simpósio de jornalismo online: a revista

Há doze anos o Knight Center for Journalism in the Americas (da Universidade do Texas, em Austin) promove o seu Simpósio Internacional de Jornalismo Online, um evento que já é referência mundial para as dicussões da área. Em 2011, vinte pesquisas foram apresentadas, selecionadas de um total de cinquenta enviadas. Mais de duzentas pessoas acompanharam o simpósio no início de abril e uma síntese pode ser lida aqui.

Entre as novidades, houve o lançamento do primeiro número de uma revista científica que estará vinculada ao simpósio, a #ISOJ. A publicação pode ser acessada em formato ePub e PDF.

No sumário deste número inaugural,

Setting Guidelines on How to Design the News Online. Portuguese Online Newspapers and their Spanish, Argentinian and Brazilian Counterparts – Nuno A.Vargas (Universidade de Barcelona, Espanha)

Citizen Journalism, Citizen Activism, and Technology: Positioning Technology as a ‘Second Superpower’ in Times of Disasters and Terrorism – Sharon Meraz (Universidade de Illinois, EUA)

Web Production, News Judgment, and Emerging Categories of Online Newswork in Metropolitan Journalism – Chris Anderson (College of Staten Island, EUA)

Methods for Mapping Hyperlink Networks: Examining the Environment of Belgian News Websites – Juliette De Maeyer (Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica)

Hypertext Newswriting Effects on Satisfaction, Comprehension and Attitudes – João Canavilhas (Universidade da Beira Interior, Portugal)

fórum de professores no sudeste

Wanderley Garcia, da direção regional sudeste do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, avisa que trabalhos para o 5º Encontro Estadual de Professores de Jornalismo podem ser mandados até 15 de maio.

O evento acontece dias 27 e 28 de maio na PUC-Campinas, e serão aceitos relatos de experiência, comunicações científicas e pôsteres. O tema do encontro é “A formação superior como elemento constituinte e legitimador do campo do Jornalismo”.

Mais informações: http://www.fnpj.org.br/5eppj

saíram os vencedores do pulitzer

O mais conhecido e invejado prêmio jornalístico do mundo já tem seus vencedores neste ano. Os organizadores do Pulitzer Prize anunciaram os laureados e suas categorias. Conheça!

PUBLIC SERVICE – Los Angeles Times

BREAKING NEWS REPORTING – No Award

INVESTIGATIVE REPORTING – Paige St. John, do Sarasota Herald-Tribune

EXPLANATORY REPORTING – Mark Johnson, Kathleen, Gallagher, Gary Porter, Lou Saldivar e Alison Sherwood, do Milwaukee Journal Sentinel

LOCAL REPORTING – Frank Main, Mark Konkol e John J. Kim, do Chicago Sun-Times

NATIONAL REPORTING – Jesse Eisinger e Jake Bernstein, do ProPublica – aliás, em dois anos, este site ganhou dois Pulitzers. Não perca de vista!

INTERNATIONAL REPORTING – Clifford J. Levy e Ellen Barry, do The New York Times

FEATURE WRITING – Amy Ellis Nutt, da The Star-Ledger, Newark, N.J.

COMMENTARY – David Leonhardt, do The New York Times

CRITICISM – Sebastian Smee, do The Boston Globe

EDITORIAL WRITING – Joseph Rago, do The Wall Street Journal

EDITORIAL CARTOONING – Mike Keefe, do The Denver Post

BREAKING NEWS PHOTOGRAPHY – Carol Guzy, Nikki Kahn e Ricky Carioti, do The Washington Post

FEATURE PHOTOGRAPHY – Barbara Davidson, do Los Angeles Times

só até amanhã

Se você é pesquisador da comunicação e tem um paper inédito sobre democracia e mídia, sobre regulação dos meios de comunicação ou sobre as relações tensas entre comunicação e política, amanhã é o deadline da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do PosJor/UFSC.

