Marcado: ética

Vem aí uma rede lusófona pela qualidade da informação

Nos dias 13 e 14 próximos estarei em Coimbra para o Congresso Internacional Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono, um evento que vai apresentar as mais atuais pesquisas científicas na área entre os países que falam português e que vai lançar oficialmente a Rede Lusófona de Qualidade da Informação (RLQI).

A rede vai integrar membros acadêmicos e profissionais dos nove países da comunidade em língua portuguesa para fazer pesquisas internacionais, para fomentar debates e produzir materiais que contribuam para o aumento da qualidade na área.

Para acompanhar, siga por aqui.

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ponto negativo para o alfa positivo

Se você tem um Alfa, o leitor de livros eletrônicos da Positivo, e ele der problema, esqueça de tentar resolver com a própria empresa. Você vai se incomodar, como eu, e não terá a solução esperada.

Em junho de 2011, ganhei um Alfa de presente e passei a usar com bastante frequência no trabalho e nas horas de lazer. Na verdade, cheguei a alterar alguns hábitos de consumo de livros por conta da comodidade, da praticidade e do conforto do aparelho. Embora tivesse algumas limitações – sobretudo no contraste entre o texto e a tela -, o meu Alfa funcionava não só como meu livro de ocasião – aquele que a gente leva para todo lugar -, mas também como biblioteca – eu tinha mais de 150 títulos ali armazenados.

Tudo ia bem até que, no final de junho passado, de repente, meu aparelho não respondia aos toques na tela sensível e meus livros não estavam mais visíveis. Entrei em contato imediatamente com a Positivo Informática, solicitando assistências autorizadas. Eu queria que um técnico especializado fizesse um diagnóstico e um orçamento para o reparo. Todos os meus contatos foram por e-mail, e minhas mensagens eram respondidas logo nos dias seguintes aos meus chamados.

Em 24/06, a Central de Relacionamento Positivo me indicou uma assistência técnica no centro de Florianópolis. Fui atrás e deixei meu aparelho para uma análise. Dias depois, o diagnóstico foi econômico e impreciso: “não compensa fazer o conserto”. Em 13 de julho, solicitei novamente à Positivo o endereço de uma autorizada, eu queria uma segunda opinião, afinal não me conformava em ter um aparelho que só durasse um ano!. No dia 24, tive o novo endereço, e novamente fui atrás. Qual não foi minha surpresa quando lá fui informado que a assistência estava deixando a Positivo: “Estou surpreso que eles tenham nos indicado. Estamos nos descredenciando da empresa, não ficamos com mais nenhum produto da Positivo”, me disse o atendente.

No dia 25, acionei mais uma vez a empresa, pedindo instruções de como agir. No dia 26, a Central de Relacionamento Positivo me deu duas novas referências, mas numa outra cidade, ao lado da minha. Eu precisaria me deslocar algumas dezenas de quilômetros para fazer um diagnóstico de meu aparelho. Fui à primeira autorizada e lá me informaram que o atendimento era exclusivamente corporativo, isto é, só atendiam a empresas e não pessoas físicas. Na segunda assistência, a atendente me respondeu: “Ah, esse aparelho aqui a gente não pega não. Ele é recolhido pelo próprio fabricante para eventuais consertos…”.

No dia 8 de agosto, cansado, decepcionado e indignado, escrevi à Central de Relacionamento Positivo que estava desistindo de tentar consertar um aparelho que só funcionara por treze meses e cujo fabricante não me garante ao menos uma rede confiável de assistência técnica. Até agora não tive uma linha de resposta, nenhuma justificativa, nada.

Se eu tivesse importado um Kindle, teria tido tantos problemas? O senso comum nos faz crer que investir em produtos nacionais facilitaria o conserto, uma orientação ou algo do tipo. Que nada! Com o meu Alfa Positivo, não foi assim. Se alguém me pedisse uma recomendação do produto ou da empresa, claro que eu não recomendaria!

ATUALIZAÇÃO DE 17/09/2012: Felizmente, a situação foi bem resolvida pela empresa, conforme você pode conferir aqui: http://wp.me/p4HHl-26l

cnpq baixa normas éticas para pesquisadores

O CNPq recebeu denúncias de fraudes em periódicos científicos, cometidas por seus pesquisadores. Diante disso, percebeu-se que não havia diretrizes claras para lidar com situações desse tipo. Em maio passado, foi formada uma comissão para elaborar uma política de ética científica. Essas regras foram anunciadas recentemente pelo CNPq, conforme aponta o Relatório da Comissão de Integridade de Pesquisa (leia a íntegra aqui).

Em resumo, o CNPq identifica quatro tipos de fraudes científicas:

Fabricação ou invenção de dados: consiste na apresentação de dados ou resultados inverídicos.

