há 15 anos morria chico science

Hoje faz exatamente quinze verões desde que cheguei à república estudantil de uns amigos festeiros e encontrei todos pregados-atônitos na frente da TV. Ao abrir a porta, ouvimos uma senha estranha: “Vocês não vão acreditar em quem acaba de morrer!”. Gelamos no momento, congelamos no seguinte.

Em pleno dia de Iemanjá e de Nossa Senhora dos Navegantes, Chico Science sucumbia num acidente automobilístico entre o Recife e Olinda…

A morte sempre atordoa, mas aquele era o nosso heroi do momento! Animava nossas festas, contagiava o espírito de quem batalhava no começo da vida, em busca de um novo emprego, no início da carreira, na plenitude dos muitos sonhos. Inteligente, gregário, sorridente, brilhante, talentoso, formulador de novas teorias e nossos ritmos, dançante, contagiante, Chico Science atuava como um sensacional arauto de novas sonoridades, de novas posturas para as bandas e jovens artistas brasileiros, trazendo não apenas um som diferente, mas chamando a atenção para uma cena artística escanteada por décadas.

Irônico, eu sempre digo isso, irônico é lembrar que um sujeito tão rítmico fosse morrer numa batida…

Passados quinze anos, o mundo mudou demais. A Nação Zumbi continua, o Mundo Livre S/A esteve na semana passada aqui em Floripa para lançamento de novo trabalho, outras bandas surgiram, mas o mangue beat persiste. Quem é mangue boy sabe do que estou dizendo.

A convite do UOL, Fred Zero Quatro até reescreveu o Manifesto.
O original você encontra aqui.
O renovado, reproduzo a seguir.

Chico Science lives and rules!

Rios, pontes e alfaias
Welcome to hellcife. Ex-venérea brasileira, que tempos atrás exportava em abundância uma madeira muitíssimo utilizada em toda a Europa na fabricação de arcos de violino. Na França chamavam de Pernambouc. Por aqui, Pau Brasil. Nos anos 90 do século passado, nosso parceiro Chico Science celebrizou outra espécie, a chamada Rizoflora, árvore predominante nos nossos manguezais. Depois disso, passamos a exportar alfaias, tambores característicos do maracatu, para todo o planeta – um produto com alta carga simbólica. Pode-se dizer que hoje, poucos são os estudantes de percussão que não tenham ou almejem ter em seu set uma alfaia fabricada em Pernambuco.

A vida é um game?
Vinte anos atrás, a zona do antigo porto do Recife, que era frequentada prioritariamente por prostitutas, cafetões, marinheiros e contrabandistas, foi de certa forma resgatada por uma nova espécie da fauna pernambucana, os Chamagnatus granulatus sapiens, ou caranguejos com cérebro. Nos cabarés da vizinhança do marco zero, os chamados Cool Crabs passaram a produzir e a discotecar em festinhas underground. O bairro passou então a atrair a cobiça de empresários da noite, galeristas e, por fim, do poder público. Hoje um dos mais bem sucedidos setores de exportação do Recife, além da música e do carnaval, são os produtos gerados pelas centenas de micro e pequenas empresas de games e softwares instaladas ali perto, no Porto Digital.

Carnaval sem fim
As festinhas underground não acabaram. Mas os mangueboys são cada vez mais raros. Outras tribos predominam: indies, neofolks, e um híbrido celebrizado pela banda Eddie, a galera original olinda style. Quanto à massa, curte brega e pagode, mas também adora o carnaval multicultural. E a produção musical, herdeira ou não do manguebeat, tem se mostrado cada vez mais fecunda: só em 2011 foram lançados quase 200 discos, alguns com ótima repercussão nacional. O Nação Zumbi, quem viver verá, vai arrebatar mais uma vez o Brasil com o lançamento de seu segundo DVD ao vivo, em 2012.

Da lama aos neurotransmissores
Mas o universo mudou. Se antes os mangueboys se inspiravam na antipsiquiatria e na teoria do caos, hoje alguns deles se interessam pelo conceito de capitalismo linguístico; descobertas recentes no campo da neuroplasticidade; experimentos obscuros da Googleplex; estudos avançados sobre sinapses e redes neurais; a falácia do conceito de “cérebro out-board” e a relação entre o uso contínuo de multitarefas com distúrbios do hipocampo cerebral. Não por acaso, alguns de seus novos gurus são o escritor Nicholas Carr e os neurocientistas Jordan Grafman e Michael Merzenich, que após anos de experimentos vêm alertando que quando realizamos multitarefas online, estamos “treinando nosso cérebro para prestar atenção ao lixo”.

Parabólica revisitada
Quando os mangueboys imaginaram, duas décadas atrás, uma parabólica enfiada na lama, eles não o fizeram seguindo nenhum roteiro pré-estabelecido. E a reflexão que fazemos hoje se assemelha ao que preconiza N. Carr em “A geração artificial”: ainda alimentamos a esperança de que não chegaremos tão gentilmente ao futuro, como diz o escritor, “seguindo os scripts que os engenheiros da computação e os programadores de softwares estão escrevendo para nós”. Voltemos a ganhar a estrada, portanto. Canalizemos nosso desejo de interatividade para as ruas com empatia e tesão, pois, como diz um refrão do novo disco do Mundo Livre S/A, a vida é pra compartilhar…e gozar.

uma saída para a ética jornalística

Em tempos de transformações tão profundas nos modos de se fazer jornalismo, nos relacionamentos entre jornalistas, meios e audiências, e nas próprias regras éticas, há quem sinalize saídas igualmente drásticas. É o caso do professor Anton Harber, que dirige o Programa de Estudos de Jornalismo e Mídia da Wits University, na África do Sul.
Para ele, a saída está na adoção de uma transparência radical como valor para a prática jornalística. É de se pensar…

The way the media works has changed, and the way journalists operate has changed, but the ethical and professional rules have stayed largely the same. The old rules were based on building trust between journalists and their audience, on a notion that there was a single truth to be relayed; now it needs to be built on encouraging informed scepticism, so that an active, participatory audience can assess credibility and authority and choose which of many versions and viewpoints to follow and believe.

