Responda rápido: o que há de comum entre Aaron Swartz, Bradley Manning, Julian Assange e Edward Snowden?
Muitas coisas ligam esses nomes, a começar pelo fato de que usam a internet para revelar informações e fatos que muitos tentam ocultar. Mas não só isso. Nenhum deles tem mais de 45 anos, e todos pertencem a gerações diretamente afetadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação. Todos desafiaram agências de inteligência e o governo norte-americano trazendo à luz iniciativas mesquinhas, neuróticas e moralmente questionáveis.
Bradley Manning é o ex-oficial acusado de ter vazado centenas de milhares de dados sigilosos dos Estados Unidos e que municiaram o WikiLeaks no maior escândalo da história da diplomacia mundial. Foi caçado, preso e está sendo julgado por diversos “crimes”, entre os quais “traição”. Ele tem 25 anos e exibiu uma face simplesmente abjeta do Império. Pode pegar prisão perpétua.
Por falar em WikiLeaks, seu líder, o australiano Julian Assange, também encarou o Monstro. Foi perseguido por norte-americanos, suecos e ingleses e ficou detido em prisão domiciliar. Para além dos vazamentos que constrangeram diplomatas e poderosos, mostrou como helicópteros Apache metralharam civis e jornalistas em suas ações “táticas”. Refugiou-se na Embaixada do Equador em Londres. Precisa viver clandestino para sobreviver. Nada nem ninguém podem garantir isso.
Aaron Swartz era um prodígio da web e tinha colaborado diretamente com algumas das soluções mais inteligentes e solidárias para compartilhamento de informação e conhecimento. Foi perseguido pela justiça norte-americana por ter “roubado” milhões de artigos científicos em bases de dados por assinatura. Detalhe: a maioria das pesquisas relatadas naqueles artigos havia sido financiada por recursos públicos, mas mesmo assim as tentaculares empresas do ramo cobram pelo acesso a esses textos, e os seus autores nada ganham com isso… Aaron foi perseguido, preso, acusado por diversos “crimes” e ameaçado a pegar 35 anos de prisão mais multa milionária. Tinha 26 anos e não suportou a pressão, e se suicidou em janeiro deste ano.
Edward Snowden é a bola da vez. O ex-assistente técnico da CIA denunciou os sistemas de vigilância interna dos Estados Unidos a telefones e emails. Jogou um facho de luz sobre o rosto do Big Brother. Republicanos e democratas se alternam nas condenações ao ato antipatriótico do rapaz, que precisou sumir. Nada nem ninguém pode garantir sua integridade física diante da caçada que se anuncia.
As campanhas difamatórias aos quatro sujeitos acima aconteceram nos últimos cinco anos. As perseguições não foram perpretadas por George W.Bush ou Ronald Reagan, mas por Barack Obama, o democrata, sedutor, liberal e popular presidente da era das redes sociais. A instauração do terror virtual, a truculência e o abuso de poder vêm de um governo supostamente mais conciliador que o isolacionista anterior. Vem de um presidente jovem, com uma biografia admirável, que já ganhou o Nobel da Paz e que sinalizava uma transformação real no panorama das relações globais.
Não, isso não é um filme de ficção. A neutralidade da rede está em perigo, a internet como arena global corre riscos reais, e os usuários do sistema estão sendo monitorados, quando não criminalizados, oprimidos e eliminados. A inocência é uma palavra amarelada no dicionário, mas a política é um instrumento movido a ideias, palavras e ações. A política se faz nas ruas e diante dos teclados. Como a ética, a lei e a guerra, a política é uma invenção humana para buscar o equilíbrio. Arregace as mangas, então!
A revista Época perguntou na semana passada em sua capa por que tudo atrasa no Brasil… pois eu pergunto: por que ela não usou um ponto de interrogação já que fez uma indagação, conforme se percebe na grafia do “por que”???
O Círculo Artístico Teodora está com uma promoção para o dia das mães. Leve a sua para assistir o espetáculo Urano Quer Mudar, e ela será convidada da produção. Não pagará nada, nada neste final de semana: hoje, 11, e amanhã, 12 de maio.
