cnpq baixa normas éticas para pesquisadores

O CNPq recebeu denúncias de fraudes em periódicos científicos, cometidas por seus pesquisadores. Diante disso, percebeu-se que não havia diretrizes claras para lidar com situações desse tipo. Em maio passado, foi formada uma comissão para elaborar uma política de ética científica. Essas regras foram anunciadas recentemente pelo CNPq, conforme aponta o Relatório da Comissão de Integridade de Pesquisa (leia a íntegra aqui).

Em resumo, o CNPq identifica quatro tipos de fraudes científicas:

Fabricação ou invenção de dados: consiste na apresentação de dados ou resultados inverídicos.

Falsificação: consiste na manipulação fraudulenta de resultados obtidos de forma a alterar-lhes o significado, sua interpretação ou mesmo sua confiabilidade. Cabe também nessa definição a apresentação de resultados reais como se tivessem sido obtidos em condições diversas daquelas efetivamente utilizadas.

Plágio: consiste na apresentação, como se fosse de sua autoria, de resultados ou conclusões anteriormente obtidos por outro autor, bem como de textos integrais ou de parte substancial de textos alheios sem os cuidados detalhados nas Diretrizes. Comete igualmente plágio quem se utiliza de ideias ou dados obtidos em análises de projetos ou manuscritos não publicados aos quais teve acesso como consultor, revisor, editor, ou assemelhado.

Autoplágio: consiste na apresentação total ou parcial de textos já publicados pelo mesmo autor, sem as devidas referências aos trabalhos anteriores.

Para orientar a conduta dos pesquisadores brasileiros, o CNPq lista um conjunto de diretrizes:

1) O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho.

2) Toda citação in verbis de outro autor deve ser colocada entre aspas.

3) Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o significado exato das ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve ser citado.

4) Quando em dúvida se um conceito ou fato é de conhecimento comum, não se deve deixar de fazer as citações adequadas.

5) Quando se submete um manuscrito para publicação contendo informações, conclusões ou dados que já foram disseminados de forma significativa (p.ex. apresentado em conferência, divulgado na internet), o autor deve indicar claramente aos editores e leitores a existência da divulgação prévia da informação.

6) Se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados como um todo coesivo, não é considerado ético que eles sejam fragmentados em manuscritos individuais.

7) Para evitar qualquer caracterização de autoplágio, o uso de textos e trabalhos anteriores do próprio autor deve ser assinalado, com as devidas referências e citações.

8. O autor deve assegurar-se da correção de cada citação e que cada citação na bibliografia corresponda a uma citação no texto do manuscrito. O autor deve dar crédito também aos autores que primeiro relataram a observação ou ideia que está sendo apresentada.

9) Quando estiver descrevendo o trabalho de outros, o autor não deve confiar em resumo secundário desse trabalho, o que pode levar a uma descrição falha do trabalho citado. Sempre que possível consultar a literatura original.

10) Se um autor tiver necessidade de citar uma fonte secundária (p.ex. uma revisão) para descrever o conteúdo de uma fonte primária (p. ex. um artigo empírico de um periódico), ele deve certificar-se da sua correção e sempre indicar a fonte original da informação que está sendo relatada.

11) A inclusão intencional de referências de relevância questionável com a finalidade de manipular fatores de impacto ou aumentar a probabilidade de aceitação do manuscrito é prática eticamente inaceitável.

12) Quando for necessário utilizar informações de outra fonte, o autor deve escrever de tal modo que fique claro aos leitores quais ideias são suas e quais são oriundas das fontes consultadas.

13) O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem seu ponto de vista, sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em apoio a suas posições devem ser metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente apontados aos leitores.

14) O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que possam ser importantes para a reprodutibilidade independente de sua pesquisa.

15) Qualquer alteração dos resultados iniciais obtidos, como a eliminação de discrepâncias ou o uso de métodos estatísticos alternativos, deve ser claramente descrita junto com uma justificativa racional para o emprego de tais procedimentos.

16) A inclusão de autores no manuscrito deve ser discutida antes de começar a colaboração e deve se fundamentar em orientações já estabelecidas, tais como as do International Committee of Medical Journal Editors.

17) Somente as pessoas que emprestaram contribuição significativa ao trabalho merecem autoria em um manuscrito. Por contribuição significativa entende-se realização de experimentos, participação na elaboração do planejamento experimental, análise de resultados ou elaboração do corpo do manuscrito. Empréstimo de equipamentos, obtenção de financiamento ou supervisão geral, por si só não justificam a inclusão de novos autores, que devem ser objeto de agradecimento.

18) A colaboração entre docentes e estudantes deve seguir os mesmos critérios. Os supervisores devem cuidar para que não se incluam na autoria estudantes com pequena ou nenhuma contribuição nem excluir aqueles que efetivamente participaram do trabalho. Autoria fantasma em Ciência é eticamente inaceitável.

19) Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e idoneidade do trabalho, cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais autores responsabilidade pelas suas contribuições individuais.

20) Os autores devem ser capazes de descrever, quando solicitados, a sua contribuição pessoal ao trabalho.

21) Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja com animais ou com seres humanos.

“grandes detetives” em novo visual

O melhor portal sobre literatura policial do Brasil está de cara nova!
“Grandes Detetives
” está mais limpo no visual, mas a cada clique, mais sangue, mais mistério, mais histórias noir
conferir!

os vingadores vêm aí; tintin também

Já faz tempo que a indústria dos quadrinhos não vive apenas da venda de gibis. Na verdade, em termos globais, o que anda segurando a onda das grandes editoras são mesmo as produções de séries televisivas, licenciamento de produtos e filmes para cinema. Enquanto a DC vem com Batman, Superman e Lanterna Verde, a Marvel ataca de X-Men, Homem-Aranha, Capitão América, Thor, Hulk, Homem de Ferro e… Os Vingadores!

