objethos está mais multimídia

A partir de hoje o site do Observatório da Ética Jornalística – objETHOS – oferece um novo serviço aos seus leitores: áudios de entrevistas com jornalistas sobre o tema da ética. A seção Ponto de Vista traz podcast produzido pelas repórteres do projeto, acompanhado de um slideshow. A entrevista de estreia é com a repórter Eliane Brum, que abriu a 9ª Semana de Jornalismo na UFSC.

O objETHOS é um projeto de pesquisa e extensão que coordeno no Departamento de Jornalismo junto com o professor Francisco José Karam. Nosso objetivo é desenvolver investigações científicas sobre o grande tema da ética no jornalismo, além de produzir conteúdos que possam servir de referência para profissionais, acadêmicos e demais pessoas que se interessem pelo assunto. O objETHOS surgiu há um ano e já conta com a valiosa parceria do Observatório da Imprensa.

Enquetes, pensatas, resenhas de filmes, artigos, comentários e análises podem ser acessados gratuitamente.
Passe por lá!

uma enciclopédia para a comunicação

A Intercom lançou neste mês, durante seu congresso nacional em Caxias do Sul (RS), o maior empreendimento editorial já produzido na área da comunicação. Não estou exagerando e me refiro ao primeiro volume – o dos Conceitos – da Enciclopédia Intercom de Comunicação. A obra envolveu mais de mil pesquisadores brasileiros na definição, escritura e padronização de verbetes durante mais de uma década, informou o coordenador dos trabalhos José Marques de Melo.

Outros dois volumes estão em produção: um de Autores e Escolas, e outro de Entidades e Processos.

Segundo a Intercom, a enciclopédia será lançada em versões digital (CD-ROM) e impressa.
Definitivamente, um lançamento muito bem-vindo para a área!

em nome do jornalismo: manifesto para a mudança

Em junho de 2005, um grupo de jornalistas e pesquisadores norte-americanos se reuniu no Centro Annenberg de Políticas Públicas da Universidade da Pensilvânia para pensar o jornalismo. Eles partiram de nove proposições, entre as quais o fortalecimento do papel de organizações sem fins lucrativos, a relação do jornalismo com a democracia, a liberdade de imprensa, governanças corporativas mais responsáveis e o papel do governo como regulador do setor.

A professora Geneva Overholser sistematizou as discussões, o que resultou no documento “On Behalf of Journalism: A Manifesto for Change”. Sim, eu sei. É um documento não tão recente, tem cinco anos. Sim, eu sei, ele se refere à realidade norte-americana.

Mas por que não conhecer uma publicação ainda tão atual e abrangente?
Baixe aqui.

últimos dias: jornalismo e políticas públicas

Vai até 20 de setembro o prazo de recebimento de artigos para a revista Estudos em Jornalismo e Mídia.
Serão priorizados na avaliação de nosso Conselho Editorial os textos que abordem o tema desta segunda edição do ano: Jornalismo e Políticas Públicas.
Publicação B3 no Qualis/Capes, a Estudos em Jornalismo e Mídia deve sair em dezembro.
Mais: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/index

capes divulga resultados da pós

A Capes informou hoje os novos conceitos de mais de 4 mil cursos de mestrado e doutorado no país.
Trata-se da famigerada “avaliação trienal” a que todo curso do tipo passa, e que leva em consideração sua proposta pedagógica, sua infra-estrutura e corpo docente, a produção intelectual e a formação dos pesquisadores a que se destina, entre outros aspectos.

Na área da comunicação, tivemos a ascensão de vários cursos, o que demonstra avanço e consolidação de algumas experiências.

Pela primeira vez, a área tem um curso 6 – os conceitos vão de 3 a 7 -: UFRJ.

São 5 os cursos da UFMG, UFRGS, Unisinos, PUC-RS, PUC-SP, PUC-RJ, UFBA e UFF. Entre os de nota 4, destacam-se os cursos da UFPE, UFSM, Metodista de São Paulo, UnB, Unesp, UTP, PUC-MG, UERJ e o Mestrado em Jornalismo da UFSC.

Veja todos os conceitos aqui.

amanhã começa a semana de jornalismo

Começa nesta segunda a nona edição da Semana do Jornalismo da UFSC.
O evento é concebido, organizado e promovido totalmente pelos alunos e traz para Florianópolis os maiores nomes da área no país.

