sbpjor já recebe trabalhos para o prêmio adelmo genro

Já estão abertas as inscrições para a quinta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. O PAGF 2010 é uma promoção da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2009 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria – Sênior – é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.

Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br

As inscrições vão até 30 de julho, e os resultados têm anúncio previsto para outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Luís, Maranhão.

Conheça o Regulamento do PAGF 2010

saramago na 1ª página

Um rápido panorama das edições de hoje nos principais jornais portugueses:

O Público

Diário de Notícias

Jornal de Notícias


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mídia e qualidade: indicadores

Acaba de sair há pouco a tradução para o português de um importante documento internacional sobre comunicação e qualidade. Trata-se dos Indicadores de Desenvolvimento da Mídia, publicação produzida e organizada no âmbito da Unesco, reunindo a expertise de profissionais e estudiosos do mundo inteiro.

Vale a leitura do documento. Merece o debate que ele enseja…

Baixe: http://unesdoc.unesco.org/images/0016/001631/163102por.pdf

a morte no jornal e o jornalismo ferido

Uma reportagem cotidiana sobre um crime banal vem causando algum alvoroço nas redes sociais e em listas eletrônicas por aí. Assinada por Afonso Benites e publicada em 28 de maio passado na Folha, a matéria provoca mal estar por conta de dois trechos que, de jornalísticos, nada têm. Leia, com meus grifos:

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90). Era dia de promoção —a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.

As queixas que colhi por aí são de duas naturezas: técnicas e éticas. Em alguns comentários, elas se fundem. Mas de maneira geral, as reclamações se resumem a três:

  • A Folha de S.Paulo estaria fazendo merchandising no meio de uma peça jornalística, contrariando uma antiga divisão de territórios no terreno da comunicação e no interior do próprio negócio das notícias: jornalismo de um lado e publicidade de outro. É a velha separação Igreja-Estado, dois poderes na sociedade que devem se respeitar, conviver em relativa harmonia e preservar suas autonomias, sem mútua intervenção.
  • A Folha de S.Paulo estaria banalizando a violência urbana na medida em que notícias policiais estariam se prestando a veicular informações de cunho publicitário. Pouco importam as três vítimas esfaqueadas no hipermercado. Interessa mais é aproveitar a situação para evidenciar produtos e promoções.
  • A Folha de S.Paulo teria ultrapassado o limite do mau gosto, do respeito à vida alheia, tripudiando com perigosa ironia o fato noticiado e suas circunstâncias.

Confesso que a leitura da matéria me causou um tremendo estranhamento. Não me soou bem, me pareceu sarcástica, oportunista (no sentido mais arrivista), infeliz. Quis me manifestar nas listas eletrônicas, mas me contive. Optei por sentir as reações e em todos os casos foram críticas, quando não raivosas.

Um dos poucos a escrever um pouco mais serenamente sobre o caso foi Marcelo Träsel, que oferece uma interpretação do caso. Entre outros aspectos, ele não vê publicidade descarada na matéria e o crime maior está em como o jornalismo se alimenta de assassinatos e outros delitos para se prevalecer. “A meu ver, a sociedade não perderia nada se as histórias policiais fossem simplesmente banidas dos noticiários”, escreve Träsel. Pelo que pude entender, o autor exime o repórter da responsabilidade sobre o produto final, concede-lhe o benefício da dúvida, mas não poupa a indústria que se nutre do sangue.

Penso ligeiramente diferente. A indústria é implacável e muitas vezes se alimenta de crimes, de escândalos, de polêmicas para engordar seu noticiário, hipertrofiar sua audiência. Mas repórteres, redatores e editores também têm lá suas responsabilidades. No processo de produção jornalística, muitas mãos moldam, alteram e às vezes descaracterizam o texto original. O produto final pode ser muito diferente do que saiu do teclado do repórter, e responsabilidade se dilui. Mas não evapora. Dar o benefício da dúvida ao repórter é sensato pois faz prevalecer o princípio da presunção da inocência.

Mas o fato é que os elementos que causam estranhamento no texto de Afonso Benites poderiam ter sido simplesmente suprimidos. Por uma razão mais do que simples: não são jornalisticamente informativos. Basta voltar ao parágrafo e lê-lo sem os trechos grifados. Algo essencial fica de fora? Não, não fica. Essas sobras não têm estatuto jornalístico, mas contém informações que realçam características comerciais do produto – a faca – e da situação – um dia de uma promoção específica no hipermercado.

Por isso que o episódio inspira debates em torno da ética jornalística. A inserção na reportagem dos trechos grifados adiciona também elementos que contrariam o que convencionamos esperar do jornalismo. Ele é composto por informações que se orientam por interesses coletivos e públicos, e não por interesses de grupos e motivações primordialmente mercantis. Não porque o jornalismo seja melhor que a publicidade ou porque esteja acima do capitalismo. Mas porque o jornalismo se balize por valores que o aproximem mais da democracia do que do mercado. Historicamente, o jornalismo se desenvolveu como uma tecnologia social para as comunidades que servia. Na medida em que se aprimorava, a imprensa construiu em torno de si um conjunto de práticas que a credenciava como fiscal dos poderes, denunciadora de abusos, defensora da livre expressão e do pluralismo no pensamento. A sociedade foi delegando tais funções ao jornalismo, e este foi tecendo para si uma frágil, mas importante teia de sustentação: finalidade pública, função social.

O mal estar que senti ao ler a matéria de Afonso Benites – e pelo jeito não fui o único – é o sintoma do descolamento entre o que se vê no jornalismo e o que dele se espera. É o desvio de função que nos faz torcer o nariz. É uma indisfarçável sensação de estar sendo traído que nos preocupa, que nos indispõe.