Veja a chamada:

Um dos temas mais discutidos nos últimos meses tem sido a estrutura dos meios de comunicação e a natureza da organização do mercado midiático brasileiro. Movimentos vindos de organizações não-governamentais, da academia e até mesmo do governo federal têm sinalizado para a necessidade de a sociedade discutir novas regras para o setor. Até mesmo uma importante organização do mercado – a Associação Nacional dos Jornais – manifestou a disposição para a autorregulação.
Diante desse cenário, a primeira edição da revista Estudos em Jornalismo e Mídia de 2011 objetiva discutir as complexas relações entre democracia e regulação do mercado de mídia.
Será priorizada a análise de artigos que tratem de temas como: políticas de comunicação no Brasil; marcos regulatórios no setor; regulaçã o, regulamentação e autorregulamentação dos meios; concentração de mídia; propriedade cruzada; relações entre meios de comunicação e grupos políticos; comparativos entre as legislações de mídia no Brasil e outros países; limites operacionais em meios audiovisuais e internet; órgãos de regulação; proteção da concorrência; mudanças estruturais no jornalismo a partir de marcos regulatórios; liberdade de imprensa, democracia e cidadania.

Deadline: 20 de abril de 2011
Publicação: Junho de 2011

A equipe editorial avisa que agora só estão sendo aceitos trabalhos que abordem o tema Democracia e Regulação.

A Estudos em Jornalismo e Mídia existe desde 2004, é semestral, e circula exclusivamente em meioi eletrônico. No sistema de avaliação Qualis/Capes, é uma publicação B3.

é a independência jornalística uma ilusão?

Terra arrasada?Um dos aspectos que mais me chamou a atenção quando tive acesso às entrevistas com os principais gestores de mídia do país é que era consensual a necessidade da independência editorial para a sobrevivência do jornalismo e das empresas que disso vivem. Foi em 2009 e eram entrevistas com 22 editores-chefes, diretores e publishers de todas as regiões, e eu estava – junto com outros colegas – concluindo uma pesquisa sobre indicadores de qualidade de informação para a Unesco.

O argumento repetido é que as empresas precisam construir condições para se fortalecer financeiramente de maneira a não depender de verbas publicitárias dos governos. A independência editorial é, então, um resultado da independência comercial. O raciocínio é lógico, linear e de fácil convencimento.

Pois esta semana voltei a ouvir interessantes declarações sobre a independência jornalística. Eu participava, no Rio, do encontro da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica), e acompanhei a mesa redonda “Mídia e democracia: questões teóricas”. Na sessão de perguntas finais, alguém da plateia questionou os palestrantes sobre a hipótese de que alguns veículos de imprensa chantageariam o governo federal com a ameaça de publicação de escândalos políticos, tentando atrair para si mais verbas publicitárias. Mesmo sem mencionar explicitamente, o indagador colocou o problema da independência da imprensa nacional.

Bem humorado, o presidente da Compolitica, Afonso de Albuquerque (UFF), disse que todas as relações humanas de alguma forma são baseadas em chantagem. “As relações sentimentais, mais ainda”, brincou, completando que a hipótese pode acontecer com alguma frequência e por parte de alguns veículos e governos. Quer dizer, é da regra do jogo, pertence à lógica que tensiona esses atores. Tentando desviar de um “cinismo” de seu colega de mesa, Fernando Lattman-Weltman (FGV) também deu de ombros diante da chantagem. “Olha, ninguém é independente. Ninguém. Nem mesmo os mortos, afinal, eles dependem da gente para serem enterrados! Por isso, nem vale a pena lutar por esse valor, pela independência”, afirmou.

Confesso que uma fala tão convicta ficou martelando a minha cabeça. Não porque me apegue tanto a certos valores, mas porque venho assistindo nos últimos anos à franca demolição de uma série deles no campo do jornalismo. Não mais se acredita em objetividade; a imparcialidade é questionada a todo momento; a verdade é relativizada; a ética é flexibilizada; a independência editorial não merece ser cultivada… Com isso, parece que daqui a pouco não vai sobrar pedra sobre pedra…

Afinal, esses valores, por décadas, serviram de alicerces para o jornalismo, tanto do ponto de vista ético quanto para garantir padrões mínimos para a sua execução técnica. É verdade que o jornalismo já não é mais o que foi; que a sociedade mudou; nossas percepções de espaço e tempo também foram transformadas; e o mundo e a vida são outros. Entretanto, temo que, no afã de se reformar o jornalismo, jogue-se a criança junto com a água do banho.