Veja a programação:

Segunda-feira (13/09)
08h30 – 12h Minicursos (saiba +)
14h – 15h30 Exibição de documentários
17h30 – 19h Mesa “Coberturas extremas: jornalismo em situações de risco”
Convidados: Alberto Gaspar, Caio Guatelli e Letícia Silva
20h – 21h30 Palestra de abertura com Eliane Brum

Terça-feira (14/09)
08h30 – 12h Minicursos (saiba +)
14h – 15h30 Exibição de documentários
17h30 – 19h Mesa “Jornalismo esportivo: panorama e inovações”
Convidados: André Kfouri e Marcos Castiel
20h – 21h30 Palestra com Suzana Singer, ombudsman do jornal Folha de S. Paulo

Quarta-feira, 15/09
08h30 – 12h Minicursos (saiba +)
14h – 15h30 Exibição de documentários
17h30 – 19h Mesa “A opinião consentida: olhares sobre a crítica cultural”
Convidados: Jotabê Medeiros, Pablo Villaça e Bruno Moreschi
20h – 21h30 Palestra com Palmério Dória

Quinta-feira, 16/09
08h30 – 12h Minicursos (saiba +)
15h – 17h Mesa “Imprensa na contramão: quem vai salvar o jornal impresso?”
Convidados: José Luiz Longo, Octavio Guedes e Luís José Meneghim
17h30 – 19h Mesa “Repórteres de olho: investigação de escândalos políticos”
Convidados: Edson Sardinha, Lúcio Vaz e Paulo Alceu
19h30 Lançamento do documentário Impasse, sobre o transporte coletivo em Florianópolis  (no Auditório da Reitoria)

Sexta-feira, 17/09
14h – Palestra sobre a importância do Intercâmbio na Vida profissional com a World Study Intercâmbio Cultural
17h30 – 19h Mesa “Linguagens particulares: como escrever para públicos específicos”
Convidados: Nina Lemos, Jardel Sebba e Thiago Momm
20h – 21h30 Palestra com Xico Sá

A página oficial do evento é esta e você também pode acompanhar pelo Twitter.

11 de setembro de 2001: a notícia

Onde você estava em 11 de setembro de 2001?
O que estava fazendo quando soube do ataque às torres gêmeas?

Gerações inteiras responderão a essas perguntas por anos e anos. Se você passou por isso, sabe do que estou falando.
Se não sabe, não se lembra ou nasceu bem depois, veja como o telejornal mais influente do país deu a notícia.
É arrepiante.

um manual para jornalistas freelancers

Maurício Oliveira é um dos jornalistas mais talentosos com quem já trabalhei.
Talentoso e experiente, ele já passou por algumas das redações mais fervilhantes do jornalismo brasileiro. Há algum tempo, é um freelancer que não para em casa de tanto trabalho que lhe aparece. É como ele mesmo ensina: não se pode dizer “não” mais de uma vez para o mesmo contratante…

Pois o Maurício está anunciando que logo-logo as melhores e piores livrarias do país vão receber seu Manual do Frila, editado pela competente Luciana Pinsky, minha editora também na Contexto. Para ver do que trata o livro, veja o sumário; para ler a apresentação, vá por aqui.

jornalismo e políticas públicas: chamada

Só pra lembrar!!!
Informo que continua aberto até 20 de setembro o prazo de recebimento de artigos para a revista Estudos em Jornalismo e Mídia.
Serão priorizados na avaliação de nosso Conselho Editorial os textos que abordem o tema desta segunda edição do ano: Jornalismo e Políticas Públicas.
Publicação B3 no Qualis/Capes, a Estudos em Jornalismo e Mídia deve sair em dezembro.
Mais: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/index

quadrinhos, jornalismo, teoria e arte nacional

Três notas rápidas que se cruzam num mesmo assunto: histórias em quadrinhos.

  • Quadrinhos e Jornalismo: acontece amanhã, às 14h30, no Mestrado em Jornalismo da UFSC a defesa da dissertação “Imagem, narrativa e discurso da reportagem em quadrinhos de Joe Sacco”, de Juscelino Neco de Souza Júnior. O trabalho é uma vigorosa leitura das narrativas do jornalista maltês que inaugurou um novo gênero na área: a reportagem em quadrinhos. Tendo como base o filósofo Michel Foucault, a dissertação transita pelo jornalismo, pelas artes visuais e pelo cinema. O trabalho foi orientado pela professora Gislene Silva. Acompanhe a transmissão ao vivo aqui.
  • Quadrinhos e Teoria: alunos da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA) estão produzindo histórias em quadrinhos eletrônicas, com recursos multimídia, e apoiados no conceito de modernidade líquida do teórico Zygmunt Bauman. A “Equipe do PH” surgiu no Laboratório de Jornalismo Digital e Novas Mídias e teve orientação da professora Kalynka Cruz. Conheça o site, leia e baixe em formato PDF.
  • Quadrinhos no Brasil: junte um jovem escritor premiado e um cartunista criativo desde o útero. Misture tudo e agite antes de ler. O resultado é “Cachalote”, que está nas livrarias brasileiras e se revela o lançamento brasileiro do ano em termos de quadrinhos. O livro de quase 300 páginas reúne cinco histórias que não se cruzam, mas que se entremeiam e que envolvem o leitor. Os enredos são de Daniel Galera e os desenhos de Rafael Coutinho. O primeiro escreveu o excelente “Cordilheira”. O segundo não bastasse ter talento e traço marcante, é filho de Laerte. Se gostei? Sim. Bastante. “Cachalote” vale ler, ter e estudar. E a baleia onírica, fantástica, misteriosa é uma poderosa metáfora da felicidade.

