privacidade, interesse público e equilíbrio

Como qualquer atividade humana, o jornalismo se equilibra em valores. Interesse público, equilíbrio no tratamento das informações e respeito à privacidade são alguns deles.

Na coluna de hoje, a ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, escreve que muitos dos leitores daquele jornal se queixaram da reportagem que denunciava que Mônica Serra, esposa do presidenciável José Serra, teria feito um aborto há décadas no Chile. Os leitores criticaram o jornal pela invasão de privacidade e questionavam o valor jornalístico da matéria assinada por Mônica Bérgamo. A ombudsman reconheceu que a reportagem trata de um assunto delicado e “quase inverificável”. Mas defende a oportunidade de tratar do tema, tão explorado na campanha eleitoral não apenas por Serra, mas por sua rival Dilma Rousseff. Suzana Singer conclui:

É, sem dúvida, polêmico e desconfortável fazer jornalismo da vida privada. Mas, à medida que os dois candidatos -Serra e Dilma- assumem personagens quase fictícios nessa campanha, justificam-se os esforços em tentar desnudá-los.

Um leitor mais exigente poderia indagar: Quer dizer que para “desnudar” um candidato os jornalistas podem até mesmo invadir o seu passado, a sua privacidade?

Particularmente, não sei se é pra tanto, mas a se pensar… A se pensar nos limites para o jornalismo, inclusive o praticado pelos jornalões como a Folha. Em setembro passado, durante a Semana do Jornalismo aqui na UFSC, a mesma ombudsman da Folha deu detalhes sobre como o seu jornal se orienta para cobrir os candidatos. Entre outros indicadores, estão as pesquisas eleitorais, e quem está na frente recebe mais atenção que os demais. Não proporcionalmente em termos de espaço, mas em termos de investigação. Isto é, quem está na frente tende a ter mais preocupação do jornal em “desnudar” seu passado, suas ações, suas promessas.

Confesso que essa orientação me incomoda. Ela se distancia muito de uma cobertura equilibrada, balanceada e justa. É certo e esperado que a imprensa fiscalize, investigue, vasculhe informações atrás de detalhes que atendam ao interesse do público, da coletividade. Mas é preciso fazer isso de lado a lado, não impulsionado por pesquisas ou sondagens, mas por valores mais perenes e amplos. Ficar ao sabor do vento não me parece garantir uma boa jornada nesses tempos tão revoltos…

o encontro da sbpjor mudou!

As obras do Reuni na Universidade Federal do Maranhão obrigaram a coordenação do 8º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo a mudar o local do evento. Agora, o encontro – com data entre 8 e 10 de novembro – vai acontecer no Praia Mar Hotel, na Praia de Ponta da Areia (Avenida São Marcos, nº 4).

“garanta o seu emprego que eu garanto a minha dignidade”

O apresentador Paulo Beringhs, da TV Brasil Central, afirmou ao vivo que sua emissora teria recebido ordens para não realizar entrevista com o candidato Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás. Em seguida, sinalizou que por conta daquela informação muito possivelmente não estaria no dia seguinte na mesma bancada…

(dica da professora Maria José Baldessar, também publicado no Portal Imprensa)

liberdade de imprensa: afinal, quem está certo?

Há coisa de um mês, grandes veículos de comunicação brasileiros chiaram, causando histeria sobre uma suposta avalancha de ações para cercear a liberdade de imprensa no país. Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e Veja fervilharam em torno disso.

Acaba de sair a classificação mundial dos países em termos de liberdade de imprensa, feita pela ONG Repórteres Sem Fronteiras. O Brasil foi um dos destaques no continente. Está na 58ª posição entre 178 nações, e subiu 13 andares do ano passado pra cá.

A las progresiones ya observadas en el Cono Sur (Argentina, Chile, Paraguay y Uruguay) se suma esta vez la de Brasil. El gigante de América Latina debe su mejor posición a una disminución de los hechos violentos graves que minaban hasta entonces ciertas regiones y a las pruebas de lucha contra la impunidad en ciertos casos. También se la debe a las evoluciones legislativas favorables en materia de acceso a la información y de libertad editorial, como la reafirmación del derecho a la caricatura en periodo electoral. Finalmente, Brasil cuenta con una de las comunidades de internautas más activas del mundo. La situación sería aún mejor si las medidas de censura preventiva no golpearan a ciertos medios de comunicación.

