A Unesco lançou um site que oferece códigos de ética, legislação sobre mídia e instrumentos de auto-regulação do setor jornalístico. O site é voltado aos países do sudeste europeu, como Albânia, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Macedônia, Montenegro, Turquia, Sérvia e Kosovo. Conheça Professional Journalistic Standards and Code of Ethics in South-East Europe aqui.
em quem confiar agora?
Philip Kennicott se pergunta hoje no Washington Post: após a morte do homem mais confiável da América, em quem podemos confiar? O articulista do Post faz uma interessante e rápida reflexão sobre credibilidade jornalística a partir do passamento de Walter Kronkite.
um raio x da mídia catarinense em 8 anos
Continua o bazar de livros gratuitos sobre jornalismo na internet!
Hoje, coloco à disposição dois e-books organizados pela equipe do Monitor de Mídia. Os volumes reúnem todos os diagnósticos sobre a mídia catarinense desde 2001. São mais de 600 páginas de análise e de interpretação dos padrões que caracterizam os meios de comunicação locais. Uma rica fonte de consulta para pesquisadores do jornalismo, mesmo para quem está em outras localidades…
Diagnósticos da Imprensa: as 100 primeiras análises
411 páginas
Tamanho do arquivo: 1,6 Mega – Baixar já!
Diagnósticos da Imprensa: edições 101 a 150
223 páginas
Tamanho do arquivo: 6 Megas – Baixar aqui!
um manual essencial e o futuro do jornalismo
O bazar da internet ofereceu nesses dias duas importantes publicações para quem se interessa por jornalismo e pelo futuro dele. O primeiro volume é o manual da Reuters, disponibilizado em formato PDF, em inglês e com generosas 517 páginas. Baixe aqui. A segunda publicação que merece destaque é a compilação de artigos resultantes de uma conferência que o BBC College organizou sobre o futuro do jornalismo. Isso mesmo! Eu disse BBC College. A BBC é tão organizada que tem um programa próprio e exemplar de formação continuada para seus funcionários. Afinal, são 7 mil jornalistas no mundo todo…
O volume “The future of Journalism” – em PDF, inglês e com 92 páginas – pode ser baixado aqui, mas se você está com pressa, o sumário é o seguinte:
- The End of Fortress Journalism – Peter Horrocks
- Introducing Multimedia to the Newsroom – Zoe Smith
- Multimedia Reporting in the Field – Guy Pelham
- Dealing with User-Generated Content: is it Worth it? – Paul Hambleton
- Video Games: a New Medium for Journalism – Philip Trippenbach
- The Audience and the News – Matthew Eltringham
- Delivering Multiplatform Journalism to the Mainstream – Derren Lawford
- Death of the Story – Kevin Marsh
Aproveite!
jornalismo de políticas públicas, um curso
Estão abertas as inscrições para o curso “Jornalismo de Políticas Públicas Sociais”, promovido pela UFRJ e ANDI. A realização é do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência (NETCCON), da Federal do Rio, e o prazo de inscrição termina em 27 de julho.
O curso é gratuito e fornece certificado. Começa em 3 de agosto, sempre às segundas-feiras pela manhã.
As inscrições pelo link:
http://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dHB2TXBxcU9wa09GSFQwYWVEWS1uY2c6MA
tá feia a situação no morumbi
Esses dias, estava pensando: Putz! Faz tempo que não vibro pra valer com o São Paulo. Dois segundos depois, pensei: Na verdade, ultimamente, é só decepção: mandam embora o Muricy, contratam o Ricardo Gomes, o time acumula derrotas, derrapa e não vai pra frente…
Aí, decidi fazer um “Momento PVC”: números e estatísticas do São Paulo Futebol Clube nos seus últimos 15 jogos.
- De 19 de abril pra cá, foram 15 jogos em três competições: Paulistão, Brasileirão e Libertadores.
- 7 derrotas, 5 empates e apenas 3 vitórias
- O São Paulo perdeu a final do Paulistão, foi desclassificado na Libertadores e hoje – antes do jogo com o Santos – está a 1 ponto da zona de rebaixamento no Brasileirão.
- Antes de enfrentar o Santos – daqui a pouco -, o São Paulo tem 11 pontos acumulados em 11 jogos. Resultado pífio.
- O São Paulo só venceu duas vezes neste Brasileirão.
- A campanha é tão ruim que se o time estivesse na Série B estaria em antepenúltimo, prontinho para cair para a terceira divisão. Pior que o São Paulo na Série B só mesmo o ABC e o Campinense, da Paraíba.