paraná faz encontro de pesquisa em jornalismo

jornalismo em transformação: uma revista

A editora Beatriz Becker avisa que já está disponível mais uma edição da Brazilian Journalism Research, a revista bilíngue da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). O tema que dá unidade à publicação é “Jornalismo em Transformação: Desafios Metodológicos e Epistemológicos”.

A conferir: versão original em inglês (aqui) e versão traduzida (aqui)

jornalismo, mercado de trabalho e novas funções

Estou em Caxias do Sul (RS) para uma participação relâmpago no 33º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, promovido pela Intercom. A convite do professor Felipe Pena, da UFF, compus com outros colegas uma mesa que discutiu hoje à tarde as novas funções profissionais na atividade jornalística.

Por conta da GOL, cheguei cinco horas atrasado na cidade. Meu roteiro inicial era estar por aqui às 10h30 e só fui botar os pés na Universidade de Caxias do Sul às 15h45. Detalhe: a mesa começou seus trabalhos às 14 horas. Por simpatia e benevolência dos colegas da mesa e da plateia atenta, tive 10 minutinhos para falar, antes que a sessão terminasse. Mas disse aos presentes que deixaria neste blog a íntegra do texto que embasou a minha fala e que não está disponível nos anais do evento.

Promessa feita, promessa paga!

intercom 2010: programação total

Se você está pensando em ir ao Congresso da Intercom em Caxias do Sul e quer se planejar, baixe agora o livro com a programação (tem mais de 400 páginas!!!). Se você não pretende ir, mas ficou curioso, baixe também e acompanhe o que estará em jogo. Se você não pretende e nem se interessa por esse assunto, por que leu este post até aqui???!!

Siga o evento pelo blog ou pelo twitter.

os 10 piores defeitos dos jornalistas

  1. Faltar com o rigor ou a ética.
  2. Acreditar que é o único que conhece “a verdade”.
  3. Achar que é infalível.
  4. Pertencer a uma falsa elite de “jornalistas medalhões”.
  5. Criar manchetes a partir de perguntas capciosas.
  6. Autocensurar-se por vários motivos.
  7. Acreditar que é juiz ou salvador.
  8. Confiar demais nas fontes.
  9. Esquecer que seu objetivo principal é informar as pesssoas.
  10. Acomodar-se em recursos fáceis como o “copia-e-cola” ou “google”.

Calma. A lista não é minha.

A jornalista Esther Vargas conta que a lista surgiu a partir da pergunta “Qual é o principal defeito de um jornalista?”, lançado na página Clases de Periodismo no Facebook.

Você concorda ou discorda? Antes, conheça a lista inteira.

ética na pesquisa: um guia para a comunicação

Embora sejam fundamentais, os aspectos éticos na pesquisa científica ainda são insuficientemente tratados. Pelo menos, a meu ver. Acho que discutimos muito mais questões metodológicas e conceituais, e deixamos a terceiro ou quarto plano o debate que envolve pensar a conduta do pesquisador em ato, a sua relação com as fontes de financiamento, e o seu trato com os sujeitos da pesquisa. Digo isso com base na observação de colegas, na leitura de relatórios de pesquisa e na de artigos resultantes dos estudos. Digo isso olhando para os lados e para o próprio umbigo. Discutimos pouco a ética da pesquisa científica, e na área da Comunicação, isso se repete.

Por isso, uma boa pedida é ler o Código de Boas Práticas que a International Communication Association, editou em junho passado. A publicação está disponível no site da entidade (e pode ser baixado aqui), e traz preocupações sobre um aspecto: como usar material protegido por direitos autorais. Sim, eu sei que este aspecto é muito polêmico, até por conta das discussões em torno de novos regimes de autoria com a internet e os movimentos por flexibilização de direitos em todas as partes. Sei também que este é um aspecto diminuto dentro do universo de discussão da ética científica, mas vale conhecer e criticar.