A pergunta que agora assalta a minha consciência é: se estamos em busca de uma nova ética para este novo jornalismo, em que mesmo ela estaria apoiada?

Alguém aí se arrisca a responder?

crise nuclear, segredos e o direito à informação

Não sei nada de japonês, o idioma. Chego a trocar “arikatô” por “saionará”. Mas gostaria muito de saber a língua japonesa para acompanhar a cobertura da crise nuclear. Fico intrigado com o que vem sendo noticiado pelas agências internacionais e curiosíssimo para saber se o povo de lá anda satisfeito com o nível de informação.

A impressão que tenho daqui é que tem muita coisa debaixo do tapete. E, para administrar a crise, o governo vai soltando informes em doses homeopáticas, de maneira a saciar provisoriamente a sanha dos cidadãos e a histeria da comunidade internacional. Mas algo me diz que a coisa pode ser pior do que se aventa. Posso estar errado, devo estar, quero estar.

Veja abaixo a primeira página do Asahi Shimbun de ontem, 13. Nem sei dizer se ela é alarmante ou não. Por isso, recorri ao The Japan Times e ao Stars & Stripes, também editados em Tóquio. Em ambos, a tentativa é de oferecer alguma tranquilidade ao leitor, na medida em que deixa em aberto que o acidente na usina de Fusushima não é brincadeira. A equiparação com o caso Chernobyl já deveria ter provocado uma gritaria maior na comunidade global ou mesmo em organismos multilaterais. Mas até agora, nada.

Estará a mídia nipônica tendo acesso a todas as informações que seus públicos anseiam e necessitam? O governo tem sido transparente? Quanto do noticiário oferecido é confiável e suficiente?

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chamada de textos na vozes e diálogo

A editora Laura Seligman anuncia que a revista Vozes & Diálogo, da Univali, está recebendo artigos para sua edição do segundo semestre. O deadline é 15 de junho e o tema do número é  “Comunicação e Novas Linguagens – percursos teóricos e empíricos”.

Textos devem ser submetidos na página da revista (aqui) ou encaminhados sem identificação dos autores para o email da editora (seligman@univali.br).

compolítica começa amanhã

Os professores Alessandra Aldé e Fernando Gonçalves, da organização, reforçam o convite para a abertura amanhã do 4º Encontro da Compolítica – Associação Brasileira dos Pesquisadores em Comunicação e Política.

O evento é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ em parceria com a UFF, e acontece no campus Maracanã a partir das 18h30 com a conferência “A Comunicação Política e sua institucionalização no Brasil”, do professor Marcus Figueiredo (IESP-UERJ).

A programação é bem recheada e pode ser conferida aqui. Estarei por lá com os colegas Fernando Azevedo (UFSCar), Flávia Biroli (UnB) e Fernando Rezende (UFF) na Mesa Redonda “Jornalismo e Política”. Vou abordar o Cablegate do WikiLeaks e suas implicações para a ética jornalística. Mas fora isso, haverá muita coisa boa no evento…

afinal, como se narra a dor?

Os tiros da manhã de quinta-feira na zona oeste do Rio de Janeiro sacudiram as atenções da maioria dos brasileiros. Como se estivéssemos em um sono profundo, fomos atirados da cama para perceber uma realidade assustadora e terrível. O resultado aterrador do massacre na escola de Realengo era algo que sempre imputamos aos norte-americanos, um povo tão beligerante que se arma até em supermercados. O resultado do massacre é uma fila de corpos de quem cultivava seu futuro ainda de forma muito adolescente. O resultado é o aparecimento de personagens como o atirador, movido por razões ainda desconhecidas, moldado pela solidão, frustração e pensamentos doentios.

Infelizmente, o país já havia visto adolescentes vitimados pela violência urbana. Desconhecido ainda era o anônimo que encarna o mal e dispara o gatilho não mais a esmo, mas escolhendo suas vítimas, alvejando órgãos vitais, recarregando reiteradamente as armas, disposto a acabar com tudo.

(Trecho do Comentário da Semana, que assino hoje no objETHOS. Na íntegra, aqui)

 

 

adeus, gutenberg… ou não!

