moldado o quotidiano pela utilização de novos meios tecnológicos? Qual a relevância de escolhas individuais no universo de uma oferta massificada de objectos/gadgets? O que sustenta as resistências sociais à introdução de novas tecnologias? Quais as margens de liberdade individual na utilização de objectos técnicos? Quais as reais reconfigurações do espaço e do tempo nas sociedades contemporâneas? O que existe de realmente novo nos chamados novos media? Como problematizar a emergência do paradigma dos self media?

Estas são algumas das questões que a Revista Media & Jornalismo propõe para análise por parte dos investigadores interessados na temática acima indicada, convidando-os a submeterem artigos com vista à publicação num próximo número da revista.

As propostas devem ser enviadas até 31 de Janeiro de 2009.

Mais: http://www.cimj.org/publicacoes.asp?tipub=Revista

pesquisa mostra que crianças digitais são “multitarefas”

O canal televisivo pago Cartoon Network realizou uma pesquisa com 7 mil usuários de seu site, entre 7 e 15 anos, e chegou a resultados impressionantes sobre os usos e apropriações desses meninos e meninas da tecnologia e de atividades cotidianas. A conclusão mais ruidosa é de que 73% dos sujeitos da pesquisa têm o hábito de combinar o uso de diversas tecnologias ao mesmo tempo, revelando um comportamento “multitarefa”. Realizada todos os anos, a pesquisa Kids Experts acompanha o comportamento infanto-juvenil. 

A idéia do estudo é entender como os pequenos “nativos digitais” consomem diferentes meios enquanto fontes de informação e ferramentas de entretenimento, desvendando seu lado multitarefa – o hábito que as crianças têm de utilizar mais de uma ferramenta e executar mais de uma atividade ao mesmo tempo: baixar arquivos enquanto falam com os amigos pelo MSN, terminar um trabalho de escola enquanto postam scraps no Orkut, jogar videogame enquanto ouvem música.

Para auxiliar na obtenção dos resultados, também foi utilizado o método qualitativo batizado de “observação com registro”, no qual as mães de meninos e meninas registravam em um diário, durante quatro dias, as atitudes de seus filhos em relação aos mais diversos aparatos.

Outras conclusões da pesquisa:

– Uma em cada cinco crianças já postou algum vídeo no YouTube;

– Crianças entre 6 e 8 anos usam a tecnologia de forma mais passiva, com foco no entretenimento, fazendo atividades que não exijam a divisão da atenção;

– Entre 9 e 11 anos começa a existir maior interação, com busca também por informação – é quando acontece o pico da utilização dos videogames pelos meninos;

– A partir dos 12 anos, a comunicação também passa a ser elemento primordial, com a criança dominando totalmente as ferramentas. Nesta fase, elas conseguem executar até oito combinações diferentes entre tecnologias;

– A TV é o primeiro aparelho com o qual as crianças têm contato e está presente durante toda a infância, mas a música em aparelhos como rádio e MP3 players surge logo depois e ocupa espaço permanente;

– O computador cresce em influência a partir dos 9 anos e se transforma justamente no equipamento mais usado em combinação com outros, registrando presença em 57,5% das combinações entre meios;

– O celular é o equipamento que tarda mais a ser incorporado, já que seu uso regular aparece entre os 9 ou 10 anos. O estudo sinaliza ainda que o celular pode cada vez mais assumir um papel importante como integrador de todas as tecnologias.

– Mais de 70% das meninas pesquisadas usam programas de comunicação instantânea, sendo que 46% das meninas usam o MSN todos os dias e 22% passam de uma a duas horas conversando por meio do software;

– Nas comunidades online (Orkut, Facebook, MySpace), as meninas também dominam: 66% delas são membros, mantendo uma média de 80 contatos;

– Nas redes sociais, as crianças têm em média 23 amigos que não moram na mesma cidade, sendo que 73% diz que em suas listas de amigos têm mais pessoas que conhecem pessoalmente;

– 23% das meninas têm blog, fotolog ou videolog;

– 75% dos meninos têm videogame, sendo que o Playstation é o console favorito;

– Em comum, meninos e meninas entram em contato com o mundo digital cedo: 77% das crianças entre 7 e 9 anos entraram pela primeira vez em um site de comunidade online quando tinham entre 5 e 8 anos de idade;

– Duas em cinco das crianças pesquisadas já trocaram com amigos algum conteúdo de mídia na web (música, vídeo, fotos);

Para ler matéria do Rio Mídia sobre a pesquisa, clique aqui.

Para saber mais como “funciona” a chamada Geração Multitarefa, veja matéria do espanhol La Vanguardia.

EM TEMPO: Por falar em geração multitarefa, Paco Tejero comenta o livro de Jeroen Boschma – La generacion Einstein -, lançado recentemente e que aponta esta “nueva generación de jóvenes más intelligentes, más sociables y más rápidos”. Mas Paco Tejero é bem crítico quanto a isso. Aliás, Alex Gamela faz o mesmo, se perguntando: será que nossos alunos de jornalismo estão preparados para o que vislumbramos em nossos cursos e disciplinas? 

links do momento: educação

[ * ] Prensa-Escuela: da Espanha, um projeto do jornal La Voz de la Galícia para fomentar a criação de novos leitores.

[ * ] Já está disponível o mais recente número da revista Educação e Tecnologia, do CEFET de Minas. (dica da Gladis L.Santos)

[ * ] Um coletivo de blogs educativos no Brasil

[ * ] 4º Seminário Jogos eletrônicos: narrativas, aprendizagem e desenvolvimento. Na Bahia, em agosto, mas com chamadas abertas.

