eu sabia que conhecia a dilma…

Agora eu sei de onde conheço a Dilma Rousseff. Frank Maia me fez lembrar…

A ministra caiu, mas não só isso…

Frank Maia manda bem again!

hq-con bombou!

O Floripa Music Hall ficou pequeno pra tanta gente neste sábado, durante a HQ-CON. Pelo que me lembro, esta é a primeira convenção de quadrinhos da cidade, e a casa de shows no centro ficou abarrotada de gente ao longo do dia. Milhares de pessoas passaram pelo local, espremendo-se entre as cadeiras dispostas para assistir aos debates e a área de circulação aberta. Confesso que me impressionei com o que vi. Quando cheguei pela manhã com meu filho, na abertura do evento, um grupo bem menor de pessoas aguardava a abertura dos portões. “É a meia dúzia de aficcionados de quadrinhos de sempre”, pensei. Que nada!

A casa foi enchendo e depois do almoço estava cheia. Um sucesso!

Eddy Barrows, desenhista do Superman, e dr Banner

Como convém, havia exposição de originais, encontro com artistas – como Eddy Barrows, que desenha o Superman, e Ricardo Manhães -, venda de gibis novos e usados, e alguns outros artigos para colecionadores. Diversas mesas com roteiristas e desenhistas aproximaram os fãs de quadrinhos catarinenses de alguns realizadores de outras praças, principalmente São Paulo. O concurso de Cosplay também convenceu alguns a aparecem fantasiados de seus personagens favoritos, vindos dos quadrinhos, dos animés ou dos games. Levei meu filhote vestido de Hulk e ele fez grande sucesso, mas se cansou bastante e não conseguiu esperar colher as glórias na competição: foi pra casa da avó. Atendi ao pedido, afinal “Hulk esmaga!”

Mesmo em sua primeira edição, a HQ-CON revela um incrível potencial comercial, cultural e social. Seus realizadores irão enxergar como um evento como este pode não apenas mobilizar tanta gente como também render dividendos e ajudar a difundir as subculturas ligadas à cultura de fãs. O que que quero dizer com isso? Ora, da próxima vez, será preciso fazer a convenção num espaço maior, com infra-estrutura tão boa como a que vimos hoje, mas com a presença de mais expositores, mais divulgação na mídia e mais cuidados na organização, principalmente com relação ao cronograma. Houve atraso de mais de duas horas em algumas atrações…

Se você não foi, mas quer um resumo, veja o que achei de bom e de ruim na HQ-CON:

Positivo

  • A escolha do local de realização; o Floripa Music Hall é central, limpo, bem iluminado, com bons banheiros e com estacionamento fácil (e de graça). É verdade que o estacionamento não é muito grande a ponto de permitir a entrada da Enterprise, mas bastava para veículos civis…
  • O preço dos ingressos: R$ 15,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Para um evento que começa às 10 da manhã e vai até até as 19 horas é bem barato.
  • Os convidados das mesas representam parcela interessante da produção atual de quadrinhos. Para quem não os conhecia, estava aí uma chance; para os mais bem informados, foi uma forma de revê-los
  • Trazer artistas para conversar com os fãs, desenharem por lá, e trocarem ideias é sempre muito legal. Aproxima o realizador com o seu público. Deveriam ter sido mais “explorados”.
  • Sorteios de brindes e gincanas sempre são muito divertidos.
  • A heterogeneidade do público foi uma grata surpresa. Sim, encontrei com os nerds de sempre, os cabeludos e barbudos, as meninas esquisitonas, mas vi a vovó que trouxe o neto, o professor de matemática que estava de passagem pelo centro, a bonitona que entorta os pescoços dos rapazes, enfim, várias camadas que se interessam pelo assunto. Isso é muito positivo, pois quadrinhos deixa de ser assunto de gueto…

