lost NÃO termina hoje

Ao contrário do que possa parecer, a série mais comentada da TV dos últimos anos não termina hoje. E tenho lá minhas razões pra acreditar nisso. Não se trata de nenhum golpe de marketing ou manipulação de Benjamin Linus. Acho que o evento televisivo mais esperado do ano nos Estados Unidos (e fora) vá funcionar hoje muito mais como um desfecho formal, e menos como um final.

O aparato montado para a transmissão de hoje à noite dá contornos épicos. Espetaculares. Me lembro do burburinho para o episódio final de Friends – que ficou dez anos no ar – e para E.R. – que ficou 18, e aqui no Brasil foi veiculado como Plantão Médico. E nada se compara. Para se ter uma ideia, a ABC estará cobrando US$ 900 mil para cada 30 segundos de intervalo comercial durante a transmissão. Serão dedicadas cinco horas da programação para o final de Lost. Primeiro, a emissora exibirá um resumo de duas horas das seis temporadas. Depois, virá o Series Finale, com hora e meia de duração. O resto será preenchido com anúncios, e só com essa transmissão, a ABC deve faturar U$ 45 milhões, informa o ótimo Dude We are Lost. É um acontecimento televisivo, semelhante ao Super Bowl, quando dezenas de milhões de americanos param tudo para ver a final do futebol deles…

Mas como eu dizia, Lost não termina hoje.

Depois de seis temporadas e um punhado generoso de mistérios, a série estabeleceu um novo patamar nas produções televisivas. Não apenas porque os gastos por episódio se aproximem dos consumidos por produções cinematográficas modestas, mas porque a qualidade narrativa e a capacidade de envolvimento do público superou o cinema. Sim, sejamos francos. Nos últimos anos, é a TV quem manda. As produções televisivas têm sido muito mais ousadas, exitosas e influentes que os arrasa-quarteirões dos estúdios. Compare-se a geração de filmes e séries/seriados desde o ano 2000… E Lost ajudou a puxar o sarrafo pra cima.

Lost é um fenômeno desses tempos. É um produto da cultura de fã, que já existia bem antes, mas que foi hipertrofiada pelas potencialidades da internet e das redes sociais. Lost é crossmedia, é narrativa transmídia. Não termina no desfecho do episódio, pois continua nos fóruns, nos podcasts e chats. Um personagem pode até bater as botas num momento, mas ressurge nas listas eletrônicas, nas conversas de corredores, nos blogues que reescrevem a trajetória do finado, nas fanfictions

Como eu dizia, Lost não termina hoje. Esta é a minha primeira certeza.

A segunda é que ficaremos todos decepcionados com o que iremos assistir. Sim, ficaremos. Passados seis anos, catalisada toda a ansiedade e expectativa, nenhum desfecho possível (ou impossível) irá nos satisfazer. Mesmo que todos os mistérios sejam competentemente solucionados. Mesmo que nossos prediletos se salvem, deixem a Ilha e refaçam suas vidas da melhor maneira. Nada disso vai aplacar a nossa ânsia pelo capítulo final.

E quer saber? Pouco importa. Ao menos para mim. Isso porque eu tenho uma terceira certeza. Em Lost, mais importante que o desfecho é a viagem. Qualquer que seja o final, o que fica é o acumulado ao longo desses anos: a mitologia, a galeria de personagens, a Ilha, as loucuras que desafiam a ciência e os sentidos, a Iniciativa Dharma, Os outros… Como diz Jorge Drexler, “amar la trama más que al desenlace”… O que fica é a história, a narrativa, a contação. Adultos e crianças se comportam da mesma forma: adoram ouvir histórias, se fascinam por elas, e embarcam nos seus ritos. As crianças, sem vergonha e sem cansaço, pedem que as mesmas histórias sejam contadas, que os trechos tenham os mesmos acentos, as mesmas pausas, os mesmos diálogos. O prazer não está no final, está no meio, no percurso, no curso da ação. Os adultos também fazem assim, mas de forma escamoteada, alugando filmes que já assistiram, assistindo à reprise do final da novela no sábado, revendo jogos, que chamamos de clássicos. Adoramos replay de gols. Adoramos remakes de filmes… Mais uma vez, o que conta é a história, o meio, a trama, o enredo, e não o seu fecho.

E mesmo sem ter ainda assistido ao Series Finale – e o farei na segunda ou terça -, a impressão que tenho é a mesma que tive quando estava prestes a zerar Grim Fandango, delicioso game de PC dos anos 90. Na cena final, um personagem nos lembra que, nas melhores viagens, o que menos importa é o destino e mais percurso, o trajeto. Por isso, Lost não termina hoje. Não termina mais…

domingo: venegas y drexler

Uma mulher toca acordeon. Um homem toca serrote.

É domingo. Divirta-se com Julieta Venegas; depois, com Jorge Drexler…

o globo: uma campanha demais!

Você pode achar que O Globo não é lá um grande jornal.

Você pode torcer o nariz para a TV Globo.

Você pode nem passar por perto do G1.

Não importa. Este anúncio não é novo, mas é demais!

folha muda. veja como

A Folha de S.Paulo está fazendo um estardalhaço para as mudanças editoriais e gráficas que inaugura amanhã. Cadernos mudam de nome e de tamanho. Brasil vira Poder. Dinheiro vira Mercado. Mais! vira Ilustríssima. Informática vira Tec. O caderno Esportes vira tabloide, e por aí a coisa vai… Tem mudança de fontes e cores. Tem integração das redações das versões impressa e online… Tem redefinições editoriais e adoção de manuais específicos para cada editoria…

Ana Estela de Sousa Pinto reuniu sete vídeos que contam as mudanças que vêm sendo estudadas por mais de vinte pessoas desde setembro do ano passado. Vale ver!

A reforma da Folha vem logo depois da do concorrente direto, o Estado de S.Paulo, e vem numa onda de novos redesenhos na mídia impressa nacional. Transições, mudanças, transformações…

final de lost: get lost!

A série mais interessante da televisão termina daqui a dois dias nos Estados Unidos. Por seis anos, milhões de pessoas no mundo inteiro se deixaram perder pelos mistérios que cercavam uma ilha secreta e um punhado de sobreviventes de um acidente aéreo. E mesmo quem pouco ou nada se interessou pela produção não pode ignorar o sucesso que tem sido Lost.

Existem muitas maneiras para tentar explicar, mas Lost intriga não apenas pela trama mas também pela forma como se converteu num objeto de verdadeira devoção. Há quem venere os atores, se identifique com os personagens, sonhe em conhecer os sets de filmagem, colecione camisetas e brindes alusivos à produção. Há os que produzem blogs e paródias, que alimentem fóruns de discussão na tentativa de explicar os mistérios da ilha. Existem também os que – de forma diletante – capturam os episódios, traduzem os diálogos, legendam os episódios e disponibilizam gratuitamente os capítulos para os internautas. E existem os que bombardeiam as caixas postais dos produtores, sugerindo cenas, indicando referências e participando ativamente – mesmo que à distância – do processo de produção da série.

Sim, Lost é um fenômeno. Não é algo comum, ordinário. É sim extraordinário.

Lost é uma festa narrativa. Roteiristas usaram flashbacks para adicionar elementos decisivos, recorreram a flashforwards para ampliar a geografia limitada da ilha e inventaram flashsideways para multiplicar as realidades dos personagens. A linearidade do tempo foi definitivamente sepultada nos primeiros episódios, e a monocromia moral – que teimava em chapar os caráteres nos seriados – foi estilhaçada.

Lost é uma vivência coletiva de entretenimento. Como muitos outros produtos anteriores, Lost funciona como uma forma de integração social. Pessoas conversam sobre a série, discutem seus rumos, aproximam-se por afinidades de seus detalhes, distanciam-se por razões semelhantes. Lost é o assunto do dia; a queixa da rodinha de amigos… Nos últimos seis anos, convivemos com os sobreviventes. Mesmo estando a milhares de quilômetros de distância ou a distância de uma tela que nos separa. Também ficamos presos à ilha. Também sofremos e nos angustiamos com os Outros, com as manipulações de Ben Linus, com a fumaça negra… A cada temporada, escolhemos nossos personagens prediletos, nossos episódios, os temas. Jack, Kate, Sawyer, Locke, Hurley, Sun, Jin, Desmond, Ben e tantos mais se tornaram familiares, nos apegamos a eles. Alimentamos laços com essa poderosa narrativa, por isso nos envolvemos tanto, por isso cultivamos um sentimento de que aquilo também nos pertencia.

Lost é um objeto de colecionador. É um produto bem acabado de uma cultura de fãs, de um consumo que não se quer apenas passivo. Com Lost, queremos assistir, mas ansiamos conhecer os alicerces da narrativa. Queremos saber que destinos aguardam os heróis, mas também desejamos escrever tais destinos. Nos afetamos por Lost e queremos afetá-lo.

Lost é só uma série televisiva. A mais interessante em muitos anos. É também um conjunto de metáforas sobre a vida, sobre segundas chances, sobre redenção e arrependimento. É ainda um punhado de mitologias, de sonhos coletivos, de esperanças. Lost é só uma história… mas desde tempos imemoriais, não é isso que alimenta os nossos espíritos todos os dias? Histórias, narrativas, contos?

Em Lost, melhor do que encontrar a saída da ilha é perder-se.

5 anos monitorando

Hoje, este blog faz cinco anos de postagens ininterruptas. Criado no UOL, migrou há exatos três anos para o WordPress, e como estamos sendo muito bem tratados, por aqui devemos ficar por mais um bom tempo.

Em cinco anos, muitas coisas mudam, outras amadurecem. Para falar das mudanças, um post só não daria conta. Mas do lado de cá do teclado, permanecem dois sentimentos:

  • o entusiasmo pelo gesto e pelo estilo de vida blogueiro
  • e a imensa gratidão pela sua leitura

Beijos, queijos e caranguejos!

os nerds também amam

Amam, e se reproduzem!

Nas esquinas da Rede, acabei topando com um novo blog do Marcelo Träsel, voltado especificamente a sua nova condição: a de futuro pai. Fiquei feliz, pois é acima de tudo uma glória estar neste lugar. Fiquei feliz também pelo Träsel, que é um cara doce-raivoso, agridoce, destemperado… bem temperado!

Mas o título do blog dele – O pai nerd – me fez juntar as pecinhas que haviam caído no chão: os nerds estão se multiplicando. Träsel não é o único cara num “estado interessante”. Alex Primo está na fila e deve receber seu rebento no meio do ano… Em fevereiro, foi a vez de Raquel Recuero, e no ano passado (ou em 2008?) foi o André Lemos.

Tudo bem que ainda falta uma galera (adriamaral, gabizago, mcaquino, sandramontardo), mas um passarinho azul me contou que eles estão treinando…

O maior barato é imaginar que, daqui a uns 10 aninhos, esses filhotes estarão jogando spacegame, produzindo conteúdo colaborativamente, compartilhando experiências e olhando para a Rede de hoje como quem se detém diante de um jornal velho e amarelado…

ensino de ética jornalística nos cem cursos mais antigos do país

Apresento hoje no Intercom Sul os resultados parciais de uma pesquisa que desenvolvi sobre o ensino de ética jornalística entre 2008 e 2010. Nesta fase da investigação, tomei como amostra os cem cursos de Jornalismo mais antigos do país e me detive em documentos como planos de ensino, matrizes curriculares, ementários e projetos pedagógicos.

Um resumo de minha apresentação pode ser observado abaixo:

Outros resultados da mesma pesquisa você pode ler aqui.

mais jornalismo no intercom sul 2010

A Divisão Temática de Jornalismo do Intercom Sul 2010 terá mais duas sessões hoje.

Anote aí a programação:

Dia 18/05 – 14 às 18 horas
Sessão 3: Teorias, Ensino e Pesquisa
Sala 203 – Prédio Bicolor

14 horas: O Lugar do Jornalismo no Espaço e no Tempo Contemporâneos – Carla Algeri

14h15: A Fenomenologia de Alfred Schutz Aplicada à Comunicação: Uma Ponte entre o Conhecimento e o Mundo da Vida – Camila Garcia Kieling

14h30: Idéias frankfurtianas na crítica musical de Herbert Caro no jornal Correio do Povo – Ana Laura Colombo de Freitas

14h45: Visualidade jornalísticas: imagem, espaço e design no jogo das representações sociais – Rosane da Silva Borges

15 horas: O conceito de objetividade no jornalismo: uma retomada para a historicidade do conceito e uma definição filosófico-jornalística com base nas pesquisas de Stephanie Martin – Gabriel de Oliveira Pereira Knoll

15h15: Ensino de Radiojornalismo e a complexidade da Era Digital: a experiência da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) – Márcio Fernandes

15h30: Ensino de deontologia jornalística: um olhar sobre os currículos dos cem cursos mais antigos do paísRogério Christofoletti

15h45: A Pesquisa Qualitativa no Circuito das Notícias – Vilso Junior Santi

16 horas: Telejornalismo – empresas, ensino e pesquisa – na região centro-oeste paranaense: uma perspectiva – Ariane Carla Pereira Fernandes

16h15: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 3

Dia 18/05 – 14 às 18 horas
Sessão 4: Em pauta: violência, censura e repressão
Sala 205 – Prédio Bicolor

14 horas: Cidade sem Lei – Cláudio Eduardo de Souza

14h15: Violência: um discurso que a mídia cala – Marlene Branca Sólio

14h30: Fontes e Pluralidade na Revista Veja: Criminalidade, Violência e Segurança Pública – Paula Milano Sória

14h45: Participação Política e Censura: O Cotidiano dos Radialistas de Santa Maria, durante os Anos de Chumbo (1968-1974) – Amanda Costa da Silva

15 horas: Censura prévia” x direito à informação: O caso do jornal O Estado de S. Paulo – Paula Casari Cundari

15h15: A Ditadura Militar nas linhas e entrelinhas do Jornal Folha do Oeste, de Guarapuava. Período: 1964 a 1968 Layse Pereira Soares do Nascimento

15h30: Editoria policial: da legitimação à reprodução da seletividade do sistema penal Marília Denardin Budó

15h45: A questão (ou distorção) da reportagem em matérias sensacionalistas – Fábio Antônio Flores Rausch

16 horas: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 4

intercom sul 2010: é hoje!

Começa hoje na Feevale em Novo Hamburgo (RS) a 11ª edição do Congresso de Ciências da Comunicação da Região Sul, o Intercom Sul.

O blog está aqui.

A programação geral, aqui.

Coordenarei a Divisão Temática de Jornalismo, onde teremos quatro sessões bem concorridas, como sempre. As de hoje são essas:

Dia 17/05 – 14 às 18 horas
Sessão 1: Transformações no Jornalismo
Sala 203 – Prédio Bicolor

14 horas: A Crise de Identidade dos Jornais Impressos – Anelise Rublescki

14h15: Gatekeeper e gatewatching – repensando a função de selecionador no webjornalismo – Carolina Teixeira Weber

14h30: Os processos interativos no webjornalismo audiovisual: um estudo das contribuições dos colaboradores aos sites UOL, G1 e Terra – Juliana Fernandes Teixeira

14h45: Jornalismo multimídia em tempo real ininterrupto, pesquisa e experiência laboratorial na PUCPR – Zanei Ramos Barcellos

15 horas: Convergência Jornalística: uma proposta de definição do termo – Marcella Rasera

15h15: Confrontações: os blogs como dispositivos de crítica à mídia – Silvana Copetti Dalmaso

15h30: O twitter como pauta no jornalismo político do Paraná – Emerson Urizzi Cervi

15h45: Design, Práticas Culturais e Cultura Midiática: a Marca do Jornal Nacional – Mateus Dias Vilela

16 horas: Muitas ilhas, um só jornal – concentração e regionalização da mídia impressa catarinense – Marta Eymael Garcia Scherer

16h15: A readequação dos trabalhadores no novo mercado de trabalho: o setor coureiro-calçadista no Vale do Sinos nos anos 1990 – Claudia Schemes

16h30: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 1

Dia 17/05 – 14 às 18 horas
Sessão 2: Discursos, Narrativas e Gêneros
Sala 205 – Prédio Bicolor

14 horas: As Estratégias Discursivas utilizadas em matérias de Saúde no jornal popular O Dia, do Rio de Janeiro – Natalia Martins Flores

14h15: Espaço de formar e informar: apontamentos sobre o “discurso pedagógico do jornalismo de revista” – Gisele Dotto Reginato

14h30: Revista católica: entre o campo Religioso e o Midiático – Aline Roes Dalmolin

14h45: Estereótipos do Britpop através dos enquadramentos da revista New Musical Express – Bruna do Amaral Paulin

15 horas: Jornalismo e narrativa mítica: do ideológico ao imaginário – Flávia Dourado Maia

15h15: Jornalismo e Literatura: Um Bordel de Escritores Chamado Redação – Eduardo Ritter

15h30: Mídia e Vida Social: Uma Reflexão Sobre Categoria, Gênero e Subgênero – Ani Mari Hartz Born

15h45: Esquinas da política – O humor da crônica e a lógica do fait diver nas esquinas da revista Piauí – Manfred Froese Matos

16 horas: Opinião e Humor: uma análise sobre o gênero charge – Sônia Regina Schena Bertol

16h15: A Importância da Assessoria de Imprensa nos Órgãos Públicos: O Caso da Prefeitura de Feliz – Poliana Lopes

16h30: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 2

um anti-manual de educação

É muito comum uma certa atitude de todos os pais para com seus filhos. Parece que fomos biologicamente programados para alimentar grandes expectativas sobre a prole, de maneira a projetar sobre as crianças nossas insuficiências, nossos insucessos. Quer dizer: pais sempre querem que seus filhos sejam muito, mas muito melhores do que jamais sonharam. Dessa esperança vem o super cuidado, as altas exigências, muita sobrecarga e quase a asfixia.

Não sou diferente, e acredito que pouquíssimos pais conseguem desviar dessas armadilhas. Quando soube que esperávamos um bebê, corri à livraria em busca de títulos que me ensinassem a ser um pai melhor, que me dessem o caminho das pedras, e que me orientassem na melhor educação possível para o inquilino do útero de minha esposa. Me frustrei de cara. Naquela época – e não faz muito, quase sete anos -, não havia títulos no mercado editorial dedicados ao pai. Pensei até em escrever um, com dicas e experiências diversas, mas desisti disso semanas atrás quando terminei de ler “Sob Pressão”, de Carl Honoré. Isso porque o livro é um ótimo anti-manual de educação de filhos, tudo aquilo de que precisamos nesse momento.

Trombei com o livro nessas lojas de aeroporto, abarrotadas de obras de auto-ajuda empresarial e best-sellers de vampiros juvenis. “Sob Pressão” me chamou a atenção pelo subtítulo: “Criança nenhuma merece superpais”. Folheei e trouxe o volume comigo, encaixando a sua leitura nos intervalos possíveis. E por que estou falando tanto do livro?

Ora, porque ele é um excelente chacoalhão nos pais que simplesmente funcionam como torniquetes para seus filhos: enchem-nos de manias, lotam suas agendas, consomem suas energias com preocupações neuróticas, planejam suas vidas como se fossem as de seus pets… “Sob Pressão” nos chama a atenção para que deixemos as crianças serem crianças, para que cuidemos delas no limite de seu bem-estar, conforto e segurança; e não deixemos de viver nossas vidas vivendo as da prole. No final, o próprio Honoré confessa que, no início, queria escrever uma bússola para os pais, mas igualmente perdido, deixou de lado o projeto e pôs-se a pensar em voz alta como os pais precisamos nos colocar na posição de pais e não de dublês dos filhos.

Os perigos da vida continuam existindo. As pressões externas e internas soterram a todos. Tecnologia, consumo exacerbado e violência gratuita fecham o cerco em torno da ninhada. Mas Honoré nos lembra que isso não é novidade, e que gerações e gerações sobreviveram apesar de todas as adversidades. Liberdade, cuidado, equilíbrio e respeito pelo outro – mesmo que ele não tenha nem um metro de altura e ainda dependa de você para ir ao banheiro. Tudo isso aprendi com Carl Honoré e suas angústias, que também são as minhas. Se ficou curioso, vá ao site do autor ou o siga no Twitter… aliás, faça isso junto com seu filho!

para americanos, blogueiro = jornalista

Um estudo recentíssimo mostra que 52% dos blogueiros norte-americanos se consideram jornalistas. O levantamento é da PR Week e da PR Newswire. Essa sensação de equivalência era menor no ano passado: um em cada três blogueiros se achavam jornalistas.

Claro que cada caso é um caso, e que a pesquisa é concentrada no complexo ambiente dos Estados Unidos. De qualquer forma, os indicativos nos permitam pensar e discutir em torno das aproximações cada vez mais inevitáveis entre jornalistas e blogueiros. O combustível para essa atração e confusão de papéis atende pelo nome de Redes Sociais. Elas têm chacoalhado as relações profissionais não apenas na Comunicação, mas também na Educação.

Nas páginas finais de meu “Ética no Jornalismo”, eu projetava movimentos convergentes de uma ética jornalística tradicional e de uma ética hacker, cada vez mais influente. Está em curso. Aperte os cintos porque não é apenas a paisagem da janela que está mudando; nosso ônibus já não é mais o mesmo…

o twitter e a demissão do jornalista

Nesta semana, uma notícia causou tremores e ranger de dentes nas redações e nas redes sociais. A Editora Abril demitiu o jornalista Felipe Milanez – até então editor da National Geographic Brasil – por postar tweets críticos à outra revista do mesmo grupo, a Veja.

É claro que o acontecido varreu a internet brasileira como um rastilho de pólvora e provocou reações as mais variadas: houve surpresa, inconformidade, críticas ao próprio jornalista e contestações. Mas a decisão da Abril é irrevogável e os danos irreversíveis, de um lado e de outro. Dentro da Abril, a estupefação de que havia amigo na trincheira; fora do colosso da marginal, queixas de perseguição à livre expressão e tal.

Mas o fato é que o episódio traz velhas e novas lições.

1. As redes sociais inspiram o compartilhamento de conteúdos, de ideias, de sentimentos, de opiniões, mas essa troca provoca consequências, e a mais evidente delas é a contrariedade. Basta criar, por exemplo, uma comunidade no Orkut manifestando a admiração de alguém que logo surgirão comunidades análogas “combatendo” esse pensamento. Basta opinarmos num blog sobre algo que rapidamente leitores deixarão comentários rebatendo nossos argumentos.

2. Nas redes sociais, parece que estamos pensando alto. Mas na web como a conhecemos agora, pensar alto é dividir. E esse compartilhamento se dá no âmbito público e não mais privado. Por isso, toda queixa, ataque ou admoestação pode sim ser rapidamente encontrada, rastreada e, claro, combatida.

3. De nada adianta que eu tenha o meu perfil pessoal numa rede social se nele faço constar também minhas atividades sociais, públicas, funcionais. Isto é, não basta que o jornalista argumente que postou críticas em sua página pessoal se nela, seu perfil afirmava sua condição de editor de tal ou qual publicação. Nas redes sociais, pessoa física e pessoa jurídica se confundem…

4. As redes sociais facilitam muitíssimo a formação de grupos, de elos sociais, mas não isentam as preocupações que temos em outras esferas, principalmente com relação à privacidade. É sim importantíssimo que reflitamos sobre a administração da própria intimidade na internet. O usuário do sistema precisa escolher o que vai mostrar em público; precisa atentar para o que quer manter sigiloso, recluso, discreto. E talvez essa seja a lição mais contundente deste episódio (e de outros também): precisamos cuidar daquilo que somos e daquilo que projetamos nas redes.

Esta é uma questão de cunho moral, não se enganem. É uma questão que envolve valores, que afeta condutas, enfim, que mexe diretamente com a relação que as pessoas estabelecem com as demais. Que o infeliz episódio que custou o emprego de Felipe Milanez nos motive a discutir e refletir mais sobre a rede que estamos tecendo todos juntos.

mais uma revista aberta a textos

Reproduzindo…

A Revista Comunicação: Veredas recebe artigos, ensaios, resenhas de livros e relatos de pesquisa na área de Comunicação. O prazo para envio dos textos é 15 de junho de 2010.

Comunicação:Veredas é editada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Marília – UNIMAR – e está classificada como Qualis B Nacional. Está aberta a colaborações científicas da área de Comunicação. Os artigos recebidos serão encaminhados ao Conselho Editorial, para apreciação do mérito científico.

As normas para publicação em: http://www.unimar.br/veredas/chamada_veredas.pdf

Os textos devem ser encaminhados o email: rreisoliveira@uol.com.br

sobre a convocação de dunga

Pensei em escrever algo, mas nada superaria meu genial amigo Frank Maia:

comentários no twitter derrubam jornalista

Alguém mais esperto que eu já disse que tuitar NÃO é pensar; é pensar alto. E pensar alto na web é compartilhar…

Veja (desculpe o trocadilho), mas veja o caso do jornalista que perdeu o emprego por detonar a Veja no seu twitter…

(matéria de Eduardo Neco, do Portal Imprensa, com colaboração de Ana Ignacio)

O jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, licenciada pela editora Abril, foi demitido nesta terça-feira (11) por ter criticado via Twitter a maior publicação da casa, a revista Veja.

Milanez, na National desde outubro de 2008, publicou, em seu perfil no microblog, comentários a respeito da reportagem “A farsa da nação indígena”, veiculada na última edição da revista. “Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? (sic)”, escreveu em post no último domingo (9).

Em mensagem no mesmo dia, Milanez complementou dizendo que ignorava a Veja, mas “racismo” da publicação fez com que se manifestasse. “Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas (sic)”.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Milanez admitiu que fez observações contundentes sobre a publicação, mas que foi surpreendido pela demissão. “Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido [com a reportagem]. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos”, lamentou o ex-editor.

A decisão de demitir o jornalista, segundo ele, teria vindo diretamente de setores da Editora Abril ligados à revista Veja e repassada aos responsáveis pela National Geographic. “Não sei quem decidiu e como”, disse.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou à reportagem que Milanez foi demitido pelos comentários no Twitter. “Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão”, disse.

Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que “fez o que tinha que fazer exercendo a função”.

chamada de textos para revista

Repassando…

A Revista Ícone (ISSN 2175-215X) é uma publicação on line do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE com mais de dez anos de existência e que, desde 2008, é distribuída exclusivamente on line.
Nas suas últimas edições, abordou questões relacionadas ao entretenimento (2008.1), música popular (2008.2), cinema mundial (2009.1) e jornalismo no século XXI (2009.2), sempre com ótima receptividade na comunidade acadêmica.
Para esta primeira edição de 2010, serão aceitas submissões de temas livres escritas por mestrandos, mestres, doutorandos ou doutores.
Os artigos, resenhas ou entrevistas deverão ser submetidos até 15/07 através do site, mediante cadastro.

congresso de comunicação na espanha

A professora Maria das Graças Targino, da Comissão Organizadora do evento, informa a realização do 2º Congresso Internacional Comunicação 3.0: Novos Meios, Nova Comunicação, que acontece em 4 e 5 de outubro em Salamanca, na Espanha.

A Universidade de Salamanca, por intermédio da Faculdade de Ciências Sociais / Departamento de Sociologia e Comunicação, está organizando o II CONGRESO INTERNACIONAL COMUNICACIÓN 3.0: NUEVOS MEDIOS, NUEVA COMUNICACIÓN, que ocorrerá em Salamanca (Espanha), entre os dias 4 e 5 de outubro próximos.

A tônica é a interferência das tecnologias de informação e de comunicação nos meios de comunicação, em suas diferentes instâncias – impresso, TV, rádio e, obviamente, no próprio espaço digital e virtual –, transformando, substancialmente, as formas de comunicação, e, portanto, seu próprio conceito.

Em breve, estarão no site do Congresso http://campus.usal.es/~comunicacion3punto0 informações completas sobre suas atividades. Por enquanto, os interessados podem visitar a página para saber como aconteceu a 1ª edição e começar a se preparar para participar conosco do II CONGRESO INTERNACIONAL COMUNICACIÓN 3.0: NUEVOS MEDIOS, NUEVA COMUNICACIÓN!

ensino de jornalismo, um seminário

O leitor já deve ter lido em outros blogs, mas não custa repetir:

1º SEMINÁRIO NACIONAL DE ENSINO DE JORNALISMO
FLORIANÓPOLIS, 26 E 27 DE AGOSTO DE 2010
POSJOR/UFSC

CHAMADA DE TRABALHOS
A Rede PROCAD/CAPES “O Ensino de Jornalismo na Era da Convergência Tecnológica – Matrizes curriculares, planos de ensino e demandas profissionais”, formada por professores da UFBA, UFSC, USP e TUIUTI, promove nos dias 26 e 27 de agosto de 2010 o I Seminário Nacional de Ensino do Jornalismo, na Universidade Federal de Santa Catarina. Podem submeter trabalhos pesquisadores que investigam as seguintes temáticas: ensino de jornalismo e novas tecnologias, ensino de jornalismo em tempos de convergência, projetos pedagógicos, metodologias de ensino, formatação de currículos, entre outros.

Os trabalhos, acompanhados de resumo de dez linhas em espaço 1 e cinco palavras-chave, devem ser escritos em New Times Roman, corpo 12 e espaçamento 1 e meio, com extensão máxima entre 30 e 35 mil caracteres, incluída a bibliografia. As referências completas devem vir ao final do trabalho. As citações até três linhas podem ser inseridas no corpo do trabalho. Citações acima deste limite devem ser destacadas no texto, em corpo 10, com espaçamento 1. Serão selecionados, no máximo,  32 trabalhos para apresentação no I Seminário Nacional de Ensino de Jornalismo.  O  Seminário será a base do livro anual da Rede PROCADJOR que será lançado no final do ano de 2010.

A data limite para o envio de trabalhos para seleção é 30 de Junho de 2010. O resultado da seleção será comunicado aos pesquisadores até 15 de Julho de 2010. O Comitê Científico do I Seminário Nacional de Ensino do Jornalismo está constituído pelos membros das equipes PROCAD: Álvaro Larangeira, Adriana Amaral, Beth Saad, Claudia Quadros, Elias Machado, Francisco Karam, Graciela Natansohn, Kati Caetano, Malu Fontes, Marcos Palacios e Tattiana Teixeira. Mais informações podem ser obtidas na página do PROCAD em http://www.procadjor.cce.ufsc.br ou com os coordenadores locais Elias Machado (machadoe@cce.ufsc.br) e Tattiana Teixeira (tattianaufsc@gmail.com)

termine já a sua tese ou dissertação!!!

Recebi de minha amiga Marcia Benetti, e repasso por haver altíssimo valor científico…

Oração para “destrancar” trabalhos acadêmicos

Você está na reta final da sua tese ou dissertação?
Você sente que existe uma força misteriosa que tira seu ânimo?  Faz seu orientador adoecer ou sumir do mapa inexplicavelmente? Seu computador quebra ou é roubado com todos os seus dados e análises? Ou melhor, os seus dados não tem explicação??

Lamento ser o portador dessa má notícia, mas… VOCÊ TEM UM EXU TRANCA TESE NA SUA VIDA!!!

Esta é a corrente da Nossa Senhora Destrancadora de Teses. Você deve evocar esta novena toda vez que for vítima de alguma das artimanhas do “Exu Tranca Tese” ou se quiser apenas proteção contra essa entidade!!!  Então, toda vez que sentir necessidade, faça a seguinte oração:

“Nossa Sra. Destrancadora das Teses, em ti confiamos para a proteção contra o Exu Tranca Tese, nos proteja de: Queimação de pen drive; bibliografia em alemão; visita fora de hora; linha no word que não sobe com “del”; fotocopiadora quebrada. Dá-me: encontros com o orientador no corredor da Universidade e   livro emprestado com data de devolução pra 2050.

Ah, senhora, livra-me também das perguntas indiscretas, das dúvidas fora de hora, e das certezas idem. Ajuda-me a lembrar dos nomes dos autores e da   pronúncia deles, assim como do modo como se faz notação de revistas.
Nossa Senhora, livre-me de pensamentos acerca de minha tese durante meu sono. Que eu possa dormir o sono dos justos impunemente, sem que eu tenha que me levantar ou acender a luz para anotar insights invasivos que detonam minha mente quando preciso descansar para mais um dia de batalha! Que tais pensamentos venham na hora certa, quando me sento diante de meu PC e eu não me torne um zumbi.

Ó Senhora, desperta no meu orientador uma enorme vontade de ler minha tese. Que ele a leia com olhos vigilantes, para não deixar passar nenhuma monstruosidade, mas também com olhos piedosos, para me deixar enfrentar a banca. E que a banca, Senhora, me dê os apertos que achar necessários, mas que ao final assine a poderosa ata, redenção final dos meus inúmeros pecados.

Nossa Senhora, meu orientador insiste em dizer que a minha tese está, entre aspas, uma merda, mas eu sinto que a Senhora vai me dar uma luz bem forte e lançar como de um passe de mágica, artigos que abram meu cérebro tão debilitado por tamanha pressão.

Minha Santa querida, já que eu fiz esta escolha na minha vida e sinto na obrigação de terminar, me dá forças para não matar um, e que este “um” não seja o meu orientador, porque ele ainda precisa assinar a versão final!
AMEM!!!!”

E não seja egoísta, repasse esta mensagem imediatamente a todos os seus amigos e alunos que estão passando pela mesma pressão senão o Exu não vai te largar e você vai passar o resto da sua vida “quase” terminando sua tese.

ensino de jornalismo a distância

Na semana passada, numa das listas eletrônicas dirigidas a professores, um colega perguntava se existe no país algum curso de Jornalismo a distância. Ninguém ao certo soube responder, e ao que tudo indica, talvez não haja (ainda) nada do tipo no país. Mas lá fora há experiências interessantes, como a da London School of Journalism. A prestigiada escola tem um canal próprio no YouTube, onde são oferecidas aulas no melhor estilo Second Life.

Quer uma amostra? Veja a Lecture #1

quais os principais problemas do jornalismo?

Precariedades no trabalho, insegurança no emprego, predomínio dos interesses políticos e econômicos sobre os jornalísticos, falta de ética profissional e escassa consciência de responsabilidade social por parte dos jornalistas. A resposta vem dos jornalistas de Madri, que responderam a uma ampla pesquisa coordenada pelos professores Carlos Maciá Barber e Susana Herrera Damas, ambos da Universidad Carlos III.

Intitulado “Ética e Excelência Informativa”, o estudo foi publicado na edição de março passado na revista Cuadernos de Periodistas, editada pela Asociación de la Prensa de Madrid (APM). A pesquisa foi realizada entre 2006 e 2010, com base em 410 questionários respondidos por jornalistas mais 30 outras entrevistas em profundidade com profissionais da área. Um dos objetivos era justamente identificar novos dilemas éticos e principais incômodos de repórteres e editores em seus locais de trabalho. Alguns resultados:

  • Para 55,6% dos respondentes, a objetividade não existe, mas mesmo assim o jornalista deve buscá-la
  • Dirigentes esportivos são as fontes menos confiáveis para a maioria dos participantes da pesquisa
  • Em termos de manipulação digital de imagem, cortes para um melhor enquadramento são as atitudes mais aceitáveis, enquanto que usar softwares para maquiar personagens é a mais repudiada
  • Para 59,5% dos jornalistas de Madri, nunca se deve usar disfarces ou identificar-se por outra profissão para obter informações; 37,3% admitem esses recursos em casos excepcionais
  • Segundo 89,8%, nunca se deve pedir compensações financeiras de fontes. Para 9%, às vezes
  • 83,7% dos jornalistas da capital espanhola acham inaceitável receber presentes que custem mais de 200 euros de suas fontes

Resultados interessantes, não? Adoraria conhecer as respostas dos jornalistas brasileiros a essas questões…

ética no jornalismo online: um podcast

A mesa redonda dos repórteres do site CNET reuniu esta semana o editor chefe Scott Ard e a especialista em ética do Poynter Kelly McBride: o assunto é a conduta de jornalistas de sites e blogs na internet, após o que o escândalo envolvendo o Gizmodo.

Se você não está por dentro, a história é a seguinte: um dos blogs mais influentes da área de tecnologia, o Gizmodo, pagou pelo protótipo de um novo modelo de iPhone, que teria sido esquecido em algum lugar por um funcionário da Apple. Com o aparelho na redação, publicou “segredos” da novidade, “furando” a própria Apple, e alertando a concorrência. A fabricante argumenta que o protótipo não foi perdido, mas roubado. O Gizmodo se defende.

Há, portanto, aspectos legais – comprar o produto de um furto – e éticos – pagar fontes para se conseguir informações. O caso está causando tremores de média intensidade nos meios bloguísticos, mas vai provocar ondas para todas as partes da internet, e não estou exagerando…

Se você se interessou, ouça o podcast de ontem que reuniu Scott Ard e Kelly McBride…

twitter é jornalismo?

Hoje, notícias são como o ar; elas nos rodeiam, estão em toda a parte. As redes sociais radicalizaram essas possibilidades, e o Twitter – o recente maior fenômeno – ajuda a confundir o que é informação do que é jornalismo…

Conversação distribuída, notícia como experiência social, Twitter como ambiente jornalístico, todas essas ideias estão em “From TV to Twitter: how ambiente news became ambient journalism”, artigo do professor Alfred Hermida, veterano jornalista da BBC e hoje professor assistente da Escola de Jornalismo da University of British Columbia (Canadá).

Vale ler e pensar…

concurso na ufsc: últimos dias

Vai até dia 10 de maio o prazo para inscrições para o concurso público no Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. As vagas estão lotadas em Florianópolis, e têm ênfase em Telejornalismo Jornalismo Visual (Fotojornalismo e/ou Editoração Eletrônica e/ou Artes Gráficas).

É exigido dos candidatos título de doutor; regime de trabalho de 40 horas com dedicação exclusiva.

Mais informações no edital e no manual do candidato.

mestrado em jornalismo: deadline!

Termina amanhã, dia 7, o prazo para inscrições no processo seletivo do Mestrado em Jornalismo da UFSC. São 22 vagas em duas linhas de pesquisa: Fundamentos do Jornalismo e Processos e Produtos Jornalísticos.

Mais informações no edital, e navegue também pela página do Mestrado.

os eticistas, o pianista e o jornalista

Uma importante conferência reuniu acadêmicos e profissionais do jornalismo para discutir novos parâmetros e novas condutas para a profissão. O evento aconteceu na semana passada – 30 de abril – na Universidade de Wisconsin-Madison (Canadá), onde funciona o já renomado Center for Journalism Ethics. Na ocasião, a conferência perguntava se é necessária uma nova ética para este novo jornalismo com o qual nos confrontamos diariamente.

Oportuna, a questão trazia consigo uma série de outras indagações que certamente não foram respondidas pelos participantes, por mais experientes e capacitados. Isso porque alguns dilemas éticos estão acabando de aflorar nesse terreno ainda fértil das novas mídias, das tecnologias de informação e do cruzamento dos meios convencionais com as redes sociais.

(Bem) acostumados a debater tais questões, os canadenses não só convocaram grandes nomes do mercado, mas de organizações não governamentais ligadas à área e acadêmicos, mas também instituíram um prêmio para o que chamam de “jornalismo ético”. Como não poderia deixar de ser – já que o evento trata de novas tecnologias -, a conferência teve uma qualificada e generosa cobertura para os meios on line. Um live blogging permite que se tenha acesso a vídeos e textos dos debates; álbuns no Flickr possibilitam captar um pouco do clima do evento; e até mesmo pelo Twitter se consegue recuperar comentários e opiniões de participantes presenciais ou não.

O material que se tem ali é particularmente instigante pra todos os que pensam o jornalismo nos dias atuais. É verdade, existem lá mais perguntas que respostas. Mas não é assim mesmo que funciona isso que chamamos de ética?