O ruidoso episódio na Folha não mata o jornalismo, mas provoca uma incômoda ferida. Ela pode evoluir, arder, infeccionar. Mas também pode secar e cicatrizar. Qualquer diagnóstico é apressado… Irônico é perceber que não foi a faca quem feriu o jornalismo, mas o seu preço estampado na matéria.

sua pesquisa pode valer um prêmio

Já estão abertas as inscrições para a quinta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. O PAGF 2010 é uma promoção da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2009 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria – Sênior – é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.

Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br

As inscrições vão até 30 de julho, e os resultados têm anúncio previsto para outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Luís, Maranhão.

Conheça o Regulamento do PAGF 2010

o futuro do jornalismo na visão dos jornalistas

A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) promoveu de 25 a 28 de maio seu congresso mundial, cujo tema foi “Empregos, Ética e Democracia”. Se você, como eu, não estava em Cádiz (Espanha) nesses dias e se interessa pelo assunto, vá ao hotsite do evento, acompanhe as (raras) postagens no Twitter ou ainda assista aos vídeos no Canal Vimeo.

Interessante também é conferir o documento “Informe sobre o futuro do jornalismo”, onde são reunidas ideias em torno das muitas mudanças na profissão, no mercado e na própria organização classista dos jornalistas. Para sindicalistas ou não.

mestrado em jornalismo: os selecionados

Acaba de sair o edital com os selecionados para a próxima turma do Mestrado em Jornalismo da UFSC.

Inicialmente, eram 56 candidatos às vagas, e as etapas de seleção aprovaram 18 nomes. Os candidatos apresentaram propostas de pesquisa, fizeram provas de conhecimentos específicos e de língua inglesa e ainda foram entrevistados pelos professores do programa.

Os felizardos e as instruções para as matrículas podem ser conferidos aqui.

Parabéns!!!

nova edição de prêmio para pesquisa em jornalismo

Estão abertas a partir de 1º de junho as inscrições para a quinta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. O PAGF 2010 é uma promoção da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2009 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria – Sênior – é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.

Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br

As inscrições vão de 1º de junho a 30 de julho, e os resultados têm anúncio previsto para outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Luís, Maranhão.

Conheça o Regulamento do PAGF 2010

o globo: uma campanha demais!

Você pode achar que O Globo não é lá um grande jornal.

Você pode torcer o nariz para a TV Globo.

Você pode nem passar por perto do G1.

Não importa. Este anúncio não é novo, mas é demais!

folha muda. veja como

A Folha de S.Paulo está fazendo um estardalhaço para as mudanças editoriais e gráficas que inaugura amanhã. Cadernos mudam de nome e de tamanho. Brasil vira Poder. Dinheiro vira Mercado. Mais! vira Ilustríssima. Informática vira Tec. O caderno Esportes vira tabloide, e por aí a coisa vai… Tem mudança de fontes e cores. Tem integração das redações das versões impressa e online… Tem redefinições editoriais e adoção de manuais específicos para cada editoria…

Ana Estela de Sousa Pinto reuniu sete vídeos que contam as mudanças que vêm sendo estudadas por mais de vinte pessoas desde setembro do ano passado. Vale ver!

A reforma da Folha vem logo depois da do concorrente direto, o Estado de S.Paulo, e vem numa onda de novos redesenhos na mídia impressa nacional. Transições, mudanças, transformações…

ensino de ética jornalística nos cem cursos mais antigos do país

Apresento hoje no Intercom Sul os resultados parciais de uma pesquisa que desenvolvi sobre o ensino de ética jornalística entre 2008 e 2010. Nesta fase da investigação, tomei como amostra os cem cursos de Jornalismo mais antigos do país e me detive em documentos como planos de ensino, matrizes curriculares, ementários e projetos pedagógicos.

Um resumo de minha apresentação pode ser observado abaixo:

Outros resultados da mesma pesquisa você pode ler aqui.

mais jornalismo no intercom sul 2010

A Divisão Temática de Jornalismo do Intercom Sul 2010 terá mais duas sessões hoje.

Anote aí a programação:

Dia 18/05 – 14 às 18 horas
Sessão 3: Teorias, Ensino e Pesquisa
Sala 203 – Prédio Bicolor

14 horas: O Lugar do Jornalismo no Espaço e no Tempo Contemporâneos – Carla Algeri

14h15: A Fenomenologia de Alfred Schutz Aplicada à Comunicação: Uma Ponte entre o Conhecimento e o Mundo da Vida – Camila Garcia Kieling

14h30: Idéias frankfurtianas na crítica musical de Herbert Caro no jornal Correio do Povo – Ana Laura Colombo de Freitas

14h45: Visualidade jornalísticas: imagem, espaço e design no jogo das representações sociais – Rosane da Silva Borges

15 horas: O conceito de objetividade no jornalismo: uma retomada para a historicidade do conceito e uma definição filosófico-jornalística com base nas pesquisas de Stephanie Martin – Gabriel de Oliveira Pereira Knoll

15h15: Ensino de Radiojornalismo e a complexidade da Era Digital: a experiência da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) – Márcio Fernandes

15h30: Ensino de deontologia jornalística: um olhar sobre os currículos dos cem cursos mais antigos do paísRogério Christofoletti

15h45: A Pesquisa Qualitativa no Circuito das Notícias – Vilso Junior Santi

16 horas: Telejornalismo – empresas, ensino e pesquisa – na região centro-oeste paranaense: uma perspectiva – Ariane Carla Pereira Fernandes

16h15: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 3

Dia 18/05 – 14 às 18 horas
Sessão 4: Em pauta: violência, censura e repressão
Sala 205 – Prédio Bicolor

14 horas: Cidade sem Lei – Cláudio Eduardo de Souza

14h15: Violência: um discurso que a mídia cala – Marlene Branca Sólio

14h30: Fontes e Pluralidade na Revista Veja: Criminalidade, Violência e Segurança Pública – Paula Milano Sória