A publicação está em inglês, em formato PDF, tem 18 páginas e seu arquivo pesa quase nada: 233 Kb…

webreportagem especial: uma dissertação

Amanhã, sexta (27), acontece a defesa da dissertação “Análise do especial multimídia Cayucos: um estudo de caso”, de Andréa Aparecida da Luz, aqui no Mestrado em Jornalismo da UFSC. O trabalho é orientado pela professora Raquel Ritter Longhi (com co-orientação de Mauro César Silveira), e tem na banca avaliadora os professores Luciana Mielnickzuk (UFSM) e Orlando Tambosi (UFSC), além de mim.

A dissertação se debruça sobre um especial multimídia que o Clarín fez sobre africanos que se aventuravam em barcos (os cayucos) para chegar até a Europa via Ilhas Canárias.

A defesa acontece às 14h30 na sala de videoconferência, Bloco B do CCE.
Se você não estiver por aqui e quiser acompanhar,veja a transmissão ao vivo aqui.

sonia bridi, a ufsc e a semana do jornalismo

A jornalista Sonia Bridi esteve na UFSC há dois dias para uma palestra e o lançamento da Semana Revista, publicação que é um aperitivo do que vai acontecer na 9ª Semana do Jornalismo. Bridi, que fez jornalismo na UFSC, é repórter especial da TV Globo, e foi correspondente da emissora na China, na Europa e nos Estados Unidos.

A 9ª Semana de Jornalismo é um evento totalmente organizado e produzido pelos alunos do Jornalismo/UFSC. Tradicionalmente, traz grandes nomes da área em escala nacional. Alguns destaques deste ano são Eliane Brum, Xico Sá, Suzana Singer, Palmério Dória, André Kfouri, Alberto Gaspar e Jotabê Medeiros.

A programação completa – palestras, minicursos e debates – pode ser encontrada aqui.

jornalismo em rede, e redes sociais no jornalismo convencional

Os grupos de mídia brasileiros demoram pra se mexer.

O jornal mais influente do país – a Folha de S.Paulo – só foi perceber que as mídias sociais podem ajudar seus canais convencionais de jornalismo há pouquíssimo tempo. Com isso, há três meses apenas, criou a função de editor de mídias sociais, cargo para coordenar ações nesses vetores. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, os britânicos não só absorvem o poder das redes há mais tempo como já dispõem de estudos interessantes para gestores, jornalistas e estudiosos. Cito dois casos bem recentes e cujos resumos executivos que podem ser lidos rapidamente. Em “The value of networked journalism“, Charlie Beckett avalia como o jornalismo praticado em rede já faz parte da mídia mainstream da Inglaterra e como ele agrega valores para os meios convencionais. A publicação tem 20 páginas, e é resultante de uma conferência que reuniu o BBC College of Journalism, o Channel 4 TV, entre outros, em junho passado

Já “Accountability through Social Media at the BBC“ é um resumo de um trabalho assinado pela Unthinkable Consulting e data de abril deste ano. A empresa avalia e sugere ações de como a poderosa BBC deve atuar com transparência em redes e mídias sociais. A publicação tem quatro páginas, e as preocupações ali esboçadas poderiam ser parcial ou integralmente assimiladas pelos grupos de mídia brasileiros…

(as dicas vieram de @agranado)

três revistas recebem textos

Se você tem artigos científicos prontos ou em fase de preparação e se atua na área da Comunicação, anote as oportunidades:

  • A revista Intexto receberá até o dia 27 de setembro artigos e  resenhas das áreas da Informação e Comunicação para a segunda edição  de 2010. Os trabalhos deverão ser submetidos pelo SEER  (http://www.seer.ufrgs.br/index.php/intexto ) mediante cadastro do(s)  autor(es). A revista está qualificada como B-2 no sistema Qualis de Periódicos da CAPES.
  • A revista Ciberlegenda, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (PPGCOM-UFF), recebe textos para publicação em outubro-novembro de 2010. O número estará dedicado ao tema “Mídia e América Latina”. Deadline em 07 de setembro de 2010. Mais informações em http://www.proppi.uff.br/ciberlegenda
  • A revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do PosJor/UFSC, está com chamadas abertas para a sua próxima edição, cujo tema é “Jornalismo e Políticas Públicas”. O número é referente ao segundo semestre de 2010, e a revista deve sair em dezembro. Qualis da revista: B3
    Prazo para submissão:
    20 de setembro de 2010
    Mais:
    http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/index
    Veja como formatar seu artigo: aqui

e agora, não é censura?