Anthony Smith, Philip Meyer, Ramón Salaverria, Mario Tascón, entre outros, abordam o futuro do jornalismo, a crise dos impressos, a emergência dos tabletes e de outras formas de difundir o jornalismo. Tudo na mais recente edição da revista Periodistas, da Federação das Associações de Jornalistas da Espanha (FAPE).

Baixe e confira.

observando o observador…

Qual é o assunto mais comentado da semana?

Isso mesmo! O massacre na escola de Realengo, no Rio. Foi na quinta, mas de lá pra cá, ele quase absorveu todo o tempo e o espaço de cobertura dos meios de comunicação.

Na Folha de S.Paulo de hoje, qual é o assunto tratado pela ombudsman do maior jornal do país?

Não, não é o massacre de Realengo. Em vez disso, Suzana Singer aborda o noticiário sobre a troca de comando na Vale do Rio Doce e a distância desinteressada que deveriam ter os colunistas da Folha, que na última semana foram cobrados por leitores por olhar para os próprios umbigos…

Uma pena. Eu gostaria de saber como a ombudsman está observando a cobertura do tema mais comentado da semana…

o massacre nos jornais do mundo

A repercussão internacional da tragédia em Realengo…

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o massacre de realengo nos jornais

É triste, terrível, inexplicável. Sem nome o que aconteceu no Rio…

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o major me ligou

21h44 de ontem e toca meu celular. Não reconheci o número que chamava, mas atendi. Do outro lado, uma voz calma, num tom baixo, anunciou que se tratava do major Marcio Luiz Alves, responsável pela Defesa Civil em Santa Catarina. Respeitosamente, desculpou-se de estar ligando àquela hora e justamente no celular, e perguntou se eu tinha tempo para falar com ele. Respondi afirmativamente, e ele revelou que me ligara por conta de um post neste blog, em que eu questionava a atitude dele se candidatar em 2010 a uma vaga na Assembleia Legislativa.

No post de janeiro deste ano (leia aqui), eu me questionava se aquele gesto não teria sido oportunismo, já que o soldado frequentava com assiduidade os meios de comunicação locais. À época do post, eu “pensava em voz alta”, tentando investigar as razões da minha discordância de sua atitude.

Pois bem, não é que ontem me liga o major?

Como jornalista, não foi a primeira vez que alguém me procurou para comentar o que escrevi. Já recebi telefonemas mais inflamados, menos educados, alguns até ofensivos, outros elogiosos. Já recebi ameaças ostensivas e veladas, e chamadas que tentavam me convencer de que aquela não era a melhor maneira de narrar ou descrever algo.

Mas o telefonema do major me surpreendeu ontem. Não por ele ter ficado “chateado” com o que escrevi, mas pelo tom cordato, civilizado; pela atenção que dispensou ao contar pacientemente sua trajetória pública. Me surpreendeu também o fato de ele encontrar o telefone pessoal de um blogueiro desconhecido e tentar falar com ele pessoalmente, para explicar suas razões. Ele poderia ter ignorado, ou deixado um comentário no blog… Achei, no mínimo, atencioso. O major tinha o claro propósito de tirar uma má impressão que eu mantinha dele, e isso me fez pensar sobre como as redes sociais, os blogs, e as novas tecnologias de informação e comunicação podem aproximar mais e mais as pessoas. Imagine se todo político tivesse esse canal aberto com seus eleitores? Imagine se também ocorresse o contrário: um eleitor indignado com seu representante ligaria para ele se queixando?

Pois esses novos dispositivos de comunicação que dispomos permitem o encurtamento de certas distâncias. No meu caso, me manifestei num blog. Por alguma razão qualquer, o major leu e quis falar com aquele cara que dele escreveu, quis conhecer um eleitor anônimo. Em termos de democracia, não é pouca coisa. Em outros tempos, um militar te ligaria para tirar satisfação e não para prestar informações. Nos quase vinte minutos de chamada, não me senti pressionado a apagar meu post ou a fazer qualquer retratação. Do outro lado da linha, o major em nenhum momento insinuou isso. Percebi que ele respeitou minha opinião, e porque achei o caso surpreendentemente positivo e por respeito a ele, faço esse registro.

