o aniversariante do dia

Fez 70 anos e é imune a kriptonita.

como adolescentes se comunicam?

Surgiu um estudo recente da Ericson sobre como os adolescentes norte-americanos se apropriam de tecnologias para se comunicar. A pesquisa leva em conta 2 mil entrevistas online feitas com sujeitos de 13 a 17 anos. A amostra representa uma fatia de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária, afirma o estudo. Alguns resultados:

  • Mandar textos pelo celular é legal, mas não substitui contato presencial
  • Videochat é uma tendência crescente
  • O telefone celular é uma ferramenta social
  • Adolescentes e adultos usam o Facebook de forma diferente

Quer ver o estudo na íntegra, clique aqui.
(em inglês, 12 páginas, em formato PDF e arquivo de 498 Kb)

mais oportunidades…

Não foi à praia? Não está recebendo parentes? Não tem o que fazer?
Ora, seus problemas acabaram. Ocupe-se e esvazie as gavetas…

A equipe editorial da revista Brazilian Journalism Research (BJR) convida autores para submeter trabalhos para a sua próxima edição (v.8, n.1), que terá como Dossiê Temático Mídias Digitais, convergência e prática jornalística: desafios e perspectivas. Os artigos serão recebidos até 30 de março.

A Brazilian Journalism Research é um periódico científico semestral publicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A associação é dedicada à teoria e à pesquisa sobre jornalismo (tanto o trabalho teórico, quanto o empírico). A revista é editada em inglês e português e está indexada em base de dados como a Latindex e DOAJ.
O Call for papers (em inglês) está disponível em:
http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?page_id=818
Para acessar a BJR, clique em:
http://bjr.sbpjor.org.br/index.php/bjr

(reproduzindo a chamada de Kênia Maia, vice-presidente da SBPJor e Editora Executiva da BJR)

Tem mais…

Já está aberto o processo de submissão de trabalhos ao GT Estudos de Jornalismo para o XXI Encontro Anual da Compós. Desde sua criação, em 2000, o GT converteu-se em espaço central e qualificado para discussões e aprofundamento das problemáticas relacionadas ao jornalismo, suas práticas, linguagens, discursos e transformações tecnológicas. O template de submissão de trabalhos está disponível para download no site da Associação (www.compos.org.br ) e as inscrições, realizadas exclusivamente nesse site, encerram às 18h do dia 15 de fevereiro. Esse ano o Encontro acontece em Juiz de Fora, Minas Gerais, entre os dias 12 e 15 de junho.

(reproduzindo a chamada de Ronaldo Henn, coordenador do GT)

oportunidade… nas férias

Se você é professor, pesquisador, estudante e não viajou de férias, não se desespere! Há outras maneiras de se divertir, como escrever artigos científicos, por exemplo. Veja a oportunidade abaixo:

A Razón y Palabra, primeira revista eletrônica do subcontinente a tratar de comunicação, está com chamadas abertas para seu número 81, que deve circular na metade do ano. O tema é “Comunicação como valor para o desenvolvimento social”. Os coordenadores da edição Laura Gonzáles Morales e Guilebaldo López López informam os prazos:

10 de marzo: Fecha límite para el envío del trabajo
10 de abril: Retroalimentación por parte del comité editorial
10 de mayo: Entrega definitiva de los trabajos

Normas editoriais podem ser encontradas em:
http://www.razonypalabra.org.mx/editorial.html

Dúvidas? Mandem emails para:

com.desarrollosocial@gmail.com
espejoludico@yahoo.com.mx
thezin3@yahoo.com.mx

fórum de professores com chamada aberta

(Reproduzindo a informação do presidente Sérgio Gadini)

Estão abertas as inscrições de trabalhos ao 14º Encontro de Professores de Jornalismo, que acontece entre os dias 27 e 30 de abril (2012) na Universidade Federal de Uberlândia (MG).
Para submeter trabalhos ao grupos do 10 Ciclo Nacional de Pesquisa em Ensino e Extensão em Jornalismo, acesse o site do Fórum
Diante dos impasses, colocados ao ensino superior em Jornalismo, o ENPJ será um espaço fundamental para traçar os rumos e desafios da formação profissional na área, como é o caso da (polêmica) situação em torno das Diretrizes Curriculares em Jornalismo. Imperdível! Esperamos, pois, contar com sua estimada participação lá em Uberlândia.

Agende-se e envie trabalho: http://www.fnpj.org.br/soac/ocs/callforpapers.php?cf=24

Outras informações estão no link:
http://www.fnpj.org.br/noticia/fnpj-abre-chamada-de-trabalhos-para-encontro-nacional-790

no elevador, com a cientista…

O acaso (ou não!) fez com que eu pegasse uma carona de elevador com uma moça na descida do quinto andar. Eu acabara de deixar a sede da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (Fapesc). Assim que fecharam as portas, ela emendou, seriíssima: “Sempre me esqueço que a Fapesc fica nesse andar. Geralmente, subo até o sexto e desço. São os macróbios atacando os neurônios!”. Disfarcei a ignorância crônica e soltei no mesmo tom: “A-ham!”

é, não tem jeito…

Fiquei semanas sem passar por aqui, cansado, desmotivado, aparentemente sem ter o que dizer. Acessei agora as estatísticas do blog na indisfarçável esperança que ele estivesse zerado, mas não. Ainda há quem por aqui passe. Me mostra que o blog resiste, apesar de mim. Bem, se não tem jeito, vamos adiante. Um passo à frente.

12 resoluções para 2012

1. Fazer ao menos uma coisa diferente por mês. Serão 12 maneiras novas de viver. Experimente!

2. Contar até 11 diante dos problemas. Seja paciente!

3. Não fazer 10 coisas ao mesmo tempo. Tenha foco!

4. Dormir 9 horas diárias. Descanse!

5. Tentar trabalhar apenas 8 horas por dia. Equilibre-se!

6. Não gastar nenhuma das minhas 7 vidas. Cuide-se!

7. Fazer mais meia dúzia de amigos. Conviva!

8. Conjugar 5 verbos em todos os tempos: Perdoar, Dialogar, Celebrar, Ousar, Viajar.

9. Perder 4 quilos, e não voltar a encontrá-los na cozinha. Seja mais leve!

10. Conceder-se 3 desejos, e realizá-los. Presenteie!

11. Agradecer 2 vezes, sempre. Reconheça!

12. Amar a vida como se ela fosse uma só. Aproveite!

este blog subiu no telhado

Há semanas ando pensando sobre este espaço aqui.

Se você o frequenta, sabe que ele era atualizado com mais frequência, que era mais arejado. Mas isso mudou nos últimos meses. Antes, eu me angustiava porque não blogava. Depois, fui me convencendo de que a sobrecarga de trabalho simplesmente consumia todo ou quase todo o tempo que dispunha para o Monitorando. Hoje, tenho a consciência de que um certo abandono se deve também a outros fatores, como a desmotivação, o cansaço, o esgotamento físico e mental, um esvaziamento.

Será que cansei de brincar? Em que medida este espaço ainda é importante para mim?

Não tenho respostas definitivas, mas decidi compartilhar com você este sentimento de transe. Justo você que passa por aqui, que torna a atividade de blogar uma possibilidade não-solitária…

Ando sumido também em outros planos do ciberespaço. Tuito cada vez menos; passo pelo Facebook apenas para bater cartão; minha conta no Last.FM está coberta de teia de aranha…

Este post é uma despedida? Não, acho que não. Talvez seja uma preparação para isso. O blog me deu muitos prazeres, me conectou a pessoas muito legais, me permitiu conversar com gente de todos os tipos. O blog também trouxe problemas e dissabores, mas a vida tem disso também.

Em alguns momentos, para sacudir a poeira, eu fazia uma mudança visual no blog, apertava um parafuso aqui outro lá. As cirurgias plásticas resolvem epidermicamente, outras operações são mais delicadas, definitivas e quase sempre adiadas.