O 8º Congresso Brasileiro de Jornais terminou na semana passada com a sinalização de que a entidade maior do setor, a ANJ, criará até o final do ano um conselho de autorregulamentação. Segundo a presidente da associação nacional, Judith Brito, o órgão deve ter sete membros e vai se ocupar da aplicação do código de ética da entidade. A notícia faz lembrar a ruidosa discussão de seis anos atrás, quando a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defendeu a criação de um Conselho Federal de Jornalistas. Em 2004, a proposta causou grande polêmica, dividindo a categoria e espalhando mal estar no mercado.

O cenário cindido tinha de um lado, a defesa da necessidade de um órgão que pudesse regular a atividade jornalística, observando regras de acesso à profissão e aplicando o código de ética da categoria. No outro lado, havia o medo de que a a instância se tornasse um instrumento de censura ao jornalismo. O fato é que a ideia do Conselho Federal de Jornalistas foi rechaçada, muito por conta de uma ampla campanha que promoveu o terror na sociedade: um grupo de sindicalistas iria censurar os meios de comunicação! O resultado foi o arquivamento da proposta e a perda de uma oportunidade história para se discutir limites éticos e práticos para o jornalismo nacional.

Agora, uma ideia semelhante vem à tona. Não é preciso ir muito longe para ver que a proposta de um conselho de autorregulamentação dos jornais tem parentescos com a do Conselho Federal de Jornalistas. Há preocupações legítimas de se garantir a ética nos negócios e a responsabilidade social dos jornais. Mas o que causa surpresa é que, agora, não se rotula a proposta de censora, inibidora da liberdade de expressão no setor. Ora, o que mudou em seis anos? O conceito de liberdade de imprensa se modificou? O jornalismo se tornou mais livre desde então? Foram definitivamente afastadas as tentações de centralização da opinião e de controle da informação?

Nada disso. Os contextos atual e o de 2004 são bem semelhantes: o jornalismo ainda continua sua luta cotidiana em prol da pluralidade e da liberdade de informação e opinião; o jornalismo mantém seu compromisso com a democracia, na defesa do direito e no atendimento ao interesse público; o jornalismo continua sendo hostilizado por governos, empresas e cidadãos comuns que não se conformam com sua função fiscalizadora. O que distingue 2004 de 2010 é a cada vez mais evidente constatação de que o cenário da comunicação está em transformação acelerada, e que os jornais impressos em particular precisam se reposicionar no mercado; que precisam se reinventar para dividir a atenção e as verbas publicitárias com os meios eletrônicos e instantâneos; que não podem se acomodar sob pena de não sobreviverem. Isto é, motivações muito mais econômicas que políticas orientam a Associação Nacional dos Jornais a retomar um papel de protagonismo – já que essa expressão está tão em moda – no ecossistema informativo brasileiro. Os jornais querem manter seu prestígio junto a camadas sociais influentes; querem sobreviver e prosperar. E para fazê-lo é imperativo que se reaproximem da sociedade, que se reposicionem politicamente, empunhando bandeiras que são estratégicas, legítimas e populares, como a qualidade e a ética.

Um conselho de autorregulamentação para os jornais, gerido pela entidade empresarial do setor, é legítimo e é bem-vindo. Assim como um conselho federal para a categoria, a exemplo de entidades classistas que aproximem as profissões com a sociedade, como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil ou do Conselho Federal de Medicina. A sociedade precisa de órgãos ou instrumentos que promovam a ética e os valores, que incentivem a qualidade de produtos e serviços, que defendam os direitos individuais – como a privacidade e a liberdade de opinião – e os direitos coletivos – como o direito de ser bem informado. Não se trata aqui de defender um burocratismo que se apoie em entidades, conselhos, comitês que mais emperram que facilitam a vida do cidadão comum. Trata-se mais de promover o surgimento de iniciativas que possam se constituir em instrumentos verdadeiros e efetivos que auxiliem os públicos no consumo crítico das informações e do entretenimento.

Por isso, acho uma boa ideia a do conselho de autorregulamentação da ANJ. Como defendi claramente a existência de um Conselho Federal dos Jornalistas, proposta pela Fenaj. Aliás, penso que as duas entidades e outras ligadas às comunicações poderiam se aproximar mais em algumas lutas em comum. A ética no jornalismo preocupa também à Associação Nacional dos Editores de Revista (ANER), ao Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações (FNDC), à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) ou à sua irmã, a Abra, entre outras entidades. Um bom primeiro passo pode ser dado na discussão e elaboração de um código de ética comum a elas. Durante a Conferência Nacional de Comunicação, em dezembro do ano passado, foi aprovada uma resolução para um Código de Ética do Jornalismo, primeiro documento que seria chancelado tanto por jornalistas quanto por empresas, que teria força de lei e que seria mais efetivo que os acordos deontológicos hoje tão segmentados.