jornalismo, política e negócios

A edição de janeiro-março da revista Jornalismo & Jornalistas, editada pelo Clube dos Jornalistas português, aborda ao menos dois aspectos delicados das relações da atividade profissional com seus entornos sociais: o político e o econômico. No primeiro, faz um relato do seminário Media, Jornalismo e Democracia, promovido em novembro em Lisboa. O evento foi realizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ). Depois, a J&J volta fazer uma pergunta incômoda mas necessária: que modelo de negócio se deve adotar para sobreviver? A questão ecoa os movimentos do 2º Congresso Internacional de Ciberjornalismo, que aconteceu no Porto em dezembro passado.
Ficou interessado? Então, baixe a revista aqui e confira.

transparência na alesc e jornalismo watchdog

Reportagem do Diário Catarinense desta semana, assinada por Upiara Boschi, apontou que a Assembleia Legislativa do estado é das menos transparentes do país. A matéria, com chamada na capa da edição de domingo, 27, denuncia que no site da Alesc não estão disponíveis dados como assiduidade dos deputados, gastos em viagens e outras informações de interesse dos cidadãos.

Pois a reportagem teve efeito imediato. No início da semana, o presidente da Alesc, Gelson Merísio, apressou-se a anunciar numa coletiva que o Legislativo estava trabalhando num novo site, mais informativo. Quem acompanha o caso sabe que não foi apenas a matéria dominical que provocou essa reação. Na semana passada, outras matérias já questionavam viagens de parlamentares à China, sendo que mal se sabia dos motivos, dos custos, dos resultados e pior: um dos deputados viajantes é diretamente interessado na prosperidade dos negócios com aquele país, já que atua no setor de comércio exterior…

Esse quase cerco à Alesc traz à tona duas questões: deveres dos órgãos públicos e funções da imprensa. Nas democracias recentes, é cada vez mais invocado o princípio da transparência, e por isso gestores públicos e representantes da população precisam prestar contas do que fazem e do que deixaram de fazer. É um princípio constitucional, democrático, moderno, republicano, e que tende a se universalizar. Os norte-americanos têm uma palavra para isso: accountability. Nas palavras de um velho ditado: não basta que a mulher de César seja honesta; ela precisa também parecer honesta.

Diretamente ligado ao dever dos órgãos públicos está uma função do jornalismo: fiscalizar os poderes, acompanhar seus passos e informar à população o que está certo e o que não está. Os norte-americanos também um nome para esse tipo de prática: watchdog journalism. Numa tradução aproximada: jornalismo cão-de-guarda. Não se trata de um jornalismo pittbul que ataca a todos, mas de um jornalismo que resguarda, assegura, vigia os interesses da coletividade.

Por isso, o novo site da Alesc é bem vindo, sim. Assim como são bem recebidas as reportagens que seguem as sombras dos poderes. Jornalistas e políticos, mesmo que muito diferentes, deveriam se guiar por valores semelhantes: o bem comum, a vontade coletiva, o interesse público. Seria muito bom se fosse sempre assim. Seria…

congresso internacional de ética

Acontece hoje, amanhã e quarta na Universidade de Sevilha, Espanha, o 1º Congresso Internacional de Ética da Comunicação.
Veja a programação aqui.

 

resenha de “vitrine e vidraça”

Carlos Tourinho, jornalista e professor brasileiro que faz doutorado em Portugal, assina resenha sobre o livro “Vitrine e Vidraça: Crítica de Mídia e Qualidade no Jornalismo”, que reúne artigos de pesquisadores da Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi).

A resenha saiu hoje no Observatório de Imprensa, leia aqui.
O livro pode ser baixado aqui.

empresa jr na ufsc

Diversos cursos de Comunicação no país já contam com suas agências júniores, que são iniciativas com o claro propósito de aproximar ainda mais as atividades de formação acadêmica com as rotinas do mercado de trabalho. A partir de agora, o curso de Jornalismo da UFSC também terá sua agência: é a Comunica!, autointitulada “a primeira agência júnior de jornalismo de Santa Catarina”.

