mudanças no jornalismo: um evento, uma pesquisa

Participo hoje do Seminário “Mudanças no Mundo do Trabalho dos Jornalistas” na ECA/USP, a convite da professora Rosely Fígaro. A atividade é uma iniciativa do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) e está reunindo pesquisadores, profissionais e interessados para discutir transformações na área. Na semana passada, por exemplo, o convidado foi o jornalista Luciano Martins Costa, que tem larga experiência profissional e é um arguto analista da mídia com forte presença no Observatório da Imprensa. Na semana que vem, meu amigo Jacques Mick, professor do Departamento de Sociologia Política da UFSC, deve falar sobre a pesquisa que coordena para traçar um perfil do jornalista brasileiro.

Hoje, devo orientar minha fala para tratar da crise do jornalismo e da dimensão ética que perpassa esse cenário.

Acho muito importante a realização de eventos deste tipo, que juntam academia e mercado para debater soluções comuns para a atividade jornalística. O fosso que separa o setor produtivo da universidade interessa a quem, afinal?

Se você tem curiosidade sobre este assunto, pode acompanhar o debate de hoje à noite pelo IPTV-USP ao vivo. Basta clicar aqui.

Se quer participar da pesquisa que tenta recensear os jornalistas no Brasil, clique aqui.

10 anos que abalaram a mídia

Lembra do livro do John Reed? “Dez dias que abalaram o mundo” trazia um relato pungente e testemunhal da revolução de 1917 na Rússia. É obra importante e influente do jornalismo. Pois o Instituto Reuters para Estudo do Jornalismo acaba de lançar um relatório de pesquisa cujo título lembra bastante o livro de Reed: “Dez anos que chocaram o mundo da mídia”.

O estudo se debruça sobre a primeira década deste século e milênio, observando os mercados de seis democracias fortes e ricas e dois países emergentes, um deles o Brasil. São 75 páginas, em inglês, formato PDF e com arquivo de 4,8 megas de tamanho. Acesse aqui.

(cabalístico: este é o post número 2012 deste blog…)

crise financeira? saiba mais…

 

Transmissão pelo twitter, na conta do @posjorufsc

revistra trilíngue sobre jornalismo

Um consórcio internacional de pesquisadores acaba de lançar uma revista trinlíngue (inglês, português, francês) que se debruça sobre o jornalismo e seus entornos. O título não poderia ser mais referencial:

Sur le journalisme/About journalism/Sobre jornalismo

Conheça!

crise mundial, oriente médio e comunicação pública, por kucinski

(reproduzido do POSJOR)

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC promove a partir deste mês o ciclo “Leituras Contemporâneas com Bernardo Kucinski”, um conjunto de conferências para discutir alguns dos principais temas da atualidade.

Nos mesmos moldes das lectures norte-americanas, as conferências do Leituras Contemporâneas são abertas ao grande público, gratuitas e voltadas à discussão e reflexão. A primeira delas aborda “A crise financeira mundial” e acontece no próximo dia 16 de outubro, terça-feira, às 10 horas no Auditório Henrique da Silva Fontes no CCE-UFSC. O evento é dirigido a professores, pesquisadores e estudantes de diversas áreas e a interessados em geral.

Em novembro, no dia 14, as Leituras Contemporâneas enfocam o “Oriente Médio e a Crise de Narrativas”, e em dezembro, no dia 5, a “Comunicação Pública Democrática”, ambos às 10 horas no Auditório Elke Hering, na Biblioteca Universitária da UFSC.

O ciclo é uma realização do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR), com apoio do Departamento de Jornalismo da UFSC e Observatório da Ética Jornalística (objETHOS).

Entrada gratuita, com direito a certificados. Inscrições no local.

Quem é Bernardo Kucinski: graduado em Física, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, livre-docente pela mesma universidade e pós-doutor pela University of London. Como jornalista, atuou no serviço brasileiro da BBC de Londres, e, ainda na capital inglesa, foi correspondente da Gazeta Mercantil e dos jornais Bondinho e OPINIÃO. De volta ao Brasil, foi correspondente do The Guardian, e editor dos cadernos especiais da revista Exame, além de trabalhar na Veja e outros veículos. Entre 2003 e 2006 foi assessor Especial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Aposentou-se como titular da USP e é professor visitante junto ao POSJOR da UFSC. É autor de vários livros, entre eles “A ditadura da dívida: a crise do endividamento da América Latina”, “Jornalismo Econômico”, “Jornalismo na era virtual: ensaios sobre o colapso da razão ética”. Em 2011, estreou na ficção com o romance “K”, finalista do Prêmio Jabuti.