To cope with this, journalists need to do more than enforce ethical codes more strongly, but there is a need to update the rules and practices and make them appropriate to this new world of instant, constant and fragmented news.

Fortunately, new media also gives us the tools to do this, and encourage fairness, balance and accuracy in journalism. The way forward lies in a commitment to a radical transparency – giving the audience the tools to understand how news is processed and selected, and the information that empowers them to assess its validity and credibility.

Leia na íntegra, no blog do autor.

jornalistas e redes sociais na europa

Um recente e extenso estudo realizado pela TNS Qual+ descreve a relação de jornalistas e redes sociais na Europa. Se você se interessa pelo fenômeno das redes ou por jornalistas, vale dar uma olhada. Tem 111 páginas, em formato PDF, em inglês e com arquivo de 1,1 Mega… (baixe aqui)

não é que mudaram?

Eu disse aqui que o cartaz era meio infeliz. Não é que vi outro na locadora hoje? Vejam só!

cadê a crise dos jornais mesmo?

Toda vez que alguém anuncia o fim dos jornais e a crise dos impressos, afasto dois passos e olho de esguelha. Afinal, para sermos muito justos, o armagedon ainda não chegou por aqui, não é mesmo? A ruína que os abutres reverberam nos mercados norte-americano e europeu não se editou por aqui, ao menos por enquanto. Duvida? Então, veja a matéria de Anderson Scardoelli para o Comunique-se que atesta o crescimento no setor no ano passado…

O meio jornal teve crescimento de 3,5% durante o ano passado, revela os dados divulgados nesta quarta-feira, 25, pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), órgão responsável pela auditoria de jornais e revistas no País. A maior parcela deste aumento ficou sob responsabilidade das publicações consideradas populares, aquelas que são vendidas até R$ 1, que subiu 10,3%.

As vendas em bancas, chamadas de avulsas pelo instituto, também foram destaque para o meio de comunicação impressa do Brasil. Tendo como comparação o ano de 2010, a comercialização dos jornais por este nicho teve uma elevação de 4,6% no ano passado. Segundo os números do IVC, as assinaturas também registram alta durante 2011, alcançando 2,4% de aumento.

O IVC também anunciou que a média diária de circulação de jornais no Brasil chegou perto dos 4,5 milhões (precisamente 4.443.836) de exemplares. A entidade afirmou que o número, referente ao ano passado, marca o “novo recorde histórico para a auditoria”. O registro, porém, é válido em toda a circulação paga que tem o acompanhamento do instituto. OS veículos gratuitos não foram mencionados.

Crescimento também é a palavra usada para citar como foi a situação em 2011 dos jornais vendidos de R$ 1 a R$ 2. Neste caso, no entanto, o aumento não chegou ao meio por cento, fechando o ano passado com 0,3% a mais que em 2010.  Os títulos comercializados com preço superior a R$ 2 tiveram um resultado melhor; avanço de 1,6% na circulação. A auditoria não separou estes itens em assinaturas e avulsos.

Para o presidente do IVC, Pedro Martins Silva, o crescimento dos jornais em 2011 se deve ao aumento do poder aquisitivo das pessoas e também de um melhor preparo dos responsáveis pelas redações. “Esse segmento está sendo impulsionado pelo crescimento da classe C, que ganha corpo e traz um grande volume de pessoas com melhora no poder de compra. Por sua vez, os editores estão aproveitando o momento, oferecendo produtos adequados ao novo universo de leitores. A alta registrada em todo o meio solidifica a curva favorável vista nos últimos quatro semestres”.

Quer ter uma ideia de como anda o segmento dos jornais? O IVC não audita a circulação de todos os jornais do país, mas apenas dos seus filiados, que representam mais ou menos a metade dos exemplares que saem das rotativas. Hoje, estima-se que o mercado brasileiro tenha 8,5 milhões de exemplares diários de jornais. Veja a série histórica:

Ano

Exemplares/dia auditados IVC

Variação

2011

4,44 milhões

+ 3,5%

2010

4,29 milhões

+ 1,9%

2009

4,21milhões

– 3,4%

2008

4,35 milhões

+ 5%

2007

4,14 milhões

+ 11,8%

2006

3,70 milhões

+ 6,5%

2005

3,48 milhões

+ 4,1%

2004

3,34 milhões

+ 0,8%

2003

3,31 milhões

– 7,2%

2002

3,55 milhões

– 9,1%

2001

3,87 milhões

– 2,7%

2000

3,98 milhões

+ 8,81%

colóquio internacional sobre jornalistas na frança

Fábio Pereira, professor da UnB e um dos pesquisadores mais jovens e articulados do país na área, anuncia a chamada para trabalhos do colóquio internacional “O governo dos jornalistas: Formas e efeitos da ação pública sobre a informação, o grupo profissional e as empresas de comunicação”.

O evento acontece nos dias 11 e 12 de outubro em Rennes, França. E se você quer mandar propostas tem até 15 de fevereiro. As respostas da seleção saem em 31 de março.

Veja mais detalhes aqui.

cibercultura e jornalismo: chamada para artigos

(reproduzindo do site da revista)

O volume 9 nº 1 da revista Estudos em Jornalismo e Mídia reserva seu Núcleo Temático às relações entre a cibercultura e as práticas jornalísticas.
Nos últimos anos, não foram apenas os avanços tecnológicos que afetaram o jornalismo, mas a emergência de novos papeis, hábitos e culturas de produção, difusão e consumo de bens simbólicos. Com isso, meios de comunicação, públicos e profissionais vêm se reposicionando rapidamente diante de uma nova ecologia comunicacional. Ajudam a compor este cenário o surgimento de redes sociais na internet e novos atores, apropriações de mídias pelas audiências, o fortalecimento dos processos de colaboração e participação, os esforços técnicos para novos empacotamentos de conteúdos por vias multimidiáticas e convergentes, e a explosão das linguagens e das narrativas, entre outros fatores.
Prioritariamente, o Comitê Editorial receberá artigos que tratem da temática Cibercultura e Jornalismo e de assuntos derivados.