O evento de inauguração acontece hoje à noite, a partir das 18h30, no auditório do Centro Socio-Econômico (CSE-UFSC). Palestra com Mario Motta, que atua em rádio, TV, jornal e web no Grupo RBS.

Sucesso!
Siga a Comunica! no Twitter.

deadline para eventos

Os eventos acontecem no segundo semestre, mas o prazo para mandar artigos para avaliação se esgota nos próximos meses.
Para não deixar pra última hora, anote aí:

1º Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana
3 a 6 de agosto – São Paulo, SP: USP
Deadline: 25 de abril
Mais informações: http://www.confibercom.org/congresso/pt/home

5º Simpósio Nacional da ABCiber
16 a 18 de novembro – Florianópolis, SC: Udesc e UFSC
Deadline: 30 de junho
Mais informações: http://abciber.org/index1024.html

 

 

 

 

 

 

tuitando do simpósio

Se você quer acompanhar à distância o 2º Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo do PosJor/UFSC, siga pelo twitter a hashtag #simposiopesqjor

 

 

transmissão ao vivo do simpósio

Se por alguma razão você não pode acompanhar a conferência de abertura do 2º Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo da Região Sul, que acontece hoje e amanhã aqui na UFSC, não se desespere.

Acompanhe a transmissão ao vivo da abertura.

comunicação digital: mais dois livros

Se você é pesquisador, profissional da área, usuário ou curioso, estão aí dois novíssimos títulos de livros produzidos em português sobre os temas que rondam a comunicação digital:

Intercom Sul 2010: perspectivas da pesquisa em comunicação digital
Organização: Maria Clara Aquino, Adriana Amaral e Sandra Montardo
Baixe aqui

Jornalismo e convergência: Ensino e práticas profissionais
Organização: Claudia Quadros, Kati Caetano e Álvaro Larangeira
Baixe aqui

e se tivéssemos um sistema deontológico?

Hoje, no Observatório da Ética Jornalística, assino um artigo em que defendo a concepção e implementação de um sistema deontológico para o jornalismo brasileiro. Esse tal sistema nada mais seria do que um conjunto de ferramentas e ações para fortalecer uma ética que ajude a redefinir nossa profissão. Mas por quê?, você pode perguntar. Eu respondo: acho que hoje em dia a definição dos contornos dessa atividade passa antes por vias deontológicas do que por jurídicas.

Quer saber mais? Vai lá no objETHOS!

 

 

 

“periódicos ufsc” novo em folha

O Portal de Periódicos da UFSC está de cara nova.
Com isso, todas as revistas passaram por uma “cirurgia plástica”, adotando novas folhas de estilo e menus de navegação. São 42 publicações científicas produzidas da universidade, todas usando o Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas (SEER), do Ibict, o que possibilita a consulta e leitura gratuita de todos os seus conteúdos.

A Estudos em Jornalismo e Mídia, do Mestrado em Jornalismo, também está no Portal de Periódicos UFSC. Aliás, a revista está com chamadas abertas para a próxima edição até 20 de abril. Estão sendo recebidos apenas artigos sobre o tema “Democracia e Regulação”, já que a comissão editorial está priorizando a tramitação desses textos junto aos avaliadores.

Veja a chamada aqui. Consulte as normas de formatação de texto aqui.

reflexões sobre jornalismo: ebook

Em internet, um lançamento de três meses se torna um evento jurássico. Mas mesmo correndo o risco de ser cobrado por isso, indico a leitura de Reflexiones sobre Periodismo, livro organizado pela sempre atenta Esther Vargas e por Sofía Pichihua. O livro eletrônico  foi lançado no penúltimo dia de dezembro, mal completou cem dias de vida, mas se mantém fresco e pulsante.

O ebook tem 23 páginas e reúne curtos textos de jornalistas e especialistas em comunicação sobre aspectos que são essenciais para se compreender o jornalismo atual e o que está por vir. Bem editado, é fartamente ilustrado, e merece a atenção de quem pensa e se interessa pelo turbilhão de coisas que chacoalha as nossas certezas.

Vá por aqui!

a andi se renova

Um dos projetos que mais admiro no Brasil na área do jornalismo é o da ANDI, uma organização não-governamental que desde o começo dos anos 1990 tem canalizado esforços para colocar em pauta na mídia os direitos da infância e da adolescência. De lá pra cá, a ANDI ajudou a modificar a cabeça das redações brasileiras quando o assunto é esse. E isso não é exagero.