Um retrospecto das últimas 15 partidas:
- 19 de abril: perdeu por 2 a 0 a final do Paulistão para o Corinthians
- 22 de abril: ganhou por 2 a 1 do América de Cali na Libertadores
- 10 de maio: perdeu por 1 gol para o Fluminense no Brasileirão
- 17 de maio: empatou em 2 gols com o Atlético Paranaense
- 24 de maio: empatou com o Palmeiras num jogo sem gols
- 27 de maio: perdeu por 2 a 1 para o Cruzeiro na Libertadores
- 31 de maio: perdeu mais uma vez para o Cruzeiro: 3 a 0
- 7 de junho: empate sem gols com o Avaí
- 13 de junho: Santo Antonio não ajudou e o São Paulo empatou com o Santo André em 1 a 1
- 18 de junho: virou freguês do Cruzeiro e perdeu mais uma. 2 a 0 pros mineiros
- 21 de junho: perdeu para o Corinthians por 3 a 1
- 27 de junho: ganhou do Náutico, por 2 a 0
- 05 de julho: virou freguês do Corinthians. Perdeu de novo, agora por 2 a 0
- 12 de julho: arrancou um empate em 2 a 2 com o Flamengo
- 16 de julho: perdeu por 2 a 0 do Atlético Mineiro
Não arrisco prognóstico para o clássico com o peixe daqui a pouco. Mas tomara que não prevaleçam os números. Nem os que eu citei, nem a disparidade entre os dois times. A equipe do Morumbi é devota de um santo só, enquanto que o time da Baixada é plural na santidade, leva vantagem…
ATUALIZAÇÃO: O São Paulo venceu o Santos por 2 a 1. Mas isso não basta. Precisa melhorar muito ainda…
TOMingo
Porque hoje é domingo, evoco Tom Jobim, um sabiá que tocava piano.
Primeiro, com Edu Lobo, em “Luiza”.
Segundo, com Chico Buarque, em “Sabiá”.
Bom TOMingo!
problemas com o projeto que retoma a obrigatoriedade do diploma de jornalista
Um mês após o Supremo Tribunal Federal decidir pelo fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, estouram aqui e ali iniciativas para fazer voltar a exigência do canudo. No Senado, caminha a passos largos uma proposta de emenda constitucional (PEC). Na Câmara, tem PEC também sobre o assunto. Em paralelo, na mesma Câmara Federal, o deputado Miro Teixeira apresentou projeto de lei para uma nova regulamentação da profissão. O parlamentar quer o diploma de volta, mas seu projeto está recheado de problemas.
Listo oito deles:
1º) O projeto praticamente repete as atividades desempenháveis pelos jornalistas já constantes do polêmico decreto-lei 972/69. Ora, o jornalismo se modificou bastante nos últimos 40 anos, o que deveria acarretar numa redação mais cuidadosa desse trecho em particular. Mantendo-se quase ipsis litteris o que já dizia a legislação anterior, fica a pergunta: o problema do decreto era a sua época de nascimento ou seu teor?
2º) O copia-e-cola é tão flagrante que no artigo 4º, o projeto determina que para se obter o registro profissional, o jornalista deva apresentar “folha corrida”! Ninguém aí ouviu falar de presunção de inocência? Por que, então, o cidadão que pleiteia um registro para trabalhar tem que provar que é inocente, que está limpo? A regra não é que cabe ao acusador o ônus da prova?
3º) Diferente da legislação anterior, o projeto de lei possibilita o estágio, mas não faz menção a acompanhamento ou qualquer supervisão. Nem tampouco estabelece regras de proporcionalidade nas redações, remuneração mínima ou carga horária máxima para os estagiários. Brechas perigosas para os profissionais e para os iniciantes…
4º) O projeto mantém duas obsolescências: o registro para provisionados e o registro especial para funcionários públicos. Com mais de 300 cursos de Jornalismo no país e com uma tradição de formação universitária já consolidada, os jornalistas provisionados estão em vias de extinção. Não devem surgir novos, a não ser que a lei permita… Quanto a tratar funcionários públicos de forma diferente, isso já é um atentado à democracia, à isonomia de direitos, etc…
5º) Pasmem! Nas funções desempenháveis por jornalistas no projeto, não constam várias delas, entre as quais a de editor. Editor, para o projeto, não é jornalista! Por consequência, nas funções restritivas aos jornalistas diplomados, também não consta a de editor…
6º) O projeto permite que se obtenha o registro de jornalista com base na experiência, bastando apresentar comprovações…
7º) O projeto joga o problema do exercício irregular da profissão no colo dos sindicatos, ao afirmar que eles “representam as autoridades competentes” nestes casos. Quem não tem fiscais nem poder de polícia pode fazer isso?