Deadline: 20 de março de 2012
Aprovação de artigos: até 10 de maio de 2012
Publicação da edição: até 20 de junho de 2012
Instruções para os autores: http://bit.ly/qwSA8p
Mais informações: http://bit.ly/8kDtY7

A Estudos em Jornalismo e Mídia é uma publicação científica eletrônica do Mestrado em Jornalismo (Posjor/UFSC).
Semestral, a revista tem acesso totalmente gratuito, publica artigos em português, espanhol e inglês, e está classificada como um periódico B3 no Qualis/Capes.
A EJM está indexada em oito bases de dados nacionais e internacionais, e foi a primeira revista brasileira de Comunicação a ter o Digital Object Identifier (DOI).

vida digital, um estudo global

Foram apresentados publicamente os resultados de um amplo estudo sobre hábitos e apropriações de usuários digitais em 60 países, incluindo o Brasil. “Digital Life” é uma pesquisa que traz dados de 2011 a partir de entrevistas a 72 mil usuários de 16 a 65 anos, uma amostra de 93% da população mundial conectada. A pesquisa foi feita pela TNS, multinacional de pesquisa de mercado.

Alguns dados que chamam a atenção:

  • Dos 2,1 bilhões de internautas, 84% estão nas redes sociais e 33% elegem marcas como “amigas”
  • 80% deles usam o meio digital para conseguir informação e 78% levam em consideração comentários sobre marcas, produtos e serviços
  • No planeta, a média é que se destine 18 horas semanais à internet, quase um quinto disso nas redes sociais
  • O tempo conectado por dispositivos móveis vem crescendo e já ocupa 11% do total global
  • Esses dispositivos impulsionam o crescimento das redes sociais e dos comentários, e em países emergentes acaba sendo uma das únicas formas de estar conectado
  • Em junho de 2011, contava-se 200 milhões de tweets ao dia
  • 64% de quem posta comentários sobre uma marca, o faz para oferecer conselhos ou compartilhar uma experiência; 53% para criticar

O estudo interessa a empresas do setor de tecnologia e mídia, mas também a pesquisadores da área e a usuários comuns, que podem ter uma compreensão maior dos fenômenos atuais da comunicação.

Saiba mais sobre o estudo aqui

Veja a apresentação dos resultados dirigida à mídia!
(em formato PDF, em espanhol, 65 páginas e arquivo com 1,6 Mb)

um especial multimídia sobre o cérebro

La Información começou a publicar um caprichadíssimo especial multimídia sobre o cérebro humano. A primeira parte trata dos “cérebros reparados”, com implante de eletrodos biônicos, por exemplo, e já está online. A segunda parte – “En busca de la memória” – cai na web a partir do próximo dia 26.

É bonito, bem construído, muito informativo e útil.

Se você tem o cérebro lesado, como eu, fica a dica!

dc impresso chama para o online

Assinantes e bancas de jornais receberam ontem no final da tarde a edição dominical do Diário Catarinense e os leitores mais desatentos chacoalharam a cabeça, incrédulos. É que o jornal impresso reproduzia a nova versão eletrônica da publicação. A ideia é boa, mas não é nova. Para se ter uma ideia, o Correio Lageano fez o mesmo quando o seu portal o CLMais completou um ano. O jornal da serra chegou às bancas como se tivesse sido arrancado da web…

 

a classe média se regozija

As manchetes de três dos principais jornais brasileiros dão a tônica do sonho da classe média, ligeiramente endinheirada: Vamos pra Disney!!
Foi só o presidente norte-americano acenar com uma bugigangazinha que os nativos brilharam os olhos. Notem que o governo dos EUA não está abolindo a necessidade dos vistos para brasileiros; apenas anunciou que vai facilitar a emissão dos documentos… ainda precisaremos de carimbos para entrar naquele país e deixar por lá nossos dólares… mas a migalha foi alardeada em alto e bom na mídia daqui.

Se formos pensar, esse jeitão colono-deslumbrado-aparvalhado ajuda a explicar porque a viagem de Luiza ao Canadá causou tanto por aqui…

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um pôster, digamos, meio infeliz…

Já está nas locadoras, e você pode rir e pensar o que quiser…

“o brado retumbante” é ingênuo, mas interessante

Os americanos não têm tantos pudores quanto os brasileiros quando o assunto é usar seus presidentes na TV ou no cinema. Na pele do chefe da nação, Harrison Ford já trocou sopapos para salvar o mundo em seu Força Aérea Um, Morgan Freeman, Danny Glover e Jack Nicholson anunciaram o apocalipse, e até mesmo o baixinho Martin Sheen já mandou na Casa Branca. Os presidentes americanos pilotam caças contra alienígenas, lideram ofensivas globais, assumem – com algum conforto – o posto de xerifes do planeta.

Entre nós, a coisa não é bem assim.

A minissérie “O brado retumbante”, no ar na TV Globo desde a terça, 17, é um produto que foge à regra. Apresenta a história de um presidente acidental, cercado de chacais palacianos, e disposto a colocar o país nos trilhos, apesar de seus muitos deslizes pessoais. A direção caprichada, o ritmo bem cadenciado dos capítulos e o elenco que mescla medalhões e rostos menos conhecidos ajudam a dar um charme à trama. A trilha sonora reúne bons momentos, embora não tenha sido criada especificamente para a ocasião. Cenários aludem mais ao Rio de Janeiro que Brasília, mas isso pouco importa no enredo. Fica até mais bonito.

Particularmente, tenho gostado da história na medida em que embaça as fronteiras entre as vidas privada e pública do presidente Paulo Ventura, e quando mostra aliados e opositores de forma dúbia. O presidente se mostra aturdido pela surpresa de ter que assumir o cargo mais alto do país. É pressionado de todos os lados, até mesmo de quem ele menos poderia esperar, a mãe. Os diálogos oscilam entre boas trocas de farpas e discursos mais didáticos, que quase convidam ao sono. Mas a atração vale a atenção.