Esta é uma proposta que a ANJ poderia abraçar agora já que está tão disposta a promover a ética jornalística…

mais um evento da comunicação em 2011

Edgar Rebouças, diretor de Relações Internacionais da Intercom, manda avisar:

Com o tema “A centralidade da comunicação”, a Associação Internacional de Comunicação (ICA) abriu a chamada de trabalhos para seu próximo congresso anual, que será realizado entre 26 e 30 de maio de 2011, na cidade de Boston, nos Estados Unidos. As informações estão no site www.icahdq.org e os textos completos devem ser enviados online entre 15 de setembro e 1º de novembro de 2010.

A ICA tem 24 divisões e grupos de interesse. Baixe aqui as ementas.

A diretoria de Relações Internacionais da INTERCOM se coloca à disposição para orientar os pesquisadores brasileiros.
O e-mail é international@intercom.org.br .

(Mais eventos de Comunicação em 2011 aqui)

perspectivas da comunicação digital, o livro

As pesquisadoras Maria Clara Aquino, Sandra Montardo e Adriana Amaral lançam durante o Intercom, em setembro, o e-book Intercom Sul 2010: perspectivas da pesquisa em comunicação digital, obra que reúne alguns dos estudos mais importantes na área da cibercultura no país e que vem reforçar a bibliografia nacional. O prefácio é de Fátima Reges, professora da UERJ.

Quer uma prévia? Veja o Sumário:

Introdução – Adriana Amaral (Unisinos), Maria Clara Aquino (ULBRA/UFRGS) e Sandra Montardo (Universidade Feevale)

Parte 1 – Lugares, ciberespaço e mobilidade

Neo-pragmatismo no ciberespaço – Hans Peder Behling (UNIVALI/FURB)

Em Busca do Território Virtual: dos Lugares Concretos para os Lugares Virtuais – Rebeca Recuero Rebs (Unisinos)

Jornalismo colaborativo: uma leitura do imaginário de Porto Alegre através da plataforma Locast – Ana Cecília Bisso Nunes, Priscilla Guimarães e Eduardo Campos Pellanda (PUCRS)

Novas tecnologias móveis: aspectos sobre o leitor e as redes sociais na Pós-modernidade – Sandra Henriques (PUCRS)

Parte 2 – Identidades, informação, jogos on-line e moda nos sites de redes sociais

Sujeito Pós-moderno, Identidade Múltipla e Reputação nas Mídias Sociais – Sandra Bordini Mazzocato (PUCRS)

Do Boato à Notícia: Considerações sobre a Circulação de Informações entre Twitter e Mídia Online de Referência – Gabriela Zago (UFRGS)

Das folhas de papel para o universo digital: o jogo “Stop” agora em game on-line – Marcos Leivas (UCPEL)

Desfiles de Moda na Era da Informação – Cynthia Hansen (IBES/UNIFEBE) e Hans Peder Behling (Univali/FURB)

Moda enredada: um olhar sobre a rede social de moda LookBook.nu – Daniela Hinerasky (PUCRS/UNIFRA) e Elisa Fonseca Vieira (UNIFRA)

Parte 3 – Blogosfera e cenários de convergência no jornalismo e na televisão digital

Estudo sobre a autoria dos 50 blogs brasileiros mais populares de 2009 –Laura Andrade e Alex Primo (UFRGS)

Cenário de convergência, impactos no webjornalismo e o caso Clarín.com – Andréa Aparecida da Luz (UFSC)

O uso do Hipertexto em Blogs de Jornais Online – Paolla Wanglon (UFSM)

A Colaboração entre jovens viabilizada pela Internet: uma análise dos casos Harry Potter e The Sims – Erick Beltrami Formaggio (IBGEN) e Mariana Corrêa de Oliveira (UFRGS)

Que TV é essa que agora tem de transmissão digital? Como ficam as especificidades da televisão em um ambiente de convergência – Simone Feltes (UNISINOS)

De I Love Lucy à Lost: Aspectos Históricos, Estruturais e de Conteúdo das Narrativas Seriais Televisivas Norte-Americanas – Maíra Bianchini dos Santos (UFSM)