Urano Quer Mudar está em cartaz no Círculo Artístico Teodora, que fica na servidão Morro Verde, 786, no Campeche. Sessões às 20 horas, com ingressos a R$ 30,00 e meia para idosos, estudantes e classe artística.
O Núcleo de Estudos sobre Transformações no Mundo do Trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina (TMT/UFSC) lança, na próxima segunda-feira (6 ), o relatório Perfil do jornalista brasileiro – Características demográficas, políticas e do trabalho jornalístico em 2012.
A publicação apresenta os resultados de enquete com 2.731 profissionais, realizada entre setembro e novembro do ano passado pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política (PPGSP), em convênio com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O projeto teve o apoio da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ).
O estudo foi coordenado pelos professores Alexandre Bergamo, Jacques Mick e Samuel Lima. O lançamento ocorre às 19h, no miniauditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A programação prevê a apresentação dos principais resultados da pesquisa e análises sobre a relevância do estudo para os campos da sociologia e do jornalismo no Brasil, pelos coordenadores do PPGSP, Ricardo Gaspar Müller, e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC (POSJOR), eu, e pela professora do PPGSP Maria Soledad Etcheverry Orchard e pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Valmor Fritsche.
Os jornalistas britânicos andam bastante preocupados com o nível de seu jornalismo, afinal não está fácil pra ninguém, né? Grampos do News of the World… Relatório Leveson… as últimas denúncias de abusos sexuais de apresentadores da BCC…
Comentei no objETHOS sobre um evento que discutiu padrões éticos para o jornalismo online. O News:Rewired acaba de publicar um vídeo com um painel dessa discussão. Vale ver…
Fiz uma faxina nos links recolhidos na semana e destaco cinco cliques:
Práticas Jornalísticas é o blog do projeto de pesquisa O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas, coordenado pela Beatriz Marocco, professora e pesquisadora da Unisinos. Vale conferir as entrevistas com jornalistas brasileiros falando de seus métodos de trabalho.
De olho na cobertura das explosões na Maratona de Boston, o blog Chat Girl fez um resumão dos erros jornalísticos pela mídia, por causa da pressa, da checagem de informações mal feita…
Por falar na montanha dos erros, o colunista da Reuters Jack Shafer aborda as muitas repercussões do tema, e a importância da audiência em apontar as derrapadas dos jornalistas.
Conheça o Manual de Periodismo de Datos, resultado de um curso em 2011 do European Journalism Centre e a Open Knowledge Foundation em Londres. A versão está em espanhol e em contínua atualização.
Esses seres iluminados, plenos em sua racionalidade, rigorosos como o aço temperado… ahhhh… mestres e doutores são criaturas complexas, difíceis de se traduzir num maltrapilho post como este.
Desta feita, sugiro que devorem o livro “Mestres 2012: demografia da base técnico-científica brasileira”, lançado agorinha pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) – e que pode ser baixado aqui -, e avancem um nível com “Doutores 2010: Estudos da demografia da base técnico-científica brasileira” – com download aqui.
Agora, se após a leitura desses compêndios, você não compreender as muitas camadas que compõem esses entes magníficos, ora!, está na hora de você fazer um mestrado, um doutorado…
Acontece hoje e amanhã no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo o 3ª Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo, reunindo pesquisadores, coordenadores de cursos de pós-graduação, representantes das agências de fomento nacionais e de associações científicas da comunicação.
As atividades acontecem no Auditório Henrique da Silva Fontes, no CCE/UFSC, Florianópolis. O evento é gratuito, com inscrições no local e com transmissão ao vivo.
O Simpósio tem patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFSC, Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC).