14h45: Participação Política e Censura: O Cotidiano dos Radialistas de Santa Maria, durante os Anos de Chumbo (1968-1974) – Amanda Costa da Silva

15 horas: Censura prévia” x direito à informação: O caso do jornal O Estado de S. Paulo – Paula Casari Cundari

15h15: A Ditadura Militar nas linhas e entrelinhas do Jornal Folha do Oeste, de Guarapuava. Período: 1964 a 1968 Layse Pereira Soares do Nascimento

15h30: Editoria policial: da legitimação à reprodução da seletividade do sistema penal Marília Denardin Budó

15h45: A questão (ou distorção) da reportagem em matérias sensacionalistas – Fábio Antônio Flores Rausch

16 horas: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 4

intercom sul 2010: é hoje!

Começa hoje na Feevale em Novo Hamburgo (RS) a 11ª edição do Congresso de Ciências da Comunicação da Região Sul, o Intercom Sul.

O blog está aqui.

A programação geral, aqui.

Coordenarei a Divisão Temática de Jornalismo, onde teremos quatro sessões bem concorridas, como sempre. As de hoje são essas:

Dia 17/05 – 14 às 18 horas
Sessão 1: Transformações no Jornalismo
Sala 203 – Prédio Bicolor

14 horas: A Crise de Identidade dos Jornais Impressos – Anelise Rublescki

14h15: Gatekeeper e gatewatching – repensando a função de selecionador no webjornalismo – Carolina Teixeira Weber

14h30: Os processos interativos no webjornalismo audiovisual: um estudo das contribuições dos colaboradores aos sites UOL, G1 e Terra – Juliana Fernandes Teixeira

14h45: Jornalismo multimídia em tempo real ininterrupto, pesquisa e experiência laboratorial na PUCPR – Zanei Ramos Barcellos

15 horas: Convergência Jornalística: uma proposta de definição do termo – Marcella Rasera

15h15: Confrontações: os blogs como dispositivos de crítica à mídia – Silvana Copetti Dalmaso

15h30: O twitter como pauta no jornalismo político do Paraná – Emerson Urizzi Cervi

15h45: Design, Práticas Culturais e Cultura Midiática: a Marca do Jornal Nacional – Mateus Dias Vilela

16 horas: Muitas ilhas, um só jornal – concentração e regionalização da mídia impressa catarinense – Marta Eymael Garcia Scherer

16h15: A readequação dos trabalhadores no novo mercado de trabalho: o setor coureiro-calçadista no Vale do Sinos nos anos 1990 – Claudia Schemes

16h30: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 1

Dia 17/05 – 14 às 18 horas
Sessão 2: Discursos, Narrativas e Gêneros
Sala 205 – Prédio Bicolor

14 horas: As Estratégias Discursivas utilizadas em matérias de Saúde no jornal popular O Dia, do Rio de Janeiro – Natalia Martins Flores

14h15: Espaço de formar e informar: apontamentos sobre o “discurso pedagógico do jornalismo de revista” – Gisele Dotto Reginato

14h30: Revista católica: entre o campo Religioso e o Midiático – Aline Roes Dalmolin

14h45: Estereótipos do Britpop através dos enquadramentos da revista New Musical Express – Bruna do Amaral Paulin

15 horas: Jornalismo e narrativa mítica: do ideológico ao imaginário – Flávia Dourado Maia

15h15: Jornalismo e Literatura: Um Bordel de Escritores Chamado Redação – Eduardo Ritter

15h30: Mídia e Vida Social: Uma Reflexão Sobre Categoria, Gênero e Subgênero – Ani Mari Hartz Born

15h45: Esquinas da política – O humor da crônica e a lógica do fait diver nas esquinas da revista Piauí – Manfred Froese Matos

16 horas: Opinião e Humor: uma análise sobre o gênero charge – Sônia Regina Schena Bertol

16h15: A Importância da Assessoria de Imprensa nos Órgãos Públicos: O Caso da Prefeitura de Feliz – Poliana Lopes

16h30: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 2

para americanos, blogueiro = jornalista

Um estudo recentíssimo mostra que 52% dos blogueiros norte-americanos se consideram jornalistas. O levantamento é da PR Week e da PR Newswire. Essa sensação de equivalência era menor no ano passado: um em cada três blogueiros se achavam jornalistas.

Claro que cada caso é um caso, e que a pesquisa é concentrada no complexo ambiente dos Estados Unidos. De qualquer forma, os indicativos nos permitam pensar e discutir em torno das aproximações cada vez mais inevitáveis entre jornalistas e blogueiros. O combustível para essa atração e confusão de papéis atende pelo nome de Redes Sociais. Elas têm chacoalhado as relações profissionais não apenas na Comunicação, mas também na Educação.

Nas páginas finais de meu “Ética no Jornalismo”, eu projetava movimentos convergentes de uma ética jornalística tradicional e de uma ética hacker, cada vez mais influente. Está em curso. Aperte os cintos porque não é apenas a paisagem da janela que está mudando; nosso ônibus já não é mais o mesmo…

o twitter e a demissão do jornalista

Nesta semana, uma notícia causou tremores e ranger de dentes nas redações e nas redes sociais. A Editora Abril demitiu o jornalista Felipe Milanez – até então editor da National Geographic Brasil – por postar tweets críticos à outra revista do mesmo grupo, a Veja.

É claro que o acontecido varreu a internet brasileira como um rastilho de pólvora e provocou reações as mais variadas: houve surpresa, inconformidade, críticas ao próprio jornalista e contestações. Mas a decisão da Abril é irrevogável e os danos irreversíveis, de um lado e de outro. Dentro da Abril, a estupefação de que havia amigo na trincheira; fora do colosso da marginal, queixas de perseguição à livre expressão e tal.