Afinal, quem está certo: a mídia apavorante ou a ONG que observa o assunto há anos?

curso de ética jornalística a distância

(Reproduzido do objETHOS)

O projeto Knight Center for Journalism in the Americas, dirigido pelo brasileiro Rosenthal Calmon Alves, está com inscrições abertas para um curso de ética jornalística para a era digital. O curso é gratuito, a distância e totalmente em inglês. O ministrante é o professor Edward Wasserman, referência obrigatória para os estudos da área, com diversas obras do gênero e com assento nas universidades de Washington e Lee em Lexington, Virginia.  Wasserman é ainda um especialista em mudanças tecnológicas, controle de mídia, plágio, fontes de confidencialidade e conflito de interesses.

O curso é dirigido a jornalistas da América Latina e Caribe com pelo menos três anos de experiência e que tenham um inglês em nível intermediário, isto é, que falem, escrevam e leiam no idioma.

Mais informações: http://bit.ly/b3UWXY

 

 

assim é em lisboa como em são luís

Se você estiver em Lisboa entre os dias 8 e 9 de novembro, o acontecimento é o 3º Seminário Internacional Media, Jornalismo e Democracia, promovido pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O evento reúne nomes como Thomas Patterson, Dan Hallin, Nelson Traquina, Jorge Pedro Sousa, James Curran e Stephen Ward. Alguns pesquisadores brasileiros também por lá estarão. É o caso de Gerson Luiz Martins, Thaïs de Mendonça Jorge, Heitor Rocha Lima, Ana Lúcia Prado e Alice Mitika, entre outros.

Agora se você estiver pelo Brasil na mesma época, mais precisamente em São Luís, no Maranhão, o acontecimento é o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, promovido pela SBPJor. O evento já se consolidou como a principal arena das investigações científicas em nível nacional, sempre trazendo nomes de peso internacional. Neste ano, é o caso de Martin Löffelholz, da Ilmenau University de Tecnologia (Alemanha), e Stuart Allan, da Bournemouth University – Reino Unido.

Não dá pra reclamar, né?

 


lance seu livro na sbpjor

A coordenação local do 8º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece em São Luís (MA), de 8 a 10 de novembro, informa que o evento terá uma sessão de lançamento de livros no dia 9 de novembro, terça-feira, às 20 horas.

Como ocorre em todos os congressos, os autores que desejarem lançar seus livros no 8º SBPJor (http://www.sbpjor.org.br/8encontro/) devem entrar em contato com a profa. Roseane Pinheiro Arcanjo (roseane_arcanjo@yahoo.com.br).

Poderão indicar obras para participar da sessão de lançamentos todos os autores inscritos no 8º Encontro da SBPJor e que tenham produzido livros e periódicos científicos sobre jornalismo, bem como publicações na área de comunicação cuja temática seja ao menos parcialmente sobre jornalismo. As publicações devem ter data de 2010. Também serão aceitas obras de 2009, desde que não tenham sido lançadas no 7º Encontro SBPJor. Os interessados devem enviar à profa. Roseane, até o dia 30 de outubro, um texto com: 1) nome do(a/s) autor(a/es); 2) editora; 3) resumo de aproximadamente cinco linhas sobre a obra; e 4)imagem da capa em JPG (não muito pesada), para divulgação junto ao material recebido pelos congressistas. A possibilidade de lançamento está condicionada à inscrição do autor no 8° Encontro da SBPJor.

 

mídias sociais, o vídeo em português

“o jornal do brasil que nós amávamos”

regulação da mídia: um evento para se acompanhar

democracia e jornalismo: vagas limitadas

Está em Florianópolis? Já se inscreveu neste evento?

tom moralista domina a campanha

Acabo de postar um comentário sobre esta segunda etapa das eleições:

Para além das plataformas eleitorais, José Serra e Dilma Rousseff têm se preocupado emdemarcar posições também no campo dos valores. Não é à toa que o tema mais influente nos primeiros dias foi o aborto: envolve discussões de cunho social, pessoal, moral e religioso. (…) O que se viu nos primeiros dias deste segundo turno pode ser a tônica da etapa final da campanha: um debate menos político e mais moral, uma disputa mais de valores do que de propostas.