Negativo

  • Não havia muita opção para alimentação e os preços praticados no interior da convenção eram extorsivos
  • Houve atraso na abertura dos portões e os debates se estenderam para além de seus horários, comprometendo todo o cronograma. Poderiam ter chamado o Wolverine pra ser o mediador: ninguém estouraria o horário!
  • Faltou um grande nome nacional entre os debatedores. Quem sabe ano que vem convidem alguém para uma conferência de abertura. Talvez a organização escolha um homenageado da edição e ele possa ser o cara do momento…
  • Havia poucos expositores e vendedores, e eles estavam confinados a espaços bem limitados. Sebos da cidade, lojas de games, camisetas e suvenires poderiam estar por lá também… afinal, nenhuma convenção de quadrinhos trata apenas de quadrinhos. A cultura de fã abarca games, seriados, livros, animés, vestuário, lembrancinhas diversas…
  • Não ter convidado escolas e articulado a vinda de mais crianças e pré-adolescentes. Vi poucos por lá. A maioria levada por pais ou parentes que já gostam da Nona Arte. Mas fazer com que estudantes frequentem um evento de quadrinhos é também uma importante iniciativa de formação de leitores.
  • Senti falta de grandes editoras ou lojas de quadrinhos, de alcance nacional. A presença de comerciantes locais deu um charme especial e mostrou que há um mercado regional, mas a vinda de grandes players daria mais opções ainda aos consumidores.
  • Por fim, acho que a convenção pode ter uma cobertura ao vivo pelas redes sociais. Twitter, Facebook, YouTube, Orkut e outros lugares estão aí mesmo pra expandir o universo…

coltrane, lego e animação

Michal Levy oferece uma alucinante animação tendo como fundo musical “Giant Steps”, um clássico de John Coltrane. A gravação do saxofonista é de 1959, o filme original é de 2001, mas em 2004 ganhou nova edição da animadora israelense. Junte o jazz com blocos coloridos que mais parecem pecinhas de Lego. Chega de papo! Veja você mesmo!

(dica do Ricardo Lombardi, do Desculpe a Poeira)

porque ainda é dia dos pais

Uma das frases mais conhecidas do cinema é justamente esta:
“Lucke, eu sou seu pai!”

Em homenagem aos pais visitantes deste blog, meu pequeno Darth Vader dá o ar de sua graça.

neve em santa catarina

Meu amigo Frank Maia dá o recado…

ganhei o luiz beltrão: reações

A Intercom divulgou há duas semanas os vencedores do Prêmio Luiz Beltrão, e fui um dos honrados neste ano, na categoria Liderança Emergente. É claro que isso me surpreendeu, me deixou bastante feliz e honrado. Desde então, venho recebendo emails, recados no Facebook e direct messages no Twitter lustrando meu ego. Mas algumas reações foram ótimas pra me deixar com os pés no chão…

  • De um amigo: “Não é pergunta de estraga-prazeres não, mas o que isso muda na sua vida?”
  • Do meu filho de seis anos: “Pai, cê vai ganhar uma medalha?”
  • De um dos meus irmãos: “E aí, tem dinheiro na parada? Me empresta uma grana?”
  • De outro amigo: “Xiiii! Agora o cara vai se achar!!!”
  • De mais um amigo: “É merecido. Mas espero que ainda responda meus emails, emergente!”
  • De uma amiga: “Pô, parabéns! Agora, você vai entrar para a maçonaria da Comunicação! Lembra dos pobres, tá?”
  • De outra amiga: “Parabéns, Christo! Mas não posso deixar a piada passar: você é a nova Vera Loyola da Comunicação. Viva os emergentes!”

fique de olho nesse cara

Li, quase num fôlego só, o livro de estreia de Flávio Izhaki: “De cabeça baixa”. É verdade que recebi o volume há uns dois anos e ele ficou chocando na estante, acenando para furar a fila e cair nas minhas mãos. Ontem, sem motivo nenhum, apanhei o livro, compacto e bem editado, e passei a folhear. Em duas páginas, ele já havia me fisgado, o que é bom sinal.

Pois o carioca de pouco mais de trinta anos tem o punho firme, uma narrativa bem amarrada e um estilo bastante elegante. Com personagens que cabem numa mão só, Izhaki constroi um romance intrigante, especular e muito contemporâneo. E nada simples.

A história é a seguinte:
Felipe Laranjeiras é um carioca que se exilou em Curitiba após o final de um relacionamento e o fracasso do primeiro livro. Parece um estrangeiro, fugindo de si e do mundo. Num dia qualquer, vai a um sebo e se depara com um volume de seu próprio livro, o que já seria um golpe no estômago para qualquer escritor. Afinal, os sebos parecem masmorras onde se descartam os livros que indesejamos. Não bastasse isso, o livro traz uma dedicatória do próprio Felipe a alguém de quem não se lembra. Uma mulher. Felipe fica curioso. E sua curiosidade transborda quando percebe nas margens das páginas anotações pra lá de afrontosas à obra. O que acontece? Felipe vai atrás da mulher que escreveu tudo aquilo.