Mas o fato é que o episódio traz velhas e novas lições.

1. As redes sociais inspiram o compartilhamento de conteúdos, de ideias, de sentimentos, de opiniões, mas essa troca provoca consequências, e a mais evidente delas é a contrariedade. Basta criar, por exemplo, uma comunidade no Orkut manifestando a admiração de alguém que logo surgirão comunidades análogas “combatendo” esse pensamento. Basta opinarmos num blog sobre algo que rapidamente leitores deixarão comentários rebatendo nossos argumentos.

2. Nas redes sociais, parece que estamos pensando alto. Mas na web como a conhecemos agora, pensar alto é dividir. E esse compartilhamento se dá no âmbito público e não mais privado. Por isso, toda queixa, ataque ou admoestação pode sim ser rapidamente encontrada, rastreada e, claro, combatida.

3. De nada adianta que eu tenha o meu perfil pessoal numa rede social se nele faço constar também minhas atividades sociais, públicas, funcionais. Isto é, não basta que o jornalista argumente que postou críticas em sua página pessoal se nela, seu perfil afirmava sua condição de editor de tal ou qual publicação. Nas redes sociais, pessoa física e pessoa jurídica se confundem…

4. As redes sociais facilitam muitíssimo a formação de grupos, de elos sociais, mas não isentam as preocupações que temos em outras esferas, principalmente com relação à privacidade. É sim importantíssimo que reflitamos sobre a administração da própria intimidade na internet. O usuário do sistema precisa escolher o que vai mostrar em público; precisa atentar para o que quer manter sigiloso, recluso, discreto. E talvez essa seja a lição mais contundente deste episódio (e de outros também): precisamos cuidar daquilo que somos e daquilo que projetamos nas redes.

Esta é uma questão de cunho moral, não se enganem. É uma questão que envolve valores, que afeta condutas, enfim, que mexe diretamente com a relação que as pessoas estabelecem com as demais. Que o infeliz episódio que custou o emprego de Felipe Milanez nos motive a discutir e refletir mais sobre a rede que estamos tecendo todos juntos.

mais uma revista aberta a textos

Reproduzindo…

A Revista Comunicação: Veredas recebe artigos, ensaios, resenhas de livros e relatos de pesquisa na área de Comunicação. O prazo para envio dos textos é 15 de junho de 2010.

Comunicação:Veredas é editada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Marília – UNIMAR – e está classificada como Qualis B Nacional. Está aberta a colaborações científicas da área de Comunicação. Os artigos recebidos serão encaminhados ao Conselho Editorial, para apreciação do mérito científico.

As normas para publicação em: http://www.unimar.br/veredas/chamada_veredas.pdf

Os textos devem ser encaminhados o email: rreisoliveira@uol.com.br

comentários no twitter derrubam jornalista

Alguém mais esperto que eu já disse que tuitar NÃO é pensar; é pensar alto. E pensar alto na web é compartilhar…

Veja (desculpe o trocadilho), mas veja o caso do jornalista que perdeu o emprego por detonar a Veja no seu twitter…

(matéria de Eduardo Neco, do Portal Imprensa, com colaboração de Ana Ignacio)

O jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, licenciada pela editora Abril, foi demitido nesta terça-feira (11) por ter criticado via Twitter a maior publicação da casa, a revista Veja.

Milanez, na National desde outubro de 2008, publicou, em seu perfil no microblog, comentários a respeito da reportagem “A farsa da nação indígena”, veiculada na última edição da revista. “Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? (sic)”, escreveu em post no último domingo (9).

Em mensagem no mesmo dia, Milanez complementou dizendo que ignorava a Veja, mas “racismo” da publicação fez com que se manifestasse. “Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas (sic)”.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Milanez admitiu que fez observações contundentes sobre a publicação, mas que foi surpreendido pela demissão. “Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido [com a reportagem]. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos”, lamentou o ex-editor.

A decisão de demitir o jornalista, segundo ele, teria vindo diretamente de setores da Editora Abril ligados à revista Veja e repassada aos responsáveis pela National Geographic. “Não sei quem decidiu e como”, disse.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou à reportagem que Milanez foi demitido pelos comentários no Twitter. “Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão”, disse.

Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que “fez o que tinha que fazer exercendo a função”.

chamada de textos para revista

Repassando…

A Revista Ícone (ISSN 2175-215X) é uma publicação on line do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE com mais de dez anos de existência e que, desde 2008, é distribuída exclusivamente on line.
Nas suas últimas edições, abordou questões relacionadas ao entretenimento (2008.1), música popular (2008.2), cinema mundial (2009.1) e jornalismo no século XXI (2009.2), sempre com ótima receptividade na comunidade acadêmica.
Para esta primeira edição de 2010, serão aceitas submissões de temas livres escritas por mestrandos, mestres, doutorandos ou doutores.
Os artigos, resenhas ou entrevistas deverão ser submetidos até 15/07 através do site, mediante cadastro.

congresso de comunicação na espanha

A professora Maria das Graças Targino, da Comissão Organizadora do evento, informa a realização do 2º Congresso Internacional Comunicação 3.0: Novos Meios, Nova Comunicação, que acontece em 4 e 5 de outubro em Salamanca, na Espanha.

A Universidade de Salamanca, por intermédio da Faculdade de Ciências Sociais / Departamento de Sociologia e Comunicação, está organizando o II CONGRESO INTERNACIONAL COMUNICACIÓN 3.0: NUEVOS MEDIOS, NUEVA COMUNICACIÓN, que ocorrerá em Salamanca (Espanha), entre os dias 4 e 5 de outubro próximos.