Falsificação: consiste na manipulação fraudulenta de resultados obtidos de forma a alterar-lhes o significado, sua interpretação ou mesmo sua confiabilidade. Cabe também nessa definição a apresentação de resultados reais como se tivessem sido obtidos em condições diversas daquelas efetivamente utilizadas.

Plágio: consiste na apresentação, como se fosse de sua autoria, de resultados ou conclusões anteriormente obtidos por outro autor, bem como de textos integrais ou de parte substancial de textos alheios sem os cuidados detalhados nas Diretrizes. Comete igualmente plágio quem se utiliza de ideias ou dados obtidos em análises de projetos ou manuscritos não publicados aos quais teve acesso como consultor, revisor, editor, ou assemelhado.

Autoplágio: consiste na apresentação total ou parcial de textos já publicados pelo mesmo autor, sem as devidas referências aos trabalhos anteriores.

Para orientar a conduta dos pesquisadores brasileiros, o CNPq lista um conjunto de diretrizes:

1) O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho.

2) Toda citação in verbis de outro autor deve ser colocada entre aspas.

3) Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o significado exato das ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve ser citado.

4) Quando em dúvida se um conceito ou fato é de conhecimento comum, não se deve deixar de fazer as citações adequadas.

5) Quando se submete um manuscrito para publicação contendo informações, conclusões ou dados que já foram disseminados de forma significativa (p.ex. apresentado em conferência, divulgado na internet), o autor deve indicar claramente aos editores e leitores a existência da divulgação prévia da informação.

6) Se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados como um todo coesivo, não é considerado ético que eles sejam fragmentados em manuscritos individuais.

7) Para evitar qualquer caracterização de autoplágio, o uso de textos e trabalhos anteriores do próprio autor deve ser assinalado, com as devidas referências e citações.

8. O autor deve assegurar-se da correção de cada citação e que cada citação na bibliografia corresponda a uma citação no texto do manuscrito. O autor deve dar crédito também aos autores que primeiro relataram a observação ou ideia que está sendo apresentada.

9) Quando estiver descrevendo o trabalho de outros, o autor não deve confiar em resumo secundário desse trabalho, o que pode levar a uma descrição falha do trabalho citado. Sempre que possível consultar a literatura original.

10) Se um autor tiver necessidade de citar uma fonte secundária (p.ex. uma revisão) para descrever o conteúdo de uma fonte primária (p. ex. um artigo empírico de um periódico), ele deve certificar-se da sua correção e sempre indicar a fonte original da informação que está sendo relatada.

11) A inclusão intencional de referências de relevância questionável com a finalidade de manipular fatores de impacto ou aumentar a probabilidade de aceitação do manuscrito é prática eticamente inaceitável.

12) Quando for necessário utilizar informações de outra fonte, o autor deve escrever de tal modo que fique claro aos leitores quais ideias são suas e quais são oriundas das fontes consultadas.

13) O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem seu ponto de vista, sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em apoio a suas posições devem ser metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente apontados aos leitores.

14) O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que possam ser importantes para a reprodutibilidade independente de sua pesquisa.

15) Qualquer alteração dos resultados iniciais obtidos, como a eliminação de discrepâncias ou o uso de métodos estatísticos alternativos, deve ser claramente descrita junto com uma justificativa racional para o emprego de tais procedimentos.

16) A inclusão de autores no manuscrito deve ser discutida antes de começar a colaboração e deve se fundamentar em orientações já estabelecidas, tais como as do International Committee of Medical Journal Editors.

17) Somente as pessoas que emprestaram contribuição significativa ao trabalho merecem autoria em um manuscrito. Por contribuição significativa entende-se realização de experimentos, participação na elaboração do planejamento experimental, análise de resultados ou elaboração do corpo do manuscrito. Empréstimo de equipamentos, obtenção de financiamento ou supervisão geral, por si só não justificam a inclusão de novos autores, que devem ser objeto de agradecimento.

18) A colaboração entre docentes e estudantes deve seguir os mesmos critérios. Os supervisores devem cuidar para que não se incluam na autoria estudantes com pequena ou nenhuma contribuição nem excluir aqueles que efetivamente participaram do trabalho. Autoria fantasma em Ciência é eticamente inaceitável.

19) Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e idoneidade do trabalho, cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais autores responsabilidade pelas suas contribuições individuais.

20) Os autores devem ser capazes de descrever, quando solicitados, a sua contribuição pessoal ao trabalho.

21) Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja com animais ou com seres humanos.

sobre catástrofes, oportunismo e moralidade

As fortes chuvas que assolam Santa Catarina nos últimos dias, após a tragédia na região serrana do Rio, trouxeram à mídia um personagem já conhecido: o responsável pela Defesa Civil, o major Marcio Luiz Alves. O personagem é conhecido, pois também frequentou os meios de comunicação com assiduidade em novembro de 2008, quando das cheias daquele ano. Mas confesso que nutro uma antipatia pelo major Alves e quero entender porquê.

A primeira coisa que me vem à mente é que não gostei do fato de o major ter sido candidato a deputado estadual em 2010. Sim, o major disputou uma vaga na Assembleia Legislativa, mas só conseguiu 10325 votos, apesar de ter tido farta mídia espontânea e de ser filiado ao partido do então governador Luiz Henrique da Silveira, o PMDB. Na minha lógica linear, um certo oportunismo teria movido o major a buscar um cargo público eletivo. E isso poderia ter me indignado, o que geraria a tal antipatia.

Acompanhando meu raciocínio, minha mulher intervém. “Mas e outros casos que poderiam ter tido oportunismo também? Esse casos te indignam também?” Os exemplos são variados: Romeu Tuma se projetou como xerife da Polícia Federal e se converteu em parlamentar nacional; artistas como Frank Aguiar e Agnaldo Timóteo usaram sua fama nos palcos para “entrar na política”; esportistas como Bernard (do vôlei), Romário e Bebeto (eleitos em 2010 para a Câmara Federal e a Assembleia fluminense), idem… Não, meu sentimento em relação a eles é menos contundente. Não existe complacência, mas acho que o caso do major Alves me indigna mais.

Minha esposa torna a argumentar: “Mas ele tem direito como qualquer um. Você mesmo já defendeu a candidatura do Tiririca!”. Sim, o major Alves, o Tiririca, a Mulher Pera e qualquer um que tenha ficha limpa, seja alfabetizado e tenha uma legenda podem concorrer a cargos públicos. É o que diz a lei. A legislação permite que se candidatem, mas o meu problema aqui não é de ordem jurídica, mas de ordem moral. É algo que farejo como imoral que me causa antipatia, que me faz torcer o nariz.

É claro que o major Alves pode se candidatar ao cargo que quiser; ele tem esse direito. Aliás, como eu tenho direito de nutrir antipatia por ele e manifestar isso sem difamá-lo, injuriá-lo ou atribuir a ele falso crime. Mas a questão que me move aqui é pensar o caso sob o viés de sua moralidade. Isto é: quero investigar porque isso me incomoda, que valor a situação contraria de modo a provocar um sentimento de repulsa ou resistência. Notem que entendo existir uma cadeia que liga valores a sentimentos a ações/atitudes: na medida em que alguns valores/princípios nos quais acreditamos são contrariados, são instigados sentimentos como a indignação, o que provoca – por sua vez – atitudes refratárias de nossa parte.

No caso do major Alves, talvez eu acredite que tenha havido um oportunismo para que ele se candidatasse menos de dois anos depois de sua ampla exposição na mídia. Exposição que se deu num momento dramático para milhares de pessoas. Essa possível atitude se chocou com uma projeção do que acredito ser a defesa civil ou os órgãos de assistência do tipo; e mais: o que penso ser a responsabilidade e papel daqueles que trabalham nessas circunstâncias. Os valores de base – a meu ver – devem (ou deveriam?) ser os mais nobres, aqueles que desprezam o “momento propício” para se beneficiar em causa própria. Deve prevalecer a luta coletiva, a busca da salvação em grupo e não da própria pele.

Mas ainda não estou totalmente convencido de que “apenas” isso tenha motivado esse minha antipatia pelo major Alves. Ando investigando meus sentimentos e os valores que os sustentam. Fico colocando à prova outros casos que podem se assemelhar. Estarei eu apenas implicando com o soldado? Estarei esperando demais daqueles que ocupam cargos estratégicos? Estarei projetando ilusões sobre o caráter e a moralidade dos atos das pessoas em geral? Eu faria diferente do major Alves na situação em que ele esteve? O que pode justificar moralmente a atitude dele se candidatar?

O que você acha, leitor?

ATUALIZAÇÃO: Quase três meses depois, o major Marcio me ligou no celular, dando sua versão do episódio. Leia aqui.

 

 

ética na pesquisa: um guia para a comunicação

Embora sejam fundamentais, os aspectos éticos na pesquisa científica ainda são insuficientemente tratados. Pelo menos, a meu ver. Acho que discutimos muito mais questões metodológicas e conceituais, e deixamos a terceiro ou quarto plano o debate que envolve pensar a conduta do pesquisador em ato, a sua relação com as fontes de financiamento, e o seu trato com os sujeitos da pesquisa. Digo isso com base na observação de colegas, na leitura de relatórios de pesquisa e na de artigos resultantes dos estudos. Digo isso olhando para os lados e para o próprio umbigo. Discutimos pouco a ética da pesquisa científica, e na área da Comunicação, isso se repete.

Por isso, uma boa pedida é ler o Código de Boas Práticas que a International Communication Association, editou em junho passado. A publicação está disponível no site da entidade (e pode ser baixado aqui), e traz preocupações sobre um aspecto: como usar material protegido por direitos autorais. Sim, eu sei que este aspecto é muito polêmico, até por conta das discussões em torno de novos regimes de autoria com a internet e os movimentos por flexibilização de direitos em todas as partes. Sei também que este é um aspecto diminuto dentro do universo de discussão da ética científica, mas vale conhecer e criticar.

A publicação está em inglês, em formato PDF, tem 18 páginas e seu arquivo pesa quase nada: 233 Kb…

ela descansou…

Eluana Englaro morreu há cerca de três horas. Seu caso foi a polêmica das últimas semanas na Itália por conta da decisão da Justiça que autorizou a suspensão do tratamento que a mantinha viva (? – em coma) há 17 anos.

O primeiro ministro Silvio Berlusconi, que tentou impedir a ação por vias políticas, lamentou o ocorrido, dizendo que se sentia amargurado por não ter conseguido salvar a vida de Eluana. Como se ele pudesse…

caso englaro e a coragem de decidir pela “boa morte”

A família de Eluana Englaro conseguiu, nesta semana, a permissão da Justiça italiana para a eutanásia. Eluana, que tem 37 anos, está em coma, num estado vegetativo, há 17 anos, desde que sofreu um acidente automobilístico. O caso vem provocando tremores de terra no país seja pela polêmica natural da decisão judicial seja pelo alto contingente católico da população.

Eluana foi transferida para um hospital em Udine, onde deve morrer pacificamente, embora já haja movimentos inclusive políticos para impedir o procedimento.

O caso lembra de perto a história de Terry Schiavo (foto), a norte-americana que viveu por 15 anos em condições semelhantes e que morreu em março de 2005 após retirarem o tubo de alimentação que a mantinha. À época, o marido de Terry enfrentou os pais dela na justiça para conseguir a autorização que permitiria a morte.

É claro que esta decisão não é nem um pouco fácil. Para ninguém. Não existe consenso em nenhuma parte do mundo sobre a eutanásia e sobre como lidar com situações como a de Eluana e Terry. As duas mulheres foram – cada uma a sua maneira – desligadas de suas vidas convencionais e mantidas por aparelhos por anos e anos. Seus familiares cuidaram delas, administrando não apenas a manutenção artificial do corpo de um ente querido como também as intensas emoções que isso implica. Amigos e parentes sofreram com a excepcionalidade dessas existências nos últimos anos.

Os sempre nervosos debates acerca da eutanásia são recheados de elementos filosóficos, religiosos, éticos. Teme-se decidir pela morte, mas sofre-se com a manutenção de uma vida tão atípica, tão dependente, tão precária. Decidir pelo não-viver depende de coragem, de convicção, de convencimento. Decidir pela morte dos outros é delicadíssimo, pois implica em tomar as rédeas da vida de quem não as pode conduzir.

Por outro lado, não sabemos se Eluana, no caso, deixará o estado vegetativo e retomará a sua vida normal. Não sabemos também em que condições pode voltar. Ignoramos como seus familiares já estão cansados, exauridos dessa tragédia toda. Talvez sua morte seja mesmo o descanso de todos, o fim de uma agonia que não se dissipa.

Se situação semelhante estivesse se dando no Brasil, penso que os debates e a polêmica seriam semelhantes aos que assistimos na Itália. De alguma maneira, somos muito parecidos – em espírito e humor – com os italianos. Não sei se nossa Justiça assumiria os riscos e bateria o martelo da mesma forma. Nosso ministro da Justiça deu amparo a um homem que responde pelas acusações de quatro homicídios e por terrorismo, mas não sei se optaria pela chamada “boa morte”…

Eu, aqui com meus botões, penso que os Englaro estão no caminho certo. Não vão deixar de amar a filha querida que se apagou num acidente. Não esquecerão dos anos devotados a ela, na saúde e na doença. Mas talvez possam fazer permanecer em suas memórias a melhor imagem da filha, vivendo normalmente, rindo, conversando, cantando, entrando apressada em casa, falando ao telefone…

O fato é que viver é uma tarefa difícil. Permanecer vivo requer vontade, amor à vida, sentido de permanência. A vida sem desejo é uma palavra de quatro letras sem o menor sentido.