Tenho um motivo específico para essa elucubração toda? Não, não. A vida não precisa de motivos; ela precisa é ser vivida. Este blog pode ser atualizado com menos frequência ou simplesmente deixar de existir. O tempo dirá. Não me despeço nem agradeço a sua visita porque alguma coisa me diz que “voltaremos em breve com nossa programação normal”.

hackerismo e jornalismo

A revista Comunicação & Sociedade acaba de lançar nova edição, onde publica uma resenha minha sobre “Hackear el periodismo”, livro do jornalista argentino Pablo Mancini.

A obra é instigante, cheia de insights e marcadamente preocupada com a busca de novos papeis para o jornalismo. Vale a leitura.

Reproduzo a resenha, mas a edição completa da revista pode ser acessada aqui.

Hackerismo e Jornalismo

Os meios de comunicação ajudam a cristalizar um equívoco quando usam o termo “hacker” para designar vândalos cibernéticos e criminosos digitais que violam sistemas, roubam dados, picham sites. Até veículos especializados cometem esse deslize, e isso ficou evidente mais uma vez com a onda de ataques a páginas eletrônicas do governo brasileiro em junho passado: as invasões foram atribuídas a “hackers”.

Teria sido uma derrapada não fosse o fato de que há quase três décadas um livro reposicionava os hackers como protagonistas na história da informática. Em 1984, Steven Levy já os chamava de “herois da revolução na computação”. Compreender esses personagens significa não apenas evitar jogá-los na vala comum dos marginais, mas entender aspectos importantes da lógica que orientou a busca pela excelência tecnológica e a emergência de uma cultura de colaboração no trabalho e de compartilhamento de arquivos e conhecimentos.

Em “Hackear el periodismo: manual de laboratório”, o jornalista argentino Pablo Mancini se vale do conceito por trás desses personagens para discutir os limites atuais para o jornalismo numa nova ecologia comunicacional. Gerente de Serviços Digitais do Clarín Global, Mancini está atento aos movimentos do setor para buscar a sustentabilidade de projetos midiáticos e o redesenho das práticas informativas. As ilustrações a que recorre são exemplares, e o livro é recentíssimo – chegou ao público em abril de 2011.

Evocando Levy (1984) e Himanen (2002), Mancini se apressa a aliviar a carga semântica negativa sobre o termo. Com os autores que sistematizaram uma ética hacker, lembra que existem hackers em todas as profissões e não apenas na computação, e o que os define é uma predisposição de buscar a excelência com métodos pouco ortodoxos, inexplorados e inovadores. São personagens que se apoiam em valores como paixão, liberdade, consciência social, verdade e integridade; e se orientam para o livre acesso à informação e ao conhecimento. Portanto, compartilham o que sabem, buscam soluções para sua comunidade, facilitam o acesso e contornam dificuldades. Hackers são naturalmente curiosos e criativos, e perseguem o aperfeiçoamento de práticas, procedimentos e sistemas. É neste aspecto que Pablo Mancini aproxima hackerismo de jornalismo. Essa indústria está atravessando um período intenso de transformações que ensejam soluções, reconfigurações e reprogramações. Daí que necessita de “profissionais com uma visão estratégica que estejam à altura do mercado: hackers que se apropriem dos desafios e possam desenhar as soluções que os meios e a profissão precisam para se reinventar” (2011: p.16).

Para Mancini, hackear o jornalismo é trabalhar para aperfeiçoá-lo tecnicamente, é conjugar esforços para apontar saídas para sua manutenção como negócio viável, é operar para melhorá-lo como prática socialmente útil.

O autor propõe quatro portas para se entrar no núcleo funcional e hackear o jornalismo: tempo, audiência, valor e organização. Mancini despe-se de pretensões totalizantes, advertindo que não se trata de lei ou teoria, mas de uma proposta de análise e ação. Para ele, esses quatro aspectos são chaves das mudanças nas fábricas de notícias. Podem ser analisados separadamente, mas articulá-los em pares ou em quadratura auxilia uma visão mais ampla das transformações sem precedentes sofridas por essa indústria.

O diagnóstico não parece exagerado, afinal, como descreve o autor o tempo de consumo das informações já não é mais o mesmo; a audiência tem novas práticas junto aos meios; o valor das informações é também agregado de fora das redações; e os fluxos corporativos estão sendo reformulados. Com isso, se todas as coordenadas foram alteradas, o jornalismo também precisa de um novo endereço.

Com uma superoferta de informações, os meios de comunicação acabaram dilatando o período de consumo de seus produtos. Se antes a audiência se encaixava em janelas de tempo – o horário nobre da televisão, as horas da manhã para a leitura dos jornais… -, agora, o público não fica mais confinado nesses intervalos. A audiência não está mais em nenhum lugar porque ela flui, atravessa os meios, é turista dos suportes. Aliás, Mancini critica a obsessão das empresas pelos suportes, o que as estaria arruinando. “Se o conteúdo é transmídia, os meios serão pós-suporte” (op.cit.: p.34). Por isso que “o tempo da audiência está hackeando a incapacidade e a resistência à mudança que reina e governa a maioria das organizações jornalísticas” (op.cit.: p.24). A saída, segundo Mancini, é produzir brevidades, informações em pílulas, sob o mantra do “menos é mais”, de forma a capturar as fluídas audiências.

Aliás, os públicos vêm dotados de outras potencialidades. Em tempos como os nossos, as audiências são agentes também da distribuição dos conteúdos dos meios, algo que antes era prerrogativa exclusiva dos jornalistas e veículos. Os amadores2 tomam a Bastilha, geram material, intrometem-se no processo produtivo dos meios de comunicação, clamam por mais espaço de participação/interação. Para Mancini, não se trata de falar de prosumers, de jornalismo cidadão ou seus arredores. Está nascendo um novo animal midiático, capaz de “mudar a cadeia alimentar de uma ecologia até então endogâmica e autorreferencial” (op.cit.: p.41). A audiência tem o controle do tempo agora, é “a medula e o motor da distribuição de conteúdos”, o que causa tremores nas redações. Sistemas de reputação e recomendação online e audiências desdobradas em algoritmos assumem papeis cada vez mais determinantes na equação comunicativa.

Se a audiência não é mais um rebanho, compara Mancini, os meios também não podem se comportar como cardumes. Buscar se destacar das muitas opções é essencial para sobreviver. A homogeneidade gera a invisibilidade. A superabundância das informações acaba esvaziando parte do valor das próprias informações, seguindo uma lei econômica. O valor não vem mais apenas dela mesma, mas de outras fontes. Está em outra parte. Outro fator problematizador é que os produtos e serviços jornalísticos não são mais apenas lidos, vistos ou ouvidos. São também utilizados, pontua Mancini, trazendo à tona uma dimensão ainda pouco avaliada no setor: o valor de uso da informação.

Se o tempo, a audiência e o valor já não são mais os mesmos, a empresa jornalística também não pode se manter como está, sentencia o autor. É preciso reorganizar-se, o que não se traduz em reposicionar o mobiliário nas redações. Estão em jogo a eficiência das equipes e o valor do que elas produzem. No debate sobre integração de redações, planejamento versus experimentação, ganham mais força os movimentos para a inovação e o redesenho do jornalismo. “Nunca esteve tão claro que o capital dos meios são sua marca e seus recursos humanos (…) O desafio é extremo: depois de décadas otimizando modelos de negócios, agora temos que pensar os modelos produtivos” (op.cit.: p. 109). Mancini se pergunta se é possível produzir novos produtos em velhas fábricas. A saída não é única, e os caminhos apontados pelo autor vão desde a curadoria de conteúdos ao modus operandi da indústria dos games, da prática do remix – ao estilo dos Djs – à combinação bem equilibrada de habilidades e atitudes individuais e coletivas. Interessa é rearranjar a maneira de trabalhar o jornalismo, atuar para romper com modelos engessantes.