A história se apoia em alguns pontos frágeis, muito próximos da ingenuidade:

. Ventura se torna presidente porque o primeiro e o segundo homens da nação desparecem num acidente de helicóptero! Ora, em nenhum lugar do mundo, presidente e vice viajam juntos! É uma norma básica de segurança e de manutenção do poder!

. Um senador ou outro têm acesso fácil e privilegiado ao gabinete do homem, e chegam de forma intempestiva. Ora, não há secretária, agenda presidencial, protocolos? Em toda parte, esse acesso é restrito, dificultado pela burocracia, por filtros!

. A filha de Ventura se mete em enrascadas e grita, como que anunciando, ser filha do homem. Ora, em tempos de redes sociais, paparazzi e meios de comunicação de massa, ninguém sabia disso? Só se estivesse no Canadá…

O fato é que “O brado retumbante” é um bom exercício narrativo, apesar da visão política maniqueísta e juvenil. É uma boa história mesmo com sua estatura rasa, sem muitas camadas e temas paralelos. Sua nuvem de tags poderia trazer “ética”, “política”, “corrupção”, “utopia”, “moralismo”, “justiça”, “novo país”, “público versus privado”, “interesses privados”, “razões de estado”… Tornar mais intrincado o jogo entre essas palavras é que seria muito bem vindo.

Seus autores e realizadores só não podem querer fazer da diversão um capítulo do Telecurso 2000 ou mesmo uma transmissão da TV Senado. Teledramaturgia não precisa de didatismo nem discursos insossos. Requer ritmo, bons diálogos, trama envolvente, personagens críveis e finais não previsíveis. Aliens, guerras mundiais e finais do mundo podem ficar com os americanos…

o assunto mais falado da web hoje…

… não vai ser naufrágio, abuso sexual, escândalos políticos… será o confronto entre um modelo e outro de distribuição de conteúdos, de compartilhamento de experiências, de divisão de conhecimentos.
Conheça as iniciativas que podem acabar com a internet como a conhecemos.

Saiba mais ainda

imagine o mundo sem conhecimento livre…

Saiba mais aqui

Os Repórteres Sem Fronteiras também aderiram…

Entre na página da Wired e acompanhe a versão censurada…

o aniversariante do dia

Fez 70 anos e é imune a kriptonita.

como adolescentes se comunicam?

Surgiu um estudo recente da Ericson sobre como os adolescentes norte-americanos se apropriam de tecnologias para se comunicar. A pesquisa leva em conta 2 mil entrevistas online feitas com sujeitos de 13 a 17 anos. A amostra representa uma fatia de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária, afirma o estudo. Alguns resultados:

  • Mandar textos pelo celular é legal, mas não substitui contato presencial
  • Videochat é uma tendência crescente
  • O telefone celular é uma ferramenta social
  • Adolescentes e adultos usam o Facebook de forma diferente

Quer ver o estudo na íntegra, clique aqui.
(em inglês, 12 páginas, em formato PDF e arquivo de 498 Kb)

mais oportunidades…

Não foi à praia? Não está recebendo parentes? Não tem o que fazer?
Ora, seus problemas acabaram. Ocupe-se e esvazie as gavetas…

A equipe editorial da revista Brazilian Journalism Research (BJR) convida autores para submeter trabalhos para a sua próxima edição (v.8, n.1), que terá como Dossiê Temático Mídias Digitais, convergência e prática jornalística: desafios e perspectivas. Os artigos serão recebidos até 30 de março.

A Brazilian Journalism Research é um periódico científico semestral publicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A associação é dedicada à teoria e à pesquisa sobre jornalismo (tanto o trabalho teórico, quanto o empírico). A revista é editada em inglês e português e está indexada em base de dados como a Latindex e DOAJ.
O Call for papers (em inglês) está disponível em:
http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?page_id=818
Para acessar a BJR, clique em:
http://bjr.sbpjor.org.br/index.php/bjr

(reproduzindo a chamada de Kênia Maia, vice-presidente da SBPJor e Editora Executiva da BJR)

Tem mais…

Já está aberto o processo de submissão de trabalhos ao GT Estudos de Jornalismo para o XXI Encontro Anual da Compós. Desde sua criação, em 2000, o GT converteu-se em espaço central e qualificado para discussões e aprofundamento das problemáticas relacionadas ao jornalismo, suas práticas, linguagens, discursos e transformações tecnológicas. O template de submissão de trabalhos está disponível para download no site da Associação (www.compos.org.br ) e as inscrições, realizadas exclusivamente nesse site, encerram às 18h do dia 15 de fevereiro. Esse ano o Encontro acontece em Juiz de Fora, Minas Gerais, entre os dias 12 e 15 de junho.

(reproduzindo a chamada de Ronaldo Henn, coordenador do GT)

oportunidade… nas férias

Se você é professor, pesquisador, estudante e não viajou de férias, não se desespere! Há outras maneiras de se divertir, como escrever artigos científicos, por exemplo. Veja a oportunidade abaixo:

A Razón y Palabra, primeira revista eletrônica do subcontinente a tratar de comunicação, está com chamadas abertas para seu número 81, que deve circular na metade do ano. O tema é “Comunicação como valor para o desenvolvimento social”. Os coordenadores da edição Laura Gonzáles Morales e Guilebaldo López López informam os prazos:

10 de marzo: Fecha límite para el envío del trabajo
10 de abril: Retroalimentación por parte del comité editorial
10 de mayo: Entrega definitiva de los trabajos

Normas editoriais podem ser encontradas em:
http://www.razonypalabra.org.mx/editorial.html

Dúvidas? Mandem emails para:

com.desarrollosocial@gmail.com
espejoludico@yahoo.com.mx
thezin3@yahoo.com.mx

fórum de professores com chamada aberta

(Reproduzindo a informação do presidente Sérgio Gadini)

Estão abertas as inscrições de trabalhos ao 14º Encontro de Professores de Jornalismo, que acontece entre os dias 27 e 30 de abril (2012) na Universidade Federal de Uberlândia (MG).
Para submeter trabalhos ao grupos do 10 Ciclo Nacional de Pesquisa em Ensino e Extensão em Jornalismo, acesse o site do Fórum
Diante dos impasses, colocados ao ensino superior em Jornalismo, o ENPJ será um espaço fundamental para traçar os rumos e desafios da formação profissional na área, como é o caso da (polêmica) situação em torno das Diretrizes Curriculares em Jornalismo. Imperdível! Esperamos, pois, contar com sua estimada participação lá em Uberlândia.