Mas não são apenas os super-heróis que brilham na tela grande. Personagens menos poderosos, mas também cativantes desembarcam nos cinemas, como será o caso de Tintin, do belga Hergé.

Grandes produções, elencos estrelados, diretores de grife, super efeitos especiais… tudo isso não cabe mesmo nas páginas de revistas em quadrinhos… o cinema atualiza a nona arte. Por que não?

o encontro da sbpjor em 2011; e o de 2012

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) realizou na semana passada seu nono encontro, reunindo mais de 350 participantes do país. O evento foi o maior da história da entidade e aconteceu na UFRJ, no Rio de Janeiro. Consolidada como um fórum privilegiado para a discussão do jornalismo – em bases conceituais e práticas -, a SBPJor está amadurecida e arejada. Elegeu uma nova diretoria e, mal terminou de promover um evento, já pensa em outro: a 10ª edição do seu encontro nacional já tem local escolhido, Curitiba.

uma visita a espinosa

Você já marcou um encontro com alguém que sequer te conhece? E com quem sequer existe?

No último domingo, numa rápida passagem pelo Rio, desapareci no meio da floresta de concreto de Copacabana. Diante da praia mais famosa do mundo fileiras infinitas de prédios se espremem, deixando escapar ruas e avenidas como se fossem trilhas na relva. No final da manhã ensolarada, despenquei do quinto andar do Astoria Palace para visitar o Delegado Espinosa, o personagem mais conhecido em oito romances policiais de Luiz Alfredo García-Roza. Isso mesmo! Eu ia ao encontro de um detetive literário que mora no Bairro Peixoto, um amontoado urbano espremido entre os morros dos Cabritos e de São João.

Sem avisar Espinosa, segui pela avenida Atlântica como quem vai a Ipanema, mas só por algumas quadras. Diante do olhar misterioso de uma velhinha entrevada numa cadeira de rodas, dobrei a rua Figueiredo Magalhães, andando por quase meio quilômetro desviando de turistas deslumbrados, nativos enfadados e parte da fauna diurna de Copacabana. A noturna é tão interessante quanto, mas mais variada…

Na rua Tonelero, virei à esquerda e na Anita Garibaldi ao contrário. Havia muita gente pelas calçadas desperdiçando o domingo em conversa fiada, mas mesmo assim, me senti observado, vigiado. Apressei o passo, olhando furtivamente para trás para flagrar alguém me seguindo, mas nada! Não vi nada e a sensação de ser uma presa vulnerável não me abandonou até chegar à Praça Edmundo Bittencourt, logo em seguida: o reduto do Delegado Espinosa.

Como nas econômicas descrições dos romances, a praça é calma, encravada num aglomerado de prédios baixos de até três andares. Há brinquedos infantis, um chafariz, alguns bustos de figuras históricas, bancos, árvores, pombos, aposentados, crianças, babás, cuidadoras, namorados, cães desgarrados de seus donos e uma estátua de Nossa Senhora de Fátima, aprisionada numa caixa de vidro. O tempo segue mais devagar na praça, recorte de qualquer cidade do interior. Nem parece estar a um quilômetro e meio apenas do efervescente e glamouroso Copacabana Palace.

Espinosa mora num desses prediozinhos com sacada de metal, quase encostada à janela. Volta e meia, abre a porta, estica as pernas sobre a grade e mira a praça. Sob a sua vista, tudo em ordem. Dentro de si, sinapses intensas tentam solucionar crimes insolúveis.

Dei três voltas ao redor da praça, olhando menos para ela e mais para as paredes que a cercavam. Nenhum sinal de Espinosa nas sacadas. A cartomante húngara me lançou um olhar desconfiado, misto de praga e de desdém. Um pastor alemão latiu com a mesma animosidade. Não esperei mais nada para desaparecer dali. Fui direto à 12ª DP, na Hilário de Gouveia, mas rosnaram que Espinosa não estava de plantão. Como estava quase na hora do almoço, imagino que o delegado tenha ido almoçar no La Trattoria, na Fernando Mendes quase na dobra com a avenida Atlântica. Chego esbaforido, com a sensação de perseguição que não me larga. Pergunto por Espinosa, e um garçom pançudinho sorri: “Acabou de sair. Tá logo ali”, aponta para esquina. Corro e só consigo enxergar um homem alto de costas, entrando num táxi em câmera lenta. Grito seu nome, mas o veículo amarelo aproveita o sinal verde e vai embora.

9º encontro da sbpjor começa hoje

A nona edição do Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo da SBPJor começa hoje nas dependências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para saber mais, acesse o site do evento.

veja só quem acabou de chegar…

Mais informações aqui

câncer, mal-estar e sintomas na mídia

(publicado originalmente no objETHOS)

O anúncio da descoberta de um câncer na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou, ao longo do sábado, 29, uma correria nas redações brasileiras. Se geralmente o final de semana reserva a produção de matérias mais mornas no âmbito da política, desta vez, foi diferente. Não bastasse o plantão hospitalar por conta da internação do cantor Luciano, em Curitiba, após uma intercorrência por abuso de medicamentos, lá se foram mais repórteres para a frente do Sírio-Libanês, em São Paulo, para uma notícia também inesperada.