Leia a íntegra no objETHOS.

o que me surpreendeu no “manual do frila

Devorei ontem o Manual do Frila, que meu amigo Maurício Oliveira lançou no início da semana. Não me surpreendeu o texto leve e bem humorado, afinal trabalhei com o autor e essa é uma das muitas qualidades dele. Não me surpreendeu a objetividade do livro, afinal a editora Luciana Pinsky – minha editora, inclusive – tem lançado títulos no mercado que se caracterizam por sua utilidade e foco bem preciso.

O que eu não esperava era o imenso despudor do Maurício de não apenas dividir sua experiência como jornalista freelancer, mas de escancarar detalhes tão pessoais e íntimos de seu cotidiano. Nas páginas do livro, sabemos da trajetória do repórter, de seus êxitos e mancadas, de seus filhos e esposa, de como organiza seu tempo cotidianamente, e até mesmo do que pretende fazer após os 40 anos.

O Manual do Frila é declaradamente uma obra pessoal, mas os depoimentos colhidos junto a outros freelancers ampliam sua abrangência. Quer dizer: não se trata de uma biografia, mas o tom confessional do Maurício me surpreendeu. Por uma única razão: tenho menos coragem para me mostrar do que ele.

Mas você percebeu: este post é apenas uma impressão muito particular sobre o livro. Se vale a pena ler? Sim, vale. As histórias contadas são ótimas; as dicas, preciosas; os conselhos, úteis; e o livro vem a calhar, pois a bibliografia brasileira sobre o tema é praticamente inexistente…

duas datas

Este mês tem um mantra

– “Outubro ou nada!” –

e duas datas cabalísticas:

10/10/10

e

20/10/2010.

 

Nossa! Fala verdade: isso mudou a sua vida…

mudanças estruturais no jornalismo

O colega Fabio Pereira, da UnB, informa sobre o Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo:

A FAC/UnB, em parceria com a Rede de Estudos sobe Jornalismo (Réseau d’études sur le Journalisme/REJ), e com o apoio de vários parceiros, está organizando um Colóquio Internacional para discutir as mudanças estruturais no jornalismo. Gostaria de convidá-los a submeter trabalhos e também pedir ajuda na divulgação desse evento. Ele acontece em Brasília, de 25 a 28 de abril de 2011. Os trabalhos podem ser submetidos até o dia 15 de dezembro. A submissão é feita on-line no site: www.mejor.com.br

Veja a chamada aqui.

“democracia e jornalismo na era digital”

A cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, jornalistas e acadêmicos terão a chance de debater as relações entre democracia e os meios de comunicação. O seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital” é uma promoção da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e do Mestrado em Jornalismo da UFSC (PosJor). O evento acontece no próximo dia 26 no Auditório Henrique Fontes, no CCE/UFSC, a partir das 14 horas, é gratuito e aberto ao público.

O seminário vai contar com uma atração internacional, o professor Silvio Waisbord, da George Washington University e um dos principais pesquisadores da área. Waisbord abre os debates tratando da democracia em outros países. O jornalista Carlos Müller, assessor da ANJ e doutor em Ciências Sociais, será o comentador da mesa. Na sequência, o editor-chefe do Diário Catarinense, jornalista Nilson Vargas, aborda os desafios regionais na era digital. Os comentários ficam por conta do professor Francisco José Karam, do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) e do PorJor.

Além de Florianópolis, a ANJ promove eventos semelhantes em mais quatro cidades brasileiras: Brasília, Porto Alegre, Vitória e Fortaleza. Para acompanhar o seminário na Capital é necessário se inscrever por email, bastando enviar nome e CPF. As inscrições são limitadas a 120 vagas.

O Seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital” tem o apoio do Diário Catarinense, objETHOS, Departamento e do Curso de Jornalismo da UFSC.

Serviço:

O quê? Seminário “Democracia e Jornalismo na Era Digital”

Onde? Auditório Henrique Fontes – CCE – UFSC

Quando? 26 de outubro, às 14 horas

Quanto? Entrada Gratuita

Como? Inscrições pelo e-mail objethos@gmail.com

emissoras de rádio e tv públicas: um estudo

O escritório da Unesco no Brasil acaba de lançar um estudo oportuno e importante para a área da comunicação pública. Trata-se de Um Levantamento inicial de necessidades e oportunidades de qualificação e capacitação profissional na Fundação Padre Anchieta e na Empresa Brasil de Comunicação, que tem 32 páginas e pode ser baixado aqui.