A tônica é a interferência das tecnologias de informação e de comunicação nos meios de comunicação, em suas diferentes instâncias – impresso, TV, rádio e, obviamente, no próprio espaço digital e virtual –, transformando, substancialmente, as formas de comunicação, e, portanto, seu próprio conceito.

Em breve, estarão no site do Congresso http://campus.usal.es/~comunicacion3punto0 informações completas sobre suas atividades. Por enquanto, os interessados podem visitar a página para saber como aconteceu a 1ª edição e começar a se preparar para participar conosco do II CONGRESO INTERNACIONAL COMUNICACIÓN 3.0: NUEVOS MEDIOS, NUEVA COMUNICACIÓN!

ensino de jornalismo, um seminário

O leitor já deve ter lido em outros blogs, mas não custa repetir:

1º SEMINÁRIO NACIONAL DE ENSINO DE JORNALISMO
FLORIANÓPOLIS, 26 E 27 DE AGOSTO DE 2010
POSJOR/UFSC

CHAMADA DE TRABALHOS
A Rede PROCAD/CAPES “O Ensino de Jornalismo na Era da Convergência Tecnológica – Matrizes curriculares, planos de ensino e demandas profissionais”, formada por professores da UFBA, UFSC, USP e TUIUTI, promove nos dias 26 e 27 de agosto de 2010 o I Seminário Nacional de Ensino do Jornalismo, na Universidade Federal de Santa Catarina. Podem submeter trabalhos pesquisadores que investigam as seguintes temáticas: ensino de jornalismo e novas tecnologias, ensino de jornalismo em tempos de convergência, projetos pedagógicos, metodologias de ensino, formatação de currículos, entre outros.

Os trabalhos, acompanhados de resumo de dez linhas em espaço 1 e cinco palavras-chave, devem ser escritos em New Times Roman, corpo 12 e espaçamento 1 e meio, com extensão máxima entre 30 e 35 mil caracteres, incluída a bibliografia. As referências completas devem vir ao final do trabalho. As citações até três linhas podem ser inseridas no corpo do trabalho. Citações acima deste limite devem ser destacadas no texto, em corpo 10, com espaçamento 1. Serão selecionados, no máximo,  32 trabalhos para apresentação no I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo.  O  Seminário será a base do livro anual da Rede PROCADJOR que será lançado no final do ano de 2010.

A data limite para o envio de trabalhos para seleção é 30 de Junho de 2010. O resultado da seleção será comunicado aos pesquisadores até 15 de Julho de 2010. O Comitê Científico do I Seminário Nacional de Ensino do Jornalismo está constituído pelos membros das equipes PROCAD: Álvaro Larangeira, Adriana Amaral, Beth Saad, Claudia Quadros, Elias Machado, Francisco Karam, Graciela Natansohn, Kati Caetano, Malu Fontes, Marcos Palacios e Tattiana Teixeira. Mais informações podem ser obtidas na página do PROCAD em http://www.procadjor.cce.ufsc.br ou com os coordenadores locais Elias Machado (machadoe@cce.ufsc.br) e Tattiana Teixeira (tattianaufsc@gmail.com)

ensino de jornalismo a distância

Na semana passada, numa das listas eletrônicas dirigidas a professores, um colega perguntava se existe no país algum curso de Jornalismo a distância. Ninguém ao certo soube responder, e ao que tudo indica, talvez não haja (ainda) nada do tipo no país. Mas lá fora há experiências interessantes, como a da London School of Journalism. A prestigiada escola tem um canal próprio no YouTube, onde são oferecidas aulas no melhor estilo Second Life.

Quer uma amostra? Veja a Lecture #1

quais os principais problemas do jornalismo?

Precariedades no trabalho, insegurança no emprego, predomínio dos interesses políticos e econômicos sobre os jornalísticos, falta de ética profissional e escassa consciência de responsabilidade social por parte dos jornalistas. A resposta vem dos jornalistas de Madri, que responderam a uma ampla pesquisa coordenada pelos professores Carlos Maciá Barber e Susana Herrera Damas, ambos da Universidad Carlos III.

Intitulado “Ética e Excelência Informativa”, o estudo foi publicado na edição de março passado na revista Cuadernos de Periodistas, editada pela Asociación de la Prensa de Madrid (APM). A pesquisa foi realizada entre 2006 e 2010, com base em 410 questionários respondidos por jornalistas mais 30 outras entrevistas em profundidade com profissionais da área. Um dos objetivos era justamente identificar novos dilemas éticos e principais incômodos de repórteres e editores em seus locais de trabalho. Alguns resultados:

  • Para 55,6% dos respondentes, a objetividade não existe, mas mesmo assim o jornalista deve buscá-la
  • Dirigentes esportivos são as fontes menos confiáveis para a maioria dos participantes da pesquisa
  • Em termos de manipulação digital de imagem, cortes para um melhor enquadramento são as atitudes mais aceitáveis, enquanto que usar softwares para maquiar personagens é a mais repudiada
  • Para 59,5% dos jornalistas de Madri, nunca se deve usar disfarces ou identificar-se por outra profissão para obter informações; 37,3% admitem esses recursos em casos excepcionais
  • Segundo 89,8%, nunca se deve pedir compensações financeiras de fontes. Para 9%, às vezes
  • 83,7% dos jornalistas da capital espanhola acham inaceitável receber presentes que custem mais de 200 euros de suas fontes

Resultados interessantes, não? Adoraria conhecer as respostas dos jornalistas brasileiros a essas questões…

ética no jornalismo online: um podcast

A mesa redonda dos repórteres do site CNET reuniu esta semana o editor chefe Scott Ard e a especialista em ética do Poynter Kelly McBride: o assunto é a conduta de jornalistas de sites e blogs na internet, após o que o escândalo envolvendo o Gizmodo.