As ações da ANDI qualificaram jornalistas para esse tipo de cobertura, criaram prêmios e incentivos de formação, aproximaram fontes especializadas de repórteres, produziram estudos e fizeram um monitoramento dos meios únicos do país, apontando falhas de reportagem e enaltecendo aspectos positivos. A agência também foi grande fomentadora de redes de cooperação, tanto no Brasil quanto na América Latina…

Pois desde ontem a ANDI já não é mais a mesma. É maior!
A organização colocou na rede um novo portal – mais dinâmico e funcional – e comunicou a ampliação de seu horizontes de preocupação. Se antes ANDI significava Agência de Notícias dos Direitos da infância, agora a sigla vira a marca ANDI Comunicação e Direitos. Mas não só: além da prevalência do assunto Infância e Juventude, outras duas bandeiras se colocam como prioritárias: Inclusão e Sustentabilidade; Políticas de Comunicação.

Para quem acompanha a ANDI, não se trata de uma novidade, mas de uma consequência natural do trabalho que já vinha se ampliando nos últimos anos, com a aproximação desses novos temas. Na verdade, como diz a cúpula diretiva, a ANDI amplia sua agenda em função de avanços da sociedade brasileira. Não é pouca coisa nesses poucos anos de redemocratização…

 

 

liberdade de expressão e autorregulação: novos livros

A representação da Unesco no Brasil lançou hoje três novas publicações sobre o sistema midiático brasileiro. Os textos foram produzidos em parceria com a Fundação Ford, e fazem parte da série Debates em Comunicação e Informação.

O Ambiente Regulatório para a Radiodifusão: uma Pesquisa de Melhores Práticas para os Atores-Chave Brasileiros, assinado por Toby Mendel e Eve Salomon, é uma análise da situação regulatória do sistema nacional em comparação com África do Sul, Alemanha, Canadá, Chile, França, Estados Unidos, Jamaica, Malásia, Reino Unido e Tailândia.

Liberdade de Expressão e Regulação da Radiodifusão, dos mesmos autores, reflete sobre “a centralidade da regulação para a proteção, a promoção e a garantia do direito de receber, buscar e transmitir informações, ideias e opiniões.

Andrew Puddephatt é o responsável por A importância da autorregulação da mídia para a defesa da liberdade de expressão que sintetiza as intersecções do tema com a prática do jornalismo, com os princípios editoriais e com as estratégias de Responsabilidade Social Empresarial.

ética para blogueiros

A definição de padrões de conduta para quem navega na web é um assunto bastante polêmico e recorrente. Desde o surgimento da grande rede, alguns cidadãos mais preocupados tentaram estabelecer algumas regras mínimas para uma convivência virtual. Surgiam as netiquetas, isto mesmo, no plural. Listinhas que tentam normatizar os comportamentos no ciberespaço existem aos montes, e de alguma maneira isso evoluiu para duas direções: a mais robusta delas é a das políticas de privacidade, algo mais institucional e corporativo e que tenta sinalizar ao visitante de um site alguns limites na sua interação com aqueles conteúdos e ambientes; uma segunda “evolução” das netiquetas são os códigos de conduta para blogueiros e redes sociais.

Já houve algumas tentativas de regramento das atitudes de blogueiros, mas todas elas ficaram ou muito restritas a grupos ou mostraram-se pouco eficientes. Trocando em miúdos: parece haver uma resistência maior da comunidade de usuários de estabelecer regras de conduta, receando que firmar um pacto como este possa “engessar” os blogs, cercear a ação de seus titulares.

Este medo é justificado? Talvez sim, mas não quero discutir isso agora. O que me interessa mesmo é trazer esse assunto à tona, já que ele me interessa bastante. Tanto como pesquisador da área quanto como blogueiro. E é aqui que eu queria chegar!

Códigos de ética para blogueiros são importantes? Podem ser.

São eficientes? Talvez.