À guisa de conclusão, Mancini cita três iniciativas que estão hackeando o jornalismo: o WikiLeaks – site de vazamentos informacionais de governos e corporações -, o Huffington Post – portal onde a audiência é crucial para a criação do valor da informação – e o Newser – que oferece um redesenho da notícia, tendo a brevidade como valor agregado sobre o conteúdo. O que têm em comum esses exemplos? Têm funcionalidades disruptivas, rompem padrões e ajudam a reprogramar o jornalismo. Seu DNA está contaminado por fluidez, flexibilidade e originalidade, elementos raros na espécie.

Então, Pablo Mancini tem todas as respostas? Claro que não. Aliás, seu “Hackear el periodismo” pode frustrar o leitor ao final, já que deixa uma grande quantidade de perguntas sem respostas. As lacunas podem ser atribuídas à despretensão, à impotência ou à impossibilidade de resolvê-las agora. Mancini não oferece um necrológio da crise do jornalismo, mas um manual de laboratório. Parece pouco, mas propor que se mexa os braços é um bom começo para não afundar.

Referências bibliográficas

HIMANEN, Pekka. La ética del hacker y el espíritu de la era da la información. Barcelona: Destino, 2002

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2008

KEEN, Andrew. O culto ao amador. Rio de Janeiro: Zahar, 2009

LEVY, Steven. Hackers, heroes of the computer revolution. New York: Delta, 1984

MANCINI, Pablo. Hackear el periodismo. Buenos Aires: La Crujía/Futuribles, 2011

“coração-pensamento”

É o que temos pra hoje…

nova edição da revista estudos em jornalismo e mídia

Acaba de chegar à rede mais um número da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Posjor/UFSC.
A edição tem um especial sobre narrativas no jornalismo.

Confira o sumário e acesse a publicação:

Editorial – Permanência e atualidade da contação de histórias

Núcleo Temático

Bom jornalismo, histórias bem contadas
Daisi Irmgard Vogel

Mídias precursoras: transição e transgressão: atualidade da leitura de dois depoimentos do jornalista Marcus Faerman
Terezinha Fátima Tagé Dias Fernandes

Narrativas convergentes: ficção e realidade na prosa de Nelson Rodrigues
Esdra Marchezan Sales

O discurso jornalístico autorreferencial como estratégia de construção da ‘imagem de si’
Daiane Bertasso Ribeiro, Maria Ivete Trevisan Fossá

Mídia, identidade e território: as cidades projetadas pelos formatos noticiosos no telejornalismo local
Jhonatan Alves Pereira Mata, Iluska Maria da Silva Coutinho

Narrando Escândalos: Eleições, Campo Jornalístico e Drama Político
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho

“Livros de repórter”, saberes de entremeio: relatos jornalísticos sobre a cobertura de conflitos
Angela Zamin

Sob a superfície dos fatos, a complexidade de seu significado: o desafio da narrativa no Jornalismo Cultural
José Salvador Faro

Conviver, sentir, narrar: personagens documentais e jornalísticos
Alexandre Zarate Maciel

Temas Livres

Inovação, renovação e ambidestria: chaves para a aprendizagem do jornalismo no século XXI
Carlos Eduardo Cortés

Sobre o fluxo informacional em tempos de Internet: estudo dos contextos comunicacionais
Guilherme Haas

Transparência na apuração em blogues jornalísticos
Leonardo Feltrin Foletto

Jornalismo e direitos infantis no Brasil e em Portugal: privacidade, estigmatização, e participação de crianças e adolescentes nos jornais O Globo e Público
Lidia Soraya Barreto Marôpo

Jornalismo Popular no Brasil e na Alemanha: as capas do BILD Hamburg e do Diário Gaúcho
Ana Cecília Bisso Nunes

Nas fronteiras do olhar
Aglair Bernardo, Gustavo Bonfiglioli

John Stuart Mill e as sociedades da informação: Liberdade de imprensa, Estado e opinião pública
Alexandre Antônio Nervo

Resenhas

A narrativa jornalística: elementos para uma teoria do acontecimento
Cristiano Anunciação

5º encontro de jornais laboratórios é amanhã

 O curso de Jornalismo da UFSC promove amanhã, 9 de dezembro, a quinta edição do encontro de jornais laboratórios catarinenses. O evento, que já passou por outras escolas do estado, é retomado em Florianópolis com seu propósito original: reunir professores, estudantes, profissionais e técnicos para discutir a realidade pedagógica local para o ensino de jornalismo laboratorial.

O encontro acontece na Sala Aroeira, do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, a partir das 9 horas. Pela manhã, uma mesa reúne representantes dos jornais laboratórios para trocar experiências de ensino e extensão, dificuldades e dilemas. À tarde, outra mesa dá prosseguimento aos debates.

Já confirmaram presença os cursos da Unisul (Palhoça), Unisul (Tubarão), Ibes/Sociesc (Blumenau), Univali (Itajaí), Faculdade SATC (Criciúma), Unochapecó (Chapecó), UFSC (Florianópolis), Faculdade Estácio de Sá (São José) e Ielusc (Joinville).

A organização está a cargo dos professor Samuel Lima e Rogério Christofoletti, com apoio dos alunos do curso de Jornalismo da UFSC.

Veja a programação:

9h: Abertura
Memória do evento
Profª Raquel Wandelli (Unisul – Palhoça)

9h30: Mesa Nº 1 – Compartilhando Experiências I
. Zero (UFSC, Florianópolis) – Prof. Rogério Christofoletti (mediador)
. Contato (Fac. Estácio de Sá, São José) – Prof. Billy Culleton
. Ênfase (Fac. SATC, Criciúma) – Profª. Marli Vitali
. Extra (Unisul, Tubarão) – Profª Cilene Macedo

12h às 14h: Almoço

14h: Mesa Nº 2 – Compartilhando Experiências II
. Fato & Versão (Unisul, Palhoça) – Profª Raquel Wandelli (mediadora)
. Primeira Pauta (Ielusc, Joinville) – Profª Amanda Miranda
. Cobaia (Univali, Itajaí) – Prof. Sandro Galarça
. Passe a Folha (Unochapecó, Chapecó) – Prof. Francesco Silva
. O Quinto (Ibes/Sociesc, Blumenau) – Prof. Fabrício Wolff

17h: Encerramento
Definição da sede do 6º Encontro e encaminhamentos gerais
Prof. Samuel Lima (coordenação)

O evento terá cobertura pelo Twitter: @zeroufsc

jornalismo cidadão, em defesa

O jornalista Marcelo Barcelos defende hoje no Mestrado em Jornalismo da UFSC a dissertação “Jornalismo cidadão: profissionalidade e amadorismo nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina”. A banca é pública e acontece a partir das 14 horas na sala de videoconferência do CCE. A comissão examinadora do trabalho é formada pelas professoras Gislene Silva e Maria José Baldessar, além de mim, que atuei como orientador.

A transmissão online da defesa você pode conferir aqui.