para hackers e para jornalistas

Ficou interessado? Inscreva-se aqui.

mudanças no mundo do trabalho dos jornalistas

O Centro de Pesquisa Comunicação e Trabalho (CPCT) realizará o Ciclo de Seminários As Mudanças no Mundo do Trabalho dos Jornalistas para divulgar os resultados da pesquisa O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo. Um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo, realizada entre 2009 e 2012 com apoio da FAPESP. Este Ciclo de Seminários propõe-se a discutir sobre o perfil dos jornalistas a partir do ponto de vista do profissional sobre o seu trabalho. Os dados sobre o perfil e as falas dos jornalistas profissionais foram coletados durante o desenvolvimento do projeto.

A pesquisa realizou o estudo proposto a partir do binômio comunicação e trabalho, o qual mobiliza o ponto de vista da atividade humana (ergológica) para entender as práticas profissionais no contexto da fusão de mídias e de relações de trabalho cada vez mais precárias. O projeto abordou o objeto empírico – amostra de jornalistas profissionais em São Paulo – a partir de métodos quantitativos e qualitativos, e os dados foram analisados por meio da Análise do Discurso.

Obtém-se como resultado um mapa do perfil do profissional de jornalismo e o ponto de vista deste profissional sobre seu trabalho, para que se possa entender qual o compromisso dele com o direito à informação, bem como poder traçar caminhos mais profícuos para a sua formação universitária. Neste Ciclo serão apresentados o desenvolvimento e os resultados da pesquisa, além de contar com a participação do jornalista Luciano Martins Costa no dia 08/10 e dos Professores Rogério Christofoletti (no dia 18/10) e Jacques Mick no dia 23. Nos três dias o evento contará com a presença dos professores Roseli Fígaro (ECA/USP, coordenadora do CPCT e da pesquisa), Maria Aparecida Baccega (vice-coordenadora do CPCT, ECA/USP e ESPM) e José Coelho Sobrinho (ECA/USP). Veja a programação completa:

Seminário O Mundo do Trabalho dos Jornalistas

Coordenadora:

Roseli Fígaro – Profa. Livre-docente do Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP, coordenadora do CPCT.

Convidados:

Luciano Martins Costa: 8/10 (segunda-feira) no Centro Universitário Maria Antonia USP (Rua Maria Antonia, 258 e 294, Vila Buarque), SP

Rogério Christofoletti: 18/10 (quinta-feira) na ECA/USP – Auditório Lupe Cotrim (Av.Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443, 2ºandar)

Jacques Mick: 23/10 (terça-feira) na ECA/USP – Auditório Lupe Cotrim (Av.Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443, 2ºandar)

Debatedores (presentes a todos os eventos):

Maria Aparecida Baccega – Profa. Livre-docente, vice-coordenadora do CPCT da ECA-USP e orientadora no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM.

José Coelho Sobrinho (Prof. Titular e chefe do Depto de Jornalismo e Editoração da ECA-USP).

Inscrições: grátis. Enviar e-mail para comunicacaoetrabalho@gmail.com com nome completo, contato e instituição/vínculo até a véspera do evento.

(reproduzido do site do grupo de pesquisa)

as entrevistas de assange em português

O jornalista e blogueiro Dauro Veras, em parceria com a Agência Pública, está publicando em seu DVeras em Rede a série O Mundo Amanhã, de 12 entrevistas em vídeo realizadas pelo fundador do WikiLeaks, Julian Assange. A série traz entrevistas com grandes nomes da política, cultura e pensamento para o canal de televisão russo RT. Cada capítulo tem cerca de meia hora de duração e será publicado pela primeira vez no Brasil com legendas em português no blog do Dauro às 18h das quartas-feiras. Aliás, começou ontem com o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah.

Vá conferir!

prática docente em jornalismo: chamada de textos

A Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo (Rebej) está recebendo artigos, resenhas, entrevistas e perfis para compor o vol. 02, nº. 10, de 2012.
A temática da edição será “A prática docente em jornalismo e os novos paradigmas do ensino-aprendizagem”. Ementa: Ensino de jornalismo. Metodologias.  Experiências didáticas. O estudante de jornalismo do século XXI.
O prazo de submissão se encerra no dia 30 de novembro de 2012.