São necessários? Ainda não sei, mas sei de uma coisa: não se pode conviver em grupo sem um conjunto mínimo de critérios e valores que sinalizem limites para os indivíduos. Sem isso, corremos o risco de atropelar as pessoas, ignorando aspectos importantes da sociabilidade humana. Não estou falando que todos os blogs devem seguir as mesma regras de ortografia, de distribuição visual de seus conteúdos, de oferecimento de links, etc.

Eu me refiro a aspectos mais profundos, a exemplo de valores como respeito a quem visita o blog, criatividade na oferta de conteúdos, inteligência na expressão de ideias, independência editorial, originalidade e inovação, entre outras coisas. Claro que cada um pode criar e manter o blog que bem lhe der na telha. Mas como qualquer meio de comunicação, um blog não pode descuidar daqueles que consomem seus conteúdos, que interagem com eles, que o replicam e por aí vai.

De maneira muito particular, tenho algumas regras no Monitorando:

a) Não reservo espaço para anúncios publicitários: tento “preservar” meu leitor da enxurrada de banners, pop-ups e outras interferências nos posts que tenham caráter comercial. A razão é muito simples: não ganha dinheiro com o blog e não tenho esta intenção. Ao me dedicar ao Monitorando, de alguma maneira, quero ter uma presença pessoal na web, estabelecer conexões com outras pessoas e ainda contribuir com algum conteúdo a este grande projeto de inteligência coletiva que é a web.
b) Não faço troca de links: o motivo é igualmente simples. Indicar um endereço na internet é como indicar um restaurante para um amigo, um hotel para um visitante, e por aí vai. Não pode ser qualquer indicação; é como empenhar a própria palavra. Existe uma responsabilidade embutida ali. Se alguém oferece um link, testo e vejo que vale a sugestão, indico, naturalmente. Mas trocar links não é só fazer uma ação entre amigos, é também estalecer uma reciprocidade compulsória, distante da espontânea indicação. Eu ainda prefiro a liberdade de escolher a quem indicar.
c) Não bajulo quem não mereça: as razões são as mesmas do item anterior.
d) Não ofereço links patrocinados: novamente, o que me desmotiva a fazer isso é a busca de uma independência editorial para o blog. Quero manter a liberdade que um blog me reserva. Nesta semana, por exemplo, fui procurado por um portal com a seguinte proposta: eu escreveria um post de até 300 palavras sobre um determinado assunto e me pagariam 25 euros por isso. Depois de escrever, eu deveria comunicar ao portal sobre o post, eles o cadastrariam e seria feito um vínculo entre meu post e o tal portal. Resumo da ópera: eu produziria conteúdo qualificado para o portal sobre o tal assunto e ganharia um dinheirinho. Declinei. Não se trata de pudor, não estou rasgando dinheiro, nem sou maluco. Mas é que prefiro escolher sobre o que escrever, quem linkar e quando fazê-lo. Prefiro ter a liberdade, inclusive, de citar esse caso, de falar abertamente sobre o tema. É uma questão de princípio, um

Sou melhor que os outros blogueiros? Claro que não.
O Monitorando é melhor que outros endereços por aí porque tem essas regrinhas? Claro que não, até porque os critérios que aferem qualidade são muito mais diversos, amplos e complexos.

Mas eu faço questão de criar limites para a minha conduta, de adotar essas regras e apresentá-las aos meus leitores. Acho mais honesto e franco, pois é nisso também que a internet se apoia, acredito eu. Mas mais importante que criar e seguir regras de conduta é pensar sobre elas. É nisso que consiste o raciocínio ético, é desta forma que se experimenta uma reflexão de caráter moral. Parece tão fora de moda, né? Mas que nada! Os valores e os princípios são uma necessidade da experiência humana, caminhos pelos quais nos aproximamos e nos afastamos uns dos outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

novos tuíters e blogueiros

Atualizei há pouco os mapeamentos que vimos fazendo sobre pesquisadores lusófonos da Comunicação que mantêm blogs e pesquisadores da área que estão no Twitter. A primeira lista já foi atualizada 45 vezes e agora tem 215 blogs de Brasil e Portugal. A segunda está na 40ª versão e conta com 360 tuíters.

Pesquisadores da Comunicação no Twitter: aqui

Lista lusófona de blogs da Comunicação: aqui