Agende-se e envie trabalho: http://www.fnpj.org.br/soac/ocs/callforpapers.php?cf=24

Outras informações estão no link:
http://www.fnpj.org.br/noticia/fnpj-abre-chamada-de-trabalhos-para-encontro-nacional-790

no elevador, com a cientista…

O acaso (ou não!) fez com que eu pegasse uma carona de elevador com uma moça na descida do quinto andar. Eu acabara de deixar a sede da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (Fapesc). Assim que fecharam as portas, ela emendou, seriíssima: “Sempre me esqueço que a Fapesc fica nesse andar. Geralmente, subo até o sexto e desço. São os macróbios atacando os neurônios!”. Disfarcei a ignorância crônica e soltei no mesmo tom: “A-ham!”

é, não tem jeito…

Fiquei semanas sem passar por aqui, cansado, desmotivado, aparentemente sem ter o que dizer. Acessei agora as estatísticas do blog na indisfarçável esperança que ele estivesse zerado, mas não. Ainda há quem por aqui passe. Me mostra que o blog resiste, apesar de mim. Bem, se não tem jeito, vamos adiante. Um passo à frente.

12 resoluções para 2012

1. Fazer ao menos uma coisa diferente por mês. Serão 12 maneiras novas de viver. Experimente!

2. Contar até 11 diante dos problemas. Seja paciente!

3. Não fazer 10 coisas ao mesmo tempo. Tenha foco!

4. Dormir 9 horas diárias. Descanse!

5. Tentar trabalhar apenas 8 horas por dia. Equilibre-se!

6. Não gastar nenhuma das minhas 7 vidas. Cuide-se!

7. Fazer mais meia dúzia de amigos. Conviva!

8. Conjugar 5 verbos em todos os tempos: Perdoar, Dialogar, Celebrar, Ousar, Viajar.

9. Perder 4 quilos, e não voltar a encontrá-los na cozinha. Seja mais leve!

10. Conceder-se 3 desejos, e realizá-los. Presenteie!

11. Agradecer 2 vezes, sempre. Reconheça!

12. Amar a vida como se ela fosse uma só. Aproveite!

este blog subiu no telhado

Há semanas ando pensando sobre este espaço aqui.

Se você o frequenta, sabe que ele era atualizado com mais frequência, que era mais arejado. Mas isso mudou nos últimos meses. Antes, eu me angustiava porque não blogava. Depois, fui me convencendo de que a sobrecarga de trabalho simplesmente consumia todo ou quase todo o tempo que dispunha para o Monitorando. Hoje, tenho a consciência de que um certo abandono se deve também a outros fatores, como a desmotivação, o cansaço, o esgotamento físico e mental, um esvaziamento.

Será que cansei de brincar? Em que medida este espaço ainda é importante para mim?

Não tenho respostas definitivas, mas decidi compartilhar com você este sentimento de transe. Justo você que passa por aqui, que torna a atividade de blogar uma possibilidade não-solitária…

Ando sumido também em outros planos do ciberespaço. Tuito cada vez menos; passo pelo Facebook apenas para bater cartão; minha conta no Last.FM está coberta de teia de aranha…

Este post é uma despedida? Não, acho que não. Talvez seja uma preparação para isso. O blog me deu muitos prazeres, me conectou a pessoas muito legais, me permitiu conversar com gente de todos os tipos. O blog também trouxe problemas e dissabores, mas a vida tem disso também.

Em alguns momentos, para sacudir a poeira, eu fazia uma mudança visual no blog, apertava um parafuso aqui outro lá. As cirurgias plásticas resolvem epidermicamente, outras operações são mais delicadas, definitivas e quase sempre adiadas.

Tenho um motivo específico para essa elucubração toda? Não, não. A vida não precisa de motivos; ela precisa é ser vivida. Este blog pode ser atualizado com menos frequência ou simplesmente deixar de existir. O tempo dirá. Não me despeço nem agradeço a sua visita porque alguma coisa me diz que “voltaremos em breve com nossa programação normal”.

hackerismo e jornalismo

A revista Comunicação & Sociedade acaba de lançar nova edição, onde publica uma resenha minha sobre “Hackear el periodismo”, livro do jornalista argentino Pablo Mancini.

A obra é instigante, cheia de insights e marcadamente preocupada com a busca de novos papeis para o jornalismo. Vale a leitura.

Reproduzo a resenha, mas a edição completa da revista pode ser acessada aqui.

Hackerismo e Jornalismo

Os meios de comunicação ajudam a cristalizar um equívoco quando usam o termo “hacker” para designar vândalos cibernéticos e criminosos digitais que violam sistemas, roubam dados, picham sites. Até veículos especializados cometem esse deslize, e isso ficou evidente mais uma vez com a onda de ataques a páginas eletrônicas do governo brasileiro em junho passado: as invasões foram atribuídas a “hackers”.

Teria sido uma derrapada não fosse o fato de que há quase três décadas um livro reposicionava os hackers como protagonistas na história da informática. Em 1984, Steven Levy já os chamava de “herois da revolução na computação”. Compreender esses personagens significa não apenas evitar jogá-los na vala comum dos marginais, mas entender aspectos importantes da lógica que orientou a busca pela excelência tecnológica e a emergência de uma cultura de colaboração no trabalho e de compartilhamento de arquivos e conhecimentos.

Em “Hackear el periodismo: manual de laboratório”, o jornalista argentino Pablo Mancini se vale do conceito por trás desses personagens para discutir os limites atuais para o jornalismo numa nova ecologia comunicacional. Gerente de Serviços Digitais do Clarín Global, Mancini está atento aos movimentos do setor para buscar a sustentabilidade de projetos midiáticos e o redesenho das práticas informativas. As ilustrações a que recorre são exemplares, e o livro é recentíssimo – chegou ao público em abril de 2011.

Evocando Levy (1984) e Himanen (2002), Mancini se apressa a aliviar a carga semântica negativa sobre o termo. Com os autores que sistematizaram uma ética hacker, lembra que existem hackers em todas as profissões e não apenas na computação, e o que os define é uma predisposição de buscar a excelência com métodos pouco ortodoxos, inexplorados e inovadores. São personagens que se apoiam em valores como paixão, liberdade, consciência social, verdade e integridade; e se orientam para o livre acesso à informação e ao conhecimento. Portanto, compartilham o que sabem, buscam soluções para sua comunidade, facilitam o acesso e contornam dificuldades. Hackers são naturalmente curiosos e criativos, e perseguem o aperfeiçoamento de práticas, procedimentos e sistemas. É neste aspecto que Pablo Mancini aproxima hackerismo de jornalismo. Essa indústria está atravessando um período intenso de transformações que ensejam soluções, reconfigurações e reprogramações. Daí que necessita de “profissionais com uma visão estratégica que estejam à altura do mercado: hackers que se apropriem dos desafios e possam desenhar as soluções que os meios e a profissão precisam para se reinventar” (2011: p.16).

Para Mancini, hackear o jornalismo é trabalhar para aperfeiçoá-lo tecnicamente, é conjugar esforços para apontar saídas para sua manutenção como negócio viável, é operar para melhorá-lo como prática socialmente útil.

O autor propõe quatro portas para se entrar no núcleo funcional e hackear o jornalismo: tempo, audiência, valor e organização. Mancini despe-se de pretensões totalizantes, advertindo que não se trata de lei ou teoria, mas de uma proposta de análise e ação. Para ele, esses quatro aspectos são chaves das mudanças nas fábricas de notícias. Podem ser analisados separadamente, mas articulá-los em pares ou em quadratura auxilia uma visão mais ampla das transformações sem precedentes sofridas por essa indústria.

O diagnóstico não parece exagerado, afinal, como descreve o autor o tempo de consumo das informações já não é mais o mesmo; a audiência tem novas práticas junto aos meios; o valor das informações é também agregado de fora das redações; e os fluxos corporativos estão sendo reformulados. Com isso, se todas as coordenadas foram alteradas, o jornalismo também precisa de um novo endereço.

Com uma superoferta de informações, os meios de comunicação acabaram dilatando o período de consumo de seus produtos. Se antes a audiência se encaixava em janelas de tempo – o horário nobre da televisão, as horas da manhã para a leitura dos jornais… -, agora, o público não fica mais confinado nesses intervalos. A audiência não está mais em nenhum lugar porque ela flui, atravessa os meios, é turista dos suportes. Aliás, Mancini critica a obsessão das empresas pelos suportes, o que as estaria arruinando. “Se o conteúdo é transmídia, os meios serão pós-suporte” (op.cit.: p.34). Por isso que “o tempo da audiência está hackeando a incapacidade e a resistência à mudança que reina e governa a maioria das organizações jornalísticas” (op.cit.: p.24). A saída, segundo Mancini, é produzir brevidades, informações em pílulas, sob o mantra do “menos é mais”, de forma a capturar as fluídas audiências.

Aliás, os públicos vêm dotados de outras potencialidades. Em tempos como os nossos, as audiências são agentes também da distribuição dos conteúdos dos meios, algo que antes era prerrogativa exclusiva dos jornalistas e veículos. Os amadores2 tomam a Bastilha, geram material, intrometem-se no processo produtivo dos meios de comunicação, clamam por mais espaço de participação/interação. Para Mancini, não se trata de falar de prosumers, de jornalismo cidadão ou seus arredores. Está nascendo um novo animal midiático, capaz de “mudar a cadeia alimentar de uma ecologia até então endogâmica e autorreferencial” (op.cit.: p.41). A audiência tem o controle do tempo agora, é “a medula e o motor da distribuição de conteúdos”, o que causa tremores nas redações. Sistemas de reputação e recomendação online e audiências desdobradas em algoritmos assumem papeis cada vez mais determinantes na equação comunicativa.

Se a audiência não é mais um rebanho, compara Mancini, os meios também não podem se comportar como cardumes. Buscar se destacar das muitas opções é essencial para sobreviver. A homogeneidade gera a invisibilidade. A superabundância das informações acaba esvaziando parte do valor das próprias informações, seguindo uma lei econômica. O valor não vem mais apenas dela mesma, mas de outras fontes. Está em outra parte. Outro fator problematizador é que os produtos e serviços jornalísticos não são mais apenas lidos, vistos ou ouvidos. São também utilizados, pontua Mancini, trazendo à tona uma dimensão ainda pouco avaliada no setor: o valor de uso da informação.

Se o tempo, a audiência e o valor já não são mais os mesmos, a empresa jornalística também não pode se manter como está, sentencia o autor. É preciso reorganizar-se, o que não se traduz em reposicionar o mobiliário nas redações. Estão em jogo a eficiência das equipes e o valor do que elas produzem. No debate sobre integração de redações, planejamento versus experimentação, ganham mais força os movimentos para a inovação e o redesenho do jornalismo. “Nunca esteve tão claro que o capital dos meios são sua marca e seus recursos humanos (…) O desafio é extremo: depois de décadas otimizando modelos de negócios, agora temos que pensar os modelos produtivos” (op.cit.: p. 109). Mancini se pergunta se é possível produzir novos produtos em velhas fábricas. A saída não é única, e os caminhos apontados pelo autor vão desde a curadoria de conteúdos ao modus operandi da indústria dos games, da prática do remix – ao estilo dos Djs – à combinação bem equilibrada de habilidades e atitudes individuais e coletivas. Interessa é rearranjar a maneira de trabalhar o jornalismo, atuar para romper com modelos engessantes.

À guisa de conclusão, Mancini cita três iniciativas que estão hackeando o jornalismo: o WikiLeaks – site de vazamentos informacionais de governos e corporações -, o Huffington Post – portal onde a audiência é crucial para a criação do valor da informação – e o Newser – que oferece um redesenho da notícia, tendo a brevidade como valor agregado sobre o conteúdo. O que têm em comum esses exemplos? Têm funcionalidades disruptivas, rompem padrões e ajudam a reprogramar o jornalismo. Seu DNA está contaminado por fluidez, flexibilidade e originalidade, elementos raros na espécie.

Então, Pablo Mancini tem todas as respostas? Claro que não. Aliás, seu “Hackear el periodismo” pode frustrar o leitor ao final, já que deixa uma grande quantidade de perguntas sem respostas. As lacunas podem ser atribuídas à despretensão, à impotência ou à impossibilidade de resolvê-las agora. Mancini não oferece um necrológio da crise do jornalismo, mas um manual de laboratório. Parece pouco, mas propor que se mexa os braços é um bom começo para não afundar.

Referências bibliográficas

HIMANEN, Pekka. La ética del hacker y el espíritu de la era da la información. Barcelona: Destino, 2002

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2008

KEEN, Andrew. O culto ao amador. Rio de Janeiro: Zahar, 2009

LEVY, Steven. Hackers, heroes of the computer revolution. New York: Delta, 1984

MANCINI, Pablo. Hackear el periodismo. Buenos Aires: La Crujía/Futuribles, 2011

“coração-pensamento”

É o que temos pra hoje…

nova edição da revista estudos em jornalismo e mídia

Acaba de chegar à rede mais um número da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Posjor/UFSC.
A edição tem um especial sobre narrativas no jornalismo.

Confira o sumário e acesse a publicação:

Editorial – Permanência e atualidade da contação de histórias

Núcleo Temático

Bom jornalismo, histórias bem contadas
Daisi Irmgard Vogel

Mídias precursoras: transição e transgressão: atualidade da leitura de dois depoimentos do jornalista Marcus Faerman
Terezinha Fátima Tagé Dias Fernandes

Narrativas convergentes: ficção e realidade na prosa de Nelson Rodrigues
Esdra Marchezan Sales

O discurso jornalístico autorreferencial como estratégia de construção da ‘imagem de si’
Daiane Bertasso Ribeiro, Maria Ivete Trevisan Fossá

Mídia, identidade e território: as cidades projetadas pelos formatos noticiosos no telejornalismo local
Jhonatan Alves Pereira Mata, Iluska Maria da Silva Coutinho

Narrando Escândalos: Eleições, Campo Jornalístico e Drama Político
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho

“Livros de repórter”, saberes de entremeio: relatos jornalísticos sobre a cobertura de conflitos
Angela Zamin

Sob a superfície dos fatos, a complexidade de seu significado: o desafio da narrativa no Jornalismo Cultural
José Salvador Faro

Conviver, sentir, narrar: personagens documentais e jornalísticos
Alexandre Zarate Maciel

Temas Livres

Inovação, renovação e ambidestria: chaves para a aprendizagem do jornalismo no século XXI
Carlos Eduardo Cortés

Sobre o fluxo informacional em tempos de Internet: estudo dos contextos comunicacionais
Guilherme Haas

Transparência na apuração em blogues jornalísticos
Leonardo Feltrin Foletto

Jornalismo e direitos infantis no Brasil e em Portugal: privacidade, estigmatização, e participação de crianças e adolescentes nos jornais O Globo e Público
Lidia Soraya Barreto Marôpo

Jornalismo Popular no Brasil e na Alemanha: as capas do BILD Hamburg e do Diário Gaúcho
Ana Cecília Bisso Nunes

Nas fronteiras do olhar
Aglair Bernardo, Gustavo Bonfiglioli

John Stuart Mill e as sociedades da informação: Liberdade de imprensa, Estado e opinião pública
Alexandre Antônio Nervo

Resenhas

A narrativa jornalística: elementos para uma teoria do acontecimento
Cristiano Anunciação

5º encontro de jornais laboratórios é amanhã

 O curso de Jornalismo da UFSC promove amanhã, 9 de dezembro, a quinta edição do encontro de jornais laboratórios catarinenses. O evento, que já passou por outras escolas do estado, é retomado em Florianópolis com seu propósito original: reunir professores, estudantes, profissionais e técnicos para discutir a realidade pedagógica local para o ensino de jornalismo laboratorial.

O encontro acontece na Sala Aroeira, do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, a partir das 9 horas. Pela manhã, uma mesa reúne representantes dos jornais laboratórios para trocar experiências de ensino e extensão, dificuldades e dilemas. À tarde, outra mesa dá prosseguimento aos debates.

Já confirmaram presença os cursos da Unisul (Palhoça), Unisul (Tubarão), Ibes/Sociesc (Blumenau), Univali (Itajaí), Faculdade SATC (Criciúma), Unochapecó (Chapecó), UFSC (Florianópolis), Faculdade Estácio de Sá (São José) e Ielusc (Joinville).

A organização está a cargo dos professor Samuel Lima e Rogério Christofoletti, com apoio dos alunos do curso de Jornalismo da UFSC.

Veja a programação:

9h: Abertura
Memória do evento
Profª Raquel Wandelli (Unisul – Palhoça)

9h30: Mesa Nº 1 – Compartilhando Experiências I
. Zero (UFSC, Florianópolis) – Prof. Rogério Christofoletti (mediador)
. Contato (Fac. Estácio de Sá, São José) – Prof. Billy Culleton
. Ênfase (Fac. SATC, Criciúma) – Profª. Marli Vitali
. Extra (Unisul, Tubarão) – Profª Cilene Macedo

12h às 14h: Almoço

14h: Mesa Nº 2 – Compartilhando Experiências II
. Fato & Versão (Unisul, Palhoça) – Profª Raquel Wandelli (mediadora)
. Primeira Pauta (Ielusc, Joinville) – Profª Amanda Miranda
. Cobaia (Univali, Itajaí) – Prof. Sandro Galarça
. Passe a Folha (Unochapecó, Chapecó) – Prof. Francesco Silva
. O Quinto (Ibes/Sociesc, Blumenau) – Prof. Fabrício Wolff

17h: Encerramento
Definição da sede do 6º Encontro e encaminhamentos gerais
Prof. Samuel Lima (coordenação)

O evento terá cobertura pelo Twitter: @zeroufsc

jornalismo cidadão, em defesa

O jornalista Marcelo Barcelos defende hoje no Mestrado em Jornalismo da UFSC a dissertação “Jornalismo cidadão: profissionalidade e amadorismo nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina”. A banca é pública e acontece a partir das 14 horas na sala de videoconferência do CCE. A comissão examinadora do trabalho é formada pelas professoras Gislene Silva e Maria José Baldessar, além de mim, que atuei como orientador.

A transmissão online da defesa você pode conferir aqui.

Um resumo do trabalho:

O jornalista não está mais sozinho para apurar os acontecimentos, escrever as notícias e distribuí-las. Com a revolução tecnológica que reconfigura não só suas práticas, mas também a própria função social, ao lado do profissional, está o amador, o cidadão comum, aquele a quem se deu, por muito tempo, o nome de público/receptor. Hoje, o leitor pode ser um produtor de conteúdo noticioso e, para isso, apropria-se de competências antes exclusivas dos repórteres, como apurar, narrar fatos inéditos e produzir o noticiário, em um fenômeno conceituado “jornalismo cidadão”. É tentando entender os impactos provocados pela chegada desse personagem no jornal impresso e no âmago da cultura jornalística que este trabalho mergulha. Parte-se do princípio que legitimou a produção de conteúdo amador independente até o instante em que as mídias tradicionais passaram a adotá-la, elevando o cidadão à condição de leitor-repórter. Para compreender esse recente paradigma, analisamos um corpus de 27 edições – durante uma semana completa dos quatro jornais do Grupo RBS em Santa Catarina: Hora de Santa Catarina, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia. A investigação, utilizando o método exploratório na análise de textos e fotografias, caracterizou a produção amadora publicada conforme os seguintes critérios jornalísticos: a) autoria; b) foco narrativo; c) atualidade; d) interesse público e) gênero f) hard news e g) soft news. A análise ainda inclui entrevistas presenciais com jornalistas das quatro redações, à procura de traços dessa nova forma de relacionamento com o público e das tensões provocadas em sua profissionalidade. Rodeado de enunciados intencionais que o convocam à colaboração, o público atende a um chamado e produz conteúdo de natureza informativa; muito desse conteúdo, no entanto, é carregado de um caráter pessoal. As produções aparecem em quase todas as editorias, ora na voz do cidadão, ora diluída na edição do jornalista, que a complementa. É possível identificar um elevado grau de dependência no qual o jornalista demonstra a necessidade do leitor para “fechar o jornal”. No outro lado do balcão, os jornalistas ainda se moldam à partilha, enquanto defendem seu conhecimento específico, conquistado entre a prática e a formação acadêmica, para tratar – com ética, veracidade e equilíbrio – o que vem de fora da redação, sob o risco da abertura de espaço à imprecisão e à narrativa falseada. Os jornalistas reconhecem, no entanto, a necessidade cada vez maior chamar o leitor à produção em uma “Coautoria Vigiada” e admitem terem aberto mão de algumas tarefas até então exclusivas.

a crítica da crítica de mídia no brasil

O Mídia & Política acaba de publicar um número especial em que junta artigos sobre a crítica de mídia no país e o futuro do jornalismo. O número tem ótimos artigos e merece ser conferido.
Veja o sumário e vá direto à fonte:

A CRÍTICA DA CRÍTICA DA MÍDIA NO BRASIL

Depoimento – Luiz Martins
“É difícil apresentar boas práticas de acerto no panorama da mídia atual”
Paulo Figueiredo, Fábio Pereira e Camilla Braga
A mesma mídia que veicula uma campanha educativa, mostra, na novela, condutas vis; faz campanha de educação no trânsito para, em seguida, exibir comerciais de automóvel mostrando a velocidade como diferencial.

Jornalismo e crítica: informar ou opinar?
Thaïs de Mendonça Jorge
Se atualmente proliferam torres de vigilância – tanto quanto câmeras de segurança na via pública –, observatórios existem porque a sociedade mesma indicou a necessidade de um pan-óptico para ver o que acontece na mídia.

Periscópio dá oportunidade a estudantes
Anderson David Gomes dos Santos
O espaço destinado à crítica da mídia é disponibilizado por uma rádio educativa, a Rádio Unisinos 103.3 FM, emissora da Fundação Urbano Thiesen, ligada à Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Observatório da imprensa, um velho-jovem
Adriana Domingues Garcia
OI estimula a sociedade midiatizada a refletir em relação aos modos de observação sobre o que a mídia produz e faz circular, podendo fazer com que os sujeitos mudem de postura durante a assimilação dos produtos noticiosos.

As novas mídias e sua influência na crítica
Rogério Christofoletti
A crítica não significa a prática da demolição e da ofensa, nem do descrédito e do cinismo, muito menos o desprezo do trabalho alheio e a soberba ilimitada. Deve ser vista como forma de ação, reflexão direcionada à melhoria de qualidade dos produtos.

O FUTURO DO JORNALISMO

Periodismo en peligro de extinción
Carlos Soria
Hay más de un motivo para sospechar que el periodismo es una profesión en peligro de extinción, como el oso panda, el lince o el gorila; o al menos, para pensar que el periodismo sufre una verdadera crisis de identidad.

Ainda guardando o portão?
Célia Maria Ladeira Mota              
O gatekeeper é tarefa em extinção no mundo inteiro. O processo se inverteu e o leitor, telespectador ou ouvinte se transformou em gatewatcher da informação.

Olhar o que não está diante dos olhos
Antonio S. Silva
Mais comunicação exige mais mediadores, profissionais que ofereçam esclarecimento e competência para olhar aquilo que não está diante dos olhos, mas que se esconde estrategicamente, atendendo a interesses políticos, econômicos e culturais.

RESENHA
 11 de Setembro
Chomsky e a imprensa: verdades inconvenientes