Posto o roteiro, o leitor que aperte os cintos, pois a viagem será cheia de turbulências e reviravoltas. O livro é envolvente, rápido e certeiro. E seu autor… ouviremos falar bastante dele!

Se você se interessou pelo romance, conheça o blog do autor e assista a um trailer que ele produziu para o livro.

brrrrrrrrr…

Ontem, em Florianópolis, fez 9 graus.
A 420 km de distância, nevou em Luzerna.
Hoje, em Porto Alegre, estava 5 graus às 10 horas…

Soube que na Alemanha tá fazendo 38 na sombra… inveja!

a melhor semana do ano!!!

Sabe aqueles dias em que tudo dá certo? Se não tudo, ao menos o que mais importa?

Sabe aquele tempo em que você tem razões de sobra pra comemorar e que nem cabe em si?

Definitivamente, a semana que passou foi a melhor semana do ano, e olha que 2010 tem sido muitíssimo generoso comigo… Tenho bons motivos pra celebrar…

  • Estou muito próximo de fechar um semestre exaustivo e vitorioso
  • Na terça, minha querida Ana Laux foi brilhante na apresentação de seu Trabalho de Conclusão de Curso “Almanaque dos Grandes Detetives“, alcançando a nota máxima e recebendo entusiasmados elogios da banca

  • Na quarta, tive um projeto aprovado e uma bolsa do CNPq concedida para um assistente de pesquisa
  • Na quinta, a Receita Federal me deu uma ótima notícia, coisa que meus credores também adoraram!
  • Nesta sexta, saiu mais uma edição do Quatro, o jornal-laboratório que edito com alunos aqui na UFSC!
  • De quebra, a Intercom me deu outra excelente notícia, algo que verdadeiramente me surpreendeu e honrou.

É ou não é uma semana memorável???!!!

paulo moura foi pro céu

Se o Brasil fosse a pátria do jazz, teríamos perdido um dos grandes mestres.
Como não é, perdemos um grande músico muito mais reconhecido no exterior.
Paulo Moura seria o nosso Lester Young.

viva españa!

A Espanha sagrou-se campeã mundial de futebol hoje à tarde.
Em homenagem, ofereço Miles Davis em inesquecíveis performances do clássico “Concierto de Aranjuez”, presentes no disco “Sketches of Spain”

Viva España! Viva el jazz! Viva la vida!

quem inventou o laptop?

Não foi nenhum engenheiro do MIT. Nem um mecatrônico japonês da Sony.

Foi Clarice Lispector. A prova está na foto abaixo:

a solução para tudo

Para mim, esta semana é daquelas que termina mas não acaba.
Tenho tantas tarefas pra cumprir que mal consigo passar por este blog, mal tenho tempo de colocar as leituras em dia, e estou em dívida com um monte de gente que espera algo de mim.

Por isso, me lembrei do esquema abaixo. Ele me foi passado por um ex-aluno, treinado pelos Jedis e por ninjas assassinos. Sagaz, ele descobriu/desenvolveu o solucionador cósmico de problemas. Gostaria muito de usá-lo nesta semana, mas não sou muito corajoso… Quem sabe você usa?

minhas copas do mundo

Como ninguém está falando desse assunto, vou tocar nele: a Copa do Mundo. Mas não apenas desta que está em curso na África do Sul, mas de todas as que já acompanhei. Foram muitas. E milhares de leitores vêm mandando emails e cartas, e acotovelam-se na frente da minha sacada em hordas pedindo que eu conte como foram as minhas Copas do Mundo. Sendo assim…

1970: eu era apenas um pensamento furtivo na mente de minha mãe, que vinha sendo enrolada por papai há uns cinco anos já. Na época, namorava-se um tempão e havia ainda uma segunda chance para alguém retomar o juízo, o noivado. Acompanhei a disputa no México num cantinho do coração da minha mãe. Como eu disse, eu era apenas um desejo…

1974: vi poucos jogos. Aos dois anos, dormia mais do que deveria. E o meu ponto de vista sempre era atrapalhado: eu olhava para cima, para a TV, tentando entender aquela correria toda. Não entendia também porque as pessoas gritavam com aquele aparelho em cima da estante…

1978: fiquei levemente confuso. Por que só a Argentina podia colocar mulheres jogando? Anos depois, descobri que eram apenas hermanos cabeludos.