As normas podem ser acessadas pelo site da revista, no endereço http://www.fnpj.org.br/rebej

(reproduzido da lista eletrônica do FNPJ)

mudanças estruturais no jornalismo: uma chamada

Segundo Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo: Estatutos, carreiras e normas
Local: Natal, Rio Grande do Norte, Brasil
Data: 7 a 10 de maio de 2013
Submissão de propostas até: 15 de novembro de 2012
Realização: Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Departamento de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
Parceria: Departamento de Comunicação Social da UFRN, Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e Réseau d’Études sur le Journalisme (Rede de Estudos sobre o Jornalismo/REJ)

Para saber mais, acesse: www.mejor.com.br

cláusula de consciência e um precedente jurídico

A notícia interessa a todos os jornalistas, pois pode criar uma jurisprudência brasileira para casos de violação à cláusula de consciência…

(reproduzido do site do Tribunal Superior do Trabalho. A dica é do professor Marcel Cheida)

Uma jornalista da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão no Estado do Rio Grande do Sul (RS) será indenizada em R$ 10 mil por danos morais após a comprovação de ato de cerceamento da liberdade profissional por parte da Fundação. A decisão, por unanimidade, foi tomada pela Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que ao negar provimento ao recurso da Fundação manteve a condenação imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS). A Fundação opera uma emissora pública de televisão, a TV Educativa (TVE) do Rio Grande do Sul.

A jornalista em sua inicial narra que foi escalada para fazer uma matéria para a TVE sobre a troca da direção da Secretaria de Transparência do Estado do Rio Grande do Sul. Na matéria seriam entrevistados o recém-nomeado para o cargo e a secretária demissionária. A jornalista destacou que a ex-secretária, ao pedir demissão, havia criticado publicamente o Governo do Estado por este não haver estruturado a Secretaria. As críticas segundo a jornalista foram amplamente divulgadas pela imprensa gaúcha à época.

Após pronta a reportagem sobre a troca de secretários, a jornalista foi informada que sua matéria não seria veiculada e que estaria afastada, a partir daquela data, do jornalismo político, sendo proibida a sua presença no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho.

O fato segundo a jornalista repercutiu em toda imprensa gaúcha. O presidente da TVE a época ao ser perguntado sobre os fatos que levaram a jornalista a ser afastada do jornalismo político, acusou-a de “não possuir “padrão técnico” para trabalhar na reportagem política”. A jornalista se refere ao fato como “inacreditável”, já que possuía mais de 15 anos de experiência na área, era concursada e especializada em televisão pela Universidad de Alicante, na Espanha e formada em Documentários para televisão pela Universty of London e Westminster University, ambas no Reino Unido.

Diante dos fatos a jornalista afirmou estar sendo alvo de intimidações e constrangimentos, externados através de humilhações e da proibição de livre exercício da sua profissão. Pedia indenização no valor de R$ 45 mil por danos morais.

A 17ª Vara do Trabalho de Porto Alegre negou o pedido da jornalista. Na sentença o juízo observa que os fatos narrados pela jornalista de fato ocorreram, porém não ficou comprovado que estes tenham atingido de forma negativa sua intimidade, honra ou imagem. O Regional entretanto reformou a sentença e condenou a Fundação por danos morais em R$ 10 mil acrescidos de juros. Para o Regional a prova testemunhal provou o dano causado à dignidade profissional da jornalista, caracterizado através da entrevista do então presidente da TVE.

A Fundação diante da condenação recorreu por meio de recurso de revista ao TST. O seguimento do recurso foi negado pela vice-presidente do TRT da 4ª Região que não constatou a ocorrência de violação a dispositivo de lei ou da Constituição Federal que autorizassem o exame pelo TST. Com isto a Fundação ingressou com o agravo de instrumento agora julgado pela Turma.

Na Oitava Turma a relatora ministra Dora Maria da Costa negou o pedido da Fundação sob o fundamento de que o Regional havia fixado corretamente o valor da condenação, observando a culpa e o porte econômico da jornalista e da Fundação, bem como a proporcionalidade em relação a extensão do prejuízo. A ministra salientou ainda que os acórdão trazidos no recurso para o confronto de teses são inservíveis, por não tratarem dos mesmos fatos que são discutidos no recurso.

(Dirceu Arcoverde/RA)

Processo: AIRR-8600-11.2009.5.04.0017

O TST possui oito Turmas julgadoras, cada uma composta por três ministros, com a atribuição de analisar recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).