Um resumo do trabalho:

O jornalista não está mais sozinho para apurar os acontecimentos, escrever as notícias e distribuí-las. Com a revolução tecnológica que reconfigura não só suas práticas, mas também a própria função social, ao lado do profissional, está o amador, o cidadão comum, aquele a quem se deu, por muito tempo, o nome de público/receptor. Hoje, o leitor pode ser um produtor de conteúdo noticioso e, para isso, apropria-se de competências antes exclusivas dos repórteres, como apurar, narrar fatos inéditos e produzir o noticiário, em um fenômeno conceituado “jornalismo cidadão”. É tentando entender os impactos provocados pela chegada desse personagem no jornal impresso e no âmago da cultura jornalística que este trabalho mergulha. Parte-se do princípio que legitimou a produção de conteúdo amador independente até o instante em que as mídias tradicionais passaram a adotá-la, elevando o cidadão à condição de leitor-repórter. Para compreender esse recente paradigma, analisamos um corpus de 27 edições – durante uma semana completa dos quatro jornais do Grupo RBS em Santa Catarina: Hora de Santa Catarina, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia. A investigação, utilizando o método exploratório na análise de textos e fotografias, caracterizou a produção amadora publicada conforme os seguintes critérios jornalísticos: a) autoria; b) foco narrativo; c) atualidade; d) interesse público e) gênero f) hard news e g) soft news. A análise ainda inclui entrevistas presenciais com jornalistas das quatro redações, à procura de traços dessa nova forma de relacionamento com o público e das tensões provocadas em sua profissionalidade. Rodeado de enunciados intencionais que o convocam à colaboração, o público atende a um chamado e produz conteúdo de natureza informativa; muito desse conteúdo, no entanto, é carregado de um caráter pessoal. As produções aparecem em quase todas as editorias, ora na voz do cidadão, ora diluída na edição do jornalista, que a complementa. É possível identificar um elevado grau de dependência no qual o jornalista demonstra a necessidade do leitor para “fechar o jornal”. No outro lado do balcão, os jornalistas ainda se moldam à partilha, enquanto defendem seu conhecimento específico, conquistado entre a prática e a formação acadêmica, para tratar – com ética, veracidade e equilíbrio – o que vem de fora da redação, sob o risco da abertura de espaço à imprecisão e à narrativa falseada. Os jornalistas reconhecem, no entanto, a necessidade cada vez maior chamar o leitor à produção em uma “Coautoria Vigiada” e admitem terem aberto mão de algumas tarefas até então exclusivas.

a crítica da crítica de mídia no brasil

O Mídia & Política acaba de publicar um número especial em que junta artigos sobre a crítica de mídia no país e o futuro do jornalismo. O número tem ótimos artigos e merece ser conferido.
Veja o sumário e vá direto à fonte:

A CRÍTICA DA CRÍTICA DA MÍDIA NO BRASIL

Depoimento – Luiz Martins
“É difícil apresentar boas práticas de acerto no panorama da mídia atual”
Paulo Figueiredo, Fábio Pereira e Camilla Braga
A mesma mídia que veicula uma campanha educativa, mostra, na novela, condutas vis; faz campanha de educação no trânsito para, em seguida, exibir comerciais de automóvel mostrando a velocidade como diferencial.

Jornalismo e crítica: informar ou opinar?
Thaïs de Mendonça Jorge
Se atualmente proliferam torres de vigilância – tanto quanto câmeras de segurança na via pública –, observatórios existem porque a sociedade mesma indicou a necessidade de um pan-óptico para ver o que acontece na mídia.

Periscópio dá oportunidade a estudantes
Anderson David Gomes dos Santos
O espaço destinado à crítica da mídia é disponibilizado por uma rádio educativa, a Rádio Unisinos 103.3 FM, emissora da Fundação Urbano Thiesen, ligada à Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Observatório da imprensa, um velho-jovem
Adriana Domingues Garcia
OI estimula a sociedade midiatizada a refletir em relação aos modos de observação sobre o que a mídia produz e faz circular, podendo fazer com que os sujeitos mudem de postura durante a assimilação dos produtos noticiosos.

As novas mídias e sua influência na crítica
Rogério Christofoletti
A crítica não significa a prática da demolição e da ofensa, nem do descrédito e do cinismo, muito menos o desprezo do trabalho alheio e a soberba ilimitada. Deve ser vista como forma de ação, reflexão direcionada à melhoria de qualidade dos produtos.

O FUTURO DO JORNALISMO

Periodismo en peligro de extinción
Carlos Soria
Hay más de un motivo para sospechar que el periodismo es una profesión en peligro de extinción, como el oso panda, el lince o el gorila; o al menos, para pensar que el periodismo sufre una verdadera crisis de identidad.

Ainda guardando o portão?
Célia Maria Ladeira Mota              
O gatekeeper é tarefa em extinção no mundo inteiro. O processo se inverteu e o leitor, telespectador ou ouvinte se transformou em gatewatcher da informação.

Olhar o que não está diante dos olhos
Antonio S. Silva
Mais comunicação exige mais mediadores, profissionais que ofereçam esclarecimento e competência para olhar aquilo que não está diante dos olhos, mas que se esconde estrategicamente, atendendo a interesses políticos, econômicos e culturais.

RESENHA
 11 de Setembro
Chomsky e a imprensa: verdades inconvenientes

zero: a versão dos editores

Rogério Christofoletti e Samuel Lima

Jornalismo se faz a partir de escolhas, como em qualquer atividade humana. Nas redações, escolhe-se uma foto para ilustrar uma reportagem, descartando-se as demais; decide-se por um enfoque numa matéria e não por outros; toma-se decisões a todo o momento, das mais simples – o uso de uma palavra, por exemplo – às mais complexas – a definição do que sai numa edição e o que fica de fora. Selecionar é, então, da essência do jornalismo, até porque é uma função dos meios de informação oferecer explicações de fatos, o que em última análise significa dar sentido às coisas, contornos para a realidade.

Embora tenha se tornado um mantra na área, a famosa epígrafe do New York Times – “All the News That’s Fit to Print” – mostra-se impraticável. Quem faz jornalismo sabe que nem todas as notícias cabem, que nem tudo o que acontece é publicável ou interessa ao público. De modo concreto, a frase do jornal mais influente do mundo é slogan. Logo, pertence muito mais ao mundo do marketing do que do jornalismo. Repetimos: jornalismo se faz a partir de escolhas. E essas decisões não são tomadas apenas com base nas vontades dos editores, nos seus desejos secretos, nas suas manias. Há critérios por trás dessas escolhas. Critérios que se consagraram ao longo de décadas e que permitiram que o jornalismo se tornasse o que é hoje: novidade, atualidade, singularidade, interesse público, relevância social, proximidade, impacto…

Fazemos esta digressão para entrar num debate enviesado, e que, por isso, precisa contar com um lado que foi até então ignorado.

Em agosto passado, assumimos o jornal laboratório do curso de Jornalismo da UFSC, o Zero. A publicação está às vésperas de completar 30 anos, e decidimos fazer algumas reformas gráficas, editoriais e operacionais, entre elas a definição mais nítida do público a que serviríamos e a abertura para um diálogo mais horizontalizado com esses leitores por meio da crítica. Trocando em miúdos, o Zero se voltaria descaradamente para o público universitário – extrapolando o umbigo do próprio curso de Jornalismo e as fronteiras da UFSC – e teria um ombudsman, que passaria a apontar erros, falhas e acertos do jornal. Redistribuímos os conteúdos em novas editorias, afinamos o olhar para pautas que estivessem em maior sintonia com o nosso público e abrimos espaço na página 2 para um crítico especializado. Para a função, convidamos o professor Ricardo Barreto, que por quase 15 anos foi editor do Zero, conhecido também por sua verve, experiência e rigor.

Na edição de dezembro, o ombudsman critica o fato do Zero não publicar uma entrevista concedida pelo jornalista norte-americano Gay Talese a uma estudante da UFSC. O jornal teria “esnobado” o renomado escritor. Argumenta o ombudsman que sua função é “defender os interesses e direitos do leitor” para “receber informação atual, crível, ética e de qualidade”, e o jornal teria sonegado, escondido “material de vivo interesse para o nosso inegável público-alvo prioritário: estudantes e professores de Jornalismo assim como profissionais”. O ombudsman erra grosseiramente, já que esse não é o primeiro público do Zero. Com uma tiragem de 5 mil exemplares, pouco mais de 10% deles circulam entre os aspirantes à carreira, profissionais do mercado e cursos do tipo no país. A maioria, portanto, chega a universitários das mais diferentes carreiras, para quem pouco ou nada devem interessar os liames da profissão jornalística.