1982: vibrei e colecionei figurinhas que vinham com os chicletes Ping Pong. Depois da partida contra a Itália, pus a gordinha debaixo do braço e desci a rua até o rapadão que tínhamos na esquina. Foi lá que vinguei os 3 a 2. Foi lá que eliminei a Itália, avancei na competição e sagrei-me campeão mundial na Espanha. No começo da noite, minha mãe berrou meu nome e fui jantar.

1986: comemorei antecipado quando marcaram o pênalti para o Brasil contra França. Quando Zico errou, lembrei-me da mãe dele. Não fechei o álbum da Copa.

1990: sofri porque acreditei. Foi a última Copa do meu pai. Ele desistira de ver o Tetra…

1994: foi uma farra. A Copa de minha época de universitário: bebemorava até a vitória de países cuja capital desconhecia. Sofri na final. Me peguei chorando após Baggio errar o pênalti. Eu era Pelé, em 1958, desabando diante da glória.

1998: sortudo, fui escalado para trabalhar em todos os jogos da seleção no jornal. Não levei muita fé. Acabei assistindo apenas uma partida em casa: a final. Ainda bem que estava deitado.

2002: joguei muita bola com a patroa nas madrugadas daquela competição. Vi a final num boteco perdido em Balneário Camboriú, e estendi a farra desfilando e dançando na avenida Beira-Mar em Florianópolis. Comecei a pensar que seria legal ver os jogos da Copa com um filho.

2006: torci pra França. Gostei da cabeçada de Zidane. Aos dois anos, meu filho dormiu mais do que deveria. Às vezes, ele olhava para a TV, tentando entender aquela correria toda. Intrigou-se com a gritaria e o foguetório.

2010: para mim, esta Copa começa amanhã. Espero não ver meu filho tendo que vingar a seleção no campo da pracinha da esquina…

e se jesus fosse professor?

Tudo bem, Cristo era o Mestre. Mas o que teria acontecido se ele também fosse educador?

Alguém pensou nisso e escreveu uma versão do Sermão da Montanha. É hilariante. Recebi da amiga Sonia Padilha, e reproduzo:

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre
uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.
Tomando a palavra, disse-lhes:

– “Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão ssciados. Felizes os misericordiosos, porque eles…”

Pedro o interrompeu:
– Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
– É pra copiar no caderno?

Filipe lamentou-se:
– Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
– Vai cair na prova?

João levantou a mão:
– Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
– O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
– Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou:
– Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
– Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou:
– Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
– Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
– Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
– Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos?
Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
– Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros
curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
– Quero ver as avaliações da Provinha Brasil, da Prova Brasil e demais testes e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor efetivo…

Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu. Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria…
Mas olhou de novo a multidão. Eram como ovelhas sem pastor… Seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou…

era uma vez um verão

Você pode não gostar de jazz. Pode nem saber quem foi Chet Baker. Mas se tem dois dedos de sensibilidade e nove minutinhos de tempo livre, feche os olhos e ouça “Once upon a summertime”, em interpretação soberba do trompetista que despencou do quarto andar de um hotel em Amsterdã. Era a madrugada de uma sexta-feira 13. 13 de maio de 1988.

Vale a nota, mas vale mais a vida e a música.

um blues para o harlem

De repente me lembrei que existem lugares cujas geografias são altamente musicais. É assim no Beco das Garrafas, no Rio, nas ladeiras do Pelourinho, em New Orleans, em alguns becos do Harlem. No clipezinho a seguir, Cynda Williams canta Harlem Blues, belíssimo número que tem um Wesley Snipes fingindo tocar no palco, mas que tem na retaguarda mesmo dois gigantes do jazz: Terence Blanchard (no trompete) e Brandford Marsallis (nos saxofones soprano e tenor). Transporte-se para um clube no meio do Harlem, no meio de um filme de Spike Lee… Boa viagem!

príncipe da pérsia vale a pena

A aventura que chegou hoje às telas de cinema brasileiras é uma daquelas produções que exalam os aromas do sucesso. “Príncipe da Pérsia – As areias do tempo” desembarca montado não num resistente camelo ou num rangedor cavalo do deserto, mas num conjunto de estratégias comerciais que surpreenderia tanto quanto uma tempestade no deserto. O filme da Disney chega em versões dublada e legendada, em dezenas de salas e acompanhada de promoções na internet (numa delas o prêmio é uma viagem a Marrocos) e em canais pagos (na ESPN Brasil, por exemplo, vinculou-se belos gols com a magia da história).