30 códigos de ética juntos!

Não comentei aqui antes, mas faço agora. O Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) retomou suas atividades deste semestre na semana passada e lançou seu primeiro e-book, contendo trinta códigos de ética jornalística devidamente traduzidos para o português. A Coleção objETHOS de Códigos Deontológicos é gratuito, tem 151 páginas, e arquivo de 1,4 Mega em documento PDF.

Baixe aqui.

poder, midiatização e transformações

Acaba de ser lançado um livro que merece a atenção daqueles que se interessam por política e pelas muitas mudanças pelas quais ela vem passando por conta de novas mídias e das reconfigurações no espaço público. “Transformações da midiatização presidencial: corpos, relatos, negociações, resistências” é organizado por Antonio Fausto Neto, Jean Mouchon e Eliseo Verón e traz textos de evento promovido pelo Centro Internacional de Semiótica e Comunicação (Ciseco) em Alagoas em 2009.

Em cena, autores como Marc Abélès, Oscar Traversa, Mario Carlón e Beatriz Quiñones Cely, entre outros, além de uma interessantíssima entrevista de Umberto Eco a Eliseo Verón.

Também em cena Dilma Rousseff, Cristina Kirschner, Michelle Bachelet, Sarkozy, Zapatero, Evo Morales, Berlusconi, Barack Obama…

mais um encontro de jornais laboratórios em sc

adelmo, 25 anos depois

hoje começa o pentálogo

João Pessoa sedia a partir de amanhã, 17, e até a próxima sexta, 21, a terceira edição do Pentálogo, um evento promovido pelo Centro Internacional de Semiótica e Comunicação (Ciseco). O encontro tem como tema “Internet: viagens no espaço e no tempo”, e sua programação é muitíssimo tentadora para quem se interessa por aspectos culturais, econômicos, políticos e sociais da web.

Estarei lá, a convite de Antonio Fausto Neto, e devo apresentar parte do que venho pesquisando sobre os pontos de contato entre as éticas dos jornalistas e dos hackers. Mas o Pentálogo vai muito além disso. Veja a programação:


17/09 – As redes na história da midiatização

9h: Una nueva etapa de convergencia entre dispositivos, naturaleza y cultura

Mario Carlon – Universidade de Buenos Aires (Argentina)

11h: Redes, Marginálias e Zeitgeist: os comentários de leitores na constituição da memória do tempo presente

Marcos Palácios – Universidade Federal da Bahia (Brasil)

14h30: Los 10.000 dias que estremecieron el mundo. Redes, interfaces e hipermediaciones

Carlos Scolari – Universidade Pompeu Fabra (Espanha)

16h30: Dimensiones de la semiosis, redes y modalidades de acceso: Internet en perspectiva histórica

Eliseo Verón – Universidade de San Andrés (Argentina)


18/09 – Internet, sociedade civil e atores individuais

8h30: Narcomundo y nuevos medios: de la impresión a la expresión

Beatriz Quiñones – Universidade Nacional de Colombia (Colômbia)

10h30: De hackers a curadores – competencias estéticas en la era de la sobre/información

Cecília Sluga e Lucas Worcel – Consultores em Comunicação (Argentina)

14h: Web y alimentación: acerca de la publicidad destinada a los niños

Oscar Traversa – Instituto Universitário Nacional da Arte (Argentina)

15h45: Cultura e Média Digitais. Elegias e Ditirambos

Antonio Fidalgo – Universidade Beira do Interior (Portugal)

17h15: El periodismo en internet: acerca del lenguaje en la pantalla

Silvia Ramirez Gelbes – Universidad de Buenos Aires (Argentina)


19/09 – MANHÃ e TARDE – DIA DO COLÓQUIO SEMIÓTICA DAS MÍDIAS

19h: CONFERÊNCIA MAGISTRAL

Internet, globalisation, politique: une perspective anthropologique

Marc Abèlés – Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (França)


20/09 – Internet e política

8h30: A multidão e a economia política da Máquina de Turing: biolutas, mais valia de rede e o governo do comum

Henrique Antoun – Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil)

10h30: A participação dos cidadãos nos sítios Web dos partidos políticos: o caso português

Paulo Serra – Universidade Beira do Interior (Portugal)

14h: Mediatización y protesta social

Sandra Valdettaro – Universidade Nacional de Rosário (Argentina)

16h: Jornalistas, hackers e novas políticas de valores

Rogério Christofoletti – Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)