Parte 4 – Conhecimento e comunicação organizacional na Web

Podcast: O Universo Midiático em Sala de Aula – Daniele Cristina Canfil, Diana Rocha e Camila Candeia Paz Fachi – (UnC – Concórdia)

Arquitetura da participação, construção de conhecimentos e ecologia cognitiva na web 2.0 – Aline de Campos (UFRGS)

Comunicação Organizacional Multimídia: um estudo de Websites Universitários – Giane Fabrine Stangherlini, Taís Steffenello Ghisleni e Angela Lovato Dellazzana (UNIFRA)

Redes Sociais na internet como ferramenta de gestão de relacionamento entre empresa e consumidor do ramo alimentício – Caroline Dias da Costa (FEEVALE)

Comunicação Corporativa Digital via Twitter: uma Leitura Funcionalista – Andressa Schneider, Nadia Garlet e Elisângela Mortari (UFSM)

os jornais e as eleições: cartilha grátis!

A campanha eleitoral já começou pra valer. As alianças foram fechadas, debates estão acontecendo e os candidatos já saíram às ruas. Na semana que vem, tem início o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, e aí a coisa pega fogo. Como a mídia é o principal palanque, diversos veículos de comunicação têm normas específicas para este período. Entre os jornais, até mesmo a associação nacional (ANJ) produziu e vem distribuindo uma cartilha para orientar as empresas do setor. Vale a pena conhecer.

Clique aqui pra baixar!

mais duas chamadas para revistas

Existe um mantra entre os cientistas: “Publish or Perish!”
Isto é, quem não publica está frito.

Por isso, se interessar, corra atrás dessas duas chamadas de texto de revistas científicas da área:

Comunicação & Inovação, revista científica do mestrado em Comunicação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, informa que receberá até 30 de setembro de 2010 artigos e resenhas para a edição de n.21, referente ao segundo semestre de 2010.
Para formatar: http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_comunicacao_inovacao/index
Se tiver dúvidas, escreva para: gino.giacomini@uscs.edu.br

Comunicação & Sociedade, revista da Universidade Metodista de São Paulo, comunica o lançamento do número 53 e anuncia que está recebendo textos inéditos para as suas próximas edições.
Mais informações em: http://www.metodista.br/comunicacao.sociedade

(E não se esqueça desta chamada aqui)

intercom divulga programação

A Intercom divulgou ontem a programação das principais atividades do seu Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, que acontece de 2 a 6 de setembro em Caxias do Sul (RS). Confira e programe a agenda…

INTERCOM JÚNIOR

DT1 – Jornalismo
DT2 – Publicidade e Propaganda
DT3 – Relações Públicas
DT4 – Audiovisual
DT5 – Comunicação Multimídia
DT6 – Interfaces Comunicacionais
DT7 – Comunicação, Espaço e Cidadania
DT8 – Estudos Interdisciplinares da Comunicação

GRUPOS DE PESQUISAS

DT 1 – Jornalismo
GP Gêneros Jornalísticos
GP História do Jornalismo
GP Jornalismo Impresso
GP Teoria do Jornalismo
GP Telejornalismo

DT 2 – Publicidade e Propaganda
GP Publicidade – Epistemologia e Linguagem / Marcas e Estratégias / Propaganda política

DT 3 – Relações Públicas e Comunicação Organizacional
GP RP e Comunicação Organizacional

DT 4 – Comunicação Audiovisual
GP Cinema
GP Ficção Seriada
GP Fotografia
GP Rádio e Mídia Sonora
GP Televisão e Vídeo

DT 5 – Multimídia
GP Cibercultura
GP Conteúdos Digitais e Convergências Tecnológicas

DT 6 – Interfaces Comunicacionais
GP Comunicação e Culturas Urbanas
GP Comunicação e Educação
GP Comunicação e Esporte
GP Comunicação, Ciência, Meio Ambiente e Sociedade
GP Produção Editorial

DT 7 – Comunicação, Espaço e Cidadania
GP Comunicação e Desenvolvimento Regional e Local
GP Comunicação para a Cidadania
GP Geografias da Comunicação
GP Mídia, Cultura e Tecnologias Digitais na América Latina

DT 8 – Estudos Interdisciplinares
GP Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura
GP Políticas e Estratégias de Comunicação
GP Folkcomunicação
GP Semiótica da Comunicação
GP Comunicação, Turismo e Hospitalidade
GP Teorias da Comunicação

PUBLICOM

Lançamento de livros

COLÓQUIO

Colóquio Brasil-Estados Unidos

ex-hacker existe?

Ao final da leitura de “Watchman – a vida excêntrica e os crimes do serial hacker Kevin Poulsen”, uma pergunta me martelou a cabeça: as pessoas podem mudar tanto assim?

