“Só em Sevilha, o corpo está com todos os sentidos em riste”, escreveu um apaixonado João Cabral de Melo Neto, caminhante de todas as suas vielas…
Em Sevilha, nasceram os pintores Velázquez e Murillo, os poetas Antonio e Manuel Machado, o também poeta Gustavo Adolfo Bécquer e o não menos poeta Vicente Aleixandre, que ganhou o Nobel de Literatura em 1977…
Sevilha viu nascer o dramaturgo Lope de Rueda, um dos primeiros atores profissionais da Espanha, lá no século 16, e viu também nascer a atriz Paz Vega há menos tempo…
São moradores perpétuos da cidade a Carmen, o Don Juan Tenório e o barbeiro Fígaro, todos cantados em ópera…
Américo Vespúcio, que viria a emprestar seu nome para o Novo Mundo, também passou os últimos dias na cidade, quando já tinha algum dinheiro e fama. Fechou seus olhos pela última vez no final de fevereiro de 1512…
Conta uma lenda que os tartéssios teriam sido os primeiros por aqui. Mas há quem diga que foram os fenícios, já que os tartéssios nem foram um povo propriamente dito. Dizem ainda que a cidade foi fundada por Hércules. Isso há 3300 anos…
Romanos, visigodos, vikings e árabes já ocuparam a cidade, derrubando culturas e erguendo civilizações…
Trajano e Adriano foram os primeiros imperadores romanos espanhóis e eles vieram dos arredores sevilhanos…
Há exatos 500 anos, Fernão de Magalhães e Juan Sebastián Elcano partiram do rio Guadalquivir para dar a primeira volta ao mundo. Dos 239 viajantes, só 18 chegaram ao final da viagem, três anos depois…
O coração desta cidade tem segredos que todos conhecem: está guardadinho no Arquivo das Índias o Tratado Tordesilhas. E descansa sob o teto da Catedral o que restou de Cristóvão Colombo…
Andando distraído pela Calle Sierpes, José Saramago teve o primeiro lampejo para escrever O Evangelho Segundo Jesus Cristo. E Miguel de Cervantes escreveu por aqui seu Rinconete y Cortadillo…
Foi em Sevilha, que Andrey Friedmann deixou para trás uma frágil carreira no cinema para se tornar Robert Capa, o maior fotojornalista de todos. Gracias, Gerda Taro!
Na cidade de La Giralda, me encanto com Triana, Macarena e Santa Cruz; sucumbo aos Reales Álcazares, à Plaza de España e à monumental Catedral; me perco na Judería, nos Jardines de Murillo e no Parque de Maria Luisa; meus olhos mergulham da Puente de Triana, da Torre Del Oro e da Torre de Sevilla.
Em Sevilha, vivi um ano inesquecível, intenso e transformador. Deixo aqui meu coração. Voltarei para buscá-lo.



Se você chegou a este post, muito provavelmente, sabe de alguém que sofre de depressão ou convive com uma vítima dela. Talvez ela esteja mais próxima ainda, e seja a sombra permanente que nubla os seus dias e desbota o mundo. A depressão é como o oxigênio ou a internet. Está em toda a parte. Não faz distinção de gênero, classe social, religião, idade, geografia. Não é, como muitos pensam, um mal moderno, recente. E embora seja relativamente fácil de diagnosticar, tratá-la é bem mais complicado.
Logo depois do feriado do dia do trabalhador, vamos mergulhar numa jornada para discutir o tempo do nosso tempo.
Há mais ou menos trinta anos, um velho jornalista fazia um convite sorridente: “
De repente, ando lendo muita coisa sobre inteligência artificial, automatização de redações e robôs no jornalismo. No momento, estou devorando “Ética para Máquinas”, de José Ignacio Latorre, e talvez por isso esteja muito atento ao relacionamento que nós, humanos, temos com elas, as coisas.