De forma geral, os telejornais brasileiros foram ágeis o suficiente para dar conta do primeiro boletim médico, para ouvir especialistas e repercutir o diagnóstico com personagens políticos. Também foram produzidas artes que pudessem ilustrar a doença para o público mais geral, e especulou-se um pouco em torno de possíveis causas do câncer de Lula. Consumo de álcool, tabagismo e poluição foram apontados como “fatores de risco”.

Os jornais também tiveram tempo e espaço para dedicar generosas páginas ao drama do ex-presidente. O assunto teve chamada de capa e disputou a manchete do domingo, conforme se pôde ver nas bancas pelo país:

  • Agora: “Lula está com câncer na garganta”

  • Folha de S.Paulo: “Lula tem câncer na laringe e vai passar por quimioterapia”

  • Notícia Agora: “Lula está com câncer”

  • O Dia: “Com câncer, Lula agora luta pela vida”

  • O Estado de S.Paulo: “Lula está com câncer na laringe e fará quimioterapia”

  • O Globo: “Com câncer, Lula inicia tratamento amanhã”

  • O Povo: “Uma nova batalha para Lula”

  • Zero Hora: “Exames detectam câncer em Lula”

  • Correio: “Ex-presidente Lula tem câncer na laringe”

  • Diário da Manhã: “Lula com câncer”

No exterior, os diários mais importantes da América do Sul também deram a notícia. Na Argentina, Clarín (“Conmoción em Brasil: Lula padece cáncer de laringe”) e La Nacion (“Lula, enfermo de cáncer”) fizeram o registro em suas primeiras páginas. O mesmo aconteceu com o chileno El Mercurio (“Cáncer de Lula remece a Brasil e impacta em el mundo político”), com o colombiano El Tiempo (“Lula tiene cáncer en la laringe”) e o venezuelano El Nacional (“Ex-presidente Lula da Silva tiene cáncer”).

As revistas semanais de informação não tiveram tempo para dar a notícia, já que chegam às bancas e aos assinantes justamente no final de semana. Os portais noticiosos alardearam como puderam o diagnóstico de Lula, mas nada que se descolasse do já esperado.

Reações extremas

A novidade mesmo pode ter vindo do lado de lá do balcão desse negócio chamado jornalismo. As redes sociais convulsionaram com o anúncio da doença do ex-presidente. O assunto dominou o Twitter, gerando diversas hashtags e provocando até mesmo uma “campanha” para que Lula fizesse seu tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Opositores do político fizeram piadas de gosto duvidoso, atacaram seus familiares e destilaram alguns litros de fel nas redes sociais. Partidários do líder petista reagiram, recomendando que se deixasse de seguir os “oportunistas” e “desumanos” que fizeram troça da doença de Lula.

Entre os jornalistas mais influentes, houve manifestações escassas. Talvez a mais contundente tenha sido a de Gilberto Dimenstein (Folha.com, no domingo, 30), que disse ter sentido “um misto de vergonha e enjoo” ao receber “uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano”. Para Dimenstein, a interatividade democrática da internet é, um avanço do jornalismo e “uma porta direta com o esgoto de ressentimento e da ignorância”. Razão pela qual o colunista reforça que um dos papéis dos jornalistas na atualidade “é educar os e-leitores a se comportar com um mínimo de decência”. Dimenstein tem motivos realmente fortes para ter ojeriza do comportamento demonstrado por alguns internautas, que, protegidos atrás de seus teclados, revelam-se violentos e perversos. Difícil justificar tanta carga negativa e prazer pelo sofrimento alheio.

Recentemente, diversos casos de doentes célebres têm mostrado não apenas reações distintas dos públicos quanto dos próprios veículos de informação. A longa luta do ex-vice-presidente José Alencar contra um câncer foi acompanhada com apreensão e respeito pela serenidade do político diante da virtual morte. Alencar foi uma exceção, pois no terreno da política, a artilharia é mais pesada. Que o digam os presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Fernando Lugo (Paraguai), que batalham pelas próprias vidas e desviam de ataques e pragas. E mesmo a então candidata à presidência Dilma Rousseff, teve uma acompanhamento da imprensa ostensivo, apreensivo e ligeiramente especulativo.

Já com o empresário da tecnologia Steve Jobs, o desfecho fatal ganhou tons de idolatria na mídia e entre o público. Atualmente, o enfrentamento da doença pelo ator Reynaldo Gianecchini tem uma cobertura jornalística que não esconde a torcida nacional pelo restabelecimento do jovem astro.

Os ataques a Lula mostram mais uma vez que a internet permite uma polifonia pouco controlável, independentemente do bom senso, dos bons modos, das virtudes mais esperadas. Há quem se sinta seguro e confiante atrás de uma tela para julgar, ofender e caluniar. Há quem reaja também na mesma intensidade. Jornalistas ficam aturdidos no meio do tiroteio verbal. Compreensível.

Diagnóstico apressado

Como já disse, Dimenstein tem razões para sentir nojo do que viu. Mas particularmente penso que não se pode mais esperar que os jornalistas eduquem “os e-leitores a se comportar com um mínimo de decência”. Na atualidade, as redações têm se preocupado muito mais em aprender com seus públicos, não a ensiná-los, já que tutelas deste tipo estão esfarelando bem na frente de nossos olhos. Novos pactos entre audiências e veículos estão surgindo, bem como relações mais horizontalizadas, o que simplesmente dispensa o paternalismo e o didatismo sobre os quais o jornais do século XX se consolidaram.