Na verdade, no episódio, é o ombudsman quem sonega a informação de que a entrevista em questão foi feita para uma disciplina dele e com a finalidade de ilustrar a leitura de um dos livros de Talese. A estudante-entrevistadora, de forma muito ousada e sagaz, ligou para a casa do jornalista e com ele conversou por alguns minutos, colhendo respostas para figurar num jornal-mural. Ao contrário do que diz o ombudsman, a entrevista não é “um diamante” e não traz “um inequívoco furo jornalístico”. Na verdade, a entrevista tem graves problemas de qualidade jornalística – que iremos apontar adiante, conforme se pode conferir na sua íntegra ou na versão publicada de forma reduzida no Cotidiano. Não há nenhuma revelação lá, embora seja louvável a audácia da estudante. Deveríamos publicar a entrevista apenas pelo fato de Gay Talese ser famoso ou célebre? Deveríamos publicar um material que interessaria apenas um décimo de nossos leitores?

De forma convicta, descartamos. Fomos racionais e sensatos, coerentes com a abrangência de nosso público e com um patamar de qualidade que estabelecemos para nossas edições. Não foi uma decisão “míope” ou “non sense”, assim como não guiamos nossas escolhas pela grife ou tietagem. A importância do entrevistado não garante a relevância ou qualidade da entrevista! E, nesse caso, a escolha das perguntas, focadas em única obra de Talese, sem sequer mencionar o new journalism, por exemplo, revela a precariedade do resultado final.

O ombudsman erra ainda quando afirma que “nosso primeiro objeto é o Jornalismo” e que “jornalistas, seguem sendo indispensáveis, especialmente na condição de entrevistados”. Não acreditamos que o jornalismo seja algo mais importante que outras tantas coisas; ele é uma forma de revelar, de registrar, de informar e de orientar o público. É um meio, uma oportunidade. E acreditamos que jornalistas são mais imprescindíveis na condição de perguntadores.

Mas o leitor pode se perguntar: se discordam do ombudsman, por que os editores do Zero publicaram a crítica que contestam? Porque acreditamos na função do crítico e num jornalismo mais democrático e horizontalizado. Por que os editores não responderam ao professor Barreto nas próprias páginas do jornal? Porque nos dispusemos a abrir um espaço para a crítica e não para a resposta às críticas. Se o fizéssemos agora, abriríamos um precedente indesejável. Mas o que motivou os editores a se contraporem agora? A reprodução da coluna do ombudsman em outros canais públicos, e a necessidade de desfazer mal entendidos.

Do ponto de vista da qualidade jornalística o material tem alguns problemas seriíssimos, de difícil solução, a saber:

1) A entrevista se resume a seis perguntas tão somente sobre o livro “O Reino e Poder” (escrito originalmente em 1969). Sabemos que a obra do autor e sua importância histórica e jornalística vão muito além, especialmente por sua participação no chamado novo jornalismo;

2) O pouco cuidado na elaboração de perguntas acabou contemplando clichês do tipo “quais suas preferências de leitura?” ou ainda “o que o senhor recomendaria a um estudante de jornalismo?”. Altamente relevante, não?

3) O mais grave ainda, do ponto de vista da edição (e condução da entrevista) é publicar uma resposta com 5.823 caracteres (de um total de 9.194). Ou seja, quase 60% do material se esgota aí;

Em suma, o texto final revela uma entrevista mal preparada e igualmente mal conduzida. Ela pode servir a um trabalho escolar, mas não para ser publicado num jornal como o Zero. Estamos, de fato, diante de um caso no qual o entrevistado se impõe como conteúdo e notícia. Jornalismo não combina com tietagem, na nossa modesta opinião.

O leitor pode ainda questionar: o Zero vai manter um ombudsman? Barreto continuará no posto? Sim, o jornal laboratório da UFSC quer continuar a experiência de abertura ao diálogo e ao exercício crítico, pois os olhares externos nos impulsionam a buscar o aperfeiçoamento. O professor Barreto só não segue na função se não quiser, se decidir nos esnobar…

nesses dias, fiquei meio assim…

Se você passa de vez em quando por este blog, sabe que ele ficou meio às moscas…

Nem precisa se esforçar muito para adivinhar o que aconteceu. Fiquei meio assim:

Tinha 7 bilhões de coisas pra resolver. Não que eu tenha conseguido dar conta de tudo. Por isso, se você é um dos poucos frequentadores assíduos deste espaço, paciência… Talvez a foto a seguir resuma melhor o atual estado das coisas…

5º encontro de jornais laboratórios de sc

O curso de Jornalismo da UFSC promove na próxima sexta, 9 de dezembro, a quinta edição do encontro de jornais laboratórios catarinenses. O evento, que já passou por outras escolas do estado, é retomado em Florianópolis com seu propósito original: reunir professores, estudantes, profissionais e técnicos para discutir a realidade pedagógica local para o ensino de jornalismo laboratorial.

O encontro acontece na Sala Aroeira, do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, a partir das 9 horas. Pela manhã, uma mesa reúne representantes dos jornais laboratórios para trocar experiências de ensino e extensão, dificuldades e dilemas. À tarde, outra mesa dá prosseguimento aos debates.

Já confirmaram presença os cursos da Unisul (Palhoça), Unisul (Tubarão), Ibes/Sociesc (Blumenau), Univali (Itajaí), Faculdade SATC (Criciúma), Unochapecó (Chapecó), UFSC (Florianópolis) e Ielusc (Joinville).

A organização está a cargo dos professor Samuel Lima e Rogério Christofoletti, com apoio dos alunos do curso de Jornalismo da UFSC.

Inscrições e mais informações pelo e-mail: rogerio.christofoletti@uol.com.br

estudos em liberdade de informação

A ONG Artigo 19 lançou recentemente o primeiro de uma série de informes sobre o tema da liberdade de informação e de acesso a ela. Baixe aqui. (em português, em PDF, 40 páginas e arquivo com 560 Kb)

mídia, educação e professores: um livro

Baixe o livro “Media and Information Literacy: curriculum for teachers”, organizado pela Unesco e que atualiza bastante a discussão internacional sobre como se deve fazer uma pedagogia dos meios de comunicação no contexto escolar.
(Em inglês, formato PDF, 191 páginas e arquivo de 1,73 mega)

posjor promove jornada discente

O Mestrado em Jornalismo da UFSC (Posjor) realiza hoje e amanhã a sua 1ª Jornada Discente. O evento tem como objetivo debater os projetos de pesquisa dos mestrandos e promover a troca de experiências da prática da pesquisa. Para abrir a Jornada, o professor José Luiz Braga (Unisinos) fará a palestra “Do projeto de pesquisa à dissertação: ‘planejar é replanejar’”. Transmissão on-line pelo link www.videoconferencia.cce.ufsc.br.

Estão inscritos 29 trabalhos. A abertura  do evento e a primeira mesa temática serão no Auditório Henrique Fontes, Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão (CCE). As apresentações seguintes ocorrem na sala 145, Bloco A do CCE. Ouvintes podem se inscrever no local do evento antes de cada mesa. A programação final está disponível aqui e o caderno de resumos aqui.

Mais informações serão publicadas também no twitter oficial:@JDPosjor.

googlejornalismo: um guia

Já pensou usar o Google para organizar suas fontes de informação, encontrar dados e fazer pesquisas pelo buscador e usar outros serviços e ferramentas para apurar, editar e publicar reportagens? Enfim, fazer jornalismo pelo Google?
Veja este guia produzido pela Medios Milenium, de Bogotá.
(documento em espanhol, em PDF, com 80 páginas e arquivo de 8,6 mega)

limites difusos para o telejornalismo

(publicado originalmente no objETHOS)

O jornalismo parece ser daquelas práticas humanas que necessitam frequentemente se olhar no espelho para reconhecer suas feições, admitir seus contornos. Com outras profissões, isso não é necessário. Os médicos sabem exatamente quando estão e quando não estão fazendo medicina. Os engenheiros também não padecem das dúvidas sobre a matéria e a natureza de suas atuações. Jornalistas não têm a mesma sorte e, volta e meia, discutem o que é fazer jornalismo e até onde isso vai. Talvez porque essa prática atravesse diversos outros campos, se mescle tanto socialmente que fique difícil discernir seus limites. Buscar se reconhecer é, então, um gesto permanente no jornalismo, o que, por um lado, auxilia o fortalecimento de uma convicção e, por outro, desestabiliza continuamente as certezas.