Mas para além disso, o filme é uma produção muito bem acabada. A trilha sonora é adequada, as locações bem escolhidas, o elenco convence, os efeitos visuais são deslumbrantes. A versão dublada é caprichosa, como é uma tradição da Disney por aqui. Há atores com A maiúsculo, como Ben Kingsley e Alfred Molina, amparados por bons diálogos e personagens marcantes. Jake Gyllenhall está bem como o personagem título, e Gemma Artenton lembra uma Monica Belucci mais jovem, com rosto levemente mais forte. Um conselho: não olhe diretamente para os olhos dela. Você vai ficar paralisado.

Se você já enfrentou o game que deu origem ao filme, vá igualmente avisado. Não é a mesma trama, mas uma variante. Não temos a princesa Farrah, mas Tamina. Não temos zumbis com cimitarras, mas assassinos implacáveis, hordas enlouquecidas, víboras que saltam. Mas temos alguns elementos que se repetem: traição, um vilão ganancioso, a tensão permanente entre ser predestinado ou fazer seu próprio destino. Há romance, aventura, adrenalina, e a adaga do tempo, peça-chave no game. Como nos consoles, o Príncipe é um ótimo saltador e maneja com muita habilidade a espada. No cinema, ele é mais bem-humorado que no joystick.

O beijo demora pra sair. O desfecho do filme segue as trilhas do game, mas essa previsibilidade não detona a diversão. Ela é garantida. E vale pra família toda. Aqui em casa, mesmo quem não ficou hipnotizado com o controle na mão gostou. Então, vale a pena. Até pelas pequenas ironias que escapam da tela, como finos grãos de areia. A que mais gostei foi a história da guerra motivada por uma denúncia falsa de fabricação e tráfico de armas. Pérsia, Iraque, tanto faz…Definitivamente, os roteiristas não dormem de toca.

dez cantoras para um domingo sem sol

Toda lista é pessoal; toda lista é imperfeita; toda lista é ordenada ao bel prazer…

Para você, que passou por aqui, ofereço uma listinha de dez cantoras para hoje…

Conte até 10. Ouça mais ainda…

Marisa Monte apresenta uma utopia na geografia: Vilarejo

Billie Holiday canta o seu amor: My man

Sarah Vaughan também fala do amor: My funny Valentine

Diana Krall embala The look of love

Ella Fitzgerald canta Summertime

Elis Regina interpreta Águas de Março (tente não chorar…)

Amy Winehouse brilha com Tears dry on their own

Bruna Caram mostra uma versão muito pessoal de Feira moderna

Sade me fala de uma tal Jezebel

Ana Laux me presenteia com Ballad of strings

dicionário do cansaço: maio

Maio é mês de inferno astral e o começo do fim… do semestre…

Ofereço um instantâneo de minha mesa de trabalho. O que está em cima da mesa sou eu…

ainda perdido em lost

Se você ainda não viu o último episódio de Lost, aquele que encerra as seis temporadas, aconselho a não ir adiante na leitura aqui. Se já assistiu, siga. Se não é fã de Lost, não tem problema, talvez interesse assim mesmo…

Tenho impressões muito pessoais sobre o episódio final de encerramento da série. Foi um longo capítulo com o seguinte dilema: dar desfecho à trama ou responder aos muitos mistérios que ela suscitou? Os produtores preferiram a primeira opção. Por isso, quem esperava ter todas as respostas pode ter ficado frustrado. Não foi o meu caso. Gostei bastante do que vi. Não totalmente, mas já esperava que qualquer desfecho poderia levar à decepção.

Penso que foi um final voltado para os verdadeiros fãs da série, aqueles que acompanharam os Losties durante os últimos seis anos. Daí ser um episódio concentrado no encontro, no reencontro. O desfecho das tramas paralelas, o realinhamento dos casais, o perdão e alguma redenção. Os miniclipes que recuperam as trajetórias dos personagens trazem uma carga extra de emoção. Lost acabou se revelando uma série muito mais sobre relacionamentos do que sobre mistérios. A Ilha se coloca como uma arena onde os atritos, as aproximações, a colisão de interesses, tudo isso e mais fermentam as ações humanas. Com isso, a Ilha se consolida como a metáfora transcendental da vida. Os mistérios funcionam com as pistas falsas que encontramos durante a trajetória.

A imperfeição dos personagens, seus sentimentos contraditórios, as escolhas pragmáticas, a moral conveniente, tudo isso tempera a série, dando a ela contornos mais difusos e camadas de profundidade diversas. E sejamos francos, não estávamos acostumados a ver isso numa série de TV.