O câncer de Lula gerou um mal-estar não apenas restrito ao seu círculo familiar. Outros brasileiros também se comovem com o estado de saúde do líder metalúrgico, dada a sua história pessoal, carisma incontestável e trajetória política. Lula é mesmo um fenômeno. Mas a enfermidade que o acomete revela sintomas que extrapolam seu organismo. O primeiro deles, me parece ser, é que a sociedade brasileira atual é mais complexa do que jamais foi e tem ânsias para se manifestar, qualquer que seja o assunto e a sua conveniência. Outro sintoma é que as novidades nem sempre vêm das redações, e tem se tornado comum que venham do lado de lá do balcão. Um terceiro sinal, neste diagnóstico, é que os jornalistas talvez não precisem mais educar seus públicos ou simplesmente não possam mais fazê-lo. Mais recomendável nesse caso é que o jornalismo revise seus hábitos, reencontrando os tons para fazer coberturas que fiquem na fronteira do público- privado, como as que relacionam saúde e poder. Prescreve-se, portanto, mudança de hábitos, mas nada de repouso.

democracia radical

O programa de rádio e TV mais radicalmente democrático dos Estados Unidos – o Democracy Now! – tem momentos simplesmente antológicos. No site e no YouTube, podem ser encontrados alguns deles, mas destaco um – de julho deste ano -, quando a apresentadora Amy Goodman mediou um debate entre Julian Assange – o homem à frente do WikiLeaks – e o filósofo esloveno Slavoj Žižek.

Que tal uma versão em espanhol?

vem aí: jornalismo investigativo e pesquisa científica

A Editora Insular está lançando “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras”, primeiro livro do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) com o Mestrado em Jornalismo da UFSC (Posjor). A obra é organizada por Rogério Christofoletti e Francisco José Karam, e traz textos especialmente elaborados após o Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), que aconteceu em junho passado em Florianópolis.

O livro aproxima academia e mercado, jornalismo investigativo e pesquisa em comunicação, e as realidades brasileira e argentina. O objetivo é contribuir para os estudos na área e provocar debates nas redações, na busca por novos métodos de apuração, e no enfrentamento de desafios técnicos, políticos e éticos.

“Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras” tem 184 páginas, e pode ser encontrado nas melhores livrarias do país. Pela internet, basta encomendar pelo site da editora.

Confira o sumário:

Apresentação: Fernando Rodrigues, Folha de S.Paulo e Abraji

Prefácio: Francisco José Karam

Parte 1 – Estratégias, métodos e fontes

Reportagem Assistida por Computador (RAC) e jornalismo investigativo – José Roberto de Toledo

Jornalismo, o prazer do ofício – Angelina Nunes

Cómo navegar extensos mares de un centímetro de profundidad – Rodolfo Barros

Uma aliança vital – Mauro César Silveira

Rosental e o novo modelo midiático – Claudio Julio Tognolli

Investigación? Revelación? Que pensam los periodistas? – Sebastián Lacunza

Límites y empobrecimiento de la investigación periodística en Argentina: indígnate (fácilmente) – Eduardo Blaustein

Parte 2 – Práticas, papeis e compromissos

Practica periodística y práctica científica – Martín Becerra

Diferenciações, aproximações e complicações entre a prática jornalística e a prática científica- Gislene Silva

Los compromisos del periodista y del investigador académico – Adriana Amado

Investigación, poder y política: una mirada desde el periodismo – Washington Uranga

Rascunhos de uma agenda positiva para redações e laboratórios – Rogério Christofoletti

Posfácio: Insuficiências teóricas e desafios – Samuel Lima

acesso a informações públicas, um guia

O Senado Federal aprovou na terça-feira (25/10) o projeto de lei de acesso à informação, oito anos após a primeira proposta ter sido apresentada ao Congresso Nacional.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), uma das organizações que mais articularam para a aprovação da nova regra, produziu um guia que ajuda a traduzi-la. Veja aqui.

quatro meses com um e-reader

Não é novidade nenhuma que eu adore livros. Gosto de ler, de comprar, de ganhar. Carrego sempre um comigo. Leio mais de um ao mesmo tempo. Me orgulho da biblioteca que tenho em casa. Amo o cheiro de livro novo, sofro com os ácaros e traças dos mais velhos. Tenho um amor táctil por eles. Mesmo assim, tenho experimentado a leitura por meio de um e-reader: o Alfa, da Positivo.

Ele é compacto, leve, e faz as vezes do Kindle, já que o modelo da Amazon Books não pegou pra valer no Brasil. Há quatro meses tenho usado o Alfa com bastante regularidade. Descarreguei mais de uma centena de livros em PDF nele e alguns em formato ePub. Usei todos os recursos dele, alterando tamanhos das letras, orientações de leitura (vertical/horizontal), explorando a legibilidade de figuras coloridas na tela em preto e branco.

E aí, vale?

O que eu mais gosto dele é o tamanho. Envolto numa charmosa capa preta de couro, o Alfa é gostoso de pegar e de carregar. É levíssimo, confortável de abrir e ler. É ergonômico, como dizem os especialistas. É prático, pois nele você pode carregar até 1,5 mil volumes, uma biblioteca!