[ * ] TV e professores: um site em inglês que pode oferecer material e idéias sobre o uso da telinha na sala de aula.

faxina de links: games & kids

twitter na educação e no jornalismo

Tenho testado o Twitter. Na verdade, mais experimentado do que propriamente testado. Bem informalmente. Ainda não usei jornalisticamente nem em sala de aula. Mas tem dois links que trazem boas análises e dicas:

Um post bem básico de TBarret destaca o Twitter como uma “teaching and learning tool”:

“In my opinion there is great potential in the use of Twitter to support teaching and learning. It is unique in this role because it is all about conversation on a larger scale. Not just instant messaging with one or two contacts or including a Skype call in your lesson, but speaking to a wider network of fellow professionals. Currently most users consider Twitter to be just a networking tool, this opinion was confirmed when I recently asked if it could be a teaching and learning tool. To make the transition into the classroom and having a direct influence on learning will take more people planning to use it and a growing weight of examples and successes to explore”

No ReadWriteWeb, Marshall Kirkpatrick conta que mudou de opinião sobre o Twitter e salienta ao menos quatro usos desse sistema no jornalismo.

Ainda quero usar o Twitter com alunos. Inclusive para quebrar alguns preconceitos que alguns têm. Acreditem: já ouvi aluno antenado dizer que o sistema é uma tremenda besteira. Não estou totalmente convencido disso. E tenho um pressentimento que ainda ouviremos muita coisa sobre o Twitter nos próximos tempos…

(A propósito, se quiser me encontrar por lá, vá por aqui)

chamada de trabalhos: icbl 2008

Saiu a chamada de trabalhos para a edição 2008 da Conferência Internacional da Interactive Computer Aided Blended Learning, que acontece no em novembro em Florianópolis.

Veja o site aqui.

Deadline no começo de junho.

Esta é a segunda edição do evento que, segundo os organizadores, objetiva “focar na troca de
relevantes tendências e resultados de pesquisas, bem como na apresentação de experiências práticas obtidas com o desenvolvimento e teste de elementos da aprendizagem assistida por computador”.

Por isso, vale tudo: projetos-piloto, aplicações, relatos e produtos…

 

wiki e youtube: dicas para professores

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 Juha Suoranta e Tere Vadén assinam Wikiworld: policital economy of digital literacy, and the promise of participatory media. O livro – disponível aqui em PDF – foi recentemente editado pelo Paulo Freire Research Center, pelo Open Source Research Group, Hypermedialab, todos da Finlândia.

Com 215 páginas, em inglês, a obra reflete as modificações paradigmáticas que as novas tecnologias – e em especial as muitíssimas possibilidades colaborativas (wiki) – têm provocado nos meios educativos, e na sociedade em geral. São Seis capítulos:

  • A critical paradigm of education
  • Digital literacy and political economy
  • Radical monopolies: schools, computer softwares and social media
  • The world divided in two
  • Edutopias and the promise of active citizenship
  • From social media to socialist media

E se falamos em wiki, em web 2.0, não podemos deixar de mencionar o maior fenômeno em sites de vídeo da internet: o YouTube. Pois já postei aqui que existem diversas modalidades para diferentes públicos – do religioso ao pornográfico. Se você é professor e quer ter acesso a vídeos de aulas e apresentações didáticas, a opção é o TeacherTube.

O repositório funciona, mas ainda está pouco recheada de conteúdos. A imensa maioria deles em inglês. Mas vale uma navegada…

tics na escola: publicações da unesco

Já está disponível para baixar em formato PDF uma série de publicações da Unesco sobre TICS na escola.

Como anuncia o site oficial, “Tecnologia, informação e inclusão é uma série de folhetos destinada a jornalistas atuantes na mídia comunitária, estudantes e ao público em geral. Seu objetivo é estimular a disseminação de informação e o debate sobre a contribuição das novas tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento social no Brasil. A série é composta por vários volumes temáticos apresentados em folhetos que tratam de aspectos específicos de cada tema”.

O site oferece links para baixar os 15 arquivos, divididos em quatro volumes. No total, 60 páginas.

volume 1: Acesso às novas tecnologias:

  • n. 1: Brasil no rumo da inclusão (PDF – 4 p.)
  • n. 2: o papel das ongs (PDF – 4 p.)
  • n. 3: o papel do governo (PDF – 4 p.)
  • n. 4: telecentros no país (PDF – 4 p.)

volume 2: Informação para todos:

  • n. 1: acesso do portador de necessidade especial (PDF – 4 p.)
  • n. 2: telecentros acessíveis (PDF – 4 p.)
  • n. 3: acesso muda a vida das pessoas (PDF – 4 p.)

volume  3: Computador na escola:

  • n. 1: a dura realidade nas escolas (PDF – 4 p.)
  • n. 2: o futuro anunciado (PDF – 4 p.)
  • n. 3: tecnologia e aprendizagem (PDF – 4 p.)

volume  4: Juventude e Internet:

  • n. 1: sonho de jovem inclui emprego e um computador (PDF – 4 p.)
  • n. 2: do maracatu atômico ao hip-hop digital (PDF – 4 p.)
  • n. 3: indígenas recriam a própria imagem em vídeo (PDF – 4 p.)
  • n. 4: o caso de três jovens brasilienses (PDF – 4 p.)
  • n. 5: ameaças na rede (PDF – 4 p.)

competência em TICs para professores

Já está disponível em inglês e espanhol o documento da Unesco sobre competências em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para docentes. Esses padrões foram lançados no começo de janeiro em Londres, mas só agora tiveram sua tradução para o espanhol, conforme conta o ProfEblog.

Em inglês, o documento está em formato word e dividido em quatro arquivos. Aqui.

Em espanhol, o documento está em formato PDF, tem 28 páginas e não chega a um mega. Aqui.

Vale a pena conhecer esses standards e comparar com a própria realidade…