Se você não está por dentro, a história é a seguinte: um dos blogs mais influentes da área de tecnologia, o Gizmodo, pagou pelo protótipo de um novo modelo de iPhone, que teria sido esquecido em algum lugar por um funcionário da Apple. Com o aparelho na redação, publicou “segredos” da novidade, “furando” a própria Apple, e alertando a concorrência. A fabricante argumenta que o protótipo não foi perdido, mas roubado. O Gizmodo se defende.

Há, portanto, aspectos legais – comprar o produto de um furto – e éticos – pagar fontes para se conseguir informações. O caso está causando tremores de média intensidade nos meios bloguísticos, mas vai provocar ondas para todas as partes da internet, e não estou exagerando…

Se você se interessou, ouça o podcast de ontem que reuniu Scott Ard e Kelly McBride…

twitter é jornalismo?

Hoje, notícias são como o ar; elas nos rodeiam, estão em toda a parte. As redes sociais radicalizaram essas possibilidades, e o Twitter – o recente maior fenômeno – ajuda a confundir o que é informação do que é jornalismo…

Conversação distribuída, notícia como experiência social, Twitter como ambiente jornalístico, todas essas ideias estão em “From TV to Twitter: how ambiente news became ambient journalism”, artigo do professor Alfred Hermida, veterano jornalista da BBC e hoje professor assistente da Escola de Jornalismo da University of British Columbia (Canadá).

Vale ler e pensar…

concurso na ufsc: últimos dias

Vai até dia 10 de maio o prazo para inscrições para o concurso público no Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. As vagas estão lotadas em Florianópolis, e têm ênfase em Telejornalismo Jornalismo Visual (Fotojornalismo e/ou Editoração Eletrônica e/ou Artes Gráficas).

É exigido dos candidatos título de doutor; regime de trabalho de 40 horas com dedicação exclusiva.

Mais informações no edital e no manual do candidato.

mestrado em jornalismo: deadline!

Termina amanhã, dia 7, o prazo para inscrições no processo seletivo do Mestrado em Jornalismo da UFSC. São 22 vagas em duas linhas de pesquisa: Fundamentos do Jornalismo e Processos e Produtos Jornalísticos.

Mais informações no edital, e navegue também pela página do Mestrado.

os eticistas, o pianista e o jornalista

Uma importante conferência reuniu acadêmicos e profissionais do jornalismo para discutir novos parâmetros e novas condutas para a profissão. O evento aconteceu na semana passada – 30 de abril – na Universidade de Wisconsin-Madison (Canadá), onde funciona o já renomado Center for Journalism Ethics. Na ocasião, a conferência perguntava se é necessária uma nova ética para este novo jornalismo com o qual nos confrontamos diariamente.

Oportuna, a questão trazia consigo uma série de outras indagações que certamente não foram respondidas pelos participantes, por mais experientes e capacitados. Isso porque alguns dilemas éticos estão acabando de aflorar nesse terreno ainda fértil das novas mídias, das tecnologias de informação e do cruzamento dos meios convencionais com as redes sociais.

(Bem) acostumados a debater tais questões, os canadenses não só convocaram grandes nomes do mercado, mas de organizações não governamentais ligadas à área e acadêmicos, mas também instituíram um prêmio para o que chamam de “jornalismo ético”. Como não poderia deixar de ser – já que o evento trata de novas tecnologias -, a conferência teve uma qualificada e generosa cobertura para os meios on line. Um live blogging permite que se tenha acesso a vídeos e textos dos debates; álbuns no Flickr possibilitam captar um pouco do clima do evento; e até mesmo pelo Twitter se consegue recuperar comentários e opiniões de participantes presenciais ou não.

O material que se tem ali é particularmente instigante pra todos os que pensam o jornalismo nos dias atuais. É verdade, existem lá mais perguntas que respostas. Mas não é assim mesmo que funciona isso que chamamos de ética?

Por falar nisso, acabo de devorar “O pianista no bordel”, ótimo livro de Juan Luis Cebrián. Se não ligou o nome à pessoa, Cebrián é um dos principais homens por trás do surgimento de “El País”, na Espanha na metade da década de 1970 em meio à redemocratização do país. Por anos e ainda hoje, o jornal se tornou um símbolo da luta pela liberdade de expressão e trouxe consigo um punhado de preocupações essenciais para um jornalismo de qualidade.

O livro de Cebrián acaba de desembarcar nas livrarias brasileiras. Li uma entrevista dele para “O Estado de S.Paulo” e fiquei interessadíssimo no volume. Passando por Recife, escapei para uma livraria e vasculhei tudo atrás do livro. Quando estava para desistir, chega uma atendente com uma pilha de dez exemplares: Cebrián veio direto para a minha mão, e furou a fila na lista das leituras.

Para tratar de jornalismo, sociedade, democracia e novas tecnologias, “O Pianista no Bordel” parte de uma anedota espanhola, um ditado popular:

Não digam à minha mãe que sou jornalista. Prefiro que continue pensando que toco piano num bordel.

Com humor refinado e texto elegante – que muito me lembraram Mino Carta, outro importante publisher -, o autor se vale de dez ensaios para não apenas fazer reminiscências de sua carreira, mas também para dividir o que pensa sobre jornalismo e política. Neste sentido, Cebrián toca em aspectos delicados das coberturas – como no caso do terrorismo -, e reforça valores do jornalismo, como a credibilidade, o rigor, a independência e a liberdade de imprensa. Critica o avanço da justiça e dos governos sobre os jornalistas, e a tentativa de controle da informação; e ainda desmitifica o propalado fim dos jornais por conta da emergência de novas formas de difusão informativa. Para Cebrián, é necessário um resgate do jornalismo para algumas de suas funções. É preciso coragem para enfrentar tempos difíceis, ousadia para ir além do superficial.