Mas tem lá seus defeitinhos. Para mim, o principal é o pouco contraste na tela. Como o aparelhinho usa a tecnologia de tinta eletrônica e não emite luz a exemplo de um tablet ou netbook, o Alfa precisa ser lido em ambiente claro ou iluminado. Por isso, um bom contraste entre o preto das letrinhas e o fundo da página é super bem vindo, e este e-reader deixa a desejar…

Outro probleminha é a impossibilidade de se editar as propriedades dos arquivos em PDF. Se você descarrega nele um arquivo cujas propriedades não trazem título completo e autor, no índice das obras, o livro não se encaixa na lista alfabética e vai lá para o final. Isso chega a incomodar se você tem uma grande quantidade de documentos no e-reader.

Um leitor mais conservador e fanático por livros convencionais pode ter torcido o nariz até agora. Afinal, vale a pena trocar livros de papel por eletrônicos? Vou ser sincero: este é um falso dilema. Uma escolha não exclui a outra. Eu continuo idolatrando livros de papel, bem editados, caprichosamente produzidos, cuidadosamente impressos. Mas confesso que a facilidade de comprar livros pela internet, baixá-los em segundos e poder lê-los quase imediatamente é muito tentadora. A possibilidade de carregar um número grande de obras com um peso de menos de 250 gramas também é muito atraente.

Antes de testar o e-reader, pensei que me cansaria facilmente de ler em tela e isso não aconteceu. O recurso de ajustar o tamanho da letra conforme a conveniência do leitor e a facilidade no manuseio do equipamento tornam a experiência de leitura muito agradável. (Tenho um tablet da Orange – um TB002 -, onde é possível também ler livros eletrônicos, e não é nada cômodo. Após alguns minutos, os olhos ardem, a gente muda de posição um monte de vezes, enfim…)

Compensa?

No meu caso, continuo comprando mais livros em papel que os eletrônicos. Basicamente por dois motivos: as edições convencionais são produtos mais bem acabados e as eletrônicas ainda são CARÍSSIMAS. Um exemplo que pinço da Livraria Cultura:

Céu de origamis (Luiz Alfredo García-Roza) em papel = R$ 39,00
Céu de origamis (Luiz Alfredo García-Roza) eletrônico = R$ 27,00

A segunda opção custa 70% do livro convencional, mas não tem os mesmos custos de impressão, estocagem, transporte e distribuição. NADA JUSTIFICA ISSO, até porque o autor não ganha a mais sobre o valor…

Ler livros em bons aparelhos ajuda a popularizar o hábito e a quebrar preconceitos, mas é preciso popularizar as maquininhas e as obras. Isenções fiscais vêm a calhar, mas o mercado editorial nacional também despertar para o momento e as oportunidades que se apresentam. Se não reduzirem suas margens de lucro, se não redefinirem suas políticas de preço, se não alterarem seus modelos de negócio, as editoras podem terminar como a indústria fonográfica, a mais atingida com o processo avassalador da digitalização dos arquivos. Não é praga não. É o que está diante dos nossos olhos.

ATUALIZAÇÃO DE 13/08/2012: Infelizmente, todo o entusiasmo acima foi por água abaixo, quando após um ano de uso, o aparelho quebrou e não tive nenhuma resposta efetiva da empresa para consertá-lo. Veja mais detalhes aqui: http://wp.me/p4HHl-25c

ATUALIZAÇÃO DE 17/09/2012: Atendendo aos meus chamados, a empresa me enviou um novo aparelho, o que me deixou bastante satisfeito. Mais detalhes em: http://wp.me/p4HHl-26l

mestrado em jornalismo tem jornada discente

O POSJOR realiza, nos dias 24 e 25 de novembro, sua 1ª Jornada Discente. O evento tem como objetivo debater os projetos de pesquisa dos mestrandos e promover a troca de experiências da prática da pesquisa. Para abrir a Jornada, o professor José Luiz Braga (Unisinos) fará a palestra “Do projeto de pesquisa à dissertação: ‘planejar é replanejar’”. Os alunos das turmas 2010 e 2011 apresentarão seus trabalhos em mesas temáticas mediadas por professores do POSJOR (veja a programação). Cada mestrando deve se inscrever enviando formulário preenchido para o e-mail jornadadiscente.posjor@gmail.com. As inscrições vão de 26/10 a 16/11. Interessados em participar como ouvintes podem se inscrever na hora no local do evento: sala 145 do Bloco A do CCE. Mais informações no edital.

(reproduzido do site do Posjor)

chamada de textos na e-compós

Adriana Braga e Felipe Trotta, da Comissão Editorial da revista E-Compós, informam que a publicação já está com chamadas para seus três números de 2012. A revista da Compós aceitar artigos, resenhas e entrevistas em português, inglês, francês e espanhol.

Veja os temas e os prazos de submissão:

1ª Edição: Temas livres
Espaço aberto para contemplar toda a diversidade de abordagens teóricas, metodológicas e empíricas do campo da Comunicação.
Data limite para envio de originais: até 15 de janeiro de 2012.