Críticos de mídia se ocupam de fazer esse debate, bem como pesquisadores da academia e observadores diversos. Mas quando os questionamentos partem das próprias redações, a dúvida emerge preenchida da legitimidade do empirismo, lembrando-nos a todo o momento do exercício prático da função. Foi assim esta semana quando se noticiou que alguns jornalistas da Rede Record estariam insatisfeitos com suas atuações na emissora. A informação foi dada por Mauricio Stycer em seu blog, inclusive com o anúncio de que o repórter Carlos Dorneles teria pedido demissão da Record por discordar de novas orientações do jornalismo. Dorneles negou sua saída em e-mail a Stycer, mas o foco do problema estaria numa suposta “crise” do jornalismo na Record por conta de interferências editoriais da Igreja Universal do Reino de Deus, proprietária da rede. Outro jornalista, não identificado por Stycer, teria dito “Não estou fazendo jornalismo, estou fazendo entretenimento”, e é esta fala em particular que me chama a atenção.

No âmago do jornalismo, esta distinção é histórica e tenta demarcar limites de atuação, bem como contornos do que significa reportar fatos. Uma tradição cultural se construiu ao longo das décadas de que jornalistas se ocupam da narração dos acontecimentos que interessem diretamente ao seu público, muitas vezes desagradando partes envolvidas e citadas, noutras contrariando até mesmo camadas da sua audiência. Quando opera dessa forma, o jornalismo se distancia do entretenimento na medida em que não conforma, não acomoda, não distrai. Corre o risco, portanto, de desagregar, de fomentar o dissenso, a crítica. Agindo assim, jornalistas – de forma incontornável – colecionam desafetos já que produzem dissabores. Parece simples e fácil, mas, na prática, manter essa direção requer pleno entendimento do exercício jornalístico, coragem, disciplina, atenção permanente e compromisso ético com um conjunto de valores que transcende a esfera do individual.

Sim, o jornalismo é dessas práticas que precisam frequentemente se olhar no espelho para reconhecer suas feições. Isso é saudável e necessário pois sua imagem é fugidia. Ainda mais num meio como a televisão, onde as fronteiras entre jornalismo e diversão ficam perigosamente embaçadas. A preocupação do jornalista anônimo chama a atenção, mais uma vez, da urgência de discutir, estabelecer e frisar os limites entre uma coisa e outra.

Esses limites não apenas determinam orientações para a conduta de profissionais e veículos, mas também auxiliam a enaltecer o que é prioritário, importante, essencial para a relação do jornalismo com a sociedade. Estou me referindo claramente a interesse público, aos critérios e processos de tomada de decisão que vão eleger o que deve ser narrado primeiro e melhor e o que deve ser simplesmente mencionado ou descartado. O anúncio das manchetes do Jornal Hoje, no último sábado (19), na Rede Globo, ajudam a ilustrar como é fácil perder o foco. A notícia que abriu a edição foi a execução do filho do coreógrafo Carlinhos de Jesus, Dudu, no Rio de Janeiro. O crime é bárbaro – oito tiros em alguém desarmado no meio da madrugada -, a perda de um filho é sempre um enredo dramático, mas o que parece ter influenciado definitivamente na decisão de escolher este acontecimento como o primeiro do telejornal foi a celebridade do pai-vítima. Tanto é que o nome de Carlinhos de Jesus é o anunciado na chamada e não de seu filho, menos conhecido.

Uma matéria como esta tem interesse público? Pode ter na medida em que se relaciona a um cenário mais amplo, de denúncia da violência urbana que ainda assusta aos moradores do Rio de Janeiro. Mas no frigir dos ovos, o fato é uma tragédia familiar, particular e não coletiva. Diferente de uma matéria que teve muito menos destaque na mesma edição do Jornal Hoje, de sábado: o desaparecimento de um cacique no Mato Grosso do Sul, que teria sido executado por fazendeiros da região. O filho adolescente da vítima exibe no próprio corpo marcas de balas de borracha e denuncia que o pai levou tiros na cabeça e pescoço, tendo sido levado por um bando de quarenta pistoleiros. Também neste caso, a ação é violenta e desproporcional, e o enredo é dramático. Três elementos diferenciam esta notícia da primeira: a inversão dos papeis das vítimas – agora, é o filho que sente a perda do pai -, a falta de notoriedade dos índios em comparação com o artista e a extensão do drama: a execução de um cacique atinge toda a sua comunidade e não apenas o seu núcleo familiar. Resumo da ópera: há mais interesse público e relevância jornalística no desaparecimento de um cacique numa área de litígio de terras do que a execução de um músico, filho de um conhecido coreógrafo.

A televisão dilui sutilmente os limites entre jornalismo e diversão, mesmo em casos graves como os citados. Foi mais determinante o star system que o caráter político de matérias sobre disputas agrárias. O jornalismo é feito de escolhas. Estas sinalizam limites. Em algumas situações, no espelho, o jornalismo entrevê sua imagem embaçada, tremida, desconfigurada. Precisamos de mais nitidez.

“desovando” orientandos…

A expressão é grosseira, mas bastante usada quando estamos orgulhosamente encaminhando nossos orientandos para os exames de qualificação e defesas de dissertação. Por isso, em novembro e dezembro – além da longa lista de afazeres do final de semestre -, estarei “desovando” algumas crias…

No dia 22 de novembro, terça, tem qualificação do trabalho “Jornalismo, credibilidade e legitimação: imagem de si e construção do ethos no discurso jornalístico”, de Cândida de Oliveira

Resumo: Esta pesquisa investiga os processos de credibilidade e legitimação do jornalismo, em sua dimensão institucional e discursiva. Compreende-se que o jornalismo encontra credibilidade e legitimidade pública ao exercer um poder organizador que, derivado da palavra consignada, lhe confere o status de instituição social. No contexto atual, a substituição da referência à realidade – ancorado no critério de verdade, o que contribui para sustentar a credibilidade – pela autorreferência no discurso jornalístico denota transformações no modo como o jornalismo se apresenta para a sociedade, ou seja, como constrói a imagem de si, parte integrante do ethos discursivo. Diante disso, a pesquisa investiga a representação que o jornalismo faz de si na construção do ethos e as implicações dessa representação nos conceitos de credibilidade e legitimidade jornalística. A discussão será sustentada ainda por uma análise empírica focada no discurso institucional e opinativo de quatro grandes jornais brasileiros: Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo e Zero Hora. De modo geral, a pesquisa busca compreender e explicar como o jornalismo constrói a imagem de si e o ethos, e de que forma essa imagem interfere na credibilidade e legitimação do jornalismo. A pesquisa filia-se em referenciais teórico-metodológicos que se inscrevem na teoria do jornalismo, da nova retórica e da análise do discurso, o que permite levar em conta não apenas a organização desse discurso, mas também seu funcionamento e produção de sentidos.