Confira a programação: DIA 18 DE ABRIL
Das 14h30 às 16h15 Mesa 1: Fomento à Pesquisa em Jornalismo
> Maria Helena Weber (coordenadora da área de Comunicação na Capes)
> Othon Jambeiro (representante de área no CNPq)
Mediadora: Gislene Silva (POSJOR/UFSC)
Das 16h30 às 18h30 Mesa 2: Pesquisa em Jornalismo, o olhar das sociedades científicas
> Luciana Mielniczuk (diretora científica da SBPJor)
> Antonio Hohlfeldt (presidente da Intercom)
> Itânia Gomes (vice-presidente da Compós)
Mediador: Eduardo Meditsch (POSJOR/UFSC)
DIA 19 DE ABRIL
Das 9h às 12h30 Mesa 3: Inovação, Projetos e Perspectivas da Pesquisa em Jornalismo (parte 1)
> Kelly Prudencio (coordenadora do PPGCom da UFPR – PR)
> Antonio Carlos Hohlfeldt (pesquisador representante do PPGCom da PUC-RS)
> Claudia Quadros (coordenadora do PPGCom da UTP – PR)
> Beatriz Marocco (pesquisadora representante do PPGCom da Unisinos-RS)
> Sérgio Luiz Gadini (coordenador do PPGCom da UEPG – PR)
Mediador: Francisco José Castilhos Karam (POSJOR/UFSC)
Das 14h30 às 17h30 Mesa 4: Inovação, Projetos e Perspectivas da Pesquisa em Jornalismo (parte 2)
> Eugenia Maria Mariano da Rocha Barichello (coordenadora do PPGCom da UFSM – RS)
> Alberto Carlos Augusto Klein (pesquisador representante do PPGCom da UEL-PR)
> Virginia Pradelina da Fonseca (pesquisadora representante do PPGCom da UFRGS – RS)
> Rogério Christofoletti (coordenador do POSJOR – SC)
Mediadora: Cárlida Emerim (POSJOR/UFSC)
Não assistiu ao espetáculo Urano Quer Mudar? Pois é, não tem mais desculpas…
Se ainda não tinha visto porque as apresentações tinham ingressos limitados, alegre-se: agora, há mais lugares!
Se ainda não tinha conferido porque as sessões foram no Campeche e você mora longe, rejubile-se: agora, é no centro!
Se ainda não tinha assistido porque estava sem dinheiro, seus problemas acabaram: é de graça!
Então, vá ver!
Urano Quer Mudar terá apresentações hoje (sábado,13) e amanhã (domingo, 14) às 20 horas no Sesc-Prainha, bem no centro de Florianópolis. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados uma hora antes no local. No elenco, os ótimos Margarida Baird e José Ronaldo Faleiro, do Círculo Artístico Teodora; na direção, Brigida Miranda, com assistência de Fábio Yokomizo; canções de Ana Laux; direção de arte de Paulo Henrique Wolf; iluminação de Ivo Godois; produção executiva de Claudia Venturi; e texto deste blogueiro…
O enredo? Um casal de atores prepara a mudança de casa, e redescobre o texto de um espetáculo que nunca chegaram a montar. Envolvidos nas lembranças de mais de cinquenta anos de palcos, eles passam a viver a história de um amor improvável que se passa em um cemitério. Memória ou invenção? Vida ou morte? Mudança ou destino? Quem se atreve a responder antes do caminhão de frete chegar?
Se você já viu a peça e gostou, vá ver novamente, e indique aos amigos.Se não gostou, já sabe: indique aos inimigos…
Sou bem antigo para algumas coisas. Só corto cabelo em barbeiro, por exemplo. E escolho a dedo aquele que vai empunhar uma navalha pra aparar minhas costeletas. Machismo declarado, e no bom sentido. Aquele em que se espalha pelo chão do salão como as madeixas dos clientes… No barbeiro, viceja um ambiente cru e rude, mas fraterno e amigável. Os homens não vão ao barbeiro por vã vaidade, mas por higiene e… todos os assuntos que se pode ter num salão de barbeiro…
Em Florianópolis, corto os (poucos) cabelos no mesmo lugar desde o final dos anos 90… Mas em outras cidades onde vivi também frequentava barbeiros. Em Itajaí, por exemplo, eu ia no Marinho, que ficava bem próximo à praça da catedral. O ambiente era antigo, não tão limpo, mas autêntico. Marinho tinha cabelos brancos penteados pra trás, olhos claros e o rosto vincado. Não era alto, e falava muito baixo. Na verdade, quase nunca falava, embora eu tentasse puxar conversa. Ele resmungava alguma coisa e continuava o tique-tique-tique da tesoura. Era caprichosíssimo, mas caladão. Um dia, apareci por lá e ele estava de cabelos pintados de acaju. Manguei com ele. O que ele disse? Nada. Me olhou com aquela cara fechada. Desviei o olhar para a tesoura na mão dele e temi que ele se descuidasse. Mas o Marinho nunca se descuidava.