Foi muito bom acompanhar tudo isso. Espero a próxima jornada…

lost NÃO termina hoje

Ao contrário do que possa parecer, a série mais comentada da TV dos últimos anos não termina hoje. E tenho lá minhas razões pra acreditar nisso. Não se trata de nenhum golpe de marketing ou manipulação de Benjamin Linus. Acho que o evento televisivo mais esperado do ano nos Estados Unidos (e fora) vá funcionar hoje muito mais como um desfecho formal, e menos como um final.

O aparato montado para a transmissão de hoje à noite dá contornos épicos. Espetaculares. Me lembro do burburinho para o episódio final de Friends – que ficou dez anos no ar – e para E.R. – que ficou 18, e aqui no Brasil foi veiculado como Plantão Médico. E nada se compara. Para se ter uma ideia, a ABC estará cobrando US$ 900 mil para cada 30 segundos de intervalo comercial durante a transmissão. Serão dedicadas cinco horas da programação para o final de Lost. Primeiro, a emissora exibirá um resumo de duas horas das seis temporadas. Depois, virá o Series Finale, com hora e meia de duração. O resto será preenchido com anúncios, e só com essa transmissão, a ABC deve faturar U$ 45 milhões, informa o ótimo Dude We are Lost. É um acontecimento televisivo, semelhante ao Super Bowl, quando dezenas de milhões de americanos param tudo para ver a final do futebol deles…

Mas como eu dizia, Lost não termina hoje.

Depois de seis temporadas e um punhado generoso de mistérios, a série estabeleceu um novo patamar nas produções televisivas. Não apenas porque os gastos por episódio se aproximem dos consumidos por produções cinematográficas modestas, mas porque a qualidade narrativa e a capacidade de envolvimento do público superou o cinema. Sim, sejamos francos. Nos últimos anos, é a TV quem manda. As produções televisivas têm sido muito mais ousadas, exitosas e influentes que os arrasa-quarteirões dos estúdios. Compare-se a geração de filmes e séries/seriados desde o ano 2000… E Lost ajudou a puxar o sarrafo pra cima.

Lost é um fenômeno desses tempos. É um produto da cultura de fã, que já existia bem antes, mas que foi hipertrofiada pelas potencialidades da internet e das redes sociais. Lost é crossmedia, é narrativa transmídia. Não termina no desfecho do episódio, pois continua nos fóruns, nos podcasts e chats. Um personagem pode até bater as botas num momento, mas ressurge nas listas eletrônicas, nas conversas de corredores, nos blogues que reescrevem a trajetória do finado, nas fanfictions

Como eu dizia, Lost não termina hoje. Esta é a minha primeira certeza.

A segunda é que ficaremos todos decepcionados com o que iremos assistir. Sim, ficaremos. Passados seis anos, catalisada toda a ansiedade e expectativa, nenhum desfecho possível (ou impossível) irá nos satisfazer. Mesmo que todos os mistérios sejam competentemente solucionados. Mesmo que nossos prediletos se salvem, deixem a Ilha e refaçam suas vidas da melhor maneira. Nada disso vai aplacar a nossa ânsia pelo capítulo final.

E quer saber? Pouco importa. Ao menos para mim. Isso porque eu tenho uma terceira certeza. Em Lost, mais importante que o desfecho é a viagem. Qualquer que seja o final, o que fica é o acumulado ao longo desses anos: a mitologia, a galeria de personagens, a Ilha, as loucuras que desafiam a ciência e os sentidos, a Iniciativa Dharma, Os outros… Como diz Jorge Drexler, “amar la trama más que al desenlace”… O que fica é a história, a narrativa, a contação. Adultos e crianças se comportam da mesma forma: adoram ouvir histórias, se fascinam por elas, e embarcam nos seus ritos. As crianças, sem vergonha e sem cansaço, pedem que as mesmas histórias sejam contadas, que os trechos tenham os mesmos acentos, as mesmas pausas, os mesmos diálogos. O prazer não está no final, está no meio, no percurso, no curso da ação. Os adultos também fazem assim, mas de forma escamoteada, alugando filmes que já assistiram, assistindo à reprise do final da novela no sábado, revendo jogos, que chamamos de clássicos. Adoramos replay de gols. Adoramos remakes de filmes… Mais uma vez, o que conta é a história, o meio, a trama, o enredo, e não o seu fecho.