2ª Edição: Dossiê temático “Música e Som”
Nos últimos anos, observamos um crescente interesse de pesquisadores da área de Comunicação em temáticas relativas à música e ao som. Até há pouco tempo negligenciado por diversas tendências de pesquisa de nossa área, o sentido da audição parece ter ocupado espaço significativo em abordagens sobre artefatos midiáticos, em reflexões sobre regimes de escuta, paisagens sonoras, identidades musicais, classificações mercantis e disputas políticas e ideológicas. Para este dossiê, convidamos pesquisadores de Comunicação e áreas correlatas a submeterem propostas sobre temas como:
– usos e apropriações da música e do som nos produtos midiatizados (fonogramas, espetáculos, videoclipes, filmes, games, programas de televisão, etc.);
– análises socioculturais da circulação de mídias sonoras;
– estética e ética;
– sonoridades e identidades;
– dimensões políticas, empresariais e sócio-culturais da música e do som;
– outras abordagens convergentes.
Data limite para envio de originais: até 30 de março de 2012

3ª Edição: Dossiê temático “Teorias e Metodologias da Comunicação”
Questões de teoria e método permanecem sendo uma dimensão crucial para o campo da comunicação. A constituição relativamente recente de nosso campo acadêmico, bem como sua característica de zona de interface e cruzamento com outros campos disciplinares – como a sociologia, psicologia, economia, informática, educação, antropologia e artes, entre outros – tornam necessário o debate sobre a comunicação em termos teóricos e metodológicos. Para este dossiê, a terceira edição de 2012 da E-Compós convida a proposição de submissões sobre aspectos como:
– teoria e epistemologia da comunicação;
– o objeto da comunicação;
– teorização metodológica em comunicação;
– a comunicação e suas muitas interfaces acadêmicas;
– outras abordagens convergentes.
Data limite para envio de originais: até 30 de maio de 2012

Submissões e mais informações em:
http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/index

jazz combina com desenho animado?

Tenho cinco boas razões pra acreditar que sim. Divirta-se!

kadafi, bin laden e sadam… por frank

Frank Maia

 

kadafi morto: um corpo na primeira página

A notícia simplesmente eclipsou o anúncio do ETA de que abandonaria os métodos terroristas.
Dois finais melancólicos: um na Líbia; outro na Espanha.

Este slideshow necessita de JavaScript.

ocupar wall street: uma sugestão

Se antes boa parte da mídia ignorava, agora já é impossível fechar os olhos para os muitos protestos em Nova York e outras muitas cidades pelo mundo. O movimento para “ocupar Wall Street” tem bandeiras variadas e uma indignação comum contra o sistema financeiro, banqueiros e governos.

Não é fácil colocar centenas de pessoas acampadas em locais públicos e mantê-las unidas e motivadas por tantos dias. Por isso, temendo o esvaziamento, eu sugiro um novo lance aos manifestantes. Em vez de ocuparem Wall Street, eles devem desocupar os bancos!

Isso mesmo! Incito os manifestantes a limpar suas contas nos bancos, a retirar toda a grana retida no sistema financeiro. Com isso, podem dar um recado concreto: sem nossa grana, o sistema não fica em pé. Imagine se todos fizerem isso… pode não ser, nem um arranhãozinho no monstro, mas e se a coisa se alastra globalmente?

Alguma Cassandra histérica poderá dizer: Mas você está promovendo a baderna, o caos, a quebra do sistema financeiro! Menos… menos… só estou sendo absolutamente pragmático e socando direto no fígado. Em forma de protesto, os manifestantes dariam uma banana aos banqueiros, exigindo juros mais baixos, lucros menos escandalosos, relações menos exploratórias. Pressionados pelos correntistas e pela opinião pública, os governos e os bancos teriam que rever as bases de um sistema menos perverso…

sobre transparência e a agenda das empresas de mídia

(publiquei primeiro no objETHOS, repito por aqui)

Duas rápidas notícias no ramo jornalístico sinalizam alguns dos movimentos no mercado internacional, em alto contraste com o comportamento brasileiro. No Reino Unido, The Guardian inovou com a criação de uma lista pública em que expõe quais reportagens o jornal vem desenvolvendo. O rol pode ser acessado pelos leitores e até pelos concorrentes. Nos Estados Unidos, The New York Times está sendo levado a aperfeiçoar suas políticas de tranasparência, principalmente no que concerne as coberturas de caráter econômico e financeiro. A ideia é que o jornal lidere um esforço no mercado para tornar mais evidentes possíveis conflitos de interesse dos jornalistas que cobrem certos assuntos. Os episódios nos Estados Unidos e no Reino Unido têm ao menos um ponto em comum: fortalecem o valor da transparência, um dos maiores tabus da mídia brasileira.

Enquanto a open newslist do Guardian desafia a lógica do furo de reportagem de um lado e estende a mão para o jornalismo de fonte aberta e com a colaboração dos leitores, os grupos de comunicação no país pressionam políticos no Legislativo e no Executivo para deixar a legislação e as práticas de mercado mais obscuras. Enquanto o jornal mais influente do mundo se preocupa com a credibilidade de sua equipe, as empresas locais rasgam as próprias diretrizes editoriais, atuando de forma juvenil e corporativa em detrimento do interesse do público. Não é o caso de dizer que os grupos internacionais sejam isentos de qualquer intencionalidade e que mereçam lugar cativo no paraíso por sua beatitude. Mas é histórico o descaso dos conglomerados diante de regras mais claras para o setor, de regulamentação ampla e de transparência. As brechas na legislação permitem propriedade cruzada e oligopólio; o marco legal desconsidera a internet e as novas formas de difusão de informação e entretenimento; e nem mesmo o Ministério das Comunicações sabe a composição acionária de muitas empresas do ramo. Resultado: o Estado não acompanha o setor, dispõe de instrumentos frágeis e não coíbe práticas que são lesivas não apenas para os concorrentes, mas para o consumidor final, o tal do cidadão, o tal do contribuinte. Se o Estado, que deveria atuar como xerife, desconhece a situação, imagine o público, alijado das decisões mais importantes…

De forma paulatina, a transparência vem se tornando um ativo intangível de destaque para empresas de vários setores. No caso da informação e do entretenimento, ser transparente é buscar uma aproximação com seu público e com demais partes interessadas; é mostrar-se também mais socialmente preocupado e mais aberto ao diálogo; é prestar contas e horizontalizar certos processos. Isto é, depende de maturidade, compreensão global do seu papel na sociedade e de convicção. Se o grupo não quer efetivamente ser mais transparente não vai conseguir simular isso, pois suas práticas demonstrarão o contrário.