21/09 – Internet e economia

8h30: O socius eletrônico

Muniz Sodré – Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil)

10h30: Complejidad polifónica y politemporal de rumores con efecto económico en foros financieros de Internet

Manuel Libenson – Universidade de Buenos Aires (Argentina)

14h: Internet y procesos discursivos en las finanzas individuales

Sergio Ramos – Universidade de Buenos Aires (Argentina)

16h: Impacto da digitalização na televisão e no cinema

Guido Lemos de Souza Filho – Universidade Federal da Paraíba (Brasil)

17h30: SÍNTESE FINAL (O horário dessa sessão poderá ser antecipado)

Antônio Fausto Neto, Antônio Heberlê Oliveira, Eliseo Verón, Giovandro Ferreira, Paulo César Castro e Sandra Moura

onde fica a consciência do jornalismo?

(Já que falei da 11ª Semana do Jornalismo, reproduzo abaixo um texto que publiquei na Semana Revista, a pedido dos organizadores)

Idealismo e parcialidade ajudam a consolidar uma imagem equivocada do jornalismo. Embora ele seja uma atividade de massa, altamente exposta e cada vez mais presente na vida social, nem sempre se sabe como ele funciona, o que chega a ser uma contradição. Como são cercadas por veículos de informação, as pessoas acham que estão íntimas do jornalismo e se acomodam com os conceitos que dele têm. Por conveniência e letargia, jornalistas e veículos também não se mobilizam muito para desmanchar mitos insustentáveis como os da objetividade, imparcialidade e verdade única. Este círculo vicioso mantém visões românticas e glamourosas do jornalismo.

Como isso interfere na vida do cidadão comum, que não frequenta uma redação nem se preocupa com os valores-notícia? Essa visão idílica distorce também os julgamentos sobre os produtos e serviços jornalísticos, fazendo com que as pessoas passem a julgar as coberturas de uma forma que não tem correspondência com o cotidiano das ruas. Trocando em miúdos: as pessoas vêem o noticiário e se escandalizam com o enfoque das reportagens, julgando que alguém ali está querendo enganá-las. Claro que isso pode acontecer, mas nem sempre é manipulação descarada, distorção deliberada ou um grande plano conspiratório. Pode haver uma série de razões que expliquem a diferença entre a expectativa do público e a narrativa apresentada. Este descolamento entre o desejo da audiência e o produto jornalístico causa frustração num primeiro momento, depois indignação e uma quase incontornável repulsa na sequência.

Em coberturas de casos polêmicos, a zona de tensão se amplia porque tendências ideológicas afloram com mais força e os limites editoriais também se impõem mais. Veja-se o Caso Pinheirinho. Em janeiro deste ano, a Polícia Militar de São Paulo expulsou com violência 1,6 mil famílias de moradores da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos. Os soldados cumpriam uma decisão judicial de reintegração de posse do terreno, que pertencia à massa falida do grupo Selecta, do investidor Naji Nahas. A área contava com 1,3 milhão de metros quadrados, e o litígio opunha a ordem da justiça e milhares de favelados que ocuparam um terreno de um especulador que devia milhões de reais em impostos à prefeitura. Como a maior parte dos veículos de comunicação cobriu o assunto? Basicamente apoiada na legitimidade da ação policial em “desocupar” a área, sem questionar se a ordem era justa ou razoável, ao determinar desalojar milhares de pessoas para pagar dívidas tributárias.

O cidadão comum pode se queixar do tratamento dado ao caso pela mídia, enxergando ali a preferência de um lado em detrimento de outro, e – pior! – questionando a ética dos repórteres. Isso é legítimo? Sim, se o cidadão esperar que o relato jornalístico reflita o que o repórter sente e acredita. Mas nem sempre é assim.

O jornalismo é uma atividade complexa e coletiva. O resultado final, aquele que chega ao público, é produto de diversas etapas de apuração, checagem, recorte, seleção, adequação de formato, tradução de linguagem, embalagem e difusão. Claro que isso envolve mais gente, e que a visão do repórter pode se perder no meio de tudo, seja porque não é a que melhor retrata o fato, ou porque se corrompe ao longo do processo. As omissões no Caso Pinheirinho – sobre os abusos de poder da Polícia Militar e as violações de direitos humanos na ação -, a prevalência de um ângulo e a escolha da ênfase em algum aspecto podem sim contrariar preceitos da ética jornalística, expressa em códigos escritos ou em regras tácitas da categoria. O repórter “se vendeu” à visão do veículo que trabalha e por isso fez um “mau serviço”? Pode ser, mas é difícil afirmar com segurança. Sabe por quê? Porque existem mais fatores que ajudam a determinar a situação.