Nas 166 páginas do livro, os pontos de vista do velho jornalista são sempre lúcidos e explícitos; as ideias defendidas com uma contumaz bravura espanhola, mas sem sombra de empáfia. Cebrián parece pensar alto, e quem pensa alto não mede o passo de outrem, mede apenas o próprio. As posições que adota podem não ser unânimes, mas possibilitam pensá-las como alternativas respeitáveis, de nada descartáveis. E o que vejo como muito importante: o autor enfrenta as questões do jornalismo não de uma torre de marfim, segura e cômoda. Cebrián pondera também valores que nós, jornalistas, às vezes, atiramos para baixo do tapete, como rentabilidade, solvência empresarial, a busca por lucros e o jornalismo como negócio. Logo, Cebrián não é um utópico, não se aliena das agruras de quem precisa produzir um bom jornal todos os dias para vê-lo desaparecer rapidamente das bancas.

Cebrián desenha um jornalista sobre o fio da navalha, se não veja-se o trecho a seguir:

O senso de responsabilidade dos jornalistas é continuamente solicitado pelos governantes, quando justificam suas exigências de silêncio, manipulação e censura apelando para o bem superior constituído pela segurança coletiva. (…) Seria lamentável que, de uma forma geral, os profissionais da informação dessem ouvidos a semelhantes pressões. A obrigação moral e profissional dos jornalistas é contar os fatos, não calá-los, e a única responsabilidade que se deve exigir deles é a que emana da exigência de veracidade (…) Isso não quer dizer que devam ser insensíveis ao bem geral e não devam avaliar os danos que podem se originar de suas publicações.

Complicado, não? Sim. Com Cebrián, a impressão dá lugar à certeza: o jornalismo é mesmo muito delicado, muito complexo. E o pianista do bordel só pode ser mesmo personagem de piada. O que vale mesmo aqui é o homem que martela outras teclas, as da notícia.

um dossiê de ética jornalística

A Brazilian Journalism Research, revista da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), traz um dossiê sobre ética jornalística em seu mais recente número. Além de artigos com outros assuntos, estão no sumário…

ETHICS IN OLD AND NEW JOURNALISM STRUCTURES PDF
Clóvis de Barros Filho e Sérgio Praça
THE ETHICAL CROSSROADS IN THE AGE OF THE “NEW MEDIA” PDF
Sylvia Moretzsohn
THE PARADIGM OF ANTIGONE AND GACEL SAYAH: An approach to historical and contemporary Ethical/moral dilemmas of Journalism PDF
Francisco José Castilhos Karam
COMMUNICATION, ETHICS AND ANTHROPOETHICS PDF
Luiz Martins da Silva
JOURNALISM ETHICS AND ACCEPTANCE OF GIFTS: A view from Madrid journalists PDF
Susana Herrera Damas e Carlos Maciá Baber

pesquisas de jornalismo na intercom sul

O encontro sul da Intercom deste ano acontece de 17 a 19 de maio na Feevale, Novo Hamburgo (RS). E como é habitual, será um grande festival de pesquisas acadêmicas, premiação de trabalhos de alunos, lançamentos de livros, palestras, debates e muito intercâmbio entre as principais instituições de ensino do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Se você vai, vamos nos encontrar por lá. Se não, acompanhe tudo pelo blog do evento.

Se o seu interesse é pesquisa na área de jornalismo, a Divisão Temática desses trabalhos vai ter nada menos que quatro mesas. São 37 trabalhos, divididos em sessões simultâneas, e a programação é a seguinte:

Dia 17/05 – 14 às 18 horas
Sessão 1: Transformações no Jornalismo
Sala 203 – Prédio Bicolor

14 horas: A Crise de Identidade dos Jornais Impressos – Anelise Rublescki

14h15: Gatekeeper e gatewatching – repensando a função de selecionador no webjornalismo – Carolina Teixeira Weber

14h30: Os processos interativos no webjornalismo audiovisual: um estudo das contribuições dos colaboradores aos sites UOL, G1 e Terra – Juliana Fernandes Teixeira

14h45: Jornalismo multimídia em tempo real ininterrupto, pesquisa e experiência laboratorial na PUCPR – Zanei Ramos Barcellos

15 horas: Convergência Jornalística: uma proposta de definição do termo – Marcella Rasera

15h15: Confrontações: os blogs como dispositivos de crítica à mídia – Silvana Copetti Dalmaso

15h30: O twitter como pauta no jornalismo político do Paraná – Emerson Urizzi Cervi

15h45: Design, Práticas Culturais e Cultura Midiática: a Marca do Jornal Nacional – Mateus Dias Vilela

16 horas: Muitas ilhas, um só jornal – concentração e regionalização da mídia impressa catarinense – Marta Eymael Garcia Scherer

16h15: A readequação dos trabalhadores no novo mercado de trabalho: o setor coureiro-calçadista no Vale do Sinos nos anos 1990 – Claudia Schemes

16h30: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 1

Dia 17/05 – 14 às 18 horas
Sessão 2: Discursos, Narrativas e Gêneros
Sala 205 – Prédio Bicolor

14 horas: As Estratégias Discursivas utilizadas em matérias de Saúde no jornal popular O Dia, do Rio de Janeiro – Natalia Martins Flores

14h15: Espaço de formar e informar: apontamentos sobre o “discurso pedagógico do jornalismo de revista” – Gisele Dotto Reginato

14h30: Revista católica: entre o campo Religioso e o Midiático – Aline Roes Dalmolin

14h45: Estereótipos do Britpop através dos enquadramentos da revista New Musical Express – Bruna do Amaral Paulin

15 horas: Jornalismo e narrativa mítica: do ideológico ao imaginário – Flávia Dourado Maia

15h15: Jornalismo e Literatura: Um Bordel de Escritores Chamado Redação – Eduardo Ritter