Não que a biografia assinada pelo jornalista Jonathan Littman tenha me levado a pensar nisso. O livro conta como um adolescente norte-americano pacato, tímido e muito hábil se torna uma espécie de Inimigo Público Nº 1 nos Estados Unidos no começo dos anos 1990. Na década anterior, Kevin Poulsen era um gênio que se aventurava a hackear comunicações telefônicas, e em seguida passou a operar computadores se convertendo num impetuoso invasor de sistemas, acusado pelo FBI inclusive de espionagem.

Poulsen foi também o primeiro hacker a cumprir uma pena de prisão por seus atos – quase cinco anos atrás das grades – e ficou fora de circulação justamente no período em que a internet fervilhava, e novas gerações de hackers apareciam.

Mas como eu disse, não foi a leitura de sua biografia que me chacoalhou tanto. Foi juntar seu passado com sua atuação no presente. Poulsen deixou a cadeia em 1996, e passou a trabalhar com segurança online. Sua empresa chegou a ser adquirida pela gigante Symantec, e hoje Kevin Poulsen é ninguém menos que um dos editores-sêniores da Wired, a mais influente revista de tecnologia do mundo. O que é ter um ex-hacker na redação? O que teria feito com que Poulsen deixasse a adrenalina de seu cotidiano para “baixar a bola” e trabalhar com jornalismo? O tempo nos presídios o regenerou?

Na CampusParty deste ano, a organização trouxe Kevin Mitnic, outro lendário ex-hacker que cumpriu pena, deixou o “lado negro da força” e virou consultor de segurança. Assim como seu xará, Poulsen deixou tudo pra trás?

Alguém já me disse que “uma vez hacker, sempre hacker”. Isso porque o negócio nessa atividade não é dinheiro nem fama, mas entusiasmo pelo risco, respeito dos pares e outros valores de uma ética muito particular. Aliás, foi por conta da ética hacker que cheguei à biografia de Poulsen e venho estudando outros textos. Minha pesquisa sobre novos valores éticos que poderiam contagiar a prática jornalística esbarra na ética hacker e na presença de outros atores no cenário comunicativo contemporâneo. Mas a dúvida persiste: existe ex-hacker?

O que você acha?

prepare-se para eventos de comunicação em 2011

Já estão marcados uma série de eventos científicos da área da Comunicação e do Jornalismo. Se você é do tipo planejado, organizado ou precavido, prepare-se para 2011. Se é do tipo esquecido, desorganizado e que deixa pra última hora, também anote. E se souber de mais algum, ajude a ampliar esta lista.

Abril

12º Simpósio Internacional de Jornalismo Online – Austin, EUA: Universidade do Texas

Fórum Regional Sul de Professores de Jornalismo – Chapecó, SC: Unochapecó

8º Encontro Nacional de História da Mídia – Guarapuava, PR: Unicentro

Maio

Intercom Sul – Londrina, PR: UEL

Congresso da Associação Internacional de Comunicação – Boston (EUA)

Junho

Compós – Porto Alegre, RS: UFRGS

Julho

IAMCR – Istambul (Turquia)

Agosto

Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana – São Paulo, SP: USP

Setembro

Intercom – Recife, PE: Unicap

Novembro

9º SBPJor – Rio de Janeiro: UFRJ

congresso mundial de comunicação em são paulo

Daqui a exatamente um ano acontece na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP o 1º Congresso Mundial de Comunicação Ibero-americana, um evento da Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação.

O Confibercom se dará de 3 a 6 de agosto de 2011, e sua programação é alusiva ao “bicentenário do processo de descolonização ibero-americana”. O tema do congresso será “Ibero-América em tempo de comunicação globalizada”.

Mais informações em breve…

fenaj homenageia lage e herz

Um dos últimos atos da gestão de Sérgio Murillo de Andrade à frente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) será conceder comendas da entidade a dois jornalistas de âmbito nacional: Nilson Lage e Daniel Herz. As homenagens acontecerão durante o 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, de 18 a 22 de agosto, em Porto Alegre (RS).

Lage é um dos nomes mais influentes do meio acadêmico no Jornalismo, com obras reeditadas há décadas, e com uma trajetória que permanece nítida e bem pavimentada mesmo depois de sua aposentadoria compulsória em 2006. Para Daniel Herz, a homenagem é póstuma, já que o jornalista, acadêmico e militante pela democratização da mídia morreu em maio de 2006.

O tema do 34º Congresso Nacional dos Jornalistas é “O jornalismo a serviço da sociedade e a defesa da profissão”.