Nem sempre é o proprietário do meio de comunicação quem determina o viés da matéria. Muitas vezes, são os chefetes de plantão que atuam em nome de um jornalismo que insiste em conservar as coisas como elas estão. Eles fazem o serviço sujo, antecipando-se à sanha de um superior que supostamente gostaria de controlar todas as peças no tabuleiro. Em outras ocasiões, há o despreparo de quem sai às ruas para a cobertura, tanto técnico quanto cultural e cognitivo. Isso mesmo! Há repórteres que não se mostram capazes de “ler” uma cena, de compreender uma disputa, de perceber absurdos nas circunstâncias. Existem ainda os episódios em que tanto se mexe na matéria que ela se deforma, distanciando-se muito do seu sentido original. Note-se quantos fatores podem definir o resultado final de uma pauta!

Nem sempre é a consciência do repórter que determina e conduz a narrativa da reportagem. Valores-notícia, critérios editoriais do veículo, escolhas momentâneas de editores e decisores, consensos de redação também estão em campo. Afinal, onde fica a consciência no jornalismo? Fica em muitos lugares, mas precisa se orientar por um horizonte único: o interesse e a necessidade do público. Sem essa referência, qualquer bússola se desorienta.

vem aí a semana do jornalismo

Agende-se! O maior evento sobre jornalismo organizado por futuros jornalistas já tem data, local e atrações!

A 11ª Semana do Jornalismo da UFSC acontece de 17 a 21 de setembro no Auditório Henrique Fontes, Centro de Comunicação e Expressão (CCE), UFSC.

Veja a programação:

Segunda-feira, 17 de setembro
9h – 12h: Minicurso
15h: Webconferência
17h30: Mesa de discussão “Proteste aqui: a cobertura de conflitos e movimentos sociais”. Convidados: Leonardo Sakamoto, Mauro Wedekin e Carlos Wagner.
20h: Palestra de abertura com André Trigueiro

Terça-feira, 18 de setembro
9h – 12h: Minicurso
15h: Exibição de documentários
17h30: Mesa de discussão “Pauta 2.0: Marketing digital no jornalismo”. Convidados: Dirceu Vieira, Mariana Moreira e Clarissa Antunes
20h: Palestra com Felipe Patury

Quarta-feira, 19 de setembro
9h – 12h: Minicurso
15h: Webconferência
17h30: Mesa de discussão “Jornalismo tecnológico: inovações e cobertura mais ampla em pauta”. Convidados: Pedro Burgos, Renato Cruz e Diego Kerber.
20h: Palestra com Frederico Vasconcelos.

Quinta-feira, 20 de setembro
9h – 12h: Minicurso
15h: Exibição de documentários
17h30: Mesa de discussão “Copa 2014: cobrindo o outro lado do esporte”. Convidados: Lúcio de Castro, Dimmi Amora e José Cruz.
20 h: Debate cultural com Thales de Menezes e Lucio Ribeiro.

Sexta-feira, 21 de setembro
15h: Webconferência
17h30: Mesa de discussão “Reportagem de um personagem só: a produção de perfis jornalísticos”. Convidados: Dorrit Harazim, Adriana Negreiros e Sérgio Vilas-Boas
20h: Palestra de encerramento com Lira Neto.
23h: “Boa Noite!”, festa de encerramento no Célula Showcase

sjsc faz congresso estadual em laguna

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC) realiza de 28 a 30 de setembro em Laguna o seu sexto congresso estadual. O tema é “Novas tecnologias e seus impactos no exercício profissional do jornalismo”.

Para saber mais, acesse o site do evento.

liberdade digital no brasil

A ONG Artigo 19 produziu um relatório sobre a liberdade digital no Brasil. O relatório aborda questões como censura online, projetos em gestação no Poder Legislativo, acesso a serviços de banda larga, entre outras questões. O documento analisa o contexto nacional e o compara ao cenário internacional, imperdível para quem estuda, pesquisa, atua na web ou se interessa por ela.

São 50 páginas, em formato PDF, com 1,7 mega de arquivo e em português. Baixe aqui.