15h30: Mídia e Vida Social: Uma Reflexão Sobre Categoria, Gênero e Subgênero – Ani Mari Hartz Born

15h45: Esquinas da política – O humor da crônica e a lógica do fait diver nas esquinas da revista Piauí – Manfred Froese Matos

16 horas: Opinião e Humor: uma análise sobre o gênero charge – Sônia Regina Schena Bertol

16h15: A Importância da Assessoria de Imprensa nos Órgãos Públicos: O Caso da Prefeitura de Feliz – Poliana Lopes

16h30: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 2

Dia 18/05 – 14 às 18 horas
Sessão 3: Teorias, Ensino e Pesquisa
Sala 203 – Prédio Bicolor

14 horas: O Lugar do Jornalismo no Espaço e no Tempo Contemporâneos – Carla Algeri

14h15: A Fenomenologia de Alfred Schutz Aplicada à Comunicação: Uma Ponte entre o Conhecimento e o Mundo da Vida – Camila Garcia Kieling

14h30: Idéias frankfurtianas na crítica musical de Herbert Caro no jornal Correio do Povo – Ana Laura Colombo de Freitas

14h45: Visualidade jornalísticas: imagem, espaço e design no jogo das representações sociais – Rosane da Silva Borges

15 horas: O conceito de objetividade no jornalismo: uma retomada para a historicidade do conceito e uma definição filosófico-jornalística com base nas pesquisas de Stephanie Martin – Gabriel de Oliveira Pereira Knoll

15h15: Ensino de Radiojornalismo e a complexidade da Era Digital: a experiência da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) – Márcio Fernandes

15h30: Ensino de deontologia jornalística: um olhar sobre os currículos dos cem cursos mais antigos do paísRogério Christofoletti

15h45: A Pesquisa Qualitativa no Circuito das Notícias – Vilso Junior Santi

16 horas: Telejornalismo – empresas, ensino e pesquisa – na região centro-oeste paranaense: uma perspectiva – Ariane Carla Pereira Fernandes

16h15: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 3

Dia 18/05 – 14 às 18 horas
Sessão 4: Em pauta: violência, censura e repressão
Sala 205 – Prédio Bicolor

14 horas: Cidade sem Lei – Cláudio Eduardo de Souza

14h15: Violência: um discurso que a mídia cala – Marlene Branca Sólio

14h30: Fontes e Pluralidade na Revista Veja: Criminalidade, Violência e Segurança Pública – Paula Milano Sória

14h45: Participação Política e Censura: O Cotidiano dos Radialistas de Santa Maria, durante os Anos de Chumbo (1968-1974) – Amanda Costa da Silva

15 horas: Censura prévia” x direito à informação: O caso do jornal O Estado de S. Paulo – Paula Casari Cundari

15h15: A Ditadura Militar nas linhas e entrelinhas do Jornal Folha do Oeste, de Guarapuava. Período: 1964 a 1968 Layse Pereira Soares do Nascimento

15h30: Editoria policial: da legitimação à reprodução da seletividade do sistema penal Marília Denardin Budó

15h45: A questão (ou distorção) da reportagem em matérias sensacionalistas – Fábio Antônio Flores Rausch

16 horas: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 4

revista da intercom, disponível nova edição

Uma das revistas mais prestigiadas do país na área da Comunicação já está na rede, com a primeira edição deste ano. A revista da Intercom está com o seguinte sumário:

Artigos

Muchos medios en pocas manos: concentración televisiva y democracia en América Latina – Raúl Trejo Delarbre

Participação, instituições políticas e Internet: um exame dos canais participativos nos portais da Câmara e da Presidência do Brasil – Francisco Paulo Jamil Almeida Marques

A Comunicação cidadã sob o enfoque do transnacional – Denise Cogo

Uso de marcas verbais para aspectos não-verbais da conversação em salas de bate-papo na Internet – Robson Santos de Oliveira, Luciano R. de Lemos Meira

Companhia Cinematográfica Vera Cruz: inspiração europeia e discurso de brasilidade – Mauricio Reinaldo Gonçalves

El perfil de los periodistas en el cine: tópicos agigantados – Ofa Bezunartea Valencia, César Coca García, María José Cantalapiedra González, Aingeru Genaut Arratibel, Simón Peña Fernández, Jesús Ángel Pérez Dasilva

Peirce na trilha deleuzeana: a semiótica como intercessora da filosofia do cinema – Alexandre Rocha da Silva, Rafael Wagner dos Santos Costa

Origens e implicações dos quadros e configurações das páginas dominicais e tiras em quadrinhos a partir do final do século XIX – Fabio Luiz Carneiro Mourilhe Silva

A transição dos quadrinhos dos átomos para os bits – Marcia Schmitt Veronezi Cappellari

Blogosfera, espaço público e campo jornalístico: o caso das eleições presidenciais brasileiras de 2006 – César Ricardo Siqueira Bolaño, Valério Cruz Brittos

A pílula da longevidade à venda nas páginas da Revista Veja – Lia Hecker Luz

Revistas de divulgação científica e ciências da vida: encontros e desencontros – Ieda Tucherman, Cecilia C. B. Cavalcanti, Luiza Trindade Oiticica

Entrevista
A pesquisa sobre tecnologias de Comunicação no Brasil e na América Latina
– Emile G. McAnany

Opinião
Como Jorge Calmon via o Jornalismo e o jornalista – Sérgio Mattos

Resenhas
O amadorismo no centro do espaço virtual – Maria das Graças Targino

Para além dos conteúdos: rádios comunitárias e gestão cidadã – Denise Cogo, Cristóvão Almeida

A comunicação da ciência em revista – Irene Machado

Reflexão sobre a ética no Jornalismo – Ana Claudia Marques Govatto