O salão tinha uma freguesia cativa, que ia de gente muito simples a figurões que estacionavam suas caminhonetes na frente da barbearia. Chovesse ou fizesse sol, o salão estava sintonizado numa rádio popular, em altos decibéis. Marinho, às vezes, aspergia um refrão sertanejo ou um scatch de funk. Isso mesmo! Marinho sabia das coisas.
Por um corte de cabelo masculino – ele só atendia clientes deste sexo! -, cobrava míseros cinco reais, quando a concorrência colocava seu preço quatro vezes mais. Marinho não ligava. Uma vez, levantei da cadeira tão satisfeito que dei uma nota de vinte e disse que estava certo. Ele me olhou com uma cara de jagunço-matador e me deu o troco sem dizer nada. Desviei o olhar para a tesoura que estava na outra mão dele, temendo por algum descuido. Mas o Marinho nunca se descuidava. Tanto é que morreu no início da semana, conforme me contou o amigo Carlos Praxedes. Morreu dormindo. Esticou a soneca. São Pedro e os anjos lá no céu estão com sorte…
64% dos jornalistas no mercado de trabalho é mulher
98% têm formação superior
40,4% têm pós-graduação
59,9% dos jornalistas recebem até cinco salários mínimos
55% atuam em veículos de comunicação, produtoras de conteúdo, etc…
40% atuam fora da mídia, em atividades de assessoria de imprensa ou afins
Esses são dados da pesquisa “Perfil do jornalista brasileiro – Características demográficas, políticas e do trabalho jornalístico em 2012”, um esforço inédito da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), realizada por pesquisadores da UFSC – entre eles meus chapas Samuel Lima e Jacques Mick -, com apoio do FNPJ e SBPJor.
A íntegra dos resultados da pesquisa será apresentada em entrevista coletivo no Hotel Aracoara, em Brasília, na próxima quinta-feira, 4 de abril, às 14h30. A conferir…
Só hoje assisti ao vídeo em que José Genoino “fala” ao CQC, transmitido na segunda passada, 25. E confesso: pensei três, quatro vezes se escreveria sobre isso. Na verdade, me fez mal o que vi. Fiquei incomodado. Não com o cerco que os personagens do programa fazem aos políticos em Brasília, nem com a pegação de pé habitual com Genoino. Duas coisas me chamaram a atenção no vídeo: a gana do CQC Mauricio Meireles para humilhar o deputado e a cilada que armou para que Genoino respondesse ao programa.
Eu poderia descrever, mas é melhor ver com os próprios olhos:
Viu? Pois é, não vou discutir se Genoino é corrupto ou não. Fato é que ele foi condenado pelo STF pelo escândalo do Mensalão. Outro fato que também não pode ser ignorado é a sua biografia na vida política nacional. Mas, como disse, não vou entrar nessa polêmica. Só vou me prender aos dois aspectos que me causaram mal estar ao ver o vídeo. E para isso vou lançar perguntas ao léu, que você – leitor – pode se atrever a responder ou não…
– é correto ensaiar uma criança para repetir perguntas capciosas para alguém?
– é certo que o seu pai filme uma conversa em ambiente privado – um gabinete – para tentar “flagrar” algum deslize do político?
– a criança em questão sabia o que estava fazendo? se não sabia, de quem é a responsabilidade por aquilo?
– o homem que a acompanhava era mesmo seu pai?
– durante meses, o CQC tentou arrancar declarações de Genoíno e sempre em ambientes públicos. É legítimo que se valha de uma troca de palavras em ambiente privado para fazer tanto alarde?