20 revistas pra não perder de vista

A lista é provisória, aleatória e incompleta… mas aí vão algumas sugestões de publicações científicas da área em inglês, francês, espanhol…

adComunica – http://www.adcomunicarevista.com

Central European Journal of Communication – http://www.cejc.ptks.pl

Communication – http://communication.revues.org

Comunicação & Sociedade – http://www.comunicacao.uminho.pt/cecs/publicacoes.asp?startAt=2&categoryID=674&newsID=2492

Comunicación y Hombre – http://www.comunicacionyhombre.com

E-Journalist – http://ejournalist.com.au

Essachess – http://www.essachess.com/index.php/jcs

Hermès – http://documents.irevues.inist.fr/handle/2042/8538

Infoamérica – http://www.infoamerica.org

Information Research – http://informationr.net/ir/

inMedia – http://inmedia.revues.org

Journal of Information Policy – http://jip.vmhost.psu.edu/ojs/index.php/jip

McLuhan Studies – http://www.mcluhanstudies.com

Necsus – http://www.necsus-ejms.org

Online Journal of Communication and Media Technologies – http://www.ojcmt.net

Pixel-Bit – http://acdc.sav.us.es/pixelbit/index.php?option=com_content&view=article&id=49&Itemid=2

Prisma.Com – http://revistas.ua.pt/index.php/prismacom/index

Revista Comunicando – http://www.revistacomunicando.sopcom.pt

Revista Mediterránea de Comunicación – http://www.rmedcom.org

Transformations – http://www.transformationsjournal.org/journal/index.shtml

uma enciclopédia do rádio

Vem aí uma Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro, livro que vai biografar os 230 mais destacados radialistas esportivos do país. O lançamento acontece em 5 de setembro, em Fortaleza, durante a realização do 35º Congresso da Intercom. A organização é de Nair Prata e Maria Cláudia Santos, com textos de 119 autores do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom. Editado pela Insular.

quem está a fim de pagar?

Em meus tempos de universitário, no final das festas, quase sempre havia um coro de canções de Raul Seixas. A maior parte delas era bem deprê, mas bastava uma para espantar a tristeza que anunciava a dosagem alcoólica geral e previa o final da farra: “Aluga-se!”. O refrão é contagiante: “Nós não vamo pagar nada. Nós não vamo pagar nada. Agora é free! Tá na hora, agora é free!…”

Passadas décadas daquilo tudo, nesta manhã preguiçosa de domingo, tropeço numa entrevista na versão online da Folha de S.Paulo que me fez cantarolar novamente a canção. Na matéria, Raul Juste Lores dá voz a um “guru da indústria jornalística”, o norte-americano Ken Doctor, para quem o público está disposto a pagar por conteúdos online. É claro que a fala de Doctor é muitíssimo conveniente para a Folha, que defende a cobrança. É claro também que essa discussão não é nova, já que nasceum um segundo após o nascimento da internet, antes mesmo de cortarem o seu cordão umbilical. Afinal, quem vai pagar pelos custos de se produzir notícia e entretenimento de qualidade?

Não vou entrar nessa discussão agora. Só quero chamar a atenção para o lugar de fala desses personagens. Doctor dá consultoria a grupos de mídia, e um papel importante nesse trabalho é fomentar opiniões que ajudem a aumentar o entusiasmo (e os lucros) dessa indústria. A Folha de S.Paulo está diretamente interessada que o público se convença de que quer pagar mesmo para acessar textos e outros conteúdos. Chris Anderson, conhecido por livros como “The Long Tail” e “Free!”, colocou mais lenha na fogueira, anos atrás, falando sobre gratuidade e conteúdos premium. Curioso é que seu livro sobre o fenômeno do grátis não foi oferecido ao leitor na faixa…

Parte do prestígio de Doctor é o seu “Newsonomics”, em que dita tendências da indústria da mídia. São elas:

  • Diante de tanto conteúdo oferecido e em disputa por atenção, você é o seu próprio editor
  • Cerca de uma dúzia de grandes conglomerados de mídia dominará o mercado
  • O aspecto local conta cada vez mais
  • “O Velho Mundo das notícias acabou – vamos aceitar isso”
  • Uma grande quantidade de intermediários foi eliminada, e quem hoje reúne e oferece os melhores conteúdos, sai na frente
  • As empresas de notícias estão, cada vez mais, usando conteúdos de amadores, e os misturando aos produzidos por profissionais
  • Repórteres se tornam blogueiros, e vice-versa
  • Empresas da mídia estão investindo mais e mais em especialização e nos nichos de consumo
  • Não existe mais a disputa homem versus máquina. Cada um desses elementos auxilia na equação. É preciso tirar o melhor deles para fazer os negócios prosperarem
  • Jornalismo se aproxima e se aproveita do marketing, e vice-versa
  • Jornalistas precisam se esforçar mais ainda (se especializar, se reinventar) para manter seus empregos
  • Não se deve apenas olhar para o cenário de crise. Este mesmo cenário mostra lacunas que podem ser exploradas e se tornar grandes oportunidades

Algumas dessas tendências parecem se aplicar a muitos mercados e realidades, inclusive o brasileiro. Outras, nem tanto.