A mudança do setor produtivo para uma atuação mais transparente pode se dar no interior das próprias empresas ou motivada por uma transformação cultural: líderes do mercado podem “arrastar” os demais players para esta atitude, ou o próprio público pode reivindicar isso. O que acontecerá primeiro no cenário midiático brasileiro? Alguém arrisca responder?

jornalismo digital: livro novo na praça

Demétrio Soster e Walter Teixeira Lima Jr. anunciam o lançamento do livro “Jornalismo Digital – Audiovisual, Convergência e Colaboração” (Ed.Unisc). Haverá sessões de autógrafo na Feira de Porto Alegre e no Encontro da SBPJor, que acontece no Rio de Janeiro.

Vejam o sumário:

PRIMEIRA PARTE – AUDIOVISUAL E REDES SOCIAIS

OS WEBJORNAIS QUEREM SER REDE SOCIAL? – Raquel Ritter Longhi, Ana Marta Moreira Flores e Carolina Teixeira Weber

TV + TWITTER: REFLEXÕES SOBRE UMA CONVERGÊNCIA EMERGENTE – Carlos d’Andréa

AVANÇOS E TENDÊNCIAS NO CONSUMODE AUDIOVISUAL: IP(+)TV – Diólia de Carvalho Grazino

ENTRE A TV E A INTERNET: MEDIAÇÕES SOBREPOSTAS EM iREPORT FOR CNN – Geane Alzamora

O ENSINO DE CIBERJORNALISMO: ESTUDO COMPARATIVO NOS CURSOS DE JORNALISMO DO RIO GRANDE DO NORTE E MATO GROSSO DO SUL – Gerson Luiz Martins

NEOFLUXO: JORNALISMO, BASE DE DADOS E A CONSTRUÇÃO DA ESFERA PÚBLICA INTERCONECTADA – Walter Teixeira Lima Junior

SEGUNDA PARTE – MESA COORDENADA SBJor

O PROCESSO DE PRODUÇÃO DO CIBERJORNALISMO E AS TEORIAS JORNALÍSTICAS – Carla Schwingel

JORNAIS DE WEB NAS FACULDADES BRASILEIRAS DE JORNALISMO – Carlos Alberto Zanotti

ENSINO DE JORNALISMO-LABORATÓRIO EMUMA PERSPECTIVA CONVERGENTE – Demétrio de Azeredo Soster e Fabiana Piccinin
FORMATOS DE LINGUAGEM WEBJORNALÍSTICA: A FOTORREPORTAGEM REVISITADA – Raquel Ritter Longhi

RELEVÂNCIA JORNALÍSTICA NOS SISTEMAS CONECTADOS EM REDE – Walter Teixeira Lima Júnior

a morte de leon cakoff

Não sei nada de cinema. Gosto de cinema, adoro.
Muita gente se aventura a posar de crítico, a opinar, a tecer grandes raciocínios. Existe ainda quem faça cinema, que produza filmes e tal. E há ainda quem faça cinema fora do cinema. Leon Cakoff, que morreu nesta tarde, é um desses casos. Para além de seu trabalho de analista de filmes e de produtor/agitador cultural, Cakoff criou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que literalmente mudou o panorama de exibição de uma das maiores cidades do mundo. Ele alterou os hábitos de consumo de camadas e camadas de espectadores. Mostrou olhares diversos do mundo plural que temos para além das fronteiras. Parece pouco, mas quem tira as vendas dos nossos olhos, reinventa um universo.
Vai fazer falta.

10 dilemas do jornalismo político

Emmanuelle Anizon, da revista francesa Télérama, lista o que chama de dilemas para jornalistas que cobrem o poder, precisam estar muito próximos dele, mas não podem se misturar aos poderosos. Entre as questões, destaco:

  • jornalista deve ser engajado ou não?
  • jornalista deve se ater a fatos da vida privada dos políticos ou não?
  • jornalista deve almoçar/jantar com a fonte que está cobrindo?
  • jornalista pode pegar carona com a fonte?

Veja a lista completa aqui (en français).

informação de papel x informação online

A Associación para la Investigación de Medios de Comunicación (AIMC), entidade espanhola, acaba de publicar resultados de uma pesquisa que pode interessar a muita gente: “La Prensa: digital vs papel” é o primeiro de uma série de estudos semelhantes, centrados nas particularidades de cada meio e nas formas de como se relacionam com seus públicos.

Conforme esclarece a associação, a pesquisa “está focalizado en prensa diaria e indaga en los comportamientos, actitudes y preferencias ante los dos sistemas de distribución de los contenidos, tanto “tradicional” (papel) como en online”. A coleta de dados se deu entre 20 de maio e 16 de junho de 2011.

Acesse a pesquisa aqui.

o pan olimpicamente ignorado

A menos de uma semana do início dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, o assunto é olimpicamente ignorado pelos veículos das Organizações Globo. O fato de a emissora de TV do Jardim Botânico não ter os direitos de transmissão da competição tem feito com que o evento seja simplesmente tratado como dispensável na pauta do seu noticiário.