E mesmo sem ter ainda assistido ao Series Finale – e o farei na segunda ou terça -, a impressão que tenho é a mesma que tive quando estava prestes a zerar Grim Fandango, delicioso game de PC dos anos 90. Na cena final, um personagem nos lembra que, nas melhores viagens, o que menos importa é o destino e mais percurso, o trajeto. Por isso, Lost não termina hoje. Não termina mais…

domingo: venegas y drexler

Uma mulher toca acordeon. Um homem toca serrote.

É domingo. Divirta-se com Julieta Venegas; depois, com Jorge Drexler…

final de lost: get lost!

A série mais interessante da televisão termina daqui a dois dias nos Estados Unidos. Por seis anos, milhões de pessoas no mundo inteiro se deixaram perder pelos mistérios que cercavam uma ilha secreta e um punhado de sobreviventes de um acidente aéreo. E mesmo quem pouco ou nada se interessou pela produção não pode ignorar o sucesso que tem sido Lost.

Existem muitas maneiras para tentar explicar, mas Lost intriga não apenas pela trama mas também pela forma como se converteu num objeto de verdadeira devoção. Há quem venere os atores, se identifique com os personagens, sonhe em conhecer os sets de filmagem, colecione camisetas e brindes alusivos à produção. Há os que produzem blogs e paródias, que alimentem fóruns de discussão na tentativa de explicar os mistérios da ilha. Existem também os que – de forma diletante – capturam os episódios, traduzem os diálogos, legendam os episódios e disponibilizam gratuitamente os capítulos para os internautas. E existem os que bombardeiam as caixas postais dos produtores, sugerindo cenas, indicando referências e participando ativamente – mesmo que à distância – do processo de produção da série.

Sim, Lost é um fenômeno. Não é algo comum, ordinário. É sim extraordinário.

Lost é uma festa narrativa. Roteiristas usaram flashbacks para adicionar elementos decisivos, recorreram a flashforwards para ampliar a geografia limitada da ilha e inventaram flashsideways para multiplicar as realidades dos personagens. A linearidade do tempo foi definitivamente sepultada nos primeiros episódios, e a monocromia moral – que teimava em chapar os caráteres nos seriados – foi estilhaçada.

Lost é uma vivência coletiva de entretenimento. Como muitos outros produtos anteriores, Lost funciona como uma forma de integração social. Pessoas conversam sobre a série, discutem seus rumos, aproximam-se por afinidades de seus detalhes, distanciam-se por razões semelhantes. Lost é o assunto do dia; a queixa da rodinha de amigos… Nos últimos seis anos, convivemos com os sobreviventes. Mesmo estando a milhares de quilômetros de distância ou a distância de uma tela que nos separa. Também ficamos presos à ilha. Também sofremos e nos angustiamos com os Outros, com as manipulações de Ben Linus, com a fumaça negra… A cada temporada, escolhemos nossos personagens prediletos, nossos episódios, os temas. Jack, Kate, Sawyer, Locke, Hurley, Sun, Jin, Desmond, Ben e tantos mais se tornaram familiares, nos apegamos a eles. Alimentamos laços com essa poderosa narrativa, por isso nos envolvemos tanto, por isso cultivamos um sentimento de que aquilo também nos pertencia.

Lost é um objeto de colecionador. É um produto bem acabado de uma cultura de fãs, de um consumo que não se quer apenas passivo. Com Lost, queremos assistir, mas ansiamos conhecer os alicerces da narrativa. Queremos saber que destinos aguardam os heróis, mas também desejamos escrever tais destinos. Nos afetamos por Lost e queremos afetá-lo.

Lost é só uma série televisiva. A mais interessante em muitos anos. É também um conjunto de metáforas sobre a vida, sobre segundas chances, sobre redenção e arrependimento. É ainda um punhado de mitologias, de sonhos coletivos, de esperanças. Lost é só uma história… mas desde tempos imemoriais, não é isso que alimenta os nossos espíritos todos os dias? Histórias, narrativas, contos?

Em Lost, melhor do que encontrar a saída da ilha é perder-se.

5 anos monitorando

Hoje, este blog faz cinco anos de postagens ininterruptas. Criado no UOL, migrou há exatos três anos para o WordPress, e como estamos sendo muito bem tratados, por aqui devemos ficar por mais um bom tempo.

