Já está na rede o hotsite do 8º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, evento promovido pela SBPJor, a sociedade científica da área. A reunião acontece de 8 a 10 de novembro em São Luís, no Maranhão.
Mais informações:
Na semana que passou um email explosivo se espalhou como rastilho de pólvora na Grande Florianópolis: adolescentes filhos de gente importante da mídia e da elite teriam violentado uma jovem na cidade. A denúncia se disseminou pelos porões da internet, sob a assinatura difusa de “mães do Colégio Catarinense”. Cocei os dedos para escrever sobre o assunto, mas não tive elementos suficientes para fazer uma análise mais equilibrada, mais detida, mais focada.
O César Valente fez isso hoje, e recomendo a leitura no blog dele.
Minha mulher ficou triste. Meu filho só um pouquinho. Eu, irritado com o trio de arbitragem.
Acabou para o Brasil.
Mas eu queria estar agora na coletiva do Dunga…
Claudia Quadros, a diretora científica da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), informa que
termina no dia 15 de julho o prazo para enviar papers para o 8º Encontro de Pesquisadores Brasileiros em Jornalismo.
Este ano o encontro acontece em São Luis, na Universidade Federal do Maranhão, de 8 a 10 de novembro.
Informações em:
http://www.sbpjor.org.br/artigos2010/inscricao.php
Após uma saga de proporções épicas, estou em Araxá para o 11º Congresso dos Jornalistas Mineiros, um evento organizado pelo sindicato local e cujo tema é bem oportuno para este ano de eleições: “O jornalista profissional na construção de um projeto para o Brasil”.
Fui convidado pela organização para debater com o jornalista Leandro Fortes (Carta Capital)
a formação profissional, a regulamentação e a ética. Mas o encontro reserva outros momentos, como uma mesa redonda sobre conjuntura política e eleições presidenciais (com Plínio de Arruda Sampaio, da Unicamp, e Marcos Coimbra, do Vox Populi) e outra sobre convergência de mídias e precarização do trabalho, com os professores Juliano Maurício Carvalho (Unesp) e César Bolaño (UFS).
O evento começou ontem à noite e prossegue até amanhã.
Mais informações: http://congressosjpmg.wordpress.com
Saí de casa ontem no final de tarde rumo a Minas Gerais para um evento. Como meu avião particular ainda não voltou do mecânico, tive que aturar a Gol e a Trip, e está sendo uma saga. Só pode ser praga!!!
Veja:
Nem quero imaginar como será o retorno amanhã…
Já estão abertas as inscrições para a quinta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. O PAGF 2010 é uma promoção da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2009 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria – Sênior – é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.
Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br
As inscrições vão até 30 de julho, e os resultados têm anúncio previsto para outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Luís, Maranhão.
Conheça o Regulamento do PAGF 2010
Saramago está morto. Saramago está vivo.
No final dos anos 90, o escritor veio ao Brasil – como tantas outras vezes – para lançar livros e receber homenagens. Eu fazia Mestrado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina, e o Conselho Universitário aprovou a concessão do título de doutor honoris causa à eminente figura. Saramago veio a Florianópolis, e a honraria seria acompanhada por uma conferência sua.
O auditório da Reitoria estava lotado de autoridades – leitoras ou não do velho escritor. O hall da Reitoria também estava apinhado de gente, todos ávidos para ouvir aquela voz calma. Foi necessário colocar telão para que as pessoas que transbordaram o prédio acompanhassem a cerimônia. Saramago esbanjou elegância, humildade, lucidez. Foi emocionante ouvi-lo, mesmo envolto àquela pompa toda e eu tendo que me acotovelar para poder ver os melhores momentos.
Com Saramago, aprendi que a glória é irmã da discrição.
***
Nos mesmos dias, um amigo próximo participou de uma atividade que envolvia o escritor. Em sua estada na cidade, alunos e professores do curso de Letras encontraram uma brecha na agenda do homenageado para um encontro numa sala, pretexto para debates e troca de ideias. Eu não estava lá, mas confio no que me foi contado.
A sessão – que deveria ser informal – insinuou-se para lá de circunstanciosa. Teve abertura e tudo. Saramago, todo sem graça. O que é que estou a fazer aqui, murmurou, passando a mão pelos longos cabelos na nuca. Alguém fez uma pergunta ordinária, e o escritor emendou com resposta igualmente comum. A plateia, digo os convivas, aplaudiram entusiasticamente. Saramago perdeu a paciência, conta o meu amigo que aquilo testemunhou. Se vamos começar assim, melhor que terminemos. Todos ficaram estupefatos, baixaram suas bolas e a sessão passou a ser mais palatável.
Com Saramago, aprende-se que a pompa é uma falsa sombra do reconhecimento.
Para mim, esta semana é daquelas que termina mas não acaba.
Tenho tantas tarefas pra cumprir que mal consigo passar por este blog, mal tenho tempo de colocar as leituras em dia, e estou em dívida com um monte de gente que espera algo de mim.
Por isso, me lembrei do esquema abaixo. Ele me foi passado por um ex-aluno, treinado pelos Jedis e por ninjas assassinos. Sagaz, ele descobriu/desenvolveu o solucionador cósmico de problemas. Gostaria muito de usá-lo nesta semana, mas não sou muito corajoso… Quem sabe você usa?

Nos últimos dias, não tenho parado muito quieto, sabe…
Como ninguém está falando desse assunto, vou tocar nele: a Copa do Mundo. Mas não apenas desta que está em curso na África do Sul, mas de todas as que já acompanhei. Foram muitas. E milhares de leitores vêm mandando emails e cartas, e acotovelam-se na frente da minha sacada em hordas pedindo que eu conte como foram as minhas Copas do Mundo. Sendo assim…
1970: eu era apenas um pensamento furtivo na mente de minha mãe, que vinha sendo enrolada por papai há uns cinco anos já. Na época, namorava-se um tempão e havia ainda uma segunda chance para alguém retomar o juízo, o noivado. Acompanhei a disputa no México num cantinho do coração da minha mãe. Como eu disse, eu era apenas um desejo…
1974: vi poucos jogos. Aos dois anos, dormia mais do que deveria. E o meu ponto de vista sempre era atrapalhado: eu olhava para cima, para a TV, tentando entender aquela correria toda. Não entendia também porque as pessoas gritavam com aquele aparelho em cima da estante…
1978: fiquei levemente confuso. Por que só a Argentina podia colocar mulheres jogando? Anos depois, descobri que eram apenas hermanos cabeludos.
1982: vibrei e colecionei figurinhas que vinham com os chicletes Ping Pong. Depois da partida contra a Itália, pus a gordinha debaixo do braço e desci a rua até o rapadão que tínhamos na esquina. Foi lá que vinguei os 3 a 2. Foi lá que eliminei a Itália, avancei na competição e sagrei-me campeão mundial na Espanha. No começo da noite, minha mãe berrou meu nome e fui jantar.
1986: comemorei antecipado quando marcaram o pênalti para o Brasil contra França. Quando Zico errou, lembrei-me da mãe dele. Não fechei o álbum da Copa.
1990: sofri porque acreditei. Foi a última Copa do meu pai. Ele desistira de ver o Tetra…
1994: foi uma farra. A Copa de minha época de universitário: bebemorava até a vitória de países cuja capital desconhecia. Sofri na final. Me peguei chorando após Baggio errar o pênalti. Eu era Pelé, em 1958, desabando diante da glória.
1998: sortudo, fui escalado para trabalhar em todos os jogos da seleção no jornal. Não levei muita fé. Acabei assistindo apenas uma partida em casa: a final. Ainda bem que estava deitado.
2002: joguei muita bola com a patroa nas madrugadas daquela competição. Vi a final num boteco perdido em Balneário Camboriú, e estendi a farra desfilando e dançando na avenida Beira-Mar em Florianópolis. Comecei a pensar que seria legal ver os jogos da Copa com um filho.
2006: torci pra França. Gostei da cabeçada de Zidane. Aos dois anos, meu filho dormiu mais do que deveria. Às vezes, ele olhava para a TV, tentando entender aquela correria toda. Intrigou-se com a gritaria e o foguetório.
2010: para mim, esta Copa começa amanhã. Espero não ver meu filho tendo que vingar a seleção no campo da pracinha da esquina…
Bem no comecinho deste mês, eu me lamentava num post sobre os muitos afazeres que me soterravam.
Duas semanas depois, a montanha de escombros que me encobre já permite ver a luz, mas as próximas semanas são decisivas para fechar dignamente o semestre…
… ainda tenho três turmas na graduação pra fechar;
… um jornal-laboratório para produzir, editar e lançar;
… quatro bancas de graduação e um exame de qualificação em duas semanas;
… tenho que avaliar artigos para um periódico;
… dois artigos para escrever, uma comunicação científica para produzir, e um seminário de pós-graduação para preparar!
Para o alto e avante!
PS – Aproveite e confira o blog do meu amigo Jorge Rocha, o popular Exu Caveira Cover, que ressuscitou!
Tudo bem, Cristo era o Mestre. Mas o que teria acontecido se ele também fosse educador?
Alguém pensou nisso e escreveu uma versão do Sermão da Montanha. É hilariante. Recebi da amiga Sonia Padilha, e reproduzo:
Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre
uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.
Tomando a palavra, disse-lhes:– “Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão ssciados. Felizes os misericordiosos, porque eles…”
Pedro o interrompeu:
– Mestre, vamos ter que saber isso de cor?André perguntou:
– É pra copiar no caderno?Filipe lamentou-se:
– Esqueci meu papiro!Bartolomeu quis saber:
– Vai cair na prova?João levantou a mão:
– Posso ir ao banheiro?Judas Iscariotes resmungou:
– O que é que a gente vai ganhar com isso?Judas Tadeu defendeu-se:
– Foi o outro Judas que perguntou!Tomé questionou:
– Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?Tiago Maior indagou:
– Vai valer nota?Tiago Menor reclamou:
– Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.Simão Zelote gritou, nervoso:
– Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?Mateus queixou-se:
– Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
– Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos?
Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?Caifás emendou:
– Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros
curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
– Quero ver as avaliações da Provinha Brasil, da Prova Brasil e demais testes e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor efetivo…Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu. Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria…
Mas olhou de novo a multidão. Eram como ovelhas sem pastor… Seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou…
Quando eu era apenas um garoto, minha mãe era uma mulher enérgica. Dessas que distribuem broncas e que colocam os filhos na linha. Era nervosa, mas também carinhosa. Sempre teve um senso de justiça e de compromisso muito evidentes, e tinha uma preocupação quase maníaca de passar aos filhos um valor: a honestidade. Parecia não se conformar que esses atributos não fossem herdados geneticamente.
Passados tantos anos, me parece cristalino que ela tenha conseguido tudo o que desejou. Com alguma ajuda de meu pai, criou quatro meninos e os encaminhou para suas próprias vidas.
Hoje, está bem mais serena, e nem é sombra da ira santa que destilava antes. É uma outra mulher, e o irônico é que só agora ela tem o seu primeiro 38. Não me refiro a um par de sapatos nem a uma arma de fogo. É que hoje o seu primogênito cumpre anos, e o que ele vai dizer a ela num telefonema daqui a poucos minutos é que todos os acertos foram delas, e os erros são obras do filho desobediente e teimoso.
38 não é nenhum número especial. Nem a data em si, hoje, é. Mas faz pensar…
Noel Rosa durou só 27 anos e ajudou a mudar a música brasileira. Glauber Rocha não chegou a completar 42, mas fez algo parecido com o nosso cinema. Pelé encerrou a carreira com 37, e já tinha marcado 1284 gols. Madonna, aos 38, já era a rainha do pop, tinha gravado seis álbuns e estava prestes a ganhar a primeira filha.
Bruce Lee e Cazuza morreram com 32 anos. Jesus Cristo com 33. Charlie Parker, 34. Renato Russo interrompeu a carreira aos 36, e Elis Regina com quase 37. Definitivamente, furaram a fila.
Mas 38 faz pensar. Aos 38, Gandhi já era preso por causa de sua desobediência civil pacífica. Com a mesma idade, Hitler respondia pela ideologia e pelas políticas internas do partido nazista, e Gretchen já tinha vinte anos de rebolado.
Aos 38, Carlos Drummond de Andrade publicava Sentimento do Mundo, mas depois ainda viria Claro Enigma, A Rosa do Povo e tantos mais. O poeta estava verde ainda. Aos 38, Freddy Mercury nem imaginava que faria um show como o que fez no Brasil em 1985 no Rock in Rio, meses depois, regendo multidões. Aos 38, Clint Eastwood começava a ser o famoso cauboi dos filmes de Don Siegel, e era só o início. Machado de Assis só publicaria Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas aos 40 anos. Aliás, os melhores filmes de Fellini só viriam mesmo depois dessa idade. A tal da idade da razão.
Chegar, então, a este degrau pode ser apenas alcançar um certo patamar na escada. António Lobo Antunes começou sua carreira de escritor aos 37, por exemplo. Guimarães Rosa só viria a escrever sua obra-prima, Grande Sertão: Veredas, aos 48 anos. E Leonardo Da Vinci só começou a pintar a sua Santa Ceia aos 43. O grande Cartola gravou o primeiro disco aos 66, e a doce Cora Coralina só publicou o primeiro livro aos 75.
Tudo bem que George Clooney já era George Clooney aos 38, mas só passou a ganhar prêmios importantes e ser respeitado depois dos 40. Por essas e outras é que 38 pode ser uma boa marca, um bom momento, um jeito de começar coisas, de rever caminhos e se refazer por inteiro. Afinal, o mundo não é pequeno, e a vida não é um fato consumado.
Acabamos de publicar mais uma edição da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do PosJor/UFSC. “Inovações no Jornalismo” é o tema deste número, que pode ser acessado integralmente aqui.
Com novo projeto gráfico e indexada em seis importantes bases de dados, a Estudos em Jornalismo e Mídia é um periódico B3 no Qualis/Capes e circula semestralmente. O próximo número tem como núcleo temático as relações entre Jornalismo e Políticas Públicas (leia a chamada de textos), e já recebe colaborações.
Ficou curioso? Quer ver o sumário? Então, veja a seguir:
Núcleo Temático
Uma proposta de incorporação dos estudos sobre inovação nas pesquisas em jornalismo
Carlos Eduardo Franciscato
Telejornalismo: em busca de um novo paradigma
Carlos Alberto Moreira Tourinho
O potencial das ferramentas multimídia em ambiente de convergência: um estudo de caso do site da Rádio BandNews FM
Debora Cristina Lopez, Marcelo Freire
Rastros do Blog Fatos e Dados nas redes sociais
Andressa Pacheco Moschetta
Jornal Impresso.com – O desafio da participação on-line no fazer jornalístico em tempos de convergência
Adriana Santiago Araujo
What are you doing? Uma reflexão sobre o twitter
Aglair Bernardo, Filipe Speck
Infografia jornalística: substituta progressiva do fotojornalismo?
Ricardo Jorge de Lucena Lucas
Processualidades da Pesquisa Empírica no Portal ClicRBS e as Experiências em Jornalismo 3G
Grace Kelly Bender Azambuja
Discursos sobre leitura e interatividade em reformas gráfico-editoriais de jornais impressos em tempos de tecnologias digitais
Ana Elisa Ferreira Ribeiro
Temas Livres
Jornalismo e imagem de si: o discurso institucional das revistas semanais
Marcia Benetti, Sean Hagen
Sentidos e sujeitos em cena na notícia em TV: a incorporação da análise de discurso nos estudos de telejornalismo
Iluska Maria da Silva Coutinho, Jhonatan Alves Pereira Mata
A Morte no Jornal Nacional
Michele Negrini
O papel do jornalismo nas controvérsias
Liriam Sponholz
Como os acontecimentos se tornam notícia: uma revisão do conceito de noticiabilidade a partir das contribuições discursivas
Marcos Paulo da Silva
A produção de sentidos na construção do imaginário através da experiência estética do rádio
Adriano Lopes Gomes, Daniel Dantas
Pesquisa em Jornalismo: produção e uso de informação nos artigos apresentados em congressos
Anelise Rublescki
Resenhas
Gêneros jornalísticos e o desafio da classificação
Frederico de Mello Brandão Tavares
Na contramão de uma morte anunciada
Alexandre Lenzi
Acaba de sair há pouco a tradução para o português de um importante documento internacional sobre comunicação e qualidade. Trata-se dos Indicadores de Desenvolvimento da Mídia, publicação produzida e organizada no âmbito da Unesco, reunindo a expertise de profissionais e estudiosos do mundo inteiro.
Vale a leitura do documento. Merece o debate que ele enseja…
Baixe: http://unesdoc.unesco.org/images/0016/001631/163102por.pdf
Você pode não gostar de jazz. Pode nem saber quem foi Chet Baker. Mas se tem dois dedos de sensibilidade e nove minutinhos de tempo livre, feche os olhos e ouça “Once upon a summertime”, em interpretação soberba do trompetista que despencou do quarto andar de um hotel em Amsterdã. Era a madrugada de uma sexta-feira 13. 13 de maio de 1988.
Vale a nota, mas vale mais a vida e a música.
Uma reportagem cotidiana sobre um crime banal vem causando algum alvoroço nas redes sociais e em listas eletrônicas por aí. Assinada por Afonso Benites e publicada em 28 de maio passado na Folha, a matéria provoca mal estar por conta de dois trechos que, de jornalísticos, nada têm. Leia, com meus grifos:
José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90). Era dia de promoção —a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.
As queixas que colhi por aí são de duas naturezas: técnicas e éticas. Em alguns comentários, elas se fundem. Mas de maneira geral, as reclamações se resumem a três:
Confesso que a leitura da matéria me causou um tremendo estranhamento. Não me soou bem, me pareceu sarcástica, oportunista (no sentido mais arrivista), infeliz. Quis me manifestar nas listas eletrônicas, mas me contive. Optei por sentir as reações e em todos os casos foram críticas, quando não raivosas.
Um dos poucos a escrever um pouco mais serenamente sobre o caso foi Marcelo Träsel, que oferece uma interpretação do caso. Entre outros aspectos, ele não vê publicidade descarada na matéria e o crime maior está em como o jornalismo se alimenta de assassinatos e outros delitos para se prevalecer. “A meu ver, a sociedade não perderia nada se as histórias policiais fossem simplesmente banidas dos noticiários”, escreve Träsel. Pelo que pude entender, o autor exime o repórter da responsabilidade sobre o produto final, concede-lhe o benefício da dúvida, mas não poupa a indústria que se nutre do sangue.
Penso ligeiramente diferente. A indústria é implacável e muitas vezes se alimenta de crimes, de escândalos, de polêmicas para engordar seu noticiário, hipertrofiar sua audiência. Mas repórteres, redatores e editores também têm lá suas responsabilidades. No processo de produção jornalística, muitas mãos moldam, alteram e às vezes descaracterizam o texto original. O produto final pode ser muito diferente do que saiu do teclado do repórter, e responsabilidade se dilui. Mas não evapora. Dar o benefício da dúvida ao repórter é sensato pois faz prevalecer o princípio da presunção da inocência.
Mas o fato é que os elementos que causam estranhamento no texto de Afonso Benites poderiam ter sido simplesmente suprimidos. Por uma razão mais do que simples: não são jornalisticamente informativos. Basta voltar ao parágrafo e lê-lo sem os trechos grifados. Algo essencial fica de fora? Não, não fica. Essas sobras não têm estatuto jornalístico, mas contém informações que realçam características comerciais do produto – a faca – e da situação – um dia de uma promoção específica no hipermercado.
Por isso que o episódio inspira debates em torno da ética jornalística. A inserção na reportagem dos trechos grifados adiciona também elementos que contrariam o que convencionamos esperar do jornalismo. Ele é composto por informações que se orientam por interesses coletivos e públicos, e não por interesses de grupos e motivações primordialmente mercantis. Não porque o jornalismo seja melhor que a publicidade ou porque esteja acima do capitalismo. Mas porque o jornalismo se balize por valores que o aproximem mais da democracia do que do mercado. Historicamente, o jornalismo se desenvolveu como uma tecnologia social para as comunidades que servia. Na medida em que se aprimorava, a imprensa construiu em torno de si um conjunto de práticas que a credenciava como fiscal dos poderes, denunciadora de abusos, defensora da livre expressão e do pluralismo no pensamento. A sociedade foi delegando tais funções ao jornalismo, e este foi tecendo para si uma frágil, mas importante teia de sustentação: finalidade pública, função social.
O mal estar que senti ao ler a matéria de Afonso Benites – e pelo jeito não fui o único – é o sintoma do descolamento entre o que se vê no jornalismo e o que dele se espera. É o desvio de função que nos faz torcer o nariz. É uma indisfarçável sensação de estar sendo traído que nos preocupa, que nos indispõe.
O ruidoso episódio na Folha não mata o jornalismo, mas provoca uma incômoda ferida. Ela pode evoluir, arder, infeccionar. Mas também pode secar e cicatrizar. Qualquer diagnóstico é apressado… Irônico é perceber que não foi a faca quem feriu o jornalismo, mas o seu preço estampado na matéria.
De repente me lembrei que existem lugares cujas geografias são altamente musicais. É assim no Beco das Garrafas, no Rio, nas ladeiras do Pelourinho, em New Orleans, em alguns becos do Harlem. No clipezinho a seguir, Cynda Williams canta Harlem Blues, belíssimo número que tem um Wesley Snipes fingindo tocar no palco, mas que tem na retaguarda mesmo dois gigantes do jazz: Terence Blanchard (no trompete) e Brandford Marsallis (nos saxofones soprano e tenor). Transporte-se para um clube no meio do Harlem, no meio de um filme de Spike Lee… Boa viagem!
A aventura que chegou hoje às telas de cinema brasileiras é uma daquelas produções que exalam os aromas do sucesso. “Príncipe da Pérsia – As areias do tempo” desembarca montado não num resistente camelo ou num rangedor cavalo do deserto, mas num conjunto de estratégias comerciais que surpreenderia tanto quanto uma tempestade no deserto. O filme da Disney chega em versões dublada e legendada, em dezenas de salas e acompanhada de promoções na internet (numa delas o prêmio é uma viagem a Marrocos) e em canais pagos (na ESPN Brasil, por exemplo, vinculou-se belos gols com a magia da história).
Mas para além disso, o filme é uma produção muito bem acabada. A trilha sonora é adequada, as locações bem escolhidas, o elenco convence, os efeitos visuais são deslumbrantes. A versão dublada é caprichosa, como é uma tradição da Disney por aqui. Há atores com A maiúsculo, como Ben Kingsley e Alfred Molina, amparados por bons diálogos e personagens marcantes. Jake Gyllenhall está bem como o personagem título, e Gemma Artenton lembra uma Monica Belucci mais jovem, com rosto levemente mais forte. Um conselho: não olhe diretamente para os olhos dela. Você vai ficar paralisado.
Se você já enfrentou o game que deu origem ao filme, vá igualmente avisado. Não é a mesma trama, mas uma variante. Não temos a princesa Farrah, mas Tamina. Não temos zumbis com cimitarras, mas assassinos implacáveis, hordas enlouquecidas, víboras que saltam. Mas temos alguns elementos que se repetem: traição, um vilão ganancioso, a tensão permanente entre ser predestinado ou fazer seu próprio destino. Há romance, aventura, adrenalina, e a adaga do tempo, peça-chave no game. Como nos consoles, o Príncipe é um ótimo saltador e maneja com muita habilidade a espada. No cinema, ele é mais bem-humorado que no joystick.
O beijo demora pra sair. O desfecho do filme segue as trilhas do game, mas essa previsibilidade não detona a diversão. Ela é garantida. E vale pra família toda. Aqui em casa, mesmo quem não ficou hipnotizado com o controle na mão gostou. Então, vale a pena. Até pelas pequenas ironias que escapam da tela, como finos grãos de areia. A que mais gostei foi a história da guerra motivada por uma denúncia falsa de fabricação e tráfico de armas. Pérsia, Iraque, tanto faz…Definitivamente, os roteiristas não dormem de toca.
Já estão abertas as inscrições para a quinta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. O PAGF 2010 é uma promoção da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2009 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria – Sênior – é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.
Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br
As inscrições vão até 30 de julho, e os resultados têm anúncio previsto para outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Luís, Maranhão.
Conheça o Regulamento do PAGF 2010
De repente, pisquei um olho e já estamos em junho!!!
O tempo escorre feito areia. Daqui até a metade de julho, todas as semanas me são decisivas em uma ou outra atividade. O semestre letivo se encaminha pro final, tenho três turmas na graduação e um jornal-laboratório para produzir, editar e lançar em 20 e poucos dias; minhas três orientandas estão enlouquecidas e entusiasmadas com seus TCCs; preciso dar uns empurrõezinhos no meu mestrando; há um montanha de projetos de pesquisa para dar pareceres; tenho que avaliar artigos prum periódico; há relatórios para escrever e concluir; uma revista científica para editar; dois artigos para escrever; uma comunicação científica para produzir; um livro para organizar; um seminário de pós-graduação para preparar…
Isso sem contar nas demandas domésticas, como aniversário do filho, atenção à esposa (quem não dá assistência, dá espaço para a concorrência), um regime para começar, mandar o carro pra revisar, colocar as contas em dia, manter este blog, enfim, a vida é curta demais para ser pequena. Apertem os cintos!