Pior que não ter comprado os direitos de transmissão é ter perdido a exclusividade para o grupo de comunicação que mais vem “incomodando” com índices crescentes de audiência. Por isso, pelos lados da Record, o Pan 2011 é só festa e exaltação. São reportagens nos telejornais, chamadas a todo o momento, um batalhão de profissionais mobilizados e espaços generosos na programação da emissora. No R7, o site do grupo, há uma seção dedicada à cobertura da competição, fartamente ilustrada e constantemente abastecida. No G1 e no seu braço mais esportivo – SportTV – é gelo puro; idem no eBand, da concorrente que tem no esporte um dos carros-chefes de sua programação.

Alguém aí pode achar natural que não se coloque azeitona na empada alheia, já que estamos tratando de competidores em audiência e de rivalidade de mercado. Mas informação é um bem diferente de azeitonas em conserva ou empadas. Informação é uma mercadoria de alto valor agregado, que não se degrada com a sua difusão ou compartilhamento e que, muitas vezes, auxilia o seu portador a tomar decisões, escolher caminhos, reorientar-se no mundo. Isto é, informação é um bem de finalidade pública, embora seja cada vez mais frequente que empresas controladas por grupos privados a produzam e a façam circular. Independente disso, o produto carece de cuidados e atenções distintas.

Então, cobrir o Pan de Guadalajara é mais do que rechear a empada alheia. É garantir que o público tenha acesso a informações que julga relevantes e interessantes. Afinal, convenhamos, não se pode ignorar os Jogos Pan-Americanos. É uma competição tradicional – existe desde 1951 -, é importante – pois funciona como uma prévia regionalizada dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 -, e é abrangente por ser continental e reunir 29 modalidades esportivas. Esses argumentos bastariam para colocar o evento na pauta de qualquer veículo de comunicação que se preze.

No caso das Organizações Globo, ignorar a efeméride é simplesmente deixar de lado seus recém-anunciados Princípios Editoriais. No documento, os veículos do grupo se comprometem a produzir um jornalismo calcado no que consideram ser os atributos da informação de qualidade: isenção, correção e agilidade. No item que trata de isenção, os princípios são bastante claros, e cito alguns trechos que colidem com o atual comportamento do grupo:

… “(d) Não pode haver assuntos tabus. Tudo aquilo que for de interesse público, tudo aquilo que for notícia, deve ser publicado, analisado, discutido”…

“(n) As Organizações Globo são entusiastas do Brasil, de sua diversidade, de sua cultura e de seu povo, tema principal de seus veículos”…

“p) É inadmissível que jornalistas das Organizações Globo façam reportagens em benefício próprio ou que deixem de fazer aquelas que prejudiquem seus interesses”

Este é um caso típico de descolamento entre o dito e o feito. Claro que as Organizações Globo podem estar preparando coberturas especiais sobre o evento ou correndo para apresentar um material diferenciado às suas audiências. Tomara. Mas se for assim, os veículos do conglomerado estarão atrasados, contrariando outra lei de ouro de seus Princípios Editoriais, a agilidade.

jornalismo investigativo: livro no prelo

(reproduzido do Bapijor)

A organização do 1º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor) informa que o livro “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras”, organizado pelos professores Rogério Christofoletti e Francisco José Karam e contendo capítulos dos palestrantes do evento já está em fase adiantada de produção.

A obra deve sair pela Editora Insular, de Florianópolis, uma casa editorial comercial que tem se especializado em lançar títulos da área da Comunicação e que tem distribuição nacional. O volume, com cerca de 180 páginas, tem previsão de circulação em novembro e orelha assinada pelo prestigiado jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

steve jobs nas capas dos jornais

Este slideshow necessita de JavaScript.

gênio e… santo!

É mais ou menos assim que veremos Steve Jobs daqui pra frente…

cloud computing

Steve Jobs não morreu. Apenas foi cuidar pessoalmente do ICloud (by @moninunes)
Veja a página de entrada do site da Apple, há pouco…

compós 2012: prepare-se!

A vice-presidente da Compós, Itânia Gomes, divulga algumas informações sobre a reunião anual da entidade, com data marcada para 12-15 de junho de 2012 em Juiz de Fora (MG). Antene-se!

Submissão de trabalhos aos GTs pelo site da Compós: 16 de janeiro a 15 de fevereiro de 2012
Os artigos devem ser submetidos aos GTs, exclusivamente através do site da Compós, até as 18h (dezoito horas), horário de Brasília, da data limite de submissão de papers, dia 15 de fevereiro de 2012. No entanto, o sistema eletrônico (servidor de rede) receberá propostas com tolerância de mais 24 (vinte e quatro horas), encerrando-se, impreterivelmente, às 18h (dezoito horas) do dia posterior à data de submissão, horário de Brasília.

Avaliação e seleção dos trabalhos pelos GTs: de 16/2 a 13/3/2012

Divulgação dos trabalhos selecionados por GT, no site da Compós: até 21/03/2012

Período e taxas de inscrição: de 21/03 a 31/05/2012, em dois intervalos, com taxas diferenciadas.

Para 2012, as taxas praticadas serão:

De 20 de março a 29 de abril:
Docentes (doutores, mestres) e outros profissionais não matriculados em cursos de pós-graduação) – R$ 220,00
Discentes de cursos de mestrado e doutorado e de graduação – R$ 165,00

De 30 de abril a 31 de maio:
Docentes (doutores, mestres) e outros profissionais não matriculados em cursos de pós-graduação)  – R$ 330,00
Discentes de cursos de mestrado e doutorado e de graduação – R$ 220,00