– o CQC precisava usar uma criança para ter esse efeito?
– a frase de Genoíno – de que o PSDB tinha “lábia” e por isso não saía o julgamento do Mensalão tucano – era alguma confissão de culpa ou algo que o incriminasse?
– o CQC é um programa jornalístico ou humorístico?
– se o CQC for um programa jornalístico, quem é o diretor responsável que deveria responder por eventual uso indevido de um menor no vídeo?
– se for um programa jornalístico, o CQC se baseia em que princípios jornalísticos? E quais princípios éticos?
– se for um programa humorístico, o CQC deve ter limites? Quais?
– pode-se discutir limites de programas humorísticos sem despencarmos para a velha discussão sobre censura?
– programas humorísticos transmitidos pela TV aberta também se enquadram no que dizem a Constituição Federal, a legislação sobre radiodifusão pública e o Estatuto da Criança e do Adolescente?
– a declaração de Genoíno traz algo de novo (jornalisticamente falando) ao caso do Mensalão ou a qualquer outro?
– pegadinha é um recurso jornalístico?
– pegação no pé é uma técnica jornalística?
– usar uma criança para armar uma arapuca com alguém (quem quer que seja!) é engraçado?
– onde está a graça em humilhar e ofender as pessoas, mesmo as condenadas na justiça?
A chamada de trabalhos para o dossiê Jornalismo e dispositivos móveis da revista Sur Le Journalisme/About Journalism/Sobre Jornalismo está aberta até 1° de abril. (pode acreditar, é verdade!)
Mais informações em http://surlejournalisme.com/rev
O espetáculo Urano Quer Mudar, montagem do Círculo Artístico Teodora, também está fora da 3ª Maratona Cultural de Florianópolis! A decisão do grupo segue a direção de outros artistas locais em protesto à censura do governo do Estado à peça Kassandra. Parte da classe teatral está em pé de guerra com a organização da Maratona e com o governador Raimundo Colombo, que teria vetado a realização do espetáculo numa famosa casa noturna…
(Se você não sabe do rolo, atualize-se aqui, aqui, aqui e aqui.)
Embora Urano esteja fora da Maratona, as sessões de sábado (23) e domingo (24) ESTÃO GARANTIDAS E VÃO ACONTECER!
Leia aqui a nota do Teodora sobre a desistência do evento:
O Círculo Artístico Teodora vem a público declarar com perplexidade e consternação que se retira da 3ª Maratona Cultural de Florianópolis em que estrearia o espetáculo “Urano quer mudar”, em repúdio: – à interferência do Governo do Estado ao espetáculo Kassandra; – às irregularidades denunciadas pela FECATE e pelo Fórum Setorial Permanente de Artes Cênicas de Florianópolis; – à cláusula contratual que reza: “não fazer manifestações que difundam preconceitos, difamação, calúnias contra qualquer pessoa física ou jurídica, assim como não fazer manifestações que atinjam a honra e/ou moral da contratante e apoiadores, especialmente durante a apresentação do espetáculo contratado.” Como integrantes ativos do Círculo Artístico Teodora, nós, Margarida Baird, José Ronaldo Faleira, Claudia Venturi e Maria Brígida de Miranda, cuja juventude foi passada sob o jugo da ditadura militar, recusamos, na maturidade, vivendo em um pretenso estado de direito, a aceitar censura à liberdade de expressão, que a referida cláusula põe em relevo. Como NÃO queremos que o público deixe de ver o produto de nosso trabalho, apresentaremos “Urano quer mudar” em nossa sala no Campeche, gratuitamente, sem o respaldo financeiro da 3ª Maratona Cultural de Florianópolis, como ensaio aberto. Atenciosamente, Círculo Artístico Teodora.