8º) Mais grave ainda: o projeto estabelece que “estão convalidados os registros expedidos pela seção competente do Ministério do Trabalho e Emprego”. Isto é, o projeto de lei ajuda a regularizar os mais de 7 mil registros precários obtidos a partir da discussão sobre o diploma ocorrida entre 2001 e 2009. O projeto não apenas fecha os olhos para os oportunistas, mas garante os seus direitos…
Pelo que se vê, não está nada bom o projeto de lei, mas é preciso lembrar: Miro Teixeira é um político sério. Combateu fortemente a Lei de Imprensa até conseguir que o STF a derrubasse por completo. Como ministro das Comunicações fez o que ninguém ainda tinha tido coragem: mandou colocar os nomes dos proprietários e concessionários de emissoras de rádio e TV no site do ministério, expondo o oligopólio no setor. Miro é sensível às questões dos jornalistas, pois já atuou na área e acompanha muito o setor. Mas o projeto que oferece para substituir o decreto-lei 972/69 é, no mínimo, apressado e mal costurado. Pra ser bem sincero, o projeto do jeito que está nada melhora na regulamentação profissional dos jornalistas…
comunicação de governo e mídias sociais
No início desta semana, fiquei particularmente curioso quando vi no Twitter que Beth Saad estava indo a Brasília para palestrar sobre mídias sociais. Para quem não sabe, Beth é uma das mentas mais abertas e arejadas da academia brasileira quando o assunto é tecnologia, comunicação e gestão estratégica. Pois Beth deixou um robusto post no Intermezzo dando suas impressões sobre o que viu e ouviu por lá.
Como era de se esperar, as expectativas dela – de que não há uma política sobre o tema no Planalto – foram plenamente confirmadas. Infelizmente. Mas o ceticismo de Beth deu lugar a um otimismo pragmático. Postura sábia e objetiva…
Tomara que o governo acorde e assuma seu lugar nesta história toda. Tomara.
igreja plagia texto sobre ética jornalística
Como se diz por aí: eu morro e não vejo tudo!
Pois não é que uma igreja foi condenada na justiça pelo uso indevido de um texto sobre ética, ética jornalística?
Reproduzo – com os devidos créditos – matéria que conta o caso tim-tim por tim-tim. O Comunique-se deu ontem a notícia:
A Igreja do Avivamento Mundial – Assembleia de Deus Ministério de Boston foi condenada indenizar em R$ 42.830,59 a jornalista Alessandra Silvério por violação de direitos autorais. Além disso, a igreja terá que publicar, no prazo de cinco dias a partir da data da intimação, erratas em três jornais de grande circulação na cidade de Curitiba (PR), sob pena de multa diária de R$ 1 mil. A igreja perdeu o prazo de constestação e, por isso, não cabe mais recurso.
A ação movida pela jornalista é por causa de plágio de seu trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. O texto foi publicado originalmente em 2003, no site Aruanda. No mesmo ano, o jornal Mensageiro Cristão, de propriedade da igreja, republicou o artigo como se fosse da autoria do editor do veículo. Ironicamente, o texto trata da ética jornalística.
“Ora, a ré se utiliza de trabalho que não lhe pertence e, descaradamente fala em ética profissional”, afirma o juiz Vitor Frederico Kümpel em sua decisão.
O jornal com o texto plagiado foi editado em dezembro de 2003 e distribuído no Brasil e em outros países. Em sua defesa, a igreja alega que não possui ligação com o Ministério de Boston e que não possui revistas, jornais ou sites, argumento que não foi aceito pelo juiz.
3 fatos preocupantes de agora
1. O próprio Ministério da Saúde reconheceu: o vírus da temível gripe A já circula pelo Brasil. O mundo vive uma pandemia e já disseram que na vizinha Argentina haveria 100 mil infectados. Mantenhamos a calma.
2. O presidente da Comissão de Ética do Senado, Paulo Duque, é um senador sem voto. Ele é suplente de suplente de senador. Mantenhamos a vigilância.
3. A oposição e a mídia exibem os tentáculos de José Sarney, mas nada deve acontecer a ele. Mantenhamos a indignação.
last.fm, twitter e webjornalismo participativo
Nesta semana, três orientandos meus defenderam suas monografias em banca, encerrando parte importante de suas graduações em jornalismo.
Vinicius Batista de Oliveira apresentou a pesquisa “A revolução social da música: a relação dos usuários com as tags no Last.fm”. Para discutir aspectos como taggeamento e produção de conhecimento no terreno musical pelos ouvintes do sistema, Vinicius reuniu informações sobre 253 sujeitos de pesquisa em todo o Brasil, de longe o maior levantamento do gênero sobre o Last.fm. Além disso, entrevistou em profundidade duas importantes pesquisadoras nacionais do tema. Como Vinicius planeja publicar parte de sua pesquisa em periódicos científicos das área, não disponibilizamos agora esse material. Mas ficam os slides da apresentação em banca…
Joel Minusculi apresentou a pesquisa “Reconfigurações da imprensa no webjornalismo participativo: o caso do Leitor-Repórter do diario.com.br”. Na monografia, Joel discute como o canal que o Diário Catarinense tem para incentivar a participação do leitor comum tem se estruturado, tomando como estudo de caso uma semana de postagens dos usuários. Justamente a semana que sacudiu o Vale do Itajaí em novembro de 2008, quando das enchentes que comoveram o país. Joel avalia a plataforma, o processo e as repercussões que tudo isso vem trazendo para a rotina produtiva dos jornalistas locais. Os slides da apresentação estão aqui.
Franciscos Machado da Silva defendeu a monografia “O papel do Twitter no jornalismo brasileiro”, onde analisa o caso de três contas de veículos nacionais: Trip, Roda Viva e Band Trânsito. No trabalho, Francisco faz uma excelente revisão de bibliografia sobre o microblog, inclusive com dados recentíssimos, e caracteriza o uso que os jornalistas vêm dando ao Twitter como mídia de suporte nos casos analisados. Os slides da apresentação podem ser conferidos aqui.
Fiquei bastante satisfeito com os resultados das pesquisas desses alunos. Eles não apenas mergulharam em seus temas, mas também trouxeram contribuições importantes para a discussão de temas altamente emergentes na área. Sob o signo das mudanças que o jornalismo e a comunicação estão passando nos últimos tempos, essas monografias coroam um período de muito trabalho e estudo por aqui. Muito em breve, vamos compartilhar textos mais enxutos desses trabalhos. Por enquanto, parabéns aos meninos!
5 coisas que não sou, mas queria ser
Vi este meme no Patifaria e peguei pra mim. Se quiser, faça o mesmo…
Trompetista de Jazz. Não sei nada de teoria musical, nada de partituras e a única coisa que sei tocar é cachorro sarnento. Os trompetistas de jazz geralmente são chiques, elegantes, competentes, charmosos e levam a vida no beiço. Suas silhuetas são esguias e a postura sempre pra cima… Quando terminam o show, colocam seus instrumentos nos estojos e vão embora sem demora.
Promotor. No Brasil, o Ministério Público tem um papel parecido com o de uma Liga da Justiça. Os caras são meio super-heróis, pois oferecem denúncia contra empresários que escravizam e que desmatam, perseguem políticos corruptos, tentam encarcerar poderosos malfeitores, e por aí vai. Ser promotor é lutar pela justiça social, pelo direito das populações, pelo resgate de dignidade e tal… Tudo o que o jornalista fazia nos meus sonhos de menino…
Poliglota. Eu disse: po-li-glo-ta. Troglodita eu já sou…
Zen. Na verdade, sou zen. Zen paziência, zen frescura, zen humor…
Pé de valsa. Quem dança, geralmente, leva a vida com mais rebolado e mais suíngue. Quem requebra tem jogo de cintura, tem molejo e malícia. Quem dança sabe onde colocar os pés e onde pôr as mãos…
dicas de jornalismo investigativo
Bob Woodward, um dos repórteres por trás da mais importante reportagem do século XX – a do caso Watergate -, dá dicas sobre jornalismo investigativo. São pouco mais de cinco minutos, em inglês e sem legenda, mas vale acompanhar o veterano jornalista…
mais sarney… mais sarney!!!
Sarney é como Michael Jackson: está em toda a parte!
No Maranhão, ainda mais…
– Para nascer, Maternidade Marly Sarney;
– Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;
– Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;
– Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;
– Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, do tal José Sarney;
– Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);
– Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas ‘maravilhosas’ rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.
Fora do Maranhão…
– Para dançar, o Funk do Sarney:
intercom e redes sociais
O Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação acontece em setembro em Curitiba.
Se você quer saber mais do Intercom 2009, os organizadores locais criaram até uma rede social no ning. Confira em http://www.intercom2009.ning.com
escolas de jornalismo e a crise dos jornais
O professor Larry Atkins, da universidades Temple e Arcadia, publicou ontem um artigo no Knight Digital Media Center com um sugestivo título: Não deixemos de lado as escolas de Jornalismo só porque os jornais estão em crise.
Atkins cita casos como o da Columbia University, que não vem sofrendo com o declínio dos jornais impressos e vem sim atraindo cada vez mais estudantes na sua escola de Jornalismo. “Mas como as escolas e os departamentos de Jornalismo estão acomodando este interesse às realidades em mudança da profissão?”, questiona Atkins. As respostas dadas pelas escolas têm vindo na forma de revisões curriculares, aumento na exigência de trabalhos nas disciplinas, e incentivo ao desenvolvimento de ações empreendedoras.
De acordo com algumas fontes do autor, mais oficinas práticas também estão sendo oferecidas pelos cursos, numa clara tentativa de simular situações reais da profissão. Eventos fora das universidades também têm sido “cobertos” pelos alunos, seguindo a mesma tendência. (O que me parece óbvio, e o que já se vem fazendo em muitas escolas de Jornalismo que conheço no Brasil)
O ensino com base em mídias sociais é também apontada pelo professor Atkins como uma tendência emergente forte nos cursos de Jornalismo norte-americanos.
Mas o que me chamou a atenção é o fato de professores e gestores olharem para fora de seus instituições, muito preocupados com a sobrevivência de seus cursos. Nos Estados Unidos, a queda nas tiragens dos jornais, a migração maciça de verbas publicitárias para outros meios e o vaticínio de que a imprensa está mesmo morrendo são fatores bem fortes que vêm abalando a confiança de quem produz jornalismo, de quem ensina e até de quem consome.
Por aqui, não temos essa crise ainda. Mas o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo deve precipitar nas escolas preocupações semelhantes, e a busca de diferenciais de formação. Esta história está apenas começando… vamos acompanhar…
me pegaram de surpresa. esses alunos…
O João Guimarães Rosa, que é um cara que a gente devia ler muito mais, escreveu lá pelo meio do Grande Sertão: Veredas que “professor é quem de repente aprende”. E é. Para além dos convencionais clichês que a gente destila nas salas de aula, se o professor prestar bastante a atenção vai aprender todo dia alguma coisa…
Tenho me esforçado nos últimos dez anos a aprender e a dar algumas aulas. Tenho aprendido muito. Verdade…
Em dez anos de docência no ensino superior, tive diversos desafios, mas nenhum deles se comparou a um que precisei enfrentar este semestre. Não é nenhuma inconfidência o que irei contar, já que o jogo sempre foi muito aberto. Mas o fato é que peguei uma turma mista de alunos de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda para uma disciplina estreante: Temas Contemporâneos – Redes Sociais. O desafio estava tanto no trato com os alunos, na quantidade de sujeitos envolvidos (quase 50!), e na complexidade do tema, em constante mutação…
É preciso dizer que nada foi fácil nesses meses. Em muitos momentos, senti que não conseguia envolver completamente a turma, que muitos sequer reagiram, que não compreendiam a relevância dos conteúdos e práticas para seus futuros profissionais. Tivemos momentos tensos, delicados, quase que desagradáveis. Pela primeira vez na vida, tive que me aconselhar com as coordenadoras dos cursos, com a orientadora pedagógica. Era muita angústia a minha, de tentar convencê-los, chacoalhá-los, envolvê-los.
Mas a vida ensina, e os alunos também.
Não se tratava de uma conversão, mas de um convite à compreensão, de um encontro. A partir dali, o ritmo foi outro, o fluxo seguiu, e fui levado… No final do semestre, verdadeiramente, vi que os alunos haviam criado blogs e comunidades no Orkut, com empenho, lançando mão dos recursos tecnológicos e dos conceitos com os quais trabalhamos. Fiquei satisfeito com a conclusão do semestre, com o trajeto percorrido, com os companheiros de jornada. Fiquei de bem, de novo.
Pensei que tinha terminado assim, num happy end. Que nada!
Hoje, recebo email com um link. Lá, descubro que os alunos de Redes Sociais criaram um blog para se despedirem de mim. Estou em processo de transferência para uma outra instituição e ando afivelando as malas por aqui. Claro que me emocionei com o gesto, com as palavras, com tudo. A demonstração de apreço, o reconhecimento de quem realmente interessa – os alunos, oras! -, tudo isso me fez molhar esse teclado. Sinto-me envaidecido, privilegiado, mimado… tocado. Pensei que poderia me sentir realizado ao avaliar o resultado da disciplina no semestre, e ver que de alguma maneira contribui. Estava errado. Aprendi de novo. A sala de aula não tem mais paredes. E eu aprendo mais e mais…
sarney, alencar, lula e o brasil
Não sou analista político, claro. Mas vou palpitar. Aliás, sobre esse assunto eu até demorei pra falar…
Imagine que Lula esteja viajando a trabalho e que, no seu lugar, assuma o vice, José Alencar. Imagine ainda que Alencar adoeça, já que é um homem que luta contra tumores há pelo menos doze anos. Imagine ainda que Alencar não tenha mais condições de retomar o exercício do cargo… quem assume o país é o presidente da Câmara, Michel Temer. E logo em seguida, na linha sucessória, vem quem? Ele mesmo, o presidente do Senado, José Sarney, tão badalado nos últimos tempos.
Como Sarney é desses homens bafejados pela sorte, quem sabe – num jogo de dados do destino -, mesmo ele sendo quase linchado politicamente não se torna novamente presidente do país?
Em 1984, ele era presidente do PDS, o partido da situação, o partido dos presidentes militares do regime de 1964. No mesmo ano, farejando que o barco estava furado, deixou a legenda e junto com outros nomes da política fundou a Frente Liberal, que mais tarde se tornaria o PFL. A Frente coligou com o PMDB de Tancredo Neves, e Sarney virou o vice do político mineiro na disputa indireta pela presidência. Tancredo venceu, mas adoeceu e nem chegou a tomar posse em 1985. Quem assumiu? Ele mesmo, o hoje presidente do Senado, José Sarney, tão badalado nos últimos tempos…
gay talese está falando demais
Vou contrariar. Enquanto todos os principais órgãos da imprensa continuam aplaudindo, celebrando e babando nas declarações de Gay Talese, não resisto em dizer que a vinda do veterano e mítico jornalista para o Brasil já está cansando. Pronto, falei!
O fato é que todos os dias tem alguma entrevista ou declaração de Talese, quase sempre de forma polêmica ou desfocada. O jornalista veio ao país para a Festa Literária Internacional de Paraty e para um extenso roteiro de palestras, entrevistas, lançamento de livro e outros oba-obas. E boa parte dos repórteres que acompanham o mestre dos perfis e de reportagens sensacionais não tem conseguido manter uma distância saudável e necessária de sua fonte, incorrendo num dos principais deslizes da profissão. Assim, perguntam para o senhor Talese o que ele achou da queda da obrigatoriedade do diploma – “provavelmente acertada”-, o que pensa de Michael Jackson – “a mídia o matou” -, o que acha dos novos jornalistas – “não existem mais repórteres excelente”-, e por aí vai. Consultam o mestre nos intervalos de seus suspiros, como quem procura um oráculo, uma bússola.
Devagar, pessoal.
O senhor Talese tem contribuições históricas para o desenvolvimento do jornalismo, ainda exerce uma influência notável na área, mas daí a seguir sua sombra e fazer de seus comentários vaticínios da existência já é demais. Aliás, pessoalmente, acho que o senhor Talese está falando além da conta…
monitor de mídia, 150
Está na rede a edição 150 do Monitor de Mídia, uma revista multimídia que observa os meios de comunicação catarinenses. Emblemático, este número do Monitor é especial para mim. Foi minha despedida à frente do projeto que criei em agosto de 2001, seguindo os passos do Observatório da Imprensa.
Neste tempo todo, dezenas de alunos passaram pelo laboratório, aprendendo a avaliar a mídia e a exercer um jornalismo com crítica, ética, excelência técnica e responsabilidade. Convivi com colegas professores, com quem muito aprendi, e são eles que conduzirão os caminhos do Monitor a partir de agosto, quando do retorno do recesso escolar. Desenvolvi projetos e pesquisas que muito me orgulham. Trabalhei para disseminar uma cultura de consumo crítico dos meios de comunicação, seja para aperfeiçoar o jornalismo, seja para educar para a mídia. Foi tudo muito bom!
O sumário da edição 150 é este:
Diagnóstico
A pedra vira vidraça: MONITOR DE MÍDIA É AVALIADO
O Monitor de Mídia completa 150 edições e é avaliado por profissionais da comunicação
Reportagem
O que há por trás da notícia
Nossa equipe acompanhou os bastidores da produção das notícias em diversos veículos de comunicação da região.
Reportagem
Colégios federias: exemplo positivo de ensino público
Sílvia Mendes apurou que as escolas federais se destacam em relação ao ensino público
Editorial
Diploma de jornalismo e observatórios de mídia
Entenda um pouco mais sobre a queda do diploma de jornalismo
E-book
Diagnósticos das edições 101 a 150
Reunimos os últimos 50 diagnósticos do MONITOR DE MÍDIA em um e-book para você
Em agosto, o Monitor volta. Como não poderia deixar de ser. Há muito trabalho pela frente. Eu sigo com outros desafios, ainda insondáveis para mim.
7º encontro nacional de pesquisadores em jornalismo já tem site
Já está na rede o site do 7º Encontro da SBPJor: http://sbpjor.org.br/evento/.
Por lá, temos notícias, programação e outras informações sobre o evento, que acontece em São Paulo de 25 a 27 de novembro, lá na USP. Em breve, as inscrições também poderão ser feitas pelo próprio site… Vai lá conferir!!!
michael jackson em todo lugar
Não acompanhei os funerais de Michael Jackson. Os muitos compromissos de final de semestre simplesmente impediram. Mais sortuda que eu, minha esposa – que já está praticamente de férias – zapeou pela TV hoje à tarde e ficou impressionada com a onipresença do rei do pop.
Segunda ela, ao menos doze emissoras transmitiam o tributo ao vivo: RTP, Globo, Band, Record, Record News, CNN, CNN espanhol, E!, MTV, MTV Brasil, CBS e BandNews. Falta de pauta, exagero midiático, circo sinistro, tudo isso e mais a gigantesca figura pública que o artista construiu durante a carreira.
Quando o papa João Paulo II morreu, o anúncio de sua morte foi considerada a notícia mais dada do mundo. O episódio foi desbancado pela vitória de Barack Obama nas eleições norte-americanas, em menções na mídia. Com o passamento de Michael Jackson, sem apelos religiosos ou políticos, isso deve mudar. Alguém aí duvida que o acontecimento possa ser o fato mais noticiado da história? A conferir…
um prêmio para a pesquisa em jornalismo
Estão abertas desde 1º de junho e vão até 10 de agosto as inscrições para a quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação é voltada para trabalhos elaborados durante o ano de 2008 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é destinada a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo. Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.
O PAGF já é o mais reconhecido da pesquisa em jornalismo do país. Os resultados e vencedores devem ser anunciados em 6 de outubro, e os aclamados e seus orientadores receberã diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece na USP em novembro.
O regulamento pode ser acessado aqui, e a ficha de inscrição aqui.
Todos os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br
quando miles encontra michael
Porque ainda esta semana ouviremos muito falar de Michael Jackson, começo a semana com um encontro inusitado, emocionante e intenso: Miles Davis toca a “natureza humana” do rei do pop…
educação brasileira, um diagnóstico
Uma das entrevistas mais lúcidas que li nas últimas semanas está na edição de junho da revista Fórum. O filósofo Mario Sergio Cortella faz uma análise ponderada, aprofundada e certeira da evolução da educação no Brasil. Sua leitura mescla política, projeto econômico, história e realinhamento de forças na sociedade.
Cortella cita Darcy Ribeiro para quem a educação nacional não vive crise, mas realiza um projeto.
Destaco um trecho:
“A ditadura agudizou a crise da educação no Brasil? Sem dúvida, mas não por ser uma ditadura em si, mas porque fez um projeto capitalista com as elites. Juntar elite predatória, classe política canalha e classes médias acovardadas é uma receita muito boa para se criar uma condição econômica privilegiada e uma da educação que é de miserabilidade”.
Na entrevista, Cortella não se faz de rogado e dá nome aos bois quando avalia as políticas educacionais brasileira e paulistana dos últimos 15 anos. Com elegância e erudição características, o filósofo convida a pensar sobre os papéis da escola e da família, sobre a derrocada da função do professor e sobre a necessidade de fazer da educação um projeto prioritário de nação. Imperdível!!
A revista Fórum é dirigida pelo competente e insistente Renato Rovai.
37 – 5
No mês passado, completei 37 anos. Junho foi um tempo intenso, recheado de excelentes e péssimas notícias, do aconchego de amigos, de trabalho doentio, dos dias que escaparam pelos dedos. Trinta e sete é uma idade esquisitona. Não é bíblica como o 33, capciosa como o 24, nem emblemática como o 40. Não sou mais adolescente faz tempo, mas também não entrei na meia idade. Na verdade, é bem gostoso estar na faixa dos 30 e poucos. Você já não é aquele vulcão sem controle, não carrega tantos pesos desnecessários, tem mais jogo de cintura para os problemas, menos paciência para alguns assuntos e mais tolerância para outros.
No meu caso, a lataria está um pouco mais arranhada do que eu gostaria. A tapeçaria já não é aquela Brastemp, e tem os pneus também… Mas a parte elétrica – a da faísca – e o motor estão bonzinhos. Um vendedor de concessionária diria que é um semi-novo meio maltratatado. Eu concordaria, e pediria desconto pra levar a carcaça pra minha garagem.
Mas se o chassis se sustenta e se o automóvel tem história, conhece as estradas, vale a viagem.
A minha vem valendo muito. Meus 37 anos me deixam muito confortável, sabe? Minha mente é bastante jovial, e cuidar do corpo é por minha conta e risco. A preguiça ou a desculpa da falta de tempo me acomodam na fila daqueles que saqueiam a geladeira nas madrugadas, daqueles que praticam halterocopismo e arremesso de camarão à boca, daqueles que gostariam de puxar o freio de mão da vida, pra que ela seguisse numa marcha bem mais maneira…
Aos 37, me sinto verdadeiramente afortunado pelos meus amigos, pelos parentes que me amam – não são todos, é verdade, e é compreensível -, pela profissão que escolhi, pelo lar que venho construindo, pela vida que venho desenhando no espaço desta existência. Tem sido muito bom, embora eu já imagine que esteja chegando à metade da jornada. Bem, que venha a melhor parte agora…
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Junho também celebrou os cinco anos de meu filho. Para o leitor que não tem filhos, isso parece apenas uma efeméride vazia, sem graça. Para os que ajudam a povoar o mundo, ah!, esses sabem o que são cinco anos de filiação. Ser pai, ser mãe – ao menos para mim – é exercer o papel de repetir os clichês, os lugares comuns que condenávamos em nossos pais. Dois carimbos fáceis:
“Nossa! Parece que foi ontem!”
“É uma bênção ter filhos, um presente!”
Eu diria mais: ele é a minha evolução, a versão beta mais bem acabada, um reloaded que funciona muito mais rápido e melhor. Seus chips são melhores; suas habilidades mais acionáveis; sua graça e inteligência, mais tangíveis. É muito bom ficar assistindo ao espetáculo da continuação, da geração, da vida em gerúndio. É muito bom perceber o desenvolvimento daquelas cabecinhas, o refinamento gradativo dos modos e comportamentos, o aflorar da consciência dos atos, a manifestação da sinceridade e da personalidade. Viver é maravilhoso; assistir à vida também é muito bom.
Dá um certo desalento cair na real. Ele tem apenas cinco anos. E muito do que você fez com ele, muito do que fez para ele sequer será lembrado. É duro, eu sei. Mas pense: o que você se lembra dos três anos? E dos quatro? Nossas lembranças mais longínquas parecem gravitar em torno dos cinco ou seis anos. E aí, você que é pai, você que é mãe fica pensando: “Putz! Tudo o que fiz se perdeu, se esvaiu?” Sim, talvez sim. Mas eu gosto de ver por outro lado: Foi um prazer participar disso tudo, sabia?
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Estou aos 37. Ele está aos 5. Ainda vai descobrir esquinas mal iluminadas da vida. Ainda vai se deparar com as dificuldades de se colocar no mundo. Ainda vai conhecer as pessoas de que não quererá esquecer, que vai ansiar em carregar consigo. Foi assim comigo. Tem sido assim desde que o mundo é mundo. Será com ele. E que bom, não é verdade? O disco da vida gira igualzinho sempre, mas cada faixa toca de uma forma…
fim dos diplomas: a moda pegou!
Deu no Consultor Jurídico:
Requião questiona diploma para oficial de Justiça
Depois de decidir que jornalistas não precisam ter diploma para exercer a profissão, será a vez do Supremo Tribunal Federal resolver se oficiais de Justiça precisam de um curso superior para exercer o ofício. Roberto Requião, governador do Paraná, entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade, no STF, contra a Resolução 48/07 do Conselho Nacional de Justiça. A regra estabelece que os Tribunais de Justiça exijam diploma de curso superior para oficial de Justiça. Para Requião, a Resolução é uma afronta à autonomia e isonomia do poder Judiciário dos estados-membros.
Segundo ele, a determinação “produziria uma subordinação absoluta dos tribunais ao CNJ, violando a autonomia administrativo-orçamentária e mesmo de iniciativa legiferante do Judiciário local”. O governador afirma que seria questionável a competência do CNJ para proibir a nomeação, por meio de concurso público, de oficiais de Justiça que não possuam curso superior.
De acordo com Roberto Requião, “apenas a lei em sentido formal – ato editado pelo poder Legislativo, de iniciativa do poder Judiciário – poderia tratar da matéria”. Nesse sentido, o governador lembra que no Paraná existe a Lei estadual nº 16.023/08, que prevê o ensino médio como suficiente para o exercício da função de oficial de Justiça.
A elevação do requisito mínimo para o cargo, alerta Requião, ocasionaria um acréscimo significativo das despesas orçamentárias no Poder Judiciário do Paraná, “inviável na atualidade, pois inexistem recursos financeiros para suprir essa demanda”.
(Por falar no assunto, o blog Azesquerda publica um contundente artigo do constitucionalista João dos Passos Martins Neto sobre o fim do diploma de jornalismo)
100 blogs para estudantes de jornalismo e mais
Se você é estudante de Jornalismo, jornalista ou se interessa pela coisa, conheça uma lista de 100 melhores blogs sobre o assunto. A lista é ampla, mas limitada a endereços da blogosfera em inglês. Mas vale conferir e favoritar.
Se você é estudante de Jornalismo, jornalista, se interessa pela coisa e já leu o Jornalismo 2.0, do Mark Briggs, fique atento. Segundo o autor, está no forno uma edição reloaded do livro. Mas ele avisa: o livro só passará a circular daqui a quatro meses. Enquanto isso, ele vai dar umas palhinhas no seu blog…
cai o diploma; não caem os registros
A decisão do Supremo Tribunal Federal que desobriga o diploma de Jornalismo para exercer a profissão – a exemplo de outras sentenças – trouxe mais dúvidas e incertezas do que paz para o campo profissional. Após oito ministros do STF terem votado pela não exigência, havia dois entendimentos distintos para a nova realidade do mercado de trabalho jornalístico:
– A suprema corte decidiu que o decreto 972/69 era totalmente inconstitucional e, por isso, não haveria mais sentido existir registros profissionais para os jornalistas. A profissão estaria totalmente desregulamentada, sem regras de ingresso.
ou
– A suprema corte apenas vetou a obrigatoriedade do diploma. Com isso, ainda seria necessário ter registro para atuar na área, mas ele poderia ser obtido sem o canudo, como milhares de pessoas conseguiram amparadas pela liminar da juíza Carla Rister.
Permaneceu um vácuo jurídico até o final da semana passada. Na sexta, saiu no Diário da Justiça Eletrônico a decisão do STF:
O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente), conheceu e deu provimento aos recursos extraordinários, declarando a não-recepção do artigo 4º, inciso V, do Decreto-lei nº 972/1969, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Ausentes, licenciados, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Falaram, pelo recorrente, Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo – SERTESP, a Dra. Taís Borja Gasparian; pelo Ministério Público Federal, o Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza; pelos recorridos, FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas e outro, o Dr. João Roberto Egydio Piza Fontes e, pela Advocacia-Geral da União, a Dra. Grace Maria Fernandes Mendonça, Secretária-Geral de Contencioso. Plenário, 17.06.2009.
Com isso, o entendimento que tenho é de que caiu o diploma, mas os registros continuam valendo e sendo necessários para se atuar na área. O trecho da lei considerado inconstitucional é justamente o que define como documento obrigatório para se obter o registro o diploma de Jornalismo. Com o veto ao inciso V do artigo 4º, pode-se correr atrás do registro de jornalista sem o diploma.
Resumo da ópera: cai o diploma, mas o registro permanece como condição de acesso ao mercado de trabalho. Desregulamentação pela metade.
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Para ver mais sobre a polêmica da queda do diploma, basta acessar a edição desta semana do Observatório da Imprensa, que traz um especial sobre o tema.