O estudo foi elaborado “para uma melhor compreensão das demandas por qualificação profissional no âmbito das duas mais importantes mídias públicas do país. O levantamento mostrou que, mais do que áreas ou temas específicos de capacitação, as duas organizações requerem ser fortalecidas para enfrentar desafios institucionais e organizacionais mais amplos”.

Para uma discussão sobre jornalismo e qualidade, TV e democracia, políticas públicas e direito à informação…

saem os vencedores do pagf 2010

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) anunciou hoje os vencedores do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo de 2010. Nesta quinta edição, foram inscritos 49 trabalhos, novo recorde para a premiação. As inscrições vieram de 29 instituições em onze estados brasileiros e Portugal.

Na Categoria Iniciação Científica, competiram 19 artigos e a vencedora foi Rozana Ellwanger, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Intitulado “Perdão, leitores: uma análise da crítica política na seção opinativa do Coojornal”, o trabalho foi orientado pela professora Veridiana Pivetta de Mello. A comissão de avaliação foi presidida por Márcia Benetti Machado (UFGRS – RS) e composta ainda por Luciana Mielcnizuk (UFSM) e Victor Gentilli (UFES).

O maior número de concorrentes estava na categoria Mestrado: 26 dissertações. A vencedora foi “Objetividade jornalística: o debate contemporâneo do conceito”, de Ben-Hur Demeneck (UFSC). O trabalho foi orientado pelo professor Orlando Tambosi, e os avaliadores foram Ângela Felippi (Unisc), que presidiu os trabalhos, Carla Andrea Schwingel (Casa da Cultura Digital) e Álvaro Larangeira (UTP). A comissão ainda atribuiu menção honrosa à dissertação “Teoria e História do Jornalismo: Desafios epistemológicos”, de Felipe Pontes (UFSC), orientado por Gislene da Silva.

Quatro teses concorreram na Categoria Doutorado. Os professores Zélia Leal Adghirni (UnB), José Salvador Faro (Umesb) e Beatriz Marocco (Unisinos) apontaram como vencedor o trabalho “Radiojornalismo hipermidiático: tendências e perspectivas do jornalismo de rádio all news brasileiro em um contexto de convergência tecnológica”, de Débora Cristina Lopez, orientada na UFBA pelo professor Othon Jambeiro.

A Diretoria e o Conselho Científico da SBPJor indicaram ainda o PAGF 2010 Categoria Sênior para o professor Muniz Sodré de Araújo Cabral (UFRJ) por sua densa, abrangente e influente trajetória na pesquisa em jornalismo. Muniz Sodré tem quarenta anos de carreira acadêmica. É graduado em Direito pela UFBA, mestre em Sociologia da Informação e Comunicação pela Universidade de Paris IV, a Sorbonne e doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ, onde também é professor titular e Livre-Docente em Comunicação. É autor de quase quarenta livros, muitos dos quais referenciais para o Jornalismo. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 1A, Muniz Sodré recebeu diversos prêmios e títulos, entre os quais o de Doutor Honoris Causa pela UFBA e o Prêmio Luiz Beltrão de Maturidade Acadêmica, concedido pela Intercom. Versado em sete idiomas, Muniz Sodré é conhecido por sua erudição, livre trânsito entre as áreas e simpatia. Atualmente, preside a Fundação Biblioteca Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Cultura.

Os vencedores do PAGF 2010 receberão seus prêmios no dia 8 de novembro durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece em São Luís, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

simpósio de jornalismo na unimep

O professor Paulo Roberto Botão avisa que a Unimep está promovendo seu 4º Simpósio de Jornalismo nesta semana, em comemoração aos 30 anos do curso na instituição.

O evento foi aberto ontem com uma conferência do presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Sérgio Luiz Gadini: “A formação do jornalista no contexto atual”.

Acompanhe o evento:

http://www.unimepjornal.com.br

http://www.jornalunimep.blogspot.com

sbpjor no maranhão: programe-se!

Daqui a um mês os principais pesquisadores do jornalismo brasileiro vão se encontrar em São Luís, no Maranhão, para o 8º Congresso Brasileiro da SBPJor. O evento acontece de 8 a 10 de novembro, na Universidade Federal.

A diretoria científica acaba de divulgar as programações das comunicações individuais e coordenadas, veja:

Comunicações individuais da Terça, dia 9: aqui

Comunicações coordenadas da Terça, dia 9: aqui

Comunicações individuais da Quarta, dia 10: aqui

Comunicações coordenadas da Quarta, dia 10: aqui

Mais informações: http://www.sbpjor.org.br/8encontro/

o retorno de house

Setembro terminou com a volta do seriado mais irônico e bem roteirizado da TV: House, MD. Trata-se da sétima temporada, o que entre os fãs pode significar a continuidade ou não da história. Eu explico: o ator Hugh Laurie, que interpreta o médico do título, teria assinado contrato até o sétimo ano, e há boatos que ele estaria como seu personagem, enfadado e disposto a jogar tudo pra cima.

Fofocas à parte, o fato é que a série voltou com tudo. Vi os dois primeiros episódios e me contagiei com as novidades na trama.

Contrariando todos os prognósticos, House e Cudy estão juntos. Uma crise reaproxima e incendeia os sentimentos. De volta ao hospital, eles decidem informar a todos que estão namorando, o que inclui comunicar formalmente o Departamento de Recursos Humanos, afinal Cudy é a chefe de House. Um receio secreto de ambos é que o romance interfira nas decisões profissionais e vice-versa. Bem, e aí a coisa vai…

Mas o que me chamou mais a atenção é que encontramos um House diferente, permitindo-se uma segunda chance, buscando alguma felicidade. Para isso, contraria algumas das suas convicções, submete-se, o que – convenhamos – é a morte para ele. Mas este House diferente, na minha leitura, é um personagem que está se esforçando para aprender a amar. Isto mesmo: House está tentando aprender a amar. Talvez pela primeira vez efetivamente.

Não é pouco.

Aliás, se formos pensar, os herois desta narrativa têm muita dificuldade no terreno sentimental. House parece se sabotar a todo instante: não cede, é repulsivo e desagradável até mesmo para os amigos; Foreman, sob a máscara da seriedade e soberba, é rude e não consegue cativar Thirteen; Taub vive um casamento tumultuado, cheio de interditos e mentiras; Wilson evita se relacionar desde que perdeu Amber; Chase e Cameron não se acertam por causa de um luto do qual ela não consegue se livrar; Cudy busca se realizar como mãe adotiva ao mesmo tempo em que tenta preencher seu coração…

Diante de tantos insucessos amorosos, parece vigorar uma equação no Princeton-Plaisnboro Hospital: médicos salvam vidas mas não podem ser felizes. Do ponto de vista narrativo, a fórmula rende muitas idas e vindas, mas vendo a sétima temporada me passou algo pela cabeça: se House pode amar, se pode se dar bem nisso, todos os demais também conseguem. Seria uma boa maneira de se terminar o seriado… Não que eu queira, claro. Mas resultaria num bom desfecho, até porque não é novidade nenhuma a certeza de que assistimos a House não pelos sintomas estranhos e doenças raras, mas pelos dramas pessoais dos médicos daquele Departamento de Diagnóstico.

crise do equador na mídia

Dois dos jornais mais importantes do Equador trouxeram editoriais em suas primeiras páginas hoje. Claro que o assunto que paralisou e chacoalhou o país ontem foi a crise institucional que quase se transformou num golpe de estado.

Tensões na América Latina…

blinde-se contra os ficha-sujas

Hoje, tem debate na TV; domingo é dia de voto.

Então, não custa nada tentar se proteger de votos equivocados, de candidatos suspeitos e de ressaca pós-eleitoral.

Blinde-se contra os ficha-sujas! Acesse o amplo levantamento que o site Congresso em Foco fez e veja se os seus escolhidos tão sujos na praça:

Mapa partidário dos mais enrolados

Candidatos que merecem sinal amarelo

Ajude a limpar a política

Os candidatos que já estiveram presos

Os parlamentares candidatos réus no STF

Os candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa

Os candidatos acusados de envolvimento com os sanguessugas

ainda sobre a liberdade de imprensa no brasil

Disse há pouco que o perigo maior à liberdade de imprensa e de expressão no país tem vindo muito mais dos tribunais do que dos palácios dos governos. Isto é, o Judiciário impede e cerceia mais o exercício profissional dos jornalistas e a difusão livre da informação que o Poder Executivo.

Os dados, os números mostram isso.
Veja o que diz matéria do Portal Imprensa sobre um relatório divulgado nesta semana pela Associação Nacional de Jornais (ANJ):

… a imprensa brasileira teria sofrido 70 atentados contra a liberdade de informação nos últimos dois anos. (…) O relatório da entidade destaca os números de ordens judiciais impondo censura aos meios de comunicação: dos 70 casos, 26 se referem a decisões do Poder Judiciário, além da determinação de 10 medidas restritivas pela Justiça Eleitoral. A ANJ ressalta, ainda, o aumento da quantidade de decisões judiciais que proíbem jornais de divulgar matérias sobre determinados temas ou conteúdo, seja em período eleitoral ou não. Durante o período do levantamento, o Comitê de Liberdade de Expressão denunciou 20 casos de censura, segundo a entidade.

Trocando em miúdos, o documento aponta que de agosto de 2008 a julho de 2010, houve uma morte, três prisões, 18 casos de agressão, 20 casos de censura, cinco atentados, oito casos de abuso, entre outras ocorrências.

Quer conferir o relatório? Clique aqui.
(62 páginas, formato PDF, 878 Kb)
(Vá direto ao ponto: pule as primeiras 36 páginas do relatório…)

receita de bolo em vez da notícia

Estadão reloaded.

No período mais duro da ditadura militar, nos anos 1970, o jornal O Estado de S.Paulo chegou a usar um expediente criativo e inusitado para preencher os espaços das matérias censuradas pelo governo federal: publicava notícias de bolo ou versos de Os Lusíadas. Nesta semana, quase quarenta anos depois, a Band do Tocantins recorreu ao mesmo expediente.


(O Portal Imprensa também deu a notícia)

O caso chama a atenção para o real foco para uma discussão sobre liberdade de imprensa no país: os perigos aos direitos rondam muito mais o Judiciário do que propriamente os poderes Executivo (como quer fazer entender a Veja) e Legislativo.
Os togados têm investido muito mais contra o exercício da profissão do que os engravatados. Este é um debate a ser retomado.

veja derrapa. de novo

A edição que está nas bancas da revista semanal de informação mais influente do país é categórica: o governo Lula não quer jornalismo nenhum e está fazendo de tudo para cercear a liberdade de imprensa.

Impositiva, editorializada, recheada de adjetivos e carente de dados, a matéria de capa – A imprensa ideal dos petistas – é assinada por Fábio Portela. Em oito páginas fartamente ilustradas, a Veja desfere frontais ataques ao governo numa espécie de revide após declarações críticas do presidente Lula na semana passada. Lula se queixava da imprensa, o que é natural e esperado de qualquer governante. Veja transforma as reclamações em ações concretas do governo para deter os meios de comunicação e os jornalistas. Este é o raciocínio, que – convenhamos – não se sustenta pela absoluta falta de dados da realidade e argumentos no plano discursivo.

A revista exagera.

Sim, estamos a menos de uma semana das eleições e os ânimos estão inflamados. Mas isso não justifica exagerar.

Se um estrangeiro ou alienígena lesse a reportagem, sua impressão seria a de que vivemos num país ditatorial, que não existe liberdade individual e que o exercício profissional dos jornalistas é impedido pelas instituições. E isso não é verdade. A questão da liberdade de expressão e de imprensa é um nervo exposto, delicado, quando se discute solidez democrática, estabilidade política e vigência de estado democrático de direito. Historicamente, há uma relação tensa entre governos e mídia, pois alguns interesses de lado a lado não coincidem e, às vezes, se contrapõem. Os governos têm suas funções, a mídia também. Consagrou-se para o jornalismo a tarefa de fiscalizar os poderes, o que significa denunciar abusos, investigar, revelar e apresentar à sociedade sintomas do mau funcionamento das relações entre estado e cidadãos.

Com isso, reafirmo: é natural que os governantes se queixem da imprensa. Assim como é natural os jornalistas reafirmarem a defesa das liberdades de imprensa e expressão, e perseguirem sua função de cães de guarda frente os poderes instituídos. Mas a própria reportagem da Veja não sustenta o pânico que tenta instaurar. Das seis “ameaças” do governo apresentadas num box da página 79, nenhuma se efetivou. Por quê? Por várias razões, entre as quais o fato de que o país é mais complexo do que supõe a revista e que as instituições, se e quando contrariadas, atuam politicamente, fazendo funcionar um sistema de pesos e contrapesos para estabilizar a democracia.

Por isso, a reportagem da Veja derrapa. É mais campanha antigoverno do que peça jornalística. Basta contar as fontes ouvidas. Não se ouve o lado denunciado. O governo ou fontes ligadas a ele são apenas mencionadas; não foram procuradas, ouvidas ou entrevistadas. Ouvir os lados é essencial no jornalismo. Ser parcial e não promover a pluralidade de opiniões e versões é tão ou mais perigoso quanto as “ameaças” do governo…

congresso da iamcr na turquia

“Cidades, conectividade e criatividade”. Este é o tema da Conferência da Associação Internacional de Pesquisa em Comunicação (IAMCR), prevista para julho de 2011 em Istambul, Turquia.
A seção de Pesquisa e Ensino de Jornalismo já fez chamadas de trabalho, conforme se vê a seguir:

The Journalism Research & Education Section invites submissions for its open sessions at the IAMCR that will be held Kadir Has University will host the 2011 IAMCR Conference in Istanbul, Turkey, July 13-17 2011. The theme for the 2011 conference will be ‘Cities, Connectivity and Creativity

We need to start thinking more creatively about what we are going to do in the volatile future, by finding new motives and opportunities to produce really creative change in the field of journalism research and education. It is thus mandatory to build resilience into our field. This year JRE invites its members to think creatively and holistically about solving problems of the journalism research and education that transcend borders.

It is thus imperative to analyze the different perspectives of creativity, vitality and competitively within urban contexts to provide the appropriate structural conditions necessary for the development of journalism research and education.

The current historical moments of contingency offer the opportunity to reform journalism institutions, curricula and education makes this year’s theme a chance to be prepared and resilient in order to rebuild, and improve the journalism research and education.

The Journalism Research & Education Section invites papers within the general theme of ‘Cities, Connectivity and Creativity‘ and by following one of the JRE Section covers five main themes:

First Themes: International Collaborative Research in Journalism Research: New Challenges and Emergent Perspectives.

Second Theme: Innovations in Journalism:

Third Theme: The Professional Journalism:

Fourth Theme: Methods for Quantifying Professional Journalism:

Fifth Theme: Generic Studies of Journalism:

The Journalism Research & Education Section is opened for panel proposals. Research paper proposal and panel proposals should be sent only through the Conference website, and send another copy to the JRE Section Chair. Proposals should not exceed 500 words including the research objectives, theoretical framework and methodology. Each proposal must include title, name(s), affiliation, institutional address and email address of author(s).

The deadlines are as follows:

  • Submission of abstracts: January 31, 2011 (papers will be assessed and provisionally accepted on the basis of the abstracts).
  • Announcement of acceptances: March 15, 2011
  • Full papers due: April 30, 2011

IAMCR accepts presentations in English, French and Spanish. However, it is requested that abstracts, if at all possible, be submitted in English. Please refer to the JRE website for guidelines

Further information about IAMCR and this conference is available on the respective websites: http://iamcr.org/ and http://iamcr2011istanbul.com

Authors interested in the Journalism Research & Education Section on-line publication will be requested to send their full papers after final modifications no later than September 2011. The review process includes a blind referee process of six members (steering committee) will review the research papers to optimize the quality of research in the best objective and professional level.

excesso e emoção na mídia: uma chamada

Está aberta a chamada para a Contracampo, revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF.

edição 22 da Contracampo reunirá, na seção Ensaios Temáticos, contribuições quer reflitam em torno do tema Excesso e emoção na cultura midiática. A noção de excesso implica o reconhecimento de uma matriz cultural vinculada à cultura popular e massiva. Matriz essa que se articula e rearticula afetando campos distintos e igualmente importantes da cultura midiática contemporânea: sensacionalismo, as narrativas de gênero que se estruturam a partir da condução da emoção ou os discursos que afirmam as ligações entre o universo sentimental e o espetacular. Seria a noção de excesso pertinente para a condução da emoção na esfera da cultura midiática? Que estratégias, efeitos e implicações (éticas, estéticas, políticas) são colocadas em cena nos distintos discursos da cultura da mídia que se vinculam como convite ao emotivo e/ou representam a emoção? Estas são algumas das questões que podem orientar as contribuições para a edição.

Deadline: 31 de outubro
Mais informações: http://www.uff.br/contracampo/index.php/revista/index

a realização do sonho de uma vida

Existem coisas que desejamos por anos e anos; coisas pelas quais lutamos, suamos e quando conseguimos… o que é que fica?

Wile Coyote mostra: