Faz 70 anos. Para não esquecer.

Numa manhã como a nossa, Hiroshima acordou como nenhuma outra.

Há 70 anos, uma bomba matava mais de 130 mil pessoas. Dois dias depois, repetiriam a dose em Nagazaki, matando outras dezenas de milhares. E agosto de 1945 mudou a história da humanidade…

Alguém mais esperto já disse que 6 de agosto de 1945 foi o dia mais importante da história humana. A justificativa é simples. Se antes tínhamos certeza de que morreríamos individualmente, depois desse dia, passamos a considerar a morte total e coletiva…

Não dá pra esquecer. Não podemos esquecer. Era um tempo de guerra, é verdade, e o Japão também cometeu atrocidades. Mas nada justifica.

Não podemos esquecer as milhares de vítimas.

Não podemos esquecer o horror dos anos seguintes.

Não podemos esquecer do pânico instaurado no mundo desde então.

Não podemos esquecer que as bombas atômicas não caíram sobre as cidades. Elas foram atiradas.

Não podemos esquecer quem apertou o botão. Não foi a Rússia, não foi a China, nem Cuba, Irã ou Iraque.

Não podemos esquecer que os Estados Unidos usaram a bomba atômica contra milhares de civis, mais de uma vez numa única semana, de forma irreversível, covarde e injustificável.

Dias melhores virão

Amanhã começo um semestre daqueles!

Estou muito empolgado com o que vem por aí. Na graduação, terei mais uma turma de Políticas de Comunicação, e vou oferecer uma optativa para aprofundar o tema: Políticas de Comunicação 2. A ideia é mergulhar em alguns assuntos, como Marco Civil da Internet, uma Lei Geral para a Comunicação e a realidade da mídia no país… Quero ver também se conseguimos ter uma atuação para além das paredes da universidade, se é que me entendem…

Terei também outro desafio no curso de Jornalismo: vou assumir a disciplina de Legislação e Ética. Sim, já lecionei a matéria por quase dez anos na Univali e ela é meu objeto de pesquisa há mais de quinze. No entanto, herdo a responsabilidade do grande mestre Francisco José Castilhos Karam, referência nacional nesses estudos. Espero dar conta… Na pós-graduação, dividirei com o mesmo Karam a disciplina Estudos Avançados em Ética Jornalística, um privilégio para mim, para alunos do Mestrado e do Doutorado…

No mais, os desafios do semestre envolvem ainda a continuidade de minhas pesquisas, a renovação do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), a chegada de novos orientandos (mestrandos e graduando) e o lançamento de Questões para um Jornalismo em crise, a sair pela Editora Insular. Há outros projetos e parcerias sendo costurados, mas ainda é cedo pra contar.

O que posso adiantar é que eu e Ana Paula Laux terminamos o primeiro romance policial assinado por Chris Lauxx. O título ainda é segredo, pelo menos até assinarmos com uma editora…

Bem, eu avisei: estou empolgado. Dias melhores virão, e eles estão logo ali na esquina…

Liberdade de Expressão e Regulação da Mídia

Você acha que regular os meios de comunicação é impor censura?

Taí uma chance para entender melhor porque o Brasil precisa criar mecanismos claros, públicos e democráticos para garantir direitos e fixar regras para um mercado predatório.

Mais informações em https://www.facebook.com/events/1609487945991809/

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Que tal debater as emissoras públicas de Santa Catarina?

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Mais informações em www.cvj.sc.gov.br/escola/encontro_jornalistas.html

Uma aula de adaptação para os quadrinhos

dois_irmaos-10-1-2Quando fechei o volume de Daytripper, pensei: Nunca li nada melhor por aqui. Sim, a minha impressão permanece, e acho que o trabalho de Gabriel Bá e Fábio Moon é a melhor HQ brasileira já produzida. Sensível, criativa, instigante, belíssima, caprichada.

E quando a gente pensa que os caras alcançaram o ápice e a tendência é ladeira abaixo, engano-engano.

A adaptação de Dois Irmãos mostra que os gêmeos mais talentosos dos quadrinhos mantêm um patamar de altíssima qualidade gráfica e narrativa. O premiado romance de Milton Hatoum conta décadas da vida de outros dois gêmeos descendentes de libaneses numa Manaus mansa e chacoalhada. A história é linda, triste, sofrida e absolutamente cativante. Hatoum revisita uma fábula ancestral – a dos irmãos que se digladiam -, atualiza os mitos de Esaú e Jacó (Machado de Assis) e desvela como amores fraternais podem ser frios e bestiais.

DoisIrmaosA obra de Bá e Moon é uma aula de como adaptar um romance para os quadrinhos. Sim, eles sabem o que fazem. Já até ganharam um Jabuti por O Alienista. Há o respeito à obra original e a oferta generosa de outra obra, única, autônoma, efetiva. Mas em Dois Irmãos, vejo muito mais. Há os traços angulosos e esquálidos que contornam os personagens, aparentemente fortes, mas que fraquejam em suas paixões. Há os estudos da cidade, o porto, as ruas, o casario, o bairro flutuante, cenários que hipnotizam em preto e branco. Está tudo ali. A prosa contida, as palavras bem escolhidas, a caligrafia tortuosa, as onomatopeias econômicas. A casa que envelhece, os amores confusos, as ilusões difusas, os segredos familiares, a ambição convertida em coragem, a preguiça ocultando a pequenez, a sensualidade de orientais e barés, a violência, a vida e a morte.

Longa vida aos irmãos Omar e Yaqub, Gabriel e Fábio.

“Número Zero” desestabiliza

imagesUmberto Eco é um intelectual com uma dose cavalar de coragem.

Quando eruditos e escrachados se agrediam com cotoveladas, ele veio e colocou os devidos pingos nos is falando de apocalípticos e integrados. Analisou quadrinhos com rigor, método e paixão. Assombrou-nos com seu conhecimento enciclopédico sobre a Idade Média e nos deu um belo romance policial com O Nome da Rosa. Nos ensinou e nos envolveu com O Pêndulo de Foucault e outros tantos. Agora, bagunça o coreto com Número Zero.

Tenho uma simpatia enorme pelo professor-bonachão e corri para ler Número Zero. Não só por isso, mas também pelo fuzuê dos comentários sobre o livro. Se você não sabe do que se trata, não é um livro cheio de rococós e empreendimentos rebuscados como os anteriores, mas um volume curto, pouco mais de 200 páginas, e que aborda temas atuais… Um grupo de jornalistas é recrutado para produzir doze edições de teste para um novo jornal em Milão. Não é jornal qualquer, mas será O jornal, algo que vai abalar as estruturas da sociedade local e do próprio jornalismo.

Em tempos difíceis para o jornalismo, claro que o livro me chamou a atenção. Com inteligência, humor refinado, ironia delicada, Eco me fez rir em diversas passagens que bem poderiam passar por anedotas, mas que são reconhecíveis nos meios de comunicação atuais. Estratégias para ocultar a verdade, formas de como atrair o interesse do público para banalidades, esquemas para separar o joio do trigo e publicar o joio estão em todas as partes. A gente ri amarelo em muitas delas, com vergonha alheia. A gente se entristece com os rumos que seguem os veículos e os profissionais.

É um alerta de Eco? Talvez. Mas o fato de ambientar sua trama em 1992 me faz pensar que o sinal vermelho esteja soando atrasado, bem atrasado. Pessoalmente, eu não esperava nenhuma saída milagrosa dele no romance, mas talvez algum alento, alguma esperança. Não, nada disso.

A trama me decepcionou também. Quase nada acontece, e aqueles personagens se colocam em cena como caricaturas, clichês desgastados. O desfecho é incerto e hesitante. E foi assim que fiquei ao final do livro. Não entendi o que levou um homem daquela estatura e volume a cometer aquelas páginas. Tal como as edições produzidas pelos personagens, talvez Número Zero nem devesse ter deixado o prelo…

O mundo digital em 100 segundos

O Reuters Institute aponta algumas tendências da vida digital neste rápido e instigante vídeo:

Um estudo sobre consumo e públicos da mídia

Screenshot 2015-06-14 05.35.13Se tivéssemos no Brasil um Conselho de Comunicação Social de verdade, talvez pudéssemos sonhar com a elaboração de um estudo como o que a portuguesa Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) lançou recentemente.

A pesquisa analisa o consumo de notícias em plataformas digitais e as relações com seus públicos em Portugal e mais dez países, entre eles o próprio Brasil.

Baixe aqui.

O documento está em português, em PDF, tem 116 páginas e seu arquivo tem 5,5 Megabytes.

Terror contemporâneo

“Pai, eu tenho basicamente três medos…

… de altura!

… de tubarão!

… de zumbis!”

É, faz sentido.

Este blog fez 10 anos!

Quando comecei este blog, em maio de 2005, o mundo era bem diferente do que é hoje.

George W. Bush não só mandava nos Estados Unidos, como estava no segundo mandato! Por aqui, Lula era o presidente e uma tal de Dilma Rousseff estava às vésperas de assumir a Casa Civil. O Fórum Social Mundial ainda acontecia em Porto Alegre e a Microsoft preparava o lançamento de uma novidade, o XBox 360. João Paulo 2º nem tinha esfriado ainda e Bento 16 dava o sermão na Praça São Pedro. Quem diria? O YouTube estava surgindo! O Orkut era o rei das redes sociais – apesar do Facebook já existir – e o Twitter só apareceria no ano seguinte, em 2006. Eu tinha um bebê em casa, muito mais cabelo e esperança, e muito menos barriga e mau humor.

Em dez anos, o mundo não parou de girar uma única vez. Por isso, mudamos tanto. Um passo à frente e você não está no mesmo lugar. Não foi assim que Chico Science ensinou?

Não entendo também como conseguimos chegar até aqui. Deveria ter desistido. Tive chance pra isso. Faltou coragem, faltou tempo, sei lá.

Registramos mais de 450 mil visitas, mais de 3,3 mil comentários e infinitas horas despejando coisas que colecionei por aí. Valeu a pena? Sim, valeu. Afinal, não são muitas as coisas na nossa vida que duram dez anos.

Obrigado pela visita, por algum comentário, por lincar este blog. De alguma forma, ele também foi seu. E eu me senti menos patético e sozinho enquanto remexia essas memórias.

2007: o endereço ainda era monitorando.zip.net
2007: o endereço ainda era monitorando.zip.net
2007: primeiro layout no wordpress
2007: primeiro layout no wordpress
2008: era demais ter um blog nessa época!
2008: era demais ter um blog nessa época!
2009: blogar era publicar para não perecer
2009: blogar era publicar para não perecer
2010: o blog se tornava cada vez mais um diário de bordo
2010: o blog se tornava cada vez mais um diário de bordo
2010: a cada mudança de humor, uma alteração no layout
2010: a cada mudança de humor, uma alteração no layout
2011: a integração com o Twitter ajudava a
2011: a integração com o Twitter ajudava a “espalhar” melhor
2012: começa a bater o cansaço. Os blogs já não são mais os mesmos
2012: começa a bater o cansaço. Os blogs já não são mais os mesmos
2013: posts ficam cada vez mais enxutos
2013: posts ficam cada vez mais enxutos
2014: as postagens ficam mais escassas
2014: as postagens ficam mais escassas
2015: o blog é
2015: o blog é “engolido” pelo site, mas sobrevive

Cremilda Medina em casa

UnknownFazia algum tempo que eu não a via pessoalmente. Mas na semana passada, ela passou pela cidade para uma conferência num evento, e foi a oportunidade de nos revermos rapidamente. Afetuosa como sempre, me deu um abraço daqueles, fez questão de me olhar nos olhos e me escaneou a alma. Acho que passei… Me trouxe também um presente: Você tem o meu livro de memórias? Sem jeito, fui sincero. Não. E ela sacou um exemplar com dedicatória e tudo o mais.

Acariciei a capa, sentindo a leveza do papel e deixei as páginas ventilarem meu rosto. Duas noites depois, abri o livro querendo um tantinho mais. E quem disse que consegui deixar de lado?

Me dei conta de que conheço Cremilda Medina há quase 15 anos. Ela me orientou no doutorado e convivemos um tempinho, pouco diante do que eu poderia aprender.

Em “Casas da Viagem”, Cremilda não apenas oferece uma autobiografia, mas porções generosas de diversos encontros que teve na vida nas últimas sete décadas. De maneira original, ela toma o mote das casas que habitamos ao longo da existência para contar o que viu, sentiu e viveu. As casas são as contas de um colar, e cada um tem o seu… Desprendida, a autora narra suas origens em Portugal, os tempos de imigração, a passagem pelo Rio Grande do Sul, a longa estada em São Paulo e as muitas viagens pelo mundo, como jornalista, pesquisadora e professora. Franca, a autora lembra de momentos bons e ruins, dá os nomes certos aos acertos e aos erros, e deixa escapar parte de sua coragem e ímpeto.

Aquelas páginas nos contam da relação de Cremilda com escritores e artistas, do convívio com intelectuais e cientistas, da vida difícil em tempos difíceis, da certeza de que a vida deve ser celebrada. Ao final, somos apresentados às casas da viagem, em fotos vívidas dos imóveis que a autora já habitou, como um filme rápido que desfila pelas nossas retinas.

Autobiografias há aos milhões. Toda vida merece ser contada e registrada. Este livro de memórias de Cremilda Medina não é um acerto de contas, não é um balanço de trajetória, não é uma ostentação de ditos e feitos. Para mim, as “Casas da Viagem” é um volume que cerca uma personagem que está à procura de si mesma. Alguém que sabe saborear bons e maus momentos, e que enxerga na vida uma grande aventura, um risco do qual não se pode fugir.

Sindicato dos Jornalistas faz 60 anos

Convite

Começa hoje o Mejor

A 3ª edição do Colóquio Internacional Mudanças Estruturais do Jornalismo (Mejor) começa hoje na UFSC e vai até a próxima sexta, 15 de maio.

O tema que norteia os debates é “Os silêncios do jornalismo”, e reúne pesquisadores de Brasil, França, Bélgica e Canadá. Uma realização do Posjor/UFSC, o Mejor é co-promovido, no Brasil, pela Universidae de Brasília, e no exterior, pela Réseau d´Études sur le Journalism (REJ), Centre de Recherche sur l´Action Politique em Europe (CRAPE) e Centre de Recherche em Information et Communication(ReSIC), vinculados à Universidade de Rennes 1 e à Universidade Livre de Bruxelas.

Sim, algumas das principais atrações como a conferência de abertura com a professora Sylvia Moretzsohn poderão ser acompanhados pela internet:

Sala 1:
http://videoconferencia.cce.ufsc.br/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=14

Sala 2:
http://videoconferencia.cce.ufsc.br/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=15

Mais informações em: http://mejor2015.sites.ufsc.br

É hoje! Promoção relâmpago de Os Maiores Detetives do Mundo

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Amanhã tem promoção de Os Maiores Detetives do Mundo

Fórum Sul de Professores de Jornalismo

Esta semana a Furb, em Blumenau, sedia a terceira edição do principal evento sobre ensino de jornalismo da região sul. O capítulo regional do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo tem como tema os novos currículos e o impacto profissional. Esta é uma oportunidade única para debater o assunto, já que os cursos estão reformando suas grades curriculares por conta das Novas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Jornalismo, do MEC.

É também um momento de rever amigos e reforçar os laços de luta e união. Ainda mais depois do espetáculo dantesco protagonizado pela polícia e pelo governo do Paraná contra os professores na semana passada.

Farei a conferência de abertura, motivo de honra e de extrema responsabilidade…

Mais informações em www.fnpj.org.br

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Regulação econômica da mídia na Câmara

Será que agora vai?

(Reproduzido do FNDC)

Duas propostas importantes para a democratização da comunicação no Brasil serão discutidas em audiência pública na Câmara dos Deputados na próxima semana (7/5): os projetos de lei (PL) 4026/2004, de autoria do ex-deputado Cláudio Magrão (PPS-SP), e 6667/2009, proposto pelo deputado Ivan Valente (Psol-SP). Ambos regulamentam a Constituição Federal (Art. 220), impondo limites à propriedade dos meios de comunicação e à audiência para combater o monopólio no setor, e tramitam apensados.
A audiência foi requerida pela deputada Luiza Erundina em março e será realizada às 9h30 da próxima quinta-feira (7/5), no plenário 13 do anexo II da Câmara. O ministro Ricardo Berzoini, das Comunicações, é um dos convidados, junto com Ana Carolina Lopes de Carvalho, assessora da presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Murilo Cesar Ramos, professor da Universidade de Brasília (UnB) e Rosane Bertotti, Coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
O PL 4026/2004 altera o Decreto-Lei 236/67 e limita em no máximo 50% a audiência de uma mesma rede de televisão (em qualquer horário). Esse limite já é realidade em países como os Estados Unidos, onde uma única empresa de comunicação não pode ter mais que 39% da audiência da população em território nacional. A proposta também estabelece limites à propriedade de emissoras por empresas de rádio.
Na justificativa do projeto, o autor observa que o Decreto-Lei 236 tem quase meio século e refletia uma realidade em que as emissoras operavam isoladamente ou formavam pequenas redes, o que não acontece hoje. A ideia é “pensar em alguma forma de administrar essa situação, delimitando o poder de mercado dessas empresas”.
O PL também estabelece suspensão das outorgas de retransmissoras e repetidoras que excederem o índice de audiência estipulado, o que que caracteriza domínio de mercado relevante, nos termos do Art. 20, inciso II, da Lei 8.884/94 (lei do Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O PL foi desarquivado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em fevereiro deste ano.
A proposta do deputado Ivan Valente (PL 6667/2009) responde à demanda da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) por políticas públicas capazes de coibir o monopólio e o oligopólio no setor de radiodifusão. O projeto tipifica a concentração horizontal e vertical nos meios de comunicação, proíbe que empresas do setor tenham acionistas ou cotistas integrantes de empresas de jornais, revistas e outros periódicos impressos, de empresas de televisão por assinatura ou de telecomunicações, além de estabelecer limites para a propriedade de emissoras de rádio e TV.
Bia Barbosa, coordenadora de Comunicação do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) comemora a realização da audiência. Para ela, a iniciativa demonstra que a despeito do desinteresse dos empresários do setor em discutir a concentração, “por interesses óbvios”, e da lentidão do governo em fazer a discussão avançar, as entidades sociais organizadas em prol da democratização da comunicação não param de cobrar que o poder público abra um espaço para fazer esse diálogo com a sociedade. “Nossa constituição proíbe o monopólio, mas até hoje não foi colocada em prática, por isso temos que debater esse tema sem melindres”, defente.
Conheça as propostas
Autor: ex-deputado Cláudio Magrão (PPS-SP)
Dispõe sobre os limites à concentração econômica nos meios de comunicação social, e dá outras providências.
Autor: Ivan Valente (PSOL-SP)
Estabelece limites para a propriedade de empresas de comunicação social, proíbe a propriedade cruzada nos meios de comunicação, e dá outras providências.

O futuro dura muito tempo

A Editora da UFSC, o Departamento de Jornalismo e o Laboratório da Tele da UFSC têm um projeto bem bacana chamado “O livro da sua vida”. Nele, em um minutinho, leitores falam de títulos que foram importantes em algum momento de suas existências…

Como hoje é feriado, que tal perder ganhar um tempinho conhecendo a iniciativa?

(Até eu me arrisquei a indicar um livro…)

O massacre dos professores nos jornais

O governador tucano Beto Richa deve estar bastante contente hoje cedo.

Diante da mesa do café da manhã, deve estar folheando os principais diários e vendo o resultado de sua ação ontem contra os servidores, os professores e toda aquela gentalha que ele simplesmente abomina e despreza.

Vamos dar uma olhadinha nas primeiras páginas?

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Espantando abutres

UnknownÉ preciso apurar os ouvidos para poder captar vozes dissonantes em meio ao coro. Por isso, a leitura de “La prensa ha muerto: viva la prensa!”, de Pascual Serrano, é tão interessante e necessária para esses tempos de desassossego jornalístico.

O jornalista valenciano oferece um punhado de razões para acreditar na sobrevivência do jornalismo, e como a tão propalada crise pode trazer em si muitas oportunidades de revisão de percurso. Não se trata de um rosário otimista e acrítico, mas de um volume que mantém a crença (e isso não é ruim) de que precisamos continuar a caminhar.

Para reforçar seu ponto de vista, Serrano destrincha as estruturas de funcionamento, os contextos de sobrevivência, as estratégias e os recursos (sempre limitados) de mais de uma dezena de meios que, diariamente, dão mostras de vigor e espírito: Le Monde Diplomatique, La Jornada, os já centenários La Jornada e The Nation, Brecha, IPS, junge Welt, Democracy Now! e o que o autor chama de um “boom español”.

Em linguagem clara, num tom que oscila entre o descritivo e o analítico, o livro traz diversos momentos de alento aos mais preocupados, e enfatiza as lições que a indústria do setor vem colhendo nas últimas décadas. Mais do que encher páginas e mais páginas de lamúrias, o momento é de buscar soluções, de reinventar procedimentos, de estabelecer um diálogo efetivo com os públicos e de descartar velhas fórmulas.

Modestamente, estou terminando de organizar um livro que também trata do tema. Questões para um jornalismo em crise é composto por treze capítulos que se dedicam a perguntas incômodas para nossos dias. Tratamos de jornalismo em dispositivos móveis, reportagem multimídia, crítica de mídia, das relações entre amadores e profissionais, das redes sociais, de uso de conteúdo gerado pelo usuário, de jornalismo pós-industrial, ensino e formação, entre outros aspectos. Os textos são assinados por jornalistas e pesquisadores do Mestrado e do Doutorado em Jornalismo da UFSC (Posjor), e o volume deve sair nos próximos meses pela Insular. Mais algumas vozes dissonantes que berram contra os abutres do jornalismo.

A memória está nos poros

Aconteceu num dia de Natal, e não foi especial apenas por isso. Mas é claro que em datas como essas a gente fica mais sensível, propenso a tornar tudo mais simbólico, quase milagroso…

Era o finalzinho da tarde, quando não havia mais presentes para abrir e a preguiça nos alcançava de uma forma inescapável. A luz sumindo lá fora, a cortina do quarto fechada, o abajur aceso tingindo as paredes de um amarelo mole. A família ainda se espremia inteira na cama, quando esbarramos num CD caseiro antigo, repleto de canções que a mãe reunira para uma festinha de aniversário do filho. As musiquinhas infantis pertenciam a um passado longínquo do garoto agora com dez anos. Quase uma eternidade para ele…

Apertei o play para que a família embarcasse naquela viagem, e o rapazinho pulou me dando um abraço, o que me fez segurá-lo numa posição de aconchego. Grudado, se aninhou ali, com o queixo colado no meu ombro, as pernas e os braços, sobrando às costas. Começamos a dançar as aberturas dos desenhos animados, as cantigas de roda e as músicas da Turma do Cococoricó… Há quase uma década, quando o rapazinho era só um cisco de gente, eu fazia o mesmo. A mãe – exausta do dia – aproveitava para descansar e eu colocava o bebê para dormir, ao som daquelas canções.

Agora, dançávamos mais uma vez, e os braços sentiam quase trinta quilos a mais. A mãe assistia com um sorriso que unia as duas orelhas… E, de repente, eu notei o ombro encharcar. Em silêncio, o rapazinho me abraçava com força, com uma disposição de nunca mais largar. Disfarcei, mas também deixei escapar algumas lágrimas. Continuamos dançando por outra eternidade. A mãe quis saber o que acontecia, e o rapazinho disse que estava com saudades dos tempos de ninar…

Mas como poderia lembrar se nem gente quase era?

Naquele dia de Natal, percebi que a memória não está na cabeça nem no coração. Ela está em toda a parte, na pele, no corpo, nos poros. Qualquer coisa pode interromper seu sono latente, e fazê-la vibrar feito asas de beija-flor. A música infantil, o calor do colo e o chacoalhar da dança, tudo isso mexeu com a gente, e nos fez voltar um tempo de delicadeza. Foi meu melhor presente no Natal que passou…

Billie fez 100 e nem parece

Eu poderia começar assim: “Se estivesse viva, Billie Holiday teria feito cem anos ontem…” – Mas não!

Billie está viva, sabemos todos. Então, recomeçarei dizendo que, para uma estrela, um século de existência não é nada, é a espessura de uma folha de papel sobre o Empire State Building… Estrelas giram no espaço por bilhões de anos, e Billie só está engatinhando…

Pois é, nega-véia, o tempo passou e você continua a mesma: sofrida, doída, sensual, rascante, romântica, oblíqua-e-dissimulada, única. Dissonante, inspiradora, emocionante. Tenho pena de quem nunca te ouviu. Tenho mais de quem te escutou, mas não te ouviu. Para aqueles que não cansam de te ver cantar, repetimos a cada verso: volta, vai! Como diz a inscrição famosa de cemitério, “nós que aqui estamos, por vós esperamos!”

Um encontro de dois escritores fantásticos

Já pensou uma conversa entre Ray Bradbury (de As Crônicas Marcianas) e Adolfo Bioy Casares (de A invenção de Morel)? Não é fantasia minha, não. Aconteceu! Em algum dia numa feira literária em Buenos Aires…

Sabe mesmo o que eu quero?

Je Veux d’l’amour, d’la joie, de la bonne humeur…

Uma entrevista com Patrícia Melo

O site literaturapolicial.com publicou hoje uma entrevista que fiz com Patrícia Melo, a maior escritora policial brasileira. Na conversa de pouco mais de meia hora, ela falou sobre o recém-lançado “Fogo Fátuo”, seu décimo livro, sobre o cotidiano da escrita e sobre o panorama atual do noir nacional…

Ficou curioso? Confira aqui!

O fator confiança

Screenshot 2015-02-27 03.07.27A Ethical Journalism Network acaba de lançar um estudo com dados de 16 países sobre como jornalistas monitoram seus erros e os corrigem. O Brasil está no relatório, e a seção a ele dedicada é assinada pelo jornalista Marcelo Moreira, que já presidiu a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

No geral, o estudo é bastante genérico, mas de alguma forma contribui e estimula os debates sobre auto-regulação no setor, um tabu por essas bandas.

O diretor da rede, Aidan White, considerou surpreendentes os resultados da pesquisa que apontou – à exceção da Noruega, um modelo para a auto-regulação – que na grande maioria das vezes, jornalistas e editores se digladiam com controles legais, interferência política e corrupção. Um mundo nada fácil…

Organizada pelo próprio White, a publicação – intitulada The Trust Factor (O fator confiança) – tem 80 páginas, em inglês e formato PDF.

Para baixar o estudo (arquivo de 7 Mb), vá por aqui.

Violência contra jornalistas brasileiros, um dossiê

Screenshot 2015-02-09 02.40.07O título de um filme bastante conhecido poderia resumir 2014 para os profissionais da imprensa brasileira: O Ano Que Vivemos em Perigo.

Duvida? Então, dê uma olhada nesta pesquisa produzida pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), recentemente divulgada. É para se preocupar…

O documento tem 52 páginas, está em formato PDF e tem menos de um mega de arquivo.

Baixe aqui!

Mais informações: aqui e aqui

Redes sociais: 28% do planeta está conectado

Infografia do Go-Globe apresenta dados mais recentes da presença, uso e engajamento nas redes sociais…

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Cadê meu Atari?

Eu sei, o vídeo não é novo, mas é muito divertido.

Se você gosta de Heath Ledger como Curinga, se você se amarra num Batman nervosinho, tem que assistir a essa redublagem do célebre interrogatório de O Cavaleiro das Trevas. O Palhaço do Crime tem que responder a um importante questionamento do Cruzado Encapuzado…

Como veremos as notícias em 2020?

6a00e552985c0d883301bb07e755bc970d-500wiA BBC se arrisca em responder. Em “Future of News”, o conglomerado britânico apresenta uma visão de como as notícias vão se apresentar, como a tecnologia, as empresas e os profissionais funcionarão.

Programas de TV mais participativos, audiências mais ativas, publicidade como mecenato, Big Data nas redações e doses cavalares de jornalismo local estão entre as apostas da BBC.

Ficou curioso? Então, espie o futuro aqui.