A posição de Doctor na entrevista à Folha, essa de pagar por conteúdos, carece de mais pesquisa e comprovação nas praças brasileiras. Nos fóruns por onde passo, não vejo essa disponibilidade toda apontada por Ken Doctor. Nos blogs, isso não está evidente. Nem nas redes sociais, vigora tanto entusiasmo.

Estarei exagerando ou falando alguma besteira de graça? Toca Raul!

um plano de proteção para os jornalistas

(reproduzo notícia do Comunique-se)

Para combater a impunidade e melhorar a segurança dos jornalistas, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura  (Unesco) desenvolveu um ‘Plano de Ação‘ para proteger os profissionais. Comentários e sugestões para agregarem o trabalho podem ser apresentados até 31 de agosto. A ONU também trabalhará com recursos de seu próprio sistema que incentiva a conscientização.

O projeto terá regras internacionais existentes, desenvolvimento de legislação apropriada e dispositivos institucionais de segurança. Além disso, terá promoção de boas práticas entre os Estados para combater a impunidade, mecanismos preventivos e políticas com abordagens baseadas no gênero.  As ações serão implementadas e melhoradas a partir do trabalho que for desenvolvido.

sbpjor usa youtube para convidar…

A décima edição do encontro nacional da SBPJor só acontece em novembro, mas no canal do YouTube da entidade já tem chamada…

abciber também prorrogou

Sandra Montardo, a coordenadora da quarta ediçao do Simpósio Nacional da ABCiber, avisa que o prazo para envio de trabalhos  foi prorrogado, e agora o novo deadline é dia 6 de agosto.

Mais informações: aqui

democratizar a mídia: qual o seu papel?

nada de crise nos jornais

Vamos continuar com a campanha para espantar abutres!
Foram divulgados novos dados que mostram que a propalada crise dos impressos não chegou às nossas praias. Como diz o Joelmir Beting, “o fim do mundo foi adiado mais uma vez”.

Veja o que diz a matéria do Comunique-se:

Os primeiros seis meses deste ano marcaram bons números para o impresso, que teve crescimento médio de 2,3%. A afirmação é do Instituto Verificador de Circulação (IVC), órgão responsável pela auditoria de jornais e revistas no país.

De acordo com os dados, o aumento é resultado das vendas, em especial dos jornais com preço de capa entre 1 e 2 reais, que avançou 2,8%. “O bom desempenho dos jornais com esse preço é um movimento bastante importante. Este grupo inclui os principais títulos de alguns mercados regionais. No ano passado, já era perceptível um fortalecimento que se intensificou neste primeiro semestre”, explicou o presidente executivo do IVC, Pedro Martins Silva.

Veículos com custo por exemplar acima de 2 reais tiveram alta de 2,3% e o grupo de jornais vendidos por até 99 centavos teve elevação de 1,8%. Neste período, a média diária de circulação brasileira foi de 4.543.755 exemplares, o que marca novo recorde histórico para a auditoria da entidade.

sbpjor alarga o prazo

A greve nas universidades federais motivou a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) a prorrogar o deadline de sua chamada de trabalhos para o décimo encontro da entidade, que acontece em novembro em Curitiba.

Agora, a data final é 10 de agosto.

Mais informações aqui.

um especial sobre jornalismo e cibercultura

A revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do POSJOR/UFSC, acaba de publicar o volume 9 n. 1, referente ao primeiro semestre de 2012, e que traz um dossiê sobre jornalismo e cibercultura, além de artigos de temáticas livres e resenhas de livros.

A publicação científica é semestral, eletrônica e totalmente aberta para leitura e consulta.
Para acessar, clique aqui.

Para o segundo semestre, já há chamada de textos.
O tema é “Jornalismo e Mídia, aportes portugueses”.
Veja como mandar o seu artigo aqui.

(Reproduzido do POSJOR)