Em cinco anos, muitas coisas mudam, outras amadurecem. Para falar das mudanças, um post só não daria conta. Mas do lado de cá do teclado, permanecem dois sentimentos:

  • o entusiasmo pelo gesto e pelo estilo de vida blogueiro
  • e a imensa gratidão pela sua leitura

Beijos, queijos e caranguejos!

os nerds também amam

Amam, e se reproduzem!

Nas esquinas da Rede, acabei topando com um novo blog do Marcelo Träsel, voltado especificamente a sua nova condição: a de futuro pai. Fiquei feliz, pois é acima de tudo uma glória estar neste lugar. Fiquei feliz também pelo Träsel, que é um cara doce-raivoso, agridoce, destemperado… bem temperado!

Mas o título do blog dele – O pai nerd – me fez juntar as pecinhas que haviam caído no chão: os nerds estão se multiplicando. Träsel não é o único cara num “estado interessante”. Alex Primo está na fila e deve receber seu rebento no meio do ano… Em fevereiro, foi a vez de Raquel Recuero, e no ano passado (ou em 2008?) foi o André Lemos.

Tudo bem que ainda falta uma galera (adriamaral, gabizago, mcaquino, sandramontardo), mas um passarinho azul me contou que eles estão treinando…

O maior barato é imaginar que, daqui a uns 10 aninhos, esses filhotes estarão jogando spacegame, produzindo conteúdo colaborativamente, compartilhando experiências e olhando para a Rede de hoje como quem se detém diante de um jornal velho e amarelado…

um anti-manual de educação

É muito comum uma certa atitude de todos os pais para com seus filhos. Parece que fomos biologicamente programados para alimentar grandes expectativas sobre a prole, de maneira a projetar sobre as crianças nossas insuficiências, nossos insucessos. Quer dizer: pais sempre querem que seus filhos sejam muito, mas muito melhores do que jamais sonharam. Dessa esperança vem o super cuidado, as altas exigências, muita sobrecarga e quase a asfixia.

Não sou diferente, e acredito que pouquíssimos pais conseguem desviar dessas armadilhas. Quando soube que esperávamos um bebê, corri à livraria em busca de títulos que me ensinassem a ser um pai melhor, que me dessem o caminho das pedras, e que me orientassem na melhor educação possível para o inquilino do útero de minha esposa. Me frustrei de cara. Naquela época – e não faz muito, quase sete anos -, não havia títulos no mercado editorial dedicados ao pai. Pensei até em escrever um, com dicas e experiências diversas, mas desisti disso semanas atrás quando terminei de ler “Sob Pressão”, de Carl Honoré. Isso porque o livro é um ótimo anti-manual de educação de filhos, tudo aquilo de que precisamos nesse momento.

Trombei com o livro nessas lojas de aeroporto, abarrotadas de obras de auto-ajuda empresarial e best-sellers de vampiros juvenis. “Sob Pressão” me chamou a atenção pelo subtítulo: “Criança nenhuma merece superpais”. Folheei e trouxe o volume comigo, encaixando a sua leitura nos intervalos possíveis. E por que estou falando tanto do livro?

Ora, porque ele é um excelente chacoalhão nos pais que simplesmente funcionam como torniquetes para seus filhos: enchem-nos de manias, lotam suas agendas, consomem suas energias com preocupações neuróticas, planejam suas vidas como se fossem as de seus pets… “Sob Pressão” nos chama a atenção para que deixemos as crianças serem crianças, para que cuidemos delas no limite de seu bem-estar, conforto e segurança; e não deixemos de viver nossas vidas vivendo as da prole. No final, o próprio Honoré confessa que, no início, queria escrever uma bússola para os pais, mas igualmente perdido, deixou de lado o projeto e pôs-se a pensar em voz alta como os pais precisamos nos colocar na posição de pais e não de dublês dos filhos.

Os perigos da vida continuam existindo. As pressões externas e internas soterram a todos. Tecnologia, consumo exacerbado e violência gratuita fecham o cerco em torno da ninhada. Mas Honoré nos lembra que isso não é novidade, e que gerações e gerações sobreviveram apesar de todas as adversidades. Liberdade, cuidado, equilíbrio e respeito pelo outro – mesmo que ele não tenha nem um metro de altura e ainda dependa de você para ir ao banheiro. Tudo isso aprendi com Carl Honoré e suas angústias, que também são as minhas. Se ficou curioso, vá ao site do autor ou o siga no Twitter… aliás, faça isso junto com seu filho!

sobre a convocação de dunga

Pensei em escrever algo, mas nada superaria meu genial amigo Frank Maia: