cnpq divulga calendário de bolsas e auxílios

(Com informações da Assessoria de Comunicação do CNPq)

O CNPq/MCT divulga o calendário para 2009 de ações de fomento à pesquisa e de apoio à formação de recursos humanos. O objetivo é manter a comunidade científica e tecnológica informada sobre os principais editais e chamadas públicas para a concessão de bolsas no país e no exterior. São 13 modalidades de bolsas e duas de auxílios com datas de inscrição e períodos de julgamentos distribuídos ao longo do ano

As bolsas de Doutorado Pleno no Exterior (GDE) têm inscrições até 5 de março. Já as bolsas de Pós-doutorado Júnior, Empresarial, Sênior, Pós-doutorado no Exterior, Sanduíche no País e no Exterior, Estágio Sênior e Pesquisador Visitante têm três períodos para inscrição. O primeiro se encerra também em 5 de março, o segundo em 28 de maio e o último em 30 de setembro. O Edital Universal estará aberto a partir de primeiro de junho e receberá inscrições até 31 de Julho de 2009.

As bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ) abrem o período de inscrição em 14 de abril com encerramento em 18 de agosto. Os bolsistas de PQ, com bolsas vigentes até fevereiro de 2010, deverão participar do processo caso queiram sua continuidade.

Os estudantes interessados em obter apoio para a realização de Mestrado (GM) ou Doutorado (GD) devem se dirigir às coordenações dos programas de pós-graduação para as quais o CNPq distribui as quotas de bolsas. Além disso, com recursos do FNDCT, o CNPq tem lançado todo ano um edital para concessão de bolsas de Mestrado e Doutorado em áreas de indução. O Edital 70/2008 está dividido em duas fases, uma delas com início em 31 de março de 2009, que concederá bolsas a partir de agosto do ano corrente. As inscrições vão até 15 de maio.

Já para as bolsas de Desenvolvimento Científico Regional (DCR), as datas de inscrição são estipuladas pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa com quem o CNPq mantém convênios.

Os auxílios para a participação em Eventos Científicos no exterior (AVG) e o Auxílio para receber um Pesquisador Visitante (APV) devem ser solicitados com 90 dias de antecedência em relação à data prevista para a viagem ou a chegada do pesquisador.

Ainda em 2009 serão lançados diversos editais como o de Ciências Humanas e Sociais, o Programa Editorial e Olimpíadas de Ciências, além de diversos editais temáticos nas áreas de petróleo e gás, informática, energia, recursos hídricos, saúde, biotecnologia, nanotecnologia, entre outras.

Veja o calendário aqui.

livro disseca o fenômeno dos blogs no brasil

capalivroblogsOs blogs já existem há mais de dez anos e têm se espalhado com rapidez e força que impressionam. Já existem no mercado brasileiro alguns títulos que tratam do assunto. Blog, de Hugh Hewitt, e Blog: Comunicação e Escrita Íntima na Internet, de Denise Schittine, são dois deles que merecem atenção.

Mas na próxima semana chega à web um volume que atualiza a bibliografia e oferece muita informação sobre o tema: Blog.com: Estudos sobre Blogs e Comunicação. Coerente com o seu objeto, o livro organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo não desembarca nas estantes e livrarias, mas segue direto para um site, para um espaço virtual onde poderá ser lido, baixado, compartilhado. Naturalmente, esta escolha não se deve apenas ao reforço da coerência, mas também às dificuldades de viabilização do projeto numa editora convencional, de suporte papel. A Momento Editorial responde pela edição em PDF que tem doze capítulos, mais prefácio e posfácio, distribuídos em 293 páginas.

O livro será lançado oficialmente no próximo dia 22 de janeiro, em meio ao Campus Party, e até o início da semana já estará à disposição no site: http://www.sobreblogs.com.br

A disponibilidade do livro gratuito na web amplia o seu acesso e faz ventilar com mais força as idéias ali contidas. Num mercado editorial como o nosso, carente de títulos inovadores e em língua nativa, isso é pra lá de muito bem vindo.

Para quem não sabe, as organizadoras não apenas estudiosas dos blogs, mas blogueiras contumazes, daí a sua familiaridade com a coisa e a facilidade com a qual conseguiram reunir relatos e textos de diversas partes. O prefácio é assinado por André Lemos, o principal pesquisador em cibercultura no país, e o posfácio é de Henrique Antoun, também um nome de peso na área. O sumário você confere abaixo:

SEÇÃO I – BLOGS: DEFINIÇÕES, TIPOLOGIAS E METODOLOGIAS

Blogs: mapeando um objeto – Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Portella Montardo

Ciberespaço e a escrita de si na contemporaneidade: repete o velho, o novo blog? – Rosa Meire Carvalho de Oliveira

Teoria e método na análise de um blog: o caso Mothern – Adriana Braga

A vitória de Pirro dos blogs: ubiqüidade e dispersão conceitual na web – Marcelo Träsel

Práticas de blogging na blogosfera em língua alemã: resultados da pesquisa “Wie ich blogge?!” – Jan Schmidt

SEÇÃO II – USOS E APROPRIAÇÕES DE BLOGS

O movimento Cansei na blogosfera: o debate nos blogs de política – Cláudio Penteado, Marcelo dos Santos e Rafael Araújo

Contribuição dos blogs e avanços tecnológicos na melhoria da educação – Helaine Abreu Rosa e Octávio Islas

Pedagogia dos blogs: posts sobre o uso da ferramenta no ensino de jornalismo – Rogério Christofoletti

Blogosfera X Campo Jornalístico: aproximação e conseqüências – Leonardo Foletto

Blogs como nova categoria de webjornalismo – Juliana Escobar

Os blogs na web 2.0: publicação e organização coletiva de informação – Maria Clara Aquino

Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade – Fernando Firmino da Silva

Imperdível.

agendas, relógios e a nossa tentativa de reter o tempo

Eu avisei que ia deixar o blog de lado por uns dias.

Desta vez, não foi a falta de tempo não.  Aliás, como a gente reclama disso, né? A falta de tempo é desculpa para não fazer coisas, de fazer pela metade, e ainda de fazer muitas outras. A experiência mostra que se você quer que algo seja executado numa equipe deve encarregar alguém muito ocupado, pois quem tem muitas tarefas se organiza melhor para dar contas delas…

Sou um cara muito ocupado. Aliás, estou cercado de gente que também tem muito a fazer e faz muito. Também uso a falta de tempo para me justificar de algumas faltas e para me vitimizar também, coisa de humanos…

Tentando driblar o tempo, adotei duas práticas cotidianas na vã esperança de fazer as pazes com o tempo:

1. Em dezembro de 2000, fazendo planos para o ano que iria começar, decretei não mais usar relógio de pulso. O raciocínio era cristalino: sem relógio, não fico estressado, não fico apressado e ligo melhor com a rotina. Resultado: passei a bronzear o braço esquerdo por inteiro.

2. Em janeiro de 2005, passei a usar uma agenda de compromissos muito pequena, do tamanho de um maço de cigarros. O raciocínio era cristalino: com uma agendinha daquele tamaninho, poucos compromissos anotados já tomariam o meu dia, estratégia que me impediria de assumir mais coisas do que poderia. Resultado: passei a carregar menos peso na mochila.

É claro que hoje eu rio dessas estratégias inovadoras e inteligentes. Na época, levei bem a sério. Mas está aí outra coisa que eu me programei para fazer neste novo ano: me levar menos a sério. A propósito: hoje, comprei um relógio de pulso lindão.

blogs, jornalismo e as férias

Sim, estou de férias. Por isso, os posts são preguiçosos e esparsos, quase telegráficos e bissextos…

(*) Quem confia nos blogs? Paul Bradshaw duvida da questão.

(*) Por que as pessoas lêem blogs ao invés de sites de notícias? André de Abreu responde.

(*) Blogs são um novo gênero jornalístico? Frédéric Filloux pensa (alto) sobre isso.

(*) Qual o futuro do jornalismo online? No Nieman Report, você encontra muitos artigos que tentam responder à questão.

(*) Nós, de Marcelo Camelo, não é lá essas coisas. Tem faixas bem bonitas, mas o conjunto é inconstante. Dá saudades de Los Hermanos.

(*) Blindness é lindo. Fernando Meirelles acerta a mão e nos incomoda com a parábola que Saramago urdiu em suas páginas.

(*) A troca é angustiante e bem realizado. Clint Eastwood é um ótimo diretor e um sensível compositor de trilhas. Deu um papel marcante para Angelina Jolie, e mostrou – mais uma vez – que o mal existe, está entre nós e nem sempre o enxergamos com a nitidez necessária.

obama é a maior notícia do século

Deu no Comunique-se, e eu reproduzo.

Pesquisa realizada pela Global Language Monitor revela que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, é o maior destaque da imprensa neste século. Os resultados divulgados nesta segunda-feira apontam que a cobertura da candidatura de Obama rendeu duas vezes mais textos que qualquer outro evento desde a virada do século.

“Obama não tem precedentes. Ele cativou o mundo”, disse o presidente da entidade responsável pelo estudo, Paul Payack.

Obama foi tema de cerca de 250 milhões de notícias, batendo assuntos como a guerra do Iraque, a morte do Papa João Paulo II, o ataque ao World Trade Center e o furacão Katrina.

“A magnitude nos surpreendeu. Ele teve 750.000 citações antes de ser escolhido como candidato do partido”, disse Payack.

meme dos livros

Adriamaral me mandou esse meme. Peguei, fiz e repasso pro Dauro, pro Mauricio, pro Frank … e já tá bão

1. Livro/autor(a) que marcou sua infância:

  • Todos os da Coleção Vagalume
  • Os doze trabalhos de Hércules – na visão de Monteiro Lobato e com o pessoal do Sítio do Pica-Pau Amarelo
  • O menino do dedo verde – Maurice Druon
  • Histórias das mitologias grega e romana

2. Livro/autor(a) que marcou sua adolescência:

  • V for Vendetta – Alan Moore
  • Watchmen – Alan Moore
  • Batman Ano Um – David Mazzuchelli e Frank Miller
  • Asilo Arkham – Grant Morrison e Dave McKean
  • Cavaleiro das Trevas – Frank Miller
  • Claro Enigma e A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
  • Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez
  • Assim Falava Zaratustra – Friedrich Nietzsche

3. Autor(a) que mais admira:
Shakespeare, Nietzsche, Borges, Fernando Pessoa, Beckett, Foucault, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Vinicius de Morais, Cecília Meireles, João Guimarães Rosa, são tantos…

4. Autor(a) contemporâneo:
Contemporâneo é gente viva? Se é, lá vai:

  • Gabriel Garcia Márquez
  • António Lobo Antunes
  • José Saramago
  • Luiz Alfredo García-Roza
  • Bernardo Carvalho
  • Milton Hatoum
  • Carlos Heitor Cony
  • Rubem Fonseca
  • Raduan Nassar

Acho que estou esquecendo alguém…

5. Leu e não gostou

  • Iracena – José de Alencar
  • Feliz ano velho – Marcelo Rubens Paiva
  • Discurso Filosófico da Modernidade – Jurgen Habermas
  • Vida de Gato – Clarah Averbuck
  • Qualquer texto de Marta Medeiros

Tem mais, mas geralmente quando não gosto, abandono a leitura. Ela é prazer, não tormento…

6. Lê e relê:

Eu nunca releio. Há tanta coisa pra ser lida que sinto estar perdendo tempo…

7. Manias:

  • Ficar horas olhando as prateleiras de livrarias como se as estivesse escaneando
  • Sublinhar frases, anotar as que eu gostaria de ter escrito
  • Quando o livro é novinho em folha, cheirá-lo na capa e no miolo
  • Evitar emprestar livro. Na verdade, o empréstimo pode virar seqüestro, e sem a garantia de que o raptado volte…

2009 já é!

Retomo a vida online após a pausa das festas.
Porque é um novo ano e porque desejo que seja um ano realmente novo, ofereço uma música, um vídeo, uma boa vibração:

El Mareo, com os ótimos do Bajofondo e Gustavo Cerati.

2008: uma retrospectiva muito pessoal

Este foi um ano difícil, desses em que as conquistas adquirem um valor maior por conta das adversidades, do suor necessário. Este foi um ano penoso e de aprendizado. Este foi um ano de presentes e de perdas, de sorte e da lucidez de enxergar no azar a certeza de continuar.

Por isso e porque 2008 está no seu final, faço uma curtíssima retrospectiva do que vi e vivi. Aliás, este foi um ano em que no seu término a gente pode dizer que sobreviveu a ele

mmj023470000001Janeiro: começamos bem, inaugurando uma nova casa, a primeira mesmo nossa. Aos poucos, naquelas semanas, o sobradinho verde claro foi tomando jeito e se transformando no melhor lugar do mundo. Os afazares domésticos tiveram um sabor doce…

Fevereiro: retomei o trabalho na universidade com duas disciplinas na graduação, os trabalhos no Monitor de Mídia e a produção de uma porção de projetos para financiamento de pesquisa. O Carnaval foi tão manso que eu nem me lembro dele…

Março: terminei de organizar um livro e passei alguns dias em Curitiba para fazer as entrevistas de uma pesquisa em que fui consultor. Acompanhei as defesas de minhas primeiras mestrandas, motivo de orgulho. O mês foi de muito trabalho e resultados quase imperceptíveis. Era mesmo um tempo de arar a terra e semear…

Abril: fui a Dourados para um reconhecimento de curso de graduação. Noutra semana, fui a São Miguel D’Oeste para a mesma função. Perdi horas nos deslocamentos: a família e a vida pessoal ficaram em terceiro plano. Amarguei com isso…

Maio: mais uma viagem para reconhecimento de curso. Desta vez, São Paulo. Tive uma excelente notícia: aprovaram a publicação de mais um livro meu, e agora numa editora nacional. Comecei a me empolgar com o trabalho, deixando para trás qualquer outro interesse de vida. Não vi o sinal ficando amarelo. Completei seis anos juntos com a minha Ana e vi meu irmão Rodrigo casar de papel passado…

Junho: fiz 36 enquanto meu filhote completou quatro anos. Sediamos no Mestrado em Educação da Univali a 7ª edição da Anpedsul, o maior evento da região na área, um feito inédito para o programa e para a instituição. Concluí duas pesquisas de iniciação científica. Já estava mortinho de cansaço, mas o ano só chegava à metade…

Julho: no chamado mês de recesso escolar, não parei. Preparei aulas para três disciplinas diferentes e um mini-curso, participei de bancas de trabalho de conclusão de curso e de reuniões de planejamento pedagógico. Procurei, mas não encontrei tempo para a vida pessoal, os afetos, etc…

Agosto: iniciei duas disciplinas na graduação e outra no mestrado. Ao todo, mais de cem alunos. Lancei mais um livro, outra coletânea – “Observatórios de Mídia: Olhares da Cidadania” (Ed. Paulus) – co-organizado com Luiz Gonzaga Motta. O semestre mal começava e meu corpo já se queixava: dores na coluna, inflamação no nervo ciático, encurtamento de tendão, e algumas crises de rinite…

Setembro: passei uma semana em Belém para um mini-curso sobre mídia e direitos humanos. Uma semana na capital das mangueiras significou atraso nas atividades corriqueiras e exaustão na tentativa de reter o avanço do tempo. Eu nem via meu filho crescer e minha mulher ficar mais e mais bonita…

Outubro: dezenas de reuniões com orientandas do mestrado e da graduação; fechamento de projeto de especialização em Mídias Digitais; três eventos científicos, dois presenciais; burocracias diversas no mestrado e apenas um lance na vida pessoal: troquei de carro. Aonde eu iria com ele mesmo?…

Novembro: lancei mais um livro nesses dias, “Ética no Jornalismo” (Ed. Contexto), e revi amigos no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Bernardo do Campo. Este também foi o mês em que vi as águas tomarem as ruas, as casas, as cidades. Os dias em que a enxurrada e as chuvas afogaram sonhos, levaram vidas e nos fizeram acreditar no impossível. Aprendi com a amizade, com a solidariedade, com o amor fraternal…

Dezembro: qualifiquei duas orientandas do mestrado, concluí as três disciplinas que lecionava e ainda uma pesquisa financiada pela Fapesc. Contabilizei os ganhos e as perdas e vi que era um tempo bom, apesar de tudo. O mês para terminar o ano foi o mês do recomeço, da reconstrução e das tentativas de reinvenção pessoal. Reiventar-se foi escolher para si um tempo novo, e outras prioridades pois as essências quase nunca são evidentes. Foram também dias de fechamento de ciclos, de projeção de novos dias e de se permitir um (merecido) descanso. Não terei muitas saudades de 2008, mas não poderei esquecê-lo, é verdade.

natal

Apesar dos pesares, e eles não são poucos – basta olhar pela janela-, apesar dos pesares, ainda temos o que celebrar.

Por isso, neste Natal e mesmo no ano que se insinua, celebremos a vida, comemoremos  o fato de estarmos aqui e em muitos lugares.

Paz e saúde!

um mês depois, ficam algumas perguntas

As enchentes que arrasaram dezenas de cidades no Vale do Itajaí completaram um mês. Os números impressionam, as imagens chocam, as histórias pessoais comovem. Mais de um milhão e meio de pessoas foram afetadas, quase 80 mil deixaram suas casas, outras 133 deixaram de existir… Prejuízos na casa de bilhão de reais, mais de mil e quinhentos animais mortos recolhidos, milhares de casas arrasadas, e diversas geografias totalmente transformadas.

Passados trinta dias da tragédia, algumas questões ainda martelam:

  • Poderíamos ter evitado?
  • Falharam os governos, errou quem se dispôs a morar em áreas de risco ou tanto faz diante de tanta água?
  • A partir do que vivemos, levaremos mais a sério afinal isso que chamamos de Defesa Civil?
  • Aliás, que papel deve assumir os órgãos municipais de Defesa Civil dentro do arranjo das comunidades locais?
  • Como podemos nos organizar de forma a construir um plano B para enfrentar melhor situações como esta?
  • É possível que sejamos mais articulados e possamos agir de forma mais coordenada em momentos tão atordoantes e imprevisíveis?
  • O que fica de essencial após as águas baixarem?
  • Vamos nos preparar mesmo para enfrentar novas hecatombes como essa?
  • Quando vai nos abandonar o medo toda vez que começa a chover mais forte?

o filho eterno

Acabo de ler o romance brasileiro mais premiado do ano, “O filho eterno”, de Cristovão Tezza. Para se ter uma idéia, o livro levou o Jabuti, o Portugal Telecom, o APCA e mais outros prêmios neste ano. Para além dessas credenciais, o livro crava – se alguém tinha alguma dúvida, ela foi dissipada -, crava o nome do seu autor entre os mais importantes na literatura contemporânea.

Em seu lançamento anterior, “O fotógrafo”, Tezza já havia amealhado prêmios importantes, mas com “O filho eterno”, o catarinense radicado em Curitiba lavou a égua. Despontou já um pouco depois da metade do ano como o lançamento de 2008, causando impacto entre críticos e leitores.

Muitos motivos devem ter levado a isso. A qualidade da escrita de Tezza, a pungente história que conta naquelas páginas, a zona porosa que sedimenta entre literatura e realidade… Os críticos, os entendidos podem explicar melhor, eu nem ousaria. Mas eu queria só dividir algumas impressões e sensações que tive ao ler esse belíssimo livro.

o-filho-eternoUma resenhinha de duas linhas diria que “O filho eterno” conta como um escritor reage e reconstrói sua própria vida ao saber que seu tão esperado primeiro filho nasce com Síndrome de Down. Sem pieguice, sem superficialidade e contra qualquer hipocrisia, Tezza constrói um romance-espelho que incomoda pela sinceridade do mal-estar causado, pela vergonha honestamente exposta. Narrado em terceira pessoa, a história esmiuça os sentimentos do jovem escritor que se vê diante de uma espécie de trapaça do destino, um acidente genético que lhe impõe um filho diferente de suas projeções.

Deixa explicar um detalhe: o próprio Tezza tem um filho com trissomia no cromossomo 21, isto é, a anomalia genética dos antigamente chamados “mongolóides”. Esse detalhe do autor contagia inevitavelmente nossa leitura, provocando a pantanosa zona que mescla testemunho e literatura, memória e invenção, relato e construção. E é entre a nossa dúvida e a página seguinte que se avança conhecendo os sentimentos do pai diante do filho cujo mundo tem um diâmetro de dez metros, não mais que isso. O filho preso no próprio mundo, a corrida de cavalos a que o pai se induz para estimular o desenvolvimento do menino, a confusão de sentimentos que demole e reergue o pai todos os dias. “O filho eterno”, na minha leitura, me conta muito mais do pai do que do filho.

Um filho dependente de quase tudo, sem autonomia, ignorante das abstrações mais básicas como as noções de presente, passado e futuro. Um pai espremido entre o desejo de normalidade, a sobrevivência difícil de quem escolhe as letras para fazer os seus passos e a tentativa de compreender a vida e de como ela nos faz ser o que somos.

Por quase duzentas páginas, eu me perguntei se aquele pai amava seu filho. Ficava revirando as linhas na tentativa de algum sentimento que não fosse a compaixão, o remorso, a irritação… mas talvez o ato de escrever seja – mais do que o de ler – uma maneira de entender o que se passa em nossa cabeça, em nosso coração. E talvez, então, Tezza ou o escritor do livro – não importa! – se disponham a escrever para tentar exorcizar as sombras de algum ressentimento e vislumbrar os contornos mais nítidos do que ficou diante daquela experiência. Se foi assim, a viagem é melhor que a chegada ao destino, como sempre.

A afetividade como compreensão do mundo e das coisas, a literatura como a revelação das essências que ajudam a nos constituir, a literatura como resultado do borramento entre a ficção e a realidade… se assim é, assim me ficou. A autoria é uma paternidade. A escritura é uma forma de romper o ciclo de vida e morte. A literatura é uma maneira de eternizar as coisas e as gentes. Ao escrever sobre o filho daquele escritor, Tezza imortaliza aquela filiação, mas eterniza também o pai que é um substrato de sua relação com o menino. O pai aprende a ser pai com o filho. O menino é o pai do homem. Nessa deliberada confusão entre paternidade e literatura, entre o dever de ser pai e o ofício de ser escritor, Cristovão Tezza oferece uma nova dimensão dos retratos paternos que temos na literatura. Kafka pintou o velho Hermann como um déspota maldito em “Cartas ao Pai”; Paul Auster assumiu escrever para não esquecer em “A invenção da solidão”; Carlos Heitor Cony romantiza, idealiza e mitifica um pai a ser idolatrado em “Quase memória”… Cristovão Tezza exibe a fragilidade, a incerteza, a solidão e o aprendizado que é ser pai.

uso da web pelos jornais americanos

O Bivings Group soltou hoje um relatório de 29 páginas sobre o uso da internet pelos jornais norte-americanos.

Não, ainda não li. Mas se você quiser se servir, fique à vontade.

Sabe como é, nesses dias de dezembro, por conta das comprinhas de Natal, das visitas e da proximidade das férias, a gente desacelera mesmo…

sapatada: jornalista não pode!

Eu sei que a cena ajuda a fechar com chave de ouro oito anos de um governo desastrado e desastroso. Eu sei que foi por pouco que Bush não leva uma (com um pouco mais de mira, duas) sapatadas. Sei também que o ato protagonizado pelo jornalista Muntazer al Zaidi foi comemorado por meio mundo porque ilustra com grandiloqüência a desaprovação à administração Bush.

Mas não foi certo.

Não quero polemizar à toa, mas não foi certo.

Jornalista nenhum poderia ter feito aquilo. Por questões óbvias profissionais. Al Zaidi não estava lá para atentar contra Bush, para contradizê-lo, para protestar contra a ofensiva ao seu país. Credenciou-se para a ocasião de participar de uma entrevista coletiva e deveria, isso sim, ter brigado para questionar o presidente norte-americano, para colocá-lo na parede com perguntas indigestas e até mesmo constrangedoras. Al Zaidi não estava lá como um cidadão iraquiano ou de qualquer nacionalidade. Estava numa espécie de pessoa jurídica, na condição de jornalista, de representante de um determinado veículo de comunicação, e como tal, deveria atuar dentro das quatro linhas desse jogo.

Sei que a quase-sapatada gerou um estado de euforia em muita gente. Claro que ele em si já é uma piada, e ocasionou até jogos online, onde as pessoas se desestressam acertando o presidente. Al Zaidi traz à tona uma vontade nem tão secreta de milhões, quem sabe, bilhões de pessoas de punir um governante tão despreparado, inábil e irresponsável. Mas o papel dos jornalistas está em fiscalizar os poderes, denunciar abusos, investigar, perfilar personagens, contar histórias. Ao perder a paciência ou o controle, Al Zaidi deixou seu posto de jornalista, pulou o balcão e juntou-se aos cidadãos anônimos que não têm as obrigações e deveres que o jornalismo nos impõe. Não é um lugar ruim, mas o ethos é outro.

Al Zaidi deixou de contar a história para tornar-se personagem dela. Do ponto de vista da catarse coletiva de ferrar Bush, valeu. Do ponto de vista da ética profissional dos jornalistas, não vale. Com isso, foi preso, espancado e deve responder por processo que deve lhe render prisão. As entidades que lutam pelo direito de expressão fazem protestos contra as agressões por ele sofridas, o que é natural e esperado.

Fico pensando se ele tivesse acertado o alvo. De uma certa forma, acertou: deu ao mundo a última cena de um governo ruim para os Estados Unidos, para o mundo e para a nossa história.

sete links imperdíveis sobre jornalismo, blogs, redes sociais

  • Alex Primo posta um conjunto de textos em que compartilha sua longa pesquisa sobre os gêneros na blogosfera brasileira. Já estão disponíveis os três primeiros, com metodologia clara, farta apresentação de dados e apresentações esteticamente perfeitas. Como sempre. Por aqui, por favor.
  • Em dois vídeos muito pessoais, Fernando Firmino explica aspectos de base para se pensar o jornalismo móvel. Detalhe: ele é o mais proeminente pesquisador brasileiro sobre essa temática e acaba de ser premiado pela Intercom por sua tese doutoral em andamento. Veja aqui.
  • O Observatório da Imprensa traz entrevista com James Görgen, coordenador do projeto Os Donos da Mídia, e ele escancara o verbo. Leitura inflamável.
  • Se você, como eu, não pôde estar no Porto esses dias para participar do 1º Congresso Internacional de Ciberjornalismo, não se preocupe. Tem bastante material no Twitter e em blogs espalhados por aí. Destaco a visão particular de Alex Gamela.
  • O Observatório da Imprensa vem com outra entrevista que é nitroglicerina pura: com o procurador da República Celso Três, que assina a ação civil pública que questiona a compra do jornal A Notícia pelo Grupo RBS. Confira aqui.
  • Blogs podem ajudar no desempenho escolar, aponta pesquisa reportada pelo Jornal da Unicamp.
  • Ótimo material compilado pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano sobre discussões acerca da ética no jornalismo online. Os debates se deram no Seminário O Futuro do Jornalismo na Internet, promovido pela entidade fundada por Gabriel García Márquez. Imperdível.

julgamento do diploma fica pra 2009

A informação é da Fenaj:

O Supremo Tribunal Federal (STF) não incluiu na pauta das suas últimas sessões de julgamento, antes do recesso, o recurso extraordinário contra a exigência da formação específica para o exercício da profissão de jornalista. As sessões acontecem nestas quarta e quinta-feiras, dias 17 e 18, e na sexta, 19, está prevista a realização de uma sessão extraordinária, que vai encerrar o ano judiciário. Mas como há possibilidade da pauta ser alterada, a FENAJ mantém plantão em Brasília acompanhando as decisões da presidência do Supremo.
Leia a notícia aqui.

virou uma questão moral

A denúncia pela TV de que voluntários estariam furtando donativos dos flagelados das enchentes em Blumenau foi aterradora. Um escândalo mesmo. Vergonhoso, indignante, preocupante. Repercute em tudo o que é lugar e o constrangimento é indisfarçável.

O que era um fato coberto por números expressivos e histórias trágicas e comoventes tornou-se um episódio coberto por questões morais. O que está mais aflorado agora é a discussão sobre a conduta das pessoas, sua honestidade, a sinceridade com a qual se disponibilizam como voluntários, o caráter que lhes sustenta a alma. Fala-se de mau exemplo, de minoria de aproveitadores, de falta de educação. Mas qualquer discussão sobre a conduta humana é complexa demais para ser resumida a um punhado de palavras.

Claro que é odioso ver pessoas rapinando como abutres roupas e alimentos, muitas vezes cedidos por quem pouco tem. Claro que gera uma indignação mortal ao assistirmos o escárnio, o prevalecimento e o oportunismo dos chacais, fardados ou à paisana.

Mas é preciso lembrar que uma tragédia como a que se abateu sobre os catarinenses revela o que há de melhor e pior no ser humano. Não é fatalismo da minha parte, nem ceticismo. É só a preocupação de mais um diante de sinais quase inequívocos de nossa falência moral, do ocaso dos valores, da frouxidão das virtudes. Fazer o bem sem ver a quem tornou-se um ditado bonitinho, clichê desgastado que até rima. Doar-se, dar-se, oferecer-se e resistir às tentações que a vida nos impõe a toda hora é que é difícil.

o futuro da internet: eu sei…

O que os principais nomes da tecnologia podem dizer dos próximos anos da rede mundial de computadores?

Bem, vamos lá…

  • Plataformas móveis, como celulares, devem ser os principais dispositivos de conectividade da maioria das pessoas lá por 2020;
  • Na mesma época, reconhecimento de voz e interfaces de toque também serão bastante disseminadas;
  • A transparência na vida pessoal e na organizacional deve crescer, mas não necessariamente teremos mais tolerância ou compaixão;
  • Deve se tornar mais acirrada a queda de braço entre leis duras de direito autoral e o movimento pela flexibilização desses direitos, cópias não-autorizadas e o compartilhamento;
  • A separação entre tempo pessoal e tempo dedicado ao trabalho, e entre realidade física e virtual ficará ainda menor para os conectados;

Como eu sei tudo isso?
Não, não tenho bola de cristal. Mas o Pew Internet & American Life Project sabe, e acaba de divulgar um amplo relatório com uma pesquisa com empresários e especialistas do setor. O relatório – que você pode ler aqui – tem o título de The Future of Internet, e já é o terceiro de uma série. Tem 138 páginas, e está em inglês, no formato PDF.

Para este estudo, foram ouvidas 1196 pessoas influentes e atuantes no meio.
Ainda não terminei de ler, mas o sumário executivo – este que citei acima – já é bem atraente…

lições de neocolonialismo na compra de camisa

Duas coisas me irritam muito quando vou comprar roupas:

  • etiquetas que viram estampas
  • estampas escritas em inglês

Eu explico.

Você vai a uma loja, observa a vitrine, escaneia o mostruário todo, fuça, mexe, pergunta para os atendentes, e sai da loja aborrecido quando só tem camisas com a logomarca dos fabricantes. Não é uma estampa bonita, uma padronagem interessante, o bom gosto ou qualquer coisa do tipo.  É a marca mesmo, o carimbo da indústria têxtil. Outro dia, num shopping qualquer, fui atraído por uma faixa que anunciava 50% de desconto em toda a loja. Corri pra lá.

Olhei todas as camisas em exibição na vitrine e nas araras. Todas as peças, eu disse todas tinham o carimbo da Beagle na frente e algumas atrás também. Pela metade do preço, as camisas – que nem eram bonitas – custavam em média 35 reais. Isso. Você paga 35 reais para desfilar por aí, fazendo propaganda da camisaria.

Detesto isso.

É odioso também quando você só encontra camisas com dizeres em inglês. Tem de tudo. Tem frases idiotas, slogans sem nenhum sentido, até mesmo expressões escritas de forma errada. Claro! Estamos no Brasil, e aqui todos somos fluentes em inglês. Conjugamos o verbo To Be na concepção, quando o espermatozóide meets o óvulo. É o começo da vida, quer dizer, da life.

Um tremendo colonianismo, uma besteira de achar chique vestir roupas que dizem besteiras num idioma que não é o nosso! Por que não fazem também em grego, em mandarim, em farsi ou no alfabeto cirílico? Já que pouca gente entende mesmo, e a idéia não é comunicar, mas enfeitar…

Pior que isso é quando a gente encontra roupas com dizeres em português, mas com erros de ortografia e pontuação. Hoje, numa outra loja, encontrei a camisa abaixo, que fiz questão de fotografar…

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Só pra constar: faltam duas vírgulas.

Só pra constar: descida, o substantivo ligado ao verbo descer, é com sc. Decidir é optar. E, claro, eu decidi não levar a camisa…

direitos humanos, 60 anos da declaração

Esta semana, a Declaração Universal dos Direitos do Homem completou 60 anos.

Modestamente, indico o link de um blog que criei para um curso que dei na Universidade da Amazônia, no Pará: Mídia e Direitos Humanos

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a tragédia e ilhota

O jornalista Dauro Veras foi a Ilhota, em plena Linha Vermelha, para uma reportagem sobre a tragédia no Morro do Baú. Voltou a Florianópolis com um punhado de imagens aterradoras e muitas histórias sobre famílias e sonhos destruídos. Ele mesmo narra…

Cheguei ontem de uma viagem de trabalho a Ilhota e Blumenau, onde fui levantar informações pra uma reportagem sobre a reconstrução depois da enxurrada. Foram dois dias impactantes, não só pelas cenas de destruição que pude presenciar, como pelo trauma emocional das pessoas com quem tive contato. Ouvi histórias de perdas terríveis que ainda estão sendo assimiladas com dificuldade (atenção psicólogos, Santa Catarina precisa de voluntários!). Também pude observar belos exemplos de força de caráter, solidariedade e coragem diante das adversidades.
Veja mais aqui

jornalismo: um prêmio e uma ação contra a rbs

O prêmio. Vocês se lembram que a Folha de S.Paulo comprou uma briga de cachorro grande com a Igreja Universal do Reino de Deus (e com a Record) este ano, por conta de uma reportagem de dezembro de 2007 sobre o império da igreja? Pois bem, a reportagem de Elvira Lobato virou alvo de mais de cem ações judiciais, quase todas abolidas até então. O melhor de tudo veio agora: a reportagem venceu o Prêmio Esso de Jornalismo.

Alguém mais esperto aí já disse que a imprensa existe para confortar os aflitos e afligir os acomodados.

A ação. Na quarta, 10/12, o Ministério Público Federal apresentou à Justiça Federal uma ação civil pública pedindo a anulação da compra do jornal A Notícia pelo Grupo RBS,  e pedindo a redução do número de estações de radiodifusão controladas pelo grupo. A ação foi proposta contra nove empresas de comunicação, a União, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e os empresários Nelson Pacheco Sirotsky e Moacir Gervásio Tomazi. O processo foi para a 3ª Vara Federal de Florianópolis, e por sorteio eletrônico, caiu na mesa do juiz Cláudio Roberto da Silva.

Será que agora vai?


voluntários minguam; a cidade quer retomar a rotina

Dezoito dias depois da enchente que alagou o Vale do Itajaí, já é bem visível um impasse em Itajaí: na medida em que a cidade tenta retomar a rotina, cai o número de voluntários que se dedicam à rede de apoio às vítimas da tragédia. O impasse é natural, já que o momento é outro.

No Centro de Eventos da Marejada, a movimentação de populares é menos intensa, e a coordenação local chega a dispensar os serviços dos poucos voluntários por volta das 21h30. É verdade também que a quantidade de donativos vem diminuindo gradativamente nesses dias, mas ainda há um volume expressivo de suprimentos que precisam ser triados, separados e distribuídos. Nos primeiros dias do esforço  coletvo, centenas de pessoas se revezavam no recebimento de alimentos, materiais de higiene e limpeza e roupas, e outras centenas carregavam os caminhões com destino aos flagelados. O panorama agora é outro.

A cidade tenta restabelecer o seu ritmo cotidiano. As chuvas pararam, o nível dos rios já pode ser considerado normalizado. A grande maioria dos 78 mil desabrigados ou desalojados já retornou as suas casas ou cercanias. Os serviços públicos foram quase que completamente restabelecidos.

Preocupados com a temporada de verão, o governo estadual, a imprensa e o empresariado local têm batido na tecla de que o estado já está pronto para receber os turistas. Ágil, o governo colocou esta semana no ar um site que pretende não apenas promover os destinos do estado, mas oferecer também informações atualizadas sobre condições de estrada e serviços, meteorologia, condições de balneabilidade das praias e outros dados que interessam a todos, não apenas aos turistas. A iniciativa é inteligente, mas ainda é difícil saber se os turistas visitarão o estado após o susto do final de novembro.

De qualquer forma, Santa Catarina precisa tanto dos turistas de outros estados quanto dos voluntários locais. Dos primeiros, depende a infra-estrutura de diversão, gastronômica e hoteleira. Dependem os empregos no setor, e uma parcela importante no mix da receita econômica. Dos voluntários, se espera a boa vontade de sempre, a solidariedade, a abnegação e dedicação sem preço e com um valor inestimável.

carregando o mundo nas costas

sisifo

Atlas era o titã que carregava os céus nas costas. Os artistas da época se acostumaram a representar o fortão como um homem que sustentava o globo. Mais tarde, alguém resolveu colocar a figura na capa do livro de mapas, e a moda pegou tanto que todos passaram a chamar o tal livro de atlas.

Ok, e daí?

E daí que estou me sentindo como se carregasse o mundo nas costas nos últimos dias.

Não que eu seja uma espécie de titã ou que eu me ache capaz de fazer o que Atlas fazia. Não. O fato é que estou soterrado de trabalho por conta do final do ano, do acúmulo de tarefas e de uma semana perdida por conta da enchente. Tudo resolveu acontecer agora…

Por isso, peço a minha meia dúzia de leitores que tenha paciência, pois vou postar algo digno de nota aqui, entre uma coisa e outra.

Para se ter uma idéia, tenho quatro bancas de TCC esta semana e preciso ler uma dissertação de mestrado e mandar um parecer por escrito antes da sexta-feira. Tenho que terminar de escrever um artigo e revisar um livro até a outra semana. Sem contar que preciso ainda migrar 21 edições de revista impressa para uma versão eletrônica no novo portal de periódicos que a Univali vai lançar em breve.

E não é só… mas já chega…

Tô mais para Sísifo que para Atlas: quando penso que terminei de rolar a pedra morro acima, ela despenca morro abaixo…

monitor de mídia leva o 2º lugar no prêmio caixa-unochapecó

A reportagem “Qual o futuro da Praia Brava?”, publicada originalmente no Monitor de Mídia, ficou em 2º lugar na segunda edição do Prêmio Caixa – Unochapecó de Jornalismo Ambiental. A reportagem multimídia é assinada pelas acadêmicas Gabriela Azevedo Forlin, Marina Fiamoncini e Stephani Luana Loppnow, e tem infografias de Joel Minusculi. Venceu a reportagem “Consumo crescente de água mineral provoca contradições”, de Esther da Veiga e Marina Bento Veshagem, estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, e em terceiro lugar ficou “O desafio de preservar sem sucumbir”, do jornalista Wagner Gris, diplomado pela Unochapecó.

Os vencedores disputaram com trabalhos vindos dos três estados da região Sul, e receberam prêmios de R$ 1,5 mil a R$ 4,5 mil.

As reportagens foram julgadas pelos critérios de relevância e adequação das informações; adequação do conteúdo ao formato de webjornalismo; utilização dos recursos da web; propriedade e adequação das fontes de informação; capacidades interpretativa e argumentativa; linguagem jornalística e coesão ecoerência textual.

A iniciativa do prêmio brinda os dez anos do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Unochapecó. A comissão que avaliou os trabalhos foi composta pelos jornalistas Sérgio Luiz Gadini (PR), Reges Shwaab (RS) e Elias Machado (SC). Todas as reportagens premiadas podem ser vistas aqui.

(Momento coruja: estou muito orgulhoso com a performance de meus meninos do Monitor!)

uma rede social contra as enchentes de sc

Em 2005, na passagem do furacão Katrina pela Flórida, diversas redes sociais emergiram, informando do epicentro dos acontecimentos tudo o que a grande mídia tinha dificuldades para mostrar. À época, as redes sociais também prestaram serviços, estabelecendo contatos entre diversos atores de forma a fazer chegar donativos e suprimentos o mais rapidamente aos atingidos.

Em Santa Catarina, em novembro deste ano, por conta das enchentes no Vale do Itajaí, blogs, wikis e outras redes sociais também jogaram um papel importante. Em questão de horas, blogs como o Alles Blau informavam como estava a situação em Blumenau, e em Itajaí, o Desabrigados reunia as informações sobre quem tinha deixado suas casas, procurava amparo e parentes perdidos. Na mesma cidade, a Arca de Noé, outra rede social, unia esforços dispersos para informar e prestar serviços.

Nesta rápida entrevista, o criador da Arca de Noé – o ex-secretário municipal da Criança e Adolescente Raciel Gonçalves Júnior – relata a experiência e a importância das redes sociais em momentos cruciais como os vividos no final do mês passado.

O projeto Arca de Noé foi uma das mais positivas iniciativas online em meio à tragédia em SC. Como ele começou? Quem teve a idéia e como ele foi concretizado?
Raciel Gonçalves Jr. –
Sábado (22-nov), às 23h42m28s, meu irmão Rinaldo que mora no Loteamento Santa Regina, Bairro Espinheiros, me chamou no MSN (olha a tecnologia aí), preocupado com a situação. Ele vinha monitorando a subida das águas (mesmo tendo a informação de que aquela área não era sujeita a enchente). Às águas do Rio Itajaí-Açú naquele momento estavam a 100 metros do loteamento. Ele registra que a sua filha tinha chegado do Bairro São Vicente e que tinha passado de moto – sem problemas. Registra que a casa do prefeito eleito Jandir Bellini estava debaixo d’água. Ele tinha contatado o ex-marido da nossa irmã (contador da Secretária de Desenvolvimento Regional de Itajaí) que o avisou que realmente as coisas começavam a preocupar a Defesa Civil Estadual e que a TV Brasil Esperança já estava transmitindo ao vivo as primeiras notícias e pedidos de doações para as primeiras famílias alojadas no CAIC. Assisti a uma conversa ao vivo e por telefone do apresentador Denísio Dolásio Baixo da TV Brasil Esperança com o Márcio Xavier, empresário do ramo imobiliário aqui de Itajaí (somos amigos) e imediatamente a minha reação foi de pegar o meu notebook, roupas e produtos de higiene que estavam solicitando como doação e solicitei ao namorado da minha filha que me levasse para o posto de voluntários que o Márcio estava montando, já antevendo que a noite ia ser longa.

No caminho de casa até o centro (a sede da Imobiliária Xavier é ao lado da Igrejinha, ali em frente à Delegacia da Receita Federal), me veio à mente a lembrança de minha mãe que em noites assim – de muitas chuvas e trovoadas, nos reunia na sala (somo em oitos filhos), e para nos acalmar e para que não sentíssemos medo, lia a Bíblia… Escutei a história bíblica de Noé muitas vezes… Quanto à idéia e concretização, nada foi planejado, nasceu naturalmente… Eu já havia respondido a um convite da Revista InfoExame para entrar na rede que eles haviam criado no NING. Assim, conheci o NING e já havia criado lá a REDE PIÁ (que ainda mantenho para discutir políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente). Incialmente, registrei a Rede Social Arca de Noé apenas para manter um registro de nossos contatos, pendências, e pedidos de ajuda e de doações…

Viramos a madrugada de sábado (22) para domingo, articulando várias ações efetivas. Eu tive um terminal de contêineres em Itajaí (Sulpartner Contêineres Ltda), e sempre vi ali uma possibilidade de com aquelas “caixinhas amigas” ajudar os outros em caso de fatalidades… Eles favorecem a logística para armazenar mercadorias, transportar e acolher pessoas, podem ser posicionados e arrumados de muitas maneiras… A ONU monta verdadeiras cidades com eles… As prefeituras de várias cidades assoladas regularmente por furacões na costa americana e no caribe, se utilizam dessas estruturas para proteger pessoas em casos de calamidades e existem empresas que exploram esse nicho de mercado.

Esta é a primeira vez que você usa redes sociais na internet para a mobilização social? Que outras experiências anteriores já teve?

Raciel Gonçalves Jr. – Eu fui um dos dez primeiros clientes da Melim Informática que introduziu a internet em Itajaí. Se não me engano, fui a terceira pessoa a arquivar em HTML puro uma página pessoal. “Nos Bares da Vida” era um diário das nossas andanças na boêmia… No terceiro setor, sou webmaster para a Associação Passos de Integração (também um dos fundadores, diretor e ex-presidente). Mais recentemente, criei e mantenho o Adoção Brasil . É a primeira vez que administro um número tão grande de membros que se registram (538*) e visitam (9.500*) um domínio mantido por mim – 91.193 page views. (*Sitemeter. Dados de hoje (9), 14:00h. Contando desde 27/11).

Aliás, por que lançar mão desses recursos tecnológicos nesse momento?
Raciel Gonçalves Jr. –
Trata-se de um recurso que favorece a interação e permite que rapidamente se disponibilize às pessoas com acesso à internet, mesmo as que apenas têm um domínio básico, acesso fácil e independente (obviamente que limitado a um padrão previamente configurado), mas com alto nível de qualidade e que está disponível 24 horas, ou seja, se você perdeu alguma informação, na web certamente ela estará disponível e atualizada, nem mesmo o rádio e a TV conseguem tanta interatividade.

Como você situaria esses esforços online em comparativo com os dispendidos pessoalmente?
Raciel Gonçalves Jr. – No meu caso particular, e tenho certeza que para muitas outras pessoas, a sensação é a mesma, os nossos esforços físicos foram tão extenuantes quanto o daqueles que foram observados presencialmente. Na primeira semana, eu não dormi mais do que 2 horas por dia, nos recolhiamos, mas a todo momento éramos acordados via fone e também porque não conseguíamos dormir. Você fecha os olhos e tenta relaxar, o cérebro dorme, mas é um sono cortado, agitado, que incomoda e que nos faz levantar e continuar a trabalhar. Os casos em que não conseguimos uma solução efetiva, apenas ligamos para a pessoa e a confortamos, solicitando que se mantivessem calmos porque tinha alguém que havia escutado e que estava imbuído de chegar até eles. Em relação a outros, nos foi possível assegurar que estavam bem e que podiam aguardar por ações mais organizadas da Defesa Civil. Para outros a Rede Social Arca de Noé articulou e disponibilizou caminhões, contêineres vazios, barcos, lanchas, donativos e voluntários. Também observamos que, aos poucos, muitos profissionais da mídia passaram a buscar aqui os informes e orientações para seus ouvintes. A Arca de Noé também disponibilizou rapidamente Formulários Eletrônicos e Planilhas Eletrônicas que facilitaram o trabalho da Defesa Civil na organização de uma listagem de pessoas desaparecidas e encontradas, serviço esse, realizado em parceria com o Instituto Areté, que é uma proposta nova, ainda em gestação, que chega para trabalhar pelo fortalecimento das políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente.

Que resultados esperava alcançar com a Arca de Noé? Que resultados alcançou até agora?
Raciel Gonçalves Jr. – Inicialmente, só visamos disponibilizar uma ferramenta acessível que favorecesse a mobilização e articulação para ações efetivas. Agora, temos recebido manifestações de várias partes do Brasil que estão nos animando a continuar mobilizando e articulando ações visando agora trabalhar permanentemente pelo fortalecimento da Defesa Civil em nossa região. Em números auditados pelo Sitemeter , nós alcançamos 9.500 visitas e 91.193 page views. Os resultados que mais interessam não temos como mensurar, mas as referências positivas a nossa iniciativa, em jornais de circulaçao nacional (Folha online, Estadão online, blogs, etc.) e as 2.160 referências ao nosso domínio no Google nos asseguram que a iniciativa foi exitosa.

Qual o futuro da Arca de Noé?
Raciel Gonçalves Jr. – A nossa expectativa é de que em terra, ela sirva de QG (quartel general) para os importantes desafios que teremos pela frente, nos somando as iniciativas que estão surgindo e que visam a construir uma Defesa Civil forte, aparelhada e treinada, mobilizada e articulada, enfim, viva!

governos podem monitorar a mídia?

A resposta parece óbvia, mas vale a pena ler a notícia que saiu hoje no Jornalismo nas Américas, do Knight Center:

Plano do governo de criar observatório da mídia causa repúdio dos jornalistas

A União dos Jornalistas de Honduras (CPH) disse que a proposta do governo de criar um observatório federal da mídia representa a intenção de controlar e censurar os meios de comunicação, segundo o El Heraldo.

A presidência anunciou na semana passada que pretende criar este órgão para fiscalizar as informações que os meios de comunicação publicam e divulgam.

Em um editorial, o jornal La Prensa qualificou a iniciativa como uma tentativa de controlar a mídia independente, e de deixar que as pessoas no poder ditem os padrões jornalísticos da objetividade e do profissionalismo.

game não é coisa de criança!

Mais da metade dos adultos norte-americanos jogam algum tipo de game, seja em seus computadores, em consoles, em celulares, etc. Para ser mais exato, eles são 53% da população naquela faixa etária. Esse dado e outros mais foram divulgados ontem pelo Pew Internet & American Life Project numa pesquisa sobre consumo adulto de games.

Alguns dados que destaco:

  • Entre os mais velhos – com 65 anos ou mais -, perto de um terço se dedica aos games todos os dias. Os velhinhos jogam mais até que os adultos mais jovens…
  • Os adultos norte-americanos compõem uma população diversificada se o assunto é consumo de games.
  • Eles jogam mais em computadores do que em consoles. Mas entre os mais jovens, os consoles são mais populares.
  • Quatro em cada cinco adultos jogam com outros adultos.
  • Como esperado, a maioria dos jogadores é do sexo masculino.
  • Jogos online ainda ocupam uma fatia modesta na vida desses gamers.

A pesquisa foi realizada entre 24 de outubro a 2 de dezembro de 2007, com uma amostra de 2054 adultos maiores de 18 anos, incluindo aí 500 usuários de telefones celulares. Margens de erro vão de 2 a 3 pontos percentuais.

Um resumo da pesquisa pode ser lido aqui.

***

Neste ano, a indústria de games norte-americana deve chegar a um faturamento de US$ 22 bilhões, conforme uma consultoria de mercado. Só em outubro, a venda de equipamentos, consoles, programas e acessórios passou de US$ 1,35 bilhão. Leia mais em matéria da Folha de S.Paulo. Conforme outra reportagem, do IDG Now, apesar da crise, o mercado cresceu 18% no período. “Uma das explicações para o bom resultado é que, em tempos de crise, as diversões dentro de casa são mais valorizadas, justamente por serem relativamente mais baratas”, explica a matéria.

são paulo, tri! são paulo, hexa!

spfc

Títulos Internacionais

:: Títulos

– Libertadores da América: 92 – Copa Conmebol: 94
– Mundial Interclubes: 92 – Recopa Sulamericana: 94
– Libertadores da América: 93 – Libertadores da América: 2005
– Recopa Sulamericana: 93 – Mundial Interclubes: 2005
– Supercopa da Libertadores: 93
– Mundial Interclubes: 93
Títulos Nacionais
:: Títulos
– Campeonato Brasileiro: 77 – Campeonato Brasileiro: 2006
– Campeonato Brasileiro: 86 – Campeonato Brasileiro: 2007
– Campeonato Brasileiro: 91 – Campeonato Brasileiro: 2008
– Torneio Rio-São Paulo: 2001
Títulos Estaduais
:: Títulos
– Campeonato Paulista: 31 – Campeonato Paulista: 80
– Campeonato Paulista: 43 – Campeonato Paulista: 81
– Campeonato Paulista: 45 – Campeonato Paulista: 85
– Campeonato Paulista: 46 – Campeonato Paulista: 87
– Campeonato Paulista: 48 – Campeonato Paulista: 89
– Campeonato Paulista: 49 – Campeonato Paulista: 91
– Campeonato Paulista: 53 – Campeonato Paulista: 92
– Campeonato Paulista: 57 – Campeonato Paulista: 98
– Campeonato Paulista: 70 – Campeonato Paulista: 2000
– Campeonato Paulista: 71 – Supercampeão Paulista 2002
– Campeonato Paulista: 75 – Campeonato Paulista: 2005
Torneios Exterior
:: Títulos
– Pequena Taça do Mundo (VEN): 55
– Troféu Jarrito (MEX): 55
– Quadrangular de Cali (COL): 60
– Pentagonal de Guadalajara (MEX): 60
– Pequena Taça do Mundo (VEN): 63
– Torneio de Firenze (ITA): 64
– Troféu Colombino (ESP): 69
– Torneio de Verão de Tampa (EUA): 82
– Quadrangular de Guadalajara (MEX): 89
– Quadrangular de Leon (MEX): 90
– Torneio da Amizade (CHI): 90
– Cidade de Barcelona (ESP): 91
– Ramón de Carranza (ESP): 92
– Teresa Herrera (ESP): 92
– Cidade de Barcelona (ESP): 92
– Cidade de Santiago (CHI): 93
– Santiago de Compostela (ESP): 93
– Troféu Jalisco (MEX): 93
– Cidade de Los Angeles (EUA): 93
– Los Angeles Soccer Cup (EUA): 99
– Quadrangular de Pachuca (MEX): 99
Torneios no Brasil
:: Títulos

– Torneio Nunes Freire (MA): 76

– II Copa São Paulo: 76
– Taça Governador do Estado (SP): 80
– Torneio Luis Henrique Rosas (SC): 85

– Taça Eduardo José Farah (SP): 88

– Torneio Rei Dadá (MG): 95
– Copa dos Clubes Brasileiros Campeões Mundiais (MT/DF): 95/96
– Supercopa da Conmebol (MT): 96
– 3ª Euro América Cup (SP): 99
– 1ª Copa Constantino Cury (SP): 2000
Outras Conquistas
:: Títulos

– Torneio Início Paulista: 32

– Torneio Início Paulista: 40
– Torneio Início Paulista: 45

– Taça dos Invictos 46: 23 jogos

– Taça dos Invictos 72: 15 jogos
– Taça dos Invictos 75: 39 jogos
– Troféu Fair Play: 95
– Troféu Fair Play: 98
– Copa São Paulo de Juniores: 93
– Copa São Paulo de Juniores: 2000
– Taça dos Invictos 2005: 13 jogos

ecos do 6º encontro da sbpjor

Promessa é dívida. Então, lá vão alguns apontamentos muito pessoais sobre o 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que aconteceu na Universidade Metodista – em São Bernardo do Campo, entre 19 e 21 de novembro.

Ainda produzimos pouco

Um dos representantes da área da Comunicação no CNPq, Juremir Machado da Silva, contou um pouco dos bastidores da carnificina que é disputar e distribuir bolsas de produtividade para pesquisadores no país. Segundo ele, a comissão de área avaliou 136 processos contra mais de 600 dos cientistas da Física e Astronomia. Nas ciências duras, a demanda é maior, logo a “quota” também tende a ser mais generosa. Na Comunicação, por exemplo, a fatia das bolsas de produtividade distribuídas é de 0,89%, uma miséria, convenhamos.

Ainda conforme Juremir, a comissão de área recebe as propostas, avalia e indica prioridades de concessão. Leva-se em conta o currículo do pesquisador (70% da nota), a sua capacidade de formação de novos pesquisadores (20%) e quesitos como liderança e experiência de gestão. A nota geral é o que se convencionou chamar de IPQ, Índice Geral de Produtividade.

O trocadilho do evento

Silvio Waisbord, da George Washington University, foi o conferencista do encontro. Simpático e bem humorado, começou sua fala em tom grave. Ele teve que tomar uma decisão ao elaborar a conferência: ou destruía o português falado ou o escrito. Optou pelo segundo. “Eu sei que o poder corrompe, mas o powerpoint corrompe mais”, disse, provocando gargalhadas na platéia.

Sua apresentação em powerpoint realmente maltratava a língua daqui, mas a palestra foi inspirada e particularmente interessante para se pensar pesquisa em jornalismo e democracia.

Há que se registrar ainda que Waisbord não foi um conferencista comum, desses que cumprem o compromisso acertado, fazem suas malas e se vão. Não. O argentino radicado nos Estados Unidos há décadas participou de todas as atividades do evento nos dias seguintes, fazendo anotações, conversando com as pessoas e contribuindo com perguntas e comentários.

Novo portal e coleção de livros

Muito em breve, a SBPJor inaugura um novo site. A idéia é agora oferecer um portal de referência para a pesquisa em jornalismo no Brasil. Segundo a diretora editorial da entidade, a Tattiana Teixeira, o internauta terá acesso a todos os textos apresentados nas edições do encontro nacional e da Brazil Conference, com motor de busca próprio e outras novidades. A seção da bibliografia básica de jornalismo será reformulada, podendo ser acessada de forma exclusiva pelos associados. Fotos, vídeos e outros badulaques devem dar uma turbinada no site. A se conferir…

Outro anúncio feito por Tattiana é o lançamento breve de uma coleção de livros bem básicos de jornalismo, voltados para auxiliar a graduandos, mestrandos e doutorandos. O objetivo é editar obras curtas, que tratem de conceitos-chave da área, e que ofereçam uma revisão de literatura sobre eles, de modo a apresentar de forma panorâmica uma metodologia, um modelo ou algo semelhante. Ainda sem nome definido, a coleção terá livros assinados por renomados pesquisadores nacionais, e deve ser lançada em formato eletrônico (e-books).

Próximos encontros e BJR

As sétima e oitava edições do Encontro da SBPJor já têm locais definidos. Em 2009, ele acontece em São Paulo, na USP, e no ano seguinte, em São Luís, no Maranhão. A Brazil Conference ainda está em banho maria. A razão é simples: o evento é complicado para organizar, e a crise mundial que está elevando o dólar à estratosfera só torna a situação mais complexa (e cara) ainda.

A partir de 2009, a Brazilian Journalism Research – editada pela SBPJor – será editada apenas em versão eletrônica, mas com uma novidade: bilíngüe. Com isso, a entidade quer ampliar a leitura e o alcance da publicação. Ao torná-la eletrônica, desaparecem as fronteiras geográficas, e cai consideravelmente o custo de edição. Ao publicar em inglês e português, tanto o público brasileiro quanto o estrangeiro podem acessar e consumir os artigos.

Explico: autores brasileiros mandam seus textos em português e inglês. Os estrangeiros mandam em inglês, e a SBPJor cuida de traduzi-los. Ficou bom assim?

Homenagens merecidas

A plenária dos associados da SBPJor decidiu a concessão – em 2009 – de dois títulos especiais a pesquisadores brasileiros que merecem recebê-lo: sócia honorária: Cremilda Medina e sócio benemérito: Luiz Gonzaga Motta. Essas modalidades estão previstas no Estatuto da entidade.

o cérebro é uma gambiarra que dá pau direto

A firmação anterior não é minha. Com um tom bem mais elaborado e rótulo científico, o psicólogo norte-americano Gary Marcus defende a idéia de que o cérebro não é lá um produto do design inteligente e que apresenta defeitos constantes que se refletem na nossa vida cotidiana.

A tese está no livro “Kluge” (gambiarra, em português) e hoje, o Mais! da Folha de S.Paulo traz uma entrevista com o cientista que já foi pupilo do também polêmico Steven Pinker.

Como a matéria é para assinantes, reproduzo um trechinho:

Engenheiros americanos costumam usar a gíria “kluge” ao se referirem a soluções improvisadas para problemas em projetos. A falta de iluminação numa casa nova pode rapidamente ser resolvida, por exemplo, com um fio desencapado, uma lâmpada velha, uma extensão e esparadrapo. Esse tipo de gambiarra, diz o psicólogo Gary Marcus, da Universidade de Nova York, é também a melhor analogia para descrever a mente humana.
“Kluge” é o título do novo livro de Marcus, dedicado a mostrar como nossas faculdades mentais mais caras -consciência e raciocínio lógico- foram construídas pela evolução aproveitando estruturas cerebrais primitivas, na falta de algo melhor. Dá para o gasto, mas o preço que pagamos por não sermos fruto de um “projeto inteligente” é que nossa gambiarra cerebral freqüentemente entra em curto-circuito.
Auto-engano, teimosia, presunção -e crenças religiosas- seriam todos efeitos colaterais da forma como a mente é estruturada. Nossa memória, também, parece ser ótima para um caçador identificar pegadas de animais, mas não muito para guardar senhas de banco.
Analisando suas teorias à luz de experimentos psicológicos, Marcus mostra o quanto somos capazes de violar a racionalidade que supostamente é a marca registrada do Homo sapiens, o homem que sabe. Em um fenômeno conhecido como “ancoragem e ajuste”, por exemplo, o cérebro é normalmente induzido por valores arbitrários -o autor descreve um experimento no qual números que saíam numa roda da fortuna influenciavam voluntários a responder uma questão não-relacionada, como “qual é a porcentagem de países africanos na ONU?”
Outro fenômeno analisado por Marcus a chamada “preparação”, ou indução subliminar. As pessoas tendem a responder a perguntas sobre suas vidas com mais otimismo depois de assistir a “Os Smurfs” do que a “O Ladrão de Bicicletas”.
Diante disso, Marcus acusa seu próprio professor Steven Pinker -o papa da psicologia evolutiva- de superexaltar o cérebro humano como um órgão perfeitamente adaptado.