que compras coletivas que nada!

Sim, sim, tem gente que está peitando os poderosos sites de compras coletivas.
A fotinho foi feita com um celular, praticamente em movimento, e por isso não é lá uma Brastemp. Mas vale o registro…


diferenças entre jogar futebol e jogar bola

Passe os olhos pelos jornais agora e vá direto às páginas de esportes. Sim, concentre-se nos textos que tratam do vexame da seleção brasileira na Copa América. (Se você estava na lua ou teve o bom senso de aproveitar o final de semana para descansar da TV e não viu nada, o Paraguai eliminou o Brasil da competição, sem gols. E a seleção perdeu quatro pênaltis na derradeira disputa…)

Volte aos textos e assista a um desfile patético de tentativas de explicação do inusitado, de frases mancas dos jogadores, de constrangimentos espalhados entre os colunistas e redatores. É isso mesmo. A vergonha é indisfarçável e contagiante. Só o tempo vai dissipá-la… Enquanto isso, não posso deixar de dizer que não engulo alguns lugares comuns que preenchem as páginas dos jornais, as músicas nos elevadores, as paredes dos prédios.

“Futebol é assim mesmo! É o único esporte onde nem sempre o melhor vence!”

“Jogaram muito melhor que o adversário. Só faltou o gol, foi um detalhe”

“Foi injusto. Jogaram melhor, mas deixamos escapar a vitória no final…”

Ora, bolas!

Qual é a razão do esporte? Numa palavra: vencer.
O futebol é esporte? É.
Qual a razão do futebol, então? Vencer.
Como é que se vence no futebol? Fazendo mais gols que o adversário.
Qual é o momento mais esperado do jogo? O do gol.

Então, gente, gol não é detalhe, não é um capricho de preciosistas. É a condição para se alcançar o objetivo desse esporte criado pelos bretões. Jogar melhor e não vencer viola as regras mais lógicas. Como é possível ser superior sem sobrepujar o oponente? Não existe, não funciona, não é. Trata-se de retórica, de discurso de resignação, de autopiedade. Muita gente embarca na história porque o raciocínio tem um toque místico, que desestabiliza a razão, a lógica, o senso.

Daí que também não existe injustiça nesse caso. Se não fez o gol que demarcaria ser mais que o rival, por que seria justo que o time fosse o vencedor? Apenas por belas jogadas? Apenas pela criatividade? É pouco. Claro que adoro ver futebol bem jogado, quem não gosta? Mas belos passes que não geram gols são, esses sim, detalhes que não desaguaram no que vai diferenciar uma equipe da outra. Não é só pragmatismo; é realismo. As regras são conhecidas por todos desde o apito inicial. Tem que fazer mais gols do que o outro. Senão não tem vitória. Está aí uma das diferenças entre jogar futebol – profissionalmente – e jogar bola – por prazer, sem compromissos maiores.

a imagem do dia…

Não, não foi a derrota da seleção brasileira para a paraguaia na Copa América. Mas tem a ver com futebol.

Vejam só o que o presidente dos Estados Unidos estava fazendo:

Isso mesmo! Barack Obama estava vendo a final da Copa do Mundo de futebol feminino!

Dois erros fatais: 1. Chamou a patroa e a criançada pra ver a partida e nem pediu para elas colocarem um chinelinho. Vai pegar friagem! 2. Dá uma olhadinha na mesa lá atrás. Viu?! Tá cheio de trabalho acumulado e ele matando o tempo ali. Ô, presidente, o povo americano tá aflito com a aprovação de um novo limite de endividamento público…

O pior de tudo é que a seleção do presidente (também) perdeu. A foto não mostra, mas Barack Obama também está descalço e sem meias. Pé frio que nem Mick Jagger.

mapa múndi das redes sociais

Quer ver como evoluíram as redes sociais no planeta de junho de 2009 a junho de 2011?
Acompanhe os infográficos produzidos pelo Vincos, com base em dados do Alexa e Google Trends for Websites.

World Map of Social Networks

guia de segurança e privacidade na web

Não é segredo nenhum que se deixa um monte de rastros na internet e que isso pode ser pessoal demais. Tem gente que não liga para isso, que se lixa para manter a própria privacidade. Outros ignoram cuidados mais básicos de segurança. Independente do seu perfil, vale a pena dar uma olhada neste Guia Completo de Privacidade e Segurança na Web, produzido pelo The Edublogger, e que traz dicas úteis para Twitter, Google + e Facebook.

Baixe o guia aqui. (PDF, 13 páginas, 740 Kb)

este é meu final de semestre…

David Bowie e o Queen dão a real quando a areia da ampulheta vai acabando… under pressure, my friends!

Cantem comigo!

Pressure pushing down on me
Pressing down on you no man ask for
Under pressure – that burns a building down
Splits a family in two
Puts people on streets (mais aqui)

um guia online sobre direitos autorais

Imagine a cena: você escreve um texto, ele circula pela internet, um engraçadinho qualquer tira o seu nome de autor e coloca o de Luis Fernando Verissimo. Aí, a coisa se espalha feito rastilho de pólvora: muita gente reutiliza o texto, reforçando a qualidade da crônica e até a republicam numa coletânea francesa.

Você fica desesperado, afinal, é tudo um equívoco. Estão usando seu texto, usurparam sua autoria e estão atribuindo erroneamente a crônica a alguém muito mais conhecido. Você não ganhou nada com aquilo; na verdade, só perdeu… O que fazer? Como agir nessas situações?

Um guia pode te ajudar nessas horas. É o Proteja o seu Texto, que acaba de chegar à web.

A história acima é verdadeira e aconteceu com a jornalista Sarah Westphal Batista da Silva, e, dez anos depois, motivou-a a produzir um site que auxilie autores pelo Brasil afora a como lidar com embaraços como este. Detalhes da legislação, ações por danos morais, licenciamento de obras, creative commons, está tudo lá.

O guia é o trabalho de conclusão de curso de Sarah aqui na UFSC e conseguiu a nota máxima da banca, da qual felizmente participei. Se você “arrisca” alguns textos na web, se quer se manter na condição de autor deles ou se quer ceder os seus direitos, o guia online tem que estar nos seus favoritos…

desistir ou ir adiante?

Adele dá pistas. Em Florianópolis, 10h09, 12 graus e chuva infinita.

ei, isso aqui não é demais?

Essa inglesinha está apenas no segundo álbum… imagina só o que ela pode fazer em dez, vinte anos de carreira…

o passado, não; agora, o presente e o futuro

Outro dia, me embrenhei nos cipós do passado e quase me perdi por lá. Hoje, mesmo com a correria do dia, meus olhos, braços, pensamentos e sentimentos estão todos voltados pro meu presente. Meu filho completa sete anos, e eu repito o que todos os pais do mundo repetem: parece que foi ontem. Pisquei os olhos e ele aparece correndo na sala como um garoto esperto, inteligente, lindo, charmoso, saudável, sensível, cordial, suave e feliz. Sorri atrás da tela do computador que me ilumina o rosto. Mas não é a máquina que brilha…

Olho para o presente, mas vejo a planta do futuro.

Machado já escreveu que o “menino é o pai do homem”. Canso de sublinhar essa frase todos os dias. Aprendo a cada momento, me preencho a cada instante. Vejo que posso continuar por ali. Na forma do sobrenome que ele carrega, nas semelhanças de um par de sobramcelhas, no jeitinho de falar, em uma porção de características que quero ter minhas e repassadas a ele.

Já escrevi muito sobre ele por aqui. Mas nunca o bastante… Se você o conhece, sabe que não estou exagerando. Se não conhece, veja como ele ensina metafísica, como ele exibe sua inocência, como ele desenha bem, e como o seu mundo é maravilhoso

 

melhor site de literatura policial!!!

Sherlock Holmes, Poirot, Maigret, Sam Spade, Nero Wolfe, Philip Marlowe, Dupin, Mandrake, Espinosa e Miss Marple, todos juntos num lugar fácil de ser encontrado e com muito conteúdo multimídia.

Se você se interessa por literatura policial, narrativas noir, mistérios e investigação, um site vem bem a calhar: Grandes Detetives.com

O trabalho é assinado pela jornalista Ana Laux, que ampliou seu Trabalho de Conclusão de Curso (antes, um livro sobre o tema) para plataformas mais ricas em conteúdos. A proposta é bem interessante: abordar a literatura policial por meio dos personagens mais charmosos, inteligentes, sagazes e esquisitos do gênero. No site, é possível encontrar perfis, curiosidades, vídeos, ilustrações, objetos para colecionador, notícias fresquinhas, fóruns de discussão, links e até mesmo testes de conhecimento.


Pode conferir: não há nenhum site brasileiro mais completo sobre este gênero, considerado maldito por uns e absolutamente irresistível para a maioria das pessoas. Romances policiais não só oxigenam a literatura como garantem vendagens bem generosas aos campeões do gênero…

Vale conhecer os Grandes Detetives.

PS – Antes que alguém pergunte: sim, o site em questão foi concebido, produzido e é alimentado exclusivamente por minha Ana Laux. Mas antes que alguém julgue mal esta minha indicação, sugiro que vá ao site (ou siga pelo Twitter) e confira a sua qualidade insuspeita.

esse aí sou eu…

Em dias como os de hoje, quando a cidade amanhece com 2,7 graus, eu fico meio assim…

 

o sonho, com miles davis

Manhã gelada de inverno em Florianópolis, e acordo com The Dream na cabeça.
Ouça o Miles!

E por falar em sonho… que tal Moon Dreams?

 

mídia desavisada não sabe o que é hacker

Os ataques recentes a páginas eletrônicas do governo federal trouxeram à tona no noticiário um festival de desinformação, ignorância e preconceito. Para a maioria dos meios de comunicação, as sobrecargas em sites e as pichações virtuais foram obras de hackers. Mas não foram hackers os autores. Veja porque…

Para saber um pouco mais, volte algumas casas no tabuleiro…

 

 

 

ah, o passado…

Se o passado é uma colcha de retalhos e lembranças, se o futuro é uma pilha de projeções e se o presente não dura mais que um segundo, a rigor, não nos sobra tempo nenhum. Essa é uma verdade que a gente tenta sepultar a cada vez que olha para o mostrador do relógio ou para o calendário. Mas ainda soterrado por essa lógica linear, me sinto nos últimos dias meio que atropelado por trens do passado… Personagens esquecidos aparecem, episódios guardados vêm à tona e um desfile infinito se dá na minha cabeça… perco as horas, vou e volto…

O curioso é que essas memórias todas me chegam pela internet, que já foi um sonho do futuro. Hoje, com mais de 15 anos, ela é presente, passado e futuro…

Por email, meu irmão mais novo me manda uma fotografia que eu julgava perdida. Nela, estou espremido entre vinte e poucos colegas que se preparam para formatura da 8ª série! Estamos em 1986, no pátio de um colégio que não existe mais, olhando para um futuro que nem mais me lembro. Sou mais magro, tenho mais cabelos e metade dos sonhos que tenho hoje. Temos espinhas no rosto, estamos de uniforme e nenhum de nós imagina o que lhe vai acontecer quando chegar à maioridade…

A foto pertence ao convite da formatura e com ele, uma lista de nomes e sobrenomes. Banquete para correr atrás dessas pessoas nas redes sociais. No Facebook, recebo solicitações de amizades de 25, 30 anos atrás. Envio outras. Faço contatos temerosos: “oi, não sei se lembra de mim, mas fizemos o ensino médio juntos…”

Em duas ou três mensagens trocadas, persiste a vontade de atualizar e atualizar o noticiário. “O que você fez nos últimos 25 anos?” “O que te aconteceu desde que a gente perdeu o contato?”

Acabo sabendo que namoradinhos da época da 8ª série se casaram! que atléticos rapazes mantiveram-se no esporte! que galãs daquela época perderam os cabelos e ganharam quilos! que alguns casaram e descasaram! que outros mantêm-se nas trincheiras da solteirice! que uns nem moram mais no Brasil! que outros resolveram povoar o mundo, assumiram os negócios dos pais, enfim, histórias, destinos, episódios de cada um…

Me dá uma saudade das precárias amizades, das montanhas de insegurança que se tem aos 15 anos, de amores não correspondidos, de mágoas de final de semana… me dá uma nostalgia desse nada que se foi… e que só ficou dormente na memória, como que em repouso, esperando apenas ser despertado por um oi qualquer…

 

unesco preocupada com a privacidade na internet

Roubo de informações, violações à intimidade, invasões diversas à privacidade. É num cenário como este – em inflacionado pelas conexões internéticas – que a Unesco quer conduzir uma pesquisa global para mapear marcos regulatórios que tratem e protejam a privacidade na web.

Para saber mais, acesse a notícia na íntegra no site da Unesco (em inglês) e baixe aqui o documento de partida da organização sobre privacidade.

O assunto interessa a todos. Ainda mais em tempos como os nossos, quando muitas das noções e direitos fundamentais parecem se dissolver…

rc, ano 40

Outro dia aí, fiz 39. Foi tudo normal, e eu quase nem senti a diferença. Agora é que começam a aparecer os sintomas: toda vez que respiro, encho os pulmões de ar; toda vez que abro os olhos, vejo o mundo; todas as vezes em que me levanto, fico em pé… É, parece que nada mudou!

Começou o ano 40.

Não é aos 40 que a vida começa? Como diz o personagem de Roy Scheider em All That Jazz, “it’s show time!”

liberdade de conexão; liberdade de expressão

A Unesco lançou uma publicação de 105 páginas abordando o estado das coisas em termos de liberdade de conexão à web e suas implicações no desenvolvimento da liberdade de expressão para os cidadãos. O planeta tem pouco mais de 1,97 bilhão de internautas, o que significa que menos de um terço da população tem acesso a uma quantidade quase infinita de informações. “Freedom of Connection-Freedom of Expression” ataca o tema, apoiando-se em pesquisa empírica e estudos de casos da normas e regulamentos ao redor do mundo.

São seis frentes de estudo:

  • Iniciativas técnicas relacionadas à conexão e desconexão, a exemplo de filtros de conteúdo
  • Direitos digitais
  • Política industrial e regulação, incluindo direitos autorais, TICs e propriedade intelectual
  • Cuidados com o usuário
  • Padrões e políticas para a rede
  • Segurança da rede, como o controle de pragas virtuais

Vale conhecer o estudo. Baixe aqui

teria sido um dia perfeito não fosse…

… a visita de Aceria anthocoptes!

Ácaro maldito!

alemanha tem brigada anti-plágio

(Reproduzo da revista Pesquisa Fapesp)

Um grupo anônimo de ativistas da internet está agitando a política alemã ao denunciar plágio em teses acadêmicas defendidas por autoridades. Autointitulados “caçadores de plágio”, eles ganharam notoriedade há três meses, quando o ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, renunciou após admitir que copiara parte de sua tese de doutorado. O rastro de denúncias se amplia. O alvo mais recente é a vice-presidente do Parlamento europeu, Silvana Koch-Mehrin. Segundo o grupo, que apresenta suas denúncias no site VroniPlag, pelo menos um quarto de sua tese sobre história econômica foi copiado. A Universidade Heidelberg, onde a tese foi defendida, investiga o caso. A advogada Veronica Sass, filha do ex-governador da Bavária Edmund Stoiber, também foi acusada. Há cerca de 15 Ph.Ds. que contribuem para o site, disse à agência Reuters Debora Weber-Wulff, professora da Universidade HTW, em Berlim. Segundo ela, pelo menos 10% de uma tese precisa ser plagiada para aparecer no site.

contemporânea chama para textos sobre wikileaks

Reproduzo mensagem de André Lemos e Edson Dalmonte, editores da revista Contemporânea.

Edição – Agosto 2011
“WIKILEAKS – CIBERCULTURA E POLÍTICA”
A Revista Contemporanea lança um call for papers sobre o tema “Cibercultura e Política”, tendo como ênfase principal a discussão sobre o fenômeno “Wikileaks”. No final de 2010, o “Wikileaks” difundiu importantes e constrangedores documentos secretos que incomodaram as principais potências mundiais (EUA, China, França, GB) e alguns países emergentes, entre eles o Brasil. O papel das tecnologias de comunicação e informação (TICS) na reconfiguração do jogo político não é um fato novo, desde as ações ativistas e micropolíticas, até o uso por candidatos, políticos eleitos, partidos políticos, bem como governos e instituições públicas. O caso “Wikileaks” (“Wiki”, plataforma colaborativa online e “Leak”, vazamento, circulação de informação) é a mais nova faceta do ciberativismo global e coloca em discussão o papel do jornalismo, da diplomacia mundial e dos novos meios de comunicação. Segundo Manuel Castels, uma nova etapa da comunicação política foi inaugurada. A revista Contemporanea quer investigar essas questões.

Calendário:
Recebimento de artigos: até 31 de maio
Resultado da seleção: 20 de junho
Trabalho de revisão: 21 a 30 de junho
Publicação da Revista: 15 de agosto

xiiii… ó eu ó!?

Esta é uma semana daquelas…

o furacão de joplin nos jornais

O tornado mais mortal dos últimos 50 anos nos Estados Unidos impressiona pelos números, pelas imagens e pelo impacto que causa na mídia, mesmo aquela já habituada com “temporadas de furacões”. Já foram contabilizados 122 mortos, 750 pessoas estão feridas e em torno de 1,5 mil desaparecidas. O prejuízos estão na casa dos bilhões de dólares, e a cidade de Joplin será uma ferida aberta por muito tempo.

Segundo o Serviço Meteorológico Nacional dos EUA, 73 tornados assolaram nove estados no último final de semana. Nos jornais do Missouri, onde fica o município, as capas dos jornais dão uma dimensão ínfima do que deve ter sido a tormenta.

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o governador e a greve dos professores em sc

É mais simples que somar 2 mais 2.
Existe uma lei federal que obriga os estados a pagar um piso nacional para professores. A lei existe desde 2008, mas Santa Catarina e outros estados contestaram a lei, afinal é melhor construir penitenciárias que pagar melhor quem ajuda a formar as gerações futuras.
Pois o Supremo Tribunal Federal veio com nova decisão, obrigando o governo catarinense a pagar o piso. O governador foi viajar para o exterior e deixou o problema no colo do vice. A proposta do governo é então pagar o piso nacional, mas pra todo mundo que recebe a menos, não importando se o fulano ganha 500 ou 900 reais. Tá?

O sindicato dos professores não aceitou, pois não assinou recibo de bobo. Os professores cruzaram o braço porque querem que o Estado cumpra a lei. Só.

Então, se você – como eu – tem memória curta, que tal rever o que o candidato a governador Raimundo Colombo disse em seu programa de TV em setembro do ano passado, em plena campanha eleitoral? Ouça com atenção aos 3’30…

Então, a coisa é assim: professor tem um piso salarial (R$ 1187), mas não recebe porque o governo não paga. Governador e outras autoridades não tem piso salarial, tem teto e está na casa dos R$ 24 mil.
Tá bom assim?

PS – Diante da gritaria do professorado, chama a atenção também o silêncio da ex-deputada estadual e ex-senadora Ideli Salvatti, que disputou o governo do estado e sempre teve como base eleitoral os trabalhadores da educação.

ATUALIZANDO: A ministra Ideli Salvatti apareceu na TV – no Jornal do Almoço da RBS – hoje (27/05) e manifestou seu apoio aos professores. De forma um tanto protocolar e dez dias depois de iniciada a greve, mas que deu apoio, deu…

ainda sobre a polêmica do livro

Lembra da discussão da semana passada sobre o livro do MEC?
Quer saber o que a Associação Brasileira de Linguística (Abralin) disse sobre isso?
Veja o comunicado oficial:

O Brasil tem acompanhado a polêmica a respeito do livro Por uma vida melhor, distribuído pelo PNLD do MEC. Diante de posicionamentos virulentos e alguns até histéricos, a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINGUÍSTICA, ABRALIN, vem a público manifestar-se a respeito. O fato que chamou a atenção foi que os críticos não tiveram sequer o cuidado de analisar o livro mais atentamente. Pautaram-se sempre nas cinco ou seis linhas citadas. O livro acata orientações dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) já em andamento há mais de uma década. Outros livros didáticos também englobam a discussão da variação linguística para ressaltar o papel e a importância da norma culta no mundo letrado.

Portanto, nunca houve a defesa de que a norma culta não deva ser ensinada. Ao contrário, entende-se que esse é o papel da escola, garantir o domínio da norma para o acesso efetivo aos bens culturais e para o pleno exercício da cidadania. Esta é a única razão que justifica a existência da disciplina de Língua Portuguesa para falantes nativos de português.

A linguística surgiu como ciência há mais de um século. Como qualquer outra ciência, não trabalha com a dicotomia certo/errado. Esse é o posicionamento científico, que permitiu aos linguistas elaborar outras constatações que constituem hoje material essencial para a descrição e explicação de qualquer língua humana.

Uma constatação é o fato de que as línguas mudam no tempo, independentemente do nível de letramento de seus falantes, do avanço econômico e tecnológico ou do poder mais ou menos repressivo das Instituições. Formas linguísticas podem surgir, desaparecer, perder ou ganhar prestígio. Isso sempre foi assim. Muitos dos usos hoje tão cultuados pelos puristas originaram-se do modo de falar de uma forma alegadamente inferior do latim.

Outra constatação é o fato de que as línguas variam num mesmo tempo: qualquer língua apresenta variedades deflagradas por fatores, como diferenças geográficas, sociais, etárias, dentre outras. Por manter um posicionamento científico, a linguística não faz juízos de valor acerca dessas variedades, simplesmente as descreve. No entanto, os lingüistas constatam que essas variedades podem ter maior ou menor prestígio, que está sempre relacionado ao prestígio que têm seus falantes no meio social. Por esse motivo, o desconhecimento da norma de prestígio pode limitar a ascensão social e isso fundamenta o posicionamento da linguística sobre o ensino da língua.

Não há caos linguístico, nenhuma língua já foi ou pode ser corrompida ou assassinada, ou fica ameaçada quando faz empréstimos. Independentemente da variedade que usa, o falante fala segundo regras gramaticais estritas. Os falantes do português brasileiro fazem o plural de “o livro” de duas maneiras: uma formal: os livros; outra informal: os livro. Mas certamente não se ouve “o livros”. Assim também, não se pronuncia mais o “r” final de verbos no infinitivo, mas não se deixa de pronunciar (não de forma generalizada, pelo menos) o “r” final de substantivos. Qualquer falante, culto ou não, pode dizer (e diz) “comprá” para “comprar”, mas apenas algumas variedades diriam “dô” para “dor”. Estas últimas são estigmatizadas socialmente, porque remetem a falantes de baixa extração social. Falamos obedecendo a regras. E a escola precisa ensinar que, apesar de falarmos “comprá” precisamos escrever “comprar”. Assim, o trabalho da linguística tem repercussão no ensino.

Por outro lado, entendemos que o ensino de língua materna não tem sido bem sucedido, mas isso não se deve às questões apontadas. Esse tópico demandaria discussão mais profunda, que não cabe aqui.

Por fim, é importante esclarecer que o uso de formas linguísticas de menor prestígio não é indício de ignorância ou de outro atributo que queiramos impingir aos que falam desse ou daquele modo. A ignorância não está ligada às formas de falar ou ao nível de letramento. Aliás, pudemos comprovar isso por meio desse debate que se instaurou em relação ao ensino de língua e à variedade linguística.

polêmica do livro do mec é tempestade em copo d’água

Tenho acompanhado de perto o debate em torno do livro adotado pelo MEC e que estaria “ensinando errado” a língua portuguesa, ao reproduzir erros de concordância. E o que se vê nos meios de comunicação é bastante discutível não apenas do ponto de vista linguístico, mas também jornalístico.

De maneira ampla, os meios de comunicação têm engrossado as críticas ao Ministério e ao livro, formando uma verdadeira tropa de choque a favor da língua pátria. Jornalistas gesticulam, esbravejam, tecem discursos moralizantes em torno do idioma, como se viu, por exemplo, na edição de hoje cedo no Bom Dia Brasil, da Rede Globo. O jornalista Alexandre Garcia disparou contra o livro e o MEC, criticando uma certa cultura que fraqueja diante dos insucessos escolares, que flexibiliza demais o ensino e permite o caos que hoje colhemos na educação. Ele lembrou os exemplos da Coreia do Sul e da China, que há décadas investem pesado em seus sistemas educacionais e hoje prosperam, assumem a dianteira de alguns setores. Só se esqueceu de dizer que esses países investem nas ciências exatas e duras e não nas humanísticas, no ensino de língua materna, etc…

Não satisfeito, o Bom Dia convocou o professor Sérgio Nogueira, guardião da língua nacional e jurado do quadro Soletrando, do Caldeirão do Huck, este bastião da cultura brasileira. Nogueira também bateu forte, e quase pediu a cabeça do ministro Fernando Haddad, citando casos recentes (e graves) que chacoalharam o MEC. Só não “demitiu” Haddad por falta de tempo em sua intervenção…

Mas o caso do Bom Dia Brasil não é único. Alguém aí viu ou ouviu a autora do livro em alguma entrevista? Ela pôde dar sua versão? Alguém aí viu ou ouviu linguistas como Marcos Bagno e Ataliba T. Castilho, que pesquisam e trabalham há décadas em torno da discussão de uma gramática para o português falado e da singularidade idiomática do português brasileiro? Alguém aí viu alguma matéria sobre preconceito linguístico? Pois é, pois é…

Marcos Bagno tem um livro simples sobre o tema do preconceito linguístico, derivado de sua tese de doutorado e de anos de pesquisa. O professor Ataliba escreveu três volumes de uma gramática voltado ao português falado. Isso não é suficiente para se perceber que existem abismos entre o que se escreve e o que se fala? Que a língua falada é mais dinâmica, mais porosa que o padrão culto da língua, a ser aplicado na sua dimensão escrita? Alguém aí já ouviu falar de um genebrino chamado Ferdinand de Saussure, por acaso pai da Linguística, cujo livro póstumo de 1916 já tratava de separar língua (langue) e fala (parole)?

O fato é que sobra opinião apressada e ignorância na cobertura da imprensa sobre o caso. Sobra também prescritivismo, conservadorismo e elitismo no ensino de línguas. E justo nos meios de comunicação, ao mesmo tempo ator e ambiente fundamentais para difundir, disseminar e consolidar gestos de linguagem, fatos da língua…

um domingo com terence

Terence Blanchard é um dos trompetistas mais aclamados do jazz atual. Já gravou discos reconhecidamente importantes, fez parcerias com artistas renomados, assinou trabalhos em homenagem a velhos ícones da música; já ganhou prêmios como o Grammy, lançou trabalhos em que relê clássicos do cinema, entre outras tantas aventuras.

É de uma dinastia que o liga a Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Nicholas Payton e Wynton Marsallis…

Por isso e muito mais, um domingo frio, fechado e carrancudo como o de hoje em Florianópolis é melhor na companhia dele.

Divirta-se!

facebook para educadores

Você é professor e quer se aproximar (mais) do universo dos seus alunos?
Vê que eles frequentam, vivem e convivem nas redes sociais e que estar por lá também pode ajudá-lo pedagogicamente?

Então, dê uma olhada neste documento que orienta professores no uso do Facebook…