No  dia 1 de dezembro, tem qualificação do trabalho “Liberdade de expressão e tensões público x privado: jornalistas nas redes sociais”, de Janara Nicoletti

Resumo: Com as mídias sociais na internet, a forma de comunicar foi reconfigurada. Diante deste novo cenário, organizações jornalísticas buscam um reposicionamento que garanta fidelizar seus públicos e manter seu poder midiático. Para direcionar e efetivar as estratégias empresariais de presença nos novos meios, são instituídas diretrizes de uso de redes sociais. Como inexiste um balizador comum, cada empresa determina suas próprias normas e regimentos, com base em valores e metas próprios – o que pode interferir na qualidade profissional e no cumprimento dos preceitos éticos e deontológicos do Jornalismo. Acima disso, pode comprometer a liberdade individual dos profissionais. Este trabalho irá investigar como as organizações jornalísticas orientam a conduta de seus colaboradores nas novas mídias, a partir da formulação de normas técnicas e deontológicas de uso das redes sociais, e até que ponto esta padronização de postura interfere no trabalho diário e na liberdade de expressão dos colaboradores.

Em 7 de dezembro, tem defesa da dissertação “Jornalismo cidadão: profissionalidade e amadorismo nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina”, de Marcelo Barcelos

Barcelos entrega a dissertação à coordenadora Gislene Silva
Barcelos entrega volume à coordenadora Gislene Silva

Resumo: O jornalista não está mais sozinho para apurar os acontecimentos, escrever as notícias e distribuí-las. Com a revolução tecnológica que reconfigura não só suas práticas, mas também a própria função social, ao lado do profissional, está o amador, o cidadão comum, aquele a quem se deu, por muito tempo, o nome de público/receptor. Hoje, o leitor pode ser um produtor de conteúdo noticioso e, para isso, apropria-se de competências antes exclusivas dos repórteres, como apurar, narrar fatos inéditos e produzir o noticiário, em um fenômeno conceituado “jornalismo cidadão”. É tentando entender os impactos provocados pela chegada desse personagem no jornal impresso e no âmago da cultura jornalística que este trabalho mergulha. Parte-se do princípio que legitimou a produção de conteúdo amador independente até o instante em que as mídias tradicionais passaram a adotá-la, elevando o cidadão à condição de leitor-repórter. Para compreender esse recente paradigma, analisamos um corpus de 27 edições – durante uma semana completa dos quatro jornais do Grupo RBS em Santa Catarina: Hora de Santa Catarina, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia. A investigação, utilizando o método exploratório na análise de textos e fotografias, caracterizou a produção amadora publicada conforme os seguintes critérios jornalísticos: a) autoria; b) foco narrativo; c) atualidade; d) interesse público e) gênero f) hard news e g) soft news. A análise ainda inclui entrevistas presenciais com jornalistas das quatro redações, à procura de traços dessa nova forma de relacionamento com o público e das tensões provocadas em sua profissionalidade. Rodeado de enunciados intencionais que o convocam à colaboração, o público atende a um chamado e produz conteúdo de natureza informativa; muito desse conteúdo, no entanto, é carregado de um caráter pessoal. As produções aparecem em quase todas as editorias, ora na voz do cidadão, ora diluída na edição do jornalista, que a complementa. É possível identificar um elevado grau de dependência no qual o jornalista demonstra a necessidade do leitor para “fechar o jornal”. No outro lado do balcão, os jornalistas ainda se moldam à partilha, enquanto defendem seu conhecimento específico, conquistado entre a prática e a formação acadêmica, para tratar – com ética, veracidade e equilíbrio – o que vem de fora da redação, sob o risco da abertura de espaço à imprecisão e à narrativa falseada. Os jornalistas reconhecem, no entanto, a necessidade cada vez maior chamar o leitor à produção em uma “Coautoria Vigiada” e admitem terem aberto mão de algumas tarefas até então exclusivas.

saiu o dicionário de investigação do cotidiano

Acabo de receber do amigo Wellington Pereira, professor da UFPB, um exemplar do Dicionário de Investigação do Cotidiano, que ele organizou e está lançando. A obra traz textos de graduandos, mestres e mestrandos e marca os dez anos de trabalho do Grupejc – o Grupo de Pesquisa sobre Jornalismo e Cotidiano.

Generoso, Wellington me deu o prazer de escrever o prefácio da obra, que reproduzo abaixo. E, claro, o livro eu recomendo!

Nos botequins das esquinas, nos pontos de ônibus, nas filas, um dicionário é o “pai dos burros”, uma bússola segura no emaranhado de sentidos do mundo. Dicionários servem então para fixar significados, orientar os usos das palavras. Salvam-nos das incertezas, pacificam as dúvidas.

Mas há dicionários e dicionários, e o que o leitor tem em mãos é diferente. Primeiro porque não restringe os sentidos, mas permite pensar a partir deles. Este Dicionário de Investigação do Cotidiano funciona mais como trampolim e menos como rede de salvamento. Produzido pelo Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo (Grupecj), o dicionário é do tipo enciclopédico, desses em que cada verbete não fica restrito a uma definição referencial, mas leva a textos curtos que sobrevoam os temas elencados. Por isso que este dicionário possibilita mais saltos, arejando a nossa visão. Aqui, os verbetes adquirem uma consistência e perenidade mais próxima do ensaio, cuja incompletude não é uma falta, mas uma qualidade, fator que incita a pensar. Assim, o verbete é um ponto de partida e não de fechamento dos sentidos. É um gatilho, um disparo…

Outro fator que distingue este dicionário é que ele surge dos jornais; seus verbetes emergem das páginas tão perecíveis dos diários paraibanos, o que requer não só rigor, mas também muita sensibilidade. Um paradoxo é que, embora o cotidiano seja a matéria-prima do jornalismo, ele fica quase sempre negligenciado nas pesquisas científicas desse campo, como se não fosse suficientemente digno de se tornar objeto de análise. Há quase dez anos o Grupecj contraria esse raciocínio e sublinha seu caráter paradoxal. Notícias, fait-divers, legendas, manchetes, tudo isso permite que temas venham à tona com força nas editorias de Política, Cidades, Economia e Cultura. Juntas, essas seções ajudam a esquadrinhar o cotidiano de homens e mulheres, pessoas e organizações no tecido social. Compõem um mosaico dos saberes, fazeres e seres.

Dividido conforme as editorias, o dicionário inicia cada seção com textos de apresentação e explicações de base, não perdendo de vista os leitores de primeira viagem, os não-iniciados nos mistérios e nas correrias das redações jornalísticas.

Para os pesquisadores do Grupecj, o cotidiano – banal, recorrente, fugidio, simples – não é descartável nem ignorável; é imprescindível, rico e revelador das condições de produção que ajudam a conformar o homem no momento contemporâneo. Antropologia, sociologia, psicologia, filosofia, história, geografia e comunicação cruzam-se e entrecruzam-se nas encruzilhadas cotidianas. O Dicionário de Investigação do Cotidiano surge fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília, oxigenando a paisagem e sinalizando mais uma vez a valentia dos autores nordestinos. Ousadia que remonta a Augusto dos Anjos, Ariano Suassuna, José Lins do Rego, mas que não fica apenas no campo das belas letras. Aliás, a Paraíba ostenta cotidianamente uma geografia da bravura. Nessas terras, os cabra-machos se espalham como relva, e a sua macheza não se restringe ao gênero masculino: está no DNA de homens e mulheres que fazem das adversidades escadas para transpor seus obstáculos.

Este dicionário é sinal de muita macheza. Assinados, os verbetes não subjazem autorias, e pontuam a pluralidade de uma obra coletiva, tecida por mais de vinte autores, entre graduandos, mestres e mestrandos. O professor Wellington Pereira teve a tarefa de coordenar equipes, estruturar a obra e organizar suas linhas mestras. Daqui do chamado “Sul Maravilha”, parece uma tarefa menos dificultosa, o que é decerto uma ilusão de ótica. Dicionarizar requer muito método e planejamento, mas também doses generosas de ousadia e confiança, e uma indisfarçável alegria no trato da coisa.

Sim, os paraibanos são valentes, mas também alegres. Rivalizam com pernambucanos, por exemplo, para ver quem oferece a maior festa de São João do mundo! Aliás, é justamente numa tarde de 24 de junho que escrevo esta apresentação, com a televisão ligada nos festejos, numa autêntica celebração entre cultura e mídia, comunicação e folclore, cotidiano e espetáculo.

Ao contrário da Enciclopédia de D’Alambert e Diderot, este Dicionário de Wellington Pereira e seus pesquisadores não é pretensiosa porque sabedora dos limites que qualquer trabalho do gênero traz: não se pode esgotar nenhum assunto em nenhum volume. Este Dicionário de Investigação do Cotidiano só é pretensioso num aspecto: a vontade de trazer o cotidiano a uma esfera de discussão e reflexão mais dignas e evidentes. Nada mais justo.

Florianópolis, Dia de São João de 2011

o ai-5 digital em debate na “politics”

Recebi esta semana a edição impressa da revista poliTICs, editada pelo Nupef e com apoio da Fundação Ford. O tema deste número de agosto é a chamada Lei Azeredo, projeto de Lei Sobre Crimes de Informática (PL 84/99), apontado por ciberastivistas como um “Cavalo de Troia” legislativo. O tema é polêmico e os textos da edição são vitais para a compreensão e discussão do assunto.

Vejam o sumário:

A internet e o novo Cavalo de Troia – Sergio Amadeu da Silveira

Nomeação de domínios na internet – Avri Doria

Os guerreiros dos Dados Abertos estão lutando a favor de Robin Hood ou do xerife? – Michael Gurstein

A febre dos princípios da internet – Wolfgang Kleinwächter

Quer a melhor notícia? Você pode conferir tudo isso de graça e pela internet.
direito à fonte!

“daytripper” é a melhor HQ da “história desse país”

Os quadrinhos brasileiros já têm a sua obra-prima: Daytripper, dos irmãos Fábio Bá e Gabriel Moon. Mas alguém poderá dizer: isso é um exagero e é um erro. Exagero porque a HQ pode não ser tudo o que se está comentando. Erro porque a revista foi originalmente lançada nos Estados Unidos, em inglês, e só este ano chegou ao país. Mas reafirmo: Daytripper é o maior feito individual das histórias em quadrinhos do Brasil.

Embora tenha sido publicada antes por uma editora norte-americana – o selo Vertigo -, Daytripper não permite dúvidas: narra a história de um personagem brasileiro, no contexto brasileiro, escrita e ilustrada por dois brasileiros. Não bastasse isso, o protagonista traz parte do país no nome: Brás de Oliva Domingos.

Daytripper tem um argumento intrigante: Brás é o filho de um famoso escritor e também ambiciona uma carreira literária, mas sua vida se resume a escrever necrológios para os jornais. Sua rotina parece vazia e, ao escrever sobre os feitos dos mortos, Brás fica a imaginar quando os momentos realmente importantes de sua vida acontecerão. A partir daí, Fábio Bá e Gabriel Moon constroem uma obra sólida, multifacetada, sensível e tocante.

Os desenhos são delicados, levemente oníricos em contraste com cenários minuciosos e realistas. Os diálogos bem escritos, fluentes e sem gordura. Personagens são compostos com complexidade rara. Mas o que chama mais a atenção é a construção narrativa: a vida de Brás é conjugada no plural, em várias dimensões, em distintos momentos da trajetória do protagonista. A morte o assalta aos 33 anos, aos 11, aos 41, aos 76… A trama é atravessada por temas pungentes, como o destino, a fatalidade, a fragilidade da vida, as relações entre pais e filhos, a ausência de entes queridos, a amizade e o amor. Esses assuntos reverberam entre os capítulos da história, vão e voltam como ideias-força que impulsionam os personagens de um lado a outro. Impactado, o leitor se deixa levar pela narrativa à medida em que reflete sobre a sua própria vida. É mágico, é envolvente, lindo.

Ressaltado pelo New York Times em sua lista de mais vendidos e pelo site da Amazon Books, Daytripper venceu alguns dos principais prêmios mundiais dos quadrinhos: no Reino Unido, levou o Eagle Awards; nos Estados Unidos, ganhou o Harvey e o Will Eisner; e no Brasil, o HQ Mix. O livro arrancou elogios rasgados de gente graúda da indústria. Jeff Smith disse que não conseguia parar de ler. Terry Moore afirmou que foi a história mais envolvente do ano passado. E nada disso é exagerado, creiam.

Daytripper é daqueles exemplos que justificariam a expressão graphic novel. Trata-se de um romance gráfico, com profundidade psicológica, trama bem elaborada, argumento que transcende as páginas do volume. Daytripper é daqueles casos em que o produto artístico alcança um patamar de destaque que extrapola o interesse do público a que se dirige. É também a materialização da excelência na arte em que se dedica.

O trabalho dos gêmeos Bá e Moon precisa ser conhecido e reverenciado. Daytripper é um diamante lapidado com capricho, luxuosamente embalado e que vale cada centavo. Escrevam: daqui a dez, vinte anos ainda lembraremos deste trabalho. É uma obra madura e emocionante. Pare já de ler este post e corra para as páginas de Daytripper.

abciber 2011 começa hoje

A 5ª edição do encontro nacional dos pesquisadores em cibercultura – promovido pela ABCiber – começa hoje em Florianópolis com atividades na UFSC e Udesc. A programação e demais informações podem ser acessadas no site do evento, e – segundo a organização – as principais conferências poderão ser acompanhadas pela transmissão ao vivo por este canal na internet.

Este encontro é decisivo para os pesquisadores da área e para o avanço da ABCiber no setor, já que a edição anterior sofreu com os muitos problemas de organização, o que chacoalhou algumas certezas dos associados. O assunto é tratado com delicadeza e à boca pequena: se o evento não for bem neste ano, corre o risco de não mais acontecer. Ninguém confirma a informação, mas também não se nega.

jornalismo em desenho animado

Se você admira o jornalismo feito em quadrinhos por Joe Sacco, vai gostar muito do que os salvadorenhos do El Faro fazem. É outra amostra de como o jornalismo pode se reinventar. Historias Urbanas é uma série de seis histórias colhidas nas ruas, reescritas e vertidas para animação. O trabalho é executado por sete jornalistas, um diretor de teatro, 25 músicos, um editor, dois animadores e sete ilustradores.

A ideia é simples e complexa ao mesmo tempo: narrar a cidade de San Salvador, a capital do país. Com isso em vista, durante um ano, jornalistas apuraram, artistas gráficos deram formas e cores a personagens e cenários, e músicos compuseram temas exclusivos para as histórias.

Resultado? Um jornalismo multimídia diferente, único, completo e bem arquitetado.

Confira!

 

mba em jornalismo: gestão editorial

O Iscom – Instituto Superior de Comunicação – está com inscrições abertas para o MBA em Jornalismo: gestão editorial, com aulas de fevereiro de 2012 a dezembro de 2013. As aulas são aos sábados (das 8h às 17h) em semanas alternadas, a cada 15 dias. As aulas acontecerão no prédio da Fepese (campus da UFSC) em Florianópolis. Os alunos saem com título de Especialista em Jornalismo, com certificados emitidos pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

Veja as disciplinas:

Módulo 1 – Gestão e fundamentos
Gestão editorial
Ética, legislação e liberdade de imprensa
Metodologia de projeto específico

Módulo 2: Gestão estratégica
Gestão de empresa de mídia
Gestão de pessoas e liderança
Gestão de marketing e comercial
Qualidade no jornalismo
Seminário avançado

Módulo 3: Gestão por tipo de mídia
Mídia impressa
Informação e comunicação digital
Rádio e televisão
Seminário avançado

Módulo 4: Relações com os públicos
Comportamento do público
Parceiros e fornecedores (networking)
Ações e estratégias das fontes de notícias
Relações com anunciantes e agências de propaganda
Seminário avançado
Seminário científico (apresentação monografia)

Mais informações AQUI.