Repetindo: as sessões de Urano Quer Mudar acontecerão normalmente nos dias 23 e 24 de março. Para assegurar o seu ingresso gratuito, mande email com Nome e dia escolhido para uranoquermudar@gmail.com
Hoje, de forma melancólica, acabei perdendo três queridos amigos. Eles eram muito, muito próximos a mim. Tínhamos uma relação desde a adolescência e posso dizer que crescemos juntos. Eram duros, mas discretos. E o que é pior: ultimamente formou-se uma verdadeira campanha de difamação contra eles. Diziam que não serviam pra mais nada e que o melhor mesmo seria… vocês sabem…
Foi assim – com hora marcada e de uma forma atroz – que o dentista veio e extraiu três dos meus sisos. Já sinto a falta deles, e é uma dor nada metafórica…
Malala Yousufzai voltou à escola, depois de sobreviver a atentado a tiros do Talibã. E tem gente que arruma um monte de desculpas esfarrapadas para não ir à aula…
Se você tem mais de trinta vai se lembrar do “verão da lata”, né? Até saiu livro outro dia, contando o caso de milhares de latas de maconha prensada que “invadiram” o Rio de Janeiro, trazendo preocupação às autoridades e alegria para outras camadas sociais…
Pois não é que o imaginário popular ainda tem sérias desconfianças com latas? Ontem, retornando de viagem, fui abordado de forma muito simpática pela segurança do aeroporto de Congonhas. A moça – que mais parecia o Maguila por sua docilidade e porte atlético – rosnou logo que minha mochila passou pelo raio-X: “De quem é essa aqui?” Ergui o dedinho e murmurei: “É minha, moça!” Com as mãozinhas na cintura, ela rugiu: “É que tem uma lata aí dentro”. “É, tem”. “Que é que tem dentro da lata?!”, berrou, abalando uma pilastra do terminal. Um segundo é muito tempo e pensei em três respostas para a agente de segurança: 1) “Tem 800 gramas de cocaína, bruaca!”; 2) “É Nescau, dona, sou traficante de Nescau!”; 3) “Vaselina, doçura. A lata está cheia de vaselina e você sabe pra quê…”. Mas sou um cara educado e soltei um cândido: “Doce de leite, moça! Tô vindo de Minas”.
Antes de me encostar contra a parede e dar uma geral, a segurança disse de forma amável: “Vai ter que abrir!” Sorri amarelo, abri a mochila, e exibi com um misto de vergonha – tinha uma fila atrás de mim – e orgulho a lata. Era um exemplar do mundialmente famoso Doce de Leite de Viçosa, premiado no mercado, adorado por multidões, quase canonizado pela diocese local. Um segundo é muito tempo e me imaginei levantando a lata como Cafu fez em 2002, chuva de papel picado, flashs, We are the champion, urros de alegria… mas voltei à realidade.
Com os caninos à mostra, a segurança pareceu ter se convencido. Mas hesitou. Um segundo é tempo demais, e temi que ela fosse confiscar minha desejada lata e eu voltaria para casa apenas com o queijo meia-cura que comprara em Mariana. Mas voltei à realidade, guardei a lata e segui pelo saguão driblando a segurança, meia dúzia de turistas polacos, um cara de turbante e um anão de barbicha loira. Só saí do meu transe quando uma senhora disse de lado: “Preconceito ca lata, né mes?!”, disse em bom mineirês. Sorri amarelo, me dei conta do ocorrido e deixei escapar um pensamento político: Os mineiros deveriam se insurgir com coisas do tipo. Viu o que os cariocas fizeram com os royalties do petróleo?
Desde ontem acontece no campus de Mariana da Universidade Federal de Ouro Preto a quarta edição da Semana de Comunicação. O evento tem como tema “Narrativa e construção do herói” e segue até amanhã. Estou afivelando a mochila para dar uma passadinha por lá, já que participo da mesa “A mídia (des)construindo um personagem” com Renne França e o professor Lalo Leal, da USP.
O programa Capes-Fulbright é voltado para jovens doutores, formados entre 2006 e 2012, que desejam realizar pesquisas e estreitar relações com instituições norte-americanas, por um período de seis a nove meses, nas áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais, Letras e Artes. Mais informações podem ser obtidas nos sites: www.capes.gov.br ou www.fulbright.org.br.