Por falar nisso, acabo de devorar “O pianista no bordel”, ótimo livro de Juan Luis Cebrián. Se não ligou o nome à pessoa, Cebrián é um dos principais homens por trás do surgimento de “El País”, na Espanha na metade da década de 1970 em meio à redemocratização do país. Por anos e ainda hoje, o jornal se tornou um símbolo da luta pela liberdade de expressão e trouxe consigo um punhado de preocupações essenciais para um jornalismo de qualidade.

O livro de Cebrián acaba de desembarcar nas livrarias brasileiras. Li uma entrevista dele para “O Estado de S.Paulo” e fiquei interessadíssimo no volume. Passando por Recife, escapei para uma livraria e vasculhei tudo atrás do livro. Quando estava para desistir, chega uma atendente com uma pilha de dez exemplares: Cebrián veio direto para a minha mão, e furou a fila na lista das leituras.

Para tratar de jornalismo, sociedade, democracia e novas tecnologias, “O Pianista no Bordel” parte de uma anedota espanhola, um ditado popular:

Não digam à minha mãe que sou jornalista. Prefiro que continue pensando que toco piano num bordel.

Com humor refinado e texto elegante – que muito me lembraram Mino Carta, outro importante publisher -, o autor se vale de dez ensaios para não apenas fazer reminiscências de sua carreira, mas também para dividir o que pensa sobre jornalismo e política. Neste sentido, Cebrián toca em aspectos delicados das coberturas – como no caso do terrorismo -, e reforça valores do jornalismo, como a credibilidade, o rigor, a independência e a liberdade de imprensa. Critica o avanço da justiça e dos governos sobre os jornalistas, e a tentativa de controle da informação; e ainda desmitifica o propalado fim dos jornais por conta da emergência de novas formas de difusão informativa. Para Cebrián, é necessário um resgate do jornalismo para algumas de suas funções. É preciso coragem para enfrentar tempos difíceis, ousadia para ir além do superficial.

Nas 166 páginas do livro, os pontos de vista do velho jornalista são sempre lúcidos e explícitos; as ideias defendidas com uma contumaz bravura espanhola, mas sem sombra de empáfia. Cebrián parece pensar alto, e quem pensa alto não mede o passo de outrem, mede apenas o próprio. As posições que adota podem não ser unânimes, mas possibilitam pensá-las como alternativas respeitáveis, de nada descartáveis. E o que vejo como muito importante: o autor enfrenta as questões do jornalismo não de uma torre de marfim, segura e cômoda. Cebrián pondera também valores que nós, jornalistas, às vezes, atiramos para baixo do tapete, como rentabilidade, solvência empresarial, a busca por lucros e o jornalismo como negócio. Logo, Cebrián não é um utópico, não se aliena das agruras de quem precisa produzir um bom jornal todos os dias para vê-lo desaparecer rapidamente das bancas.

Cebrián desenha um jornalista sobre o fio da navalha, se não veja-se o trecho a seguir:

O senso de responsabilidade dos jornalistas é continuamente solicitado pelos governantes, quando justificam suas exigências de silêncio, manipulação e censura apelando para o bem superior constituído pela segurança coletiva. (…) Seria lamentável que, de uma forma geral, os profissionais da informação dessem ouvidos a semelhantes pressões. A obrigação moral e profissional dos jornalistas é contar os fatos, não calá-los, e a única responsabilidade que se deve exigir deles é a que emana da exigência de veracidade (…) Isso não quer dizer que devam ser insensíveis ao bem geral e não devam avaliar os danos que podem se originar de suas publicações.

Complicado, não? Sim. Com Cebrián, a impressão dá lugar à certeza: o jornalismo é mesmo muito delicado, muito complexo. E o pianista do bordel só pode ser mesmo personagem de piada. O que vale mesmo aqui é o homem que martela outras teclas, as da notícia.

um dossiê de ética jornalística

A Brazilian Journalism Research, revista da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), traz um dossiê sobre ética jornalística em seu mais recente número. Além de artigos com outros assuntos, estão no sumário…

ETHICS IN OLD AND NEW JOURNALISM STRUCTURES PDF
Clóvis de Barros Filho e Sérgio Praça
THE ETHICAL CROSSROADS IN THE AGE OF THE “NEW MEDIA” PDF
Sylvia Moretzsohn
THE PARADIGM OF ANTIGONE AND GACEL SAYAH: An approach to historical and contemporary Ethical/moral dilemmas of Journalism PDF
Francisco José Castilhos Karam
COMMUNICATION, ETHICS AND ANTHROPOETHICS PDF
Luiz Martins da Silva
JOURNALISM ETHICS AND ACCEPTANCE OF GIFTS: A view from Madrid journalists PDF
Susana Herrera Damas e Carlos Maciá Baber

pesquisas de jornalismo na intercom sul

O encontro sul da Intercom deste ano acontece de 17 a 19 de maio na Feevale, Novo Hamburgo (RS). E como é habitual, será um grande festival de pesquisas acadêmicas, premiação de trabalhos de alunos, lançamentos de livros, palestras, debates e muito intercâmbio entre as principais instituições de ensino do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Se você vai, vamos nos encontrar por lá. Se não, acompanhe tudo pelo blog do evento.

Se o seu interesse é pesquisa na área de jornalismo, a Divisão Temática desses trabalhos vai ter nada menos que quatro mesas. São 37 trabalhos, divididos em sessões simultâneas, e a programação é a seguinte:

Dia 17/05 – 14 às 18 horas
Sessão 1: Transformações no Jornalismo
Sala 203 – Prédio Bicolor

14 horas: A Crise de Identidade dos Jornais Impressos – Anelise Rublescki

14h15: Gatekeeper e gatewatching – repensando a função de selecionador no webjornalismo – Carolina Teixeira Weber

14h30: Os processos interativos no webjornalismo audiovisual: um estudo das contribuições dos colaboradores aos sites UOL, G1 e Terra – Juliana Fernandes Teixeira

14h45: Jornalismo multimídia em tempo real ininterrupto, pesquisa e experiência laboratorial na PUCPR – Zanei Ramos Barcellos

15 horas: Convergência Jornalística: uma proposta de definição do termo – Marcella Rasera

15h15: Confrontações: os blogs como dispositivos de crítica à mídia – Silvana Copetti Dalmaso

15h30: O twitter como pauta no jornalismo político do Paraná – Emerson Urizzi Cervi

15h45: Design, Práticas Culturais e Cultura Midiática: a Marca do Jornal Nacional – Mateus Dias Vilela

16 horas: Muitas ilhas, um só jornal – concentração e regionalização da mídia impressa catarinense – Marta Eymael Garcia Scherer

16h15: A readequação dos trabalhadores no novo mercado de trabalho: o setor coureiro-calçadista no Vale do Sinos nos anos 1990 – Claudia Schemes

16h30: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 1

Dia 17/05 – 14 às 18 horas
Sessão 2: Discursos, Narrativas e Gêneros
Sala 205 – Prédio Bicolor

14 horas: As Estratégias Discursivas utilizadas em matérias de Saúde no jornal popular O Dia, do Rio de Janeiro – Natalia Martins Flores

14h15: Espaço de formar e informar: apontamentos sobre o “discurso pedagógico do jornalismo de revista” – Gisele Dotto Reginato

14h30: Revista católica: entre o campo Religioso e o Midiático – Aline Roes Dalmolin

14h45: Estereótipos do Britpop através dos enquadramentos da revista New Musical Express – Bruna do Amaral Paulin

15 horas: Jornalismo e narrativa mítica: do ideológico ao imaginário – Flávia Dourado Maia

15h15: Jornalismo e Literatura: Um Bordel de Escritores Chamado Redação – Eduardo Ritter

15h30: Mídia e Vida Social: Uma Reflexão Sobre Categoria, Gênero e Subgênero – Ani Mari Hartz Born

15h45: Esquinas da política – O humor da crônica e a lógica do fait diver nas esquinas da revista Piauí – Manfred Froese Matos

16 horas: Opinião e Humor: uma análise sobre o gênero charge – Sônia Regina Schena Bertol

16h15: A Importância da Assessoria de Imprensa nos Órgãos Públicos: O Caso da Prefeitura de Feliz – Poliana Lopes

16h30: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 2

Dia 18/05 – 14 às 18 horas
Sessão 3: Teorias, Ensino e Pesquisa
Sala 203 – Prédio Bicolor

14 horas: O Lugar do Jornalismo no Espaço e no Tempo Contemporâneos – Carla Algeri

14h15: A Fenomenologia de Alfred Schutz Aplicada à Comunicação: Uma Ponte entre o Conhecimento e o Mundo da Vida – Camila Garcia Kieling

14h30: Idéias frankfurtianas na crítica musical de Herbert Caro no jornal Correio do Povo – Ana Laura Colombo de Freitas

14h45: Visualidade jornalísticas: imagem, espaço e design no jogo das representações sociais – Rosane da Silva Borges

15 horas: O conceito de objetividade no jornalismo: uma retomada para a historicidade do conceito e uma definição filosófico-jornalística com base nas pesquisas de Stephanie Martin – Gabriel de Oliveira Pereira Knoll

15h15: Ensino de Radiojornalismo e a complexidade da Era Digital: a experiência da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) – Márcio Fernandes

15h30: Ensino de deontologia jornalística: um olhar sobre os currículos dos cem cursos mais antigos do paísRogério Christofoletti

15h45: A Pesquisa Qualitativa no Circuito das Notícias – Vilso Junior Santi

16 horas: Telejornalismo – empresas, ensino e pesquisa – na região centro-oeste paranaense: uma perspectiva – Ariane Carla Pereira Fernandes

16h15: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 3

Dia 18/05 – 14 às 18 horas
Sessão 4: Em pauta: violência, censura e repressão
Sala 205 – Prédio Bicolor

14 horas: Cidade sem Lei – Cláudio Eduardo de Souza

14h15: Violência: um discurso que a mídia cala – Marlene Branca Sólio

14h30: Fontes e Pluralidade na Revista Veja: Criminalidade, Violência e Segurança Pública – Paula Milano Sória

14h45: Participação Política e Censura: O Cotidiano dos Radialistas de Santa Maria, durante os Anos de Chumbo (1968-1974) – Amanda Costa da Silva

15 horas: Censura prévia” x direito à informação: O caso do jornal O Estado de S. Paulo – Paula Casari Cundari

15h15: A Ditadura Militar nas linhas e entrelinhas do Jornal Folha do Oeste, de Guarapuava. Período: 1964 a 1968 Layse Pereira Soares do Nascimento

15h30: Editoria policial: da legitimação à reprodução da seletividade do sistema penal Marília Denardin Budó

15h45: A questão (ou distorção) da reportagem em matérias sensacionalistas – Fábio Antônio Flores Rausch

16 horas: Debates

18 horas: Encerramento da Sessão 4

revista da intercom, disponível nova edição

Uma das revistas mais prestigiadas do país na área da Comunicação já está na rede, com a primeira edição deste ano. A revista da Intercom está com o seguinte sumário:

Artigos

Muchos medios en pocas manos: concentración televisiva y democracia en América Latina – Raúl Trejo Delarbre

Participação, instituições políticas e Internet: um exame dos canais participativos nos portais da Câmara e da Presidência do Brasil – Francisco Paulo Jamil Almeida Marques

A Comunicação cidadã sob o enfoque do transnacional – Denise Cogo

Uso de marcas verbais para aspectos não-verbais da conversação em salas de bate-papo na Internet – Robson Santos de Oliveira, Luciano R. de Lemos Meira

Companhia Cinematográfica Vera Cruz: inspiração europeia e discurso de brasilidade – Mauricio Reinaldo Gonçalves

El perfil de los periodistas en el cine: tópicos agigantados – Ofa Bezunartea Valencia, César Coca García, María José Cantalapiedra González, Aingeru Genaut Arratibel, Simón Peña Fernández, Jesús Ángel Pérez Dasilva

Peirce na trilha deleuzeana: a semiótica como intercessora da filosofia do cinema – Alexandre Rocha da Silva, Rafael Wagner dos Santos Costa

Origens e implicações dos quadros e configurações das páginas dominicais e tiras em quadrinhos a partir do final do século XIX – Fabio Luiz Carneiro Mourilhe Silva

A transição dos quadrinhos dos átomos para os bits – Marcia Schmitt Veronezi Cappellari

Blogosfera, espaço público e campo jornalístico: o caso das eleições presidenciais brasileiras de 2006 – César Ricardo Siqueira Bolaño, Valério Cruz Brittos

A pílula da longevidade à venda nas páginas da Revista Veja – Lia Hecker Luz

Revistas de divulgação científica e ciências da vida: encontros e desencontros – Ieda Tucherman, Cecilia C. B. Cavalcanti, Luiza Trindade Oiticica

Entrevista
A pesquisa sobre tecnologias de Comunicação no Brasil e na América Latina
– Emile G. McAnany

Opinião
Como Jorge Calmon via o Jornalismo e o jornalista – Sérgio Mattos

Resenhas
O amadorismo no centro do espaço virtual – Maria das Graças Targino

Para além dos conteúdos: rádios comunitárias e gestão cidadã – Denise Cogo, Cristóvão Almeida

A comunicação da ciência em revista – Irene Machado

Reflexão sobre a ética no Jornalismo – Ana Claudia Marques Govatto