A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) promoveu de 25 a 28 de maio seu congresso mundial, cujo tema foi “Empregos, Ética e Democracia”. Se você, como eu, não estava em Cádiz (Espanha) nesses dias e se interessa pelo assunto, vá ao hotsite do evento, acompanhe as (raras) postagens no Twitter ou ainda assista aos vídeos no Canal Vimeo.
Interessante também é conferir o documento “Informe sobre o futuro do jornalismo”, onde são reunidas ideias em torno das muitas mudanças na profissão, no mercado e na própria organização classista dos jornalistas. Para sindicalistas ou não.
Toda lista é pessoal; toda lista é imperfeita; toda lista é ordenada ao bel prazer…
Para você, que passou por aqui, ofereço uma listinha de dez cantoras para hoje…
Conte até 10. Ouça mais ainda…
Marisa Monte apresenta uma utopia na geografia: Vilarejo
Billie Holiday canta o seu amor: My man
Sarah Vaughan também fala do amor: My funny Valentine
Diana Krall embala The look of love
Ella Fitzgerald canta Summertime
Elis Regina interpreta Águas de Março (tente não chorar…)
Amy Winehouse brilha com Tears dry on their own
Bruna Caram mostra uma versão muito pessoal de Feira moderna
Sade me fala de uma tal Jezebel
Ana Laux me presenteia com Ballad of strings
Acaba de sair o edital com os selecionados para a próxima turma do Mestrado em Jornalismo da UFSC.
Inicialmente, eram 56 candidatos às vagas, e as etapas de seleção aprovaram 18 nomes. Os candidatos apresentaram propostas de pesquisa, fizeram provas de conhecimentos específicos e de língua inglesa e ainda foram entrevistados pelos professores do programa.
Os felizardos e as instruções para as matrículas podem ser conferidos aqui.
Parabéns!!!
Maio é mês de inferno astral e o começo do fim… do semestre…
Ofereço um instantâneo de minha mesa de trabalho. O que está em cima da mesa sou eu…

Estão abertas a partir de 1º de junho as inscrições para a quinta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. O PAGF 2010 é uma promoção da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A premiação é voltada a trabalhos que tenham sido elaborados durante o ano de 2009 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria – Sênior – é atribuída a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo.
Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br
As inscrições vão de 1º de junho a 30 de julho, e os resultados têm anúncio previsto para outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores recebem seus diplomas de mérito durante o 8º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro em São Luís, Maranhão.
Conheça o Regulamento do PAGF 2010
Se você ainda não viu o último episódio de Lost, aquele que encerra as seis temporadas, aconselho a não ir adiante na leitura aqui. Se já assistiu, siga. Se não é fã de Lost, não tem problema, talvez interesse assim mesmo…
Tenho impressões muito pessoais sobre o episódio final de encerramento da série. Foi um longo capítulo com o seguinte dilema: dar desfecho à trama ou responder aos muitos mistérios que ela suscitou? Os produtores preferiram a primeira opção. Por isso, quem esperava ter todas as respostas pode ter ficado frustrado. Não foi o meu caso. Gostei bastante do que vi. Não totalmente, mas já esperava que qualquer desfecho poderia levar à decepção.
Penso que foi um final voltado para os verdadeiros fãs da série, aqueles que acompanharam os Losties durante os últimos seis anos. Daí ser um episódio concentrado no encontro, no reencontro. O desfecho das tramas paralelas, o realinhamento dos casais, o perdão e alguma redenção. Os miniclipes que recuperam as trajetórias dos personagens trazem uma carga extra de emoção. Lost acabou se revelando uma série muito mais sobre relacionamentos do que sobre mistérios. A Ilha se coloca como uma arena onde os atritos, as aproximações, a colisão de interesses, tudo isso e mais fermentam as ações humanas. Com isso, a Ilha se consolida como a metáfora transcendental da vida. Os mistérios funcionam com as pistas falsas que encontramos durante a trajetória.
A imperfeição dos personagens, seus sentimentos contraditórios, as escolhas pragmáticas, a moral conveniente, tudo isso tempera a série, dando a ela contornos mais difusos e camadas de profundidade diversas. E sejamos francos, não estávamos acostumados a ver isso numa série de TV.
Foi muito bom acompanhar tudo